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Março 2009

Março 01, 2009

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Postado por Ana A. S. Cesar

Lucas Weyne Barros Ferreira

"Tenho 15 anos, desenho desde bem "pequenininhozinho" e sempre gostei de cartuns. Com o hábito de ler todas as tirinhas dos meus livros de Português resolvi fazer as minhas próprias, e fazer essa galera que admira o meu trabalho rir de de montão."

 

Parabéns pela charge, Lucas! Surreal... Gostei.

 

 

Palavras-chave: Charges, Criação

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Postado por Ana A. S. Cesar

 

                                                     Lya Luft

                                      

Pode tudo

 

Pode a gente chegar de mais uma dessas horrendas viagens de 24 horas e quatro aeroportos e querer respirar: ficar tipo mexicano em hora de siesta, mas meio mundo telefonar com uns convites: a maioria, "sem retribuição pecuniária".

        Aí a gente recusa os que pode (a culpa, a culpa!), aceita de coração um que não devia porque a agenda transbordou, e o resto vai ver depois. Porém aquela afliçãozinha fica roendo, roendo.

        Pode a gente ter estado demais no mundo da lua e esquecer aquele compromisso dez vezes agendado e reconfirmado. Arrumar desculpa ligeiro, mas qual?

        Pode o portão eletrônico da garagem empacar bem no meio do caminho, e a gente por pouco não viu e quase arranca o teto do carro - ainda bem que disso ao menos a gente se salvou.

        Pode então botar o portão no manual, e nunca mais conseguir arrumar. Chega o cara da manutenção, dá aquele sorrisinho, aperta (ou desaperta?) uma virada mais na chave da engenhoca... e com ar de comiseração nem a visita cobra desta vez. O ego começa a murchar.

        Pode a gente estar na mão certa numa esquina fazendo tudo direitinho, mas ser na hora errada, e sair de carro amassado e ego mais desinflado ainda. Corpo dolorido por uns dias, mas ainda bem que ninguém se feriu, e tem o seguro, e blablablá.

        Registrar a idéia de que inferno zodiacal quem sabe chegou com retardo este ano, cuidado-cuidado.

        Pode alguém bater estacas dias a fio numa construção aqui perto, e tudo o que a gente queria era ouvir tranqüilamente aquele Mozart: não há melhor terapia, a não ser as horas da própria, com quem entende a alma da gente, e ainda por cima nos faz sair mais animados de cada sessão.

        Pode a gente ter de reler um capítulo do livro porque alguém quer saber qualquer coisa, e notar que, depois de tantas reedições, continua ali aquele erro besta que a gente certamente esqueceu de registrar pra segunda edição.

        Pode alguém te deixar pendurada no pincel (seja em que parede for), e a gente ter de bancar a grande dama, ser elegante, mas mesmo assim a dor está nas olheiras ou na voz.

        A essa altura, o ego rasteja embaixo do tapete.

        Pode depois de tudo isso dar aquela vontade de fumar todos os cigarros nunca fumados, tomar todos os pilequinhos não tomados, sumir do mundo, passar um mês naquele flat na praia só olhando o mar e pensando bobagem... mas o trabalho espera e o dever chama, ai de nós.

        Mas também pode, depois de um dia de ausência, uma das crianças da casa ter começado a andar e vir em direção da gente naquele passo hesitante-triunfante que enternece até um camicase de pedra, e um sorriso que desmancha todos os males acima descritos.

        E afinal os primeiros sabiás bêbados inauguram a manhã quando ainda está escuro, e aquela velha chama - que não tem nome mas sustenta o mundo - ainda arde em algum canto de nós, e o nosso ego sai voando outra vez por cima de todos os telhados da Terra.

 

Lya Luft, escritora gaúcha.

*Lya Fett Luft nasceu em Santa Cruz do Sul em setembro de 1938. Professora de Literatura, Mestre em Linguística e Literatura Brasileira. Exerceu o magistério superior como professora de Linguística. Sua atividade literária inclui a tradução, principalmente de autores de língua inglesa e alemã, dentre os quais Brecht, Virginia Woolf, Herman Hesse, Thomas Mann e Günther Grass. Iniciou sua carreira literária escrevendo poemas e crônicas para o jornal Correio do Povo. Publicou livros de poemas, romances e novelas, tendo textos seus adaptados para o teatro. Sua primeira obra de ficção foi As parceiras, em 1980, seguindo-se A asa esquerda do anjo, Reunião de família, O quarto fechado, Exílio e A sentinela. Publicou também O lado fatal, coletânea de poemas, e ainda Mulher no palco e O Rio do Meio, que obteve o prêmio de melhor obra de 1996 da Associação de Críticos de Arte de São Paulo.

 

Uma pequena e singela homenagem à nossa querida escritora no mês das mulheres - 8 de março - Dia Internacional da Mulher.

 

 

Palavras-chave: Escritores, Literatura

Esta mensagem está sob a licença CreativeCommons Atribuição.

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Março 02, 2009

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Postado por Ana A. S. Cesar
Milk e Mellow

 

Fechada para reforma havia seis meses, a lanchonete Milk & Mellow reabriu no início de fevereiro com ambiente repaginado e novidades no cardápio. Por trás de uma parede envidraçada, é possível ver os chapeiros em ação. As mesas, instaladas perto de amplas janelas, foram isoladas por finas ripas de madeira colorida. Falta ajustar o serviço, um tanto desatento. Sanduíches tradicionais, como o cheese bacon egg (R$ 14,90), chegam bem montados e apetitosos. Há também pedidas menos triviais, caso do hambúrguer de coxão mole e peperone.

                                                          Sanduiche da Milk & Mellow - foto: Mario Rodrigues

Levemente picante, ele fica melhor na versão cheese salada (R$ 16,20). Hummm... Para finalizar, os apreciadores do famoso milk-shake da casa podem experimentar uma opção ainda mais cremosa da bebida, acrescida de lascas de amêndoa (R$ 14,50 a pequena, R$ 19,30 a grande). Entendam: não é uma propaganda propriamente dita.  É só uma menção honrosa a esta lanchonete que só de pensar me dá água na boca!

Diferente de tudo que já apreciei até hoje em termos de culinária, a lanchonete é um paralelo gritante frente ao famoso Clube do Churrasco (lembra Ewout?), aquele perto da USP, que serve em suas saladas aqueles bichinhos pequenininhos... e nojentos (vide blog do Ewout - http://stoa.usp.br/ewout/weblog/37352.html).

MILK & MELLOW, Avenida Cidade Jardim, 1085, Itaim Bibi, 3168-4516. 11h30/4h (sex. e sáb. até 6h; dom. até 2h). Cc.: todos. Cd.: M, R e V. Cr.: todos. T.: todos.                             

Estacionamento c/manobrista. (R$ 6,00).

