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novembro 16, 2009

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Acredito que o budismo seja uma doutrina que foi criada para controlar uma super-população de mendigos e analfabetos onde os poucos recursos existentes estavam restritos a algumas castas de privilegiados.

Para evitar uma revolta popular ( a "la francesa" onde muitas cabeças rolaram) criou-se o budismo. No budismo o chique é não querer nada, pois quase nao se ha nada que que possa obter mesmo, assim desejando-se o que nao ha , sofre-se menos. 

No budismo a culpa pela dor eh de quem deseja e nao a de quem nao distribui os recursos. Se vc deseja a maravilhosa casa do sultao a culpa eh sua!   Entao, o melhor que vc pode fazer eh tentar VIRAR UMA ESTATUA, ja que se matar da muito na vista. Entao passa-se a cultura de que se vc conseguir virar uma "estatua", sem desejos , sem vontade , sem nada, vc nao vai sentir dor !  Eh o fim da dor ! ( e do prazer tambem ). PODEMOS CONCLUIR QUE O IDEAL BUDISTA EH UMA MORTE EM VIDA !!

Claro que eh desnecessario dizer que o budismo vai contra muitos instintos humanos cujo objetivo eh a perpetuacao genetica e para isso a obtencao de posses como riquezas, mulheres, poder , bens , terras e etc sao bem vindo e portanto  dao muito prazer. As coisas que dao prazer e produzem felicidade sao aquelas que auxiliam a perpetuacao genetica. 

Portanto eh uma "luta ingloria" passar a vida LUTANDO contra seus instintos que querem um destaque , que querem uma acencao socio-economica e tudo mais para tentar virar uma estatua em vida.;

Jocax

 

 

Palavras-chave: Budismo, genismo

Postado por João Carlos Holland de Barcellos em Ateus e Ateísmo

Comentários

  1. Visitante escreveu:

    Sua análise é extremamente superficial. Critique, mas critique direito por favor.

    default user iconVisitante ‒ terça, 09 fevereiro 2010, 21:01 -02 # Link |

  2. João Carlos Holland de Barcellos escreveu:

    Eu gosto de criticar esquerdo e nao direito pois sou esquerdista ! rsrsr

    João Carlos Holland de BarcellosJoão Carlos Holland de Barcellos ‒ quarta, 10 fevereiro 2010, 07:50 -02 # Link |

  3. escreveu:

    Desculpe, mas você não tem base nenhuma para falar sobre o Budismo. 

    Leia muito mais e se intere sobre o assunto que vá tratar, pois religião é algo muito polêmico.

    Não vejo nenhum ponto em que você escreveu que se pareça de alguma forma com o Budismo.

    Ateus prezam tanto pela luz do conhecimento e vejo que você está indo pelo caminho contrário com essas afirmações sem nexo nem base.

    Fica na PAZ.

     

     

    default user icon ‒ quinta, 28 abril 2011, 23:59 -03 # Link |

  4. João Carlos Holland de Barcellos escreveu:

    Maurilio sua critica nao esta bem fundamentada eh apenas um juizo de valor sem base argumentativa.

    Vc deve mostrar onde esta o erro da minha argumentacao e nao apenas dizer simplesmente que nao conheco o budismo.

    O budismo diz sim que devemos nos livrar dos desejos pois provocam sofrimento. Mas sao os desejos que nos levam a evoluir e sua saciacao nos provoca prazer.

     Nao adianta tentar virar uma estatua em vida para fugir do sofrimento: Isso eh um paradoxo pois isso tambem eh um desejo budista !!

     

    João Carlos Holland de BarcellosJoão Carlos Holland de Barcellos ‒ sexta, 29 abril 2011, 08:26 -03 # Link |

  5. Visitante escreveu:

    João,

     

    Que tal revisar a sua coluna, a princípio, mencionando os diversos tipos de budismo, suas origens e seus valores. Você se surpreender com as descobertas que você vai fazer neste processo de pesquisa.

    Aí depois disso, acho que vale a pena realizar críticas específicas aos valores de determinada corrente budista ou até de todas, variando de acordo com o resultado das suas pesquisas e também sua capacidade argumentativa.

    Seu texto passa a sensação de que você conhece pouco sobre a infinidade de temas e variações que você está tratando quando menciona o termo "budismo", até porque existiram vários budas em vários países e cada qual fez várias revelações, que, acredite, se diferenciam bastante.

    Estamos todos na expectativa de você trazer um texto mais profundo para a nossa leitura e reflexão!

     

    Obrigado

     

    default user iconVisitante ‒ terça, 05 julho 2011, 22:21 -03 # Link |

  6. Jocax escreveu:

    Visitante, Vc esta convidado a postar aqui as diversas correntes budistas para que possamos analisa-las.

    Obrigado

    jocax

    João Carlos Holland de BarcellosJocax ‒ quarta, 06 julho 2011, 08:39 -03 # Link |

  7. Jocax escreveu:

    De um debate que rola no meu FaceBook ( esta parte relativo ao budismo ) :

    ----------------------

    Andre vc disse que , em suma, a busca do prazer sempre provoca sofrimento.
    Na verdade nao.

    A PRÓPRIA ESPERANÇA e conseguir um prazer ( um objetivo ) JA EH um prazer.
    Por exemplo , o corredor que esta chegando no final da corrida ja sente prazer em estar conseguindo sua meta
    MESMO SEM AINDA TE-LA alcancado.

    Outro exemplo:
    A viagem programada de ferias que esta agendada e esta chegando JA GERA UM PRAZER ANTECIPADo mesmo antes
    da viagem chegar.

    Ou seja: A esperanca , a premeditacao de um prazer futuro JA GERA UM PRAZER que deve ser computado na felicidade.

    VC disse:
    "Mas o que ocorre é que é impossível, ao menos no estado natural, alcançar uma situação satisfatória final.
    Primeiro porque não conseguimos realizar todos nossos desejos. "

    Nao importa se nao conseguimos realizar TODO os nossos desejos.
    Na medida que mais desejos sao realizados mais prazer eh alcancado. O inverso eh verdadeiro, qto menos objetivos alcancados
    menos prazer eh obtido. Imagine o grau de prazer de um MENDIGO na rua com fome e frio , sem ter o que comer e o que vestir
    nem onde dormir. Vc acha que o nivel de felicidade dele eh omesmode alguem da classe media, por exemplo , que passa por ele de carro , agasalhado
    com cama quente e chuveiro para tomar banho a noite?

    Percebeu? Mesmo que vc nao conseguiu comprar o porshe de seus sonhos ou nao tenha um apartamento de cobertura
    ou uma linda loira deslumbrante te esperando em casa, mesmo assim , vc vai ter mais felicidade se tiver uma casa
    propria um carrinho e uma mulher que te ama, MUITO MELHOR do que aquele que se despojou
    de tudo e nao tem "nem onde cair morto".
    ---
    Vc disse:"Segundo, porque podemos obter o que desejamos e depois perder."

    Podemos obter o que desejamos e isso ja gera prazer
    se nao perdemos o prazer continua por mias tempo , se perdemos podemos
    pensar que ao menos o tivemos e que eh muito melhor do que nunca ter tido.
    Ou seja : "morrer antes de nascer eh pior que nascer , VIVER e depois morrer."

    Vc disse: "Terceiro, porque mesmo quando obtemos e conseguimos manter, os objetos de prazer eventualmente perdem o encanto, e isso nos coloca novamente na posição de insatisfação, com a qual lidamos desenvolvendo novos desejos."

    Mas ai eh que vem a evolucao :o aprimoramento e o continuo desenvolvimento pessoal e profissional:
    A necessidade perpetua de superar o que vc ja conseguiu e querer mais eh algo intrinseco do ser humano.
    E bom se vc pensar que isso move a humanidade no sentido de desenvolvimento economico e social.
    NAO AGIR E FICAR PASSIVO COM MEDO DA VIDA JA EH MORRER ANTES DE VIVER.

    POr isso podemos dizer que o desejo eh o motor da vida: Isso que nos move para uma vida melhor.
    Do contrario ficariamos eternamente como BEDUINOS catando sobras pelas savanas e florestas...
    ----
    vc disse: "Outro ponto digno de nota, na defesa da minha perspectiva, é que dor nem sempre implica sofrimento. Muitas pessoas são capazes de atravessar a experiência da dor sem experimentar um quadro mental de insatisfação."

    Dor e sofrimento sao sinonimos. O que talvez vc esteja querendo dizer eh que o sofrimento seria a SOMA
    de todas as dores e talvez prazeres associados a elas.
    Neste caso eh possivel a pessoa sentir dor e por outro lado ter prazer tambem , veja alguns exemplos:

    A pessoa faz exercicos fisicos extenuantes e cansativos na academia mas ela sabe que isso a fara ter um visual mais bonito
    e uma saude melhor : entao essa dor provocara TAMBEM prazer e o computo total devera/podera ser o prazer.

