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Março 14, 2011

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Carta O Berro..........................................................repassem
 
 
----- Original Message -----
 
Para mim, a televisão é muito instrutiva.
Quando alguém a liga, corro à estante
e pego um bom livro.
 
 

O Livro Negro do Cristianismo  - JACOPO FO / SERGIO TOMAT / LAURA MALUCELLI

                                                        clique

http://rapidshare.com/files/127083977/O_Livro_Negro_do_Cristianismo.rar

 

 Em 1º de junho de 1307, frei Dulcino, líder da seita cristã dos apostólicos, foi queimado vivo em Vercelli, na Itália. Acusado de heresia, antes de ser atirado a fogueira teve a carne arrancada com alicate quente, o nariz quebrado e os órgãos genitais mutilados. Sua história é uma entre as tantas narradas em O livro negro do cristianismo, um vasto panorama das atrocidades praticadas pela Igreja Católica ao longo de dois mil anos.Aqui o catolicismo é analisado sem restrições: da época de seu reconhecimento pelo imperador romano Constantino, no século IV, até a polêmica omissão da Igreja diante do movimento nazifascista em plena Segunda Guerra Mundial, todos os pecados cometidos em nome de Deus são listados em detalhes. A extensa relação de crimes inclui enriquecimento ilícito, tortura e milhares de mortes.Vividos pelos primeiros cristãos, os ensinamentos de Jesus Cristo deram lugar a rígidos dogmas impostos aos fiéis com o passar do tempo. .Qualquer idéia contrária ao que determinava o papa era sinônimo de heresia, e o resultado dessa postura intolerante são acontecimentos tão importantes quanto lamentáveis: a perseguição aos judeus, o genocídio nas Cruzadas, os suplícios promovidos pela Santa Inquisição, o massacre dos huguenotes, o apoio ao regime escravocrata na América católica, entre outros. Uma obra para quem deseja conhecer os obscuros porões da instituição mais poderosa de nossa era.
Nome: O Livro Negro do Cristianismo
Autor: JACOPO FO / SERGIO TOMAT / LAURA MALUCELLI
Nº de páginas: 262
Tamanho: 300 KbFormato: rar/doc

Palavras-chave: assassinatos, ateísmo, atrocidades, Cristianismo, ética, história, Livro, moral, religião, torturas

Postado por João Carlos Holland de Barcellos em Ateus e Ateísmo | 15 comentários

Fevereiro 27, 2011

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Ateísmo em vídeos

 

descrição:

“"Graças ao telescópio e ao microscópio, a religião não oferece mais explicações para nada de importante."
Christopher Hitchens

"Eu li a Bíblia de capa a capa. Chamar aquele livro de 'a palavra de Deus' é um insulto a Deus. Chamar aquele livro de um guia moral é uma afronta à decência e dignidade dos povos. Chamá-lo de guia para a vida é fazer uma piada de nossa existência. E pretender que ela seja a verdade absoluta é ridicularizar e subestimar o intelecto humano." - Friedrich Nietzsche

O Deus do velho testamento é provavelmente o mais desagradável dos seres em toda a ficção. O ciúme e o orgulho do mesmo o leva a um mimado e imperdoável controle dos mais fracos com evidente sede de sangue e desejo de limpeza racial. Um machista, homofóbico, racista, infanticida, genocida, filicida, pestilento, megalomaníaco, sadomasoquista, caprichoso e malevolente fanfarrão!
Richard Dawkins

http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=87866184

Palavras-chave: Ateísmo, Dawkins, Debates, Deus, Religião, Vídeos

Postado por João Carlos Holland de Barcellos em Ateus e Ateísmo | 2 comentários

Fevereiro 16, 2011

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Os Quatro Cavaleiros do Ateísmo - O Debate

http://www.youtube.com/watch?v=0xO8mTLEnik

 

DESCRIÇÃO: Richard Dawkins, Daniel Dennet, Sam Harris e Chistopher Hitchens - Juntos sem moderação, os quatro gigantes do Ateísmo e do Pensamento Livre conversam sobre Ciências, Deus, Religião etc.

O vídeo está completo {quase duas horas} e todo legendado

Créditos pela tradução para o português feita por: Dimas Luz

Titulo original: Discussions with Richard Dawkins, Episode 1: The Four Horsemen {2008}

{Subtitle english}

Gravado em 30 de setembro de 2007

Todos os quatro autores têm recebido recentemente uma grande quantidade de atenção da mídia para seus escritos contra a religião - algumas positivas e outras negativas. Nessa conversa eles contam histórias sobre a reação do público aos seus livros, os sucessos inesperados, críticas e deturpações comuns. Eles discutem as perguntas difíceis sobre a religião que enfrentam o mundo hoje, e propõem novas estratégias para o futuro.

Alguns Livros:
Deus, um Delírio - Richard Dawkins
Carta A Uma Nação Cristã - Sam Harris
Deus não é Grande - Chistopher Hitchens
Quebrando o Encanto: A Religião Como Fenômeno Natural - Daniel Dennet

 

Palavras-chave: Ateísmo, Ciências, Daniel Dennet, Deus, Religião, Richard Dawkins, Sam Harris e Chistopher Hitchens

Postado por João Carlos Holland de Barcellos em Ateus e Ateísmo | 0 comentário

Fevereiro 11, 2011

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ESTÀ NA BÍBLIA:


"Quando teu irmão, filho da tua mãe, ou teu filho, ou tua filha, ou a mulher do teu seio, ou teu amigo que te é
como a tua alma, te incitar em segredo, dizendo: Vamos e sirvamos a outros deuses! - deuses que nunca
conheceste, nem tu nem teus pais, dentre os deuses dos povos que estão em redor de ti, perto ou longe de ti,
desde uma extremidade da terra até a outra - não consentirás com ele, nem o ouvirás, nem o teu olho terá
piedade dele, nem o pouparás, nem o esconderás, mas certamente o matarás; a tua mão será a primeira contra ele
para o matar, e depois a mão de todo o povo; e o apedrejarás, até que morra, pois procurou apartar-te do Senhor
teu Deus, que te tirou da terra do Egito, da casa da servidão." Dt 13.6-10

"Se uma mulher for estuprada na cidade, e não gritar alto suficiente, ela deve ser apedrejada até à morte (Dt
22:23-24). Caso seja no campo, então ela vive (Dt 22:25). Enfim, se o estuprador for apanhado, ele deverá pagar
uma quantia ao pai e casar com a estuprada (Dt 22:28-29)."

"Se uma jovem é dada por esposa a um homem e este descobre que ela não é virgem, então será levada para a
entrada da casa de seu pai e a apedrejarão até a morte.
- Deuteronômio 22:20-21"


"Não penseis que vim destruir a lei ou os profetas; não vim destruir, mas cumprir.
Porque em verdade vos digo que, até que o céu e a terra passem, de modo nenhum passará da lei um só i ou um só
til,
até que tudo seja cumprido.
Qualquer, pois, que violar um destes mandamentos, por menor que seja, e assim ensinar aos homens,
será chamado o menor no reino dos céus; aquele, porém, que os cumprir e ensinar será chamado grande no reino
dos céus." Mt 5.17-19


"O irmão entregará o irmão a morte. O pai, seu filho. Os filhos levantar-se-ão contra seus pais e os matarão".
Mateus 10:21

"E quanto àqueles meus inimigos que não me quiserem como rei, trazei-os aqui e MATAI-OS diante de mim".
Lucas 19:27

"Feliz aquele que se apoderar de teus filhinhos para os ESMAGAR contra os rochedos"
Salmo 137:9

“Agora pois MATAI todo o varão entre as crianças;
e MATAI toda a mulher que conheceu algum homem, deitando-se com ele. Porém, todas as meninas e as jovens
virgens, que não conheceram algum homem deitando-se com ele, deixai-as VIVER para vós.”
Números 31:17-18


Voltando-se, disse-lhes Jesus:
"Se alguém vem a mim e não odeia seu pai, sua mãe, sua mulher, seus filhos, seus irmãos, suas irmãs e até a sua
própria vida,
não pode ser meu discípulo".
Lucas 14:25-27


"Não se enganem, não herdarão o reino de deus: os imorais, os idólatras, os adúlteros, os homossexuais, os
devassos, os ladrões, os avarentos, os bêbados, os difamadores e nem os marginais".
I Coríntios 6:9-10

"Ponde cada um de vós a sua espada ao seu lado, percorrei o acampamento e voltai, de portão a portão,
e MATAI cada um o seu irmão, cada um o seu próximo e cada um o seu conhecido íntimo".
Êxodo 32:27

"Com aprovação divina, Josué DESTRÓI com o fio da espada os homens, mulheres e crianças da cidade de Jericó".
Josué 6:21-27


"Com aprovação divina, Josúe DESTRÓI todo o povo de Ai, matando 12 mil homens e mulheres, sem que nenhum
escapasse".
Josué 8:22-28


"Com aprovação divina, Josué DESTRÓI todos os Gibeonitas, Maqueda, Libna, Laquis, Eglom, Hebrom e Debir"
Josué 10:27-39

"Josué FERIU toda aquela terra e a todos os seus reis. Nada deixou de resto; mas tudo o que tinha fôlego
DESTRUIU, como ordenara o senhor deus de Israel".
Josué 10:40-43

O senhor ordena o MUTILAMENTO (corte dos tendões das pernas) dos cavalos".
Josué 11:6-17

ÊXODO : 20-21 Se alguém ferir a seu servo ou a sua serva com pau, e este morrer debaixo da sua mão, certamente
será castigado; mas se sobreviver um ou dois dias, não será castigado; porque é dinheiro seu.


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O bom cristão deve vender tudo e dar aos pobres, deve dar sempre a outra face e amar os seus inimigos (pelo
interesse de alcançar a salvação e não por amor, é claro...),
não devem se preocupar com o dia de amanhã (Mateus 6:34),
mostrando que o bom cristão deve ser na verdade um vagabundo à espera do "maná divino, caindo do céu, quando
sentir um mínimo de vontade sexual,
libido, por alguém que não "lhe pertença, deve imediatamente arrancar os olhos ou (ou outra coisa...) (Marcos 9:
43-47),
e deve além de tudo deixar seus familiares, terras e bens por amor a Cristo (Mateus 19:29).

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só apoia a escravidão;

''Servos, sedes submissos, com todo o temor aos senhores, não só aos bons e humanitários, mas também aos maus''.
- I Pedro 2:18

a intolerancia religiosa;

Salmos 139:19
Ó Deus, tu matarás decerto o ímpio; apartai-vos portanto de mim, homens de sangue.
20 Pois falam malvadamente contra ti; e os teus inimigos tomam o teu nome em vão.
21 Não odeio eu, ó Senhor, aqueles que te odeiam, e não me aflijo por causa dos que se levantam contra ti?
22 Odeio-os com ódio perfeito; tenho-os por inimigos.

Levítico 20:27
Quando, pois, algum homem ou mulher em si tiver um espírito de necromancia ou espírito de adivinhação,
certamente morrerá; serão apedrejados; o seu sangue será sobre eles.

O machismo

1 Timóteo 2:11
A mulher aprenda em silêncio, com toda a sujeição.
1 Timóteo 2:12
Não permito, porém, que a mulher ensine, nem use de autoridade sobre o marido, mas que esteja em silêncio.

A discriminação sexual

Levítico 20:13
Quando também um homem se deitar com outro homem, como com mulher, ambos fizeram abominação; certamente
morrerão; o seu sangue será sobre eles.

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E que tal ter as crianças, adolescentes e jovens a se familiarizarem com "pérolas" como os livros de
Deuteronômio ou Levítico para "dialogarem com deus":
 se uma mulher se não for virgem no dia do seu casamento, e se os pais da jovem não conseguirem provar a sua
virgindade,
 a jovem deve ser apedrejada até à morte à porta da casa do seu pai (Deuteronômio 22:13-15, 20:21),

 ou se um homem violar uma jovem, ele deve pagar ao pai da mesma 50 peças de ouro, e ela se tornará a sua esposa
 e nunca se poderá divorciar dele enquanto viver (Deuteronômio 22: 28-29),

ou perseguir e eliminar todos aqueles que rejeitam o veredicto de um juiz ou de um padre que represente deus
(Deuteronômio 17:12),

ou matar os homens que se deitem com outros homens, porque estes "renegaram a sua vida" (Levítico 20:13),

ou que ofensas aos pais é punível com morte, pois essa é uma "ofensa capital" (Levítico 20:9)

ou que crianças não podem ofender profetas carecas porque podem ser mortos por ursos por capricho de deus (II
Reis 2:23-24),

ou que um homem pode vender a sua filha em escravidão (Êxodo 21:7),

ou que descendentes com "defeito não se chegará para oferecer o pão do seu Deus." (Levítico 21:17)

ou que "aquele que blasfemar o nome do Senhor, certamente será morto; toda a congregação certamente o
apedrejará.
Tanto o estrangeiro como o natural, que blasfemar o nome do Senhor, será morto." (Levítico 24:16)

ou que "Aquele que poupa a vara aborrece a seu filho; mas quem o ama, a seu tempo o castiga." (Provérbios 13:24)
.


Atrocidades bíblicas

Confira na relação abaixo uma coleção inicial de algumas das mais notáveis atrocidade encontradas na Bíblia Cristã:

EXODUS 21:20-21 Com a aprovação divina, um escravo pode ser surrado até a morte sem punição para o seu dono, desde que o escravo não morra imediatamente.

ÊXODO 22:17 “Não deixarás viver nenhuma feiticeira.”
ÊXODO 22:19 “Quem sacrificar a algum deus que não seja o único Senhor, será posto em
interdito.”

EXODUS 32:27 “Cada um ponha a sua espada sobre a sua coxa; e passai e tornai pelo arraial de porta em porta e mate cada um a seu irmão, e cada um a seu amigo, e cada um a seu próximo. E os filhos de Levi fizeram conforme a palavra de Moisés; e caíram do povo aquele dia uns 3.000 homens.”

LEVÍTICO 26:22 “Enviarei as feras dos campos as quais lhes deixarão sem os seus filhos.”

LEVÍTICO 26:29, DEUTERONOMIO 28:53, JEREMIAS 19:9, EZEQUIEL 5:8-10 Como punição, o Senhor fará com que as pessoas comam a carne de seus próprios filhos, filhas, pais e amigos.

NUMEROS 12:1-10 Deus faz com que Miriam fique leprosa por sete dias por ela e Arão terem falado mal de Moisés.

NUMEROS 15:32-36 Um homem que no Sábado estava pegando gravetos de lenha para uma simples fogueira é apedrejado até a morte segundo a ordem de Deus.
NUMEROS 16:49 Uma praga divina mata 14.700 pessoas.

NUMEROS 21:3 Com o apoio divino os Israelitas destroem todos os Cananeus.

NUMEROS 21:6 Deus manda serpentes ardentes para matar muitos Israelitas.

NUMEROS 21:35 Com o apoio divino os Israelitas matam Ogue, seus filhos e todo o seu povo até não haver sequer um sobrevivente.
NUMEROS 25:4 “Disse Deus a Moisés: Toma todos os cabeças do povo e enforca-os ao Senhor diante do Sol, e o ardor da ira do Senhor se retirará de Israel.”

NUMEROS 25:8 “Com uma lança Finéias vai até uma tenda e mata um próprio israelita e a sua mulher ferindo-os na barriga, cessando assim a praga sobre os filhos de Israel.”

NUMEROS 25:9 Uma outra praga divina mata 24.000 pessoas.

NUMEROS 31:17-18 Moisés, seguindo ordem divina, ordena que os Israelitas matem todos os filhos homens dos Midianitas e todas as mulheres que já tenham conhecido homem. (Como iam saber quais as mulheres que já tinha conhecido homens?)

NUMEROS 31:31-40 Os Israelitas capturam 32.000 virgens como pilhagem na guerra. 32 são colocadas de lado (para serem sacrificadas?) como um tributo ao Senhor.
DEUTERONOMIO 2:33-34 Os Israelitas destroem completamente os homens, mulheres e crianças de Siom.

DEUTERONOMIO 7:2 Deus dá conselho aos Israelitas para destruir totalmente, sem piedade, todos que tiverem que enfrentar.

DEUTERONOMIO 20:13 “E, se o Senhor, teu Deus, a entregar nas tuas mãos, passarás a fio de espada todos os seus varões. As mulheres, porém, as crianças, o gado e tudo o que houver na cidade, todos os seus despojos, os tomarás para ti, e desfrutarás da presa dos teus inimigos, que o Senhor, teu Deus, te houver entregue”.

DEUTERONOMIO 20:16 “Das cidades destas nações, que o Senhor teu Deus te dá em herança, nenhuma coisa que tem fôlego deixarás com vida”.

DEUTERONOMIO 21:10-13 A mulher prisioneira: Com aprovação divina, os Israelitas podem pegar as “mulheres formosas” do inimigo e as levarem para suas casas para serem suas mulheres. Suas cabeças devem ser raspadas e suas unhas devem ser cortadas e depois “entrarás a ela e tu serás teu marido e ela tua mulher”. Caso não se contente com ela, podem deixá-la partir, desde que não a vendam.

DEUTERONOMIO 28:53 “E comerás o fruto do teu ventre, a carne de teus filhos e de tuas filhas que te der o Senhor teu Deus, no cerco e no aperto com que os teus inimigos te apertarão”.

JOSUÉ 6:21-27 Com aprovação divina, Josué destrói com  fio da espada os homens, mulheres e crianças da cidade de Jericó.
JOSUÉ 7:19-26 Acã, seus filhos e seu gado são apedrejados até a morte por Josué, só por ter pego despojos dos babilônios.

JOSUÉ 8:22-25 Com aprovação divina, Josué destrói todo o povo de Ai, matando 12.000 homens e mulheres, sem que nenhum escapasse.

JOSUÉ 10:10-27 Com aprovação divina, Josué destrói todo os Gibeonitas.

JOSUÉ 10:28 Com aprovação divina, Josué destrói todo o povo de Maqueda.

JOSUÉ 10:30 Com aprovação divina, Josué destrói todo o povo de Libna.

JOSUÉ 10:32-33 Com aprovação divina, Josué destrói todo o povo de Laquis.

JOSUÉ 10:34-35 Com aprovação divina, Josué destrói todo o povo de Eglom.

JOSUÉ 10:36-37 Com aprovação divina, Josué destrói todo o povo de Hebrom.

JOSUÉ 10:38-39 Com aprovação divina, Josué destrói todo o povo de Debir.

JOSUÉ 11:21-23 Com aprovação divina, Josué destrói todo o povo de Anakim.
JOSUÉ 10:40 “Assim feriu Josué toda aquela terra, as montanhas, o sul, e as campinas, e as
descidas das águas, e a todos os seus reis. Nada deixou de resto; mas tudo o que tinha fôlego destruiu, como ordenara o Senhor Deus de Israel.”

JOSUÉ 11:6 O senhor ordena o mutilamento (corte dos tendões das pernas) dos cavalos.
JUÍZES 1:6 Com aprovação divina, Judá persegue Adoní-Bezeque e lhe corta os polegares e os dedões do pé.

JUÍZES 1:8 Com aprovação divina, Judá põe fogo em Jerusalém.

JUÍZES 3:29 Os Israelitas matam 10.000 moabinitas.

JUÍZES 7:19-25 O povo de Gideão destrói os Midianitas, cortam as cabeças de seus príncipes e as trazem para Gideão.

JUÍZES 16:27-30 Samsão, com a ajuda de Deus, derruba os pilares e causa sua própria morte e a de 3.000 homens e mulheres.

JUÍZES 19:22-29 Um grupo de depravados sexuais batem na porta de um ancião pedindo para que ele lhes entregue um homem que ali tinha entrado. Ao invés disso o homem lhes oferece sua filha virgem e a concubina do homem. “Eis que a minha filha virgem e a concubina dele tirarei para fora ; humilhai-as a elas, e fazei delas o que parecer bem
aos vossos olhos, porem a este homem não façais loucura semelhante.” O homem lhes entrega a concubina. Eles a usam até o amanhecer. Depois disso o homem corta seu corpo em doze partes e envia cada uma das partes para cada uma das doze tribos de Israel.

1SA 18:27 David mata 200 filisteus e lhes corta os prepúcios.
SAMUEL II 4:7-8 Recabe e Baaná matam Isbosete, que estava deitado, e o decapitaram e levaram sua cabeça de presente para David.

SAMUEL II 4:12 David manda matar Recabe e Baaná e manda lhes cortar suas mãos e seus pés e pendurar seus corpos sobre um tanque.

SAMUEL II 8:4 David mutila inúmeros cavalos, cortando-lhes os tendões,.

SAMUEL II 8:5 David mata 22.000 Sírios.

SAMUEL II 8:13 David mata 18,000 Edomitas no vale do sal e faz o restante de escravos.

SAMUEL II 10:18 David mata mais de 40.000 Sírios.

SAMUEL II 11:14-27 David arma um plano para matar Urias de forma que possa desposar sua esposa.

SAMUEL II 12:1, 19 Deus mata o filho de David pelos pecados que ele cometera.

SAMUEL II 13:1-15 Amnon se apaixona por sua própria irmã Tamar, a estupra e depois a odeia.

SAMUEL II 13:28-29 Absalão irmão de Amnom manda matar Amnom.

SAMUEL II 18:6-7 20.000 homens são mortos numa batalha no bosque de Efraim.

SAMUEL II 18:15 Os soldados de Joab matam Absalão.

SAMUEL II 20:10-12 Os soldados de Joab matam Amasa e deixam-no esvaindo em sangue no meio da rua.

SAMUEL II 24:15 Deus manda uma peste que mata 70.000 homens em Israel.

REIS I 2:24-25 Salomão manda matar Adonias.

REIS I 2:29-34 Salomão manda matar Joab.

REIS I 2:46 Salomão manda matar Simei.

REIS I 13:15-24 Um homem é morto por um leão por ter comido pão e bebido água num lugar onde o Senhor lhe tinha proibido. Isso apesar do fato do homem ter sido enganado por um profeta que lhe dissera que um anjo do Senhor o tinha permitido comer e beber naquele local.

REIS I 20:29-30 Os Israelitas matam 100.000 Sírios em um dia. Um muro cai em cima dos 27.000 Sírios restantes.

REIS II 2:23-24 42 crianças são despedaçadas e mortas por ursos por terem zombado de um homem de Deus que por isso os teria amaldiçoado.

REIS II 5:27 Eliseu amaldiçoa eternamente com lepra Geazi e todos os seus descendentes.

REIS II 6:18-19 Atendendo as súplicas de Eliseu, o Senhor cega os Sírios que assim são enganados por Eliseu.

REIS II 6:29 “Cozemos pois o meu filho e o comemos. Mas dizendo-lhe eu ao outro dia: Dá cá o teu filho, para que o comamos; escondeu o seu filho.”

REIS II 9:30-37 Jeú faz com que Jezabel seja morta. Seu corpo é pisoteado por cavalos. Sua carne é comida pelos cachorros. Dela só restam a caveira, os pés e as palmas das mãos.

REIS II 10:7 Jeú mata 70 filhos de Acabe, suas cabeças são cortadas e colocadas em cestos e enviadas para o seu pai.

REIS II 10:14 Jeú manda matar 43 parentes de Acabe.

REIS II 11:1 Atalia destrói toda uma família real.

REIS II 14:5, 7 Amazias mata seus servos e 10.000 edomitas.
REIS II 15:16 Menaem corta ao meio todas as mulheres grávidas.

REIS II 19:35 Um anjo do Senhor mata 185.000 assírios numa só noite.

CRONICAS I 20:3 “Então David fez serrar o povo com a serra e cortar com talhadeiras de ferro e com machados; e assim fez David com todas as cidades dos filhos de Amom.”

2CH 13:17 500.000 Israelitas são assassinados.

PS 137:9 Feliz o homem que arrebentar os seus filhinhos de encontro às rochas.

IS 13:15 “Todo o que for achado será traspassado; e todo o que for apanhado, cairá a espada. E suas crianças serão despedaçadas perante os seus olhos; as suas mulheres violadas.”

ISAIAS 13:18 “E os seus arcos despedaçarão os mancebos, e não se compadecerão do fruto do ventre; o seu olho não poupara os filhos.”

ISAIAS 14:21-22 “Preparai a matança para os filhos por causa da maldade de sues pais.”

ISAIAS 49:26 O Senhor faz com que os opressores do povo israelita comam sua própria carne e fiquem bêbados de seu próprio sangue, como se fosse vinho.”

JEREMIAS 16:4 Segundo Deus “Morrerão de enfermidades dolorosas, e não serão pranteados nem sepultados; servirão de esterco para a terra; e pela espada e pela fome serão consumidos, e os seus cadáveres servirão de mantimento às aves do céu e aos animais da terra.”

LAMENTAÇÕES 4:9-10 “…As mãos das mulheres piedosas cozeram seus próprios filhos; serviram-lhes de alimento na destruição…”

EZEQUIEL 4:12 “E comerás um biscoito de cevada, a qual cozerás, à vista deles, com
excrementos humanos.”

EZEQUIEL 6:12-13 O Senhor diz: “… o que estiver longe morrerá de peste, e o que está perto morrerá pela espada, e o que ficar de resto e cercado morrerá de fome; cumprirei o meu furor contra eles ….”

EZEQUIEL 9:4-6 Ordem do Senhor: “sem compaixão… matai velhos, mancebos, e virgens, e meninos, e mulheres, até exterminá-los….”

EZEQUIEL 21:3-4 O Senhor diz que exterminará tanto o justo quanto o ímpio, ferindo-lhes a carne com sua espada.

EZEQUIEL 23:25, 47 Deus irá matar os filhos e as filhas de todas que foram prostitutas.

OZEAS 13:16?seus filhos serão despedaçados, e as suas mulheres grávidas serão abertas pelo meio.”

SALMO 109:6-13 “Suscitai ao seu lado um malévolo, e um acusador esteja à sua direita. Citado em juízo, seja condenado, e fique sem efeito a sua defesa. Sejam abreviados
os seus dias, e receba outro o seu lugar. Fiquem órfãos os seus filhos, e viúva a sua esposa. Andem errantes e mendigando os seus filhos, e esmolem longe das suas casas em ruínas. Vincule-lhe o credor todos os seus bens, e os estranhos roubem as suas fadigas. Ninguém mais lhe mostre benevolência, nem haja quem se compadeça de seus órfãos. Sua descendência seja voltada ao extermínio; e na próxima geração extinga-se o seu nome.”
SALMOS 137:9 “Bravo o que tomar os seus filhinhos e os esmagar contra uma pedra!”

MATEUS 3:12, 8:12, 10:21, 13:30, 42, 22:13, 24:51, 25:30, LK 13:28, JN 5:24 Muitos passarão a eternidade no Inferno com choro e ranger de dentes.

MATEUS 10:21 “… e o irmão entregará à morte o irmão, e o pai o filho; e os filhos se levantarão contra os pais, e os matarão… e odiados todos sereis por causa de meu nome.”

MATEUS 10:35-36 “Porque eu vim pôr em conflito o homem contra o seu pai, e a filha contra sua mãe , e a nora contra sua sogra; e assim os inimigos do homem serão os seus familiares.”
MATEUS 11:21-24 Jesus amaldiçoa os habitantes de três cidades que não ficaram impressionados com seus grandes feitos.

ATOS 13:11 Paulo propositadamente, mesmo que por um tempo provisório, cega um homem.

http://teorizando.wordpress.com/atrocidades-biblicas/

Palavras-chave: Ateísmo, batman, Bíblia, Conto de fadas, Deus, Livros de Ficção, Religião, Superman

Postado por João Carlos Holland de Barcellos em Ateus e Ateísmo | 1 usuário votou. 1 voto | 25 comentários

Janeiro 07, 2011

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Carlos:

Quando o assunto é ateísmo, normalmente se pensa logo em Dawkins, Hitchens, Dennet e Harris. Bem, existem muitos outros caras bons. Reunir aqui alguns nomes e envio um pouco de cada. Algumas partes se encontram em inglês, mas tem muita coisa. Faça bom proveito.

