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Novembro 29, 2010

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Postado por Ana A. S. Cesar

 

 

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Hoje, 27 de outubro, Graciliano Ramos faria 118 anos de seu nascimento e é considerado  um dos maiores escritores brasileiros de todos os tempos.
 O escritor viveu e se dedicou aos  fatos mais significativos da realidade brasileira de sua época, e participou tão intensamente que chegou a ser preso político por 11 meses no período do Estado Novo, o qual ele pressionava por suas ideologias contrárias.
Tive a oportunidade de ler três livros de Graciliano: São Bernardo, Vidas Secas e Angústia. Sua obra é construída sob o domínio do realismo interior, destacando a inquietação e a angústia. Escreve num estilo todo próprio, com linguagem seca, tudo é dito muito diretamente, sem rodeios, objetivo, mas de uma beleza! Muito bom para quem gosta de ler, pois a leitura é prazerosa e  flui livremente.
São Bernardo, conta a história de Paulo Honório, um poderoso latifundiário. O interessante é que o personagem narra seu drama com precisão numa linguagem direta, seca e curta como um homem que viveu sempre no campo, um autêntico fazendeiro da época. O narrador descreve a ascensão e o declínio de si mesmo, tudo parecendo uma fiel  e angustiante confissão,  de um homem enérgico, cruel, estúpido, autoritário, inseguro e ciumento.
Angústia me surpreendeu muito! Acho que pelo título, pois se imagina que o título sugira este sentimento ou  algo referente, mas não tão intensamente! O livro é angústia pura! A narrativa é em primeira pessoa, o que torna a relação personagem/leitor muito mais íntima. Luís da Silva, ‘o cara’, sofre de TOC - rs,rs,rs,rs,rs – é um tímido, frustrado e solitário, só resta a nós para ouvi-lo em confissão e tentar entender o que o levou a tal condição. O monólogo interior é tão intenso que chega a provocar no leitor sensação de amargura e ansiedade. Para quem leu Crime e Castigo de Dostoyevski pode comparar a angústia e a aflição de Raskolnikoff a de Luís da Silva, comprovando a excelência de Graciliano ao explorar o conflito interior, digressões psicológicas que muitas vezes não se sabe se ele esta no passado, pensando, sonhando ou delirando. Devaneios e delírios são as marcas de Angústia, romance psicológico, com registro de fluxo de consciencia que é indispensável às pessoas que querem ler Clarisse Lispector, ou mesmo aos seus fiéis leitores.
Vidas Secas, é um romance que explora o ‘ciclo da seca’ e dentro deste contexto surgem dois personagens que ficam famosos no universo literário brasileiro: Fabiano e Baleia. Fabiano é o centro de interesse do romance e durante a narrativa, na sua luta pela sobrevivência, torna-se o símbolo da injustiça social, exploração do homem do campo e submissão aos poderosos. Fabiano é terra, é bicho. Baleia, já se torna humanizada, pois muitas vezes pensa e interage com o os personagens, utilizando-se de características humanas, como confiança, solidariedade  e esperança. Ao ler Vidas Secas o leitor se sensibiliza com a problemática nordestina, e questiona o poder de sobrevivência de um povo tão explorado e sofrido. Eu, apaixonadamente cearense, daquelas que a terra não sai das unhas nem as unhas saem da terra, já li e rele inúmeras vezes Vidas Secas e todas as vezes choro me solidarizando com Sinhá Vitória e Fabiano. A morte da Baleia e o diálogo de Fabiano com o Soldado Amarelo é um espetáculo da nossa literatura.
Por fim, faço aqui um lembrete para aqueles que ainda não leram Graciliano Ramos, que coloquem em suas liste de intenções de leitura, pois vale muito a pena, é um ótimo escritor e é nosso.

Palavras-chave: Graciliano Ramos, Literatura

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Novembro 17, 2010

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Postado por Ana A. S. Cesar

 

 

 

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Primeira mulher a ingressar na Academia Brasileira de Letras (ABL), Rachel de Queiroz foi, além de escritora, tradutora, romancista e jornalista, tendo desempenhado importante papel na dramaturgia brasileira. Foi também a primeira mulher a receber o prêmio Luis de Camões, instituído pelos governos do Brasil e de Portugal e concedido a autores que contribuíram para o enriquecimento do patrimônio literário e cultural da língua portuguesa.

A homenageada nasceu em Fortaleza no dia 17 de novembro de 1910. Foi a quinta filha de Daniel de Queiroz e Clotilde Franklin de Queiroz. Sua bisavó materna, conhecida como dona Miliquinha, era prima do escritor José de Alencar.

Em 1917, em razão de forte seca no Ceará, a família de Rachel mudou-se para o Rio de Janeiro e logo depois para Belém (PA). "Esse fato marcou sua vida de tal forma que serviu de inspiração para a criação de O Quinze", observou Inácio Arruda, referindo ao livro de estréia de Rachel de Queiroz.

Publicado em 1930, O Quinze alcançou lugar de destaque na literatura brasileira. Nesse romance, a autora conta a luta do povo nordestino contra a seca e a miséria, demonstrando preocupação com questões sociais e desenvolvendo habilidosa análise psicológica de seus personagens.

"Com vinte anos apenas, projetava-se na vida literária do país, agitando a bandeira do romance de fundo social, profundamente realista na sua dramática exposição da luta secular de um povo contra a miséria e a seca", ressalta o senador, lembrando que a consagração de O Quinze veio com o prêmio da Fundação Graça Aranha.

Em 1932, Rachel publicou novo romance, intitulado João Miguel, e, em 1937, escreveuCaminho de pedras. Dois anos depois, conquistou o prêmio da Sociedade Felipe de Oliveira com o romance As Três Marias. Em 1950, publicou em folhetins, na revista O Cruzeiro, o romance O galo de ouro.

Entre suas obras também são destaque Memorial de Maria Moura (1992), sobre a história de uma mulher no sertão nordestino que é levada pelas circunstâncias a liderar um bando de aventureiros que praticam roubos e vivem de forma desregrada; Tantos anos (1998), autobiografia; e Não me deixes: suas histórias e sua cozinha (2000), que trata de suas memórias gastronômicas.

Rachel de Queiroz foi também autora de mais de duas mil crônicas, compiladas nos seguintes livros: A donzela e a moura torta; 100 Crônicas escolhidas; O brasileiro perplexo e O caçador de tatu. No Rio, onde voltou a residir em 1939, colaborou no Diário de Notícias, em O Cruzeiro e em O Jornal.

Foi ainda autora de três peças de teatro: Lampião, de 1953; A Beata Maria do Egito, de 1958, laureada com o prêmio de teatro do Instituto Nacional do Livro; e O padrezinho santo, peça que escreveu para a televisão, inédita em livro. No campo da literatura infantil, escreveu O menino mágico, inspirado nas histórias que contava para os netos de sua irmã, Maria Luiza.

Em suas atividades como tradutora, Rachel trabalhou com cerca de 40 volumes traduzidos para o português, entre os quais Mansfield Park, de Jane Austen; Humilhados e ofendidos, Os demônios e Os irmãos Karamazov, de Fiódor Dostoiévski; A mulher de trinta anos, de Honoré de Balzac; e A mulher diabólica, de Agatha Christie.

A escritora também fez parte do Conselho Federal de Cultura, desde a sua fundação, em 1967, até sua extinção, em 1989. Participou ainda da 21ª Sessão da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em 1966, onde serviu como delegada do Brasil, trabalhando, especialmente, na Comissão dos Direitos do Homem. Em 1988, iniciou sua colaboração semanal no jornal O Estado de S. Paulo e no Diário de Pernambuco.

Rachel casou-se com o poeta José Auto Oliveira, em 1932, com quem teve uma única filha, Clotilde, nascida no ano seguinte, mas que faleceu com apenas um ano e meio de idade devido a uma septicemia. Em 1939, a escritora se separou do marido, casando-se, posteriormente, com o médico Oyama de Macedo. A autora morreu no dia 4 de novembro de 2003, dormindo em sua rede, na cidade do Rio de Janeiro, a 13 dias de completar 93 anos de idade.

 

 

http://2.bp.blogspot.com/_B4oZiiQTTJY/TDS2PXbimZI/AAAAAAAACJU/pr6jUINQpXY/s320/raquel_de_queiroz.jpg

 

 

fonte: O repórter

www.oreporter.com

matéria da redação: Plenário do Senado celebra centenário de Rachel de Queiroz

 

 

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Outubro 09, 2010

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Postado por Ana A. S. Cesar


NA MORTE


Na morte
o núcleo do silêncio
onde logo estaremos
uma vez dentro
sim é não
e não é nada
os de fora dizem
morremos
não podem ouvir nossa voz
num sussurro dizendo
tudo está em nós.


MARCELO ARIEL in "TRATADO DOS ANJOS AFOGADOS"
,



ACONTECEU NA USP

Colóquio com Marcelo Ariel

O encontro aconteceu em 24/06/10 na FFLCH/USP organizado pelo curso de pós-graduação em letras e discutiu as relações entre o último livro de Ariel "Conversas com Emily Dickinson e outros poemas" (Selo Orpheu/Multifoco) e a obra dos cineastas Harmony Korine, David Lynch, José Eduardo Belmonte, Julio Bressane, Gláuber Rocha, Jean Luc Godard e a dos poetas Rimbaud, Herberto Helder e Gill Scott Heron entre outros. Relacionando a poética de Marcelo Ariel aos mais recentes estudos de literatura e filosofia comparada que enfocam a desterritorialidade e a questão da identidade no mundo contemporâneo. O colóquio foi aberto ao público.


Palavras-chave: Cultura, Escritores, Literatura, Livros

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Outubro 07, 2010

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Postado por Ana A. S. Cesar

 

 

O sonho

Sonhe com aquilo que você quer ser,
porque você possui apenas uma vida
e nela só se tem uma chance
de fazer aquilo que quer.

Tenha felicidade bastante para fazê-la doce.
Dificuldades para fazê-la forte.
Tristeza para fazê-la humana.
E esperança suficiente para fazê-la feliz.

As pessoas mais felizes não tem as melhores coisas.
Elas sabem fazer o melhor das oportunidades
que aparecem em seus caminhos.

A felicidade aparece para aqueles que choram.
Para aqueles que se machucam
Para aqueles que buscam e tentam sempre.
E para aqueles que reconhecem
a importância das pessoas que passaram por suas vidas.

 

Clarice Lispector, escritora brasileira

 


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Abril 15, 2010

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Postado por Ana A. S. Cesar

 

 

No próximo dia 23 de abril será comemorado o Dia Mundial do Livro e do Direito de Autor. A data foi instituída pela Conferência Geral da UNESCO para prestar tributo a grandes autores da literatura mundial que nasceram ou morreram nesse dia.

Neste dia, muitas pessoas irão promover o BookCrossing que tem como objetivo transformar o mundo inteiro numa biblioteca.

É muito simples de participar:

Temos recomendado tantos livros que você pode escolher um livro legal, escrever dentro dele (na contracapa) algo que estimule ou que indique esse livro a alguém, e "esquecer" esse livro num lugar público da sua cidade.

Observe que é importante que você escolha um título interessante, que desperte interesse nas pessoas. E é possível que daqui a alguns anos pessoas ainda estejam lendo o livro que você "esqueceu" num banco da cidade.  

Se você quiser participar desta jornada de "esquecimento de livros", comece já a pensar em algum livro que possa circular por este mundo. E mãos à obra!

Agende-se! O início será no dia 23 de abril. Depois envie seu comentário neste blog.