    Outro exemplo: O Xiita da chibatadas nas costas ateh ficarem sangrando e mesmo assim continua a se auto-flagelar , mas sua crença
    lhe diz que isso o aproximara de DEUS e portanto essa dor eh tambem acompanhada de um prazer maior que compensa a dor.

    Existem milhoes de exemplos deste tipo, inclusive a pessoa pode ficar sugestionada ( tipo placebo ) e nao sentir
    algo que normalmente provocaria a dor ou seja prate do que seria dor pode ser BLOQUEADA pela ment antes de se tornar consciente.

    ----------
    Entao na Meta-Etica-Cientifica deve-se medir todo o prazer e sofrimento/dor que chega na consciencia com seus diferentes valores. Se o cerebro consegue bloquear parte do que seria dor entao isso nao deve ser computado na felicidade pois nao eh sentido.

    --

    Eu disse:
    "?"Vc acha que o nivel de felicidade dele eh omesmode alguem da classe media, por exemplo , que passa por ele de carro , agasalhado
    com cama quente e chuveiro para tomar banho a noite? "

    Vc disse:
    " o mendigo pode até ser mais feliz.
    Tá cheio de milionário indo no psicólogo e tomando antidepressivo, ou se suicidando.
    E tá cheio de pobre feliz da vida. "

    JC: Ah ta ! Entao eh por isso que TANTA gente esta jogando na mega-sena neh?
    Pra poder ficar infeliz !! rsrsr

    Veja bem , se pobreza troussesse felicidade serua facil: bastaria doar tudo que
    vc tem e tudo que vc ganha e ficar pobre.
    Como ninguem faz isso , deve ter alguma coisa errada no seu pensamento , neh?

    Vc disse: "Felicidade não depende de fatores externos."

    Isso eh auto-contradicao sua: Se nao dependesse de fatores externos vc nao diria que riqueza produz infelicidade.

    Veja bem, Nao dependeria se o cerebro nao interagisse com o mundo externo, mas nao eh o que acontece.
    A fome, o frio, o calor , a sede , mulheres bonitas, praias, filhos passando fome e todos estes fatores que
    atingem nosso cerebro vem do mundo externo. Nao sao imaginacao e afetam nossa felicidade.

    --

    Vc disse:
    "O problema é o apego e não o desejo. Sofremos porque nos apegamos."
    Como vc define "APEGO"?

    Vc disse: "O que ocorre é que a pessoa lida com a presença da dor de uma maneira diferente. Ela não fica insatisfeita com a presença da dor, mas aceita a dor. E por isso, não sofre por causa da dor que está sentindo."

    JC: DEPENDE DA DOR. Vc nao pode controlar a dor a seu bel prazer, se fosse
    asssim nao haveria necessidade de ANESTESISTA nem de ASPIRINA ou outros analgesicos.
    Algumas pessoas podem aceitar mais a dor que outras mas tambem as pessoas
    que aceitam podem ficar MAIS PASSIVAS e MAIS INFELIZES do que as que lutam para
    se debelar da dor, pois ficam com a dor por mais tempo.

    ----
    Vc disse : "Eu vi alguns muito felizes, sorrindo o tempo todo, mesmo cheios de dores e sabendo que morreriam logo. Alguns disseram que o cancer foi a melhor qsue lhes aconteceu, pq lhes permitiu libertar essa felicidade e amor que antes lhes eram desconhecidos."

    Existem coisas chamadas MENTIRA, INVENCAO e outras do genero. Muitos podem dizer isso para que NAO ficamos com pena deles.
    De qqr modo muitos dizem ver jesus, falar com deus etc..
    Nao se pode confiar muito no cerebro de quem esta com cancer terminal.
    E se o cancer matou a area do cerebro responsavel pela DOR?

    ---
    Vc disse: "Enquanto isso, há pessoas que obtém todo tipo de prazer (mulheres belas, carros importados, roupas luxuosas, comidas exóticas, jogos de todos os tipos, viagens, familiares que os amam) e não conseguem er felizes. "

    Pois eh a estas pessoas sempre existe a possoibilidade de se tornarem pobres
    se elas assim o desejarem, o contrario eh muitpo mais dificil.
    Mas eh claro que pessoas ricas tendem a ser muitomais felizes que pessoas pobres
    por isso que ninguem em SÃ consciencia quer ser pobre e todos adorariam serem ricos.
    Isso ocorre pq seu pensamento esta errrado.

    ---

    Vejja uma pesquisa: "Os economistas descobriram que a felicidade da população - que eles chamam de bem estar subjetivo - só aumenta até uma determinada faixa de renda. Depois, o país pode ficar até mais rico, mas seus habitantes não se consideram mais felizes. "Até uma renda per capita de US$ 10 mil por ano, a relação entre dinheiro e felicidade é forte. Acima desse nível, fica mais tênue", diz Eduardo Giannetti, autor de Felicidade (Companhia das Letras).
    Nos Estados Unidos, as pesquisas indicam um acréscimo de felicidade até a faixa de renda de US$ 20 mil por ano, em média. Depois, ela estaciona e só volta a subir quando a renda ultrapassa US$ 80 mil por ano. Explica-se: na base da pirâmide, as pessoas ficam muito felizes quando conseguem dinheiro suficiente para satisfazer seus desejos elementares. No topo, elas têm recursos para comprar o que querem, ou quase. "Acima de US$ 80 mil, o cidadão é vitorioso e venceu a corrida armamentista do consumo", diz Giannetti. "Nesse sentido, dinheiro traz felicidade." No Brasil, os números indicam fenômeno semelhante. A renda per capita média é menor (R$ 12.436 anuais, ou US$ 6.500) e a concentração de renda, maior. "

    ---
    Vc disse:
    "Isso mostra que a felicidade não é sinonimo de prazer, nem o sofrimenro sinonimo de dor."

    Onde eu disse que felicidade eh sinonimo de dor ou de prazer?
    Eu disse q a felicidade eh o somatorio PODERADO PELO TEMPO de todos os sentimentos ( sofrimentos/dores e prazeres )
    eh diferente.
    Todo sentimento tem um prazer ou sofrimento ( ou os dois ) associado a ele.


    ---

    Vc disse:
    "Eu disse que a felicidade independe de riqueza ou de pobreza."

    Esta errado. Eu mostrei pesquisas estatisticas provando que a felicidade
    depende SIM do dinheiro. Claro que se vc tomar casos EXTREMOS
    e absurdos de pessoas quem entram numa maquina de felicidade,
    ou que tem algum defeito genetico tipo "bobo alegre" onde esta sempre feliz
    independente do que ocorra , vc teria nestes casos a felicidade independente de riqueza.
    Mas NA MEDIA , para pessoas mais ou menos normais as pesquisas indicam o que eu te disse:

    ". "Até uma renda per capita de US$ 10 mil por ano, a relação entre dinheiro e felicidade é forte. Acima desse nível, fica mais tênue", diz Eduardo Giannetti, autor de Felicidade (Companhia das Letras)."

    Nao sei como vc nao consegue ver isso, EH OBVIO que pessoas que dormem embaixo da ponte
    entre ratos e baratas mendigando o almoco do dia tendem a ser MENOS felizes
    NA MEDIA do que pessoas que tem casa , comida chuveiro e cama.

    Obvio que em ambas situacaoes podem ter casos de pessoas infelizes e felizes
    mas NA MAIORIA ocorre o que esta na pesquisa.

    ---
    Vc disse: " E, como eu expliquei, felicidade não está atrelada ao prazer, nem sofrimento ao desprazer/dor"

    Me defina entao SEU Conceito de felicidade.

    "Como vc define "APEGO"?"

    Vc disse: "Apego é considerar a realização do desejo como algo imprescindível, como necessário para a felicidade."

    Depende do desejo. Alguns apegos sao mesmo imprescindiveis outros nao.
    POr exemplo todos os pais tem um apego que seus filhos sobreviam o suficiente
    para pelo menos passarem para a fase adulta. A pior dor do mundo eh a
    perda de um filho por isso alguna apegos sao mesmo necessarios para a felicidade.
    Nao apego consumista.

    Vc disse: " Podemos lutar sem experimentarmos o desespero, ou seja, sem sofrimento."