INDICO:

Joseph Mccabe
http://translate.google.com.br/translate?hl=pt-BR&sl=en&u=http://www.infidels.org/library/modern/robert_price/&ei=Cgb2TKSiBMOB8gaArrWEBw&sa=X&oi=translate&ct=result&resnum=3&ved=0CC8Q7gEwAg&prev=/search%3Fq%3Drobert%2Bprice%26hl%3Dpt-BR%26prmd%3Dv

Robert M. Price
http://translate.google.com.br/translate?hl=pt-BR&sl=en&u=http://www.infidels.org/library/modern/robert_price/&ei=AQMmTYzsD8Kclgfeob2NAg&sa=X&oi=translate&ct=result&resnum=1&ved=0CB8Q7gEwAA&prev=/search%3Fq%3Dsecular%2Bweb%2B-%2Brobert%2Bprice%26hl%3Dpt-BR%26prmd%3Divns

Richard Carrier
http://translate.google.com.br/translate?hl=pt-BR&sl=en&u=http://www.infidels.org/library/modern/richard_carrier/&ei=ZQMmTaSmL4XGlQe27Yi5AQ&sa=X&oi=translate&ct=result&resnum=1&ved=0CBsQ7gEwAA&prev=/search%3Fq%3Dsecular%2Bweb%2B-%2Brichard%2Bcarrier%26hl%3Dpt-BR%26prmd%3Divns

Michael Martin
http://translate.google.com.br/translate?hl=pt-BR&sl=en&u=http://www.infidels.org/library/modern/michael_martin/&ei=jgMmTaC6BsP_lgefvsyDAg&sa=X&oi=translate&ct=result&resnum=1&ved=0CB8Q7gEwAA&prev=/search%3Fq%3Dsecular%2Bweb%2B-%2Bmichael%2Bmartin%26hl%3Dpt-BR%26prmd%3Divnso

Theodore Drange
http://translate.google.com.br/translate?hl=pt-BR&sl=en&u=http://www.infidels.org/library/modern/theodore_drange/&ei=xgMmTer_BcSAlAeJhr3SAQ&sa=X&oi=translate&ct=result&resnum=1&ved=0CBsQ7gEwAA&prev=/search%3Fq%3Dsecular%2Bweb%2B-%2Btheodore%2Bdrange%26hl%3Dpt-BR%26prmd%3Divnso

Dan Barker
http://translate.google.com.br/translate?hl=pt-BR&sl=en&u=http://www.infidels.org/library/modern/dan_barker/&ei=7wMmTYuRHMLflgfLkYzwAQ&sa=X&oi=translate&ct=result&resnum=1&ved=0CBsQ7gEwAA&prev=/search%3Fq%3Dsecular%2Bweb%2B-%2Bdan%2Bbarker%26hl%3Dpt-BR%26prmd%3Divnso

Quentin Smith
http://translate.google.com.br/translate?hl=pt-BR&sl=en&u=http://www.infidels.org/library/modern/quentin_smith/&ei=aQQmTaYxxoCUB_ausfAB&sa=X&oi=translate&ct=result&resnum=1&ved=0CBsQ7gEwAA&prev=/search%3Fq%3Dsecular%2Bweb%2B-%2Bquentin%2Bsmith%26hl%3Dpt-BR%26prmd%3Divnso

Edward Tabash
http://translate.google.com.br/translate?hl=pt-BR&sl=en&u=http://www.infidels.org/library/modern/edward_tabash/&ei=EgUmTbelO4eglAfCncHZAQ&sa=X&oi=translate&ct=result&resnum=1&ved=0CBsQ7gEwAA&prev=/search%3Fq%3Dsecular%2Bweb%2B-%2Beddie%2Btabash%26hl%3Dpt-BR%26prmd%3Divnso

Palavras-chave: Ateísmo, caras Bons, deus, religião

Postado por João Carlos Holland de Barcellos em Ateus e Ateísmo | 0 comentário

Setembro 03, 2010

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02/09/2010 - 14h46 / Atualizada 02/09/2010 - 16h47

Stephen Hawking descarta papel de Deus na criação do Universo

O cientista britânico Stephen Hawking afirma em seu novo livro, ainda inédito, que a física moderna descarta a participação de Deus na origem do Universo e diz que aparentemente o Big Bang foi uma consequência natural das leis da física.

Em The Great Design (“O Grande Projeto”, em tradução livre), que teve trechos publicados nesta quinta-feira pelo jornal britânico The Times, Hawking afirma que “a criação espontânea é a razão pela qual existe algo em vez de nada”.

O cientista cita a descoberta de um planeta orbitando uma estrela que não o Sol, ocorrida em 1992, como algo que faz as condições planetárias terrestres – como a relação entre a massa solar e a distância para o Sol, por exemplo - parecerem provas “muito menos convincentes de que a Terra foi cuidadosamente projetada somente para agradar a nós, seres humanos”.

"Devido à existência de uma lei como a da gravidade, o Universo pode e vai criar a si mesmo do nada”, afirma o físico no livro.

"A criação espontânea é a razão pela qual existe algo em vez de nada, do porquê o Universo existe, do porquê nós existimos”, diz Hawking.

The Great Design foi escrito em parceria com o físico norte-americano Leonard Mlodinow e tem lançamento previsto para o próximo dia 9.

Mudança 
Os trechos indicam uma aparente mudança de opinião em relação a uma das obras mais conhecidas de Hawking.

Em seu livro Uma Breve História do Tempo, publicado em 1988, o cientista sugeria que a ideia de uma criação divina seria compatível com uma compreensão científica do Universo.

“Se nós descobrirmos uma teoria completa, será o triunfo definitivo da razão humana – pois então nós deveremos conhecer a mente de Deus”, escreveu então o cientista.

Uma Breve História do Tempo teve mais de 9 milhões de cópias vendidas em todo o mundo.

Palavras-chave: Criação do Universo, Deus, Hawking

Postado por João Carlos Holland de Barcellos em Ateus e Ateísmo | 2 comentários

Junho 15, 2010

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A Ciência é uma religião?

A Ciência se baseia em evidências verificáveis. A fé religiosa não somente falha em provas, mas também apregoa com orgulho e alegria sua independência de provas.

Richard Dawkins

Está na moda ter uma raiva apocalíptica da ameaça que representa à humanidade o vírus da AIDS, o mal da “vaca louca” e muitos outros, mas penso que devemos nos preocupar com a fé, um dos grandes males do mundo, comparável ao vírus da varíola, mas mais difícil de ser erradicado.

A fé, sendo uma crença não baseada em provas, é o vício principal de qualquer religião. Quem, ao olhar a Irlanda do Norte ou o Oriente Médio, pode dizer enfaticamente que o vírus cerebral da fé não seja extremamente perigoso? Uma das histórias contadas aos jovens muçulmanos que são homens-bomba suicidas é que o martírio é a maneira mais rápida de se chegar ao paraíso – e não apenas ao paraíso, mas a um lugar especial, onde serão recompensados com o prêmio de 72 noivas virgens. Ocorre-me que nossa melhor esperança pode estar associada a uma espécie de “controle de armas espirituais”: enviar teólogos especialmente treinados para diminuir progressivamente esse número de virgens.

Levando-se em conta o perigo representado pela fé, e considerando as realizações da razão e da observação na atividade chamada Ciência, é irônico que, em minhas palestras públicas, sempre haja alguém que diga: “É evidente que sua Ciência é apenas uma religião como a nossa. No fundo, a Ciência não passa de fé”.

Bem, Ciência não é religião e não toca a fé porque, apesar de ter muitas das virtudes da religião, não possui nenhum de seus vícios. A Ciência se baseia em evidências verificáveis. A fé religiosa não somente falha em provas, mas também apregoa com orgulho e alegria sua independência de provas. Que outra razão os cristãos teriam para fazer essa crítica raivosa à dúvida de Tomé? Os outros apóstolos são exemplos de virtude para nós porque a fé lhes era suficiente. O cético Tomé, por outro lado, exigia a evidência. Talvez ele devesse ser considerado o santo patrono dos cientistas.

Uma razão pela qual eu sou confrontado com a ideia de que a Ciência é no fundo uma religião é porque eu acredito de fato na evolução, e acredito com uma convicção apaixonada. Para alguns, isto pode parecer superficialmente com a fé, mas a evidência que me faz acreditar na evolução não somente é poderosamente forte, como também se encontra à disposição de qualquer um que queira se debruçar sobre o tema para estudá-lo. Qualquer pessoa pode estudar as mesmas provas que eu e, presumivelmente, chegar à mesma conclusão. Mas, se você tem uma crença que se baseia somente na fé, eu não posso examinar suas razões. Você pode se esconder atrás de seu muro particular de fé, onde não posso alcançá-lo.

É claro que, na prática, os cientistas individuais às vezes recaem no vício da fé, e uns poucos talvez acreditem de modo tão simplório em sua teoria favorita que ocasionalmente cheguem a falsificar uma prova. Todavia, o fato de que isto às vezes aconteça não altera o princípio de que o fazem com vergonha, e não com orgulho. O método da Ciência é tão bem arquitetado que geralmente traz à tona mais cedo ou mais tarde qualquer tentativa de falsificação da evidência.

A Ciência é na verdade uma das disciplinas mais morais e honestas que existem, porque entraria em colapso inteiramente se não fosse por uma escrupulosa aderência à honestidade na apresentação da evidência. Como James Randi apontou, esta é a razão por que os cientistas são tão frequentemente enganados por paranormais cheios de truques e por que o papel de desmascarar é mais bem representado pelos prestidigitadores profissionais. Os cientistas simplesmente não antecipam a desonestidade deliberada. Há outras profissões (não é preciso mencionar os advogados especificamente) em que a falsificação das provas, ou pelo menos a sua adulteração, é precisamente o que as pessoas são pagas para fazer e que os torna melhores na profissão.

A Ciência está livre do principal vício da religião, que é a fé. Mas, como assinalei, ela possui algumas das virtudes da religião. A religião pode desejar conferir a seus seguidores diversos benefícios, entre eles a explicação, a consolação e o encantamento. A Ciência pode oferecer o mesmo.

Os seres humanos têm um grande apetite por explicações. Esta pode ser uma das principais razões por que a religião se difundiu tão universalmente, uma vez que pretende dar explicações. Nós somos dotados de uma consciência individual em um universo misterioso e desejamos entendê-lo. A maior parte dos religiosos oferece uma cosmologia, uma biologia, uma teoria da vida e uma teoria das origens, além de significados para a existência. Assim fazendo, eles demonstram que a religião é, em certo sentido, Ciência; mas não passa de má ciência. O argumento não considera que religião e Ciência operam em dimensões separadas e dizem respeito a tipos de perguntas bastante distintos. Historicamente, as religiões sempre tentaram responder a perguntas que pertencem propriamente à Ciência, mas não deveriam ter permissão para se retirarem do terreno em que elas tradicionalmente têm tentado brigar. Elas oferecem tanto uma cosmologia quanto uma biologia; todavia, ambas são falsas.

O consolo é mais difícil para a Ciência oferecer. Diferentemente da religião, a Ciência não pode oferecer ao carente um encontro memorável com seus amados numa vida futura. Aqueles que foram maltratados nesta vida não podem, de um ponto de vista científico, antecipar uma doce vingança para seus atormentadores em uma vida após a morte. Poder-se-ia argumentar que, se a ideia de uma vida posterior é uma ilusão (como acredito que seja), a consolação que oferece é vazia. Mas não é necessariamente assim; uma falsa crença pode ser tão reconfortante quanto uma verdadeira, desde que o crente jamais descubra sua falsidade. Mas se o consolo for tão barato assim, a Ciência é capaz de oferecer, em contrapartida, outros paliativos baratos, tais como analgésicos, cujo conforto pode ou não ser ilusório, mas que funciona bem.

O encantamento, todavia, é o terreno em que a Ciência realmente sente-se à vontade. Todos os grandes religiosos abrigam o temor, a empolgação diante da maravilha e beleza da criação. É exatamente esta sensação de estremecimento, de temor reverente – de quase adoração –, este sentimento de admiração arrebatadora, o que a Ciência moderna pode oferecer. E isto vai muito além dos sonhos mais selvagens dos santos e místicos. O fato de que o sobrenatural não tenha lugar em nossas explicações, em nossa compreensão do universo e da vida, não diminui o temor. Na verdade, acontece o contrário. O mero vislumbre através de um microscópio do cérebro de uma formiga, ou através de um telescópio, de uma galáxia remota de um bilhão de mundos, é o suficiente para substituir os salmos de louvor tolos e paroquiais.

Agora, quando me dizem que a Ciência ou alguma parte específica dela, como a teoria da evolução, é apenas uma religião como qualquer outra, eu geralmente nego isto com indignação. Mas começo a me perguntar se talvez esta não seja uma tática errada. Talvez a tática certa seja aceitar o desafio com gratidão e exigir que as aulas de Ciência tenham a mesma duração que as aulas de educação religiosa. Quanto mais eu penso nisso, mais eu percebo que deveríamos investir seriamente nesta ideia. Quero, então, falar um pouco sobre a educação religiosa e o lugar que a Ciência poderia ocupar nela.

Eu lamento profundamente o modo como as crianças são educadas. Não estou familiarizado inteiramente com o modo como as coisas acontecem nos Estados Unidos, assim o que digo pode ter mais relevância no Reino Unido, onde há instrução religiosa para todas as crianças como imposição do Estado e obrigação legal. Isto é inconstitucional nos Estados Unidos, mas presumo que as crianças recebam de qualquer forma uma instrução religiosa na religião particular que seus pais julguem apropriada.

Isto me leva à observação sobre o abuso mental de crianças. Em uma edição de 1995 do Independent, um dos principais jornais londrinos, havia uma fotografia de uma cena relativamente doce e tocante. Era a época de Natal, e a foto mostrava três crianças vestidas como três homens sábios, encenando uma peça sobre a natividade. A história associada à foto representava uma criança muçulmana, outra hindu e outra, cristã. O ponto supostamente doce e tocante da história é que todas elas participavam da peça sobre a Natividade.

O que não é doce e nem tocante é que estas crianças tinham todas quatro anos de idade. Como se pode dizer que uma criança de quatro anos seja muçulmana, ou cristã, ou hindu, ou judia? É possível falar de um economista de quatro anos de idade? O que você diria sobre um neo-isolacionista de quatro anos, ou um liberal republicano de quatro anos? Há opiniões sobre o cosmos e o mundo que as crianças, uma vez crescidas, presumivelmente estarão em condição de avaliar por si mesmas. A religião é um domínio em nossa cultura em que se aceita prontamente, sem questionamento – sem nem mesmo se aperceber do quanto isto é bizarro – que pais tenham uma palavra total e absoluta sobre o que seus filhos serão, como seus filhos vão ser formados, que opiniões seus filhos terão sobre o cosmos, sobre a vida, sobre a existência. Você compreende o que quero dizer quando me refiro a abuso mental de crianças?

Considerando agora o que se espera que a educação religiosa seja capaz de oferecer, um de seus objetivos poderia ser encorajar as crianças a refletir sobre as questões profundas da existência, convidá-las a se colocar acima das preocupações tolas da vida cotidiana e pensar sub specie aeternitatis.

A Ciência é capaz de fornecer uma visão da vida e do universo que, como já observei, com inspiração poética humilde, supera em muito quaisquer crenças mutuamente contraditórias e as tradições recentes e lamentáveis das religiões do mundo.

Por exemplo, como poderiam as crianças, nas aulas de educação religiosa, deixar de se sentir inspiradas, se pudéssemos fazê-las perceber um átimo da idade do universo? Vamos supor que, no momento da morte de Cristo, a notícia de sua morte tivesse começado a viajar pelo universo na velocidade máxima possível, distanciando-se da Terra. Até onde essa notícia terrível poderia ter chegado, até agora? Segundo a teoria da relatividade especial, a notícia não poderia, sob quaisquer circunstâncias, ter alcançado mais que uma quinquagésima parte do percurso de uma única galáxia – sequer a milésima parte do percurso até a galáxia vizinha da nossa, em um universo com 100 milhões de galáxias. O universo de modo geral não poderia ser outra coisa senão indiferente a Cristo, a seu nascimento, à sua paixão e à sua morte. Mesmo momentos muito importantes, como a origem da vida na Terra, poderiam ter viajado somente através de nosso pequeno feixe de galáxias. Mas esse evento é tão remoto em nossa escala de tempo terrena que, se você medisse esse tempo com seus braços abertos, a totalidade da história humana, a totalidade da cultura humana, representariam a poeira da ponta de seus dedos em um único movimento de uma lixa de unha.

É desnecessário dizer que o argumento do arquiteto do universo, parte importante da história da religião, não seria ignorado em minhas aulas de educação religiosa. As crianças olhariam para as maravilhas eloquentes dos reinos vivos, avaliariam o darwinismo em contraposição com as alternativas criacionistas e tirariam suas próprias conclusões. Eu penso que as crianças não teriam dificuldade em raciocinar de modo correto se lhes fossem apresentadas provas. O que me preocupa não é a questão do tempo igual para o ensino de Ciência e religião, mas que, até onde posso perceber, as crianças do Reino Unido e dos Estados Unidos não tenham basicamente nenhum tempo para o estudo da teoria da evolução. Ao contrário, só lhes ensinam o criacionismo (quer seja na escola, na igreja ou em casa).

Seria interessante também ensinar mais que uma teoria da criação. A dominante nesta cultura é o mito da criação judeu, extraído do mito da criação babilônico. Há, claro, vários outros, e talvez devêssemos conceder a todos eles o mesmo tempo (exceto pelo fato de que não sobraria tempo para estudar nada mais). Sei que há hindus que acreditam que o mundo foi criado em uma desnatadeira cósmica e povos da Nigéria que acreditam que o mundo foi criado por Deus a partir do excremento de formigas. Certamente estas histórias têm tanto direito a tempo igual quanto o mito judeu-cristão de Adão e Eva.

Já falamos demais sobre o Gênesis; agora vamos nos mover para os profetas. O Cometa de Halley retornará sem falha no ano 2062. As profecias bíblicas ou délficas não aspiram a esta precisão; astrólogos e seguidores de Nostradamus não ousam se comprometer com prognósticos factuais. Melhor ainda, disfarçam sua charlatanice com uma cortina de fumaça de imprecisão. Quando os cometas apareceram no passado, foram frequentemente vistos como prenúncios de desastres. A astrologia tem tido um papel importante em várias tradições religiosas, incluindo o hinduísmo. Supostamente os três reis magos que eu mencionei anteriormente foram conduzidos à manjedoura de Jesus por uma estrela. Nós poderíamos perguntar às crianças por que rota física elas imaginariam que a suposta influência estelar nos assuntos humanos poderia viajar.

Houve um programa chocante na Rádio BBC, no período natalino de 1995, que apresentava uma astrônoma, um bispo e um jornalista designados para refazer os passos dos três reis magos. Pode-se entender a participação do bispo e do jornalista (um escritor religioso), mas a cientista era uma supostamente respeitável escritora de astronomia, e mesmo assim ela seguiu adiante com isso! Durante todo o caminho ela falou sobre os portentos de Saturno e Júpiter em posição ascendente em relação a Urano, ou o que quer que fosse. Ela na verdade não acredita em astrologia, mas um dos problemas é que nossa cultura aprendeu a se tornar tolerante em relação à astrologia, quando não vagamente entretida por ela – e tanto é assim que mesmo pessoas do meio científico que não acreditam em astrologia de certa forma pensam que seja uma diversão anódina. Eu trato a astrologia muito seriamente: penso que é profundamente perniciosa porque solapa a racionalidade, e gostaria de ver campanhas contra ela.

Quando as aulas de educação religiosa se ocupam da ética, não penso que a Ciência tenha muito a dizer, e eu a substituiria pela filosofia moral racional. As crianças pensam que há padrões absolutos de certo e errado? E se pensam assim, de onde eles vêm? Você pode criar princípios de certo e errado que funcionem bem, como “faça com os outros o que gostaria que fizessem com você” e “o maior bem para o maior número” (o que quer que isso signifique)? É relevante perguntar como um evolucionista, qualquer que seja sua moralidade pessoal, de onde vem a moral, ou que caminhos levaram o cérebro humano a ter esse sentimento de certo e errado, essa tendência à ética e à moral?

Deveríamos valorizar a vida humana acima de todas as outras? Há uma parede sólida a ser construída em volta da espécie Homo sapiens, ou deveríamos considerar que há outras espécies que merecem nossas simpatias humanistas? Nós deveríamos, por exemplo, seguir o lobby do direito à vida, que está inteiramente voltado para a vida humana, e valorizar mais a vida de um feto humano, que tem as faculdades de um verme, que a de um chipanzé que pensa e sente? Qual é a base desta cerca que erguemos em volta do Homo sapiens – mesmo em volta de uma pequena peça de tecido fetal? (Não soa muito como uma ideia evolucionária, ao se pensar sobre ela.) Quando, na descendência evolucionária de nosso ancestral comum com os chimpanzés, a cerca de proteção foi erguida?

Bem, saindo então da moral para a escatologia, nós sabemos, pela segunda lei da termodinâmica, que toda complexidade, toda a vida, todo o riso, todo o sofrimento, inclinam-se para o frio nada no final. Eles – e nós – podem não ser mais que temporários; apostas locais do grande decline universal no abismo da uniformidade.

Nós sabemos que o universo está se expandindo e que provavelmente vai se expandir eternamente, embora seja possível que se contraia novamente. Nós sabemos que, o que quer que aconteça ao universo, o sol engolfará a terra em cerca de 60 milhões de séculos no futuro.

O tempo propriamente dito começou em certo momento, e pode terminar em certo momento – ou não. O tempo pode chegar ao fim localmente, em trituradores chamados buracos negros. As leis do universo parecem ser verdadeiras para todo o universo. Por que é assim? As leis poderiam ser outras nestes trituradores? Para ser um tanto especulativo, o tempo poderia começar novamente com novas leis da física, novas constantes físicas. Há hipóteses de que poderia haver muitos universos, cada um isolado tão completamente dos demais que, para o primeiro, os outros não existiriam. Neste caso, poderia haver uma seleção darwinista entre os universos.

A Ciência poderia dar uma boa explicação de si mesma na educação religiosa, mas isto não seria o bastante. Eu acredito que alguma familiaridade com a versão do rei James da Bíblia é importante para quem deseja compreender as alusões que aparecem na literatura inglesa. Junto com o “Book of Common Prayer”, a Bíblia ganhou 58 páginas no “Dicionário Oxford de Citações”. Somente Shakespeare tem mais. Eu penso que não ter qualquer tipo de educação bíblica é uma escolha infeliz para as crianças que quiserem ler a literatura inglesa e entender a procedência de frases como “através de um vidro escuro”, “toda a carne é como a relva”, “esta corrida não é para o veloz”, “chorando no deserto”, “colhendo tempestade”, “entre o joio”, “Sem olhos em Gaza”, “Os que consolam Jô” e “a oferta singela da viúva”.

Quero ainda retornar à acusação de que a Ciência é apenas uma fé. A versão mais extrema desta acusação – e que vejo com frequência tanto em cientistas quanto em racionalistas – é a acusação de haver um fanatismo e uma intolerância tão grandes em cientistas e em religiosos. Às vezes pode haver um pouco de justiça nesta acusação, mas como fanáticos intolerantes nós cientistas somos meros amadores. Nós nos contentamos em discutir com aqueles que discordam de nossos pontos de vista. Nós não os matamos.

Mas eu negaria até mesmo a menor acusação de fanatismo puramente verbal. Há uma diferença muito, muito importante entre o sentimento forte, mesmo apaixonado, em relação a algo porque pensamos a respeito e examinamos as provas e, por outro lado, o sentimento forte em relação a algo que foi internamente revelado a nós, ou internamente revelado a outra pessoa na história e subsequentemente reverenciado pela tradição. Há uma enorme diferença entre a crença que alguém está preparado para defender recorrendo à evidência e à lógica e uma crença que é apoiada por nada mais que a tradição, a autoridade ou a revelação.

Palavras-chave: Ateísmo, Ciência, dawkins, , Religião

Postado por João Carlos Holland de Barcellos em Ateus e Ateísmo | 6 comentários

Maio 28, 2010

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Consciencia independente do corpo

DEBATE Entre Jocax e Peterson na comunidade DEUX do Orkut:
http://www.orkut.com.br/Main#CommMsgs?cmm=11882420&tid=2570529390409078412&start=1

 

 

 

 

"Pelos avanços da ciência, estaria a natureza selecionando agora mentes capazes
de se perpetuar indefinidamente e independente dos genes?
"


A muito longo prazo sim. Atualmente e a medio prazo nao.
Se considerarmos que fazemos parte da natureza rumamos para
a confeccao de CEREBROS ARTIFICIAIS cujas mentes poderao
ser copiadas , clonadas , duplicadas, bkpeadas em varios
computadores e assim sobreviverem "independentemente" do HARDWARE que
a abriga ( mas algum hardware eh necessario claro ) .
http://www.orkut.com/CommMsgs.aspx?cmm=11882420&tid=2517282930641393292&start=1


"Li alguém mencionar noutro tópico que o gene estaria deixando de ser o fator mais importante e dando lugar à informação, se não me engano...
"


Vc deve considerar que o gene eh antes de mais nada INFORMACAO
armazenada no DNA.
O que eh o mais importante no fim das contas EH O SENTIR


"Observando as nossas fantasias de poder mais antigas como a existência de uma "alma imortal e incorpórea", estaríamos destinados a tornarmos nós mesmos apenas informação, sem a necessidade de um corpo? "

Nohs mesmos nao. Vc nao deixara seu corpo se vc entender vc como sua consciencia.
Mas civilizacoes com cerebro computadorizado nao precisarao de genes nem de corpos unicos.
Quaisquer computadores poderao abrigar tais mentes.
As mentes serao independentes dos corpos mas precisarao de algum corpo.
( serao algoritmos e memorias q poderao ser copiados )


"Ou o substrato material será sempre necessário, e nos conformaremos à sua fragilidade?
"


Algum substrato sera sempre necessario assim como
um programa de computador precisa de ALGUM computador
para ativa-lo. Ou de uma midia para transporta-lo.

Texto sobre definicao de consciencia:
http://www.genismo.com/metatexto43.htm

 

 

João Carlos

Origem da consciencia

"Tudo bem, Jocax?

O assunto é a consciência humana. Por exemplo, há um amigo, que defende vidas passadas noutras existências.
Diz que um momento de consciência só existe como conseqüência de outro.
Diz que a consciência não pode surgir espontaneamente, porque ela é fluxo.
Logo, ela sempre existiu e sempre vai existir.
E ainda disse que pulamos de objetos mentais em objetos mentais desde tempos sem início.

Gostaria de lhe perguntar se tem conhecimento sobre assunto. O que acha da afirmação e se pode refuta-la. Se quiser, passe-me o endereço da tua comunidade mais apropriada para o assunto e conversamos lá. []
Obrigado.

Até mais... "


Peterson,
Tudo que dependa de eventos ( acontecimentos )
deve ter tido um inicio.
Leia sobre o teorema de KALAM.
http://str.com.br/Atheos/kalam.htm

Assim a origem da consciencia eh explicada pela
origem da vida ( cientificamente ) .

abs

 

João Carlos

"Nunca se provou que a consciência é um epifenômeno do cérebro?
"


Nao se definiu ainda o que seja consciencia.
Entretanto a ciencia, particularmente a neurociencia,
tem como certo que a consciencia eh fruto do processamento cerebral
da materia.

 

João Carlos

"Saberia me dizer se o materialismo em si não pode ser comprovado?
"


O materialismo EM SI nao pode ser comprovado.

Justamente pq o que eh IMATERIAL nao poderia interagir com a materia
e portanto nao poderia ser medido.


Pois qqr coisa que INTERAJA com a materia deve ser considerado materialismo
ja que poderia ser medido.

Assim em principio o imaterialismo seria INFASEAVEL ja que
nao poderia interagir com a materia.

Veja que mesmo que existisse o imaterial e se por definicao
ele nao interage com a materia entao nada nesse universo imaterial
poderia nos afetar e seria irrelevante sua existencia ou nao.

 

 

João Carlos

"Existe alguma prova cientifica de que exista um ego? Ou nenhuma?
"


Depende como vc define ego.

Se ego eh o sentimento do EU , entao existe.



"Como por exeplo a "Evolução" Darwiniana, que por mais que se acredite nela as provas seriam relativas e teria muita coisa da teoria que não sustentariam uma opinião inquestionável?

Há quem acredite na evolução Darwiniana, mas tem um bom número de ciêntistas trabalhando no museu Criacionista, não é?

"



Hoje em dia a teoria da evolucao humana eh incontestavel do ponto de vista cientifico.



"É como dizer: não sou "eu" que produzo o pensamento. Eu apenas observo o pensamento produzido pelo cérebro.
"


Seu EU eh seu cerebro que observa a si proprio ! :-)



"Pode-se dizer a grosso modo que 55% dos nossos neurônios estão nos intestinos e apenas 10% ou 15% no cérebro. "

Com certeza esta informacao EH FALSA!!!!!!!!!!!!!!!!!

 

 

João Carlos

"Essa semana morreu uma pequena menina acéfala de um ano e oito meses, segundo o jornal Extra."


Vc acredita em tabloides?

provavelmente ela nao tinha uma PARTE do cerebro e
nao o cerebro todo.
Caso contrario NEM PODERIA ENXERGAR NEM OUVIR !!

 

 

João Carlos

""Depende como vc define ego.
Se ego eh o sentimento do EU , entao existe."

Como assim?
Poderia explicar ou citar um exemplo?

"



Por exemplo:
A DOR existe?
A dor eh um sentimento entao existe.
Ego eh um sentimento da existencia da individualidade
da consciencia, o sentimento existe. Entendeu?



""Com certeza esta informacao EH FALSA"

Será mesmo?
Por que?
"


Pq eh biologicamente impossivel ficar 1 mes sem beber agua.
Vc lembra daqueles caras que viviam de luz??



"Não há nenhum correlato bioquímico do "eu", não é?

O que há são alguns neurocientistas que defendem que a consciência é produto do sistema nervoso, não é?
"



TODAS as experiencia induzem que a consciencia eh
produto direto da mecvanica cerebral.
Vc muda o cerebro muda a consciencia.
Nunca ninguem provou que a consciencia poderia existir sem o cerebro,
muito pelo contrario.

 

 

João Carlos

Modulo mental eh um subconjunto de neuronios interligados
que funcionam para resolver determinada funcao especifica.

Por exemplo: verificar a fome, medo, sede, verificar a beleza, o perigo, avaliar a distancia etc etc..

 

 

João Carlos

"Então, segundo a ciência, tanto mente quanto consciência desaparecem na morte?
"


EXATAMENTE !


