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fevereiro 20, 2011

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Postado por Narumi Abe

Acabei de reler O Sinal dos Quatro, um dos meus livros favoritos de quando eu era pequenino (devo ter lido umas vinte vezes). A diferença é que desta vez eu li a versão sem cortes que mostrou um Sherlock Holmes viciado em cocaína. O livro me fez lembrar do House MD, meu personagem favorito da TV. Procurando por aí, vi que o seriado do médico sarcástico foi bastante inspirado no detetive mais famoso do mundo. Veja algumas referências: 

- Os dois são viciados. Holmes em cocaína (e ópio e morfina) e House em Vicodin.

- Holmes e House começam com a letra H. Assim como as iniciais dos seus respectivos melhores amigos: Dr. John Watson e Dr. James Wilson.

Eu nunca disse "Elementar, meu caro Watson"

- Tanto House como Holmes são muito arrogantes, além de frios e antisociais, exceto com os amigos. 

- Ambos tem um grande poder de observação. Podem deduzir várias coisas apenas observando pessoas e cenários.

- Holmes morava em Baker Street 221b. Em um dos episódios, a câmera mostra a porta da casa do House. Também 221b.

- House foi inspirado em Sherlock. E Sherlock foi inspirado em um médico. 

- A primeira paciente de House chama-se Rebecca Adler. Um dos personagens do primeiro curta de Sherlock chamava-se Irene Adler.

- No episódio final da segunda temporada, House é baleado por um homem chamado Moriarty. Professor Moriarty é o maior inimigo de Sherlock.

Todo mundo mente

- Na quarta temporada, no episódio "It's a wonderful lie", House ganha a Segunda Edição Conan Doyle de presente de natal.

- No episódio "The Itch" da quinta temporada, House pega as chaves e o Vicodin de cima do livro As memórias de Sherlock Holmes.

- Em outro episódio da quinta temporada ("Joy to the world"), House usa um livro que ganhou de Wilson para enganar a equipe. O livro foi escrito por Joseph Bell, médico que inspirou Conan Doyle a criar o personagem Sherlock Holmes. Wilson diz a equipe que o livro foi um presente dado por uma suposta paciente chamada Irene Adler.

David Shore, criador de House, disse que é um grande fã de Sherlock. É legal ver easter-eggs escondidos dentro dos episódios. :D

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fevereiro 14, 2011

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Postado por Narumi Abe

Li esse texto genial a um tempão atrás, mas nunca achei o autor original. Alguns dizem que foi Niels Bohr. Outros dizem que foi Alexander Calandra. Vale a pena ler, o texto é tão legal que existem traduções em vários idiomas.

 

* * * * *

Há algum tempo recebi um convite de um colega para servir de árbitro na revisão de uma prova. Tratava-se de avaliar uma questão de Física que recebera nota zero. O aluno contestava tal conceito, alegando que merecia nota máxima pela resposta, a não ser que houvesse uma "conspiração do sistema" contra ele.

Professor e aluno concordaram em submeter o problema a um juiz imparcial, e eu fui o escolhido. Chegando à sala de meu colega, li a questão da prova que dizia: 

Mostre como se pode determinar a altura de um edifício bem alto com o auxílio de um barômetro.

A resposta do estudante foi a seguinte:

"Leve o barômetro no alto do edifício e amarre uma corda nele; baixe o barômetro até a calçada e em seguida levante, medindo o comprimento da corda; este comprimento será igual à altura do edifício".

Sem dúvida era uma resposta interessante, e de alguma forma correta, pois satisfazia o enunciado. Por instantes vacilei quanto ao veredicto.

Recompondo-me rapidamente, disse ao estudante que ele tinha forte razão para ter nota máxima, já que havia respondido a questão completa e corretamente. Entretanto, se ele tirasse nota máxima, estaria caracterizada uma aprovação em um curso de física, mas a resposta não confirmava isso. Sugeri então que fizesse uma outra tentativa para responder a questão.



Tenho mil e uma utilidades!


Não me surpreendi quando meu colega concordou, mas sim quando o estudante aceitou encarar aquilo que, eu imaginava, seria um bom desafio para ele. Segundo o acordo, ele teria seis minutos para responder a questão, isto após ter sido prevenido de que sua resposta deveria mostrar, necessariamente, algum conhecimento de física. Passados cinco minutos ele não havia escrito nada. Apenas olhava pensativamente para o forro da sala.

Perguntei então se desejava desistir, pois eu tinha um compromisso logo em seguida e não tinha tempo a perder. Fiquei ainda mais surpreso quando o estudante anunciou que não havia desistido. Na realidade, tinha muitas respostas e estava justamente escolhendo a melhor.

Pedi desculpas pela interrupção e solicitei que continuasse. No momento seguinte ele escreveu esta resposta:

"Vá ao alto do edifico, incline-se numa ponta do telhado e solte o barômetro, medindo o tempo t de queda desde a largada até o toque com o solo. Depois, empregando a fórmula h = (1/2)gt², calcule a altura do edifício".

Perguntei então ao meu colega se ele estava satisfeito com a nova resposta, e se concordava com a minha disposição em conferir praticamente a nota máxima à prova. Concordou, embora sentisse nele uma expressão de descontentamento, talvez inconformismo.

Ao sair da sala, lembrei que o estudante havia dito ter outras respostas para o problema. Embora já sem tempo, não resisti à curiosidade e perguntei a ele quais eram essas respostas.

"Ah!, sim," - disse ele - "há muitas maneiras de se achar a altura de um edifício com a ajuda de um barômetro". Perante a minha curiosidade e a já perplexidade de meu colega, o estudante desfilou as seguintes explicações.

"Por exemplo, num belo dia de sol pode-se medir a altura do barômetro e o comprimento de sua sombra projetada no solo, bem como a do edifício. Depois, usando-se uma simples regra de três, determina-se a altura do edifício".
"Um outro método básico de medida, aliás, bastante simples e direto, é subir as escadas do edifício fazendo marcas na parede, espaçadas da altura do barômetro. Contando o número de marcas ter-se-á a altura do edifício em unidades barométricas".
"Um método mais complexo seria amarrar o barômetro na ponta de uma corda e balançá-lo como um pêndulo, o que permite a determinação da aceleração da gravidade (g). Repetindo a operação ao nível da rua e no topo do edifício, tem-se dois g's e a altura do edifício pode, a principio, ser calculada com base nessa diferença".
"Finalmente se não for cobrada uma solução física para o problema, existem outras respostas. Por exemplo, pode-se ir até o edifício e bater a porta do síndico. Quando ele aparecer; diz-se: - Caro Sr. síndico, trago aqui um ótimo barômetro; se o Sr. me disser a altura deste edifício, eu lhe darei o barômetro de presente".

A esta altura, perguntei ao estudante se ele não sabia qual era a resposta "esperada" para o problema. Ele admitiu que sabia, mas estava tão farto com as tentativas dos professores de controlar o seu raciocínio e cobrar respostas prontas com base em informações mecanicamente arroladas, que ele resolveu contestar aquilo que considerava, principalmente, uma farsa.

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fevereiro 08, 2011

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Postado por Narumi Abe

 

 

Esse texto é em resposta ao post de um blog aqui mesmo do stoa: “Ciência não é contra religião”. Preferi responder aqui em vez de escrever nos comentários, pois assim consigo manter melhor meus arquivos, adicionar ilustrações e essas coisas. O post é uma série de banners de uma campanha originalmente lançados pelos sites quebrandooateismo.com.br e teísmo.net.

A idéia do post dos teístas é afirmar que a religião foi importante na história da ciência. Para provar essa afirmação, eles citam diversos cientistas religiosos que fizeram algo importante. Bem, antes de mais nada, para a discussão seguir de forma correta, é preciso definir de que religião eles estão falando. Existem milhares de religiões. Cada um acredita em um ou mais deuses. Como nos banners só havia católicos ou cristãos, assumirei que religião, para os fins desta argumentação, significa “qualquer religião que acredita no deus da bíblia”. Caso contrário, fica muito fácil argumentar dando exemplos de pajelança, sacrifícios humanos, rituais de fertilidade e outras feitiçarias totalmente não científicos. Dito isso, vamos ao texto.