    Depende. Pessoas com dores cronicas fortes naotem como aceitar a dor e a infelicidade
    delas eh fortemente influenciada por estas dores cronicas.
    Nao da para aceitar. Veja alguns exemplos da dor cronica e suicidio:

    "...Dor grave está associada à maior freqüência de pensamentos suicidas, tentativas de suicídios e suicídio completo (Fishbain et al., 1997), o que exige a pesquisa da ideação e planejamento suicida regularmente nos pacientes cronicamente acometidos. "
    http://www.hcnet.usp.br/ipq/revista/vol32/n3/149.html

    "..Pacientes com doença renal terminal apresentam risco aumentado de suicídio em relação à população em geral (Kurella et al., 2005)."
    Depressão e comorbidades clínicas
    www.hcnet.usp.br
    Dr. Chei Tung Teng. Al dos Nhambiquaras, 626, Moema – 04090- 001 – São Paulo – SP; e-mail: tengtung@terra.com.br ou tengct@aol.com


    ---
    Vc disse:
    " É possível não sofrer diante da dor, pergunte a qualquer médico..."
    Nem sempre , talvez em dores nao cronicas.
    Veja mais exemplos:
    "..Gastrite aguda é um processo inflamatório mucoso agudo, habitualmente de natureza transitória....
    A gastrite aguda está associada freqüentemente com:...Tentativas de suicídio, como ocorre com ácidos e álcalis"

    "Dor crónica pode causar ansiedade, isolamento e até suicídio"

    Ou seja para a pessoa chegar ao nivel de suicidio eh pq nao da para tolerar a dor.

    --
    ?"Vc disse que dor e sofrimento são a mesma coisa.
    Eu estou mostrando que não são."

    veja bem se a pessoa nao sente a dor ela nao sofre portanto nao ha dor.
    Se ha dor ha sofrimento. Sao duas palavras sinonimas.
    O q pode acontecer eh de a pessoa tolerar mais a dor que outras.
    A mesma dor causa o mesmo sofrimento. Nao estou dizendo que a mesma
    injuria causa a mesma dor.

    Mas isso nao importa o fato eh que a dor/sofrimento diminuem a felicidade
    e o prazer aumenta a felicidade.

    Nao existe felicidade se a pessoa sente apenas sofrimento / dor e nao sente prazer.
    CONCORDA?

    Da mesma forma NAO existe infelicidade se a pessoa soh sente prazer e nao possui dor / sofrimento .
    CONCORDA?

    se nao concorda ache contra-exemplos.

    ---

    VC disse: "Mas o caso é que há pessoas que tem poucos prazeres na vida e muita felicidade, e pessoas que tem muitos prazeres e pouca felicidade."

    Acho q e vc esta confundindo PRAZER com PRAZER SENSORIAL tipo : tomar um sorvete, ter uma transa agradavel, viajar etc..
    coisas que vc sente mais diretamente.

    Vc precisa EXPANDIR seu conceito de prazer. Os maiores prazeres nao sao esses.
    Vc pode ter um grande prazer por exemplo sabendo que beneficiou uma grande parte da populacao com alguma ideia.
    Ou entao que ajudou a salvar muitas vidas. Ou que seus filhos vao estar bem mesmo que vc esteja passando fome por eles.
    Os maiores prazeres sao GENE_PERPETUATIVOS e NAO sensoriais.

    Vc deve parar de pensar em prazer como sendo prazer sensorial.

    -----
    vc disse:"a felicidade costuma estar mais presente quando há prazer. Mas isso não mostra que há uma relação causal, e sim uma relação circunstancial (estatística)"

    O FATO eh que a maioria das pessoas sentem mais FELICIDADE ( a pesquisa NAO fala de prazer fala de FELICIDADE )
    qdo tem mais dinheiro. Isso eh fato comprovado. Vc nao pode negar os fatos:

    "Até uma renda per capita de US$ 10 mil por ano, a relação entre dinheiro e felicidade é forte. Acima desse nível, fica mais tênue", diz Eduardo Giannetti, autor de Felicidade (Companhia das Letras)."

    ---

    Eu disse: ""Ou seja para a pessoa chegar ao nivel de suicidio eh pq nao da para tolerar a dor."

    Vc disse: "Tanto dá que muitas não chegam às vias do suicídio, mesmo com forte dores crônicas."

    Obviamente que depende da INTENSIDADE da dor , ninguem vai se suicidar porcausa de uma simples dor de cabeca.
    Mas esses casos mostram fortemente a relacao de dor com felicidade.

    --
    Vc disse: "Se fosse uma relação causal, então teríamos que toda pessoa que chega a um nível X de dor tentaria se suicidar. Ou então que uma pessoa A sempre tentará se suicidar quando chegar a um nivel X de dor. e não é isso que ocorre."

    NAO eh apenas a intensidade de dor e sim a sua PERSISTENCIA NO TEMPO.
    lembra q a felicidade depende do TEMPO. Assim se a dor eh forte de curta duracao pode-se
    esperar passar , mas se eh CRONICA ( se repete no tempo ) ai vc esta errado tanto eh que
    muitas pessoas se suicidam pois nao veem perspectiva de findar a dor.

    Outro arigo comprovando:
    "...G.E.Ratcliffe e colaboradores, psiquiatras canadenses da Universidade de Manitoba, investigaram 36.984 pacientes que tinham dores crônicas devido a enxaqueca, dores na coluna, artrites e fibromialgia,
    quantos tinham idéias suicidas e que tentaram o suicídio.
    Numa primeira análise desse tipo, foi constatado que realmente houve uma **maior tentativa de suicídio** quando a dor crônica, devido a soma de três dessas quatro condições estudadas, mas a presença de suicídio efetivo era rara."

    ---

    s tentativas de suicidio mostra claramente que dores provocam infelicidade.

    Dor crônica faz muitos sofredores contemplar o suicídio:
    De acordo com uma nova pesquisa pacientes que sofrem de dor crônica são mais propensas que outras a consid...See More
    Dor crônica faz muitos sofredores contemplar o suicídio
    www.news-medical.net
    De acordo com uma nova pesquisa pacientes que sofrem de dor crônica são mais propensas que outras a considerar o suicídio. Um estudo realizado por pesquisadores nos Estados Unidos descobriu este

    ---
    Vc disse:"Isso que vc sente quando seu filho vai bem, ou quando vc faz algo bom para o mundo, é tào diferente do que vc sente quando tem um orgasmo ou quando sente um sabor gostoso (são áreas do cérebro distintas que sào acionadas em um caso e no outro) que talvez não devêssemos colocar tudo num conjunto só chamado "prazer". "

    Devemos sim pela propria definicao de prazer:
    Michaellis:"prazer2
    pra.zer2
    sm (lat placere) 1 Alegria, contentamento, júbilo.
    2 Deleite, gosto, satisfação, sensação agradável.
    3 Boa vontade; agrado.
    4 Distração, divertimento.
    5 Filos Emoção agradável que resulta da atividade satisfeita.
    Antôn (acepções 1 e 2): tristeza, dor, aflição. Prazeres físicos: prazeres materiais; gozo sensual."

    da Wikipedia:
    "...O prazer pode ser atingido através de várias maneiras, tais como praticando exercícios, comendo, sexualmente, escutando música, usando de drogas, escrevendo, realizando algo que, particularmente, cause prazer em um indivíduo, reconhecendo outrem, servindo a outro ou a um determinado ser superior (Deus, por exemplo, pelos cristãos) ou *** qualquer outra atividade imaginável ***...."

    Percebeu?
    Vc associa erroneamente prazer a atividades que geram prazer SENSORIAL mas sua
    nocao de prazer deve ser expandida.

    --

    Vc disse:"Por isso é que um mendigo pode ser feliz. Tinha uma aqui na minha rua que ilustra isso. Ela era suja, feia, desnutrida e dormia no relento, mas vivia sorrindo pq a felicidade dela era dar comida aos pombos."

    Eu NAOOOOO disse que TODO mendigo ou pobre nao possa ser infeliz.
    Eu disse que a felicidade aumenta se vc aumenta a quaklidade de vida ($).
    Por exemplo esta mendiga poderia ser MAIS FELIZ se tivesse mais dinheiro para alimentar MAIS pombos
    e cachorros e seria MENOS FELIZ se nao tivesse como conseguir comida para dar a seus pombos,
    Entendeu?

    ---
    Vc disse: "a felicidade do altruísmo permanece para além de nossas sensações de dor ou de prazer."

    NAO, pela definicao de prazer a "felicidade do altruismo" TAMBEM EH PRAZER!!!!

    Vc deve mudar sua nocao de prazer para englobar TUDO que causa felicidade, bem estar, alegria.

    João Carlos Holland de BarcellosJocax ‒ domingo, 11 setembro 2011, 21:14 -03 # Link |

  8. Jocax escreveu:

    Continuacao...

     

    O artigo da meditacao nao refuta a teoria da geneperpetuacao:

    Veja bem: FUMAR CRACK tambem da prazer mas vai contra a gene-perpetuacao.

    Isso ocorre pq a selecao natural ao teve tempo de apagar os genes que fazem viciar em crack. Por erto se o crack fosse disseminado , em algumas centenas ou milhares de anos ninguem sobrevivente gostaria do crack.