"Noutro debate, você disse que o monismo é a base da ciência moderna.
Não se definiu o que é a mente e/ou consciência. Mas que essa mente e/ou consciência humana (ou seja, nada místico, nada sobre-humano) desaparece com a morte do cérebro, é fato?
"


Eh um consenso cientifico. Em ciencia nunca se pode PROVAR a veracidade das teorias.
Existem poucas verdades absolutas e nenhuma teoria cientifica ja alcancou este grau.




"O fato de desaparecer de nosso campo perceptivo não configura um desaparecimento de fato, não é?
"Perder algo de vista" não prova que a coisa passou para o campo da inexistência. Antes do microscópio, as bactérias existiam?
"



Sim existiam. Pois as evidencias apontam isso.
Vc deve estudar a navalha de ocam.


"E dizem que o monismo é apenas uma premissa ontológica, adotada por alguns. Não há como comprovar experimentalmente algo de natureza ontológica.
"


Em ciencia nao se trabalha com o DUALISMO alma/espiritos
a ciencia utiliza a navalha de ocam e NAO HA MOTIVO PARA
LANCAR MAO DE HIPOTESES DESNECESSARIAS , algo que NAO eh material (fisico)

João Carlos

"Mas não seriam apenas hipóteses não-passíveis de comprovação experimental?
O que ocorre é que as pessoas frequentemente se agarram às hipóteses,
transformando-as em crenças, não?
E aí que nem mesmo os cientistas escapam disso.
"


O que ocorre eh q nao se pode provar o monismo ( realidade purramente fisica sem espiritos ou seres transcendentes )
mas esta hipotese eh a mais compativel com a navalha de ocam e por isso eh ADOTADA.
A menos q surjam evidencias na qual a FISICA NAO PODERIA EXPLICAR ,
mas isso nao aconteceu ateh agora e por isso o minismo eh adotado.

 

João Carlos

Veja o que eh consciencia

"A Consciência e o Sentir, segundo Jocax
Por: Joao Carlos Holland de Barcellos, Maio/2006



Introdução

Se formos pesquisar os motivos por trás de todos os anseios, de todos os desejos, de todas as vontades e de todas as ideologias e mesmo religiões chegaremos a uma conclusão: Tudo, absolutamente tudo, está relacionado ao ‘Sentir’. Não existem atitudes, éticas ou regras morais que não se correlacionem, de um modo ou de outro, ao ‘sentir’. Seja o sentir presente, seja o sentir futuro, para nós mesmos ou não, aqui na Terra ou no “Além”. Busca-se o prazer e a fuga do sofrimento, nosso ou de outros, no presente ou no futuro, neste planeta ou não, nesta “dimensão” ou não. Até mesmo a felicidade, a deusa adorada, nada mais é do que o ‘sentir’ ponderado pela sua duração no tempo. A busca pelo conhecimento, a aprendizagem: são apenas formas de diminuir o sofrimento e tentar garantir a felicidade. Assim, podemos constatar que tudo gira em torno do sentir. Por esta razão eu elegi “A questão mais importante do Universo”:

“O que é o Sentir?”

"


http://www.genismo.com/metatexto43.htm

 

João Carlos

"Dizem alguns que fatos não são entidades existentes por si próprias, disponíveis para os observadores simplesmente as perceberem, tomarem nota e mensurarem. Fatos são construídos por aquele que os percebe, entende? Não há como pensar em fenômenos auto-existentes, independentes do observador. O observador recorta algo da realidade externa e lhe dá um nome. Esse processo é totalmente subjetivo.
Sem sujeito, não há fenômeno. Correto? "


Nao concordo.
O fato eh que o sujeito , o observador faz parte da realidade.
Entretanto assim como uma pedra que se deixar de exstir o sol continuara o mesmo
tambem vale para o observador: Ele eh irrelevante para a existencia do universo e dos fatos.

Veja que o observador eh materia e assim NAO eh essencialmente diferente dos objetos que observa.

 

João Carlos

"Dizem alguns que fatos não são entidades existentes por si próprias, disponíveis para os observadores simplesmente as perceberem, tomarem nota e mensurarem. Fatos são construídos por aquele que os percebe, entende? Não há como pensar em fenômenos auto-existentes, independentes do observador. O observador recorta algo da realidade externa e lhe dá um nome. Esse processo é totalmente subjetivo.
Sem sujeito, não há fenômeno. Correto? "


Nao concordo.
O fato eh que o sujeito , o observador faz parte da realidade.
Entretanto assim como uma pedra que se deixar de exstir o sol continuara o mesmo
tambem vale para o observador: Ele eh irrelevante para a existencia do universo e dos fatos.

Veja que o observador eh materia e assim NAO eh essencialmente diferente dos objetos que observa.



.
"Ainda que, no caso específico dos fenômenos FÍSICOS, haja quem defenda que eles existem
independentes do observador, a física quântica está aí revolucionando essa idéia ao mostrar que a mera observação de
um fenômeno no nível quântico irá causar alteração daquilo que é observado. "

.
Mas eh o q eu disse: Um observador eh tao fisico quanto uma pedra. E por isso interage com tudo
no universo , no minimo, com sua propria gravidade decorrente de ua massa.

 

João Carlos

"...
A resposta veio em 1970, por meio de um artigo seminal de Heinz Dieter Zeh, da Universidade de
Heidelberg, Alemanha. Ele mostrou que a equação de Schrödinger dá origem a um tipo de censura. Esse
efeito ficou conhecido como não-coerência, porque uma superposição ideal é tida como coerente. O
conceito de não-coerência foi estudado minuciosamente nas décadas seguintes pelo cientista do
laboratório de Los Alamos, Wojciech H. Zurek, por Zeh e outros. Eles descobriram que as superposições
coerentes persistem somente enquanto permanecem secretas para o resto do mundo. Nossa carta quântica
derrubada está sempre recebendo o impacto de enxeridos fótons e moléculas de ar, que podem comprovar se
a carta caiu para a direita ou para a esquerda, destruindo dessa forma a superposição e tornando-a
inobservável (leia o quadro A não-coerência: como a quântica se torna clássica).
É como se o ambiente desempenhasse o papel de observador, causando o colapso da função de onda.
Suponha que uma amiga sua olhou a carta e não lhe disse para que lado ela caiu. Pela interpretação de
Copenhague, a medição dela colapsa a superposição num resultado definido. E a descrição que você faz da
carta muda a superposição quântica para uma representação clássica de sua ignorância quanto ao que ela
viu. Falando de forma imprecisa, os cálculos de não-coerência mostram que não é necessário nenhum
observador humano (ou o colapso explícito da função de onda) para obter quase o mesmo efeito - uma
simples molécula de ar será suficiente.
Para todos os fins práticos, essa minúscula interação muda a
superposição para a situação clássica num abrir e fechar de olhos.
..."

http://groups.yahoo.com/group/Genismo/message/6110

 

João Carlos

.
" Tudo bem, ainda estamos engatinhando nesses termos para afirmar algo com segurança.
Mas de toda forma, existem fenômenos que não são físicos, como um pensamento, o amor ou a organização social.
No caso desses tipos de fenômenos, não há como negar o papel que o observador tem como seu criador.
"

.


TODOS os fenomenos provem de elementos fisicos. A matematia vem da mente que eh produto do cerebro que eh materia
assim a matematica vem da materia. Sentimentos e ideias sao resultado do processamento cerebral
e nao existe sem a materia. Da mesma forma q o cerebro pode sentr e pensar um computador poderia faer o mesmo.
O Observador , tal como um computador ou uma pedra nao desempenham um papel especial no universo
como gostariamo de acreditar.

 

João Carlos

.
" As premissas não são construídas pela lógica, correto? No caso de premissas APRIORÍSTICAS, elas são construídas por sujeitos - que as criam, com base naquilo que observam ou intuem. A lógica só entra na hora de subsumir outras coisas em relação à premissa."

Nao creio ser assim tao simples.
Se a logica natural eh produto natural do universo como eh explicado pelo Nada_jocaxiano entao
a logica e as premissas que a PROPRIA logica assume (como seus postulados basicos ) seriam
decorrentes da naturea do universo e NAO produto independente do cerebro humano.

Se bem que podemos inventar matematicas e logica que nada tem a ver com a realidade.
Neste caso o que vc disse acima esta correto.





.
" Se eu disser - de maneira apriorística - "existem baratas azuladas em marte'',
isso não será ilógico. Poderá apenas ser verossímil ou inverossímil."

.

Acho q depende da base de dados que esta frase provem.
Por exemplo se vc tiver uma base de dados que mpossibilite a esta conclusao
ela seria ilogico , algo do tipo:
-para existir baratas eh necessario agua liquida e vegetais.
-em marte nao ha agua em estado liquido nem vegetais.
Portanto nao pode haver baratas em marte.
Percebeu?

 

João Carlos

" Pode ser verossímil para um e inverossímil para outro.
Para que se torne uma premissa adotada pela ciência,
deverá ser considerada verossímil pela comunidade científica como um todo?"

.

Pode-se dizer que "algo eh adotdo pela ciencia" quando eh aceito pela grande maioria dos cientistas
que publicam em periodicos cientificos. Entretanto nem sempre os cientistas todos
tem conhecimento das bases factuais ou entao pode acontecer que estas bases estejam erradas.
De qqr modo, uma ve adotado estas bases e estas premissas - certas ou erradas - as conclusoes
ja nao dependem da visao particular de cada cientista. E estas conclusoes podem servir
de base de dados para novas conclusoes.
Claro que se a base estiver errado todo o paradigma RUI como um castelo de cartas !

 

João Carlos

Ok Peterson, mas lembre que isto nao eh um jogo de xadrez cujo objetivo eh derrotar o oponente mas sim uma dialetica para chegarmos aa verdade !

abs

 

João Carlos

"Entretanto, a primeira "refutação" aos seus argumentos, a mais óbvia,
é o que você chama de "evidência" ou "fato" tem implícita a
adoção do pressuposto metafísico realista.
"

Sim , mas este pressuposto eh devido a logica da navalha de ocam.
Um presuposto nao realista requer hipotese mais complexas e menos provaveis
do que o presuposto realista:
Da uma olhada num trecho da ciencia expandida:
"7.6- O Solipsismo
A Idéia solipsista é a de que tudo que observamos sentimos e acreditamos não passa de uma ilusão de alguma consciência (eu) e que, portanto, esta realidade que observamos é falsa, não existe. Como o Solipsismo faz referências sobre a realidade ele é passível de análise pela Ciência Expandida:
A hipótese de que o Universo se desenvolveu a partir de umas poucas leis físicas e uma quantidade finita de partículas elementares levando-o, como conseqüência, a produzir vida inteligente com consciência, requer muito menos hipóteses (e hipóteses simples) do que as necessárias para se ter um ser de tal complexidade que fosse capaz de imaginar e relacionar cada mínimo detalhe de nosso mundo imaginário. Além disso, teríamos também que resolver o problema da origem de um ser desta complexidade [13]. Portanto, pela navalha de ocam, o solipsismo deve ser preterido em relação a um universo não imaginado ou não virtual. Ou seja, agora, e não antes, podemos cientificamente “descartar” a hipótese solipsista."

http://www.genismo.com/logicatexto25.htm

 

João Carlos

.
"A partir do "realismo" para qualquer análise implica,
é necessário a adoção de um pressuposto metafísico, não?
É um pressuposto adotado, não? Seria ele o melhor? Por que?
"

Se o presuposto metafisico eh a a docao da propria realidade entao a resposta eh positva.
Mas tal pressuposto , como apontei anteriormente, eh baseada na navalha de ocam.
Veja um trecho do Teorema da Existencia:
" Refutando Descartes
Isto quer dizer que o "Penso, logo existo" (“Cogito, ergo sum”), de Descartes, pode não ser verdadeiro, pois, o ser que pensa, como mostramos no exemplo acima, pode não ser real. Mas, como já provamos, deve haver algum nível de interpretação na qual, no mínimo, a própria interpretação é real.
Pela “navalha de ocam”, enquanto não houver evidências em contrário, deveremos ficar, para todos os efeitos, com o menor nível interpretativo como sendo a realidade: Se eu observo algo1, este algo1 deve ser tomado como algo real."

http://www.genismo.com/logicatexto29.htm

 

João Carlos

.
"Mas é é possível usar a navalha de ockam para escolher pressupostos metafísicos? "
Se pensamentos metafisicos, ou mesmo o que estas ideas representam , seguem a logica, entao
a resposta deve ser afirmativa uma vez que a navalha de ocam aponta hipoteses de maior probabilidade
de uma forma logica, a navanha eh um principio logoco-filosofico, Veja:
"A Lógica da Navalha
A Navalha de Ocam aponta a hipótese de maior probabilidade de ocorrer, por que a cada hipótese extra e desnecessária que é acrescentada a uma teoria faz com que a probabilidade desta teoria ser correta seja diminuída.
Suponha uma teoria T1 que seja correta e formada com N hipóteses: H1, H2...Hn onde todas elas sejam necessárias para que a teoria funcione. T1=(H1, H2...Hn).
Suponha agora outra teoria T2, rival de T1, com as mesmas N hipóteses de T1 acrescida de uma hipótese extra e desnecessária “D0”. T2=(H1, H2.. Hn, D0).
Agora, se temos todas as condições nas quais as hipóteses de T1 sejam satisfeitas então a teoria T1 nos dará as predições corretas. A teoria T2, por sua vez, só dará o resultado correto apenas se a hipótese desnecessária “D0” for verificada. Mas, como por hipótese, “D0” é uma hipótese desnecessária, a teoria T2 pode dar um resultado Falso quando deveria dar um resultado verdadeiro, pois depende do valor da hipótese “D0”. Provamos dessa forma que hipóteses desnecessárias fazem com que uma teoria que poderia ser correta fique falsa.
."

http://www.genismo.com/logicatexto24.htm
Se os pensamentos ou o que eles representam nao seguem nenhuma logica entao tanto faz utiliza-la ou nao
pois nao podemos concluir nada de algo que nao segue a logica , sendo assim podemos TAMBEM seguir a navalha. Concorda?

 

João Carlos

.
" A navalha de ockam é usada para escolher a teoria mais simples. Não se deve multiplicar "entes" a toa. Não serve para a escolha de pressupostos metafísicos."
Nao eh a simplicidade trivial , veja:
"Simplicidade
A “Navalha de Ocam” é, muitas vezes, confundida com o “Princípio da Simplicidade” que estabelece que teorias mais “simples” são preferíveis às teorias mais “complexas”. Tal confusão pode ser perigosa a menos que se defina qual o significado de “simplicidade”. Pode ser um erro grave considerar a teoria mais “simples” como aquela que nos parece mais fácil de compreender. Dessa forma é sempre arriscado associar a “Navalha de Ocam” ao “Princípio da Simplicidade” se não estiver claro qual o conceito de simplicidade que se tem em mente. Um exemplo de associação correta: Se todas as hipóteses de uma teoria-1 estão contidas numa teoria-2 então a teoria-1 é a mais simples. Por exemplo, considere uma teoria-1 que utiliza as hipóteses (A e B) e uma teoria-2 que utiliza apenas as hipóteses (A, B e C). Como todas as hipóteses da teoria-1 estão contidas no conjunto de hipóteses da teoria-2 ela pode ser considerada a mais simples e, neste caso, está de acordo com a “Navalha de Ocam”. "

http://www.genismo.com/logicatexto24.htm

 

João Carlos

.
"É mais razoável dizer que pragmaticamente usa o pressuposto realista. Aliás, todos o usamos em nosso cotidiano. Isso não significa que temos acesso a realidade como ela é. Aliás, essa crença tem até um nome: realismo ingênuo, não? "
De forma alguma. Eh um realismo provavel, como apontado pela Navalha.
O oposto que seria um "nao-realismo esquizofrenico" :-)
.
"A hipótese de que o Universo se desenvolveu a partir de umas poucas leis físicas e uma quantidade finita de partículas elementares levando-o, como conseqüência, a produzir vida inteligente com consciência, requer muito menos hipóteses (e hipóteses simples) do que as necessárias para se ter um ser de tal complexidade que fosse capaz de imaginar e relacionar cada mínimo detalhe de nosso mundo imaginário. Além disso, teríamos também que resolver o problema da origem de um ser desta complexidade [13]. Portanto, pela navalha de ocam, o solipsismo deve ser preterido em relação a um universo não imaginado ou não virtual. Ou seja, agora, e não antes, podemos cientificamente “descartar” a hipótese solipsista."
http://www.genismo.com/logicatexto25.htm"

 

João Carlos

.
"A lógica não ajuda na escolha de pressupostos metafísicos. "

Eu diria que isso eh quase Impossivel.
Nossa mente foi evoluida num universo logico. Eh praticamente impossivel
pensar e filosofar SEM alguma base logica !!

Me da um exemplo que vc conclui algo sem usar a logica.

 

João Carlos

"A questão idealismoXrealismo é insolúvel. Não dá para demonstrar ou refutar nem um nem outro. Temos apenas que ter cuidado para não cair em um realismo ingênuo nem em um idealismo ingênuo.
"


Ja te provei que LOGICAMENTE o realismo eh mais provavel que o nao-realismo.

Agora se for para descartar a logica tudo pode-se concluir ateh mesmo o que a logica concluiu !!

 



.
" Exemplo de realismo ingênuo: a dos positivistas que acreditavam que existia observação pura e que poderíamos provar que determinada teoria é verdadeira. Esqueciam que nossa estrutura cognitiva tem papel ativo nas observações que fazemos."

Mas o realismo que defendo NAO eh um realismo "ingenuo".
Eh um realismo materialista integrado.

.
" Exemplo de idealismo ingênuo: algumas teorias "new-age" como a vinculada por um livro e um filme chamado "o segredo". Defende a idéia de que nossos pensamentos criam completamente aquilo que chamamos de realidade. Ora! Esquecem que temos padrões e leis que independem de nossos pensamentos e que atuam nessa realidade que compartilhamos.
"


SIm,, mas que tipo de IDEALISMO vc defende?

João Carlos

.
"Você parece confundir o que é "lógica" com a impossibilidade de comunicação sem adotar
o princípio da não-contradição que foi muito bem formulado por Aristóteles. "

A logica Aristotelica eh centrada no principio da nao contradicao veja:
"Lógica Aristotélica
Dá-se o nome de Lógica aristotélica ao sistema lógico desenvolvido por Aristóteles a quem se deve o primeiro estudo formal do raciocínio. Dois dos princípios centrais da lógica aristotélica são a lei da não-contradição e a lei do terceiro excluído. A lei da não-contradição diz que nenhuma afirmação pode ser verdadeira e falsa ao mesmo tempo e a lei do terceiro excluído diz que qualquer afirmação da forma *P ou não-P* é verdadeira. "

http://pt.wikipedia.org/wiki/L%C3%B3gica
Eh eh claro que podemos nos comunicar infringindo a logica tanto eh assim que existe a contradicao
os juies e a cadeia !
E vc nao me mostrou um exemplo de alguma proposicao metafiica que NAO utilize a logica.
Ou seja, mantenho minha assertiva: Eh praticamente impossivel FILOSOFAR sem utilizar a logica.
Vc ainda nao refutou isso e nao mostrou alguma ideia que nao utilise a logica.
.
" O idealismo ou o realismo é uma premissa metafísica. Não dá para demonstrar ou refutar nenhum dos dois.
A lógica não é útil para decidir qual dessas premissas é verdadeira. Infelizmente."

Ja te PROVEI que o realismo eh mais provavel que o idealismo baseado na LOGICA.
Vcnao refutou minha prova nem mostrou um argumento contra.
Portanto o realismo eh LOGICAMENTE preferivel ao idealismo.

 

João Carlos

.
""Ja te provei que LOGICAMENTE o realismo eh mais provavel que o nao-realismo.

Agora se for para descartar a logica tudo pode-se concluir ateh mesmo o que a logica concluiu !!"

Você NÃO provou logicamente. Provas em lógica NÃO é retórica. É formal. É que nem matemática. Aliás lógica tem um formalismo matemático formidável. "


Eu provei que a Navalha de Ocam leva a teorias de MAIOR PROBABILIDADE de ser verdadeira.
E portanto eh preferivel que outras que nao a seguem. Vc nao refutou minha prova, portanto a prova eh valida.

 

João Carlos

A prova

.
"É difícil mesmo alguém reconhecer que sua crença é ingênua. Agora reconhecer que não dá para "provar" logicamente que o realismo é mais provável que o idealismo é mais fácil. Basta ler e compreender qualquer bom livro de lógica básica. "

Entao leia-o e coloque a prova aki.
Ou entao refute a minha prova de que a navalha leva a teoria de maior probabilidade, o que vc AINDA NAO FEZ.

"A Lógica da Navalha

A Navalha de Ocam aponta a hipótese de maior probabilidade de ocorrer, por que a cada hipótese extra e desnecessária que é acrescentada a uma teoria faz com que a probabilidade desta teoria ser correta seja diminuída.

Suponha uma teoria T1 que seja correta e formada com N hipóteses: H1, H2...Hn onde todas elas sejam necessárias para que a teoria funcione. T1=(H1, H2...Hn).

Suponha agora outra teoria T2, rival de T1, com as mesmas N hipóteses de T1 acrescida de uma hipótese extra e desnecessária “D0”. T2=(H1, H2.. Hn, D0).

Agora, se temos todas as condições nas quais as hipóteses de T1 sejam satisfeitas então a teoria T1 nos dará as predições corretas. A teoria T2, por sua vez, só dará o resultado correto apenas se a hipótese desnecessária “D0” for verificada. Mas, como por hipótese, “D0” é uma hipótese desnecessária, a teoria T2 pode dar um resultado Falso quando deveria dar um resultado verdadeiro, pois depende do valor da hipótese “D0”. Provamos dessa forma que hipóteses desnecessárias fazem com que uma teoria que poderia ser correta fique falsa."

.

 

João Carlos

Pterson,
para seres de complexidade cerebral alta , nao eh verdade que o corpo age da mesma
forma com cerebro ou sem cerebro.
Da uma olhada no livro do DAMASIO:
Este artigo fala algo interessante:
"SOMATIZAÇÃO: A MEMÓRIA EMOCIONAL ANCORADA NO CORPO
José Henrique Volpi
A memória é a faculdade de se representar o que foi vivido, sentido e aprendido no
passado de uma pessoa. É uma função cerebral superior que “surge como um processo
de retenção de informações no qual nossas experiências são arquivadas e recuperadas
quando as chamamos” Portanto, a memória forma a base para a aprendizagem, que é a
aquisição de novos conhecimentos. Assim sendo, a memória retém esses conhecimentos
aprendidos (CARDOSO, 1997).
Existem diferentes tipos de memória, que variam em sua complexidade: química,
visual, olfativa, auditiva, tátil, etc. Mas basicamente podemos classificá-las em dois
grupos:
1) a memória intelectual, localizada na mente;
2) a memória sensorial, localizada no corpo.
Não existe uma área específica do cérebro ou do corpo em que a memória fica
armazenada. Ela é um fenômeno celular, biológico e psicológico que envolve vários
sistemas neuropsicofisiológicos que funcionam em conjunto.
"

http://www.centroreichiano.com.br/artigos/somatiza%C3%A7%C3%A3o%20a%20mem%C3%B3ria%20emocional.pdf

 

João Carlos

O ego eh uma parte do processamento cerebral.
Uma forma do cerebro distinguir e PRIVLEGIAR o objeto que o porta dos outro objetos quando faz uma IMAGEM interna do mundo que o cerca.

 

João Carlos

Peterson,
A essencia do texto e dos livro do Damasio, eh que TODAS AS SENSACOES
e impressoes sensoriais sao ORIUNDAS DA MATERIA e nao de uma SEGUNDA ENTIDADE NAO MATERIAL.

A essencia do dualismo eh separar o materia da mente ou da alma.

O que o Damasio diz eh que NAO HA SEPARACAO entre materia e mente.
A mente eh uma forma da materia se orgnizar e produzir estes resultados.
Nada mais q isso, nao ha almas, nao ha espiritos.

 

João Carlos

.
"Mas o que é que você faz sem ter um incentivo?
Nem que seja a esperança num mundo melhor, é incentivo. "

.
O problema eh que os crentes puseram suas fantasias num patamar muito alto de felicidade
ilusoria e no conseguem mais RETORNAR aa realidade menos cor-de-rosa".

Por isso que as vezes chamo a religio de MATRIX religiosa: A pesso se conecta
nesta maquina de ilusoes e fica dificil aceitar a realidade depois.

Como o fim da alma e dos espiritos soh nos resta a "materia".

 

João Carlos

Em alguns casos concordo com vc

Ou seja, o mundo nao eh mesmo cor de rosa e o que nos resta a fazer eh tentar faze-lo ficar assim e nao eperar EM VAO por um mundo - paraiso que nao vira.

Entretanto , do ponto de vista genista, vc nao morre num PUFF . Vc permanece nos seus genes pois genotipos semelhantes costumam produzir fenotipos similares tambem.

Mas concordo com vc que em alguns casoos eh melhor viver na ilusao
ou na mentira , principalmente qdo nao se pode fazer nada para melhorar situcao.
Eh o caso de doente terminais ou de crincas ciom doenca incuravel:
Coloca-las numa matrix religiosa eh melhor que simplesmente dar-lhes a verdade.


Mas MARMANJOS COMO NOHS eh pura covardia apelar para a matrix. Se ha um mundo melhor apos a morte nao se precisa mudar o que vivemos. Pra que se dar o trabalho?

 

João Carlos

.
"Mas quem disse que a estrutura da realidade é racional?
Quem disse que a mente conceitual pode ter acesso a realidade em si?

São apenas crenças, não? "

.
Mas ja discutimos isso logo acima, nao lembra?
"
"Mas é é possível usar a navalha de ockam para escolher pressupostos metafísicos? "
.
Se pensamentos metafisicos, ou mesmo o que estas ideas representam , seguem a logica, entao
a resposta deve ser afirmativa uma vez que a navalha de ocam aponta hipoteses de maior probabilidade
de uma forma logica, a navanha eh um principio logoco-filosofico, Veja: ....
.
.
Se os pensamentos ou o que eles representam nao seguem nenhuma logica entao tanto faz utiliza-la ou nao
pois nao podemos concluir nada de algo que nao segue a logica , sendo assim podemos TAMBEM seguir a navalha.
.
.
Ja te provei que LOGICAMENTE o realismo eh mais provavel que o nao-realismo.
.
.........
Agora se for para descartar a logica tudo pode-se concluir ateh mesmo o que a logica concluiu !!
.
"


O que eu quero dizer eh que a hipotese de uma REALIDADE NAO REAL
algo tipo matrix na qual o que vc ve eh ilusao implica em uma
teoria mais complexa e improvavel que a se supiusermos uma realidade realista ,objetiva.

Claro que pode nao ser isso, mas esta hipotese eh mais RACIONAL,
e se estamos discutindo racionalmente deveremos adot

Postado por João Carlos Holland de Barcellos em Ateus e Ateísmo | 21 comentários

Maio 10, 2010

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Folha de São Paulo, segunda-feira, 10 de maio de 2010 
 
 
ENTREVISTA DA 2ª

DANIEL DENNETT 

As pessoas têm de aprender a conviver com os "sem-deus"

Para filósofo americano, em algumas áreas dos EUA os ateus ainda sofrem a mesma discriminação que os homossexuais sofriam na década de 1950

QUANDO DEZEMBRO chega, diversão é o que não falta na vida do filósofo americano Daniel Dennett, 68. Além de ser tomado por Papai Noel pelas crianças mais empolgadas, o pesquisador ainda organiza sessões caseiras de música natalina.
Só não o convide para a Missa do Galo: ele é um dos mais articulados defensores do ateísmo de inspiração científica.
Autor de "A Perigosa Ideia de Darwin" e "Quebrando o Encanto", Dennett se especializou em explicar com clareza os conceitos-chave da teoria da evolução, usando-a para abordar temas como a natureza da consciência e as origens da religião.

REINALDO JOSÉ LOPES
DA REPORTAGEM LOCAL 

Ele afirma que tentar conciliar os dados da biologia evolutiva com a crença em Deus é um ato de desespero intelectual. Os que fazem isso, ataca, "estão apresentando como ciência o que, na verdade, é uma espécie de confusão na cabeça deles". 
Diz também que se declarar ateu hoje em algumas regiões dos EUA é o equivalente a se declarar homossexual nos anos 1950, e que a onda recente de livros escritos por cientistas ateus militantes está ajudando a tirar o ateísmo do armário. 
Dennett, que estará no Brasil no dia 8 de novembro para participar do seminário Fronteiras do Pensamento, em Porto Alegre (www.fronteirasdopensamento.com.br), conversou com a Folha por telefone. Leia abaixo a entrevista. 

FOLHA - Há um grupo de cientistas nos EUA, como Francis Collins, ex-chefe do Projeto Genoma Humano, que são defensores da teoria da evolução e, ao mesmo tempo, tentam conciliá-la com sua fé cristã. Mas têm sido muito atacados, até acusados de criacionistas disfarçados. O sr. concorda com tais críticas? 
DANIEL DENNETT
 - Acho que essas pessoas têm dois padrões diferentes para o que consideram pensamento racional. Quando estão fazendo ciência, adotam um padrão elevadíssimo e, quando estão tentando reconciliar sua ciência com sua religião, acabam aceitando que esse padrão caia um pouco, tolerando argumentos que nunca tolerariam numa discussão científica. Não acho que sejam criacionistas, mas acho que eles estão apresentando como ciência o que, na verdade, é uma espécie de confusão na cabeça deles.