Será mesmo que ciência e religião são compatíveis? Acho muito difícil, pois existe uma diferença de interesse básica no que as duas coisas procuram. A ciência quer respostas. E a igreja sempre ofereceu as respostas. Mas as respostas que a ciência encontra não correspondem às respostas que a igreja fornece. Por exemplo, a religião dizia que a Terra era plana e que era o centro do universo. A ciência mostrou que não. Mostrou que a Terra é redonda e que o universo é muito, muito grande. Que somos um grão de areia no meio de um deserto imenso. Diziam que somos os únicos seres do universo. Hoje o Papa admite a possibilidade de existir vida alienígena. A religião dizia que o demônio era o causador de todas as doenças. Os estudos mostram que existem vírus, bactérias, fungos, protozoários, doenças congênitas. Esquizofrênicos e pessoas com epilepsia eram mortos, pois os religiosos achavam que estavam possuídos. Hoje são tratados e podem ter uma vida normal. Não, a religião não ajudou a ciência. Ela só atrasou a humanidade na era das trevas e continua fazendo isso até hoje. Impedindo transfusões de sangue em crianças inocentes, transplantes de medula óssea, atrasando pesquisas com células-tronco.

Eu poderia ter conhecido o Spock :(


A ciência não é inimiga da religião, pois ela sabe que não tem todas as respostas. A ciência não se julga dona da verdade. Ela admite erros e vai se corrigindo com o tempo, só assim pode progredir. Pode inclusive admitir a existência de deus, desde que alguém dê uma prova convincente. A palavra-chave aqui é “prova”. Imagine que você tenha um amigo doente. O método da religião consiste em rezar por  acreditar que um deus (ou santo) irá interceder em favor do amigo. A palavra-chave aqui é “acreditar”. O religioso tem fé que o amigo será curado. É disso que a fé se trata. Acreditar por confiança. Já o método científico vai tentar uma solução mais terrena, experimentando e observando. Fazendo experimentos, a pessoa pode melhorar ou piorar. Se piorar, ela vai tentar outra coisa. Se melhorar, continuar naquele caminho. Até a pessoa melhorar ou morrer. E um novo aprendizado será tirado, independente do resultado. Veja bem, não estou dizendo qual método é melhor que outro, só estou comparando as duas coisas porque essa explicação será importante daqui a pouco.

Bom, vimos então a diferença básica entre a religião e ciência. Existem muitos cientistas que acreditam em algum deus, provavelmente a maioria. Mas (e é um “mas” muito importante), eles separam a fé da ciência quando estão trabalhando. Quando dois cientistas de religiões diferentes estão estudando algo, eles não ficam discutindo qual dos deuses realizou o milagre. Eles irão buscar uma explicação científica. E é o ponto que eu queria chegar nos banners.

Foi o matemático/engenheiro/Doutor em física pelo MIT/professor de Astronomia Georges Lemaître que teorizou o Big Bang, não o Padre Georges Lemaître. Georges Lemaître também era militar. Então seguindo essa lógica ilógica, os militares são importantíssimos para a ciência. O mais surpreendente é os religiosos usarem a teoria do Big Bang dizendo que foi uma descoberta importante para a humanidade. Justo o Big Bang, odiado pela religião, pois afirma que o universo tem bilhões de anos, ao invés de alguns mil anos. O Big Bang, odiado mortalmente por criacionistas que querem obrigar os museus dos EUA a colocarem bonecos de Adão e Eva junto com os dinossauros e incluir o assunto nos livros didáticos. O mesmo Big Bang criticado mortalmente por quem não entende o funcionamento do decaimento dos radio-isótopos. O Big Bang realmente foi muito importante, mas ao admitir a importância da teoria, a religião se contradiz.

Outro homem citado no banner foi o monge Gregor Mendel. Realmente ele recebe o merecido título de pai da genética.  Mas sabe como ele fez isso? Como fez os experimentos que permitiram que ele criasse as famosas leis? Plantando e polinizando ervilhas. Mendel ia cruzando ervilhas de características diferentes (cor, tamanho, forma, …) e viu que podia manter características genéticas nas gerações seguintes. Na época, o estudo não parecia ameaçar a religião. A igreja estava mais interessada em mandar para a fogueira estudiosos de pesquisas que pareciam mais chocantes como a química, física ou astronomia. O estudo da cor das ervilhas parecia inocente, mais ou menos como mostrar que o filho tem os olhos dos pais, uma maravilha divina, diriam. E assim, a genética cresceu. A genética que é tão importante hoje em dia e que tanto desafia a igreja. Que mostra que homens e mulheres são idênticos, e que as fêmeas não são inferiores, feitas a partir de uma costela. A genética que mostrou que os índios americanos não podem ser descendentes dos hebreus, como acreditam os mórmons. A genética que mostra que nossos genes estão longe de serem perfeitos, criados a imagem de um ser superior, pois estão cheio de erros grosseiros e códigos redundantes, resultado de milhares de anos de cruzamentos, mutações, tentativas e erros, nunca por meio de um design inteligente. Se o santo padre soubesse que estudar a cor das ervilhas servisse para provar a teoria da evolução no futuro, ele nunca teria permitido. Mas, da mesma forma que a teoria do Big Bang, ver um religioso dizer que a genética tem importância é uma surpresa.

Humm... ervilhas com azeite


Lemaître e Mendel eram, digamos, profissionais da religião. Já as outras três pessoas dos banners eram apenas pessoas com alguma religião (Fisher, Pascal e Francis Collins). Não há nada de anormal nisso. Aliás, considerando que grande parte da população mundial tem alguma crença, é natural encontrar cientistas religiosos. Posso até ajudar citando outros: Einstein, Darwin no começo de carreira, Maxwell. O que não significa que eles misturavam a religião em seus estudos (ou misturaram e o resultado não foi bom).

Concluindo, a ciência foi muito prejudicada pela religião conforme foi mostrado em muitos exemplos. A afirmação de que a religião ajudou a ciência mostrou-se falaciosa pois as ilustrações mostraram basicamente cientistas que fizeram descobertas utilizando rigorosos métodos científicos e não religiosos, mostrando que a religião dos cientistas foi meramente casual e irrelevante para a ciência.

 

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fevereiro 07, 2011

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Postado por Narumi Abe

Se tem uma coisa muito legal é história. Não aquela história que a gente aprende na escola, que também tem sua importância, mas as histórias da matemática e das ciências em geral. Algumas histórias são engenhosas como o Newton e a maçã ou o problema de Arquimedes e a coroa de ouro. Alguns chamam de sorte, mas a serendipidade sempre acaba favorecendo os mais preparados. Outras histórias contam como a curiosidade era maior do que o medo, nos tempos em que a igreja considerava tudo bruxaria. Galileu teve que negar o heliocentrismo, Torricelli foi acusado de bruxaria ao prever a chuva fazendo uma boneca afundar devido a pressão atmosférica, e até mesmo Darwin tinha problemas com o padre.

Na engenharia, onde a maioria dos professores tem formação em ciências exatas, é comum ouvir uma ou outra dessas maravilhosas histórias. É uma dessas histórias que eu vou contar.

Torricelli: - Eu não sou uma bruxa!