    Da mesma forma - NAO O BUDISMO - mas a MEDITACAO ( nao confunda ) pode fazer o mesmo papel de controlar a liberaco de endorfinas para o cerebro. mas se isso prejudica a gene perpetuacao , por certo sera apagado do pool genetico.

    De qqr modo a felicidade nao se mede apenas pelo PICOS de prazer mas sim pelo prazer AO LONGO DO TEMPO , assim da mesma forma que o crack pdoe dar prazer temporario curto a meditacao poderia fazer o mesmo , mas se este prazer te tirar da rota gene-perpetuativa entao a felicidade ira diminuir , a pessoa ficara mais isoladada , nao batalhara por condicoes melhores de vida , tenderia a ficar mais num casulo de prazer temporario deixando de experimentar outros que lhe poderiam proporcionar uma felicidade maior.

    ----
    VC disse: "Mas a meditação budista é diferente destas, é contemplar o desprazer para aprender a não se envolver com ele, e contemplar o prazer para aprender a não se envolver com ele também."

    Pois eh o objetivo budista como te disse e repito eh NAO VIVER, tentar
    fazer com que a pessoa VIRE UMA ESTATUA SEM SENTIMENTOS: Ridiculo !

    A felicidade esta atrelada ao prazer e diminuicao da dor, fugir do prazer
    COM MEDO DA DOR eh uma atitude covarde que pode ateh evitar alguma dor
    da mesma forma que o suicida se livra da dor se matando.

    O budista se mata em vida: foge do prazer com medo da dor numa atitude de fuga.

    ----
    Vc disse: "Vveja que os homens mais felizes do mundo, segundo essas medições, são aqueles monges budistas "

    JA te mostrei que esta pesquisa eh furada e vc volta ao assunto :

    1-Eles NAO SABEM O QUE EH FELICIDADE para fazer esta afirmacao. ( A formula da felicidade jocaxiana nao eh conhecida!)

    2-Eles nao mediram nem 0,0000001% da populacao mundial para dizer que as pessoas mais felizes DO MUNDO sao tais pessoas.
    No maximo poderiam dizer: DAS PESSOAS PESQUISADAS estas sao as mais felizes SEGUNDO NOSSO CRITERIO DE FELICIDADE!

    3-Os genistas devem ser os mais felizes do planeta , soh que ainda nao mediram nenhuma !!! :-)

    -----
    Eu perguntei:
    "Vc eh a favor da LIBERALIZACAO das DROGAS?"

    Vc disse: "Completamente a favor. Mas contra o uso."

    Entao eu te pergunto vc eh favor da leberalizacao do COMERCIO DE ARMAS tambem?

    Veja como o budismo FALA SIM DE DESEJOS:
    Da wiki:
    ".. a vida como a conhecemos é finalmente levada ao sofrimento e/ou mal-estar (dukkha), de uma forma ou outra;



    o sofrimento é causado pelo desejo.
    Isso é, muitas vezes, expressado como um engano agarrado a um certo sentimento de existência,
    a individualidade, ou para coisas ou fenômenos que consideramos causadores da felicidade
    e infelicidade.

    O desejo também tem seu aspecto negativo;
    o sofrimento acaba quando termina o desejo.
    Isso é conseguido através da eliminação da ilusão, assim alcançamos um estado de libertação do iluminado (bodhi);



    esse estado é conquistado através dos caminhos ensinados pelo Buda.
    "

    veja bem se vc nao tem desejo NEM APEGO de progredir de comprar uma casa
    de ter umemprego isso conduz a apatia e a nao busca pelo proprio progresso.
    Obvio que os desejos fazem parte da biologia humana e NEGAR OS DESJOS COM MEDO DO SOFRIMENTO eh ridiculo.

    OS DESEJOS DEVEM SER BLOQUEADOS APENAS SE AVALIARMOS QUE PRODUZIRAM MAIS INFELICIDADE DO QUE FELICIDADE.

    Por exemplo o DESEJO DE PODER que eh negado pelos budistas como algo bom
    fara com que a pessoa nunca busque uma ascencao social na politica ou no emprego.
    Assim nenhum budista poderia aspirar ser presidente da republica , por exemplo.

    ----
    Vc disse: "Mas no dia em que não há transa, dança ou amor, eles não sofrem pela ausência
    (parcialmente claro, pq o budista é aquele que pratica para chegar cada vez mais próximo desse estado ideal)"

    Eu acho que QUERER se livrar de uma dor/sofrimento , quando ela se apresenta
    soh faz AUMENTAR o sofrimento pois isso gera dois sofrimentos:
    1-O sofrimento da dor sentida inicialmente
    2-O Sofrimento de DESEJAR se livrar da dor sendo impossivel.

    Ou seja o Budismo vai CONTRA a essencia humana , contra a biologia humana.
    Explico:

    Muitas vezes SENTIR A DOR com toda a sua forca eh MELHOR do que tentar fugir dela .
    A dor eh uma FUNCAO NATURAL do ser humano e dos animais necessaria para
    a preservacao genetica e a felicidade: Se vc foge da dor e nao a sente VC NAO APRENDE
    e NAO EVOLUI ( e tambem nao conquista).
    Por exemplo:
    1-A pessoa que o poder politico e luta por ele e pode conseguir a presidencia.
    2=Outra pessoa luta e nao consegue , SOFRE E APRENDE COM O SOFRIMENTO
    LULA perdeu pelos menos 2 eleicoes antes de ser presidente, mas CONTINUOU LUTANDO
    e aprendeu com as duas derrotas. Se ele fosse um budista nunca seria presidente !
    3-Outra pessoa que poderia ser presidente mas eh budista nao vai lutar com suas forcas
    apar conseguir , pois acha que isso pode ocasionar sofrimento ACHANDO QUE O SOFRIMENTO EH SEMPRE RUIM
    quando na verdade NAO EH !

    ----
    Vc disse: "Quando há desapego, não há egoísmo.
    Vive-se para cuidar dos outros e é desse viver que o budista obtém grande alegria e felicidade."

    Ai que lindo !! rsrs

    Por isso q os budistas sao tao pacatos e amaveis:

    "..Cinco monges budistas perderam a compostura e brigaram no meio da rua com monges de um templo próximo ao seu, na Tailândia. Conforme a Agência Reuters, a briga foi o ápice de anos de rivalidade entre os dois templos. "
    http://noticias.terra.com.br/popular/noticias/0,,OI541823-EI1141,00.

    "Budistas vindos do Vietnã trocaram empurrões com os de Camboja.
    Manifestação é por uma maior liberdade religiosa."
    http://g1.globo.com/Noticias/Mundo/0,,MUL24516-5602,00.html

    ".Budista teria dado chute e batido na cabeça do monge com pedaço de madeira.
    Agressão teria acontecido depois que o religioso advertiu discípulo...."
    http://g1.globo.com/Noticias/SaoPaulo/0,,MUL21918-5605,00.h

    Falar eh facil ! rsrsrs
    Nem os monges budistas conseguem controlar suas acoes quanto mais suas emocoes !! rsrsr

    Frase de um site:
    "BUDISMO ARISTOCRÁTICO
    O hipócrita não aspira a ser virtuoso, e sim, a parecê-lo;
    não admira intrinsecamente a virtude, deseja ser contado entre os virtuosos pelos ganhos e honras que tal condição possa trazer-lhe.
    Faltando-lhe a ousadia para praticar o mal, a que está inclinado, contenta-se em sugerir que oculta suas virtudes por modéstia;

    O pudor dos hipócritas é a peruca de sua calvície moral. "

    ---
    Vc disse:
    "Se eu fosse genista, iria me esforçar para produzir uma tecnologia tão poderosa que poderia inocular meus gametas em todas as mulheres do mundo na calada da noite, sem o conhecimento delas,"

    Sim por certo vc faria isso por duas razoes:
    1- Primeiro a etica que vc defende eh a "LEI DO MAIS FORTE" entao
    por certo vc faria isso ja que tendo o poder para isso e nao se preocupando com o sofrimento dos outros , fica com o caminho livre para estuprar todas na calada da noite.

    2-Segundo por que VC NAO ENTENDE NEM LEU O GENISMO.

    Se tivesse lido o genismo teria notado que :

    "...Devemos sempre estar atentos, e não perder de vista, o objetivo do genismo : A Felicidade. Embora o genismo ainda não possua um código de ética definido, as restrições éticas às nossas ações devem ser baseada na meta-ética-científica : A felicidade de cada um está limitada à felicidade do grupo, isto é, um indivíduo do grupo não deve aumentar sua felicidade às custas da felicidade total do grupo..."

    http://www.genismo.com/genismotexto2.htm
    ----

    João Carlos Holland de BarcellosJocax ‒ sábado, 17 setembro 2011, 13:41 -03 # Link |

  9. Henrique Arthur Siqueira Pires escreveu:

     

     

    Olá, João. Tudo bem?