Sorriso

 

Palavras-chave: Lanches, Sanduíches

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Março 03, 2009

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Postado por Ana A. S. Cesar

 

O Dia Internacional da Mulher está relacionado aos movimentos socialistas feministas dos fins do século XIX ao início do século XX, que reivindicavam a igualdade entre homens e mulheres em todas as áreas da sociedade. O primeiro Dia da Mulher foi comemorado em Chicago em 3 de maio de 1908, onde 1500 mulheres reclamavam igualdade de direitos com os homens. Em 1909 foi comemorado em Nova Iorque em 28 de fevereiro, e enfatizava o direito da mulher ao voto. Em 1910, foi comemorado em 27 de fevereiro, após um período de mais de três meses de greve, na qual 80% dos grevistas eram mulheres. Tal greve chamou a atenção da sociedade da época para a situação precária das mulheres. Em 1911, inspiradas pelas mulheres norte-americanas, as alemãs celebram o dia da Mulher em 19 de março, e as suecas em primeiro de maio. Na Rússia, ainda sob o regime dos Czares, as mulheres que celebraram o Dia da Mulher foram duramente reprimidas, chegando a ser presas. Mas o movimento foi ganhando vulto internacional. Em cada país era celebrado numa data diferente e sempre enfatizava o direito das mulheres ao voto. Em 1914, as alemãs comemoram no dia 8 de março, escolhendo essa data mais por questões práticas do que em homenagem a algum acontecimento especial.

Em 1922, o Dia Internacional da Mulher foi oficializado em 8 de março. O motivo do por que esta data foi escolhida tem duas histórias:

A história mais popular é que esse dia homenageia as 129 mulheres mortas em 1857 em Nova Iorque que reivindicavam melhores condições de trabalho. O dono da fábrica de tecidos Cotton trancou suas funcionárias em uma mesma sala e depois ateou fogo no prédio, queimando-as vivas.  Elas reivindicavam a redução da jornada de trabalho de 16 para 10 horas e um salário mais justo.

A outra história refere-se às mulheres russas, que em 1917 escolheram o Dia da Mulher de para fazerem uma greve contra a fome, a guerra e o regime czarista. As operárias deixaram as fábricas e saíram às ruas, atraindo a massa popular a tal ponto, que o incidente deu início a Revolução Russa e que derrubou o regime czarista. Isso ocorreu em 23 de fevereiro no calendário russo, que coincide com o 8 de março do calendário ocidental (gregoriano). Em 1921, a Conferência Internacional das Mulheres Comunistas propôs o dia 8 de março como o Dia Internacional da Mulher, em comemoração à atitude das mulheres russas.

Independente da realidade à escolha desta data o 8 de março está aí firme e forte. No ano 2000, o 8 de março foi celebrado com a Marcha Mundial das Mulheres que mobilizou mulheres de 161 países contra a fome e a violência contra o sexo feminino.

No Brasil, podemos dizer que o dia 24 de fevereiro de 1932 foi um marco na história da mulher brasileira. Nesta data foi instituído o voto feminino. As mulheres conquistavam, depois de muitos anos de reivindicações e discussões, o direito de votar e serem eleitas para cargos no executivo e legislativo.

Desde a mais remota antiguidade a desigualdade de direitos entre homens e mulheres vem percorrendo os séculos. Na Antiguidade, seja no Ocidente ou no Oriente, a mulher era praticamente propriedade de seu marido, e seu principal valor estava em ser esposa, e ser esposa para ser mãe, para gerar herdeiros legítimos para o marido. Ai das estéreis daqueles dias, pois não podiam cumprir o único papel importante que a sociedade lhes reservava. As culturas antigas celebravam o nascimento de um homem e menosprezavam o de uma mulher, isto é, quando não matavam a criança recém-nascida do sexo feminino.

A mulher não tinha importância na vida pública: era incapaz juridicamente, tinha papel inferior na vida religiosa, não podia herdar, nem possuir. Trabalho feminino, por mais produtivo que fosse, praticamente só beneficiava o homem, pois a mulher não podia enriquecer por conta própria. A mulher foi vítima inclusive de "santos" de várias religiões que a viam simplesmente como fonte de tentação para sua “santidade”.

"... pois a dignidade da mulher não depende de cultura, religião ou raça, e sim no fato dela ter sido criada a imagem e semelhança de Deus..."

Na época de Jesus a mulher era em tudo inferior ao homem. As mulheres eram praticamente excluídas da vida religiosa, os rabinos discutiam se a mulher tinha alma, homens judeus e greco-romanos agradeciam aos Céus por não terem nascido mulher; elas não eram consideradas testemunhas fidedignas. Ter amizade com mulheres ou conversar com elas em público era escandaloso - mais porque a mulher era considerada um ser inferior do que para fugir da aparência do mal. Arriscando seu prestígio e passando por cima desses tabus, Jesus quebra esse comportamento machista:

- Conversa sozinho com uma mulher samaritana (para espanto de seus discípulos) quebrando dois preconceitos: o sexual e o racial (João 4.4-42);

- Tem amigas (Lucas 10.38-42; João 11.5,33 e 12.1-8) e seguidoras (Lucas 8.1-3; Marcos 15.40-41);

- É surpreendente que as mulheres, que eram consideradas testemunhas sem valor, sejam escolhidas como as primeiras testemunhas da ressurreição de Cristo (Marcos 16.1-7);

- Quando Jesus defende a indissolubilidade do matrimônio (Mateus 19.3-6), ele beneficia as mulheres, pois na época o homem podia se divorciar da mulher por qualquer motivo banal;

- Jesus, arriscando sua reputação, defende do preconceito uma mulher de vida pecaminosa (Lucas 7.36-48) e arriscando a vida, salva da morte uma mulher adúltera (João 8.1-11). É bom observar, que Jesus defendeu as mulheres, mas não os seus pecados.

Existem várias outras atitudes de Jesus que enobrecem as mulheres, porém as listadas acima já ilustram bem o fato de que Jesus não se prendeu aos padrões de sua época em relação à mulher, pois a dignidade da mulher não depende de cultura, religião ou raça, e sim no fato dela ter sido criada à imagem e semelhança de Deus.

Muitas vezes nos surpreendemos aos padrões bíblicos da submissão da mulher ao homem. O texto bíblico trata das funções dentro do lar, onde “o homem é o cabeça”. Isto em nada deprecia a mulher, pois o padrão de Deus é a mulher se submeter ao marido, como uma figura da Igreja se submetendo a Cristo (Efésios 5.22-33). Os machões de plantão não devem se vangloriar de ser cabeça como se isso fosse permissão para fazer o que bem entenderem com a mulher. Pois, se a mulher deve representar a Igreja, o homem deve representar a Cristo. E Cristo maltratou alguma mulher? Não. Ele reconheceu a dignidade das mulheres. Mirem-se no exemplo do tratamento de Jesus para com as mulheres e saberão o que é ser cabeça.