 

"A leitura de um bom livro é um diálogo incessante: o livro fala e a alma responde." (Emile Salomon Wilhelm Herzog, romancista e ensaísta francês)


 

 

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Abril 08, 2010

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Postado por Ana A. S. Cesar

 

 

http://blufiles.storage.live.com/y1pPjm60uZTYnsniwpJXpix_M1kplw5-Lk2iR11NAmw6Q_Be20j5cQajcbMoRZa7-qqK8xez8UaApQ

 

O texto abaixo é do escritor paulista Marcelo Novaes. Não posso dizer que o conheço, pois ele mesmo diz: "Eu sou Marcelo Novaes. Seria estranho se você me conhecesse. Ainda mais estranho (de fato!), se julgasse me conhecer. Sou, fundamentalmente, um intérprete de sonhos. E poeta, por consequência. Não abdico dos hífens, mesmo que eles caiam."  

O autor nos presenteia com momentos reflexivos da mais alta capacidade textual. A hermenêutica do pensamento poético está vinculada ao conceito de totalidade dentro da dinâmica do texto, o que faz a sua riqueza de conceitos - a materialidade do poema, as indagações socráticas do Chanceler, o humor presente, a criatividade. Chamou-me atenção a dialética: "- As escamas caíram de nossos olhos..."; "-Tomemos, então, a cicuta nós dois." É conferir e descobrir os novos rumos. O raciocínio circular se impõe e se torna vantajoso (Chanceler); está intrínseco no texto a essência do fenômeno literário. A obra literária de Marcelo Novaes pode conter em si mesma a singularização da linguagem verbal - a literalidade. Excelente!

Nota: Sócrates acreditava que o melhor modo para as pessoas viverem era se concentrando no próprio desenvolvimento ao invés de buscar a riqueza material. Diz-se que Sócrates acreditava que as ideias pertenciam a um mundo que somente os sábios conseguiam entender, fazendo com que o filósofo se tornasse o perfeito governante para um Estado. Se opunha à democracia aristocrática que era praticada em Atenas durante sua época,essa mesma ídeia surge nas Leis,de Platão seu discípulo. Sócrates acreditava que ao se relacionar com os membros de um parlamento a própria pessoa estaria-se fazendo de hipócrita.


Socrático



- Governador, eu vim lhe avisar que uma praga assola a província.


-Gafanhotos, outra vez?! Será que desagradamos ao Deus dos Exércitos, sem nos darmos conta?!


-Não, senhor Governador. Desta vez é pior. Muito pior...


-Não faça drama, chanceler. Seja direto! Você age como algumas ciganas e poetisas que me batem à porta...


-A calamidade que lhe venho comunicar, senhor, tem justamente a haver com isso que acaba de dizer o senhor...


-Com ciganas?!


-Antes fosse, Sr. Governador. Com poetas.


-Poetas não fazem mal a ninguém, chanceler. Poetas são o adorno de uma nação ou província... Ou os porta-vozes de seus melhores anseios... Assim me disseram as ciganas que me importunam pela manhã...


-Ocorre, Sr. Governador, que temos um milhão de poetas na província...


-Um milhão de poetas?! Mas isso deve ser razão de júbilo! Abramos um bom vinho! Que dele eu me embriago “Dele eu me embriago. Mas não bebo como ensinou Teofrasto, cortando o vinho em água, ou em carne antes degustada. Não, eu me embriago de verdade. Eu visto a máscara que me distorce, e ela me cola ao rosto. Eu fermento e me contorço, a partir dos bagos pisados....”, como disse certo poeta.


-Esse que o Sr. Governador cita, não é poeta.


-Não?! Mas este um que eu cito, não proferiu tais palavras?!


-De fato, proferiu tais palavras, aquele. Mas trata-se de um intérprete de sonhos, e não de um poeta de fato.


-Um intérprete de sonhos?! E o que o qualifica como intérprete de sonhos, e não poeta?! Quer dizer que este que citei, não faz parte de nosso valoroso exército de um milhão de poetas?!


-Este está fora, senhor. Trata-se de um intérprete de sonhos. Recitará um punhado destes Teofrastos e bagos mal pisados de uva, tais quais os que o senhor cita e, depois, interpretará sonhos até o final de seus dias. O que o credencia como intérprete de sonhos é o fato de que interpretou muito mais sonhos do que citou o vinho fermentado, ou outra coisa qualquer. Esse não é poeta.


-Compreendo. Citei o homem errado, então. Mas não entendo seu alarme, chanceler. Ter poetas em profusão é bom sinal. Toda província tem seus artistas e artesãos. Veja você..., temos pintores.


-De fato temos, Senhor Governador...


-E quantos são os nossos pintores, chanceler?!


- Uns seiscentos, se tanto...


-Seiscentos?! Não entendo tal disparidade... Certamente temos escultores e músicos...


-Por certo, Senhor, temos essas classes de artistas.


-E quantos seriam nossos outros valorosos artistas?!


-Seis escultores, e mil e duzentos músicos, Excelência.


-O que se passa com nossa valorosa e artística gente, que migra em massa para a arte das palavras?! Exportaremos poetas para Espanha, França, Itália, Inglaterra, Alemanha e Holanda. Essas províncias, reunidas, já tiveram, ao longo de toda sua história, um milhão de poetas?!


-Excelência... Esses povos não aglutinam sequer a décima parte desse montante.


-Então, exportaremos poetas! Se bem que não entenda as razões que nos fazem ter tão poucos pintores, músicos e escultores...


-Senhor, devo lhe esclarecer muitas cousas. Muitas delas, fundamentais para vosso entendimento...


-Chanceler, vosso tom ficou subitamente formal, mui formal, e arrepiou-me a espinha. Faláveis em pragas, depois saltastes deste assunto tenebroso para a saudável embriaguez dos poetas... E agora já adotais esse tom meticuloso e protocolar de me dizer cousas aos sussurros.


-Vossa alteza também assim o fez, sem que se desse conta do feito. Tornou-se protocolar. Tentarei ser o mais são e breve que possa. Apesar da gravidade dos fatos. Não podemos exportar poetas...


-Por que não podemos?!


-Não saberíamos quais exportar.


-Não saberíamos?! Alguns dos bons. Mas não os melhores. Alguns dos bons. Aqueles que o consenso dos poetas considere como bons para a sua espécie...


-Vossa alteza parece, de fato, ter-se embriagado do tal vinho, violando todos os códigos de Teofrasto. Não há consenso entre os poetas. Há entre os músicos. Há, entre pintores, alguma medida de julgamento. Alguns denominadores. Parâmetros. Mas não entre poetas.


-Quando um bom músico ouve a música de outro bom músico, que nome este primeiro músico dá ao que ouve ele?!


-Ele costuma chamá-la de música, senhor. E considera que essa música tenha por propósito agradar aos ouvidos dos que a escutam. Inclusive dos músicos.


-E o que ocorre no tocante aos poetas?!


-Pensam os poetas, senhor governador, que os outros proferem palavras bonitas para humilhá-los.


-Um bom pintor é um ofensor, chanceler?!


-Claro que não, senhor Governador.


-Um mui hábil escultor?!


-Também não, senhor.


-Chanceler..., esclareça-me..., quando um desenhista ou pintor faz um belíssimo desenho a nanquim, bico de pena ou aquarela... a intenção é humilhar os outros, ou compartilhar um dom? Ele quer compartilhar algo da beleza que encontrou, ou ofender seus pares?


-Naturalmente que pretendem compartilhar o belo, Senhor. O mesmo se dá com músicos e escultores, bem como com bailarinos.


-Então, só os poetas apresentam suas palavras com o desejo de humilhar seus pares... São, então, no íntimo, movidos por sadismo, e não pela busca do belo.


-Naturalmente, senhor. São, de fato, uma raça perversa.


-E eu que pensava que poetas, músicos, bailarinos, pintores e escultores eram todos artistas...


-Eu também assim pensava, senhor Governador. Até me caírem as últimas escamas dos olhos. O que move o poeta é, proeminentemente, o sadismo. Assim enxerga cada outro poeta que ouve alguém poetando. É simples.


-Sim. Parece simples. Diga-me chanceler, faz-se um pintor, dando a alguém um punhado de tintas e pincéis?


-Claro que não, senhor Governador.


-Faz-se um poeta dando a alguém um punhado de palavras, ou mesmo sí-la-bas?!


-Sinto dizer-lhe que, hoje na província, assim se faz um poeta, senhor.


-E ao que ele faz, seus pares chamam poesia?!


-Depende, senhor. Se for muito desigual ao que fazem, os que lhe ouvem chamarão de ruído.


-E se for menos desigual?!


-Chamarão de plágio, senhor.


-Quer dizer que, além de sádicos, poetas são ladrões?!


-Exatamente, senhor. Assim o percebi quando me caíram as escamas dos olhos...


-Para ser bom pintor, chanceler, há que se ter um bom manejo das tintas e pincéis, certo?


-Exatamente, senhor.


-Para se ser um bom músico, há de se ter o domínio de algum instrumento musical, correto?!


-Vossa Excelência demonstra excelso raciocínio.


-E para se ser poeta?!


-Basta ter garganta, senhor. Como aqueles bêbados que se pensam grandes cantores. Nenhum cinzel, nenhuma sapatilha, nenhuma tela, nem tintas, nem pianos. Basta a garganta. E se auto-proclamarem poetas.


-Compreendo a dificuldade, chanceler. Daí a vetusta referência ao bom vinho, a Teofrasto, bagos pisados e outras quimeras... A embriaguez os faz pensarem que são poetas. Associada ao sadismo e à rapinagem...


-Exatamente, senhor Governador. Mas devo dizer que, no caso, o senhor cita o tal intérprete de sonhos.


-Mas a matéria da poesia não é imaterial, como são as palavras?!


-Sim, senhor.


-Tão imateriais quanto os sonhos?!


-Exato, senhor. Por isso mesmo, tomastes o intérprete por um poeta, e não o tomaríeis por um bailarino ou violoncelista, por exemplo.


-Começo a compreender a intrincada lógica assimétrica que pauta as artes em nossa decadente província.


-Folgo em sabê-lo, senhor. É com inaudito gáudio que ouço vossa constatação.


-Aprendeste a falar assim com os poetas, chanceler?!


-Não, sua excelência. Isso eu aprendi com os políticos.


-As palavras são imateriais, e as outras artes dependem de suportes materiais... Comparas os poetas aos bêbados, chanceler?!


-Não senhor. Nem todo bêbado é perigoso, senhor. Ou sádico. Ou ladrão.


-Compreendo a urgência da situação.


-Veja, senhor. Todas as crianças rabiscam alguma coisa antes mesmo de falarem. E não almejam ser pintoras quando mais velhas...


-Estou acompanhando...


-Todas as mães acham suas filhas e filhos os mais lindos, mas não os expõem ao ridículo de concursos de beleza quando ficam mais velhos. Para poupar-lhes alguma humilhação desnecessária.


-Compreendo...


-Já os poetas, não poupam suas próprias palavras de concursos, humilhações e auto-humilhações desnecessários.


-Diz-me, então, chanceler, que poetas eventualmente são masoquistas, além de sádicos?


-Perversidade em seu duplo aspecto, senhor: face e contraface.


-Não poupam suas palavras de concursos, nem como poupariam suas filhas?!


-Não senhor!


-Os perfumistas têm faro, chanceler?!


-Naturalmente que possuem, senhor governador. Isso é instintivo!


-Conceberíamos um perfumista que gostasse de odores pútridos?!


-Seria inconcebível, senhor!


-Alguma mãe não admite que o filho de outrem seja mais belo que o seu?!


-Elas sabem, senhor, mas custam a admitir. Não são como os perfumistas...


-Não saberão os poetas do valor das palavras de outrem?!


-Naturalmente que sabem, senhor, tal qual os perfumistas. Mas são mais teimosos que as mães, e não poupam suas palavras de comparações despropositadas...


-Então..., eles sabem..., como os perfumistas...