    Havendo me deparado com sua postagem, visualizei uma situação bem desconfortável. Amigo, lamento dizê-lo, mas quaisquer sejam suas referências existem boas chances de que tenha sido ludibriado.

    Imagino um seríssimo problema no nosso meio: referências mal estruturadas ou tendenciosas. Às vezes, vamos falar de um tema que compreendemos vagamente; erguemos a discussão em função do nome, mas mão logramos atingir o cerne. Pode equiparar-se, por uma analogia, a alguém que critica as propriedades do vinho através da análise de um frasco com refrigerante de uva.  Que sejam superficialmente parecidos, ou não, fato é que ele desconhece o [real] objeto de sua crítica.

    O tema parece girar em torno da questão sobre desejo e aquilo que ficou descrito como o ideal de "virar estátua em vida". Pois bem. Uma primeira e importante informação é a de que estas prerrogativas não se enquadram, em absoluto, em nenhuma tradição budista – nem mesmo na Theravada, que tem maior inclinação à prática em seclusão. Por exemplo, o cânone pali apresenta o discurso chamado Brahmana Sutta (SN 51.15), onde o desejo é suscitado como uma pré-condição a ser bem orientada no alcance da realização plena. E, de modo cada vez mais elaborado, podemos encontrar a necessidade de bem direcionar o desejo nos sutras Mahayana, como: o Vimalakīrti Nirdeśa
    Sūtra (“Sutra de Vimalakirti”, Taisho Tripitaka 0475), o Mahāvaipulya Buddhāvataṃsaka Sūtra (“Sutra Avatamsaka”, Taisho Tripitaka 0279) , o Saddharmapuṇḍarīka Sūtra (“Sutra Lótus”, Taisho tripitaka 262), etc. Em todos, o desejo se reflete no criação de votos e compromissos a longo prazo para o benefício de todos os seres. No Budismo, pois, o desejo pela felicidade e prosperidade de todos é fundamental.

    Assim mesmo, existe um conceito que ajuda a esclarecer o tema sem grande dependência de citações e escrituras. No Budismo, todas tradições lidam com a referência de “Caminho do Meio” (sânsc. majjhima-paṭipadā)
    . Sua ênfase pode ser dada ao aspecto externo ou interno. O aspecto de maior evidência diz respeito ao equilíbrio entre os extremos de auto-indulgência e ascetismo – seguramente, lida com o equilíbrio das disposições e desejos. Trata-se de algo bem similar ao que Aristóteles apresentava como “Mediana” ao discutir a justo-meio e as virtudes humanas em sua Ética a Nicômaco. Indo um passo além, uma maneira mais sutil de compreender majjhima-paṭipadā diz respeito às Duas Verdades (sânsc. satya-dvaya), isto é, os dois níveis de realidade explicitados, sobretudo, por Nagarjuna na escola de pensamento Madhyamaka: tratam-se dos aspectos Relativo (sânsc. saṃvṛti-satya) e Último (sânsc. paramārtha-satya). Nessa concepção, é importante reconhecer tanto a faceta convencional da realidade (com um mundo de multiplicidade e uma individualidade que deseja) quanto a absoluta (onde transcende-se tanto multiplicidade quanto a individualidade que deseja). Mas, pode-se perguntar, como isso tem utilidade prática? Basta contemplar a interação dos dois níveis de realidade em um símbolo da tradição Budista: a roda do Dharma.
    Roda do Dharma

    O eixo, por vezes representado como um espaço vazio, representa a realidade a nível último: imóvel, estável, equilibrada; ao passo que a circunferência e demais detalhes representam o nível convencional: com movimento, instável e sujeito a mudança. Como sugere o sexto patriarca da escola Ch'an do Budismo chinês, um praticante não deveria "sentar-se quieto e simplesmente nada fazer ou nada pensar", pois com isso apenas se converteria em um tronco de árvore podre. A ideia da prática segundo o Caminho do Meio melhor se assemelha àquela da Roda do Dharma, onde o eixo é estável e imóvel, enquanto a superfície gira e cria avanços
    . Na verdade, a roda de um veículo apenas avança com eficiência quando seu eixo é firme. Assim, o praticante é aconselhado a ter uma mente equilibrada como eixo – nem muito cheia de desejos infindáveis, nem tampouco apática como a de um zombie –, para então poder avançar e desenvolver-se no mundo, sendo capaz de levar a frente projetos benfazejos, ter sucesso e beneficiar mais seres.
    Reiterando, pois, não convém acreditar que a tradição budista aconselha seus praticantes a “virarem estátuas sem desejos” tanto quanto não convém que sejam “desequilibrados e sem eixo, arrastados ao bel prazer de quaisquer desejos”. Em suma, é como a bela metáfora de atravessar a correnteza ( frequente nos textos budistas): comparando-se o desejo à água, atravessar pressupõe naturalmente pisar sobre as águas, mas não pressupõe ser arrastado por elas. Como no Ogha-Tarana Sutta (SN. 1.1), o Buda diz: “Atravessei a correnteza sem nem empurrar a frente, nem ficar parado no lugar.” (Appatiṭṭhaṃ khvāhaṃ āvuso anāyūhaṃ oghamatarinti.)

    Outro detalhe, registros nos mostram que Buda se arriscou em prol da igualdade entre castas e entre gêneros, exortando as pessoas a criarem melhores condições sociais sob uma lógica de compaixão e igualdade. O Buda seguramente tinha um amplo desejo de beneficiar as pessoas em todas as partes. Muito embora ainda hoje tenhamos imagens de pedra desse professor, ele foi bem mais ativo que “uma estátua” durante seus 45 anos de prática pedagógica.

    Bom, João, espero que isso lance uma nova luz sobre o tema. Para melhores esclarecimentos, sugiro uma leitura atenta da literatura Madhyamaka. Algumas obras de Nagarjuna devem estar traduzidas ao português.

    Boa sorte.

     

    Henrique Arthur Siqueira PiresHenrique Arthur Siqueira Pires ‒ quinta, 29 setembro 2011, 13:34 -03 # Link |

  10. Jocax escreveu:

    Da WIKI eu copiei:

    As Quatro Nobres Verdades

    http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/3/3a/Magnifying_glass_01.svg/17px-Magnifying_glass_01.svg.pngVer artigo principal: Quatro Nobres Verdades

    De acordo com o Cânone Páli, As Quatro Nobres Verdades foram os primeiros ensinamentos deixados pelo Buda depois de atingir o nirvana[31]. Algumas vezes, são consideradas como a essência dos ensinamos do Buda e são apresentadas na forma de um diagnóstico médico[32]:

    1. a vida como a conhecemos é finalmente levada ao sofrimento e/ou mal-estar (dukkha), de uma forma ou outra;
    2. o sofrimento é causado pelo desejo. Isso é, muitas vezes, expressado como um engano agarrado a um certo sentimento de existência, a individualidade, ou para coisas ou fenômenos que consideramos causadores da felicidade e infelicidade. O desejo também tem seu aspecto negativo;
    3. o sofrimento acaba quando termina o desejo. Isso é conseguido através da eliminação da ilusão, assim alcançamos um estado de libertação do iluminado (bodhi);
    4. esse estado é conquistado através dos caminhos ensinados pelo Buda.

     

    O budismo fala também de desapego: vc não deve se apegar muito a nada ( o que é ridículo, pois sem termos uma certa OBSTINAÇÃO uma apego em atingirmos nossos objetivos e metas , jamais o atingiremos ).

    Repito: Acredito que a historia  do BUDA tem muita coisa falsa, ela deve ter sido criada para IMPEDIR que os parias se revoltassem com sua condição inferior e destruíssem o sistema de privilegios das castas mais elevadas e que os mantinha no ostracismo:

    Da WIKI:

    “..O sistema de castas (Varna) indiano é dividido de acordo com a estrutura do corpo de Brahma. As quatro principais castas são:

    ·  A cabeça (Brâmanes) representa os sacerdotes, filósofos e professores;

    ·  Os braços (Xátrias) são os militares e os governantes;

    ·  As pernas (Vaixás) são os comerciantes e os agricultores;

    ·  Os pés (Sudras) são os artesãos, os operários e os camponeses.