O IBGE registrou o crescimento dos evangélicos e registrou também que a maioria dos evangélicos é composta por mulheres. Portanto, a Igreja deve agir à luz da Bíblia mostrando qual é o referencial que a mulher tem no propósito de Deus, para que ela não fique presa a preconceitos que mutilam seu potencial e nem seja solta na libertinagem usada como objeto sexual.

De acordo com a ONU - os dados são de 2006 - 25% das brasileiras são vítimas constantes de violência no lar. Em apenas 2% dos casos o agressor é punido e, em cerca de 70%, esse agressor é o marido ou companheiro.

Segundo o Ministério da Previdência Social, existem atualmente nove milhões de donas-de-casa no Brasil. Até mesmo as cerca de 40 milhões de mulheres que ocupam postos no mercado de trabalho, formal ou informal, acabam desempenhando atividades domésticas. Ou seja, no mundo contemporâneo, ainda cabe ao sexo feminino a tarefa de cuidar do lar e da família.

O Dia Internacional da Mulher lembra-nos da justa luta do sexo feminino para que a sociedade reconheça a dignidade da mulher, que segue um caminho em busca de respeito à sua dignidade pessoal, social e profissional, principalmente a dignidade de ter sido feita à imagem e semelhança do Criador.

Criação da mulher
 “Então o Senhor Deus fez cair um sono pesado sobre o homem, e este adormeceu; tomou-lhe, então, uma das costelas, e fechou a carne em seu lugar; e da costela que o senhor Deus lhe tomara, formou a mulher e a trouxe ao homem.
Então disse o homem: Esta é agora osso dos meus ossos, e carne da minha carne; ela será chamada varoa, porquanto do varão foi tomada”. (Gênesis 2:21-23)

Mulher mãe
"Ele faz com que a mulher estéril habite em família, e seja alegre mãe de filhos." (Salmos 113:9)
"O Senhor visitou a Sara, como tinha dito, e lhe fez como havia prometido. Sara concebeu, e deu a Abraão um filho na sua velhice, ao tempo determinado, de que Deus lhe falara." (Gênesis 21:1-2)

Mulher Sábia
"Toda mulher sábia edifica a sua casa; a insensata, porém, derruba-a com as suas mãos." (Provérbios 14:1)
"Casa e riquezas são herdadas dos pais; mas a mulher prudente vem do Senhor." (Provérbios 19:14)

Mulher Fervorosa
"(...)Levantou-se, pois, Jesus, e o foi seguindo, ele e os seus discípulos. E eis que certa mulher, que havia doze anos padecia de uma hemorragia, chegou por detrás dele e tocou-lhe a orla do manto porque dizia consigo: Se eu tão-somente tocar-lhe o manto, ficarei sã. Mas Jesus, voltando-se e vendo-a, disse: Tem ânimo, filha, a tua fé te salvou. E desde aquela hora a mulher ficou sã." (Mateus 9:19-22)

Mulher Obediente
“Então ele se levantou, e foi a Sarepta; e, chegando à porta da cidade, eis que estava ali uma mulher viúva apanhando lenha; e ele a chamou, e lhe disse: Traze-me, peço-te, num vaso um pouco de água que beba. E, indo ela a trazê-la, ele a chamou e lhe disse: Traze-me agora também um bocado de pão na tua mão. Porém ela disse: Vive o SENHOR teu Deus, que nem um bolo tenho, senão somente um punhado de farinha numa panela, e um pouco de azeite numa botija; e vês aqui apanhei dois cavacos, e vou prepará-lo para mim e para o meu filho, para que o comamos, e morramos. E Elias lhe disse: Não temas; vai, faze conforme à tua palavra; porém faze dele primeiro para mim um bolo pequeno, e traze-mo aqui; depois farás para ti e para teu filho. Porque assim diz o SENHOR Deus de Israel: A farinha da panela não se acabará, e o azeite da botija não faltará até ao dia em que o SENHOR dê chuva sobre a terra. E ela foi e fez conforme a palavra de Elias; e assim comeu ela, e ele, e a sua casa muitos dias. Da panela a farinha não se acabou, e da botija o azeite não faltou; conforme a palavra do SENHOR, que ele falara pelo ministério de Elias.” (1Reis 17:10-16)

Mulher Virtuosa
 “A mulher virtuosa é a coroa do seu marido; porém a que procede vergonhosamente é como apodrecimento nos seus ossos." (Provérbios 12:4)
"Enganosa é a graça, e vã é a formosura; mas a mulher que teme ao Senhor, essa será louvada." (Provérbios 31:30)


Mulher da Vida, minha irmã

Cora Coralina

Mulher da Vida, minha Irmã.

De todos os tempos.
De todos os povos.
De todas as latitudes.
Ela vem do fundo imemorial das idades e
carrega a carga pesada dos mais
torpes sinônimos,
apelidos e apodos:
Mulher da zona,
Mulher da rua,
Mulher perdida,
Mulher à-toa.

Mulher da Vida, minha irmã.

Pisadas, espezinhadas, ameaçadas.
Desprotegidas e exploradas.
Ignoradas da Lei, da Justiça e do Direito.
Necessárias fisiologicamente.
Indestrutíveis.
Sobreviventes.
Possuídas e infamadas sempre por
aqueles que um dia as lançaram na vida.
Marcadas. Contaminadas,
Escorchadas. Discriminadas.

Nenhum direito lhes assiste.
Nenhum estatuto ou norma as protege.
Sobrevivem como erva cativa dos caminhos,
pisadas, maltratadas e renascidas.

Flor sombria, sementeira espinhal
gerada nos viveiros da miséria, da
pobreza e do abandono,
enraizada em todos os quadrantes da Terra.

Um dia, numa cidade longínqua, essa
mulher corria perseguida pelos homens que
a tinham maculado. Aflita, ouvindo o
tropel dos perseguidores e o sibilo das pedras,
ela encontrou-se com a Justiça.

A Justiça estendeu sua destra poderosa e
lançou o repto milenar:
“Aquele que estiver sem pecado
atire a primeira pedra”.

As pedras caíram
e os cobradores deram as costas.

O Justo falou então a palavra de equidade:
“Ninguém te condenou, mulher...
nem eu te condeno”.

A Justiça pesou a falta pelo peso
do sacrifício e este excedeu àquela
Vilipendiada, esmagada.
Possuída e enxovalhada,
ela é a muralha que há milênios detém
as urgências brutais do homem para que
na sociedade possam coexistir a inocência,
a castidade e a virtude.

Na fragilidade de sua carne maculada
esbarra a exigência impiedosa do macho.

Sem cobertura de leis
e sem proteção legal,
ela atravessa a vida ultrajada
e imprescindível, pisoteada, explorada,
nem a sociedade a dispensa
nem lhe reconhece direitos
nem lhe dá proteção.
E quem já alcançou o ideal dessa mulher,
que um homem a tome pela mão,
a levante, e diga: minha companheira.

Mulher da Vida, minha irmã.

No fim dos tempos.
No dia da Grande Justiça
do Grande Juiz.
Serás remida e lavada
de toda condenação.

