Stoa :: Andre Machado Rodrigues :: Blog :: O argumento antropocêntrico da ecologia

setembro 01, 2009

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Atualmente os mocinhos se apropriaram do discurso ecológico, frenesi que se alastra por diversos setores da sociedade, a começar pela educação e a finalizar nos modos de consumo. É surpreendente como o capitalismo se apropriou do discurso ecológico, tão nocivo a ele no século passado – século XX. Neste século, o capitalismo transmutou o discurso ecológico e o colocou na prateleira dos melhores mercados. Ser ecologicamente correto ainda não é para todos.

 

Por todos os lados somos perseguidos pela culpa de nossa própria existência. Fazer com que se consuma pela culpa mostra-se ainda mais eficiente do que se consumir pela euforia e a felicidade plena.  Como este produto, recém enlatado vem sendo vendido, é apenas uma parte da questão que abordaremos em outro texto. Neste texto gostaria de evidenciar o argumento que se põe como pilar principal do discurso ecológico de mercado.

 

Quando nos perguntamos por que devemos mudar nossos hábitos? Por que preservar? Por que reciclar, reutilizar e reduzir?  A resposta mais disponível esta balizada pela preservação da própria espécie humana. Temos que salvar a terra para que o homem possa viver. Por que salvar ou preservar a fauna ou a flora? Para que o homem possa usufruir dessa riqueza e dessa diversidade mais tarde.

 

Esse argumento é pernicioso na medida em que, o homem só muda na medida do homem. Só haverá preservação enquanto o homem se sentir ameaçado. Só haverá mudança de hábito na medida da coação do homem pelo ambiente. Enquanto este for o argumento vertebral que sustenta os demais argumentos ecológicos não haverão mudanças duradouras e substanciais.

 

Exemplo disso está na economia de energia durante o chamado “apagão”, que promoveu uma redução do consumo de energia significativo em 2001, 2002 e no inicio de 2003, depois disso o consumo volta ao patamares anteriores. De fato foi apenas um incomodo passageiro. Da mesma forma podemos pensar nos índices alarmantes e previsões catastróficas anunciadas pelo IPCC – Intergovernamental Panel on Climate Change. Provocou ampla discussão sobre o assunto e interesse pelo efeito estufa, problema que sempre caia fora dos interesses populares até então.

 

O quanto estamos dispostos a fazer para que a terra se preserve, seriamos capazes de abrir mão do desenvolvimento tecnológico que cresce em um ritmo nunca visto? Seriamos capazes de abrir mão do livre consumo? Seriamos capazes de abrir mão da nossa própria existência em nome da preservação terrestre?

 

Ao que percebo todas essas questões vem sendo respondidas negativamente. O homem não abrirá mão do que lhe convém enquanto homem. Continuaremos criando e recriando necessidades, alimentando o sistema mercadológico. Tudo isso em nome da preservação da espécie humana.Poderiam nos chamar de egoístas, mas de fato quem faria isso?

 

Em nome da liberdade de exploração, em nome da liberdade de consumo, criamos prisões ambientais e ideológicas, que nos cercam e nos paralisam. Violências, epidemias, ignorâncias, medos etc. Livre ao mesmo tempo que presos. O homem conseguiu se aprisionar em seu argumento antropocentrista.

Palavras-chave: antropocêntrico, Ecologia, extinção, humanidade, Política

Este post é Domínio Público.

Postado por Andre Machado Rodrigues | 2 usuários votaram. 2 votos

Comentários

  1. gabriel escreveu:

    de fato: o discurso ambientalista incorporado pelo capital encerra em si mesmo seu próprio paradoxo (será que tem data para acabar?)

    meus dois centavos: http://notasurbanas.blogsome.com/2009/06/15/home-e-koyaanisqatsi/

    gabriel fernandesgabriel ‒ terça, 01 setembro 2009, 18:06 -03 # Link |

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