Tudo começou quando o professor estava reclamando da letra de uns dos meus colegas, dizendo que era difícil de entender e que o número 7 deveria ter um corte no meio, pois é o modo correto. Pra provar o seu ponto de vista, o professor desenhou três símbolos parecidos com o da figura aí embaixo:

Observe que os três símbolos são feitos usando apenas segmentos de retas e lembram um pouco os algarismos 1, 2 e 3 em formato ordinal. Ele começou dizendo que os indianos (hindus) eram um povo muito culto na matemática (vide nomes como o Bhaskara) e juntamente com os árabes, inventaram o que hoje conhecemos como numerais hindu-árabicos. Foi aí que o professor disse algo surpreendente. Disse para contarmos os vértices do encontro dos segmentos de retas de cada figura. Isso mesmo, cada símbolo que forma um numeral era nada mais do que a quantidade de ângulos do número que se desejava expressar! O zero era arredondado pois não poderia apresentar ângulo algum. Incrível! E como seria então o 4? E o 5? E o 6? Ta! Tá! Já entendi! Bom, a numerada completa seria assim:

Veja como o 7 possuía o risco no meio e também um pézinho que algumas pessoas colocam. Só tem um probleminha. Essa história é fajuta. Furada. Apesar de ser bem elaborada, não tem fundamento nenhum. Tão bem elaborada que a história ficou famosa e foi até publicada em livros, como por exemplo no Notations Mathematics, Volume I (Cajori, Florian. 1928) e recontada pra todo mundo. A história real é que os símbolos numéricos são ancestrais dos antigos numerais Brahmi. Os números foram se adaptando ao longo do tempo, entre uma transcrição e outra, iam se modificando, pela falta de precisão ou simplesmente pela dificuldade em desenhar os primeiros números, passando pela Índia, Pérsia até chegar a Europa. Abaixo, uma figura que mostra a evolução dos números com o passar dos anos, retirado da wikipedia.

 

Importante notar que a versão em inglês do wikipedia desmente a história da origem dos números baseados em ângulos. Já a versão em português do texto ainda apresenta a história como sendo real. Algumas histórias são tão legais que a gente gostaria que fosse real. Infelizmente essa história era apenas um mito, mas mesmo assim é uma bonita história. E a história de como essa história se propagou também é divertida e também é histórica. Mas enfim, o sete nunca teve o cortinho no meio. =D

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fevereiro 04, 2011

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Postado por Narumi Abe

Quem gosta de animes, mangás ou filmes do Japão deve ter notado que os estudantes sempre estão usando uniformes. Mas vocês já repararam como os uniformes masculinos são tão diferentes dos femininos? Por que as meninas parecem usar a roupa do Pato Donald? Por que será que meninos e meninas simplesmente não usam variantes do mesmo uniforme? Será que ninguém mais achou essa dúvida intrigante? Como vocês puderam viver sem saber isso até hoje? Não precisam se auto-flagelar, eu fui atrás da resposta. Espero que alguém ache a informação útil. ^^

Yusuke também achou essa dúvida muito intrigante

No Japão, o uniforme escolar é usado em quase todas as escolas e até em algumas universidades. Mais do que uma simples vestimenta, o uniforme também tenta ensinar aos alunos que o coletivo é mais importante do que um indivíduo. No começo o uniforme consistia em um simples kimono ou hakama e, durante o período Meiji (1868-1916), o Japão começou a modernizar suas velhas tradições adotando a moda ocidental. Os uniformes foram redesenhados. E a inspiração para o novo estilo de uniforme foram os trajes militares.

Para os homens, o uniforme seguiu o estilo dos uniformes utilizados pelos soldados do exército da Prússia.

As gatinhas não resistem ao meu uniforme e ao meu para-raios

O uniforme masculino se chama gakuran (gaku-: estudante, -ran: vem de Holanda, representa o ocidente). Possui uma gola em pé e os botões são enfeitados com o emblema da escola. Às vezes, a escola também possui broches, prendedores ou outro adorno para representar a escola. Muitas vezes, o segundo botão do gakuran é oferecido para a menina amada, como um sinal de confissão de amor. O segundo botão fica mais próximo ao coração e diz-se que o botão guarda todas as emoções do tempo de uso do uniforme.

 

Já as meninas ficaram com o estilo inspirado no uniforme da marinha britânica, uma potência naval na época. O uniforme das meninas é chamado de serafuku (sera-: sailor e -fuku: vestimenta). Não procure por serafuku no google images se estiver no trabalho. Você verá pouco uniforme e muito fetiche. A tara é tamanha no Japão que os uniformes são usados até pelas moças mais crescidinhas, depois de formadas. O comprimento correto da saia é abaixo do joelho, mas as moças dão um jeito de encurtá-las para nossa alegria.


Sou uma marinheira do mundo da lua

Em geral, o uniforme possui cores escuras como preto ou azul marinho durante o inverno e cores mais coloridas para celebrar a primavera. O que diferencia uma escola da outra são os lacinhos amarrados no pescoço. Cada escola possui um laço ou um lenço característico.



Além desses uniformes, algumas escolas também adotam o tradicional blazer com emblema da escola e gravata. Mas esses uniformes não são tão legais. Quase nada mudou nos uniformes criados desde a era Meiji. Mas aos poucos, os uniformes estão ganhando pequenos detalhes modernos, tais como tecidos mais leves no verão e até mesmo com transmissores GPS nos lenços e gravatas para os pais mais preocupados.

 

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janeiro 29, 2011

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Postado por Narumi Abe

Estava sem idéias para escrever e como o meu primo é o calouro mais fresco, pensei em escrever esse post de utilidade pública. Nada muito técnico, porque ninguém vai lembrar das explicações, o importante é lembrar das dicas. E também porque eu não sou médico. =D Enquanto ia fazendo a minha pesquisa acabei achando muitos mitos no meio. Então aproveito pra desmentir alguns, diluídos no texto. Claro que ele não vai seguir nada disso, mas pelo menos eu vou poder jogar um "te avisei" na cara dele depois.

Por que você não escreveu isso antes?

Por que ficamos bêbados?

Todo mundo tem uma tolerancia diferente para a marvada. Isso depende do tamanho, do peso, da idade e do sexo do sujeito ou sujeita. Pessoas com porte maior aguentam mais, mulheres em geral aguentam menos. Outro fator que determina o quanto o sujeito aguenta beber ou não,  é o costume. Quem está nessa vida amargurada a mais tempo já está mais adaptado. Eu mesmo conheço uma menina baixinha e magrinha que bebe mais que aquele opalão 6 cilindros.

O álcool que ingerimos é o etanol. Apesar da gente gostar tanto do álcool, o corpo não gosta do dito cujo e quer eliminá-lo. Quem faz o papel de Chuck Norris do corpo humano é o fígado. O nosso amigão fígado faz isso transformando (metabolizando) o néctar dos deuses em gás carbônico e água. Mas o fígado não faz isso de uma vez só. Ele é lerdinho, coitado. O álcool fica no estômago até parar no sangue e fica dando voltas na sua corrente sanguinea passando pelo fígado várias vezes. Digamos que, em uma hora, o fígado consiga fazer uma lata de cerveja dessa transformada em água e gás carbônico. É por isso que as legislações de alguns países permitem o equivalente a isso de álcool para o motorista. Bom, vimos que o fígado é o Chuck Norris destruidor, mas ele também tem ajudantes. Um pouco é eliminado pela respiração e urina. E pra urinar o corpo tem que liberar água, que é importante pra... bom só é importante pra tudo, e você irá muitas vezes no banheiro depois da primeira ida. E um tantinho também pelo suor. Tantinho suficiente pra sua namorada perceber, seu cachaceiro. Ah! Mas se você tomar só uma cervejinha saiba que vai estar se hidratando e não desidratando. Isso porque a cerveja tem um percentual baixo de álcool (4 a 5 se não forem as deliciosas belgas) e muita água e os sais minerais.

 

Bem, vimos que o fígado faz alguma coisa muito louca com o álcool. Mas como ele não é mágico, é basicamente químico, ele tem que fazer isso em algumas etapas. Nas últimas etapas antes de ser convertido em água, você estará com ácido acético percorrendo no sangue. Legal né? O ácido acético é vinagre pra quem faltou a aula. E antes de ser vinagre, o fígado transforma o etanol em um negócio muito forte. Um álcool dos bons. Marvada pura. Veneno mesmo. Sério, é muito pior que o etanol. O etanal. Ué, só mudou uma letra? Tá, o outro nome disso é acetaldeído (doído mesmo, muhuahua que trocadilho idiota). E por que o corpo transforma o álcool gente boa num álcool mais venenoso? Porque ele é mais simples de ser quebrado. Bom, pra transformar o acetaldeído no vinagrete, o fígado libera 2 troços (do grego enzimas): álcool-desidrogenase e aldeído-desidrogenase; e a glutationa, que tem um amor platônico pelo acetaldeído. É claro que o estoque disso é limitado. Com o tempo o corpo não tem mais a glutationa e por isso o veneninho tem que ficar percorrendo seu corpo até que mais seja produzido. A propósito, as mulheres têm menos aldeído-desidrogenase e glutationa, por isso ficam alegrinhas mais rápido.