E o juiz da Grande Justiça
a vestirá de branco em
novo batismo de purificação.
Limpará as máculas de sua vida
humilhada e sacrificada
para que a Família Humana
possa subsistir sempre,
estrutura sólida e indestrutível
da sociedade,
de todos os povos,
de todos os tempos.

Mulher da Vida, minha irmã.

 

Declarou-lhe Jesus:
 “Em verdade vos digo
que publicanos e meretrizes
vos precedem no Reino de Deus”.
Evangelho de São Mateus 21, ver.31.


Canção das mulheres

Lya Luft

Que o outro saiba quando estou com medo, e me tome nos braços sem fazer perguntas demais.

Que o outro note quando preciso de silêncio e não vá embora batendo a porta, mas entenda que não o amarei menos porque estou quieta.

Que o outro aceite que me preocupo com ele e não se irrite com minha solicitude, e se ela for excessiva saiba me dizer isso com delicadeza ou bom humor.

Que o outro perceba minha fragilidade e não ria de mim, nem se aproveite disso.

Que se eu faço uma bobagem o outro goste um pouco mais de mim, porque também preciso poder fazer tolices tantas vezes.

Que se estou apenas cansada o outro não pense logo que estou nervosa, ou doente, ou agressiva, nem diga que reclamo demais.

Que o outro sinta quanto me dói a idéia da perda, e ouse ficar comigo um pouco — em lugar de voltar logo à sua vida, não porque lá está a sua verdade mas talvez seu medo ou sua culpa.

Que se começo a chorar sem motivo depois de um dia daqueles, o outro não desconfie logo que é culpa dele, ou que não o amo mais.

Que se estou numa fase ruim o outro seja meu cúmplice, mas sem fazer alarde nem dizendo “Olha que estou tendo muita paciência com você!”

Que se me entusiasmo por alguma coisa o outro não a diminua, nem me chame de ingênua, nem queira fechar essa porta necessária que se abre para mim, por mais tola que lhe pareça.

Que quando sem querer eu digo uma coisa bem inadequada diante de mais pessoas, o outro não me exponha nem me ridicularize.

Que quando levanto de madrugada e ando pela casa, o outro não venha logo atrás de mim reclamando: “Mas que chateação essa sua mania, volta pra cama!”

Que se eu peço um segundo drinque no restaurante o outro não comente logo: “Pôxa, mais um?”

Que se eu eventualmente perco a paciência, perco a graça e perco a compostura, o outro ainda assim me ache linda e me admire.

Que o outro — filho, amigo, amante, marido — não me considere sempre disponível, sempre necessariamente compreensiva, mas me aceite quando não estou podendo ser nada disso.

Que, finalmente, o outro entenda que mesmo se às vezes me esforço, não sou, nem devo ser, a mulher-maravilha, mas apenas uma pessoa: vulnerável e forte, incapaz e gloriosa, assustada e audaciosa — uma mulher.

 

No paraíso da transgressão

Lya Luft

"Vivemos feito bandos de ratos aflitos, recorrendo à droga, à bebida, ao delírio, à alienação e à indiferença, para aguentar uma realidade cada dia mais confusa"

A gente se acostuma a criticar os jovens por eles serem pouco educados, os homens por serem arrogantes, as mulheres por serem chatas, os governos por serem omissos ou incompetentes, quando não mal-intencionados. Políticos sendo acusados de corrupção é tão trivial que as exceções se vão tornando ícones, ralas esperanças nossas. Onde estão os homens honrados, os cidadãos ilustres e respeitados, que buscam o bem da pátria e do povo, independentemente de cargos, poder e vantagens?

Transgredir no mau sentido é natural entre nós. Ladrões e assassinos, mesmo estupradores, recebem penas ridículas ou aguardam o julgamento em liberdade; se condenados, conseguem indultos absurdos ou saem em ocasiões como o Natal, e boa parte deles naturalmente não volta. Crianças continuarão a ser estupradas, inocentes mortos, velhinhos roubados, mulheres trancadas em suas casas, porque a justiça é cega, porque as leis são insensatas e, quando prestam, raramente se cumprem.

Nesta nossa terra, muitos cidadãos destacados, líderes, são conhecidos como canalhas e desonestos, mas, ainda que réus confessos ou comprovados, inevitavelmente se safam. Continuam recebendo polpudos dinheiros. Depois de algum tempo na sombra, feito eminências pardas, voltam a ocupar importantes cargos de onde nos comandam. Assassinos ao volante nem são presos. Se presos, são soltos para o famoso "aguardar o julgamento em liberdade". Centenas e centenas de vidas cortadas de maneira brutal e o assassino, a não ser que acossado pela culpa moral, se tiver moral, logo voltará ao seu dia-a-dia, numa boa. Se invadir a casa de meu vizinho, fizer seus empregados de reféns, der pauladas na sua mulher ou na sua velha mãe e escrever nas paredes com excremento humano frases ameaçadoras, imagino que eu vá para a cadeia. Os bandos de pseudoagricultores (a maioria não sabe lidar na terra) fazem tudo isso e muito mais, e nada lhes acontece: no seu caso, bizarramente, não se aplica a lei.

 

Se sobram muitas vagas nos exames vestibulares, em alguns casos simplesmente se fazem novas provas, provinhas mais fáceis. Leio (se me engano já me desculpo, nem tudo o que se lê é verdadeiro) que, como são poucos os aprovados nos exames da OAB, porque os estudantes saem despreparados demais das faculdades de direito que pululam pelo país, o exame se tornou mais simples: há que aprovar mais gente. Quantidade, não qualidade. Governantes, os bons e esforçados, viram objeto de ódio de adversários cujo interesse não é o bem da comunidade, estado ou país, mas o insulto, o desrespeito, a violência moral do pior nível. Aliás, nesses casos o nível não importa, o que importa é destruir.

Eis o paraíso dos transgressores: a lei é a da selva, a honradez foi para o brejo, a decência tem de ser procurada como fez há séculos um filósofo grego: ao lhe indagarem por que andava pela cidade com uma lanterna acesa em dia claro, declarou: "Procuro um homem honesto". O que devemos dizer nós? Temos pouca liderança positiva, raríssimo abrigo e norte, referências pífias, pobre conforto e estímulo zero, quase nenhuma orientação. A juventude é quem mais sofre, pois não sabe em que direção olhar, em que empreitadas empregar sua força e sua esperança, em quem acreditar nesse tumulto de ideias desencontradas. Vivemos feito bandos de ratos aflitos, recorrendo à droga, à bebida, ao delírio, à alienação e à indiferença, para aguentar uma realidade cada dia mais confusa: de um lado, os sensatos recomendando prudência e cautela; de outro, os irresponsáveis garantindo que não há nada de mais com a gigantesca crise atual, que não tem raízes financeiras, mas morais: a ganância, a mentira, a roubalheira, a omissão e a falta de vergonha. E a tudo isso, abafando nossa indignação, prestamos a homenagem do nosso desinteresse e fazemos a continência da nossa resignação. Meus pêsames, senhores. Espero que na hora de fechar a porta haja um homem honrado, para que se apague a luz de verdade, não com grandes palavras e reles mentiras.