-Claro que sabem, senhor. Mas além de perversos e ladrões, também mentem, senhor. Mais do que as mães de candidatas em concursos de beleza.


-Vejo então que há disparidades entre as categorias de artesãos e artistas em nossa república... Há muita perversão e rapinagem e engodo concentrados na classe dos artíficies da palavra. Não sei quem possa corrigir tal distorção...


-Não há correção possível, senhor. Nosso ancestral errou na origem.


-Falas de...


-Sim senhor: do quase louvável Adão.


-Hummm... O que ele fez de louvável?


-Deu nomes a todas as coisas...


- Isso é importante! E o que ele fez de mais condenável?!


-Deu os nomes errados, senhor.


-Estamos, então, em decadência, chanceler. Nossa província decai...


-Sempre estivemos, senhor.


-Apenas que agora...


-Sim...


-As escamas caíram de nossos olhos...


-Exatamente, senhor.


-E se juntássemos os poetas num bairro ou congresso, ou concurso... E colocássemos cicuta no abastecimento d’água daquela região da província?!


-Senhor..., fatalmente teríamos de proteger a muitos não-poetas das redondezas dando-lhes algo de beber. E só temos vinho...


-Então...


-Isso mesmo, senhor! Fatalmente se transformariam em poetas ou cantores!


-Tomemos, então, a cicuta nós dois.


-Era o que eu esperava do senhor governador. Eu sabia que, quando as escamas caíssem de vez...


Marcelo Novaes

 

Palavras-chave: Escritores, Literatura

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Março 11, 2010

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Postado por Ana A. S. Cesar

 

 

"Abriu o chuveiro, pegou o sabonete e, com a palma da mão, começou a fazer bolhas bem leves e interessantes. Enquanto assoprava... SSSSUSSSS!, observou que elas eram diferentes umas das outras e podiam transformar-se, de repente em vários personagens, com histórias próprias..."


O trecho acima faz parte do livro "Bolhas", da escritora Dilea Frate. O livro conta a estória de uma menina que vivia com a cabeça nas nuvens e que teimava em ver bolhas em tudo: gente, bicho, poeira, comida, coisas de um mundo de TVs-bolha, computadores-bolha, carros-bolha, com pessoas que se trancavam em casas-bolha. Talvez pensasse assim porque se sentia meio solta e perdida no mundo, como as bolhas, que, por não lhe saírem da cabeça, acabaram chegando ao seu coração.




Dilea Frate é jornalista e escritora. Estudou na ECAUSP. Tem livros infantis e contos publicados. Adaptou seu primeiro livro, Procura-se Hugo, para o teatro. Atualmente está trabalhando em Caxias do Sul gravando cenas de um novo programa que estreia em 22 de abril na Tv Brasil (tv pública, antiga TV E): o Tv Piá.

Dilea Frate estará na FLIPOÇOS 2010 no dia 30 de abril.
Palestra e batepapo sobre o tema "Como um livro pode competir com a tela de TV?"



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Março 01, 2010

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Postado por Ana A. S. Cesar

 



Oh! Bendito o que semeia Livros à mão cheia
E manda o povo pensar!
O livro, caindo n’alma
É germe – que faz a palma,
É chuva – que faz o mar!


Castro Alves


"O poeta sente as palavras ou frases como coisas e não como sinais, e a sua obra como um fim não como um meio; como uma arma de combate."

Jean-Paul Sartre


foto: revista brasileiros

 

Notícia do Jornal Folha de São Paulo de 1º de março de 2010:

O bibliófilo e empresário José Mindlin, de 95 anos, morreu na manhã de ontem, em São Paulo, vítima de falência múltipla dos órgãos, ocorrida após complicações cardíacas e pulmonares. Ele estava internado havia um mês para tratar uma pneumonia. Apaixonado pelos livros, o bibliófilo e empresário organizou a maior e mais importante biblioteca privada do País.

Responsável por organizar a maior e mais relevante biblioteca privada do País, doada em 2006 à Universidade de São Paulo (USP), o também fundador da Metal Leve e membro da Academia Brasileira de Letras (ABL) recebeu homenagens durante a tarde no velório realizado no Hospital Albert Einstein, na zona sul da capital paulista.

Durante a cerimônia, em que compareceram dezenas de pessoas, a contribuição à USP e outras importantes atuações, como decisões tomadas durante a ditadura, foram lembradas por amigos do mundo político. A família preferiu uma cerimônia reservada a parentes e amigos e não quis dar declarações durante a homenagem.

Por volta das 15h, pouco antes de o corpo deixar o local, parentes abraçavam-se enquanto ouviam-se cantos em hebraico. O caixão seguiu para o Cemitério Israelita da Vila Mariana, na zona sul, onde Mindlin foi enterrado no fim da tarde.

O governador José Serra (PSDB) decretou luto oficial de três dias em razão da morte.

"Muita gente se refere a ele como bibliófilo, mas ele foi mais do que isso", afirmou o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) ao deixar o velório. "Foi um resistente ao regime autoritário, fui testemunha disso. Quando fomos postos fora da universidade, em 1969, e fizemos um centro de pesquisa para poder permanecer no Brasil, o Mindlin prestou apoio", continuou. "Ele é muito mais que um bibliófilo. É uma pessoa preocupada com o futuro do País", concluiu FHC.

Em nota, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva lamentou a morte de Mindlin.

"Ele foi um grande brasileiro e motivo de orgulho para todos nós. Com seu imenso amor à cultura, sua defesa da liberdade e sua conduta empresarial, prestou serviços extraordinários ao País. E, apesar da idade, ainda tinha força e disposição para contribuir com o progresso nacional", afirmou o presidente na nota.

"Foi uma grande figura como pessoa, intelectual e também, num certo momento, uma grande figura política, quando soube defender a liberdade de imprensa, a liberdade cultural. Um homem que sempre foi um democrata, uma grande figura de São Paulo", disse José Serra, que foi ao velório acompanhado da primeira-dama, Mônica Serra.

Em nota oficial, Serra enfatizou ainda que, quando secretário Estadual da Cultura, nos anos 70, Mindlin convidou o jornalista Vladimir Herzog para a diretoria de Jornalismo da TV Cultura. "Sabe-se que os torturadores dos jornalistas presos procuravam, também, incriminar a Mindlin. E ele soube se comportar com altivez e dignidade diante das ações que levaram à morte de Herzog", afirmou o governador.

O rabino Henry Sobel também lembrou da ditadura ao falar sobre Mindlin. "Naquela época sombria no Brasil, quando decidimos não enterrar (o jornalista) Vladimir Herzog como suicida, eu tive o apoio dele à minha decisão", afirmou Sobel, um dos primeiros a chegar ao velório, em referência ao assassinato do jornalista pela ditadura militar.

"Ele era um empresário fantástico, que estimulou a aprendizagem e teve sempre uma conduta exemplar", completou o amigo José Pastore, professor titular da Faculdade de Economia e Administração da USP.

O senador Eduardo Suplicy (PT) também manifestou-se durante o velório sobre a importância do bibliófilo. "Foi um homem que ajudou o Brasil a ser um País melhor."

Presente na homenagem, o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), divulgou nota em que exaltou a doação dos livros de Mindlin à USP.

"José Mindlin foi um gigante da cultura brasileira. Como todo grande homem, deixa um grande legado, que é a Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin", afirmou a nota.

O reitor da USP, João Grandino Rodas, reiterou, ao deixar a cerimônia, que o acervo em papel e digitalizado será abrigado em um dos prédios mais modernos e "imponentes" da universidade. Os obras deverão estar disponíveis ao público já no próximo ano, quando está prevista a inauguração.

"Ele era um empresário bem-sucedido, mas não viveu nunca como muitos desses empresários. Tinha uma casa confortável, mas simples. Ele e sua mulher viviam para juntar os livros e trabalhavam para sua conservação e digitalização", afirmou o reitor. Rodas destacou ainda que ficarão acessíveis ao público obras como o primeiro exemplar de Os Lusíadas, de Camões, e mapas brasileiros raríssimos que foram colecionados pelo bibliófilo.

Ainda segundo Rodas, foram necessários 15 anos de "luta" para que a USP recebesse os livros. "No Brasil, muitas instituições têm verdadeira ojeriza às doações privadas e ele foi pioneiro nisso."

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso enfatizou que foi necessária mudança legal para permitir a doação sem custos para donatários. "Foi um gesto importante porque, no Brasil, não temos a prática de doar", complementou a ex-prefeita Marta Suplicy (PT).

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Fevereiro 26, 2010

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Postado por Ana A. S. Cesar

A bolha faz parte da nossa vida. Sem perceber, somos seres fechados em bolhas pequenas e grandes: nosso computador, o carro, os grupos de amizade, a família, os sentimentos que geram bolhas de esperança e ilusão.

A ‘bolha’, que nos protege de um mundo e nos afasta de outro, fatalmente é rompida nos momentos de crise. É sobre este delicado tema que trata o novo livro de Dilea Frate, lançado pela Cortez Editora, Bolhas. Lindamente ilustrado por Simona Traina, a obra nos conta a história de uma menina que observa o mundo e as pessoas como se estivessem fechadas em bolhas. Embaixo do chuveiro, a menina delira imaginando personagens e histórias que tem como protagonistas, as bolhas. Dilea aproveita a imagem lúdica da bolha de sabão, que toda criança adora, para dar vários recados filosóficos, sociológicos e científicos. No filosófico, explora o conceito da eterna mudança das coisas no mundo. No sociológico, o fato de vivermos cada vez mais trancados em bolhas, sem aceitar as diferenças. E no científico, a origem do universo. O livro também explica, de uma forma leve, a bolha financeira que periodicamente toma conta da economia do mundo e abala a vida das pessoas. Um livro para todas as idades.

Sinopse: Uma menina, que vivia com a cabeça nas nuvens, teimava em ver bolhas em tudo: poeira, comida, bichos, pessoas. Talvez pensasse assim porque se sentisse um tanto quanto solta e perdida no mundo das pessoas fechadas. Ela se considerava a própria bolha, flutuante e sem destino. Mas um fato novo faz com que ela tenha de sair de sua própria bolha.

Sobre quem faz: Dilea Frate é jornalista e escritora. Estudou na Escola de Comunicações e Artes da USP. Tem livros infantis e contos publicados. Adaptou seu primeiro livro, Procura-se Hugo, para o teatro. Seus livros de contos para crianças Histórias para acordar e Fábulas Tortas (Cia. Das Letrinhas) foram premiados, receberam a classificação de Altamente Recomendável pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ) e foram traduzidos no exterior. Tem histórias publicadas em mais de cem antologias de livros de língua portuguesa para o ensino fundamental. Como jornalista, seu trabalho mais conhecido foi o Programa do Jô, em que atuou como redatora, roteirista e diretora. Foi repórter de jornal, redatora de revista e diretora e roteirista de documentários. Também já participou de exposições coletivas de artes plásticas. Simona Tarina nasceu em Milão, mas vive em Palermo, ambas cidades italianas. Cursou o instituo Europeu de Design de Torino, no qual aprimorou seu talento artístico. Viajou por vários países da Europa e, por um tempo, fixou residência em Portugal, fazendo inúmeros trabalhos de ilustração para as editoras portuguesas. Apaixonada por literatura infantil dedica-se a criar projetos com traços delicados que encantam adultos e crianças.

A bolha nossa de cada dia vira livro para ser lido por pais e filhos


Palavras-chave: Escritores, Literatura, Livros

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Fevereiro 23, 2010

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Um Anjo no Paraíso - José de Anchieta, da ilha de Tenerife a São Paulo e ao Rio de Janeiro (Edições Loyola)




O autor de Um Anjo no Paraíso, o escritor Haroldo Barbosa Filho, nos presenteia com mais duas importantes obras.