 

Um fígado simpático, não é para foie gras

Tá, entendido! Então a finalidade do fígado é só eliminar o álcool? É claro que não! Quando o fígado não está ocupado demais com isso, ele tem coisas mais importantes pra fazer como manter você vivo. Você pode viver sem um coração, sem os rins, mas não pode viver sem um fígado. Bom, mas pra efeitos desse texto, o fígado armazena e libera a glicose, substância responsável por manter você de pé, consciente e vivo. Falando em glicose, o mesmo povo que deveria estar gerando elas, está ocupado processando o etanol, e o seu cérebro não irá gostar nada disso. Fraqueza e mal estar pra você. Enquanto isso, seu estômago também não está nada satisfeito com o aumento de ácido clorídrico, e logo você vai ficar enjoado. O que é uma coisa boa, porque gorfar é feio pra sua interação social, mas bom para o coitado do estômago que está aguentando tanto ácido. Não é bom para o exôfago logicamente. Ou pra traquéia. Meh, pros dentes também não é bom.

Como beber?

A primeira dica parece óbvia, mas o mundo está cheio de gente idiota. A primeira dica é: a bebida deve ser ingerida pela boca. Não faça como uns idiotas que estão enfiando no olho. Você não vai sentir nada, só o dedo do pé na quina da mesa e o crânio fraturado depois que você ficar cego.

Bem, depois da ultra mega explicação, sabemos que o álcool fica no estômago e vai pro sangue. Então uma coisa boa é deixar o álcool lá (no estômago) o maior tempo possível. Então se for beber, vá de barriga cheia. Tá, essa dica aí até minha avó sabia.

 

Diluir o álcool tomando água junto com a cerveja. Essa também é muito manjada. Bom, como o post é pro meu primo, acho que ele não vai seguir essa. Quem não aguenta bebe leite. Mas como o corpo irá desidratar, pelo menos tome água antes de sair.

 

Não vire a bebida. Bom, isso também vai fazer parte da nova vida do meu primo. Então vire as que tiver que virar, e beba devagar as demais. O legal é aproveitar a festa e não virar um bêbado chato ou se arrepender de algo constrangedor depois. Lembre-se que o bêbado perde o direito à propriedade de certas partes do corpo que não deveria, hehehe.

 

Pode continuar que eu to te ouvindo

Pode misturar bebidas. Ao contrário do que dizem, misturar bebida não faz diferença nenhuma. Se você tomar uma caixa de cerveja, dois shots de tequila, um copo de whisky e 5 vodkas com suco e disser que foi por causa da mistura é porque você é muito burro.

 

Cerveja deixa mais bêbado que chopp? Mito. É a mesma coisa. O teor alcoolico é igual. A única diferença entre o chopp e a cerveja é que o chopp não é pausterizado. Mas a espuma do chopp faz ela ficar mais leve e quem não entende nada acha que quanto mais amargo mais álcool. O amargo nem vem do álcool, vem do lúpulo. Aquela água com laxante chamada Skol que é comercializada como cerveja possui a mesma quantidade de álcool que as cervejas de verdade. Outro exemplo são as cervejas sem álcool que são amargas do mesmo jeito. Se bem que cerveja sem álcool nem é sem álcool, mas isso é outra história.  Voltando pra história do chopp, como ele não é pausterizado (esquentado e depois esfriado super rápido pra conservar), ele se contamina e estraga muito rápido. Dura no máximo 2 dias depois que o barril é aberto. Chopp bom dura 24 horas. Por que você acha que existe o happy hour? Pra vender o chopp velho da noite anterior. Então só beba chopp se tiver muito movimento na chopperia, caso contrário vá de heineken de litrão. :D

 

Tomar bebida com energético pode? Bom, de novo, como o post é pro meu primo calouro, pode, não exageradamente. Ele é novinho e não tem problemas cardíacos, não que eu saiba, hehe. Mas álcool com outras drogas é melhor não tomar. Junto com pílula pra dormir, nem pensar!

 

Como curar a ressaca?

 

Todo mundo tem uma receita. A maioria é inofensiva ou pode ajudar um pouco, outras são perigosas e não têm o menor cabimento. Mas as dicas que realmente funcionam não estão em lugar nenhum, pelo menos até agora. :)

 

Você abusou e vai ter que sofrer as consequencias. Mesmo seguindo essas maravilhosas dicas, isso vai fazer você ficar melhor um pouco mais rápido, mas ainda vai ficar agonizando durante uma manhã ou o dia todo. Com base na explicação da ressaca, dá pra ter idéia do que funciona e do que não funciona. Por exemplo, ir malhar ou nadar no outro dia de manhã é estupidez.

 

Continuar bebendo funciona? Por incrível que pareça pode funcionar sim. Pelo menos por pouco tempo, antes de você entrar em coma alcoolico e morrer. Isso porque após você parar de beber, o fígado vai começar a produção de glutamina e não vai produzir a quantidade normal, vai produzir muito mais do que precisa pra compensar o tempo perdido. Recomeçando a bebedeira, vai fazer a produção de glutamina parar novamente.

 

Dizem que é bom água de coco ou suco de tomate. Até é, porque ajudam na hidratação. Mas não pode ser considerado uma receita mágica porque não vai ser diferente de tomar água. E acredite, a evolução por necessidade existe. Você vai sentir muita sede. O isotônico é absorvido mais rápido. No caso da ressaca é melhor.

 

Comer só coisas leves como frutas e verduras e evitar gorduras? Muito pelo contrário! Coma um sanduiche de bacon, provavelmente é uma das poucas coisas que realmente vai ajudar na ressaca e é a melhor dica. O pão é rico em carboidratos e o bacon é proteína que se quebram em aminoácidos que o corpo está precisando desesperadamente. Exagerar no álcool também esgota neurotransmissores (a trindade tão boa: serotonina, a dopamina e o GABA), e o bacon milagroso possui os aminoácidos que vão te fazer sentir melhor é o que afirma um estudo de Elin Roberts, of Newcastle University's Centre for Life. 

 

Café ajuda? Sim, a velha receita está certa! No passado, bem no passado diga-se de passagem, acreditava-se que a dor de cabeça da ressaca vinha da desidratação e não por causa do ataque aos neurotransmissores. Recentemente, Michael Oshinsky, da Universidade Thomas Jefferson mostrou que a cafeína e anti-inflamatórios curava dor de cabeça em ratos.

 

Comer doce ajuda? Um grande problema da humanidade é não estudar química decentemente. Tá, você quer glicose, e glicose é um açúcar. Então comendo doce que tem açúcar, estou comendo glicose. Não! O seu doce tem outros açúcares tais como sacarose, lactose, talvez frutose. Todos eles mais complexos, mais difíceis de serem quebrados e transformados em glicose do que o pedaço de pão do sanduiche de bacon da dica aí de cima. Comer qualquer coisa ajuda, até mesmo o doce, mas vai demorar mais. Ah! Esqueci de comentar: Vegans, quando eu digo proteína e blablabla aminoácidos, estou me referindo a proteína certa, seu abacate e tofu não contam, ok?

 

E aqueles medicamentos pra ressaca? Tem vários deles. Vamos ver um por um.

 

Estomazil: bicarbonato de sódio (antiácido, leia-se base), carbonato de sódio (antiácido). Bom se você estiver com acidez.

Engov: ácido acetilsalicílico (bom pra dor de cabeça), hidróxido de alumínio (antiácido), mepiramina (reduz enjoo) e cafeína (estimulante). É um dos melhores remédios. Tomar antes e depois da cachaça.

Epocler: conjunto de aminoácidos, é antioxidante (metionina) e protege o fígado. Repõe os aminoácidos que o fígado usou.