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Março 05, 2009

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Postado por Ana A. S. Cesar

 

Meus amigos vieram a mim sem que eu os procurasse. O grande Deus mos deu. Pelo mais antigo dos direitos, pela divina afinidade da virtude consigo própria, eu os encontro, ou melhor, eu não, mas o Deus que existe em mim e neles, que ridiculariza e suprime os espessos muros de caráter individual, relação, idade, sexo e circunstância, com os quais é usualmente conveniente, fazendo de muitos um só.

Profunda gratidão vos devo, queridos amigos, que para mim conduzis o mundo a novas e nobres profundezas e ampliais o significado de todos os meus pensamentos. A sístole e a diástole do coração têm certa analogia com o fluxo e refluxo do amor.

A amizade contém a beleza da alma. As leis da amizade são grandes, austeras e eternas. Pertencem à trama das leis da Natureza e da moral. Um amigo é alguém com quem posso ser sincera. Diante Dele posso pensar em voz alta.

Dois elementos entram na composição da amizade, cada um deles tão soberano que não percebo superioridade em nenhum, nem razão para nomear primeiramente este ou aquele.

Um é a Verdade. Cheguei, por fim, à presença de uma pessoa tão real e equânime, que me é possível despir o traje da dissimulação, cortesia e segunda intenção, que os homens nunca despem, e tratá-la com a simplicidade e inteireza com que um átomo encontra outro.

Outro elemento da amizade é a Ternura. Estamos unidos a toda a humanidade por toda a sorte de vínculos: por sangue, orgulho, medo, esperança, lucro, cobiça, ódio, admiração, por toda a classe de circunstâncias, insígnias e ninharia.

Detesto que o nome da amizade seja prostituído para significar alianças mundanas de ocasião. Prefiro a companhia das pessoas simples à sedosa e perfumada amizade que celebra seus encontros com frívola ostentação e jantares nos melhores restaurantes.
A condição que a profunda amizade exige é a capacidade de passar sem ela. Para desempenhar esse alto oficio são necessárias grandes e sublimes qualidades. Os amigos têm de ser verdadeiramente dois, antes de poderem ser verdadeiramente um. Que haja uma aliança de duas naturezas grandes, formidáveis, que se contemplem mutuamente, que mutuamente divirjam antes mesmo de reconhecer a profunda identidade que, sob tais disparidades, as une.

É com grande, mas com a grande simplicidade do amor, que vos amo.

 

Este post é uma homenagem aos amados amigos Evaristo e Maria Luisa que, com sua simplicidade, conquistaram definitivamente o meu coração.

Por nossa amizade retribuo o carinho e atenção que merecem.

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Alunos do curso LB3N: o arquivo "Os movimentos literários" já está disponível para estudo: [Você não tem permissão para acessar este arquivo]

Os textos para leitura também já estão nas pastas (para a próxima semana).

Ana

 

Palavras-chave: História, Literatura, Unicamp

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Março 06, 2009

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Postado por Ana A. S. Cesar

 

Os sete saberes necessários à educação do futuro

 

Edgar Morin

 

Os sete saberes necessários à educação do futuro não têm nenhum programa educativo, escolar ou universitário. Aliás, não estão concentrados no primário, nem no secundário, nem no ensino universitário, mas abordam problemas específicos para cada um desses níveis. Eles dizem respeito aos setes buracos negros da educação, completamente ignorados, subestimados ou fragmentados nos programas educativos. Programas esses que, na minha opinião, devem ser colocados no centro das preocupações sobre a formação dos jovens, futuros cidadãos.

O Conhecimento

O primeiro buraco negro diz respeito ao conhecimento. Naturalmente, o ensino fornece conhecimento, fornece saberes. Porém, apesar de sua fundamental importância, nunca se ensina o que é, de fato, o conhecimento. E sabemos que os maiores problemas neste caso são o erro e a ilusão.

Ao examinarmos as crenças do passado, concluímos que a maioria contém erros e ilusões. Mesmo quando pensamos em vinte anos atrás, podemos constatar como erramos e nos iludimos sobre o mundo e a realidade. E por que isso é tão importante? Porque o conhecimento nunca é um reflexo ou espelho da realidade. O conhecimento é sempre uma tradução, seguida de uma reconstrução. Mesmo no fenômeno da percepção, através do qual os olhos recebem estímulos luminosos que são transformados, decodificados, transportados a um outro código, que transita pelo nervo ótico, atravessa várias partes do cérebro para, enfim, transformar aquela informação primeira em percepção. A partir deste exemplo, podemos concluir que a percepção é uma reconstrução.

Tomemos um outro exemplo de percepção constante: a imagem do ponto de vista da retina. As pessoas que estão próximas parecem muito maiores do que aquelas que estão mais distantes, pois à distância, o cérebro não realiza o registro e termina por atribuir uma dimensão idêntica para todas as pessoas. Assim como os raios ultravioletas e infravermelhos que nós não vemos, mas sabemos que estão aí e nos impõem uma visão segundo as suas incidências. Portanto, temos percepções, ou seja, reconstruções, traduções da realidade. E toda tradução comporta o risco de erro. Como dizem os italianos "tradotore/traditore".

Também sabemos que não há nenhuma diferença intrínseca entre uma percepção e uma alucinação. Por exemplo: se tenho uma alucinação e vejo Napoleão ou Júlio César, não há nada que me diga que estou enganado, exceto o fato de saber que eles estão mortos. São os outros que vão me dizer se o que vejo é verdade ou não. Quero dizer com isso que estamos sempre ameaçados pela alucinação. Até nos processos de leitura isto acontece. Nós sabemos que não seguimos a linha do que está escrito, pois, às vezes, nossos olhos saltam de uma palavra para outra e reconstroem o conjunto de uma maneira quase alucinatória. Neste momento, é o nosso espírito que colabora com o que nós lemos. E não reconhecemos os erros porque deslizamos neles. O mesmo acontece, por exemplo, quando há um acidente de carro. As versões e as visões do acidente são completamente diferentes, principalmente pela emoção e pelo fato das pessoas estarem em ângulos diferentes.

No plano histórico há erros, se me permitem o jogo de palavras, histéricos. Tomemos um exemplo um pouco distante de nós: os debates sobre a Primeira Guerra Mundial. Uma época em que a França e a Alemanha tinham partidos socialistas fortes, potentes e muito pacifistas, e que, evidentemente, eram contrários à guerra que se anunciava. Mas, a partir do momento em que se desencadeou a guerra, os dois partidos se lançaram, massivamente a uma campanha de propaganda, cada um imputando ao outro os atos mais ignóbeis. Isto durou até o fim da guerra. Hoje, podemos constatar com os eventos trágicos do Oriente Médio a mesma maneira de tratar a informação. Cada um prefere camuflar a parte que lhe é desvantajosa para colocar em relevo a parte criminosa do outro.

