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Novembro 2010

Novembro 14, 2010

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Postado por Ana A. S. Cesar

 

 

Por Eugene Peterson

 

Os pastores (*) se transformaram em um grupo de gerentes de lojas, sendo que os estabelecimentos comerciais que dirigem são as igrejas. As preocupações são as mesmas dos gerentes: como manter os clientes felizes, como atraí-los para que não vão às lojas concorrentes que ficam na mesma rua, como embalar os produtos de forma que os consumidores gastem mais dinheiro com eles.

Alguns pastores são ótimos gerentes, atraindo muitos consumi­dores, levantando grandes somas em dinheiro e desenvolvendo uma excelente reputação. Ainda assim, o que fazem é gerenciar uma loja. Religiosa mas, de toda forma, uma loja. Esses empreendedores têm sua mente ocupada por estratégias semelhantes às de franquias de fast-food e, quando dormem, sonham com o sucesso que atrai a atenção da mídia.

Será que ainda existem sete mil que não dobraram os joelhos perante Baal? Haverá um número suficiente para sermos identificados como uma minoria? Acredito que sim. De vez em quando, conseguimos identificar-nos um com o outro, e algumas minorias já conseguiram grandes realizações. E deve haver alguns gerentes de loja que estão descobrindo que o ensopado pelo qual trocaram seu direito de primogenitura é sem sabor e estão, com tristeza, trabalhando pela restauração de seu chamado. Será essa tristeza uma brasa, com força suficiente para se tornar uma labareda de repúdio à deserção que havia acontecido? Voltará a Palavra de Deus a ser como fogo na boca deles? Poderá a minha indignação ser como um fole que sopra esse carvão?


***

(*)Na introdução do livro "Um pastor segundo o coração de Deus"
Via Pavablog, do jornalista Sérgio Pavarini

Palavras-chave: Cristianismo, Teologia

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Novembro 17, 2010

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Postado por Ana A. S. Cesar

 

 

 

http://andreia.bastidorestcc.com/wp-content/uploads/2010/04/Rachel_de_QUEIROZ.jpg

 

Primeira mulher a ingressar na Academia Brasileira de Letras (ABL), Rachel de Queiroz foi, além de escritora, tradutora, romancista e jornalista, tendo desempenhado importante papel na dramaturgia brasileira. Foi também a primeira mulher a receber o prêmio Luis de Camões, instituído pelos governos do Brasil e de Portugal e concedido a autores que contribuíram para o enriquecimento do patrimônio literário e cultural da língua portuguesa.

A homenageada nasceu em Fortaleza no dia 17 de novembro de 1910. Foi a quinta filha de Daniel de Queiroz e Clotilde Franklin de Queiroz. Sua bisavó materna, conhecida como dona Miliquinha, era prima do escritor José de Alencar.

Em 1917, em razão de forte seca no Ceará, a família de Rachel mudou-se para o Rio de Janeiro e logo depois para Belém (PA). "Esse fato marcou sua vida de tal forma que serviu de inspiração para a criação de O Quinze", observou Inácio Arruda, referindo ao livro de estréia de Rachel de Queiroz.

Publicado em 1930, O Quinze alcançou lugar de destaque na literatura brasileira. Nesse romance, a autora conta a luta do povo nordestino contra a seca e a miséria, demonstrando preocupação com questões sociais e desenvolvendo habilidosa análise psicológica de seus personagens.

"Com vinte anos apenas, projetava-se na vida literária do país, agitando a bandeira do romance de fundo social, profundamente realista na sua dramática exposição da luta secular de um povo contra a miséria e a seca", ressalta o senador, lembrando que a consagração de O Quinze veio com o prêmio da Fundação Graça Aranha.

Em 1932, Rachel publicou novo romance, intitulado João Miguel, e, em 1937, escreveuCaminho de pedras. Dois anos depois, conquistou o prêmio da Sociedade Felipe de Oliveira com o romance As Três Marias. Em 1950, publicou em folhetins, na revista O Cruzeiro, o romance O galo de ouro.

Entre suas obras também são destaque Memorial de Maria Moura (1992), sobre a história de uma mulher no sertão nordestino que é levada pelas circunstâncias a liderar um bando de aventureiros que praticam roubos e vivem de forma desregrada; Tantos anos (1998), autobiografia; e Não me deixes: suas histórias e sua cozinha (2000), que trata de suas memórias gastronômicas.