 

E por último, uma boa notícia pro meu primo. O álcool não mata os neurônios. Como vocês já leram em algumas partes do texto, o álcool não é nada bom com certos neurotrasmissores específicos e acaba afetando os dentritos (final das conexões nervosas). Como a célula em si não é afetada, o dano é reversível. Mesmo para os alcoolatras inveterados. A não ser que eles desenvolvam uma desordem neurológica chamada Síndrome de Wernicke-Korsakoff. Mas a desordem não é causada pelo álcool em si. É o resultado da deficiência de tiamina e vitamina B.

 

 

Num mexe com meus dentrito!

 

Então é isso! Se beber não dirija, se beber me chame. Nada como uma boa ressaca pra você se concentrar mais na sua dor física que nos arrependimentos da noite passada. E se for vomitar vai no vaso e não na pia da rep. =D

 

http://www.telegraph.co.uk/science/science-news/5118283/Bacon-sand

http://www.telegraph.co.uk/health/healthnews/8264521/Coffee-and-an

http://www.bulas.med.br/

 

Postado por Narumi Abe | 7 comentários

janeiro 25, 2011

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Postado por Narumi Abe

 

O meu tempo é muito, muito importante. Eu posso usá-lo pra dormir, assistir tv ou pensar em algum plano pra dominar o mundo. Então se você quer me pedir algum tipo de ajuda, simplesmente peça! Simples assim. Não fique me perguntando sobre como eu estou, sobre os meus estudos ou qualquer outra coisa que você não tinha o menor interesse até precisar de mim. Se você não for meu inimigo mortal provavelmente eu vou ajudar, ou em alguns casos, até mesmo se você for o meu inimigo mortal. "Nice guys finish last", como dizem os americanos.

dog

Vai direto ao assunto!

A minha boa vontade é proporcional ao nível do desafio proposto e ao meu tempo disponível. A amizade é um fator que conta, mas você não será o meu melhor amigo só porque conversou comigo por dois minutos.

Não venha me elogiar, pois mesmo que seja sincero, vai soar falso, muito falso. E olha que eu nem costumo notar essas coisas. Não se preocupe, não irei pensar mal de você porque você foi direto ao assunto, pelo contrário, vou te agradecer por poupar meu tempo. Também não vou negar auxílio só porque nunca trocamos mais do que meia duzia de palavras.

Não fique bocejando enquanto eu tento resolver seu problema. Saiba responder as perguntas que eu fizer sobre o SEU tema, porque eu não vou descobrir as respostas pra você (eu posso, mas não vou).

Se combinarmos um encontro em um horário, chegue no horário! Se foi combinado é porque você concordou com a hora.

Não comece o pedido dizendo que é coisa simples ou coisa rápida. Se você me pediu ajuda é porque não sabe fazer, então não é simples, pelo menos pra você. Não venha me oferecendo dinheiro porque não sou mercenário. Vou ajudar se estiver a fim, e não vou ajudar por nenhum dinheiro do mundo se eu não quiser. Simples assim. :)

 

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janeiro 24, 2011

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Postado por Luciana Santos

From http://sethgodin.typepad.com/seths_blog/2011/01/three-ways-to-help-p

"A friend sent me a copy of a new book about basketball coach Don Meyer. Don was one of the most successful college basketball coaches of all time, apparently. It's quite a sad book—sad because of his tragic accident, but also sad because it's a vivid story about a misguided management technque.

Meyer's belief was that he could become an external compass and taskmaster to his players. By yelling louder, pushing harder and relentlessly riding his players, his plan was to generate excellence by bullying them. The hope was that over time, people would start pushing themselves, incorporating Don's voice inside their head, but in fact, this often turns out to be untrue. People can be pushed, but the minute you stop, they stop. If the habit you've taught is to achieve in order to avoid getting chewed out, once the chewing out stops, so does the achievement.

It might win basketball games, but it doesn't scale and it doesn't last. When Don left the room (or the players graduated), the team stopped winning.

A second way to manage people is to create competition. Pit people against one another and many of them will respond. Post all the grades on a test, with names, and watch people try to outdo each other next time. Promise a group of six managers that one of them will get promoted in six months and watch the energy level rise. Want to see little league players raise their game? Just let them know the playoffs are in two weeks and they're one game out of contention.

Again, there's human nature at work here, and this can work in the short run. The problem, of course, is that in every competition most competitors lose. Some people use that losing to try harder next time, but others merely give up. Worse, it's hard to create the cooperative environment that fosters creativity when everyone in the room knows that someone else is out to defeat them.

Both the first message (the bully with the heart of gold) and the second (creating scarce prizes) are based on a factory model, one of scarcity. It's my factory, my basketball, my gallery and I'm going to manipulate whatever I need to do to get the results I need. If there's only room for one winner, it seems these approaches make sense.

The third method, the one that I prefer, is to open the door. Give people a platform, not a ceiling. Set expectations, not to manipulate but to encourage. And then get out of the way, helping when asked but not yelling from the back of the bus.

When people learn to embrace achievement, they get hooked on it. Take a look at the incredible achievements the alumni of some organizations achieve after they move on. When adults (and kids) see the power of self-direction and realize the benefits of mutual support, they tend to seek it out over and over again.

In a non-factory mindset, one where many people have the opportunity to use the platform (I count the web and most of the arts in this category), there are always achievers eager to take the opportunity. No, most people can't manage themselves well enough to excel in the way you need them to, certainly not immediately. But those that can (or those that can learn to) are able to produce amazing results, far better than we ever could have bullied them into. They turn into linchpins, solving problems you didn't even realize you had. A new generation of leaders is created...

And it lasts a lifetime."

Palavras-chave: motivation, success, work

Postado por Luciana Santos | 3 comentários

janeiro 16, 2011

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Postado por Narumi Abe

Zeitgeist é uma expressão alemã que significa fantasma ou espírito de uma época. Podemos ver que durante toda a história da humanidade, muitas vezes o coletivo comporta-se como um único organismo vivo criando movimentos culturais, religiosos, políticos ou de qualquer outra natureza. Às vezes, esses movimentos duram uma década, outras vezes pode ser uma histeria coletiva de um dia ou alguns minutos. Podem se referir a muitas pessoas no planeta ou estar restrito a uma cidade ou ao colégio.

A algum tempo atrás, os mangas japoneses eram exclusivos de nerds do sexo masculino. Hoje em dia, são idolatrados por crianças e adolescentes com a popularização dos animes. Até mesmo o conceito de nerd mudou. O que antes era um ícone de chacota máxima está na moda. Nos anos 80, o rock e o punk eram a música da juventude. Jovens com jaqueta preta, cabelo comprido e atitude de bad boy. O rock ficou sensível no ano 2000. As músicas falavam de sentimentos, de dor e sofrimento. Até que se renovou novamente, ainda falando de sentimentos, mas de forma colorida. É claro, há quem diga que o movimento dos emos coloridos não é rock, e eles não deveriam estar no Rock in Rio. O movimento veio pra ficar. Não será pra sempre, pois os jovens não querem se repetir na geração seguinte. Talvez inventem algo ainda mais chocante, ou apenas reinventem o velho rock 'n roll. 

Socorro Hendrix, eles são roqueiros!

 

No filme Entrevista com Vampiro (1994), o vampiro Lestat (Tom Cruise) explica que o que mata o vampiro é a falta de conhecimento, e torna Louis (Brad Pitt) um vampiro. Louis alimentava-se de pombos e ratos, pois recusava-se a ferir um ser humano. Mais tarde, Lestat explica que o comportamento de Louis é o pensamento da época. Apesar de vampiro, ainda possuia consciência e muita tristeza e era esse o ensinamento que o chefe dos vampiros queria. Em seguida, Lestat é quase morto e vive recluso em um casarão até os dias presentes. Lestat não se atualizou ao novo espírito da época, e tinha medo até mesmo das luzes artificiais, temendo-as como se fosse o próprio sol. E falando em Zeitgeist de vampiros atuais... não, melhor nem falar... Boca Fechada

Lestat e Louis chocados com o vampiro que cintila no sol


Lestat não sofreria tanto se soubesse da existência do Google Zeitgeist. O Google Zeitgeist é um site que agrupa as palavras mais buscadas pelo google, por períodos de tempo. É o próprio espírito da época na Internet. No link abaixo, você pode ver os termos mais buscados de 2010 no Brasil. 

http://www.google.com/intl/en/press/zeitgeist2010/regions/br.html

Acha que foi a Copa do Mundo? Não foi. Pelo menos não diretamente. E também não foram as eleições. O termo mais buscado foi a paraguaia fanática Larissa Riquelme, seguida pelo site de perguntas Formspring e pelo cantor Justin Bieber.