"Se eu consigo, você consegue" (Ed. Vozes), de Haroldo Barbosa Filho e "Milagres Acontecem - Um Guia Prático Para Ser E Fazer Feliz" (Ed. Vozes), de Vagner Fontes e Haroldo Barbosa Filho.

Em Se eu consigo, você consegue o autor nos dá um relato simples e contundente sobre como vencer, por exemplo, a perda de um emprego. Como dar o primeiro passo e o que fazer para reverter essa situação são apenas algumas das respostas que, objetivamente, o autor apresenta neste livro.

Em Milagres acontecem - Um guia prático para ser e fazer feliz é um livro que propõe exatamente a capacidade que temos de determinar o nosso sucesso, que temos o dom de fazer acontecer um milagre em nossa vida. A saber do que somos capazes e a colocar em prática todo o potencial que cada um tem dentro de si. De forma descomplicada e objetiva, os autores mostram que é possível sair de situações desagradáveis e passar a ver realizados os seus sonhos. Em cada capítulo há um ensinamento prático que vai ajudar o leitor a entender como se processam os milagres.

Sobre os autores

Haroldo Barbosa Filho nasceu em Jardinópolis, interior de São Paulo. É publicitário há mais de 25 anos anos, com diversos prêmios por trabalhos realizados. Seu último livro 'Um Anjo no Paraíso' é uma grande obra biográfica romanceada. O livro é um relato exímio de uma das figuras mais importantes da nossa história.

Vagner Fontes nasceu em São Paulo, capital. É administrador de empresas, tem atuação destacada em várias empresas.


Palavras-chave: Autores, Lançamento, Literatura, Livros

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Janeiro 06, 2010

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Postado por Ana A. S. Cesar

 

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Enigmática, a senhora Hilda Hilst. Dona de um texto na maioria das vezes estranho, instigante, capaz de surpresas cuidadosamente planejadas. Camaleoa. Com quase quarenta livros publicados, escrevendo magistralmente desde a prosa de ficção à dramaturgia, passando por poemas de construção hipermental (metalurgia de palavras), ainda assim não é suficientemente conhecida nem estudada.
Densa a sua tessitura, crua,  mas ao mesmo tempo poderosa e cálida, como fogo ateado à distância para o deleite das mãos.
Conhecida principalmente nos círculos intelectuais paulistanos, Hilda concebeu novelas onde o poder verbal, literariedade e erudição se mesclam em resultados desconcertantes.
Em "Com Meus Olhos de Cão", novela que dá título à coletânea de sua prosa, editada pela Brasiliense, narra o processo de entorpecimento e desligamento do mundo porque passa o personagem Amós Kéres, matemático, poeta. "Matamoros", "A Obscena Senhora D" e "Qadós" são outros exemplos de poetização da prosa em Hilda Hilst.
A temática de seus textos foi, durante muito tempo, o universo imponderável das ações humanas, a inquietude do ser; a morte, Deus, a finitude, a reflexão e a ars poética. Mas o tratamento rigoroso da matéria literária tornou muito densa essa sua literatura - que ao longo de mais de trinta anos de intensa atividade, ficou restrita a uns poucos eleitos. Sua poesia, repleta de indagações metafísicas, acabou conduzindo-a a mergulhos no universo das  leituras da física e da filosofia, que toma como apoio em sua busca de respostas sobre a imortalidade da alma. Ela anseia descobrir, mas sem abrir mão da ciência. Foi a preocupação com a sobrevivência da alma que a levou, nos anos 70, a realizar uma série de experiências em Transcomunicação Instrumental, com o intuito de gravar vozes de espíritos. Hilda deixava gravadores ligados por sua chácara (a Casa do Sol) e afirma ter captado vozes pronunciando palavras e fragmentos de frases. Poucos a levaram a sério.
O mesmo não aconteceu na literatura, em que a crítica se rendeu ao refinamento e profundidade de seus textos. Carrega até hoje a fama de escritora dificílima. O livro "Com meus olhos de cão" teve excelente receptividade, mas apesar de tudo seu texto ainda continuava sendo "desgustado" somente por uns poucos eleitos que se permitiam o desafio de entrar na cortina de ferro da literatura de Hilda Hilst.
Louvada pela crítica, admirada por outros escritores (entre eles Lygia Fagundes Telles e Caio Fernando Abreu), mas distanciada do grande público, Hilda queria mais. Inconformada com a repercussão pálida de seus textos, a escritora tomou uma decisão surpreendente: depois que leu pelos jornais que a francesa Regine Deforges, com o açucarado best-seller "A Bicicleta Azul" pôs na bolsa mais de 10 milhões de dólares, não teve dúvida: "Como é que eu, com uma cabeça esplendorosa, não consigo nem me sustentar?". E concebeu "O Caderno Rosa de Lory Lambi", um escrito pornográfico. Hilda estava convicta, achava que deveria escrever de maneira diferente para ganhar dinheiro mesmo: "Textos que todo mundo compreendesse, colocando a problemática do sexo de maneira nova, chula". E foi o que fez. O livro foi lançado e fez sucesso. Hilda, então, escreveu, em pouco mais de dois anos, dois outros livros na mesma linha: "Contos de Escárnio" e "Cartas de um Sedutor".
Conseguiu deixar a crítica em quase pânico, mas, boa filha, voltou logo à literatura esplendorosa de sempre. As novelas de Hilda Hilst são, na verdade, rapsódias, cantos em grande forma que constituem uma representação poética do espírito e da realidade. Isto pode ser dito especialmente de "Com meus olhos de cão" - uma narrativa em prosa lírica da angústia e da derrelição, um tema constante em Hilda Hilst. Em "A Obscena Senhora D", por exemplo, num exercício de metalinguagem, o personagem Ehud fala a um outro, Hillé: "Derrelição quer dizer desamparo, abandono e por que me perguntas a cada dia e não reténs, daqui por diante te chamo a senhora D. D de derrelição, ouviu?".
Amor, morte, sonho, sexo, vida agônica. Salvação e perdição, tempo e eternidade, realidade e fantasia, Deus e o homem são os elementos vivenciais que passam sob diferentes roupagens e máscaras ao longo da narrativa descontínua dos textos de HH. São imagens e sons que nos assaltam como sortilégio e como um presságio que destila da linguagem crua.
De imediato percebemos a intenção do estabelecimento de uma nova estrutura de narração, fundada nos desvario. Há uma razão experimentalista, que não nega as suas heranças surrealistas: construções irrefletidas, encadeamentos ilógicos, experimentações formais no âmbito da prosa:

"Hillé, andam estranhando teu jeito de olhar.
Que jeito?
Você sabe.
É que não compreendo.
Não compreende o quê?
Não compreendo o olho, e tento enxergar perto.
Também não compreendo o corpo, essa armadilha, nem a sangrenta lógica dos dias, nem os rostos que me olham nesta vila onde moro, o que é casa, conceitos, o que são as pernas, o que é ir e vir, para onde,
Ehud (...)?"

Porém, a natureza e a verdade poética que Hilda Hilst anseia não se situam no jogo formal, nos seus limites, sua atenção verbal extrapola a forma vã, já que: "modo de ser da literatura, historicamente ligada a uma forma chamada verso, a essência da poesia não se revela nem quando a situam ao nível da linguagem metrificada". A poesia é outra coisa. A poesia é Hilda.
Embora menos complexa, sendo uma obra, "consumada" - em que as razões experimentais encontram-se mais ou menos definidas e encontraram forma definitiva - Com meus olhos de cão lembra-nos o "Igitur", de Mallarmé. Mas a indecifração de algum elemento que nela nos inquiete e confunda, porém, estará, via de regra, presa a um sistema coerente de significado constituindo, pois, um código que em uma última instância pode ser interpretado em relativa conformidade com o real, se considerarmos real o delírio, o sonho, a morbidez... O trauma, enfim.

por Sônia Zaghetto, jornalista (DF)


(Colaboração do escritor Haroldo Barbosa Filho, no Facebook).

Palavras-chave: Escritores, Literatura

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Novembro 08, 2009

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Postado por Ana A. S. Cesar

 

Verdades e Mentiras

Histórias baseadas em fatos falsos e casos pouco divulgados revelam o lado menos charmoso - mas não menos curioso - da literatura.

 

A LITERATURA PERMITE NARRATIVAS QUE VÃO ALÉM DOS FATOS HISTÓRICOS, MAS, AO MESMO TEMPO QUE SUA POESIA COMPREENDE REALIDADES, SURGEM INACEITÁVEIS FALSIFICAÇÕES.

“Magia livre da mentira de ser verdade.” A definição da arte pelo filósofo alemão Theodor Adorno é uma das mais sintéticas defesas do direito do artista ao artifício, contra as históricas condenações de filósofos e moralistas. A maior delas, como se sabe, está no livro A república, de Platão, para quem o sistema ideal não deveria receber o poeta, pois este “instaura na alma de cada indivíduo um mau governo, lisonjeando a parte irracional, que não distingue entre o que é maior e o que é menor (...) que está sempre a forjar fantasias, a uma enorme distância da verdade”.

O imaginário artístico, desde então, esteve submetido ao olhar desconfiado do tribunal da razão e dos bons costumes, reivindicando timidamente o direito à fantasia e às verdades da ficção. Não raro, este imaginário usa o subterfúgio da verossimilhança, aproxima-se dos discursos “aceitáveis” da história e da filosofia, para dizer, com Aristóteles, que “a poesia é algo mais filosófico e mais sério do que a história, pois aquela se refere principalmente ao universal, enquanto esta se refere ao particular.”

O que acontece, porém, quando um escritor lança mão das falsificações intrínsecas à criação não para atingir uma verdade universal, mas para promover uma fraude que trai seu pacto ficcional com os leitores, o acordo que suspende temporariamente a noção de realidade em troca de experiências que ampliam a própria realidade?

A história da literatura está repleta de dissimuladores e falsários, que, no entanto, usam sua capacidade de fabulação e travestimento em nome da liberdade de expressão, da afronta ao senso comum e aos preconceitos. Bem diferentes são os casos das falcatruas explícitas, cometidas por mentirosos crônicos com intenções venais de fazer fama e fortuna – ou por pura perversão.

É algo que não se confunde com os sofistas da Antiguidade clássica, os quais percorriam as cidades-estados lecionando oratória mediante pagamento e cuja arte da persuasão retórica foi tachada de charlatanismo pela academia platônica, mas que passaram a ser revalorizados como portavozes de uma espécie de relativismo filosófico, menos preocupado com os grandes sistemas de conhecimento metafísico do que com questões práticas e pequenas verdades provisórias.

Deriva dos sofistas o conceito de raciocínio enganoso (sofisma), em oposição ao silogismo (a dedução lógica com base em premissas corretas), e a postulação dos limites entre aletheia (verdade) e doxa (opinião). No plano estritamente literário, porém, a mentira sempre esteve mais associada à comédia e, mais tarde, à farsa medieval do que ao engodo, em sua acepção moderna. Nesse universo mental, anterior à noção moderna do indivíduo cindido da coletividade, o valor do poeta ou dramaturgo grego estava em “imitar” as formas consagradas pela tradição.


PLÁGIO

Foi necessário que surgisse uma sociedade mais individualista para que aparecessem noções fortes da obra e do autor – e, com elas, as figuras do plagiário e do fraudador. A cópia, outrora vista de modo positivo como “emulação”, como homenagem prestada aos antigos, passa a ser depreciada como falta de originalidade, ou pior, como plágio – um delito contra a figura jurídica do autor e da nascente jurisprudência do direito autoral.

O caso mais emblemático é Dom Quixote, de Miguel de Cervantes, marco inaugural do romance moderno. Ao parodiar os romances de cavalaria, ele lança as sementes do herói “problemático” do romance burguês, que busca para a própria existência um significado que a sociedade já não lhe reserva de antemão. Mas, além disso, foi justamente com Dom Quixote que nasceu o crime contra a autoria.