    ·  A "poeira sob os pés" não foram originados do corpo de Brahma, por isso não pertencem às castas, mas tem um nome: são os Dalit ou párias, chamados de intocáveis (a quem Mahatma Gandhi deu o nome de Harijan, "filhos de Deus"). Os Dalit são constituídos por aqueles (e seus descendentes) que violaram os códigos das castas a que inicialmente pertenciam. São considerados impuros e, por isso, ninguém ousa tocar-lhes. Fazem os trabalhos considerados mais desprezíveis: recolha de resíduos, coveiros, talhantes, etc”

     

    Assim inventaram  uma espécie de “super-homem-super-feliz” que ensinava as pessoas a NÃO DESEJAREM pois não poderiam NEM DEVERIAM sair de suas castas , deveriam se contentar em se manterem com o POUCO que tinham , como faziam TODO MUNDO DA SUA CASTA, ( POR ISSO TRILHAR O CAMINHO DO MEIO, POIS O CAMINHO DO MEIO É A MEDIA DO QUE TODO MUNDO FAZ , SEM A SUBLEVACAO DA ORDEM ESTABELECIDA.)

    Entao IMPLANTARAM ESSE “MEME-BUDISMO” na sociedade da época para evitar que as elites pudessem ter seus privilégios ameaçados pelas castas inferiores.

    Assim não se deveria desejar as coisas que se observava nas castas mais elevadas que tinham mais recursos e riquezas e se contentar com o pouco que tinham.

    Essa passagem mostra bem isso: “

    “...Existe uma famosa história zen sobre um mestre e seu discípulo. Os dois estavam a caminho da aldeia vizinha quando chegaram a um rio caudaloso e viram na margem, uma bela moça tentando atravessá-lo. O mestre zen ofereceu-lhe ajuda e, erguendo-a nos braços, levou-a até a outra margem. E depois cada qual seguiu seu caminho. Mas o discípulo ficou bastante perturbado, pois o mestre sempre lhe ensinara que um monge nunca deve se aproximar de uma mulher, nunca deve tocar uma mulher. O discípulo pensou e repensou o assunto; por fim, ao voltarem para o templo, não conseguiu mais se conter e disse ao mestre:

    — Mestre, o senhor me ensina dia após dia a nunca tocar uma mulher e, apesar disso, o senhor pegou aquela bela moça nos braços e atravessou o rio com ela.

    — Tolo – respondeu o mestre – Eu deixei a moça na outra margem do rio. Você ainda a está carregando....”

    Ou seja a pessoa não podia nem LUTAR pela mulher bonita , pois provavelmente ela deveria ser destinada a alguém de classes/casta superiores, os parias deveria renunciar a paixão e ao amor !

    O budismo eh portanto uma filosofia/religião de RENUNCIA : COISA PARA FRACASSADOS.

    Se vc quer algo vc deve lutar SE APEGAR para conseguir e não renunciar com medo de sofrer.

    []s

    Jocax

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

    João Carlos Holland de BarcellosJocax ‒ quinta, 29 setembro 2011, 21:20 -03 # Link |

  11. Henrique Arthur Siqueira Pires escreveu:

    João,

    Alegro-me em ver sua boa vontade em responder. Certamente ainda não lhe falta energia para ler e pesquisar. Lamento, por outro lado, que tenha sido privado de referências minimamente dignas.

    O refrigerante de uva lhe caiu mal ao estômago? Por certo, se me oferecesse desse que acima descreve, também eu me contorceria perdido em dores gastroentestinais. Mas, homem, não se preocupe! Se apenas refrigerante provarmos, o verdadeiro vinho tinto ainda nos irá longe - tanto dos lábios quanto das críticas.

    O mesmo é válido no que diz respeito a tradição budista. Lembro-me, por exemplo, de uma afirmação de Schopenhauer em sua obra Parerga e Paralipomena que nos incitava a "ter mais pensamentos em detrimento de meras leituras".  Isso, se tomado levianamente, bem nos poderia servir como pretexto a atirar os livros ao fogo. Mas que terrível compreensão! O autor por certo se contorceria em seu túmulo. É nessa lógica que o iminente mestre tibetano Gampopa dizia ser um perigo tão mais recorrente quanto sutil "ler as letras sem entender suas nuances." O próprio Schopenhauer, voltando ao exemplo, retomava o tema em sua obra esclarecendo que para ter bons pensamentos, entretanto, boas leituras são de grande valia. Este, dentre outros, nos exortava a examinar os clássicos antes criar um juízo sobre os tais. Minimamente coerente, não?

    No que diz respeito ao Budismo, amigo, garanto que sucede o mesmo. Pode escolher recorrer as fontes, e se surpreender; ou, quiçá, abraçar os achismos  populares, as letras sem nuances, e acrescer-lhes seu próprio quinhão desnorteado. Para conhecermos alguém, que lhe parece melhor: investir em um diálogo direto e vê-la face à face ou, talvez, julgar com base em um retrato pintado por artista míope?


    Para evitar mais digressões, vou valer-me da passagem que nos trouxe a fim de explicar na prática o que digo por "letras sem nuances".

    A história que relata é a do famoso mestre Ch'an Yi Hsiu. Sobre o seu sentido, o mestre Hsing Yun comenta:

    "Por esta história, podemos ver que o estado de mente dos mestres Ch'an é aberto e indiscriminado. Os mestres Ch'an não discriminam entre o puro e o impuro, o macho e a fêmea. Eles compreendem que a mente, o Buda, e todos os seres são iguais."

    É uma historieta que reflete os ensinamentos da escola Cittamatra, de Asanga e Vasubhandu. Sua discussão gira em torno do fato de como nossas mentes concebem realidades diferenciadas, entre outros aspectos. De qualquer modo, como sabê-lo sem antes tê-los conhecido? Quando procuramos referências confiáveis, podemos nos surpreender. Do ponto de vista histórico, me restringirei de falar, mas antecipo que se insere no mesmo gênero (o Tripitaka pulula de fragmentos históricos da vida do Buda, os quais não deixam escapar os muitos membros segregados da sociedade que ele incentivou e ajudou no alncance de melhores condições e de igualdade perante outras castas). Se duvida, ótimo! Aproveite para dar uma boa investigada.

    Enfim, encerro o convite para uma criteriosa investigação da tradição budista, repleta de descobertas e aprendizados, com duas lembranças: cuidado com a busca de suas referências e, também, com a dificuldade em entender nuances (é um caminho escorregadio); outrossim, relembremos a analogia inicial, pois um copo muito carregado com refrigerante de má qualidade não permite o saborear de vinho algum.

    Se quiser refrigerante azedo, ei-lo aí: wikipédia, leitura de letras  e achismos coloridos. Para quem prefere algo mais doce e legítimo, tem como encontrar fonte contínua nos Shastras dos grandes filósofos como Nagarjuna, Asanga, Vasubhandu e Aryadeva. Vinho mais suave, porém igualmente adocicado, possa se encontrar nos simples porém plausíveis tratados dos mestres contemporâneos.


    Obrigado pelo convite a escrever. E boa sorte na [possível] pesquisa que o aguarda.

    Henrique Arthur Siqueira PiresHenrique Arthur Siqueira Pires ‒ quarta, 05 outubro 2011, 22:43 -03 # Link |

  12. Jocax escreveu:

    O budismo prega a nao obstinacao, o nao desejar , o nao apego a nada. Entretanto os medalhistas olímpicos, os premios nóbeis , os campeões fogem do "caminho do meio".

    Eles são obstinados em alcançar suas metas e trabalham com afinco e muitooooo mais o que prega o "caminho do meio", do trivial, da média.

    Veja o que dizia Thomas Edison ( o inventor da lâmpada entre outras invenções) :

    "Talento é 1% inspiração e 99% transpiração."
    -- Thomas Edison

    Assim se vc quiser sair da media e alcançar o alto do conhecimento vc deve fugir do "caminho do meio" e ser obstinado no que vc quer.

    abs
    Jocax

    João Carlos Holland de BarcellosJocax ‒ quinta, 06 outubro 2011, 09:00 -03 # Link |

  13. Henrique Arthur Siqueira Pires escreveu:

    Olá, João.

    Vi que você havia escrito umas coisas interessantes. E, sobre escritos, acho que é bom me desculpar pela maneira como saíram os meus, pois na pressa de ser objetivo – coisa que não sei fazer bem – devo ter sido tão sutil quanto um elefante. Eu faria bem em aprender a distinguir objetividade de rudeza. Mas enfim, espero ainda assim ser útil de alguma sorte.

    Achei tão fértil essa sua última contribuição que resolvi acrescer umas notas próprias; estas, porém, não servem para contrapor nem elucidar os seus conceitos – os quais já vão bem claros a cada palavra que adotam –, servem unicamente para circunscrevê-los: trazendo ao seu encontro os termos e os conceitos que configuram a tradição de pensamento budista.

    Emprestando o pensamento de Schonpenhauer (de novo!), creio que muito dos nossos desentendimentos se dão por usar palavras iguais para conceitos diferentes. Problemas de tradução, imagino. Afinal, um amigo diz que come mangas e o outro se horroriza diante do pensamento: “não faz bem mastigar roupas”. Falamos de frutas ou de panos? Isso pode fazer muita diferença...