FOLHA - Mas eles deixam claro que a reconciliação não é ciência nem está cientificamente comprovada. 
DENNETT
 - E até que é uma boa tentativa, mas não acho que funcione bem. Podemos colocar da seguinte maneira: a biologia, a teoria evolutiva, não prova de forma absoluta que não pode existir um Deus. Se você quer continuar a acreditar que Ele desempenha algum papel, pode até fazer isso com sua consciência tranquila. Mas você deveria ter em mente que se trata de uma posição que é quase um ato de desespero, não é uma visão positiva de maneira alguma. É uma espécie de último recurso. Terminei recentemente um livrinho que deve ser lançado em breve, um debate com o filósofo cristão Alvin Plantinga. E Plantinga argumenta, corretamente, que a teoria evolutiva é logicamente compatível com a crença num Criador que intervém no processo evolutivo. 
Admiti que isso era verdade, mas disse que a evolução também é compatível com a hipótese de que o Superman pousou aqui durante a Explosão Cambriana [evento em que surgiram todos os principais grupos de animais], há 530 milhões de anos e, assim, possibilitou a origem dos humanos. É uma hipótese totalmente doida, mas é coerente com tudo o que sabemos sobre biologia evolutiva.

FOLHA - A onda recente de livros escritos por cientistas que também são ateus militantes surgiu, de acordo com os próprios autores, porque a posição acomodacionista em relação à religião não estava funcionando. E essa nova abordagem? O sr. acha que está funcionando? 
DENNETT
 - Acho que sim, por enquanto, embora estejamos só no começo. Nos EUA, acho que houve uma mudança clara nos padrões de expressão pública. Hoje é muito mais comum ouvir as pessoas dizerem abertamente que não acreditam em Deus, que elas são "sem-deus". Pesquisas recentes mostram que esse é o grupo que mais cresce na população. E, toda vez que alguém se declara abertamente, que se sente encorajado a dizer isso, a atmosfera fica um pouco mais limpa, e a vida fica um pouco mais fácil para outras pessoas. 
Ainda há enormes áreas do país onde, se você disser que não acredita em Deus, vai perder seus amigos, seu negócio. Nesse ponto, os ateus estão mais ou menos na mesma posição em que estavam os homossexuais nos anos 1950, ou seja, se você admitir que pertence a esse grupo, sua vida está arruinada. 
Temos de mudar isso. Temos de fazer com que seja possível para um morador do "Cinturão da Bíblia" [as áreas mais religiosas dos EUA, nos Estados do Sul e do Meio-Oeste] dizer com toda a franqueza: "Bem, você pode ter sua religião, se quiser, mas eu não sou religioso" e ser respeitado mesmo assim.

FOLHA - No livro "Quebrando o Encanto", sobre a tentativa de explicar as origens da religião com base na biologia evolutiva, o sr. passa a impressão de defender mais a ideia de que a religião é só um subproduto de características da mente humana que evoluíram por outros motivos. Sua posição contra a religião pode ter influenciado essa opinião? 
DENNETT
 - Acho que é importante perceber que as duas visões não são necessariamente conflitantes. Há uma posição óbvia, natural, que diz que primeiro a religião emerge como subproduto de predisposições psicológicas que não têm nada a ver com a religião, e então, depois que ela passa a existir, acaba sendo aproveitada para outras funções, evoluindo, digamos, social e culturalmente. Desse jeito, você pode manter ambas as vertentes, e na verdade acho que esse modelo é bem mais plausível do que uma visão puramente ligada à adaptação, porque é muito difícil imaginar quais teriam sido as pressões de seleção [para que a religião surgisse].

FOLHA - O que o sr. acha da dificuldade das ciências humanas para incorporar a biologia evolutiva na sua maneira de pensar? 
DENNETT
 - Para mim é engraçado ver a quantidade de antidarwinistas "automáticos" existente nas humanidades, na filosofia. Foi o reconhecimento disso que me levou a escrever "A Perigosa Ideia de Darwin". Hei de ir em frente com bom humor e vou mostrar a eles o quão reacionários estão sendo.

FOLHA - Mas por que a resistência? 
DENNETT
 - Acho que eles estão muito presos à ideia que poderíamos chamar de criatividade de cima para baixo, na qual você tem um autor que é o gênio, a fonte das ideias. Essa visão está impressa de modo tão fundo nas artes e nas humanidades que a ideia de que na verdade a coisa está de ponta-cabeça, que os próprios grandes gênios são o produto complexo de processos "sem mente", algorítmicos, de baixo para cima -essa é uma ideia muito difícil de engolir para muita gente. A primeira coisa que nós temos de mudar é o hábito dos especialistas em ciências humanas de zombar dessas ideias e ridicularizá-las. A zombaria deles é obscurantista, ignorante.

FOLHA - Qual a sua visão sobre o estado atual da pesquisa em inteligência artificial? Por que ainda estamos tão longe de conseguir criar uma máquina consciente? 
DENNETT 
- Algumas pessoas que começaram a estudar a IA [inteligência artificial] não estavam interessadas em consciência, mas apenas em produzir alguns sistemas cognitivos extremamente competentes. Essa abordagem foi um sucesso. Não chamamos isso de IA, mas agora faz parte das nossas vidas, seja no caso do reconhecimento de voz, no planejamento de reservas de voo, no controle de diversos elementos dos nossos automóveis. Em certo sentido, tudo isso é inteligência artificial. Quando as pessoas pensavam em robôs 20 anos ou 30 anos atrás, imaginavam humanoides que seriam mordomos, arrumadeiras ou cozinheiros. 
Esses robôs não existem, mas ao menos parte dessas tarefas hoje são rotineiramente delegadas ao controle de computadores. Então, esse primeiro sonho se realizou, de fato. O outro sonho da IA, o de realmente construir um robô consciente, sempre foi loucamente ambicioso, e uma das coisas que aprendemos foi exatamente a dimensão dessa dificuldade. A robótica humanoide continua, mas acho que nunca criaremos um robô humanoide consciente. Custaria mais do que pousar na Lua.

FOLHA - Em "A Perigosa Ideia de Darwin" o sr. diz que, ainda que não seja possível ou sensato rezar para o Universo, a ciência proporciona uma espécie de assombro transcendental diante dele. Nesse ponto, a ciência e a religião não se aproximam? 
DENNETT
 - Sim, eu acho que a melhor ideia da religião é encorajar uma certa modéstia, um respeito e uma reverência pela natureza neste incrível Universo que nós habitamos. E, claro, isso remonta diretamente a [Baruch] Spinoza [filósofo holandês do século 17], para quem o caminho para estudar Deus é estudar a natureza. Acho que o respeito e o amor por este mundo maravilhoso no qual existimos, que pode nos inspirar a melhorá-lo para outras pessoas, é a melhor mensagem da religião, e a ciência pode compartilhar esse sentimento.

FOLHA - O sr. ainda participa de corais de Natal? 
DENNETT
 - Sim, todos os anos fazemos uma festa dedicada a canções natalinas, temos nosso próprio livro de partituras que eu fui montando com todo o carinho ao longo dos anos. É lindo. Costumam aparecer umas 30 pessoas, talvez algumas delas sejam religiosas, mas a maioria deles é como eu. Somos cristãos culturais -crescemos com essas músicas e adoramos, então mantemos a tradição viva. E, sim, a criançada às vezes ainda me confunde com Papai Noel.

Palavras-chave: ateismo, Daniel Dennett, filosofia, psicologia evolucionista, religião

Postado por João Carlos Holland de Barcellos em Ateus e Ateísmo | 1 comentário

Fevereiro 18, 2010

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Doze provas da inexistência de Deus

 Ateus.net » Artigos/ensaios » Crítica

Autor: Sebastien Faure
 

“A existência em Deus implica necessariamente a escravidão de tudo abaixo dele. Assim se Deus existisse, só haveria um meio de servir a liberdade humana: seria o de deixar de existir.”

Mikhail Bakunin

Há duas maneiras de estudar e procurar resolver o problema da existência de Deus.

A primeiro consiste em eliminar a hipótese Deus do campo das conjecturas plausíveis ou necessárias, por meio de uma explicação clara e precisa, isto é, por meio de uma exposição de um sistema positivo do Universo, das suas origens, dos seus desenvolvimentos sucessivos, dos seus fins. Esta exposição inutilizaria a idéia de Deus e destruiria antecipadamente a base metafísica em que se apóiam os teólogos e os filósofos espiritualistas.

Dado, porém, o estado atual dos conhecimentos humanos, em tudo o que tem sido demonstrado ou passa a demonstrar-se, verificado ou verificável, somos forçados a concluir que nos falta esta exposição e que não existe um sistema positivo do Cosmos. Existem, é certo, várias hipóteses engenhosas que não se chocam com o razão; sistemas mais ou menos aceitáveis que se apóiam numa série de investigações, que se baseiam na multiplicidade de observações contínuas e que dão um caráter de probabilidade impressionante. Também se pode afirmar, sem receio de ser desmentido, que esses sistemas, essas hipóteses, suportam vantajosamente as asserções deístas. Mas a falar a verdade, não há, sobre este posto, senão teses que não possuem ainda o valor da exatidão cientifica; – cada um, no fim das contas, tem a liberdade de preferir tal ou qual sistema a um outro que lhes é oposto; e a solução do problema assim apresentado afigura-nos, pelo menos na atualidade, cheio de reservas.

Os adeptos de todas as religiões aproveitam assim as vantagens que lhes oferece o estudo deste problema, bem árduo e bem complexo, não para o resolver por meio de afirmações concretas ou de raciocínios admissíveis, mas tão-somente para perpetuar a dúvida no espírito de seus correligionários, que é, para eles, o ponto de capital importância.

E nesta luta titânica entre o materialismo e o deísmo, luta em que as duas teses opostas se empenham e se reforçam para conseguir o triunfo, os deístas recebem rudes golpes; e, conquanto se encontrem numa postura de vencidos, ainda tem a petulância de se apresentar à multidão ignara como dignos cantores da vitória! Uma prova concludente do seu procedimento baixíssimo encontramo-la na maneira como se exprimem nos jornais da sua devoção; e é com essa comédia que procuram manter, com cajado de pastor, a imensa maioria do rebanho.

Também é isto que desejam ardentemente esses maus pastores.

 

Apresentação do Problema em Termos Precisos

Todavia, há uma segunda maneira de estudar e de tentar a resolução da inexistência de Deus: consiste em examinar a existência de Deus que as religiões apresentam à adoração dos crentes.

Suponhamos que se nos depara um indivíduo sensato e refletido, que admite a existência de Deus – um Deus que não está envolto em nenhum mistério, um Deus que não se ignora nenhuma particularidade, um Deus que lhe confiou todo o seu pensamento e lhe transmitiu todas as suas confidências, e que nos diz:

– Ele fez isto e aquilo, e ainda isto e aquilo. Ele tem precedido e falado com tal fim e com tal razão. Ele quer tal coisa, mas também quer tal outra coisa. Ele recompensará tais ações, mas punirá tais outras. Ele fez isto e quer aquilo, porque é infinitamente sábio, infinitamente justo, infinitamente poderoso, infinitamente bom!

Ah! Que felicidade! Ora aqui está um Deus que se faz conhecer. Abandona o império do inacessível, dissipa as nuvens que o rodeiam, desce das alturas, conversa com os mortais, expõe-lhes o seu pensamento, revela-lhes a sua vontade e confia a alguns privilegiados a missão de espalharem a sua Doutrina, de propagarem a sua Lei, de a representarem enfim, cá em baixo, com plenos poderes para mandarem no Céu e na Terra.

Este Deus não é, com certeza, o Deus Força, Inteligência, Vontade, Energia, que, como tudo o que é Energia, Vontade, Inteligência, Força, pode ser alternadamente, segundo as circunstancias e, por conseqüência, indiferentemente, bom ou mau, útil ou inútil, justo ou iníquo, misericordioso ou cruel. Este Deus é o Deus em que tudo é perfeição e cuja existência não é nem pode ser compatível – visto que ele é perfeitamente sábio, justo, bom, misericordioso – senão com um estado de coisas criado por ele e no qual se afirmariam a sua infinita justiça, a sua infinita sabedoria, o seu infinito poder, a sua infinita bondade e a sua infinita misericórdia.

Este Deus é o Deus que, por meio de catecismo, nos insuflam no cérebro quando somos crianças; é o Deus vivo e pessoal, em honra do qual se erguem templos, a quem se rezam orações em borda, por quem se fazem sacrifícios estéreis e a quem pretendem representar, na Terra, todos os clérigos, todas as castas sacerdotais.

Este Deus não é o “desconhecido”, essa força enigmática, essa potência impenetrável, essa inteligência incompreensível, essa energia incognoscível, esse princípio misterioso: hipótese, enfim, que no meio da impotência para explicar o “como” e o “porquê” das coisas, o espírito do homem aceita complacente. Este Deus também não é o Deus especulativo dos metafísicos: é o Deus que os seus representantes nos tem descrito abundantemente e luminosamente detalhado. É o Deus das religiões, e como estamos na França, é o Deus dessa religião que a quinze séculos domina o nossa história: a religião católica ou cristã. É o Deus que nego e que vou discutir. É o Deus que estudaremos, se quisermos obter, desta exposição filosófica, algum proveito e algum resultado prático.

Quem é Deus?

Visto que os encarregados de seus negócios no Terno tiveram a amabilidade de no-lo descrever com toda a pompa e luzimento, aproveitemos a fineza e examinemo-lo de perto, detidamente: para discutir uma coisa, é preciso, igualmente, conhecê-la bem.

Com um gesto potente e fecundo, este Deus fez todas as coisas do nada: o ser do não-ser. E, por sua própria vontade, substituiu o movimento pela inércia, a vida universal pela morte universal. É um Deus Criador!

Este Deus é o Deus que, terminada a obra da criação, em vez de volver à inatividade secular, ficando indiferente à coisa criada, ocupa-se de sua obra, interessando-se por ela, intervém nela quando o julga necessário, rege-a, administra-a, governa-a: é um Deus Governador ou Providência.

Este Deus é o Deus arvorado em Tribunal Supremo, obriga, depois da morte, a comparecer à sua presença todos os indivíduos. Uma vez aí, julga-as segundo os atos de suas vidas; pesa, na balança, as suas boas e más ações e pronuncia, em último extremo – sem apelo nem agravo – a sentença que fará do réu, pelos séculos dos séculos, o mais feliz ou o mais desgraçado dos seres: É um Deus Justiceiro ou Magistrado.

Logo, este Deus possui todos os atributos; e não é somente bom: é a Bondade Infinita; não é somente misericordioso: é o Misericórdia Infinita; não é somente poderoso: é o Poder Infinito; não é somente sábio: é a Sabedoria Infinita.

Em conclusão: tal é o Deus que eu nego e que por doze provas diferentes (em rigor bastaria uma só), vou demonstrar a inexistência.

 

Divisão do Problema

Dividi os meus argumentos em três séries: a primeira trataria particularmente do Deus-Criador e compor-se-á de seis argumentos; o segundo ocupar-se-á do Deus-Governador ou Providência, e contém quatro argumentos; a terceira apresentará o Deus-Justiceiro ou Magistrado, em dois argumentos. Em suma, seis argumentos contra o Deus-Criador, quatro contra o Deus-Governador e dois argumentos contra o Deus-Justiceiro. Estes doze argumentos constituem doze provas da inexistência de Deus.

Com este plano das minhas demonstrações será mais fácil seguir o curso do meu trabalho.

 

Primeira série de argumentos: contra o Deus criador

1º argumento: O gesto criador é inadmissível

Que se entende por criar?

É tomar materiais diferentes, separados, mas que existem, e, valendo-se de princípios experimentados e aplicando-lhes certas regras conhecidas, aproximá-los, agrupá-los, associá-los, ajustá-los, para fazer qualquer coisa deles?

Não! Isso não é criar. Exemplos: podemos dizer que uma casa foi criada? Não, foi construída; podemos dizer que um móvel foi criado? Não, foi fabricado; podemos dizer que um livro foi criado? Não, foi composto e depois impresso.

Assim, pegar materiais que já existem e fazer qualquer coisa com eles não é criar.

Que é, pois, criar?

Criar... com franqueza, encontro-me indeciso para poder explicar o inexplicável, definir o indefinível. Procurei, contudo, fazer-me compreender.

Criar é tirar qualquer coisa do nada; é, com nada, fazer qualquer coisa do todo; é formar o existente do não-existente.

Ora, eu imagino que é impossível encontrar-se uma única pessoa dotada de razão que conceba e admita que do nada se possa tirar e fazer qualquer coisa. Suponhamos um matemático. Procurai o calculador mais autorizado; colocai-o diante de uma lousa e pedi-lhe que escreva zero sobre zeros. Terminada a operação, solicitai-lhe que os multiplique da forma que entender, que os divida até se cansar, que faça enfim toda a sorte de operações matemáticas, e haveis de ver como ele não extrairá, desta acumulação de zeros, uma única unidade.

Com nada, nada se pode fazer; de nada, nada se obtém. É por isso que o famoso aforismo de Lucrécio ex nihilo nihil é de uma certeza e de uma evidência manifesta. O gesto criador é um gesto impossível de admitir, é um absurdo.

Criar é, pois, uma expressão místico-religiosa, que pode ter algum valor aos olhos das pessoas a que agrada crer naquilo que não compreendem e a quem a fé que se impõe tanto mais quanto menos o percebem. Mas devemos convir que a palavra criar é uma expressão vazia de sentido para todos os homens cultos e sensatos, para quem uma palavra só tem valor quando representa uma realidade ou uma possibilidade.

Conseqüentemente, a hipótese de um ser verdadeiramente criador é uma hipótese que a razão repudia.

O ser criador não existe, não pode existir.

 

2º argumento: O “puro espírito” não podia determinar o Universo

Aos crentes que, a despeito de todo o raciocínio, se obstinam em admitir a possibilidade da criação, direi que, em todo o caso, é impossível atribuir esta criação ao seu Deus. O Deus deles é puro espírito. Portanto, é inteiramente impossível sustentar-se que o puro espírito, o imaterial, tenha podido determinar o Universo, o Material.

Eis o porquê:

O puro espírito não está separado do universo por uma diferença de grau, de quantidade, mas sim por uma diferença de natureza, de qualidade. De maneira que o puro espírito não é, nem pode ser, uma ampliação do Universo, assim como o Universo não é, nem pode ser, uma redução do puro espírito. Aqui a diferença não é somente uma distinção; é uma oposição: oposição de natureza – essencial, fundamental, irredutível, absoluta.

Entre o puro espírito e o Universo não há somente um fosso mais ou menos largo e profundo, fosso que possa, a rigor, encher-se ou franquear-se. Não. Entre o puro espírito e o Universo há um verdadeiro abismo, duma profundidade e de uma extensão tão imensos, que por colossais que sejam os esforços que se empreguem, não há nada nem ninguém que consiga enchê-lo ou franqueá-lo.

Reportando-me ao meu raciocínio, desafio o filósofo mais sutil, bem como o matemático mais consumado, a estabelecer uma relação, qualquer que ela seja (e, com a mais forte razão, uma relação tão direta quanto estreita, como a que liga a causa ao efeito) entre o puro espírito e o universo.

O puro espírito não suporta nenhuma aliança material. O puro espírito não tem forma nem corpo, nem linha, nem matéria, nem proporções, nem extensão, nem dureza, nem profundidade, nem superfície, nem volume, nem cor, nem som, nem densidade. Ora, no Universo, tudo é forma, corpo, linho, matéria, proporção, extensão, dureza, profundidade, superfície, volume, cor, som, densidade.

Como admitir que isto tenha sido determinado por aquilo? Impossível.

Chegando a este ponto da minha demonstração, a conclusão seguinte:

Vimos que a hipótese de um Deus verdadeiramente criador é inadmissível; que persistindo mesmo na crença desse poder, não pode admitir-se que o Universo, essencialmente material, tenha sido determinado por um puro espírito, essencialmente imaterial.

Mas se os crentes se obstinam em afirmar que foi o seu Deus o criador do Universo, nos impõe-se o dever de lhes fazer esta pergunta: segundo a hipótese Deus, onde se encontrava a Matéria, na sua origem, no seu princípio?

De duas, uma: ou a matéria estava fora de Deus, ou era o próprio Deus (a não ser que lhe queiram dar um terceiro lugar). No primeiro caso, se a matéria estava fora de Deus, Deus não teve necessidade de criá-la, visto que ela já existia; e, se ela coexistia com Deus, estava concomitantemente com ele, do que se depreende que Deus não é o criador.

No segundo caso, se a matéria não estava fora de Deus, encontrava-se no próprio Deus.

E, daqui, tiro a conclusão seguinte:

1º Que Deus não era puro espírito, porque encerrava em si uma partícula de matéria – e que partícula! A totalidade dos mundos materiais!

2º Que Deus, encerrando em si próprio a matéria, não teve a necessidade de criá-la, porque ela já existia. Assim, existindo a matéria, Deus não fez mais do que retirá-la de onde estava; e, neste caso, a criação deixa de ser um ato de verdadeira criação para se reduzir a um ato de exteriorização.

Nos dois casos não existe, pois, criação.

 

3º argumento: O perfeito não pode produzir o imperfeito

Estou plenamente convencido de que se eu fizer a um religioso a pergunta: “Pode o imperfeito produzir o perfeito?”, ele responderia sem vacilar: – Não, o imperfeito não pode produzir o perfeito!

Pelas mesmas razões, e com a mesma força de exatidão, eu posso afirmar – O perfeito não pode produzir o imperfeito!

Mais: entre o perfeito e o imperfeito não há somente uma diferença de grau, de quantidade, mas uma diferença de qualidade, de natureza, uma oposição essencial, fundamental, irredutível, absoluta.

E mais ainda: entre o perfeito e o imperfeito não há somente um fosso, mais ou menos largo e profundo, mas um abismo tão vasto e tão estonteante, que ninguém o pode franquear ou entulhar. O perfeito é o absoluto, o imperfeito o relativo. Em presença do perfeito que é tudo, o relativo, o contingente não é nada; em presença do perfeito, o relativo não tem valor, não existe. E nem o talento de um matemático e nem o gênio de um filósofo serão capazes de estabelecer uma relação entre o relativo e o absoluto: a fortiori sustentamos a impossibilidade de evidenciar, neste caso, a rigorosa concomitância que deve necessariamente unir a Causa ao Efeito.

É, portanto, impossível que o perfeito haja determinando o imperfeito.

Além disso, há uma relação direta, fatal e até matemática entre uma obra e seu autor: tanto vale a obra quanto vale o autor, tanto vale o autor quanto vale a obra. E pela obra que se conhece o autor, como é pelo fruto que se conhece a árvore.

Se eu examino um texto mal redigido, em que se abundam os erros de ortografa e as frases são mal construídas, o estilo é pobre e frouxo, as idéias raras e banais, e os conhecimentos inexatos, eu sou incapaz de atribuir este péssimo escrito a um burilador de frases, a um dos mestres da literatura.

Se observo um desenho malfeito, em que as linhas estão mal traçadas, violadas as regras do perspectiva e da proporção, jamais me acudirá o pensamento de atribuir este esboço rudimentar a um professor, a um grande mestre, a um grande artista. Bem à menor hesitação direi: isto é obra de um aprendiz, de uma criança, certo de que pela obra se conhece o artista.

Ora, a natureza é bela, o Universo é grandioso. E eu admiro apaixonadamente – tanto o que mais admiro – os esplendores e as magnificências que nos oferecem estes espetáculos incessantes. Mas, por muito entusiasmado que eu seja das belezas naturais, e por grande que seja a homenagem que eu lhes tribute, não me atrevo o afirmar que o Universo é uma obra sem defeitos, irrepreensível, perfeita. E não acredito que haja alguém que me desminta.

Sim, o Universo é uma obra imperfeita.

Conseqüentemente, digo: há sempre, entre uma obra e seu autor, uma relação rigorosa, íntima, matemática. Ora, se o Universo é uma obra imperfeita, o autor desta obra não pode ser senão imperfeito.

Esse silogismo leva-me a admitir a imperfeição de Deus, e por conseqüência a negá-lo.

Mas eu posso ainda raciocinar assim: ou não é Deus o autor do Universo (exprimo desta forma a minha convicção), ou o é, na suposição dos religiosos. Neste caso, sendo o universo uma obra imperfeita, vosso Deus, ó crente, é também imperfeito.

Silogismo ou dilema, a conclusão do raciocínio é esta: o perfeito não pode determinar o imperfeito.

 

4º argumento: O ser eterno, ativo, necessário, não pode, em nenhum momento, ter estado inativo ou ter estado inútil

Se Deus existe é eterno, ativo e necessário.

Eterno? –  É-o por definição. É a sua razão de ser. Não se pode conceber que ele esteja enclausurado nos limites do tempo. Não se pode imaginar como tendo tido começo e venha a ter fim. Não pode haver aparição e desaparição. É de sempre.

Ativo? – É, e não pode deixar de ser. Segundo os religiosos, foi sua atividade que engendrou tudo quanto existe, como foi a sua atividade que se afirmou pelo gesto mais colossal e majestoso que imaginar se pode: a criação dos mundos.

Necessário? – É-o e não pode deixar de ser, visto que sem a sua vontade, nada existiria: ele é o autor de todas as coisas, o ponto inicial de onde saiu tudo, a fonte única e primeira de onde tudo emanou. Bastando-se a si próprio, dependeu de sua vontade que tudo fosse tudo ou que fosse nada.

Ele é, portanto: eterno, ativo e necessário.

Mas eu pretendo e vou demonstrar que se Deus é eterno, ativo e necessário, também deve ser eternamente ativo, e eternamente necessário. E que, por conseqüência, ele não pôde, em nenhum momento, ter sido inativo ou inútil, e que enfim, ele jamais criou.

Negar que Deus seja eternamente ativo equivale o dizer que nem sempre o foi, que chegou a sê-lo, que começou a ser ativo, que antes de o ser não o era. Dizer que foi pela criação que ele manifestou a sua atividade é admitir, ao mesmo tempo, que por milhares e milhares de séculos que antecederam a ação criadora, Deus esteve inativo.

Negar que Deus seja eternamente necessário equivale a admitir que ele nem sempre o foi, que chegou a sê-lo, que começou o ser necessário e que antes de o ser não o era. Dizer que a criação proclama e testemunha a necessidade de Deus equivale a admitir, ao mesmo tempo, que, durante milhares e milhares de séculos, que seguramente precedeu a ação criadora, Deus era inútil.

Deus ocioso e preguiçoso! Deus inútil e supérfluo! Que triste postura para um ser essencialmente necessário.

É preciso, pois, confessar que Deus é de todo o tempo ativo e de todo o tempo necessário.

Mas então Deus não pôde criar, porque a idéia de criação implica, de maneira absoluta, a idéia de começo, de origem. Uma coisa que começou é porque nem sempre existiu. Existiu necessariamente num tempo em que, antes de o ser, não o era. E, curto ou longo, este tempo foi que precedeu a coisa criada; é impossível suprimi-lo, visto que, de todos os modos, ele existe.

Assim, temos de concluir:

a) Ou Deus foi eternamente ativo e eternamente necessário, e só chegou a sê-lo por causa da criação (e, se é assim, antes da criação faltavam a este Deus dois atributos: a atividade e a necessidade; este Deus era um Deus incompleto; era só um pedaço de Deus e mais nada, que teve necessidade de criar para chegar a ser ativo e necessário, e completar-se).

b) Ou Deus é eternamente ativo e eternamente necessário, e neste caso tem criado eternamente. A criação é eterna, e o Universo jamais começou – existiu em todos os tempos, é eterno como Deus, é o próprio Deus, com o qual se confunde. E, sendo assim, o Universo não teve princípio – não foi criado.

Em conclusão: No primeiro caso, Deus antes da criação não era ativo nem era necessário: era um Deus incompleto, quer dizer, imperfeito, e, portanto, não existia. No segundo caso, sendo Deus eternamente ativo e eternamente necessário, não pôde chegar a sê-lo, como não pôde criar.

É impossível sair daqui.

 

5º argumento: O ser imutável não criou

Se Deus existe, é imutável, não se desfigura e nem se pode desfigurar. Enquanto que, na natureza, tudo se modifica, se metamorfoseia, se transforma; que nada é definitivo, mas que chega a sê-lo Deus, ponto fixo, imóvel no tempo e no espaço, não está sujeito a nenhuma modificação, não se transforma, nem pode transformar-se. É hoje o que era ontem, será amanhã o que é hoje. E tanto faz procurá-lo nos séculos passados, como nos séculos futuros: ele é, e será constantemente idêntico em si. Deus é imutável.

No entanto, eu sustento que, se ele criou, não é imutável, porque, neste caso, transmudou-se duas vezes.

Determinar-se a querer é mudar de posição. Ora, é evidente que há mudança entre o ser que quer uma coisa e o que, querendo-a, a põe em execução.

Se eu desejo e quero o que eu não desejava e nem queria a quarenta e oito horas, é porque se produziu em mim, ou a minha volta, uma ou várias circunstâncias que me levaram a querê-lo. Este novo desejo ou querer constitui uma modificação que não se pode por em dúvida, que é indiscutível.

Paralelamente: agir, ou determinar-se a agir, é modificar-se.

Esta dupla modificação – querer e agir – é tanto mais considerável e saliente quando é certo que se trata de uma resolução grave, de uma ação importante.

Deus criou, dizeis vós, crentes. Então modificou-se duas vezes: a primeiro, quando se determinou a criar; a segunda, quando resolveu por em prática sua determinação, completando o gesto criador.

Se ele se modificou duas vezes, não é imutável. E, se não é imutável, não é Deus – não existe.