Larissinha surpresa com a notícia

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janeiro 11, 2011

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Postado por Narumi Abe

Chega um triste momento da vida em que os anos passam, a faculdade termina e os seus amigos voltam para suas cidades de origem. Você insiste em manter os laços de amizade com os poucos que sobraram, mas vai percebendo que pouco a pouco as recusas para as festas e baladas começam a se tornar frequentes, cada um tem sua própria vida agora. Começam a se preocupar com o trabalho, namorar sério ou casar, e, em alguns casos, começam a cuidar de seus pequenos filhos até que no final eles se tornam adultos responsáveis. Fica até mesmo difícil reconhecer aquele maluco que vivia caindo de tão bêbado, agora de terno e gravata, ou aquela menina festeira, andando toda recatada e séria.

Essa música fala exatamente sobre esse período de transição. Acho que o melhor é aproveitar enquanto dá, e se possível, depois da graduação, continuar na pós, na pós da pós e adiar o inevitável enquanto for possível. :P

A Última Partida de Bilhar
Velhas Virgens

Depois de tantos anos na balada, conclui que aquilo tudo só podia dar em nada
Resolveu mudar seu rumo
Organizou então a despedida , convidou as moças da avenida
E foi pro bar, para jogar

Aaaaaahhhh! A última partida de bilhar
Aaaaaahhhh! A última partida...

Bebeu mais do que podia, misturou cachaça com sinuca
Adoçou seus beijos com bituca
E chorou ao nascer do dia
Sentou no meio fio, junto dos companheiros de taberna
Misturados a damas no cio
Com uma garota em cada perna

Aaaaaahhhh! A última partida de bilhar
Aaaaaahhhh! A última partida...

Sentiria falta, das discussões encaloradas
E dos beijos roubados sem compromisso
Polêmicas que iam dar em nada
Fechar os bares, e tomar mais uma saideira
Inventando desculpas pra não ir embora
Às dez da manhã de uma terça feira

Aaaaaahhhh! A última partida de bilhar
Aaaaaahhhh! A última partida...

Passa os dias atrás de uma mesa
Os olhos vidrados num computador
Pensando em como drenar aquela represa
Que o afogava, causando tanta dor

Dali pra diante, era tudo seriedade
Da casa, pro trabalho e pra academia
Do almoço, pro jantar e a asfixia
Olhava pra lua, de dentro do seu quarto
Sonhava com os dias de alegria
Lá se foram as noites de boêmia

Aaaaaahhhh! A última partida de bilhar
Aaaaaahhhh! A última partida de bilhar
Aaaaaahhhh! A última partida de bilhar
Aaaaaahhhh! A última partida...

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janeiro 10, 2011

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Postado por Narumi Abe

Ontem o Techcrunch fez um post entitulado "Pode o google ter seu mojo de volta?" Achei que o texto faria sensacionalismo sobre a recente notícia de que o google foi ultrapassado em número de acessos pelo Facebook de acordo com a Experian Hitwise.

De acordo com os dados de dezembro do ano passado, o facebook domina quase todo o mundo como a maior rede social do planeta. Outras fontes de notícias também afirmam que o facebook está crescendo no Brasil enquanto o orkut anda estagnado. Tudo indica que o orkut está indo para um caminho sem volta. Mas o orkut nunca foi lá grande coisa mesmo, fora do país. É claro, você pode comparar facebook e orkut que são sites com objetivos similares, mas não facebook e google. O google é um site de buscas. O facebook é um site de entretenimento. As pessoas usam o google para pesquisas, trabalho ou busca por lazer. A parte do lazer foi suprida com a chegada do facebook. Ao invés de navegar por dezenas de sites aleatórios pela rede, basta um, um que todos estão e que é o que supre a grande necessidade do ser humano de se comunicar e principalmente de fuçar a vida dos outros. É por isso que todos vão clicar no facebook várias vezes por dia, até mais do que no google. Mas o mundo ainda precisa do google, e até que apareça algo melhor, sempre vamos precisar. Além disso, somados, todos os serviços do google ainda são mais visitados do que o facebook. 

Mas enfim, a matéria não falava disso. Falava sobre algo que eu já havia percebido a um tempo. O google que sempre foi considerado um paraíso para se trabalhar, tem perdido seus melhores engenheiros para a concorrência. Tem fracassado em projetos, vide google wave, google tv, nexus one. A empresa que revolucionou o mundo, parece ser apenas mais uma. A fonte de criatividade parece estar chegando ao fim. Antes eu sentia um grande prazer em entrar no google labs e ver novidades, ou ser surpreendido com o convite para testar algum novo serviço. Tudo isso ficou no passado. Hoje, o google labs está confuso, com diversos serviços sem graça. Os serviços graduados como o calendar e gmail continuam fortes, mas parecem estar sérios demais e com atualizações de menos. O próprio gmail que revolucionou o mundo dos emails oferecendo mais do que alguns míseros megabytes também está cansado. Ao contrário do hotmail que possuia usuários, o gmail possuía fãs. O gmail trazia de vez em quando pequenos detalhes que faziam a diferença. Detalhes que parecem ter sido criados por seres humanos e não por pesquisas de mercado. A empresa que sempre mostrava funcionários felizes, jogando video games ou trabalhando em um ambiente super divertido não surpreende mais. Hoje é um modelo seguido por todas as empresas de tecnologia. 

O velho google precisa voltar a ser como era antes. Continuar com executivos skatistas ao invés de engravatados, continuar legal ao invés de mais uma empresa séria. A tarefa não é fácil, pois é preciso inovar constantemente. Tarefas que se alguém pode fazer, é o google. Eu quero acreditar. :)

 

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janeiro 04, 2011

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Postado por Narumi Abe

Quem acompanhou os últimos episódios de Saturday Night Live deve ter se divertido com a atuação de Bill Hader interpretando Julian Assange. Sempre no final de cada video ele diz algo como "não importa como eu morra, mesmo se eu deixar uma carta de suicídio, foi assassinato".

Talvez o SNL tenha salvado a vida de Assange com essa piada. Se ele morrer, os culpados seriam punidos? Fatos recentes mostram que a impunidade existe sim, como as falsas armas do Iraque. Por outro lado, outros fatos mais recentes mostram o poder da Internet. Ataques ao paypal, visa, amazon, não só por hackers, mas por sites influentes como o piratebay que simplesmente sugeriam que as pessoas deixassem de utilizar esses serviços. E as sugestões funcionaram. Adoramos esse bravo novo mundo. =D

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dezembro 22, 2010

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Postado por Luciana Santos

 

"Bourdieu se remete ao ensino superior, apontando a infeliz, ou feliz eficiência - dependendo do ponto de vista -que possui o sistema de ensino em reproduzir estrutura de classe no atual sistema capitalista. "Na verdade, dentre as soluções historicamente conhecidas quanto ao problema da transmissão do poder e dos privilégios, sem dúvida, a mais dissimulada e por isto mesmo a mais adequada a sociedades tendentes a recusar as formas mais patentes da transmissão hereditária do poder e dos privilégios, é aquela veiculada pelo sistema de ensino ao contribuir para a reprodução da estrutura das relações de classe dissimulando, sob as aparências da neutralidade, o cumprimento dessa função." (BOURDIEU, 2001, p.296). Assim, o "sistema educacional", tradicionalmente apresentado como um conjuntode mecanismos institucionais o qual busca a conservação cultural de gerações passadas acaba permitindo que as teorias clássicas dissociem a função de reprodução social.