A história não deixa de ter seu lado cômico – ou, no caso, “quixotesco”. Dom Quixote de La Mancha é composto por duas partes: O engenhoso fidalgo D. Quixote de La Mancha, publicado em 1605, e Segunda parte de O engenhoso cavaleiro D. Quixote de La Mancha, de 1615. Como explica o tradutor brasileiro da obra, Sérgio Molina: “Em 1614, já adiantado na redação da segunda parte de sua obra, Cervantes foi surpreendido pela publicação de um segundo tomo O engenhoso fidalgo D. Quixote de La Mancha, continuação fraudulenta assinada por Alonso Fernández de Avellaneda (pseudônimo de um autor cuja verdadeira identidade é até hoje um enig- ma). Nesse ‘Quixote apócrifo’, narra-se a história da terceira saída do herói rumo a Saragoza (conforme previsto ao final do primeiro tomo) – o que também ocorre em O engenhoso cavaleiro D. Quixote de La Mancha”.

Num tempo em que ainda não havia escritórios de advocacia especializados na defesa da propriedade intelectual e do copyright, a solução encontrada por Cervantes foi colocar, na segunda parte “autêntica” da obra, a personagem lendo o falso Quixote e esbravejando contra o logro de Avellaneda – que assim ganhou a glória questionável de ser eternizado como plagiário. Mais que isso: lançando mão de um estratagema irônico para marcar a diferença entre sua versão e a de Avellaneda, Cervantes decide alterar o rumo do Quixote – que, ao contrário do anunciado, não entra em Saragoza, mas segue para Barcelona.

REALIDADE NA ARTE

Como na técnica pictórica do trompe l’oeil – aquelas pinturas que simulavam portas ou janelas sobre as paredes dos palácios barrocos –, o real se confunde com eventos fictícios num jogo vertiginoso, em que triunfa a ilusão, que, a partir daí, se introduz de modo progressivo na arte literária e na própria realidade. Porém, a esse triunfo, que o romance potencializa com sua capacidade de se apropriar dos discursos não-literários da história, da filosofia, da economia (muitos dos romances de Balzac e Zola serão verdadeiros tratados sobre a vida rural e urbana, confundindo-se com o jornalismo), corresponde à desconfiança em relação aos efeitos deletérios da ficção sobre a moral e os costumes: surge aí o tema, essencialmente moderno, da “intoxicação pela leitura”, que começa a tomar forma no próprio D. Quixote (o fidalgo que enlouquece com a leitura de romances de cavalaria) e atinge seu ápice em Madame Bovary, de Flaubert (a mulher que se torna adúltera a partir da leitura dos folhetins românticos, fantasia cujo realismo levaria seu autor às barras dos tribunais por atentado ao pudor).

Em resposta a essa tensão crescente entre a imaginação e seus censores, inúmeros escritores setecentistas e oitocentistas lançam mão do procedimento de escorar os enredos numa suposta base documental, que assim duplica os efeitos da simulação. Um dos casos mais rocambolescos é A religiosa, do filósofo iluminista Denis Diderot.

Inconformado com o retiro espiritual de um amigo, o marquês de Croismare (que se recolhera na província após a morte da esposa), e aproveitandose do fato de este se haver sensibilizado com o episódio de uma jovem monja que recorrera à justiça pleiteando a quebra dos votos (sob alegação de ter sido coagida à clausura), Diderot e seus amigos simularam cartas nas quais, após ter fugido do convento e se instalado em Paris, ela pedia o auxílio do marquês.

Em vez de retornar a Paris, Croismare respondeu pedindo que a jovem fosse ter com ele em Caen. Diante disso, os farsantes tiveram de inventar uma versão que culminava na morte da religiosa – e Diderot, entusiasmado com o imbróglio, escreveu as “memórias” dos maus tratos sofridos por Suzanne Simonin (nome da personagem), das torturas disfarçadas de penitência a que ela foi submetida. Ao final do livro, ele justapôs um “prefácio-anexo” que incluía as cartas trocadas de parte a parte e revelava toda a farsa.

O tal “prefácio-anexo” divide até hoje os especialistas. Muitos acreditam que até mesmo a troca de cartas de Diderot & Cia. com o crédulo marquês não passa de uma mistificação dentro da mistificação, que tudo foi inventado para sustentar a ilusão romanesca – e que, portanto, as cartas seriam, também elas, parte integrante da obra.

Fato é que a revelação não impediu que A religiosa passasse à história como um dos maiores libelos contra a instituição do claustro e o sistema punitivo da igreja, antecipando o furor dos revolucionários de 1789, que invadiam os conventos para libertar as virgens encarceradas.

Esse tipo de recurso, que desnorteia o leitor, reaparece em Stendhal, pseudônimo pelo qual ficou conhecido Henry Beyle, cujas Crônicas italianas (esgotado) partem de manuscritos familiares comprados na Itália à época em que lá exerceu funções diplomáticas. São histórias supostamente verídicas (“fiz algumas correções a lápis, a fim de tornar o estilo um pouco menos obscuro”, declara ele no prefácio), repletas de crimes galantes, raptos, invasões de conventos, cuja publicação tem o intuito de restaurar o espírito de coragem e audácia na avarenta sociedade pós-napoleônica – mundo de financistas corruptos e políticos hipócritas, contra os quais ele usa as mesmas armas. No caso, a hipocrisia autoral, já que, sabemos hoje, os enredos italianos foram totalmente reescritos pela pena genial do autor de O vermelho e o negro.

Esses despistes muitas vezes servem para preservar o autor de retaliações por posturas anticlericais ou delitos de opinião contra a ordem vigente. Mas a ficção autoral também pode atender a objetivos menos edificantes (ou, digamos, mais “pecuniários”), caso de Alexandre Dumas, que mantinha uma oficina de escribas responsáveis por preencher seus enredos e desenvolver suas personagens – só intervindo no momento de finalizar a obra.

Dumas traz para a literatura um método de trabalho em equipe característico dos pintores renascentistas e antecipa a técnica empregada pelos atuais autores de telenovelas e best sellers (que sustentam escritórios de ghost writers). Aliás, um dos divertimentos dos pesquisadores da prosa de Dumas é identificar quais partes sofreram sua intervenção e quais ele deixou na forma original de seus colaboradores – havendo até um deles, Auguste Maquet, que é considerado o mais brilhante dentre os pseudoDumas.


SOB FORMA DE FATO

Aqui, porém, já estamos falando de um momento em que o ilusionismo assimilado à estrutura da obra (caso de Diderot e Stendhal) cedeu espaço à prestidigitação mercadológica, em que o leitor compra gato por lebre, Maquet por Dumas. Foi talvez pensando nisso, na falta de vertigem e no jogo de espelhamentos da literatura realista e naturalista do fim do século 19, que Oscar Wilde escreveu no ensaio A decadência da mentira, de 1891: “Uma das causas principais da banalidade de quase toda a literatura atual é certamente a decadência da mentira considerada como arte, ciência e prazer social. Os antigos historiadores apresentavam-nos deliciosas ficções sob a forma de fatos; o moderno romancista oferece-nos fatos estúpidos à guisa de ficções”.

Se tivesse esperado mais alguns anos para publicar seu ensaio, Wilde talvez relativizasse esse veredicto tão severo. Afinal, em 1894, surgia na França uma das maiores da fraudes da história da literatura: Canções de Bilitis, um conjunto de 146 poemas em prosa de uma poeta grega contemporânea de Safo, “traduzidos” por Pierre Louÿs – que só em 1925, no leito de morte, teria assumido a autoria desses versos de erotismo lésbico, que hoje ninguém dissocia de um decadentismo fin-de-siècle que teria encantado o autor de O retrato de Dorian Gray.

Seja como for, a ideia de que os historiadores podem nos apresentar “deliciosas ficções sob a forma de fatos” assumiu aspectos repulsivos em um século em que a história rima com barbárie. Na esteira dos Protocolos dos Sábios de Sião (documento forjado na Rússia do século 19 para desvendar uma conspiração dos judeus para dominar o mundo) e do mote de goebbels (ministro da propaganda de Hitler), segundo o qual “uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade”, surgiu recentemente um livro que ultrajou toda a comunidade judaica, justamente por ter sido considerado um dos documentos mais comoventes de um sobrevivente dos campos de concentração nazistas: Fragmentos – Memórias de uma infância (esgotado), de Binjamin Wilkomirski.

Publicado em 1995 na alemanha, o livro traz as lembranças de um garoto que acredita ter nascido em riga (letônia) e que se lembra, como num lampejo espectral, de ver seu pai sendo esmagado por um caminhão antes de ser deportado para os campos de extermínio de Majdanek e Auschwitz.

Essas incertezas biográficas, que determinam o caráter descontínuo das memórias de Wilkomirski, e a escrita fragmentária e sem metáforas de quem cresceu sem língua materna ou paterna, misturando o ídiche com a língua babélica dos campos, levaram o ensaísta márcio Seligmann-Silva a comentar que “a onipresença da morte faz com que a linguagem se torne mais ‘concreta’: as pessoas num campo de concentração são literalmente queimadas, a fome literalmente mata, o mais forte é literalmente dono de você etc. Não há espaço para a metáfora – apenas para a metamorfose”.

A livro de Wilkomirski implicaria uma “ética da representação”, uma forma consequente com a matéria narrada, sem artifícios literários – o que teria justificado as diversas honrarias que ele recebeu, inclusive de um júri integrado por elie Wiesel, sobrevivente de Auschwitz –, não fosse pelo fato, revelado pelo jornalista Daniel Ganzfried na revista suíça Welt Woche, que Wilkomirski (aliás, Bruno Doessekker, seu verdadeiro nome) só estivera em Majdanek “na condição de turista” e de que nem judeu ele é!

A revista Granta, do verão de 1999, publicou uma extensa reportagem em que Elena Lappin descreve um encontro com o escritor após o escândalo, um texto que procura ver na fragilidade de doessekker/Wilkomirski um elo comum que explique a patologia que manchou a “literatura de testemunho” (como são conhecidos os relatos de sobreviventes dos campos nazistas), colocando em xeque sua veracidade e sua ética.

Mas, como assinala o próprio Seligmann-Silva, a questão é que “cada gênero literário possui as suas ‘regras’, propõe um determinado ‘jogo’ com o leitor. (...) Se o livro Fragmentos é composto apenas ‘ao modo’ de uma autobiografia, ele deixa de ter um efeito estético – e ganha apenas um teor amoral.”

Essa amoralidade é a mesma que atinge outros relatos fraudulentos no jornalismo – como Jayson Blair, que assinava reportagens inteiramente fictícias para o jornal The New York Times – ou no memorialismo – como o livro Angel at the fence, cuja publicação foi cancelada pela editora, em que Herman Rosenblat lembraria como conheceu no campo de Buchenwald (onde de fato esteve) uma menina que lhe entregava pão e maçãs numa cesta, e que ele teria reencontrado casualmente em Nova York (história que se revelou falsa).