O ser imutável não criou.

 

6º argumento: Deus não criou sem motivo; mas é impossível encontrar um único motivo que o levasse a criar

De qualquer forma que se pretende examiná-la, a criação é inexplicável, enigmática, falha de sentido.

Há uma coisa que salta à vista de todos: se Deus criou, como vós dizeis, não pôde ter realizado este ato grandioso – cujas conseqüências deviam ser, fatalmente, proporcionais ao próprio ato, e por conseguinte incalculáveis – sem que fossem determinado por uma razão de primeiro ordem.

Pois muito bem. Qual foi esta razão? Porque motivo tomou Deus a resolução de criar? Que móbil o impulsionaria a isto? Que desejo germinaria em seu cérebro? Qual seria o seu intuito? Que idéia o perseguiria? Que fim perseguiria ele?

Multiplicais, nesta ordem de idéias, as perguntas; gravito, conforme quiserdes, em torno deste problema; examinai-o em todos os seus aspectos e em todos os sentidos, e eu desafio seja quem for a que o resolve em outro sentido que não seja o das incoerências.

Por exemplo: Eis uma criança educada na religião cristã. O seu catecismo afirmou-lhe, e os seus mestres confirmam, que foi Deus que a criou e a colocou no mundo. Suponhamos que a criança faz a si própria a pergunta: porque é que Deus me criou e me lançou no mundo?, e que quer obter uma resposta judiciosa, racional. Nunca obterá.

Suponhamos ainda que a criança, confiando na experiência e no saber de seus educadores, persuadida do caráter sagrado de que eles – padres ou pastores – estão revestidos, possuindo luzes especiais e graças particulares; convencido de que, pela sua santidade, estão mais próximos de Deus e, portanto, melhores iniciados que elas nas verdades reveladas; suponhamos que esta criança tem a curiosidade de perguntar aos seus mestres por que e para que Deus a criou e a pôs no mundo, e eu afirmo que os mestres são incapazes de contestar a essa simples interrogação com uma resposta plausível, sensata. Não lhe poderão dar, porque, em verdade, ela não existe.

Mas, rodeemos bem a questão e aprofundemos o problema. Com o pensamento, examinaremos Deus antes da criação. Tomemo-lo mesmo no seu sentido absoluto. Está completamente só; bastando-se a si próprio. E perfeitamente sábio, perfeitamente feliz, perfeitamente poderoso. Ninguém lhe pode acrescentar sabedoria, ninguém lhe pode aumentar a felicidade, ninguém lhe pode fortificar o poderio.

Este Deus não experimenta nenhum desejo, visto que a sua felicidade é infinita. Não pode perseguir nenhum fim, visto que nada falta à sua perfeição. Não pode ter nenhum intuito, visto que nada falta ao seu poder. Não pode determinar-se a fazer seja o que for, visto que não tem nenhuma necessidade.

Eia! Filósofos profundos, pensadores sutis, teólogos prestigiosos, respondei a esta criança que vos interroga e dizei-lhe por que é que Deus a criou e lançou no mundo!

Eu estou tranqüilo. Vós não lhe podeis responder, a não ser que lhe digais: “Os mistérios de Deus são impenetráveis”! – e aceitais esta resposta como suficiente. E fareis bem, abstendo-vos de lhes dar outra resposta, porque esta outra resposta – previno-vos caritativamente – cava a ruína de vosso sistema e o derribamento de vosso Deus. A conclusão impõe-se, lógica, impiedosa: Deus, se criou, criou sem motivos, sem saber por que, sem ideal.

Sabeis onde nos conduzem as conseqüências de tal conclusão? Vamos vê-las.

O que diferencia os atos de um homem dotado de razão dos atos de um louco, o que determina que um seja responsável e o outro irresponsável, é que um homem dotado de razão sabe sempre – ou pode chegar o sabê-lo – quando procede, quais são os móbiles que o impulsionam, quais são os motivos que o levam a praticar aquilo que pensava. Quando se trata de uma ação importante, cujas conseqüências podem hipotecar gravemente as suas responsabilidades, é preciso que o homem entre na posse de sua razão, se concentre, se entregue a um sério exame de consciência, persistente e imparcial, exame que, pelas suas recordações, reconstitua o quadro dos acontecimentos de que ele foi agente. Em resumo, é preciso que ele procure reviver as horas passadas para que possa discernir quais foram as causas e o mecanismo dos movimentos que o determinaram a obrar. Freqüentemente, não pode vangloriar-se das causas que o impulsionaram, e que, amiúde, o levam a corar de vergonha. Mas, quaisquer que sejam os motivos, nobres ou vis, generosos ou grosseiros, ele chega sempre o descobri-los.

Um louco, pelo contrário, precede sem saber por que; e, uma vez realizado o ato, por grandes que sejam as responsabilidades que dele possam deriva-se, interrogai-o, encerrai-o, se quiserdes, numa prisão, e apertai-o com perguntas: o pobre demente não vos balbuciará senão coisas vagas, verdadeiras incoerências.

Portanto, o que diferencia os atos de um homem sensato de um homem insensato, é que os atos dos primeiros podem explicar-se, tem uma razão de ser, distinguem-se neles a causa e o efeito, a origem e o fim, enquanto que os atos do segundo não se podem explicar, porque um louco é incapaz de discernir a causa e o que o levam a realizá-los.

Pois bem! Se Deus criou sem motivo, sem fim, procedeu como um louco. E, neste caso, a criação aparece-nos como um ato de demência.

 

Duas objeções capitais

Para terminar com o Deus da criação, parece-me indispensável examinar duas objeções.

Os leitores sabem muito bem, sobre este assunto, abundam objeções. Por isso quando falo em duas objeções, refiro-me a duas objeções capitais clássicas.

Estas duas objeções têm tanto mais importância quanto é certo que, com a beldade da discussão, se podem englobar todas as outras nestas duas.

 

1ª objeção: “Deus escapa-vos!”

Dizem-me:

“O senhor não tem o direito de falar de Deus segundo a forma que o faz. O senhor não nos apresenta senão um Deus caricaturado, sistematicamente reduzido a proporções que seu cérebro abarca. Esse Deus não é nosso Deus. O nosso Deus não o pode o senhor concebê-lo, visto que lhe é superior, escapando por isso à suas faculdades intelectuais. Fique sabendo que o que é fabuloso, gigantesco para o homem mais forte e mais inteligente, é para Deus um simples jogo de crianças. Não se esqueça que a Humanidade não pode mover-se no mesmo plano que a Divindade. Não perca de vista que é tão impossível ao homem compreender a maneira como Deus procede, como os minerais imaginar como vivem os vegetais, como os vegetais conceber o desenvolvimento dos animais, e como os animais saber como vivem e operam os homens.

Deus paira a umas alturas que o senhor é incapaz de atingir ocupa montanhas inacessíveis ao senhor. Qualquer que seja o grau de desenvolvimento de uma inteligência humana; por muito importante que seja o esforço realizado por essa inteligência; seja qual for a persistência deste esforço, jamais poderá elevar-se até Deus. Lembre-se, enfim, que, por muito vasto que seja o cérebro do homem, ele é finito, não podendo, por conseqüência, conceber Deus, que é infinito.

Tenha pois a lealdade e a modéstia de confessar que não lhe é possível compreender nem explicar, não o cabe o direito de negar”.

Eu respondo aos deístas:

Dais-me conselhos de humildade que estou disposto a aceitar. Fazeis me lembrar que sou um simples mortal, o que legitimamente reconheço e não procuro olvidar-me.

Dizeis-me que Deus me ultrapassa e que o desconheço. Seja. Consinto em reconhecê-lo; afirmo mesmo que o finito não pode compreender o infinito, porque é uma verdade tão certa e tão evidente, que não está em meu ânimo fazer-lhe qualquer oposição. Vede, pois, até aqui estamos de acordo, com o que espero, ficareis muito contentes.

Somente, senhores deístas, permiti que, por meu turno, eu vos dê os mesmos conselhos de humildade, para terdes o franqueza de me responder estas perguntas: Vós não sois homens como a mim? A vós, Deus não se depara como para a mim? Esse Deus não vos escapa como a mim? Tereis vós a pretensão de moverdes no mesmo plano da divindade? Tereis igualmente a mania de pensar e a loucura de crer que, de um vôo, podereis chegar às alturas que Deus ocupa? Sereis presunçosos ao extremo de afirmar que o vosso cérebro, o vosso pensamento que é finito, possa compreender o infinito?

Não vos faço a injuria, senhores deístas, de acreditar que sustentais uma extravagância venal. Assim, pois, tende a modéstia e a lealdade de confessar que, se me é impossível compreender e explicar Deus, vós tropeçais no mesmo obstáculo. Tende, enfim, a probidade de reconhecer que, se eu não posso conceber nem explicar Deus, não o podendo, portanto, negar, a vós, como a mim, não vos é permitido concebê-lo e não tendes, por conseqüência, o direito de afirmá-lo.

Não julgueis, no entanto, que, por causa disto, ficamos na mesma situação que antes. Foste vós que, primeiramente, afirmastes a existência de Deus; deveis, pois, ser os primeiros a pôr de parte vossas afirmações. Sonharia eu, alguma vez, com negar a existência de Deus, se vós não tivésseis começado a afirmá-la? E se, quando eu era criança, não me tivessem imposto a necessidade de acreditar nele? E se, quando adulto, não tivesse ouvido afirmações nesse sentido? E se, quando homem, os meus olhos não tivessem constantemente contemplado os templos elevados a esse Deus? Foram as vossas afirmações que provocaram as minhas negações.

Cessai de afirmar que eu cessarei de negar.

 

2ª objeção: “Não há efeito sem causa”

A segunda objeção parece-nos mais invulnerável. Muitos indivíduos consideram-na ainda sem réplica. Esta objeção provém dos filósofos espiritualistas: Não há efeito sem causa. Ora, o Universo é um efeito; e, como não há efeito sem causa, esta causa é Deus.

O argumento é bem apresentado; parece, mesmo, bem construído e bem carpintejado. O que resto saber é se tudo quanto ele encerra é verdadeiro.

Em boa lógica, este raciocínio chama-se silogismo. Um silogismo é um argumento composto por três proposições: a maior, a menor e a conseqüência, e compreende duas partes: as premissas, constituídas pelas duas primeiras proposições e a conclusão, representada pela terceira. Para que um silogismo seja inatacável, é preciso:

1º que a maior e a menor sejam exatas;

2º que a terceira proposição dimane logicamente as duas primeiras.

Se o silogismo dos filósofos espiritualistas reúne estas duas condições, é irrefutável e nada mais me resta senão aceitá-lo; mas, se lhe falta uma só dessas condições, então o silogismo é nulo, sem valor, e o argumento destrói-se por si mesmo.

A fim de conhecer o seu valor, examinemos as três proposições que o compõe.

1ª proposição (maior): “Não há efeito sem causa”.

Filósofos, tendes razão. Não há efeito sem causa: nada mais exato. Não há, não pode haver, efeito sem causa. O efeito não é mais do que a continuação, o prolongamento, o limite da causa. Quem diz efeito diz causa. A idéia de efeito provoca, necessariamente e imediatamente a idéia de causa. Se, ao contrário, se concebe um efeito sem causa, isto seria o efeito do nada, o que equivaleria a crer no absurdo.

Sobre esta primeira proposição, estamos, pois, de acordo.

2ª proposição (menor): “Ora, o Universo é um efeito”.

Antes de continuar, peço explicações:

Sobre o que se apóia esta afirmação tão franca e tão categórica? Qual o fenômeno, ou conjunto de fenômenos, na qual a verificação, ou conjunto de verificações, que permitem uma afirmação tão rotunda?

Em primeiro lugar, comecemos suficientemente o Universo? Temo-lo estudado profundamente, temo-lo examinado, investigado, compreendido, para que nos seja permitido fazer afirmações desta natureza? Temos penetrado nas suas entranhas e explorado os seus espaços incomensuráveis? Já descemos a profundeza do oceano? Conhecemos todos os domínios do Universo? O Universo já nos declarou todos os seus segredos? Já lhe arrancamos todos os véus, penetramos todos os seus mistérios, descobrimos todos os seus enigmas? Já vimos tudo, apalpamos tudo, sentimos tudo, entendemos tudo, observamos tudo, afrontamos tudo? Não temos nada mais que aprender? Não nos resta nada mais que descobrir? Em resumo, estamos em condições de fazer uma apreciação formal do Universo?

Supomos que ninguém ousará responder afirmativamente a todas estas questões; e seria digno de lástima todo aquele que tivesse a tenebridade e a insensatez de afirmar que conhece o Universo.

O Universo! – quer dizer não somente este ínfimo planeta que habitamos e sobre o qual se arrastam as nossas carcaças; não somente os milhões de astros que conhecemos e que fazem parte do nosso sistema solar, ou que descobrimos com o decorrer dos tempos, mas ainda, esses mundos, aos quais, com conjectura, conhecemos a existência, mas cuja distancia e o número restam incalculáveis!

Se eu dissesse “o universo é uma causa”, tenho a certeza que desencadeariam imediatamente contra mim as vaias e os protestos de todos os religiosos; e, todavia, a minha afirmação não era mais descabelada que a deles. Eis tudo.

Se me inclino sobre o Universo, se o observo quanto me permitir o homem contemporâneo, os conhecimentos adquiridos, verificarei que é um conjunto inacreditavelmente complexo e denso, uma confusão impenetrável e colossal de causas e de efeitos que se determinam, se encadeiam, se sucedem, se repetem e se interpenetram. Observarei que o todo leva uma cadeia sem fim, cujos elos estão indissoluvelmente ligados.

Certificar-me-ei de que cada um destes elos é, por sua vez, causa e efeito: efeito da causa que o determinou, causa do efeito que se lhe segue.

Quem poderá dizer: “Eis aqui o primeiro elo – o elo causa”? Quem poderá afirmar: “Eis o último elo – elo efeito”? E quem poderá ainda dizer: “Há necessariamente uma causa número um e um efeito número... último”?

À segunda proposição, “ora, o Universo é um efeito”, falta-lhe uma condição indispensável: a exatidão. Por conseqüência, o famoso silogismo não vale nada.

Acrescento mesmo que, no caso em que esta segunda proposição fosse exata, faltaria estabelecer, para que a conclusão fosse aceitável, se o Universo é o próprio efeito de uma Causa única, de uma Causa primeira, da Causa das Causas, de uma Causa sem Causa, da Causa eterna.

Espero, sem me inquietar, esta demonstração, porque é uma demonstração que se tem desejado muitas vezes, sem que ninguém no-la desse; é também uma demonstração, da qual se pode afirmar, sem receio de desmentido, que jamais poderá se estabelecer de uma forma séria, positiva e científica.

Por último: admitindo que o silogismo fosse irrepreensível, ele poderia voltar-se facilmente contra a tese do Deus-Criador, colocando-se a favor da minha demonstração.

Expliquemos: “não há efeito sem causa!” – Seja! – “o Universo é um efeito!” – De acordo! – “Logo este efeito tem uma causa e é esta causa que chamamos Deus! – Pois seja!

Mas não vos entusiasmeis, deístas; escutai-me, porque ainda não triunfastes.

Se é evidente que não há efeito sem causa, é também rigorosamente exato que não há causa sem efeito. Não há, não pode haver, causa sem efeito. Que diz causa, diz efeito. A idéia de causa implica necessariamente e chama a idéia de efeito. Porque uma causa sem efeito seria uma causa do nada, o que seria tão absurdo quanto o efeito do nada. Que fique, pois, bem entendido: não há causa sem efeito.

Vós, deístas, afirmais, enfim, que o Deus-Causa é eterno. Desta afirmação concluo que o Universo-Efeito é igualmente eterno, visto que a uma causa eterna, corresponde, indubitavelmente, a um efeito eterno. Se pudesse ser de outro modo, quer dizer, se o Universo tivesse começado, durante os milhares e milhares de séculos que, talvez, precederam a criação do Universo, Deus teria sido uma causa sem efeito, o que é impossível; uma causa de nada, o que seria absurdo.

Em conclusão: se Deus é eterno, o Universo também o é: e, se o Universo também é eterno, é porque ele nunca principiou, é que jamais foi criado.

É clara a demonstração?

 

Segunda série de argumentos: Contra o Deus-governador

7º argumento: O governador nega o criador

São muitíssimos – formam legiões – os indivíduos que, apesar de tudo, se obstinam em crer. Concebo que, a rigor, se possa crer na existência de um criador perfeito, como também concebo que se possa crer na existência de um governador necessário. Mas, o que me parece impossível é que, ao mesmo tempo, se possa crer racionalmente num e noutro, porque estes dois seres perfeitos se excluem categoricamente: afirmar um é negar o outro; proclamar a perfeição do primeiro é confessar a inutilidade do segundo; sustentar a necessidade do segundo é negar a perfeição do primeiro.

Por outras palavras: pode-se crer na perfeição ou na necessidade do outro; mas o que não tem a menor sombra de lógica é crer na perfeição dos dois. É preciso, pois, escolher qualquer deles.

Se o Universo criado por Deus tivesse sido uma obra perfeita; se, no seu conjunto, como nos seus pormenores, esta obra não apresentasse nenhum defeito; se o mecanismo desta criação gigantesca fosse irrepreensível; se a sua perfeição fosse de modo que a ninguém despertasse a menor suspeita de qualquer desarranjo ou de qualquer avaria; se, enfim, a obra fosse digna deste operário genial, deste artista incomparável, desse construtor fantástico a que chamam Deus, a necessidade de um governador nunca se teria sentido.

É que é lógico supor que, uma vez a formidável máquina fosse posta em movimento, nada mais haveria a fazer do que abandoná-la a si própria, visto que os acidentes seriam impossíveis. Não seria preciso este engenheiro, este mecânico, para vigiar a máquina, para a dirigir, para a reparar, para a afinar, enfim. Não, este engenheiro seria inútil, este mecânico não teria razão de ser.

E, neste caso, o Deus-Governador era também inútil. Se o Governador existe, é porque a sua intervenção, a sua vigilância são indispensáveis. A necessidade do Governador é como que um insulto, como um desafio lançado ao Criador; a sua intervenção corrobora o desconhecimento, a incapacidade, a impotência desse criador.

O Deus-Governador nega a perfeição do Deus-Criador.

 

8º argumento: A multiplicidade dos deuses prova que não existe nenhum deles

O Deus-Governador é, e não pode deixar de ser, poderoso e justo, infinitamente poderoso e infinitamente justo.

Ora, eu afirmo que a multiplicidade das religiões atesta que falta a este Deus poder ou justiça, se não, ambas as coisas.

Não falemos dos deuses mortos, dos cultos abolidos, das religiões esquecidas, que se contam por milhares e milhares. Falemos somente das religiões de nossos dias. Segundo os cálculos mais bem fundados, há, presentemente, oitocentas religiões, que se disputam o império das mil e seiscentas milhões de consciências que povoam o nosso planeta. Ninguém pode duvidar que cada uma destas religiões reclama para si privilégio de que só o seu Deus é que é o verdadeiro, autêntico, o indiscutível, o único, e que todos os outros Deuses são Deuses risíveis, Deuses falsos, Deuses de contrabando e de pacotilha, e que, portanto, é uma obra piedosa combatê-los e pulverizá-los.

A isto, ajunta: Se em vez de oitocentas religiões, não houvesse senão cem ou dez, ou duas, o meu argumento teria o mesmo valor.

Pois bem, afirmo novamente que a multiplicidade destes Deuses atesta que não existe nenhum, certificando, ao mesmo tempo, que Deus não é todo-poderoso nem sumamente justo.

Se fosse poderoso teria podido falar a todos os indivíduos com a mesma facilidade com que falou isoladamente a alguns. Ter-se-ia mostrado, ter-se-ia revelado a todos sem empregar mais esforços do que o que empregou para se apresentar a poucos.

Um homem – qualquer que seja – não pode mostrar-se nem falar senão a um número reduzido de indivíduos: os seus órgãos vocais têm uma persistência que não pode exceder certos limites. Mas Deus... Deus pode falar a todos os indivíduos – por muito grande que seja o número – com a mesma facilidade que falaria a uns poucos. Quando se eleva, a voz de Deus pode e deve perpetuar-se nos quatro pontos cardeais! O verbo divino não conhece distâncias nem obstáculos. Atravessa os oceanos, escala as alturas, franqueia os espaços, sem a menor dificuldade.

E visto que ele quis – é a religião que o afirma – falar com os homens, revelar-se-lhes, confiar-lhes os seus desejos, indicar-lhes a sua vontade, fazer-lhes conhecer a sua lei, bem teria podido fazê-lo a todos e não a um punhado de privilegiados.

Mas Deus não fez assim, visto que uns o negam, outros o ignoram, e outros, enfim, opõe tal Deus a tal outro Deus dos seus concorrentes.

Nestas condições não será mais sensato pensar que ele não falou a ninguém, e que as múltiplas revelações que me atribuem, não são, senão, múltiplas imposturas, ou arma que, se ele falou a uns poucos, é porque era incapaz de falar com todos?

Sendo assim, eu acuso-o de impotência. E se não quiserdes que o acuse de impotência, acuso-o de injustiça. Que pensar, com efeito, de um Deus que se mostra a um reduzido número e que se esconde das outras? Que pensar de um Deus que fala para uns e que, para outros, guarda o mais profundo silêncio?

Não esqueçais que os representantes desse Deus afirmam que ele é o pai de todos: e que todos, qualquer que seja o seu título ou grau, são os filhos bem amados desse Pai que reina lá no céu! Pois, muito bem, que pensais desse pai que, exuberante da ternura para alguns privilegiados, os desperta, revelando-se-lhes evitando-se as angustias da dúvida, arrancando-o das torturas da hesitação, enquanto que, violentamente, condena a maioria de seus filhos aos tormentos da incerteza? Que pensais desse pai que, no meio de seu esplendor de Majestade, se mostra a uma parte de seus filhos, enquanto que, para a outra, fica envolto nas mais profundas trevas? Que pensais desse pai que, exigindo de seus filhos a prática de um culto, com o seu contingente de respeitos e adorações, chama só alguns deles para escutarem a sua palavra de Verdade, enquanto que, com um propósito deliberado, nega aos demais esta distinção, este insigne favor?

Se julgais que este pai é justo e bom, não vos surpreendas com a minha apreciação, que é muito diferente:

A multiplicidade de religiões proclama que a Deus faltou poder ou justiça. Ora, Deus deve ser infinitamente poderoso e infinitamente justo – são os religiosos que o afirmam. E se lhe falta um destes dois atributos – poder ou justiça – não é perfeito: não sendo perfeito, não tem razão de ser, não existe.

A multiplicidade dos Deuses e das religiões demonstra que não existe nenhum deles.

 

9º argumento: Deus não é infinitamente bom: é o inferno que o prova

O Deus-Governador ou Providência é, deve ser, infinitamente bom, infinitamente misericordioso. Mas a existência do Inferno demonstra-nos que não é assim.

Atentai bem ao meu raciocínio: Deus podia – porque é livre – não nos ter criado; mas criou-nos. Deus podia – porque é todo poderoso – ter-nos criado todos bons; mas criou-nos bons e maus. Deus podia – porque é bom – admitir-nos todos, após a morte, no seu Paraíso, contentando-se, como castigo, com o tempo de sofrimento e atribulações que passamos na Terra. Deus podia, em suma – porque é justo – não admitir em seu Paraíso senão os bons, recusando ali lugar aos perversos; mas, neste caso, deveria destruir totalmente os maus com a morte, e jamais condená-lo aos sofrimentos do Inferno. E isto porque quem pode criar, pode destruir; quem tem poder para dar a vida, também tem o poder para tirá-la, para aniquilá-la.

Vejamos: vós não sois deuses. Vós não sois infinitamente bons, nem infinitamente misericordiosos. Sem vos atribuir qualidades que não possuís, eu tenho a certeza de que, se estivesse em vossas mãos – sem que isso vos exigisse um grande esforço, e sem que, de aí, resultasse para nós algum prejuízo moral ou material – evitar a um ser humano uma lágrima, uma dor, um sofrimento, eu tenho a certeza, repito, que o faríeis imediatamente, sem vacilar nem titubear. E, todavia, vós não sois infinitamente misericordiosos.

Sereis, por acaso, melhores e mais misericordiosos que o Deus dos cristãos?

Porque, enfim, o Inferno existe. A Igreja faz alarde dele: é a horrível visão, com a ajuda da qual semeia o pavor no cérebro das crianças e dos velhos, e entre os pobres de espírito e os medrosos; é o espectro que se estala na cabeceira dos moribundos, na hora em que a morte os arrebata toda a coragem, toda a energia, toda a lucidez.

Pois bem, o Deus dos cristãos, esse Deus que dizem cheio de piedade, de perdão, de indulgência, de bondade e de misericórdia, precipita para todo o sempre, uma parte dos seus filhos, num antro de torturas as mais cruéis, e de suplicias as mais horrendas.

Oh! Como ele é bom! Como ele é misericordioso!

Vós conheceis certamente estas palavras das escrituras: “Muitos serão os chamados, mas poucos os eleitos”. Bem abusos do seu valor, estas palavras significam que o número de salvos será ínfimo, enquanto que o número de condenados há de ser considerável. Esta afirmação é de uma crueldade tão monstruosa que os deístas têm procurado dar-lhe um outro sentido.

Mas pouco importa: o Inferno existe, e é evidente que os condenados – muitos ou poucos – aí sofrerão os mais dolorosos tormentos.

Agora, pergunto eu: a quem podem beneficiar os tormentos dos condenados? Aos eleitos? – Evidente que não. Por definição, os eleitos serão os justos, os virtuosos, os fraternais, os compassivos: e seria absurdo supor que a sua felicidade, já incomparável, pudesse ser aumentada com o espetáculo de seus irmãos torturados. Aos próprios condenados? – também não, porque a igreja afirma que o suplicio desses desgraçados jamais acabará; e que, pelos séculos dos séculos, os seus sofrimentos serão tão horripilantes como no primeiro dia.

Então?... Então, aparte os eleitos e aparte os condenados, não há senão Deus, não pode haver senão ele. É, pois, Deus, quem obtém benefícios aos sofrimentos dos condenados? É, pois, ele, esse pai infinitamente bom, infinitamente misericordioso, que se regozija sadicamente com as dores e que voluntariamente condena os seus filhos?

Ah! Se isto é assim, esse Deus aparece-nos como carrasco mais feroz, como o inquisidor mais implacável que imaginar se pode.

O inferno prova que Deus não é bom nem misericordioso – a existência de um Deus de bondade é incompatível com a existência do inferno.

E de duas uma: ou o inferno não existe, ou Deus não é infinitamente bom.

 

10º argumento: O problema do mal

É o problema do mal que me fornece material para o meu último argumento contra o Deus-Governador, e, simultaneamente, para o meu primeiro argumento contra o Deus-justiceiro.

Eu não digo que a existência do mal – mal físico e mal moral – seja incompatível com a existência de Deus; o que digo é que é incompatível com o mal a existência de um Deus infinitamente poderoso e infinitamente bom.

O argumento é conhecido, ainda que o não seja senão pelas múltiplas refutações – sempre impotentes – que se lhes tem apresentado. Remontam-no a Epicuro. Tem, portanto, mais de vinte séculos de existência: mas, por velho que seja, conserva ainda todo o seu vigor. Esse argumento é o seguinte:

O mal existe. Todos os seres sensíveis conhecem o sofrimento. Deus, que tudo sabe, não pode ignorá-lo. Pois bem, de duas, uma: Ou Deus quer suprimir o mal e não pode; ou Deus pode suprimir o mal e não quer.

No primeiro caso, Deus pretendia suprimir o mal, porque era bom, porque compartilhava das dores que nos aniquilam, porque participava dos sofrimentos que suportamos. Ah! Se isso dependesse dele! O mal seria suprimido e a felicidade reinaria sobre a Terra...

Mais uma vez Deus é bom, mas não pode suprimir o mal – não é todo poderoso.

No segundo caso, Deus podia suprimir o mal. Bastava que o quisesse para que o mal fosse abolido. Ele é todo poderoso e não quer suprimir o mal; portanto, não é infinitamente bom.

Aqui, Deus é todo poderoso, mas não é bom; acolá, Deus é bom mas não é todo poderoso. Para admitir a existência de Deus, não basta que ele possua uma destas perfeições: poder ou bondade. É indispensável que possua as duas.

Este argumento nunca foi refutado. Entendamo-nos: ao dizer nunca foi refutado quero dizer que, racionalmente, ninguém a pode ainda refutar, embora tenham ensaiado isso muitas vezes. O ensaio de refutação mais conhecido é este:

Vós apresentais em termos errôneos o problema do mal. É um equivoco atirar para cima de Deus toda a responsabilidade. Bem, é certo que o mal existe – é inegável; mas só o homem é responsável por ele. Deus não quis que o homem fosse um autômato, uma máquina, que obedece cega e fatalmente. Ao criá-lo, Deus deu-lhe completa liberdade – fez dele um ser inteiramente livre; e, conforme com essa liberdade, que generosamente lhe outorgou, concedeu-lhe a faculdade de fazer dela, em todas as circunstâncias, o uso que quisesse. E se o homem, em vez de fazer uso nobre e justiceiro deste bem inestimável, faz dele um uso criminoso, porque seria injusto: devemos acusar mais é o homem, o que é razoável.

Eis a clássica objeção. Que é que ela vale? Nada!