Deste modo, os bens culturais, passados de geração para geração, não se apresentam somente na tentativa de enobrecer a humanidade, de trazer novas formas de reflexões voltadas para um crescimento, desenvolvimento e um incremento mundial, mas "pertence realmente (embora seja formalmente oferecido a todos) aos que detêm os meios para dele se apropriarem, quer dizer, que os bens culturais enquanto bens simbólicos só podem ser apreendidos e possuídos como tais (ao lado das satisfações simbólicas que acompanham tal posse) por aqueles que detêm o código que permite decifrá-los. Em suma, o livre jogo das leis da transmissão cultural faz com que o capital cultural retorne às mãos do capital cultural e, com isso, encontra-se reproduzida a estrutura de distribuição do capital cultural entre as classes sociais, isto é, a estrutura de distribuição dos instrumentos de apropriação dos bens simbólicos que uma formação social seleciona como dignos de serem desejados e possuídos." (BOURDIEU, 2001, p.297)

Acrescenta que o diploma pode ser "um direito de acesso cujo valor poderá ser explorado apenas pelos que detêm um elevado capital de relações sociais."

Sociologia, Ciência e Vida - nº26, p.18-19

 


Palavras-chave: Bourdieu, capital cultural, educação, reprodução de classes

Postado por Luciana Santos | 1 comentário

outubro 27, 2010

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Não vejo diferenças significativas entre os dois candidatos. Mas confio em muita gente que está convicta de algum candidato.

Conheço muita gente que acredita firmemente em alguma(s) diferença(s). Uma boa parte acredita que Dilma é melhor, outra boa parte acredita que Serra é melhor.

Procurei ouvir os argumentos, mas não me convenci que as diferenças apresentadas sejam mais importantes que a semelhança enorme entre os dois candidatos, e os dois partidos.

"Nada mais Saquarema do que um Luzia no poder", ou em palavras de hoje, 'nada mais PSDBista do que um PTista no poder".

O reverso da medalha vale, também: não creio que o Serra, se eleito, vá desmantelar o clientelismo construído pelo governo Lula. Vai ampliar e renomear tudo, tal como o atual governo fez com relação aos programas da era FHC. (Lembra das aulas de história, que no Egito antigo um faraó mandava apagar dos monumentos os nomes dos faraós anteriores? Pois é - a política brasileira está "no mesmo nível" que antigos egípcios).

Enfim, eu me percebo incapaz de ver diferença significativa entre os dois candidatos, ou os dois partidos, mas confio nos meus familiares, amigos e colegas que acreditam perceber alguma(s) diferença(s).

Me sinto como se estivesse vendo uma discussão entre torcedores de futebol apaixonadíssimos, ambos os lados tentando me convencer a torcer pelo time deles, só que se tratam de times de futebol dos cafundós da Estônia. Acostumado com futebol de qualidade, não posso deixar de me declarar igualmente aborrecido pelos dois times.

Mas respeito que hajam torcidas apaixonadas - afinal o futebol é muito mais sobre torcer do que sobre bom esporte. E quem sou eu para torcer o nariz para as torcidas dos cafundós da Estônia?

Não concordo que isso que propõem seja futebol, quero dizer, política, mas já que tem gente que faz tanta questão assim de uma opção ou outra, então vocês que estão apaixonados que decidam.

Vou votar de tal modo que a opinião dos que estão convictos seja mais evidente no resultado final.

Em tempo: hoje saiu a notícia de que o Brasil está na posição 69 dos países menos corruptos. (Link) A Estônia está na posição 26.

Palavras-chave: 2010, eleições, voto nulo

Postado por Renato Callado Borges | 2 usuários votaram. 2 votos | 11 comentários

outubro 18, 2010

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Postado por Luciana Santos

Leio o texto citado neste post como uma espécie de tipo ideal - emprestando o conceito de Weber. Uma descrição que, apesar de não dar conta de retratar fielmente todos os indivíduos de um grande grupo, revela aspectos muito relevantes dele.

A autora se permite usar os termos "burguesia" e "classe média", que todo sociólogo sabe serem ambíguos, imprecisos, dependentes de contexto e relativização. Todavia, especialmente em um texto curto, apresentado fora de contexto acadêmico, é aceitável. Aceitável por revelar um elemento presente em discursos manifestos com certa recorrência, discursos nada inócuos política e socialmente.

A descrição ilustra um pensamento que aparece em esforços homéricos para formar opinião, em conversas desavisadas do politicamente correto, em afirmações livres que, quando questionadas, se vêm nuas de conteúdo e não raro atrapalhadas em se autoexplicar.

Indo mais diretamente ao ponto: nem todo crítico do governo é irracional e preconceituoso a esse nível. Entretanto, não posso negar que já ouvi muito discurso cujo conteúdo mais evidente era o que esse texto ilustra - e cuja real importância precisa muito ser refletida, debatida e explicitada:

"O fato de você ter um presidente operário, que tem o curso primário, significou a ruína da ideologia burguesa. Todos os critérios da ideologia burguesa para ocupar este posto, que é ser da elite financeira, ter formação universitária, falar línguas estrangeiras, ter desempenho de gourmet... Enfim, foi descomposta uma série de atrativos que compõem a figura que a burguesia compôs para ocupar a Presidência. Ponto por ponto. (...) A burguesia brasileira e a classe média protofascista nunca vão perdoar isso ter acontecido. Imagine como eles se sentem. Houve (Nelson) Mandela, Lula, (Barack) Obama, (Hugo) Chávez. É muita coisa para a cabeça deles. É insuportável. É a sensação de fim de mundo."

Marilena Chauí - http://www.redebrasilatual.com.br/temas/politica/desinformacao-nao-serve-

Palavras-chave: classismo, discurso político, marilena chauí, preconceitos

Postado por Luciana Santos | 1 usuário votou. 1 voto | 1 comentário

outubro 11, 2010

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Postado por Luciana Santos

“O que deve sair imediatamente do debate eleitoral é esta fingida religiosidade que leva Deus aos palanques, macula as mais íntimas opções espirituais do eleitor e abala gravemente os fundamentos da nossa democracia – teoricamente isonômica, tolerante, aberta, inclusive aos agnósticos, descrentes e ateus.”

Alberto Dines, reproduzido do Diário de S.Paulo, 10/10/2010

http://observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=610IMQ010

Postado por Luciana Santos | 21 comentários

outubro 04, 2010

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Postado por Luciana Santos

“Como influenciar a formulação de políticas públicas se as organizações se sentem temerosas de perderem os parcos recursos que conseguem como uma dádiva que não deve ser questionada?”

Luiz Carlos Merege

Postado por Luciana Santos | 0 comentário

outubro 03, 2010

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Postado por Luciana Santos

“Os direitos sociais fundamentais necessários para uma vida digna na sociedade contemporânea, além de serem um dever do Estado, podem também ser garantidos através de atuação da sociedade, tal como estabelece nossa lei maior. Esta conquista significa, na prática, uma mudança na natureza da atuação das organizações do Terceiro Setor. A filantropia marcada pelas ações caritativas e assistencialistas se justificava para o período da nossa história em que não se tinha definido os direitos sociais de nosso povo. Embora necessária nos casos extremos, a filantropia em si torna-se uma ação aquém de nossa época, já que existem instrumentos legais que devem ser postos em prática para que todos, indistintamente, possam desfrutar plenamente das conquistas humanas. A miséria, exclusão e a discriminação deixaram de ser simplesmente uma constatação para fazer parte do campo das lutas pelos direitos de homens e mulheres de nosso país.

Os miseráveis da periferia, as mulheres, os negros, as crianças, os portadores de necessidades especiais, os índios, os homossexuais, os defensores da natureza passam a levantar suas bandeiras tendo como referência aquilo que a lei passou a garantir-lhes como direito. Invertem o papel de seres passivos, que tinham na filantropia, para se tornarem protagonistas de demandas sociais, demandas políticas e econômicas. O implorar é substituído por ações de caráter legal. A discriminação racial não é mais lamentada, mas sim processada através de ações dos indivíduos e do ministério público. Arma-se dessa forma o problema político em torno do social e o terceiro setor encontra-se maduro para ir além de seu discurso e ação humanitária. Encontra-se diante de um desafio já que deve mediar as ações entre a esfera governamental e o universo social.