Colocar todos os gatunos no mesmo saco, porém, seria acrescentar mais uma mentira a esse rol de mentiras: pois uma coisa é enganar jornais, editores e leitores, como o fizeram escritores e jornalistas em diferentes momentos da história, para explorar as ambiguidades da ficção ou simplesmente obter dinheiro e celebridade num futuro imediato; outra coisa, muito mais grave, é surrupiar a própria história, cancelando o passado de quem explora de modo consciente as tensões entre memória e ficção, mentira e verdade. ©

CARICATURA DE TEXTOS

Na sociedade do espetáculo e da mercantilização ilimitada, a fraude em relação à autoria (processos por plágio e disputas pela propriedade intelectual de obras artísticas e descobertas científicas), deriva, frequentemente, para a caricatura: é quando um autor, em vez de ter uma obra “roubada”, vê atribuído a si um texto que não escreveu. São os casos, muito semelhantes, de dois grandes escritores contemporâneos que foram vítimas de falsas atribuições. Pouco antes da morte de Jorge Luis Borges, em 1986, circulou na imprensa um poema apócrifo, no qual o argentino ce lebrava os prazeres simples da vida: “Se eu pudesse viver novamente/ (...) Iria a mais lugares onde nunca fui,/ Tomaria mais sorvete e menos lentilha,/ Teria mais problemas reais e menos imaginários/(...) Mas, já viram, tenho 85 anos/ E sei que estou morrendo”. Leitores familiarizados com a escrita cerebral do autor do Aleph estranharam o tom meloso – mas isso não impediu que o poema do pseudoBorges fosse amplamente divulgado. Num lance bizarro, a viúva de Borges, Maria Kodama, chegou a entrar na justiça para “não” receber dividendos referentes à publicação do tal poema, que considerava abominavelmente kitsch...

Episódio semelhante aconteceu em 1999, quando passou a circular um poema em prosa intitulado La Marioneta, no qual, gravemente enfermo, o colombiano Gabriel García Márquez celebrava a vida e terminava afirmando que morreria em breve, de maneira muito semelhante, em sua pieguice, àquele atribuído a Borges: “São tantas as coisas que aprendi com vocês, mas, finalmente, não poderão servir muito, porque (...) infelizmente estarei morrendo”. Curiosamente, o verdadeiro autor do falso poema de García Márquez, que ainda hoje circula pela internet, se chama Johnny Welch, trabalha no México como ventríloquo e escreveu La Marioneta para seu boneco Mofles – numa metáfora involuntária sobre a condição do autor em tempos de apropriação indiscriminada da autoria: uma marionete que, sem o saber, dá voz a outrem...

Por Manuel da Costa Pinto para a Revista da Cultura edição de novembro de 2009.

Sobre o autor: Manuel da Costa Pinto nasceu em São Paulo em 1966. Formado em jornalismo pela PUC-SP e mestre em Teoria Literária e Literatura Comparada pela USP, é autor de Literatura Brasileira Hoje (Publifolha, coleção “Folha Explica”) e Albert Camus – Um Elogio do Ensaio (Ateliê Editorial), co-autor de Ilha Deserta – Livros (Publifolha) e organizador e tradutor da antologia A Inteligência e o Cadafalso e outros ensaios, de Albert Camus (Editora Record). Foi editor-assistente da Edusp, editor-executivo do Jornal da USP, redator do caderno “Mais!”, da Folha de S.Paulo, editor-executivo da revista Guia das Artes (especializada em artes plásticas) e, de 1997 a 2003, editor da CULT – Revista Brasileira de Literatura. Atualmente, é colunista da Folha de S.Paulo, onde assina a seção “Rodapé”, sobre literatura e livros, publicada aos sábados no “Ilustrada”. [Junho de 2004]

 

Palavras-chave: Folha de São Paulo, Literatura

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Outubro 30, 2009

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http://2.bp.blogspot.com/_T_r3kH7znqM/R4M0kveqahI/AAAAAAAABEE/HSXLRU5ePjI/s320/livrodebolso06.bmp

Significado de mirante

s.m. Ponto elevado de onde se descortina um largo horizonte.
Pavilhão colocado em lugar montanhoso, para que dele se possam apreciar vistas panorâmicas; miradouro.

Com o intuito de ampliar nossa rede de contatos literários e difundir a literatura no meio acadêmico, já está online o mirantedaliteratura@mirantedaliteratura.com.br. Este espaço é uma conversa entre o pessoal e o virtual. É um plantão na web, onde você terá a oportunidade de tirar as suas dúvidas sobre questões de literatura.

O estudante do ensino médio terá aqui um espaço para estudo literário e o estudante universitário poderá divulgar seus trabalhos ao longo da jornada acadêmica.

Dentro da linha do pensamento literário, esta iniciativa vai ao encontro de novos talentos e de futuros escritores.

Nossa língua é o nosso maior patrimônio. A literatura, a maior riqueza.


Palavras-chave: Escritores, Estudantes, Literatura

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Setembro 24, 2009

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Postado por Ana A. S. Cesar

Em entrevista, o português António Lobo Antunes revela seus sentimentos sobre o Brasil, a doença, a escrita e a leitura.

fonte: Revista Língua Portuguesa 09/2009 - 47ª edição - Terciane Alves, de Paraty.


Do escritor português António Lobo Antunes espera-se um homem austero, reservado, de poucas palavras. Afinal, tem fama de intimidar as pessoas, tanto por sua obra quanto por sua personalidade. Mas tudo isso foi se desconstruindo ou se afirmando de outro jeito, bem mais brasileiro do que propriamente português, em sua vinda ao Brasil, em julho, depois de vinte e seis anos de ausência do país. Lobo Antunes participou da 7ª edição da Festa Internacional Literária de Paraty para lançar Explicação dos Pássaros (1981) e O Meu Nome é Legião (2007), ambos pela Alfaguara-Objetiva. Aos 66 anos, 30 da estreia como escritor (Memória de Elefante e Os Cus de Judas, em 1979), é um psiquiatra autor de 21 romances, que foi tenente e médico do exército português em Angola, na Guerra do Ultramar de 1971 a 73.

Mas ainda se considera o menino que cresceu ouvindo o avô falar com sotaque paraense. Mete Garrincha no meio de uma conversa literária, fala das feijoadas do amigo João Ubaldo Ribeiro e dos nomes brasileiros das tias Miluca e Maroca.

Diferentemente de tantos autores lusitanos, que têm forte veia nostálgica, Lobo Antunes transforma lembranças em histórias de humor ou catarses carregadas da mesma força com que produz sua literatura.

Seu encanto vem de um certo "centro de gravidade numa paisagem familiar" de que já falou Paulo Mendes Campos sobre os poetas. O fato é que Lobo Antunes, hoje um expoente da língua, não consegue recontar sua história de vida ou de trabalho sem falar do Brasil.

Alguns indícios desse território fictício chamado Brasil num escritor que tem origem em famílias brasileiras: Lobo Antunes cresceu lendo Machado, Alencar e Lobato na casa do avô e declara-se apadrinhado de Jorge Amado. Em menino, quando doente, ouvia o pai ler Bandeira e notava a ambiguidade do velho em dia de jogos Brasil-Portugal.

Diz que o Brasil não é para ele um país, mas um território de sentidos: cheiros, imagens dos avós, tios e parentes. A seguir, algumas questões feitas por Língua durante o encontro que ele teve com jornalistas, em Paraty. Nos quadros das próximas páginas, os comentários do escritor a questões abordadas nas coletivas de que participou.

O senhor esteve bastante doente em 2007....
Queres saber detalhes sobre a minha doença?

Não exatamente. Mas quero saber se esse problema interferiu no processo de escrita ou na sua relação com as palavras. Até porque o senhor já disse que se sentia "mais inteiro nos livros" desde então.
Doenças são uma falta de educação da natureza. Eu tive um cancro. Fiquei em um hospital público, com pessoas muito simples. E, nesse momento, você termina tendo muito tempo para conversar consigo mesmo. Eram meninos de 18 anos. Homens de 80. E todos em tratamento completo. E eu me dei conta de que era nada perto deles. Essas pessoas [doentes de câncer] têm uma dignidade natural, uma profunda coragem. Lembro de um senhor de 90 anos, com nódulos espalhados por todo o corpo, que sempre ia ao hospital de traje completo, a gravata mais bonita que eu já vi, e avançava para o guichê como se fosse um príncipe. Muitas vezes pensei: eles são muito melhores do que eu.

Sente-se mais sensível do que antes?
Penso que é muito complicado falar disso tudo. Mas eu descobri muitas coisas por causa do que passei. Percebi que a fama e o sucesso não valem nada. Aos 21 anos, estava de plantão em um hospital e vi um menino de 4 anos. Ele morreu. Quando um adulto morre em um hospital, ele segue em uma maca, coberto, e vai protegido. Aquele menino seguia coberto, no colo de um enfermeiro, só com o pezinho de fora. Então, eu pensei, vou escrever para aquele pé. Se você escrever por um pé, você já fez o bem. 

Quem o senhor considera os maiores romancistas de língua portuguesa da atualidade?
Eu. (E prende o olhar fixo na repórter) (Gargalhadas na coletiva). Se quiserem, posso mentir.

Além do senhor, quem mais? Nada a dizer sobre o Nobel português José Saramago?
O que temos na nossa língua de bom, sobretudo, são os poetas. Quando menino, éramos seis irmãos, e quando um adoecia, todos adoeciam também. Meu pai lia na cama para dormirmos. Lia em voz alta Vou me Embora para Passárgada e eu achava que aquilo era pra mim. (Carlos) Drummond de Andrade e (João) Cabral (de Mello Neto) são pra mim os grandes poetas. Por coincidência, brasileiros. Meu pai tinha em sua casa, quando pequeno, Machado, Aluísio de Azevedo, Pompeia.

Mas o senhor falou de poetas, e romancistas?
Não gosto do termo romancistas. Penso em ficcionistas. Não gosto de dar conselhos porque não gosto de receber, mas se pudesse dar um seria "nunca acredite num escritor". Estou sempre a posar de perfil para a eternidade, reparem como sou profundo. A maior parte dos jornalistas quer que eu faça jus a essa postura, é um jogo de equívocos. Mas se você encontrar no mundo todo cinco bons escritores já é muito bom. Isso é um problema grave para os editores.

O senhor diz que escrever é difícil, trabalhoso. Como é, na prática, essa dificuldade?
Escrevo sempre à mão. Fiz assim com todos os meus livros e seguirei fazendo assim nos próximos. É um ir e vir constante. Dois terços das palavras que você escreve são inúteis. (O escritor argentino Julio) Cortázar costumava dizer: "Esses adjetivos são umas putas". Há palavras que surgiram para ser simplesmente cortadas, advérbios de modo, adjetivos. Se você escreve dez horas, duas você passa realmente escrevendo. As outras, cortando. 

Como definiria a escrita de um romance?
Muitas vezes eu me pergunto até que ponto um grande livro não é inevitavelmente um livro doente. Não há intrigas nos meus romances. Os romances maus contam histórias. Os romances bons falam de nós mesmos. Se eu não escrevo, sinto-me culpado. Há um escritor português chamado Francisco Manuel de Melo que dizia: "O livro trata do que vai escrito nele. Freud falava da inveja do pênis, mas a da gravidez é muito maior. No fim, escrever é a única maneira de ficar grávido". Temido, ousado, irônico.

O que deve entusiasmar num livro?
O leitor sentir as emoções por meio de suas palavras. Não vou deixar que o livro me vença. É preciso criar o máximo que se possa. Encher os livros de silêncio.

O reconhecimento de sua obra é a meta de um escritor?
Nunca imaginei que fosse acontecer comigo tudo isso: os prêmios, as traduções, todo esse conhecimento. Ainda hoje continuo com esse medo. Não imaginei que fosse acontecer comigo o que aconteceu. Começa a se pôr outra espécie de problema. Se aquilo que estou a fazer está à frente do meu tempo, não haverá unanimidade. Quando há unanimidade, você começa a se interrogar o que há, que é que fez mal. Juro que a única maneira é fazer o seu trabalho e não pensar no resto, em nada.

Sobre a arte da leitura


O leitor é quem está escrevendo o livro. Ler é um ato criativo. E há poucas pessoas que sabem ler. Ler não é um ato passivo como quando a gente vê novela. Os livros que eu gosto de ler são os livros que exigem muito de mim . Daí eu estou a pensar se os livros em vez de ter o nome do escritor, deviam ter o nome do leitor na capa. Ele é quem de fato escreve o livro. Quem começa a ler um livro bom sempre descobre coisas acerca de si mesmo. Livros extraordinariamente simples são os mais complexos.