    Perscrutando o Dharma

    Você expressou conceitos relativos à «não obstinação», «não desejar» e «não apego». O valor que atribuiu a eles é muito claro, interessante e, não duvido, útil. Algo mais, também falou sobre o que entende por «caminho do meio». Muito bem. Seguindo lógica parecida, vou aceitá-lo como guia e escrever sobre «vīrya», «tṛṣṇā & chanda» e «upādāna »; depois, vemos como fica o conceito de «majjhima-paṭipadā».



    Tṛṣṇā –
    um dentre os conceitos de “desejo” no budismo

    De modo geral, nossa cultura e linguagem se desenvolve a tal modo que os termos obstinação, desejo e apego parecem, aos nossos olhos, comportar um quê de semelhança. As palavras trazem valores sobretudo positivos. Em alguns casos, a palavra obstinação pode até causar certo mau-estar, sendo dúbia: há quem prefira identificá-la como vício, qualidade de quem é inflexível e fechado ao diálogo; o famoso “cabeça-dura”, ou teimoso. Mas, via de regra, apego entendemos por carinho e, desejo, por motivação. Que não sejam definições precisas, nosso entendimento dá mostras de caminhar mais ou menos nessa direção.

    Pois bem. O sânscrito, como língua clássica, traz uma intrigante qualidade expressa na pluralidade e acurácia de termos para os quais não temos tradução equivalente. Ou seja, enquanto falamos genericamente por “desejo”, é possível se pensar em meia dúzia ou mais termos similares no idioma oriental, apenas circunscritos à margem daquele. Um desses termos é «tṛṣṇā» (sânsc.; Pāli, taṇhā), que se traduz literalmente por “sede”, sobretudo no sentido de ganância, cobiça, voracidade, inquietude, etc. Fato, porém, é que a palavra se detém em elucidar unicamente características viciosas; é, efetivamente, um termo que traduz um conceito único, diferente de nosso entendimento vulgo para “desejo”. Pejorativo, negativo, trata-se da faceta contraproducente, desorientada e alucinada do desejar humano. Conceito estritamente vinculado ao de «avidyā» (lit. Sem visão, sem sabedoria), o qual representa ignorância e ilusão, «tṛṣṇā» é o desejar pessoal orientado ao engano, à dor e às ações improfícuas. Por isso, «tṛṣṇā» não é sinônimo de “desejo”, mas sinaliza aquele desejar erigido sobre bases utópicas; como criança que planta moeda esperando por árvore de dinheiro, são visíveis dois aspectos: ilusão no ato e frustração no efeito. Assim, talvez possamos entender melhor a “segunda nobre verdade”.

    Ora, mas então não altera nada! Como diria Shakespeare, mudamos o nome da rosa mas não alteramos o perfume? Será que todo desejo é malvisto nas tradições budistas? Nem sempre. Embora as características do desejar vinculadas à
    «tṛṣṇā» sejam repudiáveis, existem outros conceitos paralelos.


    Chanda um exemplo de “desejo” interpretado com neutralidade

    Um exemplo curioso que encontramos nos sutras do cânone pali, é o termo «chanda». Este designa unicamente a faceta intencional, volitiva, de aspiração, que identificamos com o conceito “desejo”. Sua implicação, porém, é neutra, nem positiva nem negativa.

    No Brahmana Sutta (SN. 51,15), Ananda até mesmo usa o termo para explicar a realização plena que os praticantes podem obter por intermédio da aspiração e esforço sinceros: começando com «chanda». (volição e vontade), pode-se chegar a tal nível de satisfação que, havendo alcançado sabedoria, refresca-se e abandona-se (a necessidade) de «chanda». Como alguém que deseja ir a um belo parque e, depois, liberta-se do desejo por ali chegar.

    Este conceito, entretanto, não determina se nossas ações são orientadas para algo produtivo ou contraproducente. Por isso, há de se ter cautela.



    Vīrya –
    um conceito positivo do “desejo” no budismo

    Que não nos surpreendamos com o quão positivo e “energético” o budismo pode ser. Tanto na tradição Theravada quanto na Mahayana, um conceito central se desenvolve na direção oposta ao negativo «tṛṣṇā» e coincide com parte do que entenderíamos por “desejo” e “obstinação”: este conceito é «vīrya». O termo, em tudo igual ao latim viris (de viril, vinculado à virtude), significa literalmente “hombridade, heroísmo, força de homem”. Um tanto assertivo, até agressivo, vindo de uma imagem parada e conformista que temos do budismo, não? Pois, de fato, as vulgas imagens com as quais nos habituamos estão mal desenhadas. Quanto a esse conceito, Buddha o incluiu na lista dos pāramitās – aquelas virtudes dignas de serem praticadas à Perfeição.

    «Vīrya» é geralmente traduzido por energia, diligência e persistência. Mas não é qualquer esforço, pois antes representa um esforço positivo, hábil, orientado em direção ao benefício final. Se «tṛṣṇā» se vincula muito mais à «avidyā», uma noção perturbada da realidade; espera-se que «vīrya
    » se erija sobre à base de «prajñā», a sabedoria e o entendimento alinhados com o curso natural dos fatos.

    No que diz respeito à luta constante contra ações prejudiciais e injustiças sociais, o budismo pode assumir – a priori – uma perspectiva bem engajada e, sim, mais viril do que se imaginava.




    Upādāna – um conceito sobre a "burrice" no budismo


    Um dos termos que eu, particularmente, acho mais confusos é «upādāna» . Por vezes, parece nem fazer sentido traduzi-lo por apego, em vista do caos que causa. Apego, para nós brasileiros, imprime um sentimento de carinho, zelo, apreço, amor e esforço bem orientado à proteção. No budismo, os aspectos positivos entendidos nesses conceitos estão todos reunidos sob as bandeiras de «maitrī» e «karuṇā» (traduzidos como “bondade amorosa e compaixão”); importantes como são, chamam-se de Incomensuráveis.

    Mas e quanto à
    «upādāna»? Ora, juntássemos nós todas as conotações negativas – possíveis e impossíveis - a se extrair de obstinação, chegaríamos perto deste conceito. Por isso, penso que «upādāna» ficaria mais bem traduzido ao bom brasileirês como “burrice”. Sabe quando grudamos em uma ideia estúpida, somos cabeça-duras e insistimos em um erro? Como talvez zombasse Cícero, é aquela coisa de que “qualquer homem erra, mas apenas o estúpido persevera no erro” (Cuiusvis hominis est errare, nullius nisi insipientis in errore perseverare). Esse é um bom caso de «upādāna» : agarrar-se loucamente ao desejo fomentado sem lucidez, «tṛṣṇā» . Em outras palavras, vejo a janela, penso que posso voar, compro a ideia, insisto cabeçudamente nela e... Bem, já sabe, isto é «upādāna» ; se bem que poderia ser mais entendido se explicado como burrice.

    De modo análogo, apenas por ilustração, quando considero tão-somente minha própria felicidade e a vejo como algo separado dos demais indivíduos, estou investindo na compra de uma ideia fomentada em utopia... Ora, citando o filósofo Mario Cortella, não é ao acaso que herdamos a palavra “idiota” daqueles a quem os gregos chamavam por idhiótis (ἴδιώτης ), o “homem privado”, que não se preocupava com os assuntos comuns. Porquanto convivemos, parece que essa cega insistência no egocentrismo ainda dá margem àquilo que, no budismo, nomeamos de ingredientes para o bolo da desgraça humana: insistência feroz no que se embasa em equívoco – ou seja, camadas de
    «tṛṣṇā» sobre «avidyā». A isso, também chamamos «upādāna»; ação inábil, burrice sutil.


    Praṇidhāna –
    o possível ápice do “desejo” no budismo

    Sempre me recordo da frase de um contemporâneo monge chinês, o venerável mestre Sheng Yen (聖嚴, 1930-2009): "O universo pode um dia perecer, mas meus votos são eternos.” Essa forte resolução, em tudo transparece o ideal engajado de Samantabhadra (lit. Bondade Universal), que exorta todos a lutarem além dos limites de tempos e espaço para beneficiar aos seres de toda parte. Nessa lógica, entra o conceito de «Praṇidhāna», como voto, aspiração ou desejo intenso e inabalável orientado ao bem maior de todos.

    Nesse sentido, lidamos com uma mensagem do Buddha que perpassa a esfera pessoal – sem, contudo, desprezá-la! e caminha no sentido de uma expansão; nessa, os esforços crescem a través da compaixão e giram sobre o eixo da sabedoria, visando maior amplitude de benefícios e significação para todos.

