O LADO NÃO TÃO DOCE DO AÇÚCAR
Anete Hannud Abdo
O açúcar pode ser uma fonte de energia para o nosso organismo, mas o excesso de açúcar com certeza é prejudicial.
Grande parte dos alimentos que ingerimos é transformada em glicose, que é transportada do intestino para o nosso sangue; assim, a energia proveniente dos alimentos é distribuída, através da circulação sanguínea, a todo o nosso organismo.
Se fizermos as contas da quantidade de glicose que existe no volume total de sangue circulando em nosso corpo (mais ou menos 6 litros de sangue), temos um resultado surpreendente: o equivalente, aproximadamente, a apenas uma colher de chá de açúcar!
Nosso organismo procura manter a quantidade de glicose constante no sangue, com mínimas variações nos estados de jejum e após as refeições. Imagine o esforço que nosso organismo precisa fazer para retornar a taxa de glicose no sangue (glicemia) para a faixa normal (até 99 mg/dl) quando ingerimos um pedaço de bolo!
Podemos comparar nosso organismo a uma máquina que processa os alimentos para obter energia, e como toda máquina ele tem uma capacidade máxima que deve ser respeitada. Tomemos como exemplo uma lavadora de roupa que tem capacidade para lavar 7 quilos de roupa: o que acontece se você colocar 21 quilos de roupa de uma só vez nesta máquina? Ela quebra. Mas se você lavar 7 quilos de cada vez, respeitando sua capacidade máxima, ela vai durar muitos anos.
A ingestão de açúcar em excesso, de uma vez só, como quando comemos um pedaço de bolo, provoca uma elevação rápida da glicose no sangue. Na tentativa de trazer de volta ao normal a quantidade de glicose acumulada no sangue, nosso organismo faz com que o pâncreas produza um hormônio chamado insulina, que serve para retirar este excesso de glicose da circulação. A insulina facilita a passagem da glicose do sangue para as células dos vários tecidos do corpo, fornecendo assim a energia necessária para seu funcionamento. Quando sobra glicose, as moléculas de glicose se unem umas às outras para formar uma molécula maior chamada glicogênio, e assim é feito o estoque, como se empilhássemos a “mercadoria” em prateleiras. Este estoque é colocado principalmente em dois locais: no fígado e no músculo, mas a capacidade de estocagem é muito limitada, o “almoxarifado” é pequeno. Todo o nosso estoque de glicose dá somente para suprir de energia nosso organismo por menos de um dia.
AS DOENÇAS QUE PODEM VIR DO EXCESSO DE AÇÚCAR NA ALIMENTAÇÃO
Quando a ingestão de açúcar é muito grande e ultrapassa a capacidade de estocagem de glicose nos músculos e no fígado, a glicose é transformada em gordura e é armazenada no tecido adiposo, favorecendo o aparecimento de obesidade.
O aumento do tecido adiposo, especialmente quando o acúmulo de gordura se faz preferencialmente na região intra-abdominal, faz com que a insulina não funcione adequadamente, fique “fraca”. Assim, uma quantidade maior de insulina vai ser necessária para realizar o transporte da mesma quantidade de glicose; é o que os médicos chamam de resistência à ação da insulina. Quanto maior o acúmulo de gordura intra-abdominal, mais “fraca” fica a insulina. Enquanto o pâncreas “der conta do recado”, ou seja, for capaz de produzir mais e mais insulina, as taxas de glicose no sangue vão se manter dentro do normal, mas às custas de um excesso constante de insulina, que traz conseqüências para o resto do organismo, como por exemplo o aumento da pressão arterial.
Uma característica do tecido adiposo intra-abdominal é que ele não é um bloco de gordura estanque, ele tem um turn-over muito grande, captando do sangue e liberando na circulação, numa troca constante, substâncias que são prejudiciais à saúde e podem levar à aterosclerose, infartos e derrames, diferentemente da gordura que se acumula no tecido subcutâneo. Neste sentido, o famoso “pneuzinho”, e também o “culote”, são acúmulos de gordura muito menos prejudiciais ao organismo do que a gordura intra-abdominal.
Quando a resistência à insulina for tão acentuada que ultrapassa a capacidade máxima de produção de insulina pelo pâncreas (geneticamente herdada), acumula-se glicose no sangue, surgindo então o diabetes nas pessoas predispostas a esta doença.
O CICLO VICIOSO DO AÇÚCAR
Dietas muito ricas em açúcares podem aumentar o apetite e reduzir a saciedade. Quanto mais açúcar ingerimos, mais insulina precisamos fabricar para metabolizá-lo. Evidências sugerem que altos níveis de insulina (hormônio fabricado pelo pâncreas, que retira a glicose do sangue levando-a para dentro das células) parecem interferir com a sinalização da leptina (hormônio fabricado pelo tecido adiposo, que avisa o cérebro sobre a quantidade de gordura estocada): quando os níveis de insulina estão muito altos, o cérebro não fica sabendo quanta gordura está estocada, e o resultado final é uma maior ingesta de alimentos. Em outras palavras, quanto mais doce comemos, mais temos vontade de comer.