Este problema se apresenta de uma maneira perceptível e muito evidente, porque as traduções e as reconstruções são também um risco de erro e muitas vezes o maior erro é pensar que a ideia é a realidade. E tomar a ideia como algo real é confundir o mapa com o terreno.

Outras causas de erro são as diferenças culturais, sociais e de origem. Cada um pensa que suas ideias são as mais evidentes e esse pensamento leva a ideias normativas. Aquelas que não estão dentro desta norma, que não são consideradas normais, são julgadas como um desvio patológico e são taxadas como ridículas. Isso não ocorre somente no domínio das grandes religiões ou das ideologias políticas, mas também das ciências. Quando Watson e Crick decodificaram a estrutura do código genético, o DNA (ácido desoxirribonucléico), surpreenderam e escandalizaram a maioria dos biólogos, que jamais imaginavam que isto poderia ser transcrito em moléculas químicas. Foi preciso muito tempo para que essas ideias pudessem ser aceitas.

Na realidade, as ideias adquirem consistência como os deuses nas religiões. É algo que nos envolve e nos domina a ponto de nos levar a matar ou morrer. Lenin dizia: "os fatos são teimosos, mas, na realidade, as ideias são ainda mais teimosas do que os fatos e resistem aos fatos durante muito tempo". Portanto, o problema do conhecimento não deve ser um problema restrito aos filósofos. É um problema de todos e cada um deve levá-lo em conta desde muito cedo e explorar as possibilidades de erro para ter condições de ver a realidade, porque não existe receita milagrosa.

O Conhecimento Pertinente

O segundo buraco negro é que não ensinamos as condições de um conhecimento pertinente, isto é, de um conhecimento que não mutila o seu objeto. Nós seguimos, em primeiro lugar, um mundo formado pelo ensino disciplinar. É evidente que as disciplinas de toda ordem ajudaram o avanço do conhecimento e são insubstituíveis. O que existe entre as disciplinas é invisível e as conexões entre elas também são invisíveis. Mas isto não significa que seja necessário conhecer somente uma parte da realidade. É preciso ter uma visão capaz de situar o conjunto. É necessário dizer que não é a quantidade de informações, nem as sofisticações em Matemática que podem dar sozinhas um conhecimento pertinente, mas sim a capacidade de colocar o conhecimento no contexto.

A economia, que é das ciências humanas, a mais avançada, a mais sofisticada, tem um poder muito fraco e erra muitas vezes nas suas previsões, porque está ensinando de modo a privilegiar o cálculo. Com isso, acaba esquecendo os aspectos humanos, como o sentimento, a paixão, o desejo, o temor, o medo. Quando há um problema na bolsa, quando as ações despencam, aparece um fator totalmente irracional que é o pânico, e que, frequentemente, faz com que o fator econômico tenha a ver com o humano, ligando-se, assim, à sociedade, à psicologia, à mitologia. Essa realidade social é multidimensional e o econômico é apenas uma dimensão dessa sociedade. Por isso, é necessário contextualizar todos os dados.

Se não houver, por exemplo, a contextualização dos conhecimentos históricos e geográficos, cada vez que aparecer um acontecimento novo que nos fizer descobrir uma região desconhecida, como o Kosovo, o Timor ou a Serra Leoa, não entenderemos nada. Portanto, o ensino por disciplina, fragmentado e dividido, impede a capacidade natural que o espírito tem de contextualizar. E é essa capacidade que deve ser estimulada e desenvolvida pelo ensino, a de ligar as partes ao todo e o todo às partes. Pascal dizia, já no século XVII: "não se pode conhecer as partes sem conhecer o todo, nem conhecer o todo sem conhecer as partes".

O contexto tem necessidade, ele mesmo, de seu próprio contexto. E o conhecimento, atualmente, deve se referir ao global. Os acidentes locais têm repercussão sobre o conjunto e as ações do conjunto sobre os acidentes locais. Isso foi comprovado depois da guerra do Iraque, da guerra da Iugoslávia e, atualmente, pode ser verificado com o conflito do Oriente Médio.

A Identidade Humana

O terceiro aspecto é a identidade humana. É curioso que nossa identidade seja completamente ignorada pelos programas de instrução. Podemos perceber alguns aspectos do homem biológico em Biologia, alguns aspectos psicológicos em Psicologia, mas a realidade humana é indecifrável. Somos indivíduos de uma sociedade e fazemos parte de uma espécie. Mas, ao mesmo tempo em que fazemos parte de uma sociedade, temos a sociedade como parte de nós, pois desde o nosso nascimento a cultura nos imprime. Nós somos de uma espécie, mas ao mesmo tempo a espécie é em nós e depende de nós. Se nos recusamos a nos relacionar sexualmente com um parceiro de outro sexo, acabamos com a espécie. Portanto, o relacionamento entre indivíduo-sociedade-espécie é como a trindade divina, um dos termos gera o outro e um se encontra no outro. A realidade humana é trinitária.

Eu acredito ser possível a convergência entre todas as ciências e a identidade humana. Um certo número de agrupamentos disciplinares vai favorecer esta convergência. É necessário reconhecer que, na segunda metade do século XX, houve uma revolução científica, reagrupando as disciplinas em ciências pluridisciplinares. Assim, há a cosmologia, as ciências da terra, a ecologia e a pré-história.

Por outro lado, as ciências da terra nos inscrevem neste planeta formado por fragmentos cósmicos, resultados de uma explosão de sóis anteriores. Resta saber como estes fragmentos reunidos e aglomerados puderam criar uma tal organização, uma auto-organização, para nos dar este planeta. É necessário mostrar que ele gerou a vida, e a nós somos, filhos da vida. A biologia, com a teoria da evolução, nos prova como trazemos dentro de nós, efetivamente, o processo de desenvolvimento da primeira célula vivente, que se multiplicou e se diversificou.

Quando sonhamos com nossa identidade, devemos pensar que temos partículas que nasceram no despertar do universo. Temos átomos de carbono que se formaram em sóis anteriores ao nosso, pelo encontro de três núcleos de hélio que se constituíram em moléculas e neuromoléculas na terra. Somos todos filhos do cosmos, mas nos transformamos em estranhos através de nosso conhecimento e de nossa cultura. Portanto, é preciso ensinar a unidade dos três destinos, porque somos indivíduos, mas como indivíduos somos, cada um, um fragmento da sociedade e da espécie Homo sapiens, à qual pertencemos. E o importante é que somos uma parte da sociedade, uma parte da espécie, seres desenvolvidos sem os quais a sociedade não existe. A sociedade só vive com essas interações.

