Stoa :: Ateus e Ateísmo :: Blog

Janeiro 30, 2009

user icon

Um Método de “provar” a Paranormalidade

Jocax, Jan 2009

 

 

Resumo: Este ensaio procura alertar sobre possíveis fraudes em estudos sobre Paranormalidade e fenômenos paranormais.

 

Palavras Chaves: Paranormalidade, parapsicologia, eventos paranormais, falcatruas.

 

 

Cenário fictício que poderia ser real: Os simpatizantes da paranormalidade mostram, num vídeo do Youtube, James Randi concordando em fazer o experimento ele mesmo. E, mostram James lançando os dados, e, na seqüência, concordando que o médium previu corretamente o resultado do lançamento dos dois dados que ele próprio, Randi, havia lançado (#1 e #6).

 

Em seguida mostram o mesmo acontecendo com o Padre Quevedo e depois com o Jocax.

 

Um cético, não acreditando no vídeo, foi perguntar pessoalmente a cada um se o evento teria mesmo acontecido. Todos afirmaram que o vídeo era verdadeiro, não houve truque de filmagens.

 

E então caro leitor? Isso o faria mudar de opinião e acreditar que os eventos paranormais existem? Como se explicaria tal inusitado fenômeno?

 

A idéia da fraude é que os fraudadores apenas utilizaram as probabilidades e a chamada “amostra selecionada”.  Eles vão a diversos pesquisadores em seus laboratórios, dizem para o pesquisador usar seus próprios dados e que virão no dia seguinte com câmeras e tudo fazer o experimento: No dia marcado, o “médium” diz quais os números os dados irão mostrar. O pesquisador lança os dados e verifica se o “médium” acertou. Se acertar ele diz, atônito, na frente das câmeras que o médium previu com sucesso seu lançamento, com tudo filmado.

 

Claro que os fraudadores vão a diversos pesquisadores e a diversos laboratórios e só publicam os resultados que lhes forem favoráveis, os desfavoráveis eles ignoram ou dão a desculpa de que “o médium não estava bem disposto e por isso os espíritos não se manifestaram”.

 

Assim, a cada 18 tentativas de dizer que vai cair os dados #1 e #6, os fraudadores devem acertar uma, pois a probabilidade de jogar dois dados e cair #1 e #6 é de 1/18. 

 

Se escolherem 54 pessoas para lançarem dois dados eles podem conseguir três filmes de sucesso e colocar no Youtube para provarem que a paranormalidade existe. Claro, jamais mostrarão os vídeos dos resultados que falharam. E assim tudo parece legítimo e perfeito.

 

 

 

Palavras-chave: eventos paranormais, falcatruas., Paranormalidade, parapsicologia

Postado por João Carlos Holland de Barcellos em Ateus e Ateísmo | 13 comentários

Dezembro 19, 2008

user icon
JC e-mail 3649, de 26 de Novembro de 2008.

*14. “Design Inteligente”: o retorno, artigo de Roberto G. S. Berlinck e
Hamilton Varela*


“Invocar um ‘design inteligente’ para explicar o ‘aparentemente
inexplicável’ é uma tarefa cômoda, que não requer muita elaboração,
tampouco esforço intelectual”

Roberto G. S. Berlinck e Hamilton Varela são professores do Instituto de
Química de São Carlos da Universidade de São Paulo. Artigo enviado pelos
autores ao “JC e-mail”:

Recentemente várias palestras foram apresentadas em diversos eventos
realizados em universidades públicas e particulares, tendo sua temática
direcionada para a discussão sobre o “o inexplicável”: a complexidade da
vida, dos componentes bioquímicos e celulares e até mesmo do universo.
Consoante o “argumento” dos palestrantes, a única possível razão para
esta complexidade seria o tal do “design inteligente”, termo cunhado
para atribuir feições científicas ao criacionismo, mito bíblico da criação.

As palestras, ministradas na Universidade Federal de Uberlândia, na
Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”, campus de
Presidente Prudente, na Universidade Federal de Minas Gerais, na
Universidade Presbiteriana Mackenzie e na Universidade de São Paulo
revelam o enorme equívoco em conceder espaço ao “renascimento” do
criacionismo revestido de pseudociência e batizado de “design inteligente”.

Termo criado por William Paley em 1801, e redefinido por Michel Behe em
seu best seller intitulado “A Caixa Preta de Darwin”, o design
inteligente propõe uma forma falaciosa para explicar o que chama de
“complexidade irredutível”. O “design inteligente” jamais foi aceito
pela comunidade científica por se basear em pressupostos e argumentos
não científicos. Os argumentos que, supostamente, dão guarida ao “design
inteligente” têm sido amplamente discutidos e refutados por Richard
Dawkins e muitos outros cientistas sérios.

Reza a idéia da “complexidade irredutível”: “um sistema irredutivelmente
complexo possui diversos componentes, todos necessários para tal sistema
permanecer completamente operacional”. Como a remoção de quaisquer de
seus componentes tornaria o sistema não-operacional, argumenta-se que
tal sistema não poderia surgir a partir de um processo evolutivo
gradual. Logo, tal sistema deveria, necessariamente, surgir na íntegra,
com todos seus componentes, de uma só vez, refutando, portanto, a
evolução baseada em seleção natural, através de processos de variação,
mudança e adaptação.

Para surgir na íntegra, de uma só vez, seria necessária a intervenção de
uma entidade não humana, um designer inteligente! De acordo com os
devotos, a existência do designer serviria de curinga a ser utilizado na
explicação de questões científicas aparentemente sem respostas. Do ponto
de vista lógico e metodológico, qualquer argumentação que tenha como
premissa a existência de algo não passível de prova não pode ser
considerada uma teoria, uma vez que não pode ser refutada. Assim, o
conceito do “design inteligente” não se sustenta nas suas próprias
estruturas, ou pela falta delas.

Um dos argumentos corriqueiramente utilizados para sustentar o conceito
de “complexidade irredutível” diz respeito à segunda lei da
termodinâmica e ao processo de auto-organização.