A amizade com João Ubaldo


Íamos à casa de João às duas da manhã e lá estava ele fazendo
feijoada, de chinelo e calção. Ele vivia o inverno de Lisboa, que é frio, como se estivesse no verão da Bahia. E às quatro da manhã se comia a feijoada. Depois, não escrevia. Então deu uma entrevista a um jornal, em que lhe perguntavam:
- Você já não escreve?
E João Ubaldo respondeu:
- Escrevo. Meu pseudônimo é António Lobo Antunes.

A relação com o Brasil


Para mim, o Brasil não é um país. São os cheiros, os sabores, os doces da minha avó e das minhas tias, a comida, uma maneira de viver e de falar e é sobretudo o meu avô, que está aqui presente em toda a parte. É a terra dele, é a terra da minha família. É a terra de onde vêm os meus nomes Lobo e Antunes, e por isso para o escritor é muito comovente estar de novo no Brasil, onde - apesar de ainda aqui ter família - já não vinha desde 1983.


A recusa do pai em lê-lo


Eu também pensava que ele não tinha lido. Mas depois da morte dele encontrei os meus livros todos anotados e uma carta que ele me deixou de 600 páginas. Deve ter levado uns dois anos a escrever aquela carta. O meu pai, que era médico, era muito severo. Não queria ter filhos, queria campeões de karaté. Tínhamos de ser bons em tudo. Mas foi graças a ele que aprendi a gostar de ler poesia: era o pai que nos lia Manuel Bandeira quando cada um estava doente.

Palavras-chave: Literatura

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Maio 24, 2009

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O Ano da França no Brasil recebe homenagem do Museu da Língua Portuguesa com exposição dividida em seis partes

O Museu da Língua Portuguesa, junto com a Poiesis (Organização Social de Cultura que administra o museu) e a Imprensa Oficial, apresentam a mostra O Francês no Brasil em Todos os Sentidos.

A exposição faz uma homenagem ao *Ano da França no Brasil, sendo dividida em seis partes. No primeiro andar, o visitante conhece uma seção formada por viadutos metálicos, com vias iluminadas por leds, onde mais de cinco mil palavras francesas presentes em nosso vocabulário aparecem escritas em um painel.
Além destes viadutos, o interessado aprecia outros cenários urbanos na cenografia, realizando um passeio por uma cidade conceitual que mistura a identidade, a cultura e a influência francesa, com o uso de um painel histórico.
A mostra continua com o Corredor dos Poetas, em que quatro autores das duas nacionalidades (Victor Hugo e Castro Alves; Baudelaire e Cruz e Sousa; Blaise Cendrars e Oswald de Andrade; Mallarmé e Haroldo de Campos) apresentam textos nos dois idiomas.
O evento ainda dispõe de uma praça com painéis e
slogans das turbulências vividas em maio de 68, uma seção dedicada ao balé e um bistrô, em que o ator Fernando Alves Pinto interpreta um garçom servindo um cliente.

Curiosidade

Era uma farra, o Vogue (boate no RJ que esteve em atividade entre 1946 e 1955, na av. Princesa Isabel, reduto de personalidades ilustres no cenário nacional). Tudo acabou num incêndio em agosto de 1955.
O
café soçaite mudou-se então para outra boate ainda mais sofisticada que despontou no Leme (rua Antônio Vieira): o Sacha's, o nome homenageando o famoso pianista que para lá se transferira. Uma noite, Sacha Rubin acompanhava o crooner Murilinho de Almeida em Ninguém me ama, de Antônio Maria, famoso samba-canção cuja primeira estrofe diz: "Ninguém me ama, / ninguém me quer, / ninguém me chama / de meu amor". Terminado o número, o próprio Antônio Maria, grande notívago, levantou-se de sua mesa, agradeceu, mas acrescentou que a letra admitia uma pequena correção. Foi até o microfone e cantou: "Ninguém me ama, / ninguém me quer, / ninguém me chama / de Baudelaire". Era uma autoparódia auto-irônica que ficou famosa pela comparação ressentida com o poeta francês Charles Baudelaire, que de fato tinha sido como Antônio Maria era, um propalador da melancolia romântica e da tragédia do destino humano, só que, evidentemente, muito mais célebre.
Há quem afirme que esse episódio não aconteceu no Sacha's, mas no Michel (rua Fernando Mendes). Talvez tenha ocorrido em mais de um lugar, com pequenas variações. Afinal, todo pianista de boate atacava de Ninguém me ama quando via Antônio Maria chegar.

 

* Para conferir o site oficial do Ano da França clique aqui

 

 

Museu da Língua Portuguesa

Praça da Luz, s/n
Centro - Centro - (11) 3326-0775

Data(s):

12 de maio a 13 de setembro de 2009

Preço(s):

R$ 4,00

Horário(s):

Terça a domingo, 10h às 17h.

 

fonte:www.guiadasemana.com.br

Palavras-chave: Literatura, Museu

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Maio 23, 2009

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* Paso de los Toros, 14 de setembro de 1920    
+ Montevidéu, 17 de maio de 2009
 
 

Mario Benedetti, o poeta uruguaio do compromisso e cronista dos sentimentos, morreu em Montevidéu aos 88 anos. Romancista, contista, ensaísta, dramaturgo e crítico, foi um resistente que viveu e lutou contra o exílio e a doença. Os seus livros de contos, novelas e poemas são uma referência para os leitores da América do Sul e da Europa, sobretudo Espanha. Benedetti foi o mais prolífico expoente da literatura uruguaia, com obras traduzidas em vários idiomas.

Deixou mais de 80 livros. A juventude para quem escrevia era também um dos seus temas preferidos. “Tinha a esperança que os jovens se lembrassem de mim. A juventude actual sempre esteve presente. Quando leio poemas nos teatros metada da sala é ocupada por jovens”, declarou numa entrevista antiga.

Iniciou a carreira literária em 1949. Durante anos dividiu a sua vida entre Montevidéu, Maiorca e Madri para escapar do úmido inverno uruguaio que afetava sua asma crônica. O autor tinha um estado de saúde bastante delicado e estava em sua casa, na capital uruguaia, quando morreu. No ano passado, o escritor foi hospitalizado quatro vezes em Montevidéu devido a diversos problemas físicos.

O autor ficou famoso em 1956 a sua obra poética mais conhecida o livro “Poemas de escritório”.

 

 

MÁRIO BENEDETTI

 

                                     MARIO BENEDETTI

ANTOLOGIA POÉTICA

Tradução de Julio Luís Gehlen.
Rio de Janeiro, Record, 1988

 

                                          
Morreu um monstro das letras
 
 

EN PIE

 

Sigo en pie

por latido

por costumbre

por no abrir la ventana decisiva

y mirar de una vez a la insolente

muerte

esa mansa

dueña de la espera

 

sigo en pie

por pereza en los adioses

cierre y demolición

de la memória

 

no es un mérito

otros desafían

la claridad

el caos

o la tortura

 

seguir en pie

quiere decir coraje

 

o no tener

donde caerse

muerto

 

      (De A Ras de Sueño, 1967)

 

 

EM PÉ

 

Continuo em pé

por pulsar

por costume

por não abrir a janela decisiva

e olhar de uma vez a insolente

morte

essa mansa

dona da espera

 

continuo em pé

por preguiça nas despedidas

no fechamento e demolição

da memória

 

não é um mérito

outros desafiam

a claridade

o caos

ou a tortura

 

continuar em pé

quer dizer coragem

 

ou não ter

onde cair

morto

 

      (De A Ras de Sueño, 1967)

 

Palavras-chave: Literatura

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Maio 18, 2009

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O que mais chamou a atenção do público quando a FLIP surgiu, em 2003, foi a convivência de autores excepcionais, a maior parte deles pela primeira vez no Brasil, numa atmosfera de descontração e proximidade com o público, em meio à beleza de Paraty. Às vésperas de sua sétima edição, o evento confirma essa identidade: entre os dias 1 e 5 de julho de 2009, estarão em Paraty 34 autores, reunidos em 18 mesas que vão abordar de poesia a ciência, do jornalismo literário à crítica musical, da literatura portuguesa à história, do conto e dos quadrinhos à arte contemporânea. Como de costume, a FLIP receberá autores de destaque em suas áreas, em encontros que valorizam o intercâmbio de experiências distintas.

Para o diretor de programação da FLIP, Flávio Moura, a programação deste ano é a confirmação de que o festival se firmou como um dos principais eventos do gênero no calendário mundial. Segundo ele, “a FLIP 2009, a exemplo das edições anteriores, traz autores de qualidade inquestionável em seus campos de atividade e consolida seu posto ao lado dos melhores festivais literários do mundo”.

O escritor português António Lobo Antunes é um dos destaques da ficção na FLIP deste ano. Vencedor do Prêmio Camões em 2007, é considerado um dos maiores prosadores lusitanos depois de Eça de Queirós. Autor de clássicos como As naus, Os cus de Judas e Meu nome é legião (seu livro mais recente publicado aqui), o autor não vem ao Brasil desde 1983 e já deixou claro que sua verve polemista não passará em branco durante a estada em Paraty.

O jornalista americano Gay Talese, que na FLIP conversa com o jornalista brasileiro Mario Sergio Conti, é um dos criadores do chamado jornalismo literário. Talese vem ao Brasil pela primeira vez, depois de quarenta anos de carreira, ao longo dos quais escreveu clássicos do jornalismo mundial como o perfil “Frank Sinatra está resfriado”, do livro Fama e anonimato. Não é pequena a expectativa em torno de sua presença, como já deixaram claros os depoimentos, resenhas, entrevistas e reportagens a seu respeito publicados recentemente na imprensa brasileira.

O biólogo inglês Richard Dawkins, seguidor de Charles Darwin e autor de Deus, um delírio, é um dos principais evolucionistas em atividade no mundo. Em 2009, quando se comemoram o segundo centenário de nascimento de Darwin e os 150 anos da publicação de A origem das espécies, Dawkins está entre os intelectuais mais solicitados do mundo para participar de debates e conferências. Que tenha aceitado o convite da FLIP num momento tão atribulado é indício claro da importância adquirida pela Festa Literária.

O historiador britânico Simon Schama conversa com a antropóloga brasileira Lilia Moritz Schwarcz sobre o papel dos Estados Unidos no momento em que o país vê ameaçada sua condição de potência econômica mundial e ainda no calor da eleição recente de Barack Obama, tema que ele aborda em seu novo livro e que fará parte da conversa de que participa em Paraty. Não é menos esperada a participação do crítico musical americano Alex Ross, encarregado da cobertura sobre esse assunto na New Yorker. Ele falará sobre O resto é ruído, livro que foi um acontecimento na crítica cultural recente nos Estados Unidos ao mostrar as conexões da música erudita com a história do século XX.

Parceiros em diversos festivais literários internacionais, a irlandesa Anne Enright, ganhadora do Booker Prize de 2007, e o americano Tobias Wolff, um dos principais contistas da atualidade, discutem o tema da crise da estrutura familiar em suas obras. A irlandesa Edna O’Brien tem um estatuto parecido com o de Wolff no Brasil: autora que figura entre os nomes de maior destaque em seu país de origem, ainda não teve aqui a atenção que merece. Sua mesa na FLIP pretende alterar esse panorama. E a partir de um tema quente: ela teve exemplares de seu romance de estreia, Country Girls, queimados pela comunidade religiosa local na década de 1960, devido à crueza com que descrevia a vida sexual de suas personagens. Edna O’Brien fala dos sentidos da transgressão na atualidade ao lado da francesa Catherine Millet, autora do autobiográfico e não menos escandaloso A vida sexual de Catherine M.

