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novembro 13, 2009

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Ao falar de minhas aspirações e minha busca não poderia deixar de citar Paulo Freire, que tão bem expressou o compromisso estético na formação integral do ser humano, que em suas palavras desenvolvia o sentido vital de ser mais.

 

“Não tenho por que não repetir, nesta carta, que a afirmação segundo a qual a preocupação com o momento estético da linguagem não pode afligir o cientista, mas ao artista, é falsa. Escrever bonito é dever de quem escreve, não importa o quê e sobre o quê. É por isso que me parece fundamentalmente importante, e disto sempre falo para quem trabalha dissertação de mestrado ou tese doutoral que se obrigue, como tarefa a ser rigorosamente cumprida, a leitura de autores de bom gosto. Leitura tão necessária quanto as que tratam diretamente seu tema específico.

 

Exemplos de como jogar esta ou aquela palavra e não outras qualquer num dado momento da escrita, de como manejar as palavras nas relações que travam entre si na organização do discurso, exemplos que vão virando modelos ou quase modelos, sem que isto deva significar que cada sujeito que escreve seu texto não se deva esforçar para ser ela ou ele mesmo, embora marcado ou influenciado por algum modelo.

 

Não sei se você já reparou que, de modo geral, quando alguém é indagado em torno de sua formação profissional, a tendência do perguntado, ao responder, é arrolar suas atividades escolares, enfatizando sua formação acadêmica, seu tempo de experiência na profissão. Dificilmente se leva em consideração, como não rigorosa, a experiência existencial maior. A influência, às vezes, quase imperceptível que recebemos desta ou daquela pessoa com quem convivemos, ou deste ou daquele professor ou professora cuja coerência jamais faltou, como da competência bem-comportada, nada trombeteada, de humilde e séria gente.

 

No fundo, a experiência profissional se dá no corpo da existencial maior. Se gesta nela, por ela é influenciada e sobre ela, em certo momento, se volta influentemente.” (pp. 112-113)

 

É nesta perspectiva que não me limito em minhas leituras e, não permito que por ser físico (ou professor de física, como queiram chamar) não possa opinar, ler, escrever sobre qualquer coisa que seriamente me disponha. É a todo instante colocar a vida cotidiana e a leituras acadêmicas em perspectiva. Nisto apóia minha busca por uma formação integral.

 

FREIRE, P. Cartas a Cristina: Reflexões sobre minha vida e minha práxis. São Paulo: Editora Unesp, 2003.

Palavras-chave: Educação, estética, leituras

Este post é Domínio Público.

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