Henry Morris, criacionista convicto, afirma que “evolucionistas forjaram
a estranha crença de que tudo se insere em um processo de progresso, de
partículas caóticas que deram origem aos seres humanos. (...) processos
reais da natureza jamais sobem montanhas por si só, mas tendem a
descê-las. Logo, a evolução é impossível” (1974, The Troubled Waters of
Evolution, San Diego, Creation Life, p. 111). Indubitavelmente, a
contradição entre as tendências à evolução e ao caos é apenas aparente.

Por exemplo, células são unidades complexas e constituídas de inúmeros
componentes e sub-componentes que interagem entre si e com o ambiente.
Tais sistemas são delimitados do meio por membranas de permeabilidade
seletiva e a auto-organização ocorre devido à exportação de entropia,
através de trocas de energia e matéria com as vizinhanças. Para que tais
processos ocorram é necessária a presença de mecanismos de interação
molecular, denominados mecanismos de acoplamento local, além de fluxos
de energia e matéria, os quais fornecem meios para que os processos
bioquímicos transcorram.

A simulação in vitro de propriedades emergentes de sistemas bioquímicos
foi comprovada inúmeras vezes, tornando possível a observação
experimental do surgimento e formação de sistemas extremamente
complexos, auto-organizados e autopoiéticos (Pier Luisi Luigi, The
Emergence of Life, Cambridge University Press, 2006).

Os defensores do ‘design inteligente’ são intransigentes: “sistemas
bioquímicos são irredutivelmente complexos, e não podem funcionar se uma
de suas partes for removida. Logo, são fruto de um design inteligente”.
Tal idéia é defendida por Michael Behe (em ‘A Caixa Preta de Darwin’).
Tal questão foi abordada pelo notório bioquímico A. G. Cairns-Smith, uma
década antes de Behe (em Seven Clues to the Origins of Life: A
Scientific Detective Story, Cambridge University Press, 1986).

Cairns-Smith chegou às seguintes conclusões: “Podemos construir uma
máquina planejando-a, fazendo uma lista de seus componentes, comprando
seus componentes, e construindo tal máquina. Porém, a evolução não
funciona desta maneira. Não existe planejamento. Não existe uma previsão
do sistema final. Não se sabe de antemão quais peças serão relevantes.
Somente os sistemas complexos têm sentido, não os seus componentes” (op.
cit.).

E ainda: “Constitui-se em um estratagema estéril inserir milagres para
explicar o desconhecido. (...) Quem poderia imaginar a idade da Terra ou
o tamanho de um átomo cerca de 100 anos atrás? (...) É infantil
argumentar que, pelo fato de não poder-se explicar um fenômeno natural
com o conhecimento disponível, é necessário se invocar o sobrenatural.
(...) Com tantos quebra-cabeças científicos do passado agora
esclarecidos, é necessário obter-se razões muito claras para não se
presumir causas naturais para fenômenos naturais” (op. cit.).

De qualquer maneira, os argumentos de “complexidade irredutível” de
sistemas bioquímicos tais como o ciclo de Krebs, ou o ciclo do ácido
cítrico, os quais seriam (presumivelmente) inoperantes sem uma de suas
partes, são atualmente refutados por inúmeros experimentos com sistemas
auto-organizados e que apresentam propriedades emergentes, amplamente
discutidas por Luigi (op. cit). Exemplos clássicos de sistemas químicos
simples que apresentam comportamento auto-organizado quando
suficientemente afastados do estado de equilíbrio termodinâmico incluem
a célebre reação de Belousov-Zhabotinsky e vários osciladores heterogêneos.

Além disso, o conceito de “redundância bioquímica”, introduzido por
Gerhart e Kirschner (1997, Cells, Embryos and Evolution: Toward a
Cellular and Developmental Understanding of Phenotypic Variation and
Evolutionary Adaptability, Oxford, Blackwell) possui função essencial na
explanação de como sistemas bioquímicos evoluíram. Fundamentalmente,
segundo os autores, “a complexidade bioquímica é observada no fenômeno
de evolução bioquímica convergente, nos quais sistemas com diferentes
histórias evolutivas, tendo se iniciado a partir de diferentes
substratos e produtos, apresentam funções bioquímicas similares”.

Ou seja, processos evolutivos naturais deram origem à complexidade
redundante observada em sistemas bioquímicos. Tais redundâncias fornecem
as estruturas moleculares e bioquímicas que são a base da evolução
gradual dos sistemas vivos, os quais eventualmente parecem apresentar
uma “complexidade irredutível” quando qualquer de suas partes é retirada.

Tais sistemas bioquímicos exercem funções resultantes da integração de
inúmeros componentes. A seleção natural resulta na “retenção” (ou
“preservação”) de alguns destes sistemas bioquímicos sujeitos a
posteriores modificações e adaptações, enquanto outros são eliminados.
Logo, sistemas irredutivelmente complexos simplesmente são “casos
especiais” de sistemas complexos redundantes.

Invocar um “design inteligente” para explicar o “aparentemente
inexplicável” é uma tarefa cômoda, que não requer muita elaboração,
tampouco esforço intelectual. Ao longo de sua história, a ciência
construiu a base do conhecimento da humanidade fundamentada em fatos
comprovados ou refutáveis. O ”design inteligente” não é nem um fato e
nem pode ser refutado. Logo, constitui-se em um argumento falso e
enganoso, sem qualquer sombra de base científica. Ao contrário do
postulado, não há uma teoria a ser contraposta à evolução darwinista, o
criacionismo se fundamenta em dogmas, não constitui em uma teoria.

Mais grave do que defender tais idéias, porém, é ter a oportunidade de
apresentá-las como sendo uma “verdade” a leigos e estudantes em fase de
formação intelectual, cujo espírito crítico está em desenvolvimento. Tal
atitude é extremamente danosa, considerando-se que estas idéias trazem
em seu bojo uma ideologia religiosa, de fundo subjetivo e sentimental.

Consideramos que a apresentação do “design inteligente” deve ser
sistematicamente refutada por educadores, pela comunidade científica,
pelos meios de comunicação, de todas as formas, pois constitui uma
ideologia medieval e ultrapassada. A discussão recente sobre a
realização de pesquisas com células-tronco mostrou como a visão anuviada
de incautos pode ser danosa ao debate científico sério, tão necessário à
sociedade.