É importante, também, mostrar que, ao mesmo tempo em que o ser humano é múltiplo, ele é parte de uma unidade. Sua estrutura mental faz parte da complexidade humana. Portanto, ou vemos a unidade do gênero e esquecemos a diversidade das culturas e dos indivíduos, ou vemos a diversidade das culturas e não vemos a unidade do ser humano.  Esse problema vem causando polêmicas desde o século XVIII, quando Voltaire disse: "os chineses são iguais a nós, têm paixões, choram". E Herbart, o pensador alemão, afirmou: "entre uma cultura e outra não há comunicação, os seres são diferentes". Os dois tinham razão, mas na realidade essas duas verdades têm que ser articuladas. Nós temos os elementos genéticos da nossa diversidade e, é claro, os elementos culturais da nossa diversidade.

É preciso lembrar que rir, chorar, sorrir, não são atos aprendidos ao longo da educação, são inatos, mas modulados de acordo com a educação. Heigerfeld fez uma observação sobre uma jovem surda-muda de nascença que ria, chorava e sorria. Atualmente, estudos demonstram que o feto começa a sorrir no ventre da mãe. Talvez porque não saiba o que o espera depois... Mas isso nos permite entender a nossa realidade, nossa diversidade e singularidade.

Chegamos, então, ao ensino da literatura e da poesia. Elas não devem ser consideradas como secundárias e não essenciais. A literatura é para os adolescentes uma escola de vida e um meio para se adquirir conhecimentos. As ciências sociais vêem categorias e não indivíduos sujeitos a emoções, paixões e desejos. A literatura, ao contrário, como nos grandes romances de Tolstoi, aborda o meio social, o familiar, o histórico e o concreto das relações humanas com uma força extraordinária. Podemos dizer que as telenovelas também nos falam sobre problemas fundamentais do homem; o amor, a morte, a doença, o ciúme, a ambição, o dinheiro. Temos que entender que todos esses elementos são necessários para entender que a vida não é aprendida somente nas ciências formais. E a literatura tem a vantagem de refletir sobre a complexidade do ser humano e sobre a quantidade incrível de seus sonhos.

Podemos, então, compreender a complexidade humana através da literatura. A poesia nos ensina a qualidade poética da vida, essa qualidade que nós sentimos diante de fatos da realidade. Como, por exemplo, os espetáculos da natureza: o céu de Brasília que é tão bonito. A vida não deve ser uma prosa que se faça por obrigação. A vida é viver poeticamente na paixão, no entusiasmo.

Para que isso aconteça, devemos fazer convergir todas as disciplinas conhecidas para a identidade e para a condição humana, ressaltando a noção de homo sapiens; o homem racional e fazedor de ferramentas, que é, ao mesmo tempo, louco e está entre o delírio e o equilíbrio, nesse mundo de paixões em que o amor é o cúmulo da loucura e da sabedoria.

O homem não se define somente pelo trabalho, mas também pelo jogo. Não só as crianças, como também os adultos gostam de jogar. Por isso vemos partidas de futebol. Nós somos Homo ludens, além de Homo economicus. Não vivemos só em função do interesse econômico. Há, também, o homo mitologicus, isto é, vivemos em função de mitos e crenças. Enfim o homem é prosaico e poético. Como dizia Hölderling: "O homem habita poeticamente na terra, mas também prosaicamente e se a prosa não existisse, não poderíamos desfrutar da poesia".

A Compreensão Humana

O quarto aspecto é sobre a compreensão humana. Nunca se ensina sobre como compreender uns aos outros, como compreender nossos vizinhos, nossos parentes, nossos pais. O que significa compreender?

A palavra compreender vem do latim, compreendere, que quer dizer: colocar junto todos os elementos de explicação, ou seja, não ter somente um elemento de explicação, mas diversos. Mas a compreensão humana vai além disso, porque, na realidade, ela comporta uma parte de empatia e identificação. O que faz com que se compreenda alguém que chora, por exemplo, não é analisar as lágrimas no microscópio, mas saber o significado da dor, da emoção. Por isso, é preciso compreender a compaixão, que significa sofrer junto. É isto que permite a verdadeira comunicação humana.

A grande inimiga da compreensão é a falta de preocupação em ensiná-la. Na realidade, isto está se agravando, já que o individualismo ganha um espaço cada vez maior. Estamos vivendo numa sociedade individualista, que favorece o sentido de responsabilidade individual, que desenvolve o egocentrismo, o egoísmo e que, consequentemente, alimenta a autojustificação e a rejeição ao próximo. A redução do outro, a visão unilateral e a falta de percepção sobre a complexidade humana são os grandes empecilhos da compreensão. Outro aspecto da incompreensão é a indiferença. E, por este lado, é interessante abordar o cinema, que os intelectuais tanto acusam de alienante. Na verdade, o cinema é uma arte que nos ensina a superar a indiferença, pois transforma em heróis os invisíveis sociais, ensinando-nos a vê-los por um outro prisma. Charlie Chaplin, por exemplo, sensibilizou platéias inteiras com o personagem do vagabundo. Outro exemplo é Coppola, que popularizou os chefes da Máfia com "O Chefão". No teatro, temos a complexidade dos personagens de Shakspeare: reis, gangsters, assassinos e ditadores. No cinema, como na filosofia de Heráclito: "Despertados, eles dormem". Estamos adormecidos, apesar de despertos, pois diante da realidade tão complexa, mal percebemos o que se passa ao nosso redor.

Por isso, é importante este quarto ponto: compreender não só os outros como a si mesmo, a necessidade de se auto-examinar, de analisar a autojustificação, pois o mundo está cada vez mais devastado pela incompreensão, que é o câncer do relacionamento entre os seres humanos.

A Incerteza

O quinto aspecto é a incerteza. Apesar de, nas escolas, ensinar-se somente as certezas, como a gravitação de Newton e o eletromagnetismo, atualmente a ciência tem abandonado determinados elementos mecânicos para assimilar o jogo entre certeza e incerteza, da micro-física às ciências humanas. É necessário mostrar em todos os domínios, sobretudo na história, o surgimento do inesperado. Eurípides dizia no fim de três de suas tragédias que: "os deuses nos causam grandes surpresas, não é o esperado que chega e sim o inesperado que nos acontece". É a velha idéia de 2.500 anos, que nós esquecemos sempre.

As ciências mantêm diálogos entre dados hipotéticos e outros dados que parecem mais prováveis. Os processos físicos, assim como outros também, pressupõem variações que nos levam à desordem caótica ou à criação de uma nova organização, como nas teorias sobre a incerteza de Prigogine, baseadas nos exemplos dos turbilhões de Born. Analisando retroativamente a história da vida, constata-se que ela não foi linear, que não teve uma evolução de baixo para cima. A evolução segundo Darwin foi uma evolução composta de ramificações, a exemplo do mundo vegetal e o mundo animal. O homem vem de uma dessas ramificações e conseguiu chegar à consciência e à inteligência, mas não somos a meta da evolução, fazemos parte desse processo. A história da vida foi, na verdade, marcada por catástrofes.

As duas guerras mundiais destruíram muito na primeira metade do século XX. Três grandes impérios da época, por exemplo, o romano-otomano, o austro-húngaro e o soviético, desapareceram.

