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        <title><![CDATA[Andre de Freitas Dutra : Itens do blog com os Tags história]]></title>
        <description><![CDATA[Blog de Andre de Freitas Dutra, hospedado no Stoa.]]></description>
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        <item>
            <title><![CDATA[CALE-SE!]]></title>
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            <pubDate>Sat, 13 Oct 2007 16:54:39 GMT</pubDate>
		<dc:subject><![CDATA[Alexandre Vanucchi Leme]]></dc:subject>
		<dc:subject><![CDATA[história]]></dc:subject>
		<dc:subject><![CDATA[direitos humanos]]></dc:subject>
		<dc:subject><![CDATA[USP]]></dc:subject>
		<dc:subject><![CDATA[Ditadura]]></dc:subject>
		<dc:subject><![CDATA[DOPS]]></dc:subject>
            <description><![CDATA[<table border="0">
<tbody>
<tr>
<td>
<p> <img src="http://i302.photobucket.com/albums/nn115/eavprisma/Cale_se.jpg"  border="0" /></p>
<p> </p>
</td>
<td>
<p>Ontem,  li esse fabuloso livro. Na verdade eu não queria lê-lo. Um historiador muitas vezes sente por demais o período em que está estudando. O distanciamento entre objeto e pesquisador nem sempre é algo fácil. Há muito daquela postura sacerdotal, o historiador como aquele que ouve as vozes do passado. Muitas vezes essas vozes berram. Eu não estudo o período militar. Muito pelo contrário, hoje, história é apenas minha formação, faço mestrado na área de filosofia da educação. Mas ler sobre a ditadura, ler sobre a atuação de quem lutou contra ela dentro da USP foi algo muito forte.</p>
<p>O livro é ótimo ao retratar o desaparecimento de Alexandre Vanucchi Leme, sim, aquele mesmo que virou nome do DCE, retrata como muitos outros foram presos, retrata torturas. Até aí talvez nenhuma novidade, há muitos livros que falam desse período do ponto de vista daqueles que lutaram contra esse regime. Mas o livro vai além disso. Esse livro é música. </p>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>Um dos pontos interessantíssimos desta obra é quando retrata o "show clandestino" que Gilberto Gil deu no Biênio da Poli. De certa forma, significou a união de todos que queriam algo melhor para nosso país. Aqueles que gostavam mais do "desbunde" tropicalista e aqueles que preferiam a música "engajada" estavam todos ali. Todos as tendências, todas as visões. A diversidade surgia para criar o novo. A diversidade surgia para como alternativa a ditadura do único. A diversidade surgia, como deve ser, na arte. "A arte nos libertará da verdade".</p>
<p>É claro que o livro me trouxe lembranças. Não vivi nem de perto aquele período (só fui nascer no ano de 74, enquanto o livro aborda acontecimentos predominantemente do ano de 73). Mas fui do movimento estudantil, cheguei até a participar da diretoria do DCE. Mas o que mais me marcou, foi outra ordem de memórias. Quando entrei no curso de História, no ano de 95, fui um dos primeiros (junto com os meus colegas de Histórida do Brasil Independente ministrado pela Profª Tucci) fui um dos primeiros a ter acesso ao recem aberto "arquivo do DOPS", no meu caso estava pesquisando a ditadura Vargas. Como tinha simpatias pelo trotskismo estudei figuras como os Abramos e Patrícia Galvão. Lembrei de projetos, inexperiente queria fazer uma pesquisa absurda. Hoje, mais carimbado, lembro que poderia ter estudado apenas a Pagu. Uma personalidade forte, seu prontuário é riquíssimo. Talvez, hoje, não reserve as mesmas emoções. Além desse tipo de pesquisa só pode ser feita a partir de microfilmes (ao contrário de quando tive acesso, quando pude pegar os documentos) hoje já não teria o ar de novidade que se abateu sobre mim. </p>
<p>Mas esse livro e todas essas lembranças dessas minhas pesquisas me mostram uma coisa, como é belo o nosso país atual. Hoje temos uma situação que somos muito mais livres, nos resta sabermos utilizar toda essa liberdade. Essa herança de muitos de morreram, viveram, ou sonharam por nós.</p>]]></description>
        </item>
                
        <item>
            <title><![CDATA[Comunidade sobre Michel Foucault]]></title>
            <link>http://stoa.usp.br/andredutra/weblog/3797.html</link>
            <guid isPermaLink="true">http://stoa.usp.br/andredutra/weblog/3797.html</guid>
            <pubDate>Sun, 17 Jun 2007 01:14:17 GMT</pubDate>
		<dc:subject><![CDATA[microfísica do poder]]></dc:subject>
		<dc:subject><![CDATA[microfísica]]></dc:subject>
		<dc:subject><![CDATA[historia da filosofia.]]></dc:subject>
		<dc:subject><![CDATA[historia]]></dc:subject>
		<dc:subject><![CDATA[filosofia]]></dc:subject>
		<dc:subject><![CDATA[Foucault]]></dc:subject>
		<dc:subject><![CDATA[poder]]></dc:subject>
		<dc:subject><![CDATA[Michel Foucault]]></dc:subject>
            <description><![CDATA[<p> </p>
<p> </p>
<p>Acabei de criar uma comunidade para o filósofo e historiador, Michel Foucault.</p>
<p>Visitem-na no endereço:    <a href="http://stoa.usp.br/foucault/"  title="Comunidade Michel Foucault">http://stoa.usp.br/foucault</a></p>
<p> </p>
<p>Desta forma, aproveito para postar um trecho de uma entrevista concedida pelo filosófo.<br /><strong><span style="font-family: Verdana; font-size: xx-small;"></span></strong></p>
<p>FONTE: </p>