Eu explico-me: façamos distinção entre o mal físico e o mal moral. O mal físico é a doença, o sofrimento, o acidente, a velhice, com o seu cortejo de vícios e enfermidades; é a morte, que implica perda de seres que amamos. Há crianças que nascem e que morrem, dias depois de seu nascimento, e cuja vida foi um sofrimento permanente. Há uma enorme multidão de seres humanos para quem a vida não é mais do que uma longa série de dores e aflições: seria preferível que não tivessem nascido. E, na ordem natural, as epidemias, os cataclismos, os incêndios, as secas, as inundações, as tempestades, a fome, constituem uma soma de trágicas fatalidades que originam a dor e a morte.

Quem ousará dizer que o homem é o responsável por este mal físico? Quem não compreende que se Deus criou o Universo, dotando-o com as formidáveis leis que o regem, o mal físico não é senão uma destas fatalidades que resultam de um jogo normal das forças da natureza? Quem não compreende que o autor responsável destas calamidades é, com toda a certeza, quem criou o Universo e quem o governa?

Suponho que, sobre este ponto, não há contestação possível. Deus que governa o Universo, é o responsável pelo mal físico. Esta resposta seria suficiente, e, no entanto, vou continuar.

Eu entendo que o mal moral é tão imputável a Deus quanto o mal físico. Se Deus existe, foi ele que presidiu à organização do mundo físico. Por conseqüência, o homem, vítima do mal moral, como do mal físico, não pode ser responsável por um nem por outro.

Vamos, pois, ver agora na terceira e última série de argumento, o que tenho a dizer sobre o mal moral.

 

Terceira serie de argumentos: Contra o Deus justiceiro

11º argumento: Irresponsável, o homem não pode ser castigado nem recompensado

Que somos nós? Presidimos às condições de nosso nascimento? Fomos consultados sobre se queríamos nascer? Fomos chamados a traçar o nosso destino? Tivemos, sobre qualquer destas questões, voz ou voto?

Se cada um de nós tivesse voz e voto para escolher, desde o nascimento, a saúde, a força, a beleza, a inteligência, a coragem, a bondade, etc..., seguramente que todos estes benefícios nos teríamos outorgado. Cada um de nós seria, então, em resumo de todas as perfeições, uma espécie de Deus em miniatura.

Mas, afinal, que somos nós? Somos aquilo que queríamos ser? Não, incontestavelmente.

Na hipótese Deus, somos – visto que foi ele que nos criou – aquilo que ele quis que fôssemos. Deus é livre, não podia nos ter criado. Ou podia ter-nos criado menos perversos, porque é bom. Ou, então, podia ter-nos criado virtuosos, bem comportados, excelentes, enchendo-nos de todos os dotes físicos, intelectuais e morais, porque é todo poderoso.

Pela terceira vez: Que somos nós? Somos o que Deus quis que fôssemos, visto que ele criou-nos segundo o seu capricho e o seu gosto.

Se se admite que Deus existe e que foi ele que nos criou, não se pode dar outra resposta a pergunta “quem somos nós?”. Com efeito, foi Deus que nos deu os sentidos, as faculdades de compreensão, a sensibilidade, os meios de perceber, de sentir, de raciocinar, de agir. Ele previu, quis determinar as nossas condições de vida; coordenou as nossas necessidades, os nossos desejos, as nossas paixões, as nossas crenças, as nossas esperanças, os nossos ódios, as nossas ternuras, as nossas aspirações. Toda a máquina humana corresponde àquilo que ele quis. Ele arranjou e concebeu todas as peças do meio em que vivemos, preparando todas as circunstâncias que, a cada momento, dão um assalto a nossa vontade, determinando as nossas ações.

Perante este Deus formidavelmente armado, o homem é, portanto, irresponsável.

O que não está sob a dependência de ninguém é inteiramente livre; o que está um pouco sob dependência de um outro é um pouco escravo, e livre só para a diferença; o que está muito sob a dependência de um outro é muito escravo, e não é livre senão para o resto; enfim, o que esta em absoluto sob a dependência de outro, é totalmente escravo, não gozando de nenhuma liberdade.

Se Deus existe, é nesta última postura – a do escravo – que o homem se encontra em relação a Deus; e sua escravidão é tanto maior quanto maior for o espaço entre o Senhor e ele.

Se Deus existe, só ele é que sabe, pode, quer, só ele é livre. O homem nada sabe, nada pode, nada quer, a sua dependência é completa. Se Deus existe, ele é tudo – o homem, nada.

O homem, submetido a esta escravidão, aniquilado sob a dependência, plena e inteira de Deus, não pode ter nenhuma responsabilidade. E, se o homem é irresponsável, não pode ser julgado. Todo o julgamento implica um castigo ou uma recompensa; mas os atos de um irresponsável, não possuindo nenhum valor moral, estão isentos de qualquer responsabilidade. Os atos de um irresponsável podem ser úteis ou prejudiciais. Moralmente não são bons nem maus, como não são meritórios nem repreensíveis; julgados eqüitativamente, não podem ser recompensados nem castigados.

Portanto, Deus, erigindo-se em justiceiro, castigando e recompensando o homem irresponsável, não é mais do que um usurpador, que se arroga um direito arbitrário, usando dele contra toda a justiça.

Do que fica escrito, concluo:

a) Que a responsabilidade do mal moral é imputável a Deus, como igualmente lhe é imputável a responsabilidade do mal físico;

b) Que Deus é um juiz indigno, porque, sendo o homem irresponsável, não pode ser castigado nem recompensado.

 

12º argumento: Deus viola as regras fundamentais de equidade

Admitamos por um instante que o homem é responsável, e veremos como, dentro desta hipótese, a justiça divina viola constantemente as regras mais elementares da eqüidade.

Se se admite que a prática de justiça não pode ser exercida sem uma sanção; que o magistrado tem, por mandato, fixá-la; e que há uma regra, segundo o qual o sentimento deve pronunciar-se unanimemente, é evidente que, da mesma forma, tem de haver uma escala de mérito e culpabilidade, assim como uma escala de recompensas e de castigos.

Admitindo este princípio, o magistrado que melhor pratica a justiça é aquele que proporciona o mais exatamente possível a recompensa ao mérito e o castigo a culpabilidade. E o magistrado ideal, impecável, perfeito, seria aquele que estabelece uma relação rigorosamente matemática entre o ato e a sanção.

Eu penso que esta regra elementar de justiça é acerta por todos. Pois bem, Deus, distribuindo o Céu e o Inferno, finge conhecer esta regra e viola-a. Qualquer que seja o mérito do homem, esse mérito é limitado (como o próprio homem); e, no entanto, a sanção da recompensa não o é: o Céu não tem limites, ainda que não seja senão pelo seu caráter de perpetuidade. Qualquer que seja a culpabilidade do homem, esta culpabilidade é limitada (como o próprio homem); e, no entanto, o castigo não o é: o Inferno o é: o Inferno é ilimitado, ainda que não seja senão pelo seu caráter de perpetuidade.

Há, pois, uma grande desproporção entre o mérito e a recompensa, entre a falta e a punição: o mérito e a falta são limitados, enquanto que a recompensa e o castigo são ilimitados.

Deus viola, pois, as regras fundamentais da equidade.

Finda aqui a minha tese. Resta-me apenas recapitulá-la e conclui-la.

 

Recapitulação

Prometi uma demonstração terminante, substancial, decisiva, da inexistência de Deus. Creio poder afirmar que cumpri esta promessa.

Não percais de vista que eu não me propus dar-vos um sistema do Universo que tornasse inútil todo o recurso à hipótese de uma Força sobrenatural, de uma Energia ou de uma Potência extramundial, de um Princípio superior ou anterior do Universo. Tive a lealdade, como era o meu dever, de vos dizer com toda a franqueza: apresentado assim, o problema não admite, dentro dos conhecimentos humanos, nenhuma solução definitiva; e que a única atitude que convém aos princípios refletidos e razoáveis é a expectativa.

O Deus que eu quis negar e do qual posso dizer que neguei a possibilidade é o Deus, é o Deus das religiões, o Deus Criador, Governador e Justiceiro, o Deus infinitamente sábio, poderoso, justo e bom, que os padres e os pastores se jactam de representar na Terra e que tentam impor a sua veneração.

Não há, não pode haver, equívoco. E este Deus que é preciso defender dos meus ataques.

Toda a discussão sobre outro terreno – e previno-vos disto, porque é necessário que vos ponhais em guarda contra as insídias do adversário – será apenas uma diversão, e, ainda mais: a prova provada de que o Deus das religiões não pode ser defendido nem justificado.

Provei que Deus, como criador, é inadmissível, imperfeito, inexplicável; estabeleci que Deus, como governador, é inútil, impotente, cruel, odioso, despótico; demonstrei que Deus, como justiceiro, é um magistrado indigno, pois que viola as regras essenciais da mais elementar eqüidade.

 

Conclusão

Tal é, portanto, o Deus que, desde tempos imemoriais, nos tem ensinado e que ainda hoje se ensina às crianças, tanto nas escolas como nos lares. E que de crimes se tem cometido em nome dele! Que de ódios, guerras, calamidades tem sido furiosamente desencadeados pelos seus representantes! Esse Deus de tanto sofrimento não tem sido a causa! E quantos males provoca ainda hoje!

Há quantos séculos a religião traz a humanidade curvada sob a crença, espojada na superstição, prostrada resignadamente!

Não chegará jamais o dia em que, deixando de crer na justiça eterna, nas suas sentenças imaginárias, nas suas recompensas problemáticas, os seres humanos começam a trabalhar com um ardor infatigável pelo vento de uma justiça imediata, positiva e fraternal sobre a Terra? Não soará jamai

Palavras-chave: ateísmo, Deus, Filosofia, Religião

Postado por João Carlos Holland de Barcellos em Ateus e Ateísmo | 2 comentários

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The Jocaxian Little Blue Devil
João Carlos Holland de Barcellos
translated by Debora Policastro

In my many years of atheism, since I was about 12, I could gather many arguments against God’s existence. Some refer to the Catholic God, which has very well-defined features, some to gods who have a more blurred definition, therefore harder to be logically analyzed. Anyway, in almost every case, God has always the characteristic of, at least, being the creator of the universe and being endowed with awareness and intelligence.

Among the arguments I gathered, the most recent and what I consider to be the most stunning one because it is extremely simple and yet devastating, is the “Jocaxian Little Blue Devil”. Below, you will see the summaries of the main anti-God arguments and evidence, starting with the one that entitles this text. (The names in brackets '[]' next to each argument are the names of the probable authors of the original idea or the person from whom I got to know the idea).
1 - Argument: "The Jocaxian Little Blue Devil” [Jocax]

It is said that God is an entity necessary to answer the question:

"How did the universe begin?"

If we answer with the same question "How did God begin?” the theist would say that God does not need a creator, for he is his own cause, or that he has always existed, or that he is beyond our comprehension. And it is no use trying to counter-argue saying that we can use the same arguments replacing the word "God" with “universe ". The theistic mind requires a creator for the universe, whether you like it or not. However, there are other qualifications that are attached to this god-creator and are usually ascribed to God as a way to satisfy our psychological needs (i.e. goodness and/or omniscience and/or omnipotence, and/or perfection, among others). But, from the finding that this is not absolutely necessary to create the universe, comes the “Jocaxian Little Blue Devil" argument.
If you say that God created the universe, I MAY EQUALLY SUPPOSE that it was not God who created it, but the "Little Blue Devil". But this little devil is not as almighty as God, he does not have God’s omniscience, he is not as good as God, not as perfect as God and, in order to create the universe, he ended up dying due to the amount of effort he made.

My little devil, being much less complex than your God-Almighty, should be PREFERABLE in “Occam’s razor” terms to God! Therefore, before evoking God as the creator of the universe, you should evoke the “Jocaxian Little Blue Devil”. Otherwise, you would be acting illogically by adding unnecessary assumptions to the 'creator of the Universe'.
Comment: there is no need for a creator with all the features of a “God” to create the universe. It would be enough having power to create it. Thus, the affirmation that says that a "God" is needed so the universe can exist lacks rationale.

2 - Proof: Contradiction to the FACTS [Epicurus / Hume]

If God is Good, then God does not want unnecessary suffering.
If God is powerful, then God can do anything.
Logic: If God can do anything and does not want suffering, he can prevent suffering.
Fact: 40 million children died recently drowned by a tsunami (death with suffering).
Conclusion: The hypothesis (good and powerful God) cannot be true, once it contradicts the observed fact.
Comment: Some may argue that the suffering was necessary because some people needed to "learn". It is possible to counter-argue that by asking what the children learned by drowning. It is possible to counter-argue against the "original sin" by asking if it is fair that the innocent pay for the guilty. But that would not necessary, once a good and almighty God could teach anybody anything without having to sacrifice innocent lives with tragic deaths. If God had to sacrifice so many lives, it means he is not powerful enough or not good (in the human sense of the term). It seems that the original argument refers to Epicurus, though its formalization is from Hume.

3 - Proof: internal contradiction (inconsistency) [Sartre (?)]:

God is OMNISCIENT, therefore he knows everything that  happened and will happen.

God gave men freedom; therefore men are free to choose.

Contradiction: If God knows everything that men will choose (factual knowledge) it means that men have NO freedom of choice. (Everything was planned in God’s mind and men could not change it).

Follow the demonstration [by Jocax]:

Suppose the existence of God Almighty. Then, it logically follows that:

1- God is omniscient.
2- Being Omniscient, God knows EVERYTHING that will happen.
3- Knowing EVERYTHING that will happen, he knows everything you will do and choose, even before you existed.
4- If God knows everything you will do and choose, you cannot do anything different from God’s prediction.
5- Since you cannot do anything different from the divine prediction, you must necessarily and mandatorily follow it.
6- If you are obliged to follow God’s prediction, it is impossible for you to choose or do anything different from it.
7-If it is impossible for you to choose or do anything different from the divine prediction, you do not have free will!

As we wanted to demonstrate.
Comment: before a man is born, even before he gets married or does any kind of choice, his fate would already be planned in God’s omniscient mind.  So, nothing the man could choose would be different from the path already laid down by God. Thus, the so-called "Free Will" would be nothing more than an illusion. This means that either the man is not free to choose, or God is not omniscient. This is one of the most striking logical evidence against the existence of God.


4-Argument: By the Occam’s Razor [Jocax (?)]

-There is no evidence that God exists.

- The set {Universe + God} is more complex than the set {Universe}.

By the Occam’s razor, we should discard the first hypothesis of a universe with God in favor of the second, which is very simple, once it requires at least one hypothesis less.

Comment: We can make a metaphor of this argumentation through the "Nail Factory" argument:
First, we must agree that if we had to choose between two hypotheses for the origin of everything, we would have to stick with the more likely one. And if we wanted a more scientific explanation, we should stay with one of several physical theories about the origin of the universe, like the one that says that the universe emerged from the quantum vacuum: the particles would have been created from a "quantum fluctuation of vacuum”. This is only a theory, which cannot be proved, but it is much more reasonable than the premise that there was a HUGE Nail factory (God) that made all the nails, but no one dares to ask about its origin.
The idea of comparing God to a "nail factory” is described below:

There is evidence of "nails" (elementary particles). Someone says that there must be a creator for these nails, and proposes that there must be a huge and complex "Nail Factory" (God). But this is NONSENSE. Besides the fact that there is no evidence on the Nail Factory existence, it would be FAR more complex than the nails found. So, by the Occam's Razor, it is much more logical to assume that the nails have always existed than that the great "Nail Factory" has always existed and is hidden somewhere that can only be known after death.


5 - Argument: God, if he existed, would be a ROBOT [By Andre Sanchez & Jocax]:

- God is omniscient, omnipotent and knows everything that happened and will happen.
- He also knows * all * of his OWN future actions.
- It means he should follow all his already planned actions, without being able to change them, exactly as a robot follows its programming.

Conclusion: God, if he existed, would not have free will. It would be a robot, a kind of automaton that must forever follow his programming (his own prediction) without being able to change it.

Comment: God's omniscience would lead himself to a tedious prison from which nothing could go out even if he felt like doing it. He would be stuck in his own cruel omniscience.

6 - Proof: If God existed, there would be no imperfection [unknown author ]:

If God existed and was perfect, everything that he created would be perfect.
Mankind, being his creation, should also have been created perfect.
But how could a being created perfect be corrupted and become imperfect?
If mankind was corrupted, it was not perfect, it was corruptible!

Conclusion: God could not be perfect, once he generated something imperfect.

Comment: A perfect being wants perfection, and even if God had created men with free will - we have demonstrated above it is an illusion -; if men were perfect, they would have made perfect choices and would not be corrupted.


7 - Argument: Origin of God [unknown author]:

The argumentation of the intelligent design according to which the complexity of nature requires an intelligent creator collapses when no one offers any explanation about the origin of God. Once again according to the intelligent design argument, God, as an extremely complex and intelligent being would need to have an intelligent creator, who would be the "God of God": the creator of God. This “Creator of God ", once he is smarter than God, accordingly to the same argument, should also have an extremely intelligent creator: “God of God of God ". And so on, ad infinitum. It is possible to see that the argument that something complex needs a more complex being to be created is NONSENSE.

Comment: the Intelligent Design is largely used nowadays to teach religion courses in some Brazilian and American states, as if it was science.

8-Proof: The universe could not be created. [by Jocax]

Suppose God exists. If he had an infinite intelligence, he would not need to spend time deciding something or processing information. Thus, he would not spend any time deciding to create the universe. That is, the Universe would have to be created in the very moment God was created. If God was never created, then the universe could never have been created as well.
Comment: If there is movement, there is time. If there was no time, nothing could have moved.

9- Proof: God cannot be perfect. [unknown author]

If God was perfect, he would not have any needs; he would be self enough. However, if he decided to create the universe, it happened because he had a need for this creation, therefore he was not self enough, he was imperfect.

10- Proof: If God existed, he could not be perfect. [Jocax]

Many believers take physical laws and their “magical” constants as evidence of the divine wisdom once it is supposed that a little alteration in them would cause the universe to collapse and be destroyed.
However, they forget THESE laws, specially the second law of thermodynamics, provide the inexorable, slow and agonizing collapse of our universe, showing that there has been a SERIOUS FLAW in its conception, what would make it unfeasible in the long run.
Comment:  the second law of thermodynamics is known as the law that says that the entropy in a closed system is never reduced. We can consider the whole universe as a closed system once nothing enters or leaves it.

11 – Proof: If God existed, he could not be good. [?]

God, hypothetically omniscient and omnipotent knew everything that would happen BEFORE he decided to create the universe. He knew everyone that would be born and what each person would “choose” for his/her life. He even knew that a huge TSUNAMI would come and drown 40 thousand children. If he had the power to make the universe slightly different, maybe he could have prevented this tragedy. But, knowing EVERYTHING that would happen in the future, knowing all deaths, all the disasters and calamities, God put his plan into practice and started watching from the front row seat. This is not worthy of a generous being.

12-Proof: by the universe definition, God could not have created it. [Jocax (?)]

noun
•everything that exists, especially all physical matter, including all the stars, planets, galaxies, etc. in space
So, the universe can be defined as the setting of all that exists.  Therefore, if God existed, he could not have created the universe, as he would be a part of it!
Comment: The believer could then only set God as the creator of matter/energy and not of the universe itself.

13- Proof: by the current laws of Physics, it would be impossible for God could to exist [unknown author]

Quantum mechanics has a fundamental law called “Uncertainty Principle”. According to this law, it is IMPOSSIBLE, regardless of technology, to know the exact position and speed of a particle. That means that physically it is impossible that a “Omniscient God” exists, once he would know the exact position and speed of a particle and that would violate a fundamental pillar of modern science.

14 – Proof: If God existed, he would be sadistic and selfish [Renato W. Lima (?)]

It is intended to show that God needs to create an imperfect world; otherwise the world would be himself.  It would be possible to argue that creating a clone of himself would be better than creating an imperfect world to, sadistically, watch it suffer. However, knowing that the world is not perfect does not imply that one must refuse assistance when necessary, as long as there is enough power for that and one does not desire that evil happens. If God had really created imperfect beings like us and different from him, he would be selfish, as he wanted to be the only perfect being and owner of power. And selfishness is definitely not a good thing.

15 – Argument: Igor’s Theorem [Igor Silva (?)]

If we had to choose one of the options below, which one would be more likely or easier to happen?

  1. A dead person resurrecting and ascending to heaven (without rockets) or
  2. Someone writing lies in a piece of paper or book and people believing in it?
  3. Someone who has performed miracles that go against the laws of Physics or
  4. Someone writing lies in a piece of paper or book and people believing in it?
  5. A totipotent being (God) existing and creating the universe or
  6. Someone writing lies in a piece of paper or book and people believing in it?

Comment: This text is a simplication of Hume’s argument:
[…] “No testimony is sufficient to establish a miracle, unless the testimony be of such a kind, that its falsehood would be more miraculous than the fact which it endeavors to establish” David Hume «Of Miracles» (1748)

16- Argument: By the Kalam’s Theorem [unknown]

The Kalam’s theorem claims that nothing can be extended in an infinite past time because if there was an infinite time in past, it would take an infinite time since this past until our present. So, an infinite time means never. That way, we would never have our present. But this is an absurd once we are in the present. Similarly, if there was a God whose existence extended until an infinite time in past, we would never have this present. Therefore it is not possible for a God that exists in an infinite time in past to exist.

17 – Argument: For the unnecessity of a Cause [Jocax]

The origin of the universe and its laws can be satisfactorily explained through the Jocaxian-Nothingness (JN). The JN explains in a logical way that the cosmos could emerge from the Jocaxian-Nothingness, once this Nothingness would not have laws that restricted whatever. Thus, due to the lack of laws, events could happen. That eliminates the necessity of a conscious creator like God to explain our cosmos.

 
Portuguese Version:  http://www.genismo.com/religiaotexto32.htm

Palavras-chave: Atheism, God, Jocaxian Little Blue Devil, Philosophy, Religion

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Janeiro 08, 2010

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The Destropic Principle
By João Carlos Holland de Barcellos
Translated by Débora Policastro


Abstract: The “Destropic Principle” is an argument that establishes that every universe is equiprobable, and the possibility of life is not a more special feature than any other. This opposes to the “anthropic principle” when it is used to argue that there is a necessity for a divinity, or multiple universes, in order to explain the configuration of our universe, particularly, the capability of harboring life.

In order to explain life in our universe, I will refute the “anthropic principle” when it is used as an argument of the necessity of a deity or multiple universes. I had already outlined this argument in my previous article on the theme, The Anthropic Principle and The Jocaxian-Nothingness” [1], but now I intend to go a little deeper in the analysis.
It is not a very intuitive argument, and that is why we should use an analogy to understand the idea behind. But first, I will summarize the anthropic principle and how it is used by creationists and religious people in general to justify God:

Introduction
The physical laws, usually written in the form of mathematical equations, are considered to be responsible for the characteristics of the universe and its evolution in time. These laws, as we know today, are composed by equations in which we can see some numerical constants (parameters). As examples we can cite, among others: the speed of light, the mass of the electron, the electric charge of the proton, etc. [2]
It is argued, without demonstration, that a little alteration (it is not clear what would the magnitude of this alteration be) in any of these constants would make the possibility of life in the universe not feasible. Those who claim that also conclude that a universe created with physical laws generated at random would hardly be able to trigger life.
Handicap
In all fairness, we need to note that a universe with random laws does not need to follow the pattern of physical laws we have in our universe, that is, the mathematical equations that would define a randomly generated universe could be totally different from the ones we have in our current universe (in principle it would not even be necessary to describe such universes through mathematical equations). That way, the parameters we have today would not apply to any of the equations in this random universe. Thus, it is totally FALSE to claim that all possible universes can be described maintaining the same equations of our particular universe and varying only the constants present in them.
However, in order to refute the “anthropic principle” on its own support base, we should consider true the fact that all possible universes keep the same structure of equations as ours. We also assume that these equations are true, but knowing in advance that this is not true, since there is a theoretical incompatibility between the theory of relativity and the quantum mechanics. Besides that, we also suppose that any alteration in one of the fundamental constants would make the possibility of life impracticable, although no one has shown it yet.

An analogy
In order to understand the idea of the “Destropic Principle”, we will make an analogy with the real numbers of the equations which rule the several possible universes.  Suppose that each of the possible universes can be represented by a real number between zero and ten. We can justify that by thinking that we can concatenate all the fundamental constants in a single numeric parameter.
In our analogy, the parameter “4,22341”, for example, would represent an U1 universe, which would be different from an U2 universe, represented by the parameter “6,123333...”, and so on.  Thus, each of these numeric parameters would completely define the characteristics of the universe represented by them.
Suppose there is a machine that randomly generates real numbers between zero and ten. Each generated number would be the parameter that would define a universe. We can see that the possibility of predicting what number the machine will generate is very small, almost zero. However, the machine will certainly generate a number.
Suppose our universe is represented by U1 (“4,22341”). Then we can ask: what is the probability of the number of our universe being chosen, once there are infinite possible numbers? There are infinite real numbers between zero and ten, therefore it is almost impossible to foresee that the number “4,22341”, which is the parameter that defines the characteristics of our universe, will be chosen.
Thereby, when the machine generates a number representing a parameter of the universe, the answer to the question “How probable would the generation of a universe like ours be?” will be “As likely as the generation of any other specific universe”.

Equiprobable
In our model of random generation of universes all universes are equiprobable, since any real number between zero and ten would have the same probability of being generated. No universe is more likely to be generated than the other. So, whatever the number generated by the machine was, it would be as unlikely to be predicted as any other number. We then conclude that our universe is so likely to be generated as any other.

Life
However, someone could retort:
“-Our universe is the only one where the possibility of life exists”.
The possibility of life is a peculiarity of our universe. Any other generated universe would also have its specific peculiarities. For example: maybe one of them could be made of tiny colored crystal balls, the other could form elastic goos, others, perfect spheres, and so on. If, for example, the generated universe produced little blue crystal balls, then we could make the same exclamation:
“-Only this universe produces little glowing balls!”
Or:
“Only in this universe there is possibility of producing elastic goos!”
And so on. For us, humans, life can be more important than little glowing balls, or elastic goos, but this is only a human valuation. There is no logic reason to suppose that a universe with life is more important than a universe that produces little glowing crystal balls, or elastic goos.
Therefore, we cannot claim that our universe is special and unique, because it is as special and unique as any other universe that was generated at random. All universes would have their specific features, generated by their also unique physical constants.

Another Formality
In order to clarify this idea, we can redo our argument using another formality:
Suppose the universes are described by six fundamental constants (the exact number does not matter, the following reasoning is for any number of constants).
Thus, any U universe could be defined by a system of equations that uses six basic constants. We represent this dependence as follows:
U= U (A, B, C, D, E, F).
Our U1 universe in particular is described in that formality as:
U1= U (A1, B1, C1, D1, E1, F1)

Now, consider a U2 Universe with constants different from U1:
U2 = U (A2, B2, C2, D2, E2, F2)
As U1, by definition, contains the parameters of our universe, it will generate a universe that may harbor “life”, but cannot generate “lofe”. Similarly, U2 can generate “lofe”, but cannot generate “life”. “Lofe” is a random feature of U2, as the characteristic of being able to form a group of particles where the density is exactly 0,12221 (a random number), for example. Only U2 can generate “lofe”, and any change in the parameters would make the generation of “lofe” not feasible.
Of course, the same way, another universe, U3, with other constants
U3 = U (A3, B3, C3, D3, E3, F3)
would not make “life” feasible, nor “lofe”, but would make “lufe” viable.
“lufe” is a physical condition that occurs when the particles are subject to the regime of forces generated by the constants of U3 (A3…F3). Any change in one of these constants would make “lufe” not viable.

Note that there is no INTRINSIC importance about the universe generating “life”, “lofe”, or “lufe”. It does not make any difference to the generating machine or to the universe itself. Especially because the universe and the random machine do not have consciousness or desires. What differs to the machine is the value of the fundamental constants, not what they will generate or not. For the generating machine and even for the generated universe, it is irrelevant if it will be able to harbor life, “lofe”, “lufe”, or present any other peculiarity. Each universe has its own feature. If U1 allows “life”, it does not allow “lofe”, nor “lufe”; if U2 allows “lofe”, it does not allow “life” nor “lufe”; if U3 allows “lufe”, it does not allow “life”, nor “lofe”. It goes that way for any generated universe.

Thus, we can see that our universe does not have anything special, once nothing is intrinsically special. “Life” is as important as “Lofe” or “Lufe”. The universe is not worried if “lofe” generates consciousness or not, nor if “lufe” generates a cluster of an incredible yellow glow which would never exist in U1 or if “lofe” generates micro colored pyramids with their own indescribably beautiful glow. That matters to humans, little egocentric beings of U1 that care about “life”, maybe because they are alive.

Thereby, the probability of generating a universe that has “lufe” is equivalent to another one that has “life” or “lofe”. There is nothing miraculous or magical about our universe that makes it REALLY special. Therefore, there is no sense in saying that the probability of our universe being that way is the work of some deity. Whatever the generated universe was, its probability of having that feature is exactly the same as the probability of our universe being exactly as it is.


It is like choosing at random a real number between zero and ten. They are all equally probable and difficult to be chosen. None is more or less special than the others.

Portuguese version:  http://www.genismo.com/logicatexto26.htm

Palavras-chave: Antrhopic Principle, Destropic Principle

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Novembro 16, 2009

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Acredito que o budismo seja uma doutrina que foi criada para controlar uma super-população de mendigos e analfabetos onde os poucos recursos existentes estavam restritos a algumas castas de privilegiados.