Uma vez que a nossa Constituição abre espaço para que os direitos sociais de todos sejam garantidos quer pelo Estado ou pela colaboração da sociedade, as ações do terceiro setor sem dúvida alguma devem ser sustentadas pelo Estado.

Se as organizações do Terceiro Setor estão atuando no campo social, o Estado tem que garantir essa atuação já que se trata de colocar em prática o acesso universal à educação, à saúde, à assistência social e a um ambiente ecologicamente saudável. Aquelas organizações cuja atuação se identifica com o campo dos direitos sociais deveriam praticar ações de cidadania ativa pressionando o Estado para que este transfira recursos para suas atividades, já que estão disponibilizando serviços públicos como determina nossa Constituição. O exemplo a ser seguido é o das ONGs/AIDs que se mobilizaram e lutaram arduamente para que o Estado cumprisse a determinação legal de que a saúde é um direito de todos. O Estado foi obrigado a transferir recursos financeiros e materiais, no caso remédios e preservativos, para que a sociedade organizada pudesse ajudá-lo no cumprimento de um dever constitucional.

O Terceiro Setor, apesar de ser marcadamente heterogêneo e complexo, pode convergir para ações articuladas em torno de temas que são comuns e estratégicos para o fortalecimento de suas organizações. A demanda por recursos públicos, que garantam o cumprimento dos direitos sociais constitucionais, pode e deve tornar-se uma agenda de luta comum das organizações sociais, fundamentada no que dita nossa Constituição, ou seja, a garantia de acesso universal aos bens públicos quer eles sejam ofertados pelo Estado ou pelo terceiro setor.

 Luiz Carlos Merege - Terceiro Setor, A arte de administrat sonhos

 

Palavras-chave: ação política, direeitos sociais, estado, filantropia, governo, reivindicação, sociedade civil, terceiro setor

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setembro 07, 2010

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Postado por Luciana Santos

Não é a última novidade do momento, mas ainda precisa pegar a moda!

FOLHA DE SÃO PAULO, TERÇA-FEIRA, 30/12/2008

Indicadores de bem-estar ganham força

Produto Interno Bruto é posto em xeque por não conseguir avaliar riquezas naturais ou nível de felicidade das pessoas.

Índice usado no Butão, o FIB (Felicidade Interna Bruta) considera dados de nove áreas, sendo apenas uma delas ligada à economia

ANDRÉ PALHANO

COLABORAÇÃO PARA A FOLHA


O PIB (Produto Interno Bruto) está em xeque. O aumento das preocupações climáticas, a onda da sustentabilidade e, mais recentemente, a crise financeira e seus impactos na economia real, estão dando um fôlego inédito ao questionamento sobre a utilização dos indicadores de crescimento econômico (dos quais o PIB é o principal) como ferramenta para se medir o progresso de uma sociedade -e, conseqüentemente, como norte para as políticas de governos e para as estratégias empresariais.


O ano de 2008 foi um terreno fértil para o avanço de estudos e pesquisas relacionados a indicadores alternativos, sobretudo os ligados ao conceito de desenvolvimento humano, que englobam, além da dimensão econômica, as características sociais, culturais e políticas que influenciam a qualidade de vida de uma população.


Entre esses indicadores, vem merecendo especial atenção um índice que surgiu de um trocadilho com o PIB: o FIB (Felicidade Interna Bruta), criado em 1972 pelo governo do Butão, país localizado entre a China e a Índia e conhecido por ser o mais isolado do mundo. Baseado na crença de que as ações do governo devem ter como foco a promoção do bem-estar social, o FIB é uma composição de nove áreas distintas, das quais apenas uma é estritamente econômica: a de Padrão de Vida, que inclui renda per capita e outros parâmetros de renda e emprego das pessoas.


Entre as demais, chamam a atenção as que incluem o conceito de desenvolvimento sustentável (Vitalidade da Comunidade, Diversidade do Ecossistema, Boa Governança e Saúde da População) e as que estão longe dos padrões utilizados no mundo ocidental, como Uso e Equilíbrio do Tempo e Bem-Estar Emocional.


"Eventualmente, uma economia estacionária pode ser uma economia bem-sucedida", defende o vice-presidente do Conselho Nacional do Butão, Dasho Karma Ura. "O PIB é bom para se medir o capital econômico, que é fundamental no desenvolvimento de uma sociedade, mas é cego para outras esferas tão ou mais importantes, como o capital humano e o capital ambiental. Isso é extremamente relevante diante de certos dilemas que enfrentamos hoje, por exemplo o do nível de consumo ante a escassez de recursos naturais."

Mais do que agradar a linhas de pensamento alternativas, o FIB e outros indicadores semelhantes (como o Índice de Bem-Estar Social e o Índice de Desenvolvimento Humano, o IDH) vêm atraindo interesse cada vez maior de governos, empresas e instituições multilaterais. A Organização das Nações Unidas (ONU), por exemplo, quer incluir algumas dessas esferas nas Metas do Milênio a partir de 2015, uma vez que diversos países desenvolvidos já terão alcançado os compromissos assumidos em 2000 para essa data.


Até representantes de instituições consideradas conservadoras, como o diretor-gerente do Banco Mundial, Graeme Wheeler, vêm apoiando o debate sobre novos indicadores.


O presidente francês, Nicolas Sarkozy, formou neste ano uma comissão para estudar novos instrumentos para medir o desenvolvimento econômico, liderada por dois prêmios Nobel de Economia: Joseph Stiglitz e o indiano Amartya Sen. "Há muito tempo existe entre os economistas um forte sentimento de que o Produto Interno Bruto (PIB) não é um bom instrumento de medida, sobretudo para o bem-estar das pessoas. Com um pouco de sorte, esse estudo terá conseqüências em todo o mundo", afirmou Stiglitz em entrevista à imprensa francesa durante o anúncio da comissão.


Enquanto isso, o governo canadense elabora um índice oficial de bem-estar da população, que caminhará lado a lado com o PIB na condução da política econômica.

FIB nacional

 

No Brasil, o tema também começa a chamar a atenção de políticos e empresários. O Banco Real, por exemplo, promoveu em outubro uma reunião de alguns seus principais clientes com os representantes butaneses que vieram ao país para a I Conferência Nacional do FIB, realizada em São Paulo.

A Icatu Hartford, empresa de seguros e previdência, adotou o FIB como mote central de suas campanhas na mídia. Prefeituras municipais, como a de Angatuba, decidiram incorporar aspectos do FIB em suas gestões. "Temos muitas empresas e governos interessados em conhecer melhor esses conceitos. Isso foi deflagrado pela evidência empírica de que níveis de felicidade e bem-estar têm estagnado durante as últimas três ou quatro décadas em diversos países, a despeito do crescimento econômico e do aumento da expectativa de vida dos seus cidadãos. Isso também vale para as empresas e para a sua relação com os funcionários", conta a diretora do Instituto Visão Futuro e representante do FIB no país, Susan Andrews.

O segredo do Butão não está exatamente na eficácia da utilização do FIB como política pública, mas sim no desenvolvimento de uma metodologia para aferir critérios tão subjetivos como a felicidade a partir de estatísticas objetivas e confiáveis.
Curiosamente, isso acontece ao mesmo tempo em que empresas e governos procuram conhecer melhor o valor dos chamados ativos intangíveis, onde temas como responsabilidade socioambiental e confiança têm destaque crescente. "Cada vez mais as pessoas procuram atribuir valor a temas como o trabalho voluntário, a proteção ou a agressão ao meio ambiente, ao uso do tempo de cada indivíduo. E essas são esferas que os indicadores de riqueza tradicionais simplesmente não alcançam", resume o economista Ladislau Dowbor, da PUC-SP.

 

Postado por Luciana Santos | 3 comentários

setembro 06, 2010

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Postado por Luciana Santos

“ no cabaré da globalização, o Estado passa por um strip-tease e no final do espetáculo é deixado apenas com as necessidades básicas: seu poder de repressão. Com base material destruída, sua soberania e independência anuladas, sua classe política apagada, a nação-estado torna-se um mero serviço de segurança para mega-empresas”( Bauman, p.74).

 

 

 

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