Dada a urgência do avanço científico experimentada recentemente,
questões como esta serão cada vez mais presentes. A educação dos
cidadãos brasileiros, com conhecimento sólido e bem fundamentado, deve
ser o objetivo de todos aqueles que encaram a ciência como um dos
principais patrimônios da civilização, capaz de libertar o homem do
obscurantismo de mitos e crenças.

Postado por João Carlos Holland de Barcellos em Ateus e Ateísmo | 7 comentários

Dezembro 16, 2008

user icon
O "Nada Jocaxiano"
Por Jocax, Outubro de 2006
(Revisão: Junho/2007)

O "Nada Jocaxiano" (NJ) é o Nada absoluto desprovido não apenas de elementos físicos e de leis físicas mas também de regras de quaisquer tipos.[1]

O "Nada Jocaxiano" é diferente do Nada que normalmente se pensa. O nada que normalmente se pensa, e que podemos chamar de "Nada Trivial", para distingui-lo do NJ, é algo no qual dele nada pode acontecer, ou seja, “o Nada Trivial” segue uma regra :”Nada pode acontecer”. Dessa forma o “Nada Trivial”, o nada no qual as pessoas pensam ao falar num “nada”, não é o nada mais simples possível, ele possui uma regra.

Jocax não definiu o NJ como algo em que não existe nada. Tal definição é dúbia e encerra algumas contradições como:”Se no nada não existe nada então ele mesmo não existe.”. Não, primeiro jocax definiu o que seja existir: “Algo existe quando tem as propriedades que o definem satisfeitas dentro da realidade”. Assim, jocax definiu o NJ como algo que:

1-Não possui elementos físicos de nenhuma espécie. (Partículas , energia, espaço etc.)
2-Não possui nenhuma lei.(Principalmente a lei embutida no “Nada Trivial”).

O "Nada Jocaxiano" é uma construção filosófica que se diferencia do "nada trivial" por não conter a regra "Nada pode acontecer". Desta forma jocax livra seu NJ de paradoxos semânticos do tipo: “Se ele existe, então ele não existe”. E afirma que este nada é ALGO que pode ter existido. Ou seja o “Nada Jocaxiano” é a estrutura física e lógica mais simples possível. E, como veremos, também a candidata natural possível para a Origem do Universo.

Não devemos confundir a definição do NJ com regras a serem seguidas. A definição do NJ é seu estado inicial. Se a natureza se encontrar no estado definido pelas condições 1 e 2 acima, dizemos que ela é um “Nada-Jocaxiano”. O estado de um sistema, diferentemente de uma regra, é algo que pode mudar. Uma regra é algo que o sistema deve obedecer sempre, caso contrário não seria uma regra. Assim, por exemplo, o estado de “não possui elementos físicos” é um estado e não uma regra pois, eventualmente, este estado poderá mudar. Se fosse uma regra, jamais poderia mudar.

Por ser livre de quaisquer elementos o "Nada jocaxiano" não pressupõe a existência de nada e assim, pela "Navalha de Ocam” [2], deve ser o estado mais simples possível da natureza e, portanto, sem necessidade alguma de explicações de sua origem. O “Nada Jocaxiano”, claro, não existe mais, mas pode ter existido num passado longínquo. Ou seja, o NJ seria o próprio universo –definido como o conjunto de tudo o que existe- dessa forma o Universo (como sendo um NJ) sempre existiu.

O "Nada jocaxiano", como tudo, deve seguir a tautologia: "Pode ou Não Acontecer". Essa tautologia -verdade lógica absoluta-, como veremos, tem um valor semântico no “Nada-jocaxiano”: Permite (ou não) que coisas possam acontecer.

Não podemos afirmar que num nada-jocaxiano coisas necessariamente devam ocorrer. Eventualmente pode não ocontecer nada mesmo, isto é, o NJ poderia continuar indefinidamente sem mudar de seu estado inicial sem que nada acontecesse. Mas existe a possibilidade de que fenômenos possam ocorrer desse nada absoluto. Essa conclusão segue logicamente da análise de um sistema sem premissas: Como o NJ, por definição, não possui leis, isso significa que ele é um sistema SEM PREMISSAS.

Em um sistema sem premissas, não podemos concluir que algo não possa acontecer. Não existem leis para que possamos tirar esta conclusão. Ou seja: não existe a proibição de que qualquer coisa possa acontecer. Se não existe a proibição de que algo possa acontecer, então, eventualmente algo pode acontecer. Ou seja, as tautologias continuam verdadeiras num sistema sem premissas: “Algo acontece ou não acontece”. Se, eventualmente, algo acontecer, este algo não deve obedecer a leis, e portanto, seria algo totalmente aleatório e imprevisível.

[Isso tudo pode parecer muito estranho, e na verdade é mesmo, mas posso colocar uma evidência clara de que o NJ não é um absurdo: Procure, primeiramente, num sistema de busca da Internet pelo texto: “Partículas Virtuais” ou no singular: “Partícula Virtual”. As partículas virtuais ocorrem em nosso universo como criação espontânea, a partir do vácuo quântico, de uma partícula e sua anti-partícula. A geração deste par de partículas é considerada, pela ciência, como um evento sem causas físicas, algo genuinamente aleatório. Isso é fato científico e pode ser explicado pela mecânica quântica. Agora vamos sair um pouco dos fatos e imaginar que cada uma dessas partículas encerra um ultra-micro-pico-universo em miniatura. Assim, nesta experiência mental, temos um indício, uma pequena evidência, de que o surgimento de um universo do nada, não esta tão fora de propósito como se poderia acreditar...]

Jocax chamou as primeiras aleatorizações do NJ de “Esquizo-Criações”. As esquizo-criações, por provirem de algo sem leis, seriam totalmente aleatórias e “malucas”. Claro que com as primeiras aleatorizações o NJ deixa de ser o NJ por possuir algo, ou seja, o NJ se transforma. Como o NJ não é limitado por nenhuma lei, eventualmente o NJ pode gerar também leis, nas quais seus elementos devam obedecer.