Dois outros autores compõem a representação francesa da FLIP 2009: a artista conceitual Sophie Calle e o escritor Grégoire Bouillier. Unidos por laços pessoais e artísticos – não se sabe, na obra de cada um, onde termina a vida e começa a representação –, ambos protagonizam uma das mesas mais comentadas e inusitadas da FLIP. Engrossa a delegação francesa o afegão Atiq Rahimi, ganhador do prêmio Goncourt de 2008 com o livro Syngué sabour – Pedra de paciência. Radicado na França desde que fugiu da guerra civil de seu país, na década de 1980, Rahimi estará na mesa ao lado de Bernardo Carvalho, um dos autores de maior densidade em atividade no Brasil e com quem partilha o gosto pelas viagens e pelo experimentalismo.

A literatura chinesa estreia na FLIP com o escritor Ma Jian e a jornalista Xinran, ambos radicados na Inglaterra, cujos livros fazem retratos críticos de uma China pouco condizente com a imagem de liderança global a que o país aspira. No momento em que se completam vinte anos do massacre da Praça da Paz Celestial, tema do livro de Ma Jian, a mesa tem o objetivo de contribuir para uma reavaliação do autoritarismo na China.

A 7a. FLIP é também mais flexível com a possibilidade de trazer autores que já estiveram no festival. Quando se trata de alguns dos maiores nomes da literatura brasileira, qual o sentido de não repetir? Daí a presença de Chico Buarque, que volta à FLIP para falar de Leite derramado, romance recém-lançado. Ele participa de mesa com o romancista Milton Hatoum, autor dos premiados Dois irmãos e Cinzas do Norte, que também volta à FLIP depois de memorável participação em 2003. Diga-se o mesmo de Cristovão Tezza: quando ele esteve na Festa Literária em 2005, ainda não era o autor de O filho eterno, livro que transformou sua carreira. Tezza divide mesa com o mexicano Mario Bellatin, um dos mais controvertidos autores latino-americanos da atualidade, com quem discute o papel da autobiografia na ficção.

A FLIP segue com a tradição de promover encontros pouco esperados. É o caso da reunião entre o escritor carioca radicado em São Paulo Rodrigo Lacerda e o dramaturgo e cineasta Domingos de Oliveira, nome fundamental também para o teatro brasileiro, que fez dos conflitos amorosos objeto por excelência de suas peças e filmes. Também pouco usual é o encontro entre Tatiana Salem Levy, Arnaldo Bloch e Sérgio Rodrigues, que discutem a combinação entre ficção e relato autobiográfico, empregada nos livros de que são autores, respectivamente A chave de casa, Os irmãos Karamabloch e Elza, a garota.

Depois da vinda de Angeli em 2003 e de Neil Gaiman no ano passado, a FLIP dedica outra mesa aos quadrinhos brasileiros e apresenta nomes de destaque da produção atual: os vencedores do Prêmio Eisner Rafael Grampá, Fábio Moon e Gabriel Bá, e o quadrinista e artista plástico Rafael Coutinho, todos eles muito próximos também da literatura.

Além da Conferência de Abertura, que será proferida pelo crítico Davi Arrigucci Jr., Manuel Bandeira é assunto de duas outras mesas. Representantes de destaque da nova poesia brasileira, Heitor Ferraz, Eucanaã Ferraz e Angélica Freitas discutem a atualidade da obra do poeta pernambucano. O professor e pesquisador Edson Nery da Fonseca e o jornalista Zuenir Ventura compartilham suas memórias e impressões do escritor modernista, que foi amigo de Fonseca e professor de literatura de Zuenir.

Como assinala a presidente da FLIP, Liz Calder, “uma das principais motivações da Festa Literária de Paraty é a valorização da literatura brasileira. Este ano a FLIP faz isso homenageando um poeta muito querido, Manuel Bandeira”. Para o diretor de programação, Flávio Moura, “Bandeira é uma das melhores pontes, na literatura brasileira, entre a tradição e o modernismo, e sua obra variada, na prosa, nas crônicas e na poesia, ainda pede muitas releituras”. A Oficina Literária deste ano é uma extensão da homenagem a Bandeira e tem como tema a poesia. Ela será ministrada pelo poeta e tradutor Paulo Henriques Britto, professor da PUC do Rio de Janeiro.
Como nos anos anteriores, a programação principal ocorre na Tenda dos Autores e será transmitida ao vivo na Tenda do Telão. Outros eventos acontecem simultaneamente, em diversos locais. Há uma programação exclusiva para as crianças e jovens leitores, a Flipinha, ponto de encontro do Programa Educativo desenvolvido ao longo do ano inteiro junto às escolas públicas e privadas de Paraty. Além disso, este ano a FLIP etc. passa a se chamar FLIP Casa da Cultura e traz uma programação extensa, que contará com exposições, shows, peças de teatro e eventos em torno do homenageado da FLIP e do Ano da França no Brasil.

No domingo de manhã, a FLIP terá um evento especial: a mesa Zé Kleber – “Como a cultura desenha a cidade”, que vai reunir Jorge Melguizo Pousada, secretário de Desenvolvimento Social de Medellin (Colômbia), Denis Mizne, diretor-executivo do Instituto Sou da Paz, de São Paulo, e o Secretário Municipal de Cultura de São Paulo, Carlos Augusto Calil. O tema da discussão serão políticas urbanas bem-sucedidas, com destaque para as ações educacionais, como a formação de bibliotecas, iniciativas culturais e de inclusão social. A mediação será da antropóloga Paula Miraglia.

A FLIP é uma realização da Associação Casa Azul, presidida por Mauro Munhoz. A Casa Azul desenvolve trabalhos de revitalização em Paraty e mantém um programa educativo continuado na região, com o objetivo de transformar a cidade histórica fluminense em modelo de turismo cultural e em uma cidade de leitores.


 

 

fonte: www.flip.org.br

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FLIP reúne 34 autores de nove nacionalidades e faz homenagem a Manuel Bandeira
A FLIP 2009 acontece entre os dias 1 e 5 de julho. Estarão em Paraty 34 autores, reunidos em 18 mesas que vão abordar de poesia a ciência, do jornalismo literário à crítica musical, da literatura portuguesa à história, do conto e dos quadrinhos à arte contemporânea. Como de costume, a FLIP receberá autores de destaque em suas áreas, em encontros que valorizam o intercâmbio de experiências distintas. Saiba mais.

 

 

Domingos de Oliveira fala sobre crise das relações amorosas
O cineasta Domingos de Oliveira e o escritor Rodrigo Lacerda dividem mesa que promete render boas discussões também nos bares de Paraty. O tema dos relacionamentos amorosos está presente na maioria das quase cinquenta peças teatrais de Domingos de Oliveira e em seus principais filmes, como Todas as mulheres do mundo (1967) e Separações (2002). O assunto também está no centro do romance Outra vida (2009), livro mais recente do escritor Rodrigo Lacerda, que retrata a frágil relação entre um casal que tenta sobreviver na cidade grande.

 

 

 

 

 

 

Flipinha e Cine Clube de Paraty promovem Ciclo Manuel Bandeira
A Casa da Cultura de Paraty receberá, de 12 a 14 de maio, o Ciclo Manuel Bandeira, realizado em parceria entre a Flipinha, a UFRJ e o Cine Clube de Paraty. O evento, que reunirá atrações como palestras, sessões de cinema e um sarau, é destinado aos professores das redes pública e privada de ensino e à comunidade de Paraty. A programação tem entrada gratuita. Para mais informações, clique aqui ou entre em contato com a Casa Azul, associação que organiza a FLIP e a FLIPINHA, pelo telefone
(24)3371-7082.

 

China na FLIP

A literatura chinesa marca presença na FLIP, pela primeira vez, com a vinda da jornalista Xinran e do romancista Ma Jian, que dividem mesa em Paraty. Xinran é autora, entre outros, de As boas mulheres da China (2002), no qual reuniu depoimentos de mulheres vítimas de violência, obtidos num programa de rádio criado pela escritora na década de 1980. Ma Jian utiliza-se da ficção para falar de seu país, caso de Pequim em coma (2008), escrito em primeira pessoa por uma vítima fictícia do massacre da Paz Celestial.

fonte: www.flip.org.br

Palavras-chave: Literatura

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Maio 12, 2009

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Parque do Ibirapuera recebe Feira de Troca de Livros e Gibis

 

 

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Feira de Troca de Livros e Gibis

No próximo dia 17 de maio acontece a terceira edição, deste ano, da Feira de Troca de Livros e Gibis. O projeto é iniciativa da Secretaria Municipal de Cultura e teve início dia 8 de abril no Parque Buenos Aires, em Higienópolis. Serão quatro edições a cada semestre deste ano, que ocorrem entre 10h e 15h.

As feiras de trocas de livros e gibis, programadas para diversos parques públicos da cidade, começaram em 2007. Naquele ano, ocorreram mais de 10 mil trocas entre os frequentadores dos três eventos programados. No ano passado, foram realizadas oito feiras em diferentes parques, somando mais de 25 mil trocas espontâneas. Diante da receptividade à iniciativa, a Secretaria Municipal de Cultura irá transformar novamente os parques em “bibliotecas ao ar livre” neste ano.

Os interessados terão diversas oportunidades de participar das feiras ao longo do ano. Ainda neste semestre, o Parque do Carmo, localizado em Itaquera, zona leste, terá o evento em 7 de junho.  Nas duas edições promovidas neste ano, nos Parques Buenos Aires e Anhanguera ocorreram cerca de 850 permutas. 

No segundo semestre, o Parque do Piqueri, localizado no bairro do Tatuapé, zona leste, receberá a primeira feira, em 2 de agosto. Em seguida, o Parque da Luz, na região central, abrigará o evento em 13 de setembro. Em 4 de outubro, é a vez do Parque Cidade de Toronto, zona norte e o Parque Santo Dias, no bairro de Capão Redondo, encerra a programação do ano, dia 8 de novembro.

Para participar, a única recomendação é que os livros não sejam didáticos e que estejam em bom estado. Para os gibis não há restrição, serão bem-vindos exemplares de qualquer época.

As trocas poderão ser realizadas diretamente entre os frequentadores, que terão à sua disposição mesas separadas por assuntos: literatura geral, literatura infanto-juvenil, gibis e troca com a mesa. Nessa última, o leitor poderá depositar um título e pegar outro que tenha sido deixado. O intuito é que as mesas funcionem como pontos de encontro para os leitores de determinado gênero. 

Serviço: Até 8 de novembro. Parques Buenos Aires, Anhanguera, Ibirapuera, do Carmo, Piqueri, Chico Mendes, Luz, Cidade de Toronto, Santo Dias. Das 10h às 15h.Telefone para informações ao público: 3675-6727. Entrada Franca.


CONFIRA O CALENDÁRIO

PRÓXIMAS FEIRAS:

17 de maio - Parque do Ibirapuera
Av. Pedro Álvares Cabral, s/nº - Portão 10 – Vila Nova Conceição – Zona Sul

7 de junho - Parque do Carmo
Av. Afonso de Sampaio e Souza, 951 – Itaquera – Zona Leste

2 de agosto – Parque do Piqueri
Rua Tuiuti, 515 – Tatuapé – Zona Leste

13 de setembro - Parque da Luz
Praça da Luz, s/n° - Bom Retiro - Centro

4 de outubro - Parque Cidade de Toronto
Av. Cardeal Motta, 84 - City América/ Pirituba – Zona Norte

8 de novembro - Parque Santo Dias
Estrada de Itapecerica, altura do n° 4.800 - Capão Redondo – Zona Sul

 

fonte: portal da Prefeitura do Município de São Paulo

 

Palavras-chave: Agenda, Literatura

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