O PERIGO DOS REFRIGERANTES
Estudo publicado em 2007 no American Journal of Public Health, com 91249 mulheres seguidas por 8 anos, mostrou que aquelas que consumiam um ou mais copos de refrigerante com açúcar por dia tinham duas vezes mais chance de desenvolver diabetes do que aquelas que consumiam menos de um copo por mês. O consumo de refrigerante com açúcar também esteve ligado à diminuição do consumo de leite, cálcio, frutas e fibras, ao aumento do consumo de calorias e ao ganho de peso. Ao que parece, as pessoas não fazem a compensação das calorias do refrigerante diminuindo as calorias da refeição. Assim, levanta-se a possibilidade de os refrigerantes poderem aumentar a fome, diminuir a saciedade, ou simplesmente calibrar o organismo para um gosto doce muito acentuado.
ALGUMAS RECOMENDAÇÕES EM RELAÇÃO AO CONSUMO DE AÇÚCAR
A Organização Mundial de Saúde recomenda que no máximo 10% das calorias diárias sejam provenientes do açúcar. Mas lembre-se de que não temos necessidade de consumir açúcar, pois os alimentos que ingerimos normalmente já nos disponbilizam quantidade suficiente de glicose.
A ingestão de açúcar em pequenas quantidades durante o dia é menos prejudicial do que consumir uma grande quantidade de uma só vez, pois sobrecarrega menos o pâncreas.
A ingestão de açúcar após uma refeição é menos prejudicial do que ingerí-lo sozinho, pois sua absorção é mais lenta quando ingerido após uma refeição, principalmente se esta for rica em fibras, fazendo com que a glicose chegue ao sangue mais lentamente e a taxa de glicose no sangue não se eleve tanto. Portanto, é melhor comer o doce como sobremesa do que sozinho no meio da tarde.
A glicose sanguínea pode ser usada para produzir energia; assim, fazer atividade física pode evitar o acúmulo de glicose no sangue, minimizando os efeitos da ingestão de açúcar.
Evite comer doces à noite e em seguida ir dormir, pois este açúcar não utilizado como energia vai ser armazenado como gordura.
Não precisamos banir o açúcar do nosso cardápio, mas devemos respeitar nosso corpo, como se respeita um templo, afinal ele é nossa verdadeira casa. Qualquer alimento, desde que ingerido com moderação e saboreado com prazer, sem pressa e sem ansiedade, dentro de uma dieta equilibrada, não é prejudicial. Lembre-se de que nossa saúde é o reflexo do que, do quanto e de como comemos.
Palavras-chave: açúcar, carboidrato, diabetes, dieta, obesidade
1 voto

Comentários
escreveu:
Excelente texto...gostei muito!!! Simples, foi colocado de uma forma que tdos ententem!!!escreveu:
Estava procurando sobre a reação do açúcar no corpo e encontrei esse texto que atendeu além das minhas espectativa.
O texto é de fácil entendimento.
Adorei!
Maria Elisa escreveu:
Achei muito didática a explicaçao feita acima, parabéns! Também procurava alguma coisa nesse sentido e tive a felicidade de encontrar o que buscava. Apenas gostaria de perguntar e se a Senhora Anete puder responder: este ano - de janeiro para cá engordei 8 quilos. Segundo meu médico estou com meu metabolismo lento e me passou um remédio para ajudar a "queimar" um pouco desse açúcar que está ficando em meu organismo. Meu exame de sangue dá a insulina como sendo 89, quero saber se essa taxa é considerada preocupante, no meu caso, devido a esse aumento de peso. O remédio que o médicou passou é Metformina. Aguardo resposta e parabéns pelo seu texto.