Para evitar uma revolta popular ( a "la francesa" onde muitas cabeças rolaram) criou-se o budismo. No budismo o chique é não querer nada, pois quase nao se ha nada que que possa obter mesmo, assim desejando-se o que nao ha , sofre-se menos. 

No budismo a culpa pela dor eh de quem deseja e nao a de quem nao distribui os recursos. Se vc deseja a maravilhosa casa do sultao a culpa eh sua!   Entao, o melhor que vc pode fazer eh tentar VIRAR UMA ESTATUA, ja que se matar da muito na vista. Entao passa-se a cultura de que se vc conseguir virar uma "estatua", sem desejos , sem vontade , sem nada, vc nao vai sentir dor !  Eh o fim da dor ! ( e do prazer tambem ). PODEMOS CONCLUIR QUE O IDEAL BUDISTA EH UMA MORTE EM VIDA !!

Claro que eh desnecessario dizer que o budismo vai contra muitos instintos humanos cujo objetivo eh a perpetuacao genetica e para isso a obtencao de posses como riquezas, mulheres, poder , bens , terras e etc sao bem vindo e portanto  dao muito prazer. As coisas que dao prazer e produzem felicidade sao aquelas que auxiliam a perpetuacao genetica. 

Portanto eh uma "luta ingloria" passar a vida LUTANDO contra seus instintos que querem um destaque , que querem uma acencao socio-economica e tudo mais para tentar virar uma estatua em vida.;

Jocax

 

 

Palavras-chave: Budismo, genismo

Postado por João Carlos Holland de Barcellos em Ateus e Ateísmo | 15 comentários

Agosto 23, 2009

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Continuacao do tópico sobre o estuprador espírita:

http://stoa.usp.br/mod/forum/forum_view_thread.php?post=54

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Rui disse:
"Não fazer ao outro, o que não gostaria fosse feito a você.
Amar ao próximo, como a si mesmo. Devemos considerar o outro, como consideramos a nós mesmos.Impossível que o Senhor não tenha compreendido
."

Ja li ja respondi e vc nao respondeu o que eu disse por isso repetirei tudo de novo mais abaixo.

Rui disse:
"A dor e o sofrimento resultante da quebra de uma perna, não tem o poder de reparar o osso que foi partido, mas alertar que caso prossigamos sem lhe dar a devida atenção, o resultado poderá ser pior."

AGORA ME RESPONDA A DOR DA CRIANCA SENDO  ESTUPRADA VAI FAZE-LA LEMBRAR  O QUE PERANTE O ESPIRITISMO???

Rui disse:
"O sofrimento resultante, considerado em si, não tem o poder de resgatar coisa alguma, nem de reparar qualquer erro que seja...
Portanto é falsa o argumentação que sofrendo, repararemos o mal que tenhamos causado.Ou que o resgate dos erros do passado, pode se dar por meio da dor.
"
.

Por isso que eu digo que vc esta CONFUNDINDO a sua religiao com o espiritismo !


Veja:
" Nenhuma falta há, qualquer que ela seja, que não acarrete forçosa e inevitavelmente uma punição.
Se não for hoje, será amanhã; se não for na vida atual, será noutra.
" http://www.guia.heu.nom.br/sofrimento.htm

Esta BEM CLARO no exemplo do homem que perdeu o dedo que ele estava tendo uma expiacao pelo erro em outra vida:

""Um exemplo clássico no meio espírita é a história retratada pelo Espírito Hilário Silva, no capítulo 20 do livro A Vida Escreve, psicografada por F. C. Xavier e Waldo Vieira,
no qual descreve o fato de Saturnino Pereira que, ao perder o dedo junto à máquina de que era condutor, se fizera centro das atenções:
como Saturnino, sendo espírita e benévolo para com todas as pessoas, pode perder o dedo?
Parecia um fato que ia de encontro com a justiça divina. Contudo, à noite, em reunião íntima no Centro Espírita que freqüentava, o orientador espiritual revelou-lhe que numa encarnação passada havia triturado o braço do seu escravo num engenho rústico. "

PERCEBEU O QUE DIZ O ESPIRITISMO? FEZ PAGOU ! SE NAO NESTA VIDA EM OUTRA !  PORTANTO HA O PAGAMENTO PELA DOR SIM SENHOR !


Rui disse:
"A dor da perda de um ente querido, pode nos fazer refletir mais sobre a vida. O que mil eletrochoques não fariam."

Pode ser entao que quem precisasse sofrer seria A MAE ou O PAI da menina estuprada e assassinada Nao eh?
E assim quem sofreu a expiacao foram seus pais ...interessante: A crianca foi apenas um MEIO dos pais dela sofrerem a expiacao
ja que eles, segundo o espiritismo, NAO SOFRERIAM EM VAO ! :
" Ninguém sofre sem necessidade à frente da Justiça Celeste e tão grande harmonia rege o Universo que os nossos próprios males se transubstanciam em bênçãos."
[96 - págna 172] - André Luiz"


http://www.guia.heu.nom.br/sofrimento.htm


Andre disse:
"João, o nome disso é distorção. O texto não fala isso que você induz a crer. O autor está dizendo que não basta "não fazer o mal", mas que devem haver outros procedimentos além desses para o que indivíduo evolua."

Andre quem esta distorcendo eh voce no espiritismo a dor eh um bem como ja cansei de provar ai com, links.
Se a dor eh um bem eh natural pensar que ao provocar a dor vc esta fazendo um bem e fazendo o outro evoluir.

-------------

 

Rui vc disse que o MAL eh :
""O mal é definido claramente pela Religião. Não faça ao outro, o que não gostaria fosse feito a você."

E que esta lei seria TAMBEM a vondade de deus.

Esta sua lei, como ja disse antes eh CAPENGA pois :

1-O sado-masikista estaria certo ao impingir sofrimento e dor nos outros.

2- O estuprador ( ou outro tipo de criminoso ) tambem NAO impediria o crime de outro estuprador ( criminoso )
pois NAO GOSTARIA QUE FIZESSEM ISSO A ELE (impedir o crime quando o estivesse praticando).

Veja que esta sua "lei" TAMBEM nao eh cumprida por deus , jesus , nem seus discipulos:

"EXODUS 21:20-21 Com a aprovação divina, um escravo pode ser surrado até a morte sem punição para o seu dono, desde que o escravo não morra imediatamente."

Vc acha que alguem gostaria de ser SURRADO ATÈ A MORTE com aprovacao divina?
nao estaria tambem em CONTRADICAO com o "AMAR AO PROXIMO COMO A SI MESMO" ?


"MATEUS 11:21-24 Jesus amaldiçoa os habitantes de três cidades que não ficaram impressionados com seus grandes feitos."

Vc acha que Jesus gostaria de ser AMALDICOADO por outras pessoas?
Ele nao estaria em CONTRADICAO com o "AMAR AO PROXIMO COMO A SI MESMO" ?



Se no espiritismo pra que vc evolua voce precisa que algo ruim aconteca a voce (sofra uma expiacao), entao este sofrimento é bom ou nao é?

RUI, VC NAO RESPONDEU A QUESTAO.


EH OBVIO QUE VC ESTA NEGANDO O ESPIRITISMO POIS O ESPIRITISMO
ESTA CLARO EM AFIRMAR QUE O SOFRIMENTO EH UM CAMINHO PARA A EVOLUCAO DA ALMA !

"... A dor é ingrediente dos mais importantes na economia da vida em expansão. O ferro sob o malho, a semente na cova, o animal em sacrifício, tanto quanto a criança chorando, irresponsável ou semiconsciente, para desenvolver os próprios órgãos, sofrem a dor-evolução, que atua de fora para dentro, aprimorando o ser, sem a qual não existiria progresso”."

"... Às vezes, interessamo-nos vivamente pela sublimação do próximo, olvidando a melhoria de nós mesmos. É assim que, pela intercessão de amigos devotados à nossa felicidade e à nossa vitória, recebemos a bênção de prolongadas e dolorosas enfermidades no envoltório físico, seja para evitar-nos a queda no abismo da criminalidade, seja, mais freqüentemente, para o serviço preparatório da desencarnação, a fim de que não sejamos colhidos de surpresas arrasadoras na transição da morte”.
Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados” (Mateus V: 4.)."
http://www.omensageiro.com.br/editoriais/editorial-113.htm




o BEM nao eh necessariamente PRAZER no espiritismo !!
O BEM NO ESPIRITISMO ESTA MUITAS VEZES ASSOCIADO AO SOFRIMENTO !!!


E SENDO ASSIM, O SOFRIMENTO EH UM BEM POIS FAZ A ALMA EVOLUIR E CRESCER !


SE VC NAO ACEITA A DOR COMO UM BEM NO ESPIRITISMO VC NAO SEGUE O ESPIRITISMO! O SOFRIMENTO EH UM BEM NA MEDIDA QUE FAZ A ALMA APRENDER E EVOLUIR PELOS ERROS QUE COMETEU
NO PASSADO NESTA VIDA OU EM OUTRAS !!

Veja que o sofrimento eh ESSENCIAL no espiritismo, coisa que vc NAO quer admitir:

""Uma ostra que não foi ferida não produz pérola"
 As pérolas são feridas curadas   Pérolas são produto da dor, resultado da entrada de uma substância estranha ou indesejável no interior da ostra, como um parasita ou um grão de areia. A parte interna da concha de uma ostra é uma substância lustrosa chamada nácar. Quando um grão de areia penetra, as células do nácar começam  a trabalhar e cobrem o grão de areia com camadas  e mais camadas para proteger o corpo indefeso da ostra. Como resultado, uma linda pérola é formada.
        Uma ostra que não foi ferida, de modo algum, (não) produz  pérolas, pois a pérola é uma ferida cicatrizada"

"Será melhor a coroa de espinhos na fronte do que o monte de brasas na consciência.

[25 - página 146] - André Luiz"


------------------------------

O Sofrimento e a dor sao causa e consequencia e nunca sao acontecimentos fortuitos,
que ocorrem por AZAR:

" Nenhuma falta há, qualquer que ela seja, que não acarrete forçosa e inevitavelmente uma punição. Se não for hoje, será amanhã; se não for na vida atual, será noutra.

          Entre essas faltas, cumpre se coloque na primeira fiada a carência de submissão à vontade de Deus.

          Logo, se murmurarmos nas aflições, se não aceitarmos com resignação e como algo que devemos ter merecido, se acusarmos a Deus de ser injusto, nova dívida contraímos que nos faz perder o fruto que devíamos colher do sofrimento.

          É por isso que teremos de recomeçar, absolutamente como se, a um credor que nos atormente, pagássemos uma cota e a tomássemos de novo por empréstimo.
("Evangelho Segundo o Espiritismo", Cap. 5/12)"

"O sofrimento dos vencidos no combate humano é celeiro de luz da experiência. A Bondade Divina converte as nossas chagas em lâmpadas acesas para a alma.  Bem-aventurados os que chegam à morte crivados de cicatrizes que denunciam a dura batalha."

"A tua dor será talvez a luz de experiência para clarear as veredas dos que jazem nas trevas  "

"Receberemos a dor de acordo com as necessidades próprias, com vistas ao resgate do passado e à situação espiritual do futuro.
[41a - página 149] - Emmanuel - 1940"

"Receberemos a dor de acordo com as necessidades próprias, com vistas ao resgate do passado e à situação espiritual do futuro.
[41a - página 149] - Emmanuel - 1940"

"Receberemos a dor de acordo com as necessidades próprias, com vistas ao resgate do passado e à situação espiritual do futuro.
[41a - página 149] - Emmanuel - 1940"


"Ninguém sofre sem necessidade à frente da Justiça Celeste e tão grande harmonia rege o Universo que os nossos próprios males se transubstanciam em bênçãos.

[96 - págna 172] - André Luiz"

http://www.guia.heu.nom.br/sofrimento.htm

ESTA ULTIMA SENTENCA PROVA CLARAMENTE QUE O ESTUPRADOR ESPIRITA ESTVA COM SEU RACIOCINIO CORRETISSIMO :
SE SEU ESTUPRO FOI CONSUMADO ENTAO EH POR QUE A CRIANCA MERECIA MESMO SOFRER A EXPIACAO !!!

---------------------

Devemos pois DESTACAR que :

o SOFRIMENTO E A DOR NAO ACONTECE POR AZAR E NEM NENHUMA ACAO MALEVOLA FICA SEM PUNICAO:

" Nenhuma falta há, qualquer que ela seja, que não acarrete forçosa e inevitavelmente uma punição. Se não for hoje, será amanhã; se não for na vida atual, será noutra.

" Ninguém sofre sem necessidade à frente da Justiça Celeste e tão grande harmonia rege o Universo que os nossos próprios males se transubstanciam em bênçãos.

""Receberemos a dor de acordo com as necessidades próprias, com vistas ao resgate do passado e à situação espiritual do futuro.

"
" Nenhuma falta há, qualquer que ela seja, que não acarrete forçosa e inevitavelmente uma punição. Se não for hoje, será amanhã; se não for na vida atual, será noutra.

" Ninguém sofre sem necessidade à frente da Justiça Celeste e tão grande harmonia rege o Universo que os nossos próprios males se transubstanciam em bênçãos.

"Receberemos a dor de acordo com as necessidades próprias, com vistas ao resgate do passado e à situação espiritual do futuro.


" Nenhuma falta há, qualquer que ela seja, que não acarrete forçosa e inevitavelmente uma punição. Se não for hoje, será amanhã; se não for na vida atual, será noutra.

" Ninguém sofre sem necessidade à frente da Justiça Celeste e tão grande harmonia rege o Universo que os nossos próprios males se transubstanciam em bênçãos.

"Receberemos a dor de acordo com as necessidades próprias, com vistas ao resgate do passado e à situação espiritual do futuro."


" Nenhuma falta há, qualquer que ela seja, que não acarrete forçosa e inevitavelmente uma punição. Se não for hoje, será amanhã; se não for na vida atual, será noutra.

" Ninguém sofre sem necessidade à frente da Justiça Celeste e tão grande harmonia rege o Universo que os nossos próprios males se transubstanciam em bênçãos.

[96 - págna 172] - André Luiz"    http://www.guia.heu.nom.br/sofrimento.htm



E portanto o raciocinio do "Estuprador espirita"  ESTA CORRETISSIMO. Seu estupro foi um BEM aas almas que sofreram com a dor
e portanto ele soh fez estas almas evoluirem e resgatarem o pecado que fizeram no passado !!!

 

Palavras-chave: ateismo, Espiritismo, filosofia, religião

Postado por João Carlos Holland de Barcellos em Ateus e Ateísmo | 47 comentários

Agosto 14, 2009

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II.8- O “Boeing e a Vida”

Por: Jocax

Uma crítica freqüente dos criacionistas contra a teoria da evolução darwiniana pode ser resumida na sentença:

 

"Criar um ser vivo como o homem é equivalente que dizer que um vendaval batendo num ferro-velho durante bilhões de anos pode montar um Boeing 707".

 

Vamos supor que a probabilidade de um vendaval bater num ferro-velho e montar um Boeing 707 seja equivalente a probabilidade de jogar certa quantidade de dados, por exemplo, 10 mil dados, e todos eles caírem com a face “6” voltada para cima. Mas a pergunta correta é: “É assim que a natureza trabalha?” ou “É assim que a evolução se processa?”

 

A resposta é: Não!

 

A natureza não faz a evolução dos seres vivos se processar como se um evento de extrema improbabilidade fosse acontecer repentinamente. Para entendermos como a evolução se processa, vamos utilizar, como analogia, um jogo com dados e supor que os 10 mil dados representem o genótipo de um ser humano. Então, com este exemplo em mente, vamos fazer com que estes 10 mil dados sejam jogados de forma a fazê-los caírem todos com a face “6” para cima (representando o genótipo do ser humano). Isso sem ter que forçar o número “6” em nenhum deles. Parece impossível? Mas não é. Na verdade é até fácil, como veremos a seguir:

 

Inicialmente, você pega o primeiro dos 10 mil dados e o joga. Este dado vai equivaler ao aparecimento da primeira molécula com capacidade de se replicar. Se não cair “6” na primeira vez então você joga o mesmo dado novamente. Se ainda não cair “6” continue jogando o mesmo dado até que finalmente ele caia com a face “6” voltada para cima. Na média, deveremos jogar seis vezes um dado para que o número desejado apareça. Devemos lembrar que uma molécula capaz de se replicar é “infinitamente” mais simples do que um ser humano completo. Mas continuamos jogando o mesmo dado até que finalmente ele cai com a face “6” para cima. Temos então a primeira molécula replicante. Em média, precisaremos jogar seis vezes o dado para isto acontecer.

 

Na nossa analogia, podemos pensar que o surgimento da primeira molécula replicante seja algo mais difícil de ocorrer do que lançar um único dado em relação aos 10 mil dados que significam o ser humano. Neste caso, poderíamos então utilizar 4, 10 ou 15 dados de uma vez ao invés de um único. De qualquer forma, o importante é percebermos que o surgimento da primeira molécula replicante seja um evento muitíssimo mais fácil de acontecer do que o aparecimento de um mamífero completo como o ser humano, e ainda podemos invocar o “teorema do macaco” para garantir que isso seja possível. O surgimento do primeiro replicador pode ser considerado o início da vida.

 

Uma vez que tenha surgido o primeiro replicante, podemos considerar que o primeiro dado tenha completado sua tarefa e terminado com a face “6” . Partimos então para o segundo dado. Da mesma forma, vamos jogando-o seguidamente, e apenas ele, até que outro número “6” apareça. Isto seria equivalente, por exemplo, a uma mutação que fizesse com que o replicador produzisse uma camada protetora, como, por exemplo, uma membrana, ou algum outro recurso que lhe fosse benéfico em termos de sobrevivência. Devemos notar que o primeiro replicador deve continuar se replicando e gerando seguidamente múltiplas cópias de si mesmo, de modo que mesmo que se uma mutação malévola ocorra (o número “5”, por exemplo, apareça no dado) e ocasione a morte deste replicante, ainda vão continuar existindo muitas outras cópias idênticas que não apresentaram esta mutação deletéria.

 

Agora, com dois dados lançados (“66”) temos um replicante com uma camada protetora. Podemos considerá-la como uma bactéria rudimentar. O que é importante notar é que a QUANTIDADE MÉDIA DE VEZES que precisamos lançar os dados consecutivamente para obtermos o número 6 nos dois é apenas 12 vezes (=2 x 6). De outra forma, se jogássemos os dois dados ao mesmo tempo precisaríamos de, em média, 36 (=6^2) lançamentos para conseguir isso. Ou seja, a natureza trabalhou, neste caso, três vezes mais rápido do que esperaríamos para formar esta bactéria de uma só vez. Mas continuemos o processo evolutivo mais um pouco.

 

Agora que temos dois dados com a face “6” que corresponderia, em nossa analogia, a uma bactéria rudimentar, ela deverá se replicar com mais eficiência e provavelmente utilizará suas primas como fonte de alimentação. Isso significa que ela é mais estável que suas primas (que representam um único “6”). Em breve estará dominando o ambiente e todas elas serão do tipo “66” . Isto se chama seleção natural. Mas as mutações continuam ocorrendo isso significa que agora estamos jogando o terceiro dado. Para que tenhamos um outro passo evolutivo (“666”) jogando um dado de cada vez, precisaremos em média de cerca de 18 tentativas (=3 x 6) no total. Se tivéssemos de jogar os três dados simultaneamente, precisaríamos em média de 216 jogadas (6x6x6), ou seja, uma dificuldade, ou tempo, 12 vezes maior do que se jogando um dado de cada vez, que é a forma em que a natureza trabalha.

 

A evolução trabalha assim: lentamente, através de mutações aleatórias. Os mutantes que são mais estáveis permanecem; os menos estáveis são substituídos. Ou seja, as mutações favoráveis são preservadas. Não há a necessidade de se começar o processo do zero para explicar o surgimento de um novo organismo.

 

Se continuássemos o nosso processo de jogar os dados, quando estivéssemos jogando o décimo dado, teríamos feito cerca de 60 lançamentos. Se tivéssemos de lançar os 10 dados simultaneamente precisaríamos de mais de 60 milhões de lançamentos para conseguir os 10 dados com a face “ 6”, ou seja, a evolução trabalhou, neste caso, mais de um milhão de vezes mais rapidamente do que o puro processo de tentativa e erro. Grosso modo, a evolução trabalha, por seleção natural, num tempo linear, enquanto o processo de tentativa e erro puro, sem seleção natural, acontece em tempo exponencial. Com os nossos 10 mil dados originais, teríamos uma diferença que seria equivalente ao número “1” seguido de 7 mil zeros! Isto é um tempo “infinitamente” mais rápido do que a pura tentativa e erro com os dez mil dados de uma só vez.

 

 

Postado por João Carlos Holland de Barcellos em Ateus e Ateísmo | 6 comentários

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II.7- O “Teorema do Macaco”

 

Por Jocax

 

Idos de 1979...

Eu estava estudando no terceiro ano de graduação do curso de Física quando um "bafafá" do pessoal do quarto ano chegou à nossa turma. Era o "Teorema do Macaco".

 

O “Teorema do Macaco” estabelece que: se colocarmos um “macaco” imortal em frente a uma máquina de escrever inquebravel, que fique teclando aleatoriamente e indefinidamente, então todas as obras que se possa imaginar serão escritas. Ele irá escrever todas as obras de Shakespeare, todos os contos da Agatha Christie, a Bíblia etc. Sem um único erro, vírgula por vírgula, ponto por ponto!

 

E não é brincadeira!

 

Essa conclusão pode ser demonstrada a partir da teoria das probabilidades. Para isso vamos demonstrar o seguinte lema:

 

“Se há um evento E1 que ocorre periodicamente e ininterruptamente a cada período de tempo t1, e existe uma probabilidade p (onde p>0), de ocorrer outro evento E2 decorrente de E1. Então, se esperarmos tempo suficiente, o evento E2 ocorrerá”.

 

Prova:

A probabilidade q de não ocorrer E2 em um período t1 qualquer é q = (1-p).

Dessa forma:

A probabilidade de não ocorrer E2 no 1.  período é q ;

A probabilidade de não ocorrer E2 nem no 1. e nem no 2. período é (q x q) = q^2;

A probabilidade de não ocorrer E2 nem no 1, nem no 2. e nem no 3. período é (q x q x q) = q^3 ;

 

Assim, a probabilidade Q de não ocorrer E2 em nenhum dos N primeiros períodos será:

Q = q^N  ( q elevado a N-ésima potência).

 

E, portanto, a probabilidade P de ocorrer E2 em pelo menos 1 dos N primeiros períodos será de

1 menos a probabilidade de não ocorrer em nenhum destes períodos, isto é:
P = 1 – Q    =   1 – ( q^N )  =  1 – ( (1-p)^N )  

Como p>1, então q<1, e neste caso quando N cresce Q diminui, e P aumenta. No limite, quando N tende ao infinito, então P tende à unidade, representando 100% de probabilidade de ocorrer o evento E2.

 

Se T é o tempo que toma cada período E2 então podemos calcular o tempo médio TM de ocorrer pelo menos uma vez o evento E2:  TM = T/P. Ou seja, teríamos que esperar um tempo médio de (T/P) para que o evento E2 ocorresse.

 

Vamos agora aplicar este lema no problema do macaco. Suponha que a máquina de escrever do macaco tenha 50 teclas. Vamos calcular a probabilidade do “macaco” digitar a palavra “BOI” e quanto tempo ele levaria para isso.

 

Cada letra, na máquina de escrever do macaco, corresponde a uma probabilidade p de 1/50. Como cada “teclada” do macaco é independente da anterior, já que ele digita aleatoriamente, então as probabilidades são multiplicadas, e a probabilidade do macaco escrever “BOI”, será o produto das probabilidades de cada uma das três letras:

p(“BOI”) = (1/50) x (1/50) x (1/50) = (1/50)^3 = 0,000008

 

A probabilidade de não digitar “BOI” em três “tecladas” será de q=1-p= 0,999992

 

Se o macaco digita, por exemplo, uma tecla por segundo, e se considerarmos o evento periódico E1 como sendo “três tecladas consecutivas do macaco”, que acontece a cada período de 3 segundos, então a probabilidade de ele não digitar “BOI” no primeiro período E1 será de Q=99,9992%; e o de acertar seria de P = 1-Q = 0,0008% ;

A probabilidade de acertar até o 10.           período seria de 1-Q^10          =  0.008%

A probabilidade de acertar até o 100          período seria de 1-Q^100        =  0,08%

A probabilidade de acertar até o 1000        período seria de 1-Q^1000      =  0,79%

A probabilidade de acertar até o 10000      período seria de 1-Q^10000    = 7,6%

A probabilidade de acertar até o 100000    período seria de 1-Q^100000  = 55%

A probabilidade de acertar até o 1000000  período seria de 1-Q^1000000 = 99,9%

 

Ou seja, até o milionésimo período, teríamos uma probabilidade de 99,8% de o macaco escrever “BOI”, e ele demoraria cerca de um mês e meio para esta tarefa. Se a tarefa do macaco fosse o de digitar as obras de Shakespeare, a probabilidade seria bem menor e o tempo bem maior, mas todos finitos. Ou seja, haveria um tempo finito, embora muito maior que a idade do universo, para o macaco completar a tarefa.

 

Vamos aplicar agora o Teorema do Macaco ao nosso Universo. Os Cientistas prevêem dois possíveis destinos para o nosso Universo: Num deles o nosso universo estaria em eterna expansão de modo que a entropia, por fim, o liquidaria. No outro cenário, o universo não se expandiria indefinidamente, e uma fase de contração estaria por vir. Embora as evidência atuais (2008) apontem para um universo em expansão eterna, o cenário pode mudar se novas evidências forem encontradas.

 

Vamos agora supor a hipótese de um Universo pulsante, isto é, o universo explode e “implode” indefinidamente (“Big-Bang-Big-Crunch”). Lembre-se que indefinidamente é muito tempo:- )

 

Se o modelo do universo pulsante for verdadeiro (“Big-Bang-Big-Crunch”), então temos duas possibilidades:

 

1-Cada “Big-Bang” é independente dos demais:

 

Nesse caso, pelo teorema do macaco, tudo o que você pensar que pode acontecer, irá acontecer (se for fisicamente possível). Pense que você vai ganhar na loteria sozinho, e, além disso, descobrir a cura da Aids e do Câncer,  e ser o Cientista mais importante do milênio. Você gostaria? Pois bem: É só esperar. Dentro desta hipótese, o teorema do macaco garante que vai acontecer!

 

2- Cada “Big-Bang” é influenciado pelo “Big-Bang” anterior:

 

Nesse caso, poderíamos ter um “loop-infinito” com as mesmas causas isto é, após certo ciclo de pulsações do universo, o mesmo universo se repetirá e, o q esta acontecendo, por exemplo, agora iria se repetir, ciclicamente, para sempre. (Nesse caso, é bom cuidarmos para termos uma vida feliz, já que ela poderia se repetir ad eternuumm!).

 

 

O “Teorema do Macaco” pode também ser utilizado para explicar o aparecimento do primeiro replicante no “caldo primordial”: suponha que cada centímetro cúbico do caldo primordial correspondesse a um “macaco” fazendo chocar aleatoriamente as moléculas umas contra as outras. Cada choque de molécula corresponderia a uma “teclada do macaco” que poderia formar ou não um “texto” que fosse auto-replicante. O objetivo seria formar o primeiro replicador. Note que não teríamos apenas um único macaco, pois o caldo primordial deveria ter bilhões de metros cúbicos de volume o que acarretaria uma boa quantidade de “macacos” teclando suas máquinas. Podemos então afirmar que a probabilidade de formar a primeira molécula replicante é muito maior que a de um único macaco, e, além disso, podemos esperar bilhões de anos para pelo menos um destes “macacos” conseguirem alguma coisa.

 

 

Palavras-chave: Big-Bang-Big-Crunch, Probabilidade, Teorema do Macaco, Universo Cíclico

Postado por João Carlos Holland de Barcellos em Ateus e Ateísmo | 1 comentário

Julho 17, 2009

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A Crença em um Deus, como vimos acima, não apenas nos afasta do bom senso, da lógica e da verdade, mas também pode nos induzir a atos insanos como, por exemplo,  à Inquisição, às Cruzadas e, atualmente, “homens-bombas”, entre outros. Para entendermos a lógica por trás destes atos insanos propelidos pela fé irracional, mostraremos, a seguir, dois exemplos (fictícios): “O Mártir Cristão Jocaxiano” e “O Estuprador Espírita”. Tais comportamentos motivados pela crença irracional, apesar de seguirem uma lógica clara, produzirão resultados desastrosos. A explicação é que as suas premissas, isto é, as crenças em que se baseiam estão erradas, e apesar da lógica ser cristalina, se as premissas são errôneas as conclusões podem ser catastróficas [1].

 


I.3 - O Mártir Cristão Jocaxiano

 

O Mártir Cristão Jocaxiano (MCJ) é uma excelente pessoa: um católico devoto de Deus e um ótimo pai. O MCJ quer o melhor para sua família e seus filhos, e fará tudo a seu alcance para dar o melhor a eles.

 

Pensando no futuro de seus filhos, MCJ recentemente teve uma excelente idéia: ele sabe que seus filhos ainda são crianças inocentes e, como um crente religioso fervoroso, também sabe que o paraíso é infinitamente melhor que a Terra e, portanto, o melhor lugar para se estar. Diante disso, MCJ tem um plano de mandar seus filhos para lá, porque isso garantiria a felicidade deles já, ao lado de Deus, além de evitar que, porventura, pudessem pecar e ir ao inferno.