    Afinal, como os gregos se protegiam da “idiotia” política, também os budistas se dispõe de virtudes viris (vīrya) em batalhas contra a apatia social e o egoísmo vão.



    Majjhima-paṭipadā – um conceito de equilíbrio orientado à meta



    Por fim, resta o conceito de «Majjhima-paṭipadā». Traduzido como “Caminho do Meio”, é por vezes interpretado sob as nuances de “caminho da mediocridade”: daquilo sem valor, sem destaque, sem excelência. Naturalmente, um equívoco nato na leitura dos conceitos a partir dos termos. Vejamos: no budismo, a meta é a excelência humana – tanto no aspecto pessoal, social, cognitivo quanto no produtivo. Busca-se a excelência representada pelo próprio Buddha, o mais elevado nível de sabedoria e realização hábil, a «anuttarā-saṃyak-saṃbodhi». Como falar, pois, de mediocridade?

    Por uma analogia, o conceito de caminho de mediocridade, na forma pejorativa, conforma-se bem à figura de “uma pessoa sobre o muro”. Indecisa, nem lá nem cá, nem grande nem pequena, nem isso nem aquilo, nem fria nem quente... é realmente medíocre e deplorável! Já o Caminho do Meio, na linguagem conceitual de «Majjhima-paṭipadā», melhor evoca a figura de um equilibrista sobre a corda bamba: ele precisa administrar suas disposições enquanto caminha, firme e resoluto, em direção ao outro lado da corda. Pessoas que são incapazes de descer do muro, estão no caminho de «upādāna» - burrice; hábeis equilibristas que não caem, estão no caminho da excelência - «vīrya» conduzid sob «prajñā», orientados em direção à «anuttarā-saṃyak-saṃbodhi».

    Os conceitos são peculiares. Enfim, todo cuidado é pouco. As ideias fogem e se confundem facilmente, como a água que escorre pelos dedos quando se lhe apertam. Sobre isso, há um bom provérbio chinês que pode bem encerrar o tema, com atenção especial aos equívocos:

    "A água pode flutuar um barco,
    e também pode fazê-lo afundar"

    《水能載舟,亦能覆舟》
    .

    Lidando com disposições, tanto quanto com termos e conceitos, precisamos de cuidado para não escorregar feio. Tentei resumir aqui alguns dos conceitos conforme pude pesquisar, vivenciar e apreender na tradição Budista. Desprendermo-nos de um ponto de vista é tarefa rara, mas valiosa. De minha parte, se errei em alguma coisa, peço desculpas.
    Dito isso, espero que essa revisão nos seja útil de algum modo...


    Encerro por aqui,
    Abraços

    Henrique Arthur Siqueira PiresHenrique Arthur Siqueira Pires ‒ segunda, 07 novembro 2011, 01:10 -02 # Link |

  14. Jocax escreveu:

    Seu texto eh bastante astuto mas peca, a meu ver, por coerencia interna.

     

    Deixe-me tentar explicar :

    Primeiramente os desejos e vontades aki analisados sao do tipo :

    "SE ISSO EH BOM VC NAO DEVE DESEJAR"

    ou

    "SE ESSE DESEJO NAO FOR LEGAL VC DEVE NAO TE-LO"

    Eh quase coko uma tautologia , quase como dizer "se isso eh ruim entao eh ruim" e "se isso ehg bom entao eh bom" ou seja nao gera nenhuma nova informacao e nenhum conselho util , na verdade. Por que?

     

    SIMPLESMENTE PORQUE A PESSOA NAO SABE E NEM PODE SABER QUAIS DESEJOS A PRIORI PODERAO LEVAR A COISAS BOAS OU NAO.

    Veja seu exemplo da janela "o desejo da pessoa voar pela janela"

    Esse desejo levou o homem à lua e talvez salve a própria humanidade ( ou a espécie que for ) da explosão solar daki a alguns bilhoes de anos.

    Se todas as pessoas simplesmente apagassem o desejo de voar de sair do planeta , não teríamos viagens exploratórias.

    Entao nao da pra saber a priori sempre que desejos são bons ou não. E na verdade o budismo tenta fazer a pessoa nao desejar nada.

    E ai entra a SEGUNDA INCOERENCIA: "O DESEJO DE NAO DESEJAR"

    Ou seja o busdismo tem como meta que a pessoa tenha um unico e superior desejo " O DESEJO DE NAO DESEJAR"

    Mas este eh um dos desejos que vc coloca na sua classificacao e eu o rotularia como DESEJO BURRO, pois NAO SE PODE CONTROLAR O DESEJO, apenas se controla ao BLOKEIO ou nao da  ACAO frente ao desejo que irrompe em sua mente.

    Assim se vc ve uma linda e sexy mulher na sua frente VC NAO PODE NAO DESEJAR BEIJA-LA , eh burrice. Vc pode eh CONTROLAR esse desejo impedindo vc de roubar-lhe um beijo ( ou nao ).

    Por isso essa doutrina eh incoerente desde a fonte.

    E acfedito que ela foi feita para impedir uma sublevacao social, um levante dos parias e renegados contra oa que tinham opulencia e recursos. UMA FORMA DE ABAFAR A POPULACAO OPRIMIDA tentando faze-la nao desejar ser feliz.

     

     

     

     

     

     

     

     

     

    João Carlos Holland de BarcellosJocax ‒ sábado, 03 dezembro 2011, 16:06 -02 # Link |

  15. Jocax escreveu:

    SÁBADO, 15 DE NOVEMBRO DE 2008

    Os perigos do Budismo

    Muitas pessoas cultas, bem intencionadas e inteligentes se afastam das religiões cristãs e espíritas, por perceberem logo suas aberrações. Mas por estarem ainda ligadas àquele medo da morte, à questões do sentido da vida, acabam procurando conhecer o budismo. Ele aparentemente oferece algo mais "harmônico".

    Dica para vocês: não percam tempo. Estudem logo o ateísmo.

    Aqui vai um resumo do que se encontra no budismo, para que você não precise ir lá, ou caso você queira, já vá preparado. Relatos de um amigo meu que tentou e se decepcionou.

    A lei mais importante para os budistas é: "A vida é sofrimento". Bem legal essa, né? Eles dizem que se você se livrar de desejos e repulsas e seguir o budismo, você vai parar de sofrer. Será? Além disso você tem que praticar meditação, para ficar bem calminho e não reclamar...

    Foi o que aconteceu com o meu amigo. Praticando meditação ele foi ficando cada vez mais passivo, menos humano negando seus desejos, se tornando depressivo e começou a pensar até em suicídio. Ele foi condicionado a negar a vida, por ser sinônimo de sofrimento, e de acreditar que só a prática do budismo o salvaria. A única coisa que impede um budista de se matar é o medo da reencarnação. Nesse aspecto eles se parecem com os espíritas.

    Mesmo se sentindo passivo e depressivo, ele entendia que ele deveria estar feliz, por ver as fotos dos mestres budistas. Ele passou a negar o sentimento de depressão que ele tinha e começou a fingir que era feliz. Quando ouvia critícas ao budismo, ele repetia alguma frase meio sem sentido dos mestres para se reassegurar, e dizia que a verdade está muito além da compreensão e das palavras.

    Ele estudou profundamente a filosofia budista e sentiu que isso não ajudou muito. Passou a perceber outros budistas fingindo felicidade. Adquiriu bastante prática na meditação mas sentiu que resultava numa sensação sem-graça, na qual a vida perdia a cor.

    Passou a acreditar então que o budismo só poderia ser compreendido por alguém que tivesse karma suficiente. Daí ele leu um livro de um mestre que dizia que era só um homem comum, e que eram as outras pessoas que o faziam ser grande e famoso. Ele passou então a duvidar da hierarquia budista. Coincidentemente ele passou a ter matérias de psicologia e filosofia na faculdade, que ensinaram para ele novos conceitos. Descobriu que a falta de desejo leva à depressão e vice-versa. Depois de ler Nietsche, ele abandonou o budismo de vez. Entendeu que o budismo causava nele uma tristeza ao mesmo tempo que prometia felicidade, num círculo vicioso.

    Falsa harmonia.

    Nota: apesar do que escrevi acima sobre o meu amigo, tenho que reconhecer que a meditação tem efeitos positivos para a saúde, como vem sendo comprovado por vários médicos. O mesmo se aplica à yoga com os exercícios de repiração, alongamento e alimentação balanceada com vegetais e frutas. Eu recomendo aos meus leitores que experimentem essas práticas e aproveitem os seus benefícios à saúde sem precisar se ocupar do "bla" místico que vem associado.

    http://ateupraticante.blogspot.com.br/2008/11/os-perigos-do-budismo.html

     

    João Carlos Holland de BarcellosJocax ‒ sábado, 21 abril 2012, 17:01 -03 # Link |

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