Rachel de Queiroz foi também autora de mais de duas mil crônicas, compiladas nos seguintes livros: A donzela e a moura torta; 100 Crônicas escolhidas; O brasileiro perplexo e O caçador de tatu. No Rio, onde voltou a residir em 1939, colaborou no Diário de Notícias, em O Cruzeiro e em O Jornal.

Foi ainda autora de três peças de teatro: Lampião, de 1953; A Beata Maria do Egito, de 1958, laureada com o prêmio de teatro do Instituto Nacional do Livro; e O padrezinho santo, peça que escreveu para a televisão, inédita em livro. No campo da literatura infantil, escreveu O menino mágico, inspirado nas histórias que contava para os netos de sua irmã, Maria Luiza.

Em suas atividades como tradutora, Rachel trabalhou com cerca de 40 volumes traduzidos para o português, entre os quais Mansfield Park, de Jane Austen; Humilhados e ofendidos, Os demônios e Os irmãos Karamazov, de Fiódor Dostoiévski; A mulher de trinta anos, de Honoré de Balzac; e A mulher diabólica, de Agatha Christie.

A escritora também fez parte do Conselho Federal de Cultura, desde a sua fundação, em 1967, até sua extinção, em 1989. Participou ainda da 21ª Sessão da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em 1966, onde serviu como delegada do Brasil, trabalhando, especialmente, na Comissão dos Direitos do Homem. Em 1988, iniciou sua colaboração semanal no jornal O Estado de S. Paulo e no Diário de Pernambuco.

Rachel casou-se com o poeta José Auto Oliveira, em 1932, com quem teve uma única filha, Clotilde, nascida no ano seguinte, mas que faleceu com apenas um ano e meio de idade devido a uma septicemia. Em 1939, a escritora se separou do marido, casando-se, posteriormente, com o médico Oyama de Macedo. A autora morreu no dia 4 de novembro de 2003, dormindo em sua rede, na cidade do Rio de Janeiro, a 13 dias de completar 93 anos de idade.

 

 

http://2.bp.blogspot.com/_B4oZiiQTTJY/TDS2PXbimZI/AAAAAAAACJU/pr6jUINQpXY/s320/raquel_de_queiroz.jpg

 

 

fonte: O repórter

www.oreporter.com

matéria da redação: Plenário do Senado celebra centenário de Rachel de Queiroz

 

 

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Novembro 18, 2010

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Postado por Ana A. S. Cesar

 

 

http://blog.cancaonova.com/pensandobem/files/2009/02/casal-maos-dadas1.jpg

 

Pode invadir ou chegar com delicadeza, mas não tão devagar que me faça dormir. Não grite comigo, tenho o péssimo hábito de revidar. Acordo pela manhã com ótimo humor, mas permita que eu escove os dentes primeiro. Toque muito em mim, principalmente nos cabelos e minta sobre minha nocauteante beleza. Tenho vida própria, me faça sentir saudades, conte algumas coisas que me façam rir, mas não conte piadas e nem seja preconceituoso, não perca tempo, cultivando este tipo de herança de seus pais. Viaje antes de me conhecer, sofra antes de mim para reconhecer-me um porto, um albergue da juventude. Eu saio em conta, você não gastará muito comigo. Acredite nas verdades que digo e também nas mentiras, elas serão raras e sempre por uma boa causa. Respeite meu choro, me deixe sozinha, só volte quando eu chamar e, não me obedeça sempre que eu também gosto de ser contrariada. (Então fique comigo quando eu chorar, combinado?). Seja mais forte que eu e menos altruísta! Não se vista tão bem... Gosto de camisa para fora da calça, gosto de braços, gosto de pernas e muito de pescoço. Reverenciarei tudo em você que estiver a meu gosto: boca, cabelos, os pelos do peito e um joelho esfolado, você tem que se esfolar as vezes, mesmo na sua idade. Leia, escolha seus próprios livros, releia-os. Odeie a vida doméstica e os agitos noturnos. Seja um pouco caseiro e um pouco da vida, não de boate que isto é coisa de gente triste. Não seja escravo da televisão, nem xiita contra. Nem escravo meu, nem filho meu, nem meu pai. Escolha um papel para você que ainda não tenha sido preenchido e o invente muitas vezes.