 

MCJ sabe que para executar seu plano ele terá de matar seus filhos, mas isso não é problema, pois a vida aqui na Terra não é nada perante a eternidade no paraíso e seus filhos ficarão eternamente gratos por terem sido mandado a um lugar tão bom, ao lado de Deus.

MCJ, como um assíduo leitor da bíblia, tem consciência de que matar é pecado e que, quando mandar seus filhos ao paraíso, ele próprio irá para o inferno. Mas, como um bom pai, ele pensa primeiro em seus filhos e, por isso, vai assumir este martírio. Porém,  ainda tem uma esperança, pois, satisfazendo o desejo de Jesus - “Venham a mim as crianças” – e fazendo isso pelo bem delas, poderá, quem sabe, ter o perdão divino.

Como bom homem, MCJ está estudando, pela internet, confecção de bombas. Ele pretende também levar mais crianças ao paraíso colocando uma enorme bomba na maior escola infantil de seu bairro. Assim, fará o bem não apenas aos seus filhos, mas também às outras crianças.

Às vezes MCJ se pergunta como ninguém havia pensado nisso antes, e acha que só não foi feito porque não acreditavam realmente no paraíso, ou porque eram demasiadamente egoístas por temerem a danação eterna ao bem dos outros. MCJ sabe que Hitler também levou milhões de inocentes diretamente ao paraíso, para perto de Jesus e, por isso, vai escrever uma carta ao Papa propondo a sua canonização.

--//--


 

I.4- O Estuprador Espírita

 

O homem-pedófilo, espírita, andando pela calçada, vê uma criança e sente um desejo enorme de possuí-la. Mas, como adepto do espiritismo, ele não sabe se a criança MERECE ser estuprada ou não.

 

Então, ele começa a pensar:

 

"-Quem sabe aquela criança não é uma alma MÁ que PRECISA SER CASTIGADA pelo que cometeu em suas vidas passadas?"

 

"-Quem sabe ela não estuprou, ou empalou e matou milhares em suas vidas passadas?”

 

“-Como posso saber se ela MERECE ser castigada pelo que fez ou não?"

 

Ele reflete mais um pouco. Enquanto isso seu desejo aumenta, ele reflete um pouco mais, buscando mais dados em seu conhecimento sobre espiritismo:

 

"-Meu espírito viveu por um longo tempo e por muitas vidas eles sabem o que aconteceu no passado, a verdade! Se eles estão me EMPURRANDO através de meu desejo sexual para estuprar aquela criança, por certo é por que COM CERTEZA ela é CULPADA, e FEZ ALGO MUITO RUIM em suas vidas passadas!"

 

E finalmente conclui:

 

"-Mas eu nem deveria me preocupar com isso, se Deus e nem ninguém não me impedirem de praticar o ato, isso é simplesmente porque a criança MERECE MESMO sofrer!"

 

"-No espiritismo, nenhum sofrimento é em vão, todo sofrimento tem uma razão de existir!"

 

“-Ela deve sofrer uma EXPIAÇÃO!”

 

Decidido a castigar a criança MALÉVOLA e, claro, saciar seu desejo sexual, ele agarra a criança a leva para um local ermo onde a estupra covardemente!

 

Por fim, pensa:

 

"-ESTÁA FEITO! TEVE A EXPIAÇÃO QUE MERECEU, A DESGRAÇADA ! "

"-Obrigado meu espírito por me dizer o que fazer!"

“-Obrigado meu Senhor por ter me permitido fazer a justiça!”

 

Certo de que praticou um ato justo, vai embora.

 

Nisso, passa um senhor, também espírita, e vê a criança que acabou de ser estuprada, agonizando. Como ele é um adepto do espiritismo logo conclui:

 

"-QUE CRIANCA MALDITA!"

"-ERA TÃO PECADORA QUE TEVE A EXPIAÇÃO QUE MERECEU!"

"-MAS ACHO QUE AINDA NÂO FOI O SUFICIENTE!"

 

Ele vai até onde agonizava a criança, pega a sua caneta do bolso e a enfia no pescoço da criança, fazendo-a morrer sufocada pelo seu próprio sangue...

 

"-Agora sim maldita! Teve finalmente o que merecia!"

"-Só uma alma MUITO MÁ NO PASSADO poderia ter sofrido um castigo como este!"

“-Isso só prova que você era realmente uma alma MUITO Má!”

 

Dá então uma cuspida no rosto da criança morta, e vai embora achando que cumpriu seu dever de educar e fazer evoluir a pobre alma...

--//--

Palavras-chave: Ateísmo, Crença, Estuprador Espirita, Martir Cristao Jocaxiano

Postado por João Carlos Holland de Barcellos em Ateus e Ateísmo | 79 comentários

Julho 14, 2009

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Folha de São Paulo, domingo, 12 de julho de 2009

Esoterismo quântico

Novo livro do cientista Victor Stenger ataca os gurus que mistificam conceitos
da física para dar verniz de ciência a suas crenças

PABLO NOGUEIRA
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Tanto os fãs ardorosos dos documentários "Quem somos nós" e "O Segredo" quanto
os espectadores que consideraram esses filmes um desfile de bobagens requentadas
do movimento Nova Era podem tirar algum proveito do novo livro do físico
americano Victor Stenger. "Quantum Gods" (Deuses Quânticos) se destina
justamente a atacar a crença de que as modernas teorias cientificas são
perfeitamente compatíveis com toda forma de prática esotérica.

O livro é uma resposta direta a ambos documentários, nos quais cientistas,
médicos, religiosos e gurus de auto-ajuda recorrem a conceitos da mecânica
quântica -ramo da física que explica o comportamento da matéria a níveis muito
pequenos- e de outras ciências para abordar temas místicos como poder do
pensamento, carma, vida após a morte etc.

Desde o fim dos anos 1980, Stenger tem militado na corrente neoateísta que tem
no biólogo Richard Dawkins e no filósofo Daniel Dennett suas faces mais
conhecidas. Seu novo livro começa fazendo um breve e irônico levantamento das
idéias defendidas pela nova onda de gurus quânticos.

Stenger dá destaque a Amit Goswami, físico indiano bastante popular no Brasil,
tendo sido entrevistado duas vezes no programa Roda Viva, da TV Cultura. Mas até
o Dalai Lama é citado, devido a seu livro "O Universo num Só Átomo". O líder
tibetano, porém, é abordado de forma respeitosa.

Já o fundador da meditação transcedental, o físico e guru indiano Maharishi Yogi
(1917-2008) recebe chumbo pesado. David Bohm e Fritjof Capra, cientistas que não
aparecem nos filmes, mas que são pioneiros do encontro da Mecânica Quântica com
a Nova Era, também não escapam ilesos.

Divulgador experiente, Stenger inclui no livro seções que formam uma curta mas
substanciosa história da ciência. Isso permite a um leigo tomar pé do debate
sobre problemas teóricos complexos, mas deixa passar a chance de desmontar
detalhadamente afirmações supostamente científicas com as quais o espectador se
depara em "Quem somos nós".

Em vez de tentar negar, por exemplo, a afirmação de Goswami de que a consciência
é o fundamento do Universo, ele prefere repassar a história da criação da física
de partículas. Em vez de contestar os experimentos de Masaru Emoto, que afirma
que as moléculas de água podem ser alteradas pela força do pensamento, ele
descreve os fracassos obtidos em testes de parapsicologia.

É como se Stenger acreditasse que uma apresentação criteriosa de conceitos
complicados, como o emaranhamento quântico, será o suficiente para que os
leitores possam, por si só, perceber os pontos em que Capra, Goswami e companhia
estão "forçando a barra".



Em benefício da dúvida

Só que o mais provável é que o leitor leigo se sinta incapaz de chegar a uma
conclusão por conta própria. Neste caso, provavelmente a leitura apenas terá
colaborado para aumentar suas dúvidas. Porém, isso, por si só, já pode ser algo
positivo. Afinal, uma das maiores objeções que se pode fazer a "Quem somos nós"
é que o filme não avisa aos espectadores que as posições ali apresentadas são,
no mínimo dos mínimos, controversas, e que não são endossadas pela imensa
maioria da comunidade cientifica.

Stenger oferece aos leitores a visão acadêmica destes mesmos temas, numa
linguagem acessível. Saber que existe uma outra visão (na verdade várias) da
mecânica quântica pode ser uma grande novidade para muitos dos fãs de "Quem
somos nós", que fizeram dele o quinto documentário mais lucrativo da história
dos EUA.

O livro analisa também as idéias de outros grupos que, volta e meia, recorrem à
mecânica quântica para sustentar suas idéias. Ilya Prigogine, prêmio Nobel de
química de 1977 e herói da corrente acadêmica conhecida como
transdiciplinaridade, é diretamente contestado. Prigogine afirma que os
processos termodinâmicos não podem ser abordados através do tradicional
reducionismo metodológico tão caro à ciência moderna pois, neste caso, esses
processos não seriam reversíveis no tempo.

Stengers afirma que, por princípio, todos os processos físicos são reversíveis
temporalmente, e que Prigogine "está completamente errado, mesmo tendo ganho um
prêmio Nobel". Também sobram críticas para a parapsicologia e para os teólogos
que investigam o mundo microscópico em busca de sinais da ação do Deus cristão,
ou de algo próximo a ele.



Sobrecarga

Ao mirar em tantos objetivos diferentes, o autor sofre do ônus de ter poucas
páginas para devassar temas muito variados e complexos. Sem o espaço necessário
para uma exposição mais adequada, sua argumentação soa, em vários momentos,
concisa demais. Mas há um motivo para isso: em livros anteriores ele já investiu
diretamente contra criacionistas, adeptos do Design Inteligente, da
parapsicologia etc. Aqui, em certos momentos onde seria necessário um maior
aprofundamento, ele se limita a se referir a sua própria obra.

No final do livro, Stenger argumenta diretamente contra a existência de qualquer
tipo de divindade. Sua visão do fenômeno religioso lembra um pouco a de Dawkins,
restringindo-se a análise de certos estereótipos. Nada disso, porém, chega a
comprometer a consistência do livro. Stenger tem o conhecimento científico e a
expertise literária necessários para apresentar um bom contra-ponto à febre de
física Nova Era que continua circulando pelo planeta, Brasil inclusive.



LIVRO - "Quantum Gods"

Victor Stenger; Prometheus Books, 292 págs., US$ 27,00

Postado por João Carlos Holland de Barcellos em Ateus e Ateísmo | 1 usuário votou. 1 voto | 9 comentários

Fevereiro 12, 2009

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Do "Deus-Lua" a "Deux"

Jocax, Fev de 2009

 

 

Resumo: Este pequeno ensaio procura traçar a evolução das crenças religiosas através do tempo em função da evolução cultural e mental.

 

Palavras Chaves: Deuses, Crenças, Religiões, Evolução cultural, medo da morte, meta humana, objetivo final, Deux.

 

 

Introdução

 

Se formos estudar a história da humanidade e suas crenças religiosas, perceberemos alguma evolução.

 

A evolução da crença humana é produto do seu desenvolvimento intelectual, do crescimento de seu cérebro e de sua inteligência lógica.

 

Inicialmente, o "homem", como ancestral de primitivos hominídeos, não deveriam ter crenças em absoluto, assim como,imagina-se, uma barata também não tenha crenças.

 

Posteriormente, com a evolução do cérebro humano, o homem começa a perguntar sobre as origens das coisas e a “antropomorfizar” os elementos da natureza, transformando-os em deuses: “Deus-Sol”, “Deus-Lua”, “Deus-Trovão” etc..

 

O desenvolvimento da religiosidade, claro, também está fortemente atrelado a cultura em que o homem esta imerso. Mesmo em pleno século XXI, por exemplo, existem tribos indígenas [1] que ainda acreditam nos mesmos deuses que seus antepassados de milhares de anos antes deles, pois, por serem povos culturalmente isolados, não sofreram influencia cultural de outras civilizações.

 

Deuses Metafísicos

 

Com a evolução da ciência, e a descoberta dos processos físicos que explicam os principais fenômenos da natureza, os “deuses-naturais” perderam a força, e foram cedendo lugar para os deuses metafísicos.

 

Deuses metafísicos teriam poder de controlar os elementos naturais, mas já não seriam, eles próprios, tais elementos nem residiriam no plano físico. Estas crenças tiveram seu apogeu na civilização grega, onde dezenas de deuses habitavam o Olimpo- a morada dos deuses.

 

Contudo, devido ao efeito Flynn [2] – que constata que a inteligência humana sobe cerca de 20 pontos por geração- ficava cada vez mais evidente a não necessidade e a irrelevância da antropoformização dos deuses: Por que deuses precisariam ter moradia e outros elementos tão humanos?

 

Assim, substituindo a grande família de deuses, surgiram as religiões monoteístas com seu único deus. Agora, as principais religiões do mundo são monoteístas, como, entre outras, as religiões cristãs, muçulmanas, judaicas etc. Entretanto, novamente, com o avanço da ciência e do QI médio da população, tais credos estão ficando cada vez mais incompatíveis com os fatos científicos, pois as escrituras sagradas que lhes doa a base são postas à prova a cada avanço feito pela ciência. O crente fica cada vez mais espremido entre seus textos sagrados, por um lado, e os fatos científicos, por outro. Muitos, para defenderem suas crenças, começam a se alienar, a se afastarem dos assuntos científicos para não por, mais uma vez, suas necessidades espirituais em confronto com a ciência. Tal afastamento da ciência também produz uma espécie de dicotomia cultural aonde “tribos” de crentes vão se formando.

 

Não é por outra razão que pessoas com um pouco mais de inteligência e/ou cultura cientifica, tendem a buscar alguma segurança para suas necessidades espirituais em doutrinas que dizem ter algum respaldo na ciência. Este é o caso das religiões que alegam possuir algum respaldo científico como, por exemplo, o Espiritismo, a Cientologia, o Kardecismo, entre outras.

 

Mas a evolução cultural e o “efeito flynn” não cruzaram os braços. Embora ainda se encontre pessoas que acreditam desde a “Deus-Lua” até o “deus-espírito”, a tendência, no médio prazo, é uma migração destas crenças no sentido de se obter algum "respaldo" cientifico. Mesmo que tal "respaldo" não passe de um embuste e uma deturpação da ciência materialista para propósitos escusos, como os de encobrir o medo da morte e o terrível “nada” que lhe sucede.

 

Florescimento do Ateísmo

 

Dentro deste fervilhante ambiente evolutivo cultural, biológico e memético, o ateísmo floresceu. No ateísmo, pelo menos, não há escrituras sagradas que desafiam a ciência, nem existem contradições lógicas. Por outro lado, também não há nada a oferecer em relação à necessidade humana de esperança à morte. Creio que por esta razão o ateísmo não cresce a uma taxa ainda mais alta. A maioria dos ateus são pessoas que simplesmente não conseguem se enganar com a imortalidade de uma "alma eterna", sendo que não há evidências nem razão lógica para sua existência. Para muitos, ser ateu é mais uma questão de não conseguir crer do que de não se querer crer.

 

Órfãos da "Matrix Religiosa" os ateus sobrevivem num mundo real e sem muita esperança, embora orgulhosos de estarem em paz com sua consciência por saberem que, ao menos, estão sendo honestos consigo mesmos.

 

Entretanto, os ateus “puros”, isto é, os que não mesclam ateísmo com alguma outra ideologia ou filosofia de vida, podem ser comparados, de certa forma, como “cães desgarrados”: uma vida sem uma ideologia é como uma vida “animal” vive-se pelo prazer e pela felicidade, ao sabor dos ventos, sem um guia de vida ou um objetivo “maior” a seguir. Contudo acredito que a maioria acaba se engajando em algum tipo de ideologia ou movimento político como - e principalmente - movimentos ambientalistas em defesa da natureza ou da vida. Embora não haja nada de errado em não se ter ideologias ou algum objetivo “maior” além de viver a sua própria vida, acredito que as pessoas são mais felizes quando possuem uma meta além da de suas próprias vidas.

 

Ideologias Atéias

 

Um pouco mais além do ateísmo temos algumas outras doutrinas sem deus como o genismo e, talvez, o budismo. No genismo, por exemplo, tem-se alguma sobrevida após a morte. Já que, se a vida não se extinguir em nosso planeta, nossos genes ainda permanecerão nos seres vivos, principalmente nos mais aparentados conosco. Assim, os genes existem e, pelo genismo, a morte de nossos corpos ainda não é o nosso fim. Nesse caso há uma sobrevida e um pouco mais de esperança. Além disso, a biologia evolutiva e a psicologia evolucionista são compatíveis com esta doutrina já que ambas estão centradas na preservação genética e não na preservação do fenótipo, ou mesmo da consciência.

 

Deux

 

Entretanto, o genismo é algo localizado, restrito à vida, e universalmente pouco abrangente. Sociedades de robôs, autômatos e computadores, por exemplo, poderão ter uma consciência avançada e não possuírem genes. Como poderia ser uma ideologia universal, maior, mais abrangente e ainda ser uma meta de todos os seres sencientes?

 

Esta noção de uma ideologia abrangente deveria ser pautada pela maximização da felicidade universal. Esta ideologia já existe, e é conhecida como “Projeto Felicitax” [3].

 

Nesse projeto, nosso próprio prazer e felicidade deixam de ser importante frente a uma meta de felicidade de bilhões de bilhões de vezes superior à nossa.

 

Para tanto o projeto Felicitax propõe a construção de Deux. Deux seria um ser, ou vários seres interconectados, cujo objetivo primordial é maximizar a felicidade do universo.

 

Para isso Deux poderia tentar maximizar sua própria felicidade se auto-evoluindo num ritmo exponencial. Todos os recursos seriam utilizados nessa maximização que, para isso, necessitaria também do máximo conhecimento já que a própria evolução seria feita com base no conhecimento por Ele adquirido.

 

Deux poderia ser criado por uma sucessão de clones biológicos cada vez mais aprimorados ou através de sistemas de computadores que se auto-construiriam. De qualquer forma, o objetivo seria a felicidade máxima do universo. Não há a necessidade de estarmos fisicamente lá, junto a Deux. Da mesma forma que sentimos satisfação e alegria por nossos filhos estarem bem e em segurança, mesmo que estejamos passando necessidades, poderemos, da mesma forma, sentir alguma felicidade se soubermos que Deux vai ser construído e tornar-se real. É possível que Ele já esteja “vivo” em alguma civilização extraterrena e assim um dia poderá vir aqui sugar todos os nossos recursos para incorporar na felicidade universal que Ele patrocina: ó glória!

 

 

Referências

 

[1] Vida e Cultura Ashaninka do Alto Juruá na Amazônia

http://www.arara.fr/BBTRIBOASHANINKA.html

 

[2] Efeito Flynn

http://groups.yahoo.com/group/Genismo/message/6498

 

[3] Projeto Felicitax e a construção de Deux

http://stoa.usp.br/mod/forum/forum_view_thread.php?post=42442

 

 

 

 

 

 

Palavras-chave: Ateísmo, Crenças, Deuses, Deux, Evolução das Crenças, Projeto Felicitax, Religiões

Postado por João Carlos Holland de Barcellos em Ateus e Ateísmo | 5 comentários

Fevereiro 11, 2009

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O Princípio Destrópico

 Por Jocax ( extraído do livro do Genismo) 

Resumo: O “Princípio Destrópico” é um argumento que estabelece que todo universo é equiprovável, e a possibilidade de vida não é uma característica mais especial que outra qualquer. Isso vai de encontro ao “princípio antrópico” quando este é utilizado para argumentar que existe a necessidade de uma divindade, ou de múltiplos universos, para explicar a configuração de nosso universo, em particular, a de poder abrigar vida.

 

Vou colocar uma nova refutação ao “princípio antrópico” quando este é utilizado como argumento da necessidade de uma deidade, ou de múltiplos universos, para explicar a vida em nosso universo. O argumento que irei elaborar eu já havia esboçado no meu artigo anterior sobre o tema: "O Principio Antrópico e o Nada-Jocaxiano" [1], mas agora irei aprofundar um pouco mais em sua análise.

 

O argumento não é muito intuitivo, e por isso lançaremos mão de uma analogia para entendermos a idéia que está por trás. Antes, porém, vou resumir o que é o principio antrópico, e como ele é utilizado pelos criacionistas, e religiosos em geral, para justificar Deus:

 

Introdução

 

As leis da física, geralmente escritas em forma de equações matemáticas, são consideradas as responsáveis pelas características do universo e sua evolução no tempo. Estas leis, como nós as conhecemos hoje, são compostas por equações em que aparecem algumas constantes numéricas (parâmetros). Como exemplo, podemos citar, entre outras: a velocidade da luz, a massa do elétron, a carga elétrica do próton etc. [2].

 

Argumenta-se, - sem demonstração -, que uma pequena alteração (também não se esclarece qual a magnitude desta alteração) em alguma destas constantes inviabilizaria a possibilidade de vida no universo. Os que argumentam isso também concluem que um universo criado com constantes físicas geradas ao acaso, dificilmente poderia proporcionar vida.

 

Colher de chá

 

A bem da verdade, precisamos observar que um universo com leis aleatórias não precisariam seguir o padrão de leis físicas que temos em nosso universo, isto é, as equações matemáticas que definiriam um universo gerado aleatoriamente, poderiam ser totalmente distintas das que temos no nosso universo atual (em princípio tais universos nem precisariam ser descritos por equações matemáticas), de modo que os parâmetros que temos hoje não se aplicariam em nenhuma das equações deste universo aleatório. Dessa forma, é totalmente FALSO alegar que todos os universos possíveis podem ser descritos mantendo as mesmas equações do nosso universo particular, e variando apenas as constantes que nele aparecem.

 

Entretanto, para podermos refutar o “princípio antrópico”, em sua própria base de sustentação, iremos aqui considerar como verdade que todos os universos possíveis mantenham a mesma estrutura de equações de nosso universo. Também iremos supor que estas equações sejam verdadeiras, mas sabendo de antemão que isso não é verdade, uma vez que há incompatibilidade teórica entre a teoria da relatividade e a mecânica quântica. Além disso, também suporemos que seja verdade, embora ninguém ainda tenha demonstrado, que qualquer alteração de uma das constantes fundamentais inviabilize a possibilidade de vida.

 

Uma analogia

 

Para entendermos a idéia do “Princípio Destrópico”, faremos uma analogia das equações que regem os vários universos possíveis, com os números reais. Vamos supor que cada um dos universos possíveis possa ser representado, por um número real entre zero e dez. Podemos justificar isso se pensarmos que podemos concatenar todas as constantes fundamentais num único parâmetro numérico.

 

Nessa nossa analogia, o parâmetro “4,22341”, por exemplo, representaria um universo U1, que por sua vez seria diferente de um universo U2, representado pelo parâmetro “6,123333...”, e assim por diante. Assim, cada um desses parâmetros numéricos definiria completamente as características do universo por ele representado.

 

Vamos supor que exista uma máquina que gere, aleatoriamente, números reais entre zero e dez. Cada número gerado seria o parâmetro que definiria um universo. Podemos perceber que é ínfima, praticamente nula, a possibilidade de prevermos qual número a máquina irá gerar. Entretanto, certamente a máquina irá gerar um número.

 

 Suponha que nosso universo seja representado por U1 (“4,22341”). Podemos então perguntar: qual a probabilidade de que o número do nosso universo seja escolhido, sendo que há uma infinidade de outros possíveis?  Há infinitos números reais entre zero e dez, assim é praticamente impossível prever que o número “4,22341”, que é o parâmetro que define as características de nosso universo, seja escolhido.

 

Assim, quando a máquina gerar um número, representando um parâmetro do universo, a resposta à pergunta: “Quão provável seria a geração de um universo como o nosso?”, deverá ser “Tão provável quanto à de gerar qualquer outro universo específico”.

 

Equiprovável

 

Nesse nosso modelo de geração aleatória de universos, todos os universos são equiprováveis, pois qualquer número real entre zero e dez teria a mesma probabilidade de ser gerado. Nenhum universo é mais provável de ser gerado que um outro qualquer. Dessa forma, qualquer que fosse o número gerado pela máquina, ele seria tão improvável de ser previsto ou acertado como qualquer outro número. Podemos então concluir que o nosso universo é tão provável de ser gerado como qualquer outro.

 

 

Vida

 

Mas alguém pode retrucar:

“-O nosso universo é o único em que há possibilidade de vida”.

 

A possibilidade de vida é uma peculiaridade de nosso universo. Qualquer outro universo gerado também teria suas peculiaridades específicas. Por exemplo: talvez algum deles pudesse ser formado por minúsculas bolinhas de cristais coloridos cintilantes, outro poderia formar gosmas elásticas, outros, esferas perfeitas, e assim por diante. Se, por exemplo, o universo gerado produzisse bolinhas de cristais cintilantes de cor azul, então  poderíamos fazer a mesma exclamação:

“- Apenas nesse universo se produz bolinhas cintilantes!”

Ou então:

“-Apenas neste universo há possibilidade de se produzir estas gomas elásticas!”

 

E assim sucessivamente. Para nós, humanos, a vida pode ser mais importante do que bolinhas cintilantes, ou do que gosmas elásticas, mas isso é apenas uma valoração humana. Não há nenhuma razão lógica para supor que um universo com vida seja mais importante do que um universo que produza bolinhas de cristais cintilantes, ou gosmas elásticas.

 

Portanto, não podemos alegar que nosso universo seja especial e único, pois ele é tão especial e único quanto qualquer outro universo que fosse gerado aleatoriamente. Todos teriam suas características únicas, geradas por suas constantes físicas também únicas.

 

Outro Formalismo

 

Para clarear esta idéia vamos refazer nosso argumento utilizando um outro formalismo:

Suponha que os universos sejam descritos por seis constantes fundamentais, (o número exato não importa, o raciocínio que faremos serve para qualquer número de constantes).

 

Assim, qualquer Universo U poderia ser definido por um sistema de equações que utilize de seis constantes básicas. Vamos representar essa dependência da seguinte forma:

 

U= U (A, B, C, D, E, F).

 

Particularmente, o nosso universo, U1, é descrito neste formalismo como:

U1= U (A1, B1, C1, D1, E1, F1)

 

Agora, considere um Universo U2 com constantes diferentes de U1:

 

U2 = U (A2, B2, C2, D2, E2, F2)

 

Como U1, por definição, contém os parâmetros do nosso universo, ele vai gerar um universo que pode abrigar “vida”, mas não pode gerar um “voda”. Da mesma forma, U2 pode gerar “voda”, mas não pode gerar “vida”. “voda” é uma característica qualquer de U2, como por exemplo, a de poder formar um grupo de partículas onde a densidade seja exatamente 0,12221 (um número qualquer). Apenas U2 pode gerar um “voda”, e qualquer mudança de parâmetros inviabilizaria a geração de “voda”.

 

Claro que, da mesma forma, um outro universo, U3, com outras constantes:

U3 = U (A3, B3, C3, D3, E3, F3)

 

Também não viabilizaria “vida”, e nem “voda”, mas viabilizaria “vuda”.

“vuda” é uma condição física que ocorre quando as partículas estão submetidas ao regime de forças geradas pelas constantes de U3 (A3... F3). E qualquer alteração numa destas constantes de U3 inviabilizaria “vuda”.

 

Note que não existe uma importância INTRÍNSECA se o universo irá gerar “vida”, “voda” ou “vuda”.  Para a máquina geradora, ou para o próprio universo, isso não faz nenhuma diferença. Mesmo por que o universo ou a máquina aleatória não tem consciência ou desejos. Para a máquina, o que difere é o valor das constantes fundamentais, e não o que elas irão ou não gerar. É irrelevante para a máquina geradora, e mesmo para o universo gerado, se ele poderá abrigar vida, "voda", "vuda" ou apresentar qualquer outra peculiaridade. Cada universo tem sua própria característica. Se U1 permite “vida” ele não permite “voda” nem “vuda”, se U2 permite “voda” ele não permite “vida” nem “vuda”, se U3 permite “vuda” ele não permite “vida” nem “voda”. E assim ocorre para qualquer universo gerado.

 

Desta forma podemos perceber que nosso universo não tem nada de especial porque nada é intrinsecamente especial. “vida” é tão importante como “voda” ou “vuda”.  O universo não está preocupado se “voda” gera consciência ou não gera, nem se “vuda” gera um aglomerado de brilho amarelo incrível que nunca existiria em U1. Ou que “voda” gere micro pirâmides coloridas de brilho próprio de indescritível beleza. Isso pode importar para os humanos, pequenos seres egocêntricos de U1 que dão importância à “vida”, talvez porque também são vivos.

 

Assim, a probabilidade de gerar um universo que tenha “vuda” é equivalente a um outro que possua “vida” ou “voda”. Não há nada de miraculoso ou mágico em nosso universo que o torne REALMENTE especial. Portanto, não tem sentido dizer que a probabilidade de nosso universo ser assim seja obra de alguma divindade. Qualquer que fosse o universo gerado, a probabilidade de ele ter exatamente aquela característica é a mesma que a de o nosso ser exatamente como é.

 

É como escolher aleatoriamente um número real entre zero e dez: Todos são igualmente prováveis e difíceis de serem escolhidos, nenhum é mais ou menos especial que os outros.

 

Palavras-chave: Princípio Antrópico, Princípio Destrópico, probabilidade da vida., Universo, vida

Postado por João Carlos Holland de Barcellos em Ateus e Ateísmo | 2 comentários

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