Maria Elisa (mary_lysa@hotmail.com)
escreveu:
Gostei muito das explicações que contém no texto. Parabéns! Pois antes sem nenhum conhecimento sobre o assunto hoje me encontro com a taxa da glicose alta e com gordura no fígado, faço caminhada, como bastante vesduras faço uma dieta sem muito carboidratos, mais não tenho obtido o sucesso. o que ocorre? Já emagraci 5 quilos e não acaba esta gordura no fígado o que fazer? Devo pedir que o médico passe algum medicamento? Peço que a senhora me responda por favor. Neusa Melo (neusamelo@sc.df.gov.com.br)Neusa Melo - sexta, 12 de setembro 2008, 16:25 Bsb.DF
Antonio Candido de Camargo Guimaraes Junior escreveu:
Certa vez vi uma argumentação de que o grande problema com o açúcar e outros alimentos refinados é o de que eles são muito recentes na história da alimentação humana e que por isto nossos organismos não estão evolutivamentes preparados para lidar com eles de forma apropriada, o que ele aos problemas de obesidade e saúde conhecemos. Outros problemas do tipo ocorreriam pelo uso de alimentos ainda mais novos, como aditivos, adoçantes, etc. Na caso dos adoçantes há um documentário americano que "desce a lenha" no aspartame:
Sweet Remedy: The World Reacts to an Adulterated Food Supply
O lobby da indústria alimentícia nos EUA é tão forte que a política pública a respeito é guiada pelos interesses comenrciais desse setor.
pedro( escreveu:
tive um avc e estou a comer muito açucar. quais as consequencias?Visitante escreveu:
Texto maravilhoso.
Obrigado,
Ivan
escreveu:
Texto muito bom, didática muito boa!
Conseguiu explicar o complexo em palavras simples!!!
Genial!!!
Vinicius Rafael Quirino Lopes escreveu:
Como todos tambem adorei a explicação, de forma bem simples!
obrigado!
kauan. escreveu:
muito obrigado, eu fiqei a tarde inteira procurando sobre isso e eu tenho trabalho amanha mas graça a vcs eu consegui fazer o trabalho e muito obrigado por tudokauan. escreveu:
entrem no site: http://kauanblogspot.blogspot.com
muito obrigado pela compreençao
escreveu:
Excelente texto!!!! Bem direto e de fácil entendimento!!! Parabéns!!!ilonna_@yahoo.com.br escreveu:
Texto excelente. Facil compreensao e aplicacao. Parabens.
Ilonna
31 de Agosto de 2009
c.e. escreveu:
Texto excelente!!! Muito didático e de fácil compreensão. Registro meus agradecimentos à autora.
escreveu:
Parabéns!!!
Texto excelente, muito esclarecedor e com uma linguagem acessível a todos.
Força a todos os que se querem livrar dos doces!
Graça Silva
Visitante escreveu:
eu,inaldo pereira da silva, gostaria de saber se durante o dia, depois de comermos, se é normal a clicose alterar,por que falo isso...?.....por que as vezes,dou um toque na ponta da lingua quando vou urinar ,aí ela tá salgada e tem dias que ela não tá salgada,ta . mas tambem não ta doce....com isso queria alguem que me desse explicação..se isso é correto. meu imail para contato : inaldop@yahoo.com.br. abraço e espero resposta.
bruna. escreveu:
muito chato namoralllllll
Luciana T Caraça escreveu:
Excelente texto!
Sou estudante de Engenharia e pretendo trabalhar na produção de alimentos funcionais, pois acredito fortemente que os hábitos alimentares são o fator mais importante para se manter a saúde.
Infelizmente as pessoas ainda não têm muita consciência disso: algumas atribuem a obesidade puramente a uma "tendência a engordar" e as que buscam perder peso são facilmente seduzidas pelas "dietas milagrosas da moda", assim não mudam seus hábitos de vez e a saúde vai ficando debilitada.
Por essa razão, um texto como o seu deve ser amplamente divulgado.
Alvaro de Jesus Macedo Junior escreveu:
Este é um tema interessante!
Para quem curte tem um livro chamado Sugar Blues, que foi publicado nos anos 80 e na época alertava sobre os perigos da sacarose.
Segundo dizem a venda deste livro foi proibida e gerou muita polêmica. Acontece que os alimentos industrializados mais vendidos e gostosos se utilizam da sacarose e de seu alto poder de criar dependência em sua constituição.
escreveu:
Oie....olá! Boa noite! Agradeço por esta ótima matéria, de linguagem simples e fácil entendimento, para que se possa realmente entender a mensagem. Sempre tive esta dúvida quanto ao açúcar, devido ao fato de causar diabetes, e não quero correr este risco de desenvolver esta terrível doença, ainda mais quando se teria pré-disposição(hereditariedade e parentes na família). Então agora ao terminar de ler, posso ter um melhor conhecimento de qual tipo de açúcar é melhor para consumir e sem exageros.Também acredito que possa haver certas coisas ocultas que a mídia não divulga, como o malefício do aspartame, ciclamato de sódio, etc. , por interesses financeiros e o povo é q é prejudicado. Fico por aqui, tenha uma boa semana.
Ronni (ronni_) escreveu:
Texto muito bom, linguagem bem simples e de ótimo entendimento.
glau_100% escreveu:
ñ entendi [kkkkkkkkkk]
GLAU escreveu:
agora sim eu entendi esse texto é otimo e muito bom
adorei