Me enlouqueça uma vez por mês, mas me faça uma louca boa, uma louca que ache graça em tudo que rime com louca: loba, boba, rouca, boca... Goste de música e de sexo. Goste de um esporte não muito banal. Não invente de querer muitos filhos, me carregar pra a missa, apresentar sua família... Isso a gente vê depois... Se calhar... Deixa eu dirigir o seu carro, que você adora. Quero ver você nervoso, inquieto, olhe para outras mulheres, tenha amigos e digam muitas bobagens juntos. Não me conte seus segredos... Me faça massagem nas costas. Não fume, beba, chore, eleja algumas contravenções. Me rapte! Se nada disso funcionar... Experimente me amar!

 

Martha Medeiros

 

Palavras-chave: Escritores

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Detalhe do mural "Guerra e Paz" encomendado pela ONU ao pintor brasileiro Cândido Portinari

         Detalhe do mural "Guerra e Paz" encomendado pela ONU a Candido Portinari

Foram desmontados os dois painéis da obra "Guerra e Paz", de Candido Portinari, que estavam instalados desde 1957 na sede das Nações Unidas em Nova York. Eles passarão por restauro e depois farão turnê pelo Brasil e por países como a França.

São 28 peças de madeira que formavam os murais, cada um com 14 metros de altura e 10 metros de largura, que adornavam a entrada da Assembleia Geral da ONU.

Num projeto orçado em R$ 7 milhões, bancados pelo Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social, os fragmentos de "Guerra e Paz" chegam ao Rio em dezembro e serão montados no Teatro Municipal, onde foram expostos pela primeira vez quando Portinari terminou todo o trabalho, em 1956.

"Meu pai nunca mais viu os painéis, nunca esteve na ONU", lembra à Folha o filho do artista, João Candido Portinari. "Ele viu isso montado só uma vez, no Municipal."

Depois da reinauguração do teatro, os painéis serão restaurados ao longo de quatro meses num ateliê aberto ao público no palácio Gustavo Capanema, o antigo Ministério de Educação e Saúde projetado por Le Corbusier.

Será removida uma camada de sujeira que se acumulou na superfície do quadro e restaurados dois pontos em que o pigmento se descolou da madeira, o que, segundo Portinari, deve devolver a vibração das cores aos painéis.

Essa foi a última obra em grande escala do artista, que morreu em 1962 intoxicado pelas tintas. Portinari havia sido proibido por médicos de usar tinta a óleo e sabia que corria risco de morte ao executar a obra para a ONU.

"Foi uma decisão consciente e coerente com toda uma vida de militância", diz o filho do artista. "Foram nove meses pintando e ele saiu disso muito fragilizado."

ITINERÂNCIA

Por enquanto, o orçamento permite o transporte da obra ao Rio e seu restauro, mas o Projeto Portinari, liderado pelo filho do pintor, busca recursos para levar os painéis ao Museu Nacional da República, em Brasília, e a uma grande retrospectiva do artista na Oca, em São Paulo.

Marcada para julho de 2011, a mostra paulistana teria os dois painéis e os 120 estudos para "Guerra e Paz" que nunca foram exibidos.

Também está em estudo a montagem dos painéis no Grand Palais, em Paris. Em 2012, há planos de expor o trabalho no Museu da Paz, em Hiroshima, no Japão, e depois em Genebra e Oslo, na entrega do Nobel da Paz.

No ano seguinte, quando os painéis serão devolvidos, a ideia é fazer "uma grande despedida" no Rio seguida de uma montagem da obra no MoMA, em Nova York.

 

fonte: Jornal Folha de São Paulo de 18/11/2010

Palavras-chave: Portinari

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Novembro 20, 2010

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Postado por Ana A. S. Cesar

 

 ONG realiza caminhada

 

"Dia da Consciência Negra" retrata disputa pela memória histórica

 

Preservar a memória é uma das formas de construir a história. É pela disputa dessa memória, dessa história, que nos últimos 37 anos se comemora no dia 20 de novembro, o "Dia Nacional da Consciência Negra". Nessa data, em 1695, foi assassinado Zumbi, um dos últimos líderes do Quilombo dos Palmares, que se transformou em um grande ícone da resistência negra ao escravismo e da luta pela liberdade. Para o historiador Flávio Gomes, do Departamento de História da Universidade Federal do Rio de Janeiro, a escolha do dia 20 de novembro foi muito mais do que uma simples oposição ao do dia 13 de maio: "os movimentos sociais escolheram essa data para mostrar o quanto o país está marcado por diferenças e discriminações raciais. Foi também uma luta pela visibilidade do problema. Isso não é pouca coisa, pois o tema do racismo sempre foi negado, dentro e fora do Brasil. Como se não existisse".