Isto nos demonstra a necessidade de ensinar o que chamamos de ecologia da ação: a atitude que se toma quando uma ação é desencadeada e escapa ao desejo e às intenções daquele que a provocou, desencadeando influências múltiplas que podem desviá-la até para o sentido oposto ao intencionado.

A história humana está repleta de exemplos dessa natureza. O mais evidente no final do século XX foi o projeto político de Gorbatchev, que pretendeu reformar o sistema político da União Soviética, mas acabou provocando o começo de sua própria desagregação e implosão.

Assim tem acontecido em todas as etapas da história. O inesperado aconteceu e acontecerá, porque não temos futuro e não temos certeza nenhuma do futuro. As previsões não foram concretizadas, não existe determinismo do progresso. Os espíritos, portanto, têm que ser fortes e armados para enfrentarem essa incerteza e não se desencorajarem.

Essa incerteza é uma incitação à coragem. A aventura humana não é previsível, mas o imprevisto não é totalmente desconhecido. Somente agora se admite que não se conhece o destino da aventura humana. É necessário tomar consciência de que as futuras decisões devem ser tomadas contando com o risco do erro e estabelecer estratégias que possam ser corrigidas no processo da ação, a partir dos imprevistos e das informações que se tem.

A Condição Planetária

O sexto aspecto é a condição planetária, sobretudo na era da globalização no século XX – que começou, na verdade no século XVI com a colonização da América e a interligação de toda a humanidade. Esse fenômeno que estamos vivendo hoje, em que tudo está conectado, é um outro aspecto que o ensino ainda não tocou, assim como o planeta e seus problemas, a aceleração histórica, a quantidade de informação que não conseguimos processar e organizar.

Este ponto é importante porque existe, neste momento, um destino comum para todos os seres humanos. O crescimento da ameaça letal se expande em vez de diminuir: a ameaça nuclear, a ameaça ecológica, a degradação da vida planetária. Ainda que haja uma tomada de consciência de todos esses problemas, ela é tímida e não conduziu ainda a nenhuma decisão efetiva. Por isso, faz-se urgente a construção de uma consciência planetária.

É necessária uma certa distância em relação ao imediato para podermos compreendê-lo. E, atualmente, dada a aceleração e a complexidade do mundo, é quase impossível. Mas, faz-se necessário ressaltar, é esta a dificuldade. É necessário ensinar que não é suficiente reduzir a um só a complexidade dos problemas importantes do planeta, como a demografia, ou a escassez de alimentos, ou a bomba atômica, ou a ecologia. Os problemas estão todos amarrados uns aos outros.

Daqui para frente, existem, sobretudo, os perigos de vida e morte para a humanidade, como a ameaça da arma nuclear, como a ameaça ecológica, como o desencadeamento dos nacionalismos acentuados pelas religiões. É preciso mostrar que a humanidade vive agora uma comunidade de destino comum.

A Antropo-ética

O último aspecto é o que vou chamar de antropo-ético, porque os problemas da moral e da ética diferem a depender da cultura e da natureza humana. Existe um aspecto individual, outro social e outro genético, diria de espécie. Algo como uma trindade em que as terminações são ligadas: a antropo-ética. Cabe ao ser humano desenvolver, ao mesmo tempo, a ética e a autonomia pessoal (as nossas responsabilidades pessoais), além de desenvolver a participação social (as responsabilidades sociais), ou seja, a nossa participação no gênero humano, pois compartilhamos um destino comum.

A antropo-ética tem um lado social que não tem sentido se não for na democracia, porque a democracia permite uma relação indivíduo-sociedade e nela o cidadão deve se sentir solidário e responsável. A democracia permite aos cidadãos exercerem suas responsabilidades através do voto. Somente assim é possível fazer com que o poder circule, de forma que aquele que foi uma vez controlado, terá a chance de controlar. Porque a democracia é, por princípio, um exercício de controle.

Não existe, evidentemente, democracia absoluta. Ela é sempre incompleta. Mas sabemos que vivemos em uma época de regressão democrática, pois o poder tecnológico agrava cada vez mais os problemas econômicos. Na verdade, é importante orientar e guiar essa tomada de consciência social que leva à cidadania, para que o indivíduo possa exercer sua responsabilidade.

Por outro lado, a ética do ser humano está se desenvolvendo através das associações não-governamentais, como os Médicos Sem Fronteiras, o Greenpeace, a Aliança pelo Mundo Solidário e tantas outras que trabalham acima de entidades religiosas, políticas ou de Estados nacionais, assistindo aos países ou às nações que estão sendo ameaçadas ou em graves conflitos. Devemos conscientizar a todos sobre essas causas tão importantes, pois estamos falando do destino da humanidade.

Seremos capazes de civilizar a terra e fazer com que ela se torne uma verdadeira pátria? Estes são os sete saberes necessários ao ensino. E não digo isso para modificar programas. Na minha opinião, não temos que destruir disciplinas, mas sim integrá-las, reuni-las em uma ciência como, por exemplo, as ciências da terra (a sismologia, a vulcanologia, a meteorologia), todas elas articuladas em uma concepção sistêmica da terra.

Penso que tudo deva estar integrado para permitir uma mudança de pensamento; para que se transforme a concepção fragmentada e dividida do mundo, que impede a visão total da realidade. Essa visão fragmentada faz com que os problemas permaneçam invisíveis para muitos, principalmente para muitos governantes.

E hoje que o planeta já está, ao mesmo tempo, unido e fragmentado, começa a se desenvolver uma ética do gênero humano, para que possamos superar esse estado de caos e começar, talvez, a civilizar a terra.

 

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Março 08, 2009

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Postado por Ana A. S. Cesar

 

 

 

“Se te perguntarem quem era essa que às areias e gelos quis ensinar a primavera...”: é assim que Cecília Meireles inicia um dos seus poemas. Ensinar primavera às areias e gelos é coisa difícil. Gelos e areias nada sabem sobre primaveras... Pois eu desejaria saber ensinar a solidariedade a quem nada sabe sobre ela. O mundo seria melhor. Mas como ensiná-la?
Será possível ensinar a beleza de uma sonata de Mozart a um surdo? Como? - se ele não ouve. E poderei ensinar a beleza das telas de Monet a um cego? De que pedagogia irei me valer para comunicar cores e formas a quem não vê? Há coisas que não podem ser ensinadas. Há coisas que estão além das palavras. Os cientistas, filósofos e professores são aqueles que se dedicam a ensinar as coisas que podem ser ensinadas. Coisas que podem ser ensinadas são aquelas que podem ser ditas. Sobre a solidariedade muitas coisas podem ser ditas. Por exemplo: acho possível desenvolver uma psicologia da solidariedade. Acho também possível desenvolver uma sociologia da solidariedade. E, filosoficamente, uma ética da solidariedade... Mas os saberes científicos e filosóficos da solidariedade não ensinam a solidariedade, da mesma forma como a crítica