<p><strong><span style="font-family: Verdana; font-size: xx-small;">"Est-il donc important de penser?" Entrevista com Didier Eribon. Libération,  n° 15, 30-31 maio de 1981, p. 21. Traduzido a partir de FOUCAULT, Michel. <em>Dits et Écrits. </em>Paris: Gallimard, 1994, vol. IV, pp. 178-182, por Wanderson Flor do Nascimento.</span><span style="font-family: Verdana; font-size: small;"> </span></strong> </p>
<p> </p>
<p><strong><span style="color:#000044;"><span style="font-family: Verdana; font-size: small;"><em>- Depois do Michel Foucault crítico é que se vai ver o Michel Foucault reformista? Era, mesmo assim, uma reprovação freqüentemente endereçada: a crítica dirigida pelos intelectuais não clareia nada?</em><br />     </span></span></strong><span style="color:#000044;"><span style="font-family: Verdana; font-size: small;">Eu responderia, de início, sobre o ponto do "não dar em nada". Há centenas e milhares de pessoas que trabalharam na emergência de um certo número de problemas que são hoje efetivamente colocados. Dizer que isso não deu em nada é completamente falso. Você pensa que há vinte anos se colocava os problemas da relação entre doença mental e a normalidade psicológica, o problema da prisão, o problema da prisão, o problema do poder médico, o problema da relação entre os sexos, etc., como se os coloca hoje?<br />     Por outro lado, não há reformas em si. As reformas não se produzem no ar, independente daqueles que as fazem. Não se pode não ter em conta esses que geraram essa transformação. <br />     E sobretudo, não creio que se possa opor crítica e transformação, a crítica "ideal" e a transformação "real".<br />     Uma crítica não consiste em dizer que as coisas não estão bem como estão. Ela consiste em ver sobre que tipos de evidências, de familiaridades, de modos de pensamento adquiridos e não refletidos repousam as práticas que se aceitam. <br />     É preciso se liberar da sacralização do social como única instância do real e parar de considerar rapidamente esta coisa essencial na vida humana e nas relações humanas, quero dizer, o pensamento. O pensamento existe além ou aquém dos sistemas ou edifícios de discurso. É algo que se esconde freqüentemente, mas anima sempre os comportamentos cotidianos. Há sempre um pouco de pensamento mesmo nas instituições mais tolas, há sempre pensamento mesmo nos hábitos mudos. <br />     A crítica consiste em caçar esse pensamento e ensaiar a mudança: mostrar que as coisas não são tão evidentes quanto se crê, fazer de forma que isso que se aceita como vigente em si, não o seja mais em si. Fazer a crítica é tornar difíceis os gestos fáceis demais. <br />     Nestas condições, a crítica (e a crítica radical) é absolutamente indispensável para toda transformação. Pois uma transformação que permaneça no mesmo modo de pensamento, uma transformação que seria apenas uma certa maneira de melhor ajustar o pensamento mesmo à realidade das coisas, seria apenas uma transformação superficial.<br />     Por outro lado, a partir do momento em que se começa a não mais poder pensar as coisas como se pensa, a transformação se torna, ao mesmo tempo, muito urgente, muito difícil e ainda assim possível.<br />     Então, não há um tempo para a crítica e um tempo para a transformação. Não há os que fazem a crítica e os que transformam, os que estão encerrados em uma radicalidade inacessível e aqueles que são obrigados a fazer concessões necessárias ao real. Na realidade, eu acredito que o trabalho de transformação profunda pode apenas ser feita ao ar livre e sempre excitado por uma crítica permanente.</span></span><strong><span style="color:#000044;"><span style="font-family: Verdana; font-size: small;"><br />    <em> - Mas você acha que o intelectual deve ter um papel programador nesta transformação?</em><br />     </span></span></strong><span style="color:#000044;"><span style="font-family: Verdana; font-size: small;">- Uma reforma não é nunca mais do que o resultado de um processo no qual há conflito, afrontamento, luta, resistência...<br />     Dizer na entrada do jogo: "qual é, então, a reforma que eu vou poder fazer?" Isso não é para o intelectual, penso, um objetivo a perseguir. Seu papel, já que precisamente ele trabalha na ordem do pensamento, é de ver até onde a liberação do pensamento pode chegar a engendrar essas transformações bastante urgentes para que se tenha desejado fazê-las, e bastante difíceis de fazer para que elas se inscrevam profundamente no real. <br />     Trata-se de tornar os conflitos mais visíveis, de torná-los mais essenciais que os simples afrontamentos de interesses ou simples bloqueios institucionais. Desses conflitos, desses afrontamentos devem sair uma nova relação de forças do qual o contorno provisório será uma reforma.<br />     Se não houve na base o trabalho do pensamento sobre ele mesmo e se efetivamente os modos de pensamento, isto é, dos modos de ação não foram modificados, qualquer que seja o projeto de reforma, sabe-se que será fagocitado, digeridos pelos modos de comportamentos e de instituição que serão sempre os mesmos. </span></span><strong><span style="color:#000044;"><span style="font-family: Verdana; font-size: small;"><br /></span></span></strong></p>]]></description>
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