Jocax acredita que a geração aleatória de leis produziu um universo lógico: Suponha que leis sejam geradas aleatoriamente. Se uma lei não entra em conflito com outra lei, ambas podem permanecer incólumes. Entretanto, se surge uma nova lei que entra em conflito com outras leis, a nova lei substitui (mata) as leis anteriores já que por ser uma lei ela deve ser obedecida (até que outra, mais nova, lhe contrarie). Assim, numa verdadeira “seleção natural” de leis, foram sobrando apenas as leis que não fossem incompatíveis umas com as outras e isso responde a uma questão filosófica fundamental de nosso universo: “Por que o Universo segue regras lógicas?”.

 

Dessa forma o "Nada-Jocaxiano" é o candidato natural para a Origem do Universo, já que é o estado mais simples possível que a natureza poderia ter. E dele qualquer coisa poderia (ou não) ser aleatorizada. Até mesmo nossas leis físicas e nossas partículas elementares.

Referência(s):

[1] “A Origem do Universo, segundo Jocax”
(http://www.genismo.com/logicatexto20.htm)

[2] “A Navalha de Ocam e a Navalha de Jocax”
(http://www.genismo.com/logicatexto24.htm)

Palavras-chave: Criação do Universo., Lógica, Nada, Nada-jocaxiano, Origem do Universo

Este post é Domínio Público.

Postado por João Carlos Holland de Barcellos em Ateus e Ateísmo | 2 comentários

user icon
A Navalha de Ocam e a Navalha de Jocax
Jocax: Maio/2007

A “Navalha de Ocam” (“Navalha de Occam”, “Navalha de Ockham” ou ainda “Occam's Razor” em inglês) é um princípio Lógico-Filosófico que estabelece que não se deve agregar hipótese(s) desnecessária(s) a uma teoria, ou de outra forma: pluralidades não devem ser postas sem necessidade, ou (sic) ‘pluralitas non est ponenda sine neccesitate’.[1]

A Navalha de Ocam também é conhecida como “Princípio da Economia” ou “Princípio da Parcimônia” que afirma que "as entidades não devem ser multiplicadas além do necessário, a natureza é por si econômica e não se multiplica em vão".

Acredita-se que Willian de Ockham (ou Guilherme de Occam), frade franciscano do século XIV, tenha sido o criador deste princípio. Willian nasceu na vila de Ockham na Inglaterra em 1285 e foi um controverso teólogo e um dos mais influentes filósofos do século XIV. Acredita-se que Ockham tenha morrido em Munique em 1349, vítima da peste negra, que assolava a Europa naquela época. [2]

 

Simplicidade

A “Navalha de Ocam” é, muitas vezes, confundida com o “Princípio da Simplicidade” que estabelece que teorias mais “simples” são preferíveis às teorias mais “complexas”. Tal confusão pode ser perigosa a menos que se defina qual o significado de “simplicidade”. Pode ser um erro grave considerar a teoria mais “simples” como aquela que nos parece mais fácil de compreender.  Dessa forma é sempre arriscado associar a “Navalha de Ocam” ao “Princípio da Simplicidade” se não estiver claro qual o conceito de simplicidade que se tem em mente. Um exemplo de associação correta: Se todas as hipóteses de uma teoria-1 estão contidas numa teoria-2 então a teoria-1 é a mais simples. Por exemplo, considere uma teoria-1 que utiliza as hipóteses (A e B) e uma teoria-2 que utiliza apenas as hipóteses (A, B e C). Como todas as hipóteses da teoria-1 estão contidas no conjunto de hipóteses da teoria-2 ela pode ser considerada a mais simples e, neste caso, está de acordo com a “Navalha de Ocam”.

 

Condições de Uso
 
Devemos ter sempre em mente que a "navalha" não é um método de refutar ou de provar uma teoria e sim um critério lógico de *escolha*. As EVIDÊNCIAS sempre têm prioridade na seleção de teorias. A "navalha", portanto, deve ser aplicada sempre que não existirem evidências que possam decidir a favor de uma teoria em relação à outra.
É importante ressaltar que a “Navalha de Ocam” representa um critério racional de escolha entre teorias (ou hipóteses) e deve ser utilizada apenas quando as evidências não podem privilegiar nem refutar uma teoria mais que suas rivais, ou seja, quando não se tem evidências ou quando as evidências servem igualmente a todas as teorias rivais. Outro sim, deve ser sublinhado, que um critério de escolha racional é sempre melhor que qualquer outro critério não racional ou que não ter critério nenhum.

Como a “Navalha de Ocam” não é um critério de prova, e utilizada apenas quando as evidências são não-conclusivas, ela pode apontar para a hipótese errada. Entretanto, erraremos muito menos utilizando-a do que se não a utilizássemos.


Hipóteses Desnecessárias

A “Navalha” propõe que “não devemos acrescentar hipóteses desnecessárias a uma teoria”, mas qual seria o significado da palavra “desnecessária” neste contexto?

“Desnecessárias” seriam as hipóteses que não estão relacionadas aos fatos que a teoria se propõe a explicar. Poderiam, por exemplo, ser hipóteses sem as evidências de sua necessidade ou hipóteses sem relação causal com os fatos observados.

Exemplo Ilustrativo

A “Navalha de Ocam” é, na verdade, um princípio bastante intuitivo e o utilizamos corriqueiramente, mesmo sem perceber, em nosso cotidiano. Um exemplo ilustrativo poderá mostrar isso. Suponha que você, por exemplo, esteja andando numa rua e observa, mais ao longe, uma caixa de sapatos na calçada. Sem nenhuma outra informação a respeito, qual das seguintes teorias abaixo você escolheria para a caixa de sapatos?

1-A caixa esta ‘vazia’.
2-A caixa contém 20 mil reais.
3-A caixa contém 20 mil reais e a coroa da rainha.
4-A caixa contém 20 mil reais a coroa da rainha e o segredo da vida eterna.
5-A caixa contém um duende verde que criou o universo e poderão te realizar três desejos quaisquer.

Qual destas teorias sobre o conteúdo da caixa você escolheria e, principalmente, qual a razão de sua escolha?