 

Construindo o "Dia da Consciência Negra

 

Há 37 anos, o poeta gaúcho Oliveira Silveira sugeria ao seu grupo que o 20 de novembro fosse comemorado como o "Dia Nacional da Consciência Negra", pois era mais significativo para a comunidade negra brasileira do que o 13 de maio. "Treze de maio traição, liberdade sem asas e fome sem pão", assim definia Silveira o "Dia da Abolição da Escravatura" em um de seus poemas. Em 1971 o dia 20 de novembro foi celebrado pela primeira vez. A idéia se espalhou por outros movimentos sociais de luta contra a discriminação racial e, no final dos anos 1970, já aparecia como proposta nacional do Movimento Negro Unificado.

A diversidade de formas de celebração do dia 20 de novembro permite ter uma dimensão de como essa data tem propiciado congregar os mais diferentes grupos sociais. "Os adeptos das diferentes religiões manifestam-se segundo a leitura de sua cultura, para dali tirar elementos de rejeição à situação em que se encontra grande parte da população afro-descendente. Os acadêmicos e os militantes celebram através dos instrumentos clássicos de divulgação de idéias: simpósios, palestras, congressos e encontros; ou ainda a partir de feiras de artesanatos, livros, ou outras modalidades de expressão cultural. Grande parte da população envolvida celebra com samba, churrasco e muita cerveja", conta o historiador Andrelino Campos, da Universidade Estadual do Rio de Janeiro.

Para a socióloga Antonia Garcia, doutora do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional da Universidade Federal do Rio de Janeiro, é importante que se conquiste o “Dia Nacional da Consciência Negra” como o dia nacional de todos os brasileiros e brasileiras, que lutam por uma sociedade de fato democrática, igualitária, unindo toda a classe trabalhadora num projeto de nação que contemple a diversidade engendrada no nosso processo históri

Diferente do dia 20 de novembro o dia 13 de maio perdeu força em nossa sociedade devido a memória histórica vencedora: a que atribuiu a abolição à atitude exclusiva da princesa Isabel, aparentemente paternalista e generosa Isabel, analisa o historiador Flávio Gomes. Pesquisas recentes têm recuperado a atuação de escravos, libertos, intelectuais e jornalistas negros e mestiços para o dia13 de maio, mostrando como este não se resumiu a um decreto, uma lei ou uma dádiva. Esses estudos também têm resgatado o significado da data para milhares de escravos e descendentes, que festejaram na ocasião.

São poucos os locais onde se mantêm comemorações no dia 13 de maio. No Vale do Paraíba, no estado de São Paulo, o dia 13 de maio é dia de festa. "Não porque a princesa foi uma santa ou porque os abolicionistas simpáticos foram fundamentais, mas porque a população negra reconhece que a Abolição veio em decorrência de muita luta", diz Gomes. Albertina Vasconcelos, professora do Departamento de História da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, também lembra que a data é celebrada em vários centros de umbanda na Bahia como o dia do preto-velho e que moradores antigos do Quilombo do Bananal, em Rio de Contas, Bahia, contam que seus pais e avós festejaram o dia 13 de maio de 1888 com muitos fogos e festas.

Na opinião de Vasconcelos "é importante comemorar, não para contrapor uma data a outra, os heróis brancos aos heróis negros, mas porque é necessário tomarmos consciência da história que está nessas datas, que traz elementos da nossa identidade". Para a pesquisadora, assim seria possível contribuir para desmistificar toda a construção ideológica produzida sobre o povo negro.

 

Nas escolas: muita proposta, pouca mudança

 

No início de seu mandato o ex-presidente Lula aprovou a inclusão do Dia Nacional da Consciência Negra no calendário escolar e tornou obrigatório o ensino de história da África nas escolas públicas e particulares do país. Embora a decisão tenha sido comemorada, alguns pesquisadores ressaltam que existem obstáculos a serem ultrapassados para que a proposta se transforme em realidade. "Em geral, a história dada segue o livro didático e ele é insuficiente para dar conta de uma forma mais ampla e crítica de toda a história", ressalta Vasconcelos. Essa avaliação da historiadora é confirmada pela professora de história Ivanir Maia, da rede estadual paulista: “A maioria dos professores se orienta pelo livro didático para trabalhar os conteúdos em sala de aula. Nos livros de história, por exemplo, o negro aparece basicamente em dois momentos: ao falar de abolição da escravatura e do apartheid”.

Campos destaca que alguns livros didáticos de história têm sido mais generosos ao retratar a "história dos vencidos", mas ressalta que a maioria, inclusive os livros ligados a sua área - a geografia -, continua a veicular os fatos sociais de forma depreciativa, seja referente ao Brasil ou a África. "Encontramos com fartura os elementos de modo civilizatório ocidental como a única verdade que merece maiores considerações", exemplifica. Uma iniciativa importante que ocorreu nesse período foi o controle dos livros didáticos distribuídos pelo Ministério da Educação e Cultura (MEC), visando evitar a distribuição de livros contendo erros conceituais e representações negativas sobre determinados indivíduos e grupos. Mas, na opinião de Garcia, seria necessário exigir uma maior revisão nessas obras: "os livros didáticos precisariam abordar a participação do povo negro na construção do país, na construção da riqueza nacional, na acumulação do capital e também as suas batalhas, rebeliões, quilombos e suas lutas mais contemporâneas".

Paula Cristina da Silva Barreto, professora da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Federal da Bahia, destaca que, além dos livros didáticos, outro foco importante são as propostas de mudança na formação dos professores. "Foi tímido o trabalho feito pelo MEC nessa direção até o momento", critica a pesquisadora. Na avaliação dela, sem professores bem preparados para abordar temas complexos, como os abordados nos PCNs, "é muito difícil obter sucesso com a alteração curricular e existe uma grande probabilidade de que as escolas não coloquem em prática o que foi proposto". Os baixos salários pagos e as condições de trabalho desanimadoras nas escolas são fatores também destacados pelos pesquisadores como possíveis responsáveis pelo pequeno envolvimento dos professores com propostas que visam abordar a diversidade étnica e problematizar a questão do negro no Brasil no interior das escolas.

Experiências educativas alternativas

Existem diversos programas educativos espalhados pelo país que são propostos e organizados por entidades ligadas aos movimentos negros brasileiros. Para Campos, a diferença fundamental entre essas propostas e o ensino escolar "é o comprometimento daqueles que montam os programas. Em geral são frutos de experiências de grupos ligados aos problemas dos afro-descendentes; buscam, sobretudo, a eliminação da desigualdade através de um instrumento poderoso: a consciência cada vez maior da coletividade". Como exemplos, o pesquisador cita o Projeto da Mangueira, voltado para os esportes, que já existe há muito tempo, além de experiências que têm levado meninos e meninas às escolas de sambas-mirins no Rio de Janeiro.

Barreto, que tem acompanhado de perto alguns projetos na área de educação implementados por organizações anti-racistas e/ou culturais de Salvador, destaca como exemplos bem sucedidos a Escola Criativa do Olodum, o projeto de extensão pedagógica do Ilê Aiyê e o Ceafro. "Essas experiências têm sido importantes por fomentarem o debate e gerarem demandas por mais qualidade do ensino público, por um currículo menos eurocêntrico e mais multicultural e multirracial, por melhores livros didáticos e por um ambiente racialmente mais democrático nas escolas", diz Barreto. O mais interessante é que esses projetos se transformaram em referência para as políticas adotadas por órgãos oficiais como o Ministério Educação (MEC) e as Secretarias de Educação. Combinando educação formal e não-formal esses projetos tratam, por exemplo, de conteúdos presentes no currículo oficial em espaços como os barracões dos terreiros de candomblé ou as quadras dos blocos afros; outros utilizam parte da produção cultural das organizações - letras de música, mitos africanos etc. - no currículo das escolas regulares. O ensino de História da África, na escola do Ilê Aiyê, já acontece há vários anos.

Para Barreto "é de fundamental importância o fato de que as crianças e jovens negros e mestiços são positivamente valorizados nesses projetos, elas são consideradas como portadores de direitos, o que tem um efeito direto sobre a auto-imagem e a construção da identidade pessoal e coletiva". A socióloga trabalha com projetos educativos voltados para a democratização do acesso e a permanência de estudantes negros e mestiços no ensino superior e coordena o programa "A cor da Bahia," que há quinze  anos realiza pesquisas, publicações e atividades de formação na área de relações raciais, cultura e identidade negra na Bahia. Desde 2002, o programa desenvolve o projeto tutoria, que cria estratégias diversas para estimular, apoiar e promover a formação de estudantes negros que ingressaram na Universidade Federal da Bahia. Com o apoio do programa Políticas da Cor fornecem bolsas de ajuda de custo aos alunos e orientação acadêmica, visando o ingresso destes no mercado de trabalho e em cursos de pós-graduação em condições mais competitivas. Na opinião de Barreto, ainda há muito para ser feito com no sentido de assegurar uma maior democratização - em termos raciais e econômicos - do sistema de ensino superior público.

"É preciso entender que a desigualdade no Brasil tem cor, nome e história. Esse não é um problema dos negros no Brasil, mas sim um problema do Brasil, que é de negros, brancos e outros mais", avalia Gomes.

foto: AE

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Palavras-chave: Artigos, História, Pesquisa, Reportagem

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Novembro 29, 2010

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Hoje, 27 de outubro, Graciliano Ramos faria 118 anos de seu nascimento e é considerado  um dos maiores escritores brasileiros de todos os tempos.
 O escritor viveu e se dedicou aos  fatos mais significativos da realidade brasileira de sua época, e participou tão intensamente que chegou a ser preso político por 11 meses no período do Estado Novo, o qual ele pressionava por suas ideologias contrárias.
Tive a oportunidade de ler três livros de Graciliano: São Bernardo, Vidas Secas e Angústia. Sua obra é construída sob o domínio do realismo interior, destacando a inquietação e a angústia. Escreve num estilo todo próprio, com linguagem seca, tudo é dito muito diretamente, sem rodeios, objetivo, mas de uma beleza! Muito bom para quem gosta de ler, pois a leitura é prazerosa e  flui livremente.
São Bernardo, conta a história de Paulo Honório, um poderoso latifundiário. O interessante é que o personagem narra seu drama com precisão numa linguagem direta, seca e curta como um homem que viveu sempre no campo, um autêntico fazendeiro da época. O narrador descreve a ascensão e o declínio de si mesmo, tudo parecendo uma fiel  e angustiante confissão,  de um homem enérgico, cruel, estúpido, autoritário, inseguro e ciumento.
Angústia me surpreendeu muito! Acho que pelo título, pois se imagina que o título sugira este sentimento ou  algo referente, mas não tão intensamente! O livro é angústia pura! A narrativa é em primeira pessoa, o que torna a relação personagem/leitor muito mais íntima. Luís da Silva, ‘o cara’, sofre de TOC - rs,rs,rs,rs,rs – é um tímido, frustrado e solitário, só resta a nós para ouvi-lo em confissão e tentar entender o que o levou a tal condição. O monólogo interior é tão intenso que chega a provocar no leitor sensação de amargura e ansiedade. Para quem leu Crime e Castigo de Dostoyevski pode comparar a angústia e a aflição de Raskolnikoff a de Luís da Silva, comprovando a excelência de Graciliano ao explorar o conflito interior, digressões psicológicas que muitas vezes não se sabe se ele esta no passado, pensando, sonhando ou delirando. Devaneios e delírios são as marcas de Angústia, romance psicológico, com registro de fluxo de consciencia que é indispensável às pessoas que querem ler Clarisse Lispector, ou mesmo aos seus fiéis leitores.
Vidas Secas, é um romance que explora o ‘ciclo da seca’ e dentro deste contexto surgem dois personagens que ficam famosos no universo literário brasileiro: Fabiano e Baleia. Fabiano é o centro de interesse do romance e durante a narrativa, na sua luta pela sobrevivência, torna-se o símbolo da injustiça social, exploração do homem do campo e submissão aos poderosos. Fabiano é terra, é bicho. Baleia, já se torna humanizada, pois muitas vezes pensa e interage com o os personagens, utilizando-se de características humanas, como confiança, solidariedade  e esperança. Ao ler Vidas Secas o leitor se sensibiliza com a problemática nordestina, e questiona o poder de sobrevivência de um povo tão explorado e sofrido. Eu, apaixonadamente cearense, daquelas que a terra não sai das unhas nem as unhas saem da terra, já li e rele inúmeras vezes Vidas Secas e todas as vezes choro me solidarizando com Sinhá Vitória e Fabiano. A morte da Baleia e o diálogo de Fabiano com o Soldado Amarelo é um espetáculo da nossa literatura.
Por fim, faço aqui um lembrete para aqueles que ainda não leram Graciliano Ramos, que coloquem em suas liste de intenções de leitura, pois vale muito a pena, é um ótimo escritor e é nosso.

Palavras-chave: Graciliano Ramos, Literatura

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