A opção natural seria a escolha de número 1-“A Caixa está vazia”, a mesma que a “Navalha de Ocam” apontaria, pois todas as outras são teorias com hipóteses desnecessárias já que não existem evidências de nenhuma delas. Apesar disso, ela poderia não ser a teoria correta sobre o conteúdo da caixa. Assim, podemos perceber que a “Navalha de Ocam” apenas formaliza algo que, na verdade, já nos é bastante lógico e familiar.
 
A Lógica da Navalha

A Navalha de Ocam aponta a hipótese de maior probabilidade de ocorrer, por que a cada hipótese extra e desnecessária que é acrescentada a uma teoria faz com que a probabilidade desta teoria ser correta seja diminuída.

Suponha uma teoria T1 que seja correta e formada com N hipóteses: H1, H2...Hn onde todas elas sejam necessárias para que a teoria funcione. T1=(H1, H2...Hn).

Suponha agora outra teoria T2, rival de T1, com as mesmas N hipóteses de T1 acrescida de uma hipótese extra e desnecessária “D0”. T2=(H1, H2.. Hn, D0).

Agora, se temos todas as condições nas quais as hipóteses de T1 sejam satisfeitas então a teoria T1 nos dará as predições corretas. A teoria T2, por sua vez, só dará o resultado correto apenas se a hipótese desnecessária “D0” for verificada. Mas, como por hipótese, “D0” é uma hipótese desnecessária, a teoria T2 pode dar um resultado Falso quando deveria dar um resultado verdadeiro, pois depende do valor da hipótese “D0”. Provamos dessa forma que hipóteses desnecessárias fazem com que uma teoria que poderia ser correta fique falsa.
 
Por exemplo: Suponha que T1 seja uma teoria que diz que um automóvel, para andar, precisa de combustível e motorista. E a teoria rival, T2, diz que um carro, para andar, precisa de combustível de um motorista e o motorista precisa rezar o “pai nosso”. T2 torna-se falsa, pois a última hipótese, D0, é, obviamente, desnecessária.

 

O Ônus da Prova

O “Ônus da Prova” é um termo designado para estabelecer quem, numa contenda ou disputa, deve provar suas alegações. Jocax estabeleceu que o “Ônus da prova” deve ser responsabilidade de quem contraria a “Navalha de Ocam”.

A “Navalha de Ocam” e as Religiões

A “Navalha de Ocam” costuma ser fortemente combatida pela maioria dos teístas, pois ela é um critério que bate fortemente contra a idéia de um Deus todo poderoso e criador do Universo. Se não, vejamos: Suponha que seja necessário um ser que tenha poder de criar o nosso universo. Então, pela “Navalha de Ocam”, é desnecessário que este ser tenha que ter poder infinito! Ele precisa apenas ter o poder de criar o universo, nada mais que isso. É também desnecessário que este ser seja Onisciente, pois não se precisa saber tudo para se criar um universo, apenas o conhecimento suficiente para tal empreitada. E muito menos que este ser tenha que ser bom. Outro “prato cheio” para a navalha, proveniente do catolicismo, seria confrontar a teoria T1: “Um individuo ressuscitou da morte e subiu aos céus sem foguetes.” com a teoria rival T2: ”Alguém escreveu mentiras sobre uma ressurreição e muitas pessoas acreditaram”. T2 deve ser preferível segundo a navalha pois as hipóteses de ressurreição e a de contrariar a lei da gravidade são desnecessárias. Ou seja, a “Navalha de Ocam” é uma verdadeira navalha em relação às hipóteses religiosas em geral e não foi à toa que Willian de ockham foi excomungado pela igreja depois de prestar contas ao Papa em 1324.

 

A Navalha de Jocax

Baseado na “Navalha de Ocam” jocax pensou num outro critério, baseado nas leis da física, especificamente na entropia. A entropia mede o grau de desordem de um sistema. A segunda lei da termodinâmica estabelece que a entropia de um sistema fechado nunca deve diminuir. Um sistema fechado é aquele onde não há troca de energia nem de matéria entre o sistema e seu exterior. O universo pode ser considerado um sistema fechado. Assim, a desordem total do universo tende sempre a aumentar. Então Jocax coloca que, na ausência de evidências, devemos escolher a teoria que leva a um estado de maior entropia.
 

[1] Na Wikipédia: http://pt.wikipedia.org/wiki/William_de_Ockham
[2] Projeto Ockham: http://www.projetoockham.org

Este post é Domínio Público.

Postado por João Carlos Holland de Barcellos em Ateus e Ateísmo | 1 usuário votou. 1 voto | 4 comentários

Dezembro 15, 2008

user icon

Existe uma Matrix real aqui na terra que eh a religiao.

Nessa matrix as pessoas ficam conectadas a uma ilusao de um deus que as protege e as guia. Foram criadas desde a infancia nesta matrix e nao conseguem ver o mundo de outra maneira.

Nesta matrix existem também os sentinelas, que sao pessoas plugadas na matrix religiao antenadas para ver se alguem esta se desviando das ilusoes criadas. E se perceber um afastamento em direcao aa realidade tratam logo de ir la na pessoa, e verificar o que esta acontencendo de modo a tentar mante-la bem plugada na sua matrix.

Alguns sentinelas fazem isso para garantir que eles proprios nao saim de sua matrix ilusoria pois esta matrix, boa ou ruim, lhes da prazer e seguranca da imortalidade. Outros fazem isso pq estao vinculados a alguma instituicao que os ajuda financeiramente ou de alguma outra forma para que continuem fazendo o trabalho de sentinelas.

 

Palavras-chave: Matrix, realidade, Religião, Sentinela, Zion

Este post é Domínio Público.

Postado por João Carlos Holland de Barcellos em Ateus e Ateísmo | 11 comentários

user icon

I.2-O Diabinho Azul Jocaxiano

João Carlos Holland de Barcellos

Nos meus muitos anos de ateísmo, aproximadamente desde os 12 anos, reuni muitos argumentos contra a existência de Deus. Alguns se referem ao Deus católico que tem propriedades bem definidas, outros, a deuses que têm uma definição mais nebulosa, e por isso mais difíceis de se analisar logicamente. De qualquer modo, em quase todos os casos, Deus sempre tem a característica de, no mínimo, ser o criador do universo, e quase sempre também, de ser dotado de consciência e inteligência.

Dentre os argumentos de minha autoria, que reuni, o mais recente, e o que considero o mais 'atordoante', por ser extremamente simples e, no entanto, arrasador, é o “Diabinho Azul Jocaxiano”. A seguir, seguem os resumos dos principais argumentos e provas  anti-Deus, a começar com o que leva o título deste texto. (Os nomes entre colchetes ‘[]’ ao lado de cada argumento são os nomes dos prováveis autores da idéia original ou da pessoa por quem eu tomei conhecimento da idéia.)

1- Argumento: “O Diabinho Azul Jocaxiano” [Jocax]

Fala-se que Deus é uma entidade necessária para responder a questão:

“Como surgiu o universo?”

Se respondêssemos com a mesma questão “Como surgiu Deus?”, o teísta diria que Deus não precisa de criador, pois é a causa dele mesmo, ou então que sempre existiu, ou que está além de nossa compreensão. E não adianta tentarmos contra-argumentar que podemos utilizar os mesmos argumentos trocando a palavra “Deus” por “Universo”. A mente teísta exige um criador para o universo quer se queira quer não se queira. Entretanto, atreladas a este deus-criador, embutem-se todas as outras qualificações que normalmente atribui-se a Deus como forma de satisfazer nossas necessidades psicológicas, como, por exemplo, bondade e/ou onisciência, e/ou onipotência, e/ou perfeição, entre outros. Mas, da constatação que isso não é absolutamente necessário para se criar o universo, surge o argumento do “Diabinho Azul Jocaxiano”:

Se você diz que Deus criou o universo, eu posso IGUALMENTE SUPOR que não foi Deus quem o criou, mas sim o "Diabinho Azul". Só que este diabinho não é todo poderoso como Deus, não tem a onisciência de Deus, não é bom como Deus, não é perfeito como Deus e, para criar o universo, ele acabou morrendo por tanto esforço que fez.

Sendo meu diabinho muito mais simples e menos complexo que seu Deus-todo-poderoso, ele deve ser PREFERÍVEL em termos da “Navalha de Ocam” a Deus! Portanto, antes de invocar Deus como criador do universo, você deveria invocar o "Diabinho Azul Jocaxiano". Caso contrário, você estaria sendo ilógico por adicionar hipóteses desnecessárias ao 'criador do Universo'.

Comentário: não é necessário um criador com todas as propriedades de um “Deus” para se criar o universo, basta se ter o poder suficiente para criá-lo. Assim, a alegação de que seja necessário um “Deus” para o universo existir carece de fundamento lógico.

 

2- Prova: Contradição com os FATOS [Epícuro/Hume]

Se Deus é Bom, então Deus não quer o sofrimento inútil.
Se Deus é poderoso, então Deus pode tudo.
Lógica: Se Deus pode tudo e não quer sofrimento, então pode impedir o sofrimento.
Fato: 40 mil crianças morreram, recentemente, afogadas por um tsunami (morte com sofrimento).
Conclusão: As hipóteses (Deus bom e poderoso) não podem ser verdadeiras, pois contradizem o fato observado.

Comentário: Alguns podem alegar que o sofrimento foi necessário porque algumas pessoas precisavam “aprender”. Pode-se contra-argumentar perguntando o que as crianças aprenderiam morrendo afogadas. Contra o “pecado original” pode-se contra-argumentar se é justo que os inocentes paguem pelos culpados. Mas isso não é necessário, pois um deus bom e todo-poderoso poderia ensinar qualquer coisa a quem quer que fosse sem ter de sacrificar vidas inocentes em mortes trágicas. Se Deus precisou sacrificar tantas vidas, então não é suficientemente poderoso, ou não é bom (no sentido humano do termo). Parece que o argumento original remete a Epícuro, entretanto sua formalização se deve a Hume.

 

3- Prova: Contradição interna (inconsistência) [Sartre (?)]:

Deus é ONISCIENTE, portanto sabe tudo o que aconteceu e o que vai acontecer.

Deus deu liberdade ao homem, portanto o homem é livre para escolher.

Contradição: Se Deus sabe tudo que o homem vai escolher (conhecimento factual) então o homem NÃO tem liberdade de escolha. (Tudo estava previsto na mente de Deus e o homem não poderia mudar).

Vamos à demonstração [por Jocax]:

Vamos supor a Existência de Deus Todo-Poderoso. Então, segue logicamente que:

1-Deus é Onisciente.

2-Sendo Onisciente sabe TUDO que vai acontecer.

3-Sabendo TUDO que vai acontecer, sabe tudo o que você vai fazer e escolher, mesmo antes de você existir.

4-Se Deus sabe tudo o que você vai fazer e escolher, então você não poderá fazer nada diferente da previsão de Deus.

5-Se você não pode fazer nada diferente da previsão divina, você necessariamente e obrigatoriamente terá de segui-la.

6-Se você é obrigado a seguir a previsão de Deus, então é impossível para você escolher ou fazer qualquer outra coisa diferente da previsão divina.

7-Se é impossível para você escolher ou fazer qualquer coisa diferente da previsão divina você, não tem livre-arbítrio!

Conforme Queríamos Demonstrar.

Comentário: Desde antes de o homem nascer, mesmo antes dele se casar ou fazer quaisquer tipos de escolhas, seu destino já estaria previsto na mente onisciente de Deus. Então, nada do que o homem escolhesse seria diferente do caminho já previsto por Deus. Sendo assim, o chamado “Livre-Arbítrio” não passaria de uma ilusão. Isto quer dizer que: ou o homem não é livre para escolher, ou Deus não é onisciente. Esta é uma das mais contundentes provas lógicas contra a existência de Deus.

 

4-Argumento: Pela navalha de OCAM [Jocax (?)]

-Não existem evidências de que Deus exista.

-O conjunto {Universo + Deus} é mais complexo do que apenas o conjunto {Universo}.

-Pela Navalha de Ocam, devemos então descartar a primeira hipótese, de um universo com Deus, em favor da segunda, que é mais simples, pois requer, no mínimo, uma hipótese a menos.

Comentário: Esta argumentação pode ser metaforizada pelo argumento da "Fábrica de Pregos":
Primeiro, devemos concordar que, se tivéssemos de escolher entre duas hipóteses para a  origem de tudo, deveríamos ficar com a mais provável. E, se quiséssemos uma explicação mais científica, deveríamos ficar com uma das várias teorias da física sobre a origem do universo, como aquela que diz que o universo surgiu a partir do vácuo quântico: as partículas teriam sido criadas a partir de uma “flutuação quântica do vácuo”. Isso é só uma teoria, não pode ser demonstrada, mas é muito mais razoável do que partir da premissa de que existia uma IMENSA fábrica de Pregos (Deus) que fez todos os pregos, sendo que ninguém ousa perguntar sobre sua origem.

A idéia de comparar deus com a "fábrica de pregos" é a seguinte:
Você tem evidências de que existem os "pregos" (partículas elementares).
Alguém diz que deve existir um criador para estes pregos, e propõe que para tanto deve existir uma enorme e complexa "Fabrica de Pregos" (Deus). Mas isso é um NONSENSE, pois além de não existirem evidências sobre a existência da “fábrica de pregos”, essa é MUITÍSSIMO mais complexa do que os pregos encontrados. Então, pela navalha de ocam, é muito mais lógico supor que os pregos sempre existiram do que a imensa “Fábrica de Pregos” sempre tenha existido e esteja escondida em algum lugar que só se consegue conhecer após a morte.

 

5- Argumento: Deus, se existisse, seria um AUTÔMATO [Por André Sanchez & Jocax]:

- Deus é onisciente, onipotente e sabe tudo o que aconteceu e vai acontecer.
- Sabe inclusive *todas* as suas PRÓPRIAS ações futuras.
- Então, ele deveria seguir todas as suas ações já previstas, sem poder alterá-las, exatamente como um autômato segue sua programação.

Conclusão: Deus, se existisse, não teria livre-arbítrio. Seria um robô, uma espécie de autômato que deve seguir eternamente sua programação prévia (sua própria previsão) sem poder alterá-la.

Comentário: A onisciência de Deus o levaria a uma prisão tediosa na qual nada poderia sair mesmo que Ele tivesse vontade de fazê-lo. Estaria preso à sua própria e cruel onisciência.

 

6- Prova: Se Deus existisse, não haveria imperfeição [autor desconhecido]:

Se Deus existisse e fosse perfeito, então tudo que Ele criaria seria perfeito.
O homem, sendo sua criação, também deveria ter sido criado, perfeito.
Mas, como um ser criado perfeito pode se corromper e se tornar imperfeito?
Se o homem se corrompeu, então não era perfeito, era corruptível!

Conclusão: Deus não poderia ser perfeito, pois gerou algo imperfeito.

Comentário: Um ser perfeito quer a perfeição, e mesmo que tenha criado o homem com livre-arbítrio - que vimos acima ser uma ilusão - se ele fosse perfeito, faria escolhas perfeitas e não se corromperia.

 

7- Argumento: Origem de Deus [autor desconhecido]:

A argumentação do design Inteligente segundo o qual a complexidade da Natureza necessita de um criador inteligente, cai por terra quando não se oferece uma mínima explicação sobre a origem de Deus, que por ser algo extremamente complexo e inteligente, necessitaria, segundo o argumento do design inteligente, ter também um criador inteligente, que seria o "Deus do Deus": o criador do Deus. Este "Criador do Deus", por ser mais inteligente que Deus, deveria, pelo mesmo argumento, ter também um criador extremamente inteligente o "Deus do Deus do Deus". E assim por diante, ad-infinitum, de modo que existe um NONSENSE nesta argumentação de que algo complexo precisa de um ser ainda mais complexo para criá-lo.

Comentário: O Design Inteligente é o argumento mais utilizado atualmente, como se fosse ciência, para se ministrar cursos de religião em alguns estados brasileiros e norte-americanos.

 

8-Prova: O universo não poderia ser criado. [Por Jocax]:

Vamos supor, por absurdo, que Deus exista. Se Deus tem uma inteligência infinita, ele não precisaria despender nenhum tempo para decidir algo ou processar informações. Sendo assim, ele não despenderia nenhum tempo para decidir criar o universo. Ou seja, o Universo teria de ter sido criado no momento da criação de Deus. Se Deus nunca foi criado, então o universo também nunca poderia ter sido criado.

Comentário: Se existe movimento existe tempo. Se não existia tempo nada poderia se mover.

 

9-Prova: Deus não pode ser perfeito. [autor desconhecido]

Se Deus fosse perfeito ele não teria necessidades ele se bastaria a si próprio. Entretanto, se ele decidiu criar o universo então ele tinha necessidade desta criação e, portanto, não se bastava a si próprio, era imperfeito.

 

10-Prova: Deus se existisse, não poderia ser perfeito. [Jocax]:

Muitos crentes tomam as leis da Física e suas constantes "mágicas" como uma evidência da sapiência divina já que, supõe-se, uma pequena alteração nelas faria o universo colapsar e se destruir.

Mas esquecem-se de que essas MESMAS leis, no caso a segunda lei da termodinâmica, prevê o colapso inexorável, lento e agonizante do nosso universo, mostrando que houve uma FALHA GRAVE na sua concepção, que o inviabiliza a longo prazo.

Comentário: A segunda lei da termodinâmica é conhecida como a lei que diz que a entropia num sistema fechado nunca diminui. Podemos considerar o universo todo como um sistema fechado, já que nada entra nem sai dele.

 

11-Prova: Deus, se existisse, não poderia ser bom [Jocax (?)]

Deus, hipoteticamente onisciente e onipotente, sabia de tudo que iria acontecer ANTES de resolver criar o universo. Sabia quem iria nascer e o que cada pessoa iria "escolher" em sua vida. Sabia até mesmo que um enorme TSUNAMI iria aparecer e matar 40 mil crianças afogadas. Se tivesse poder para fazer o universo ligeiramente diferente, talvez pudesse ter impedido essa tragédia. Mas, sabendo de TUDO que iria acontecer no futuro, de todas as mortes, de todas as desgraças e calamidades, colocou seu plano em prática e ficou assistindo de camarote. Isso não é digno de um ser bondoso.

 

12-Prova: Pela definição de Universo, Deus não poderia tê-lo criado [Jocax (?)]

Segundo a definição de Universo (Houaiss):

Universo substantivo masculino
1 o conjunto de todas as coisas que existem ou que se crê existirem no tempo e no espaço.

Então, o Universo pode ser definido como o conjunto de tudo que existe. Assim sendo, para quem acredita, se Deus existe, ele não poderia ter criado o Universo, uma vez que, por definição, deveria fazer parte dele!

Comentário: O Crente poderia então apenas colocar Deus como criador da matéria/energia e não do próprio universo.

13-Prova: Pelas Leis da Física atual Deus não poderia existir [autor desconhecido]

A Mecânica Quântica tem como lei fundamental o chamado "Princípio da Incerteza". Segundo esta lei, é IMPOSSÍVEL, independentemente da tecnologia, saber a posição exata e a velocidade de uma partícula. Isso significa que, fisicamente, é impossível existir um "Deus Onisciente", pois este ser poderia saber a posição e a velocidade exata de uma partícula e violaria um pilar fundamental da ciência moderna.

14-Prova: Deus, se existisse, seria sádico e egoísta [Renato W. Lima (?)]

Pretende-se mostrar que Deus precisa criar um mundo imperfeito, caso contrário o mundo seria ele próprio. Poder-se-ia argumentar que criar um clone de si próprio seria melhor que criar um mundo imperfeito para, sadicamente, vê-lo sofrer. Contudo, saber que o mundo não é perfeito não implica que se deva negar-lhe assistência quando necessário. Desde que, claro, haja poder para isso e não se deseje que o mal aconteça (se seja bom). Se Deus, realmente, criou seres imperfeitos como nós e diferentes dele, ele está sendo egoísta, pois deseja ser o único ser perfeito e possuidor de poder. E o egoísmo, definitivamente, não é algo bom.

 

15-Argumento: Teorema de Igor [Igor Silva (?)]

Se tivéssemos de escolher uma das duas opções abaixo, qual delas seria mais provável ou mais fácil acontecer?

A- Um morto ressuscitar e subir aos céus (sem foguetes) ou
B- Alguém escrever mentiras num pedaço de papel ou livro e pessoas acreditarem?

A- Alguém ter feito milagres que contrariaram as leis da Física ou
B- Alguém escrever mentiras num pedaço de papel ou livro e pessoas acreditarem?

A- Um ser totipotente (Deus) existir e criar o universo ou
B- Alguém escrever mentiras num pedaço de papel ou livro e pessoas acreditarem?

Comentário: Este texto é uma simplificação do argumento do Hume:
[…] nenhum testemunho é suficiente para demonstrar um milagre, a não ser que o testemunho seja de natureza tal que a sua falsidade seja mais milagrosa do que o fato que tenta demonstrar. David Hume, «Dos Milagres» (1748)

 

16-Argumento: Pelo Teorema de Kalam [Desconhecido]

O teorema de Kalam afirma que nada pode se extender no tempo infinito passado, pois, se houvesse um tempo infinito no passado, então demoraria um tempo infinito deste passado até o nosso presente. Mas um tempo infinito significa nunca. Portanto nunca teríamos o presente. Mas isso é um absurdo pois estamos no presente. Da mesma forma, se houvesse deus com existência se estendesse à um tempo infinito no passado, então também não poderíamos ter o presente. Portanto não pode existir um deus que exista num tempo infinito no passado.

17-Argumento: Pela não necessidade da Causa [Jocax]

A origem do universo e suas leis podem ser explicados satisfatoriamente através do Nada-Jocaxiano (NJ).  O NJ explica de maneira lógica que o cosmo poderia surgir do Nada-Jocaxiano, já que este Nada não possuiria leis restringindo o que quer que seja. Assim, devido a ausência de leis, eventos poderiam acontecer. Isso elimina a necessidade de um criador consciente como Deus para explicar nosso cosmo.

18-Argumento: Pela transposição do problema [Jocax]

Suponha um grupo de seres de um planeta qualquer. Suponha que estes seres comecem a se desenvolver de maneira fenomenal alterando seu próprio DNA. Suas inteligências são multiplicadas por 1 bilhão, sua força e destreza também. Se topássemos de nos com um deles, pensaríamos de onde partiram para chegar a um estágio tão avançado. Mas estes seres que se auto-evoluem, continuam sua auto-evolução. Depois de mais algum tempo, conseguem se livrar de seus corpos materiais e unirem-se todos numa espécie de plasma de alta energia de capacidade e inteligência incomensuráveis. Estes seres tornam-se deus. Agora neste nível astronômico de evolução, se topássemos novamente com Ele, ainda nos faríamos a mesma pergunta da primeira vez? Ou agora que se tornaram deus prescindem de uma origem para existir?
 

Palavras-chave: Ateísmo, Diabinho Azul, Provas anti-Deus

Este post é Domínio Público.

Postado por João Carlos Holland de Barcellos em Ateus e Ateísmo | 21 comentários

user icon
21. Carta revela desdém de Einstein pela religião

 
“A palavra Deus para mim é nada mais que a expressão e produto da fraqueza humana, a Bíblia é uma coleção de lendas honradas, mas ainda assim primitivas, que são bastante infantis”, escreve Einstein
http://groups.yahoo.com/group/Genismo/message/5987

Palavras-chave: Ateísmo, Deus, Einstein

Este post é Domínio Público.

Postado por João Carlos Holland de Barcellos em Ateus e Ateísmo | 41 comentários

Dezembro 14, 2008

user icon

Quem quiser se apresentar , fiquem à vontade !

Abraços !

Postado por João Carlos Holland de Barcellos em Ateus e Ateísmo | 1 usuário votou. 1 voto | 1 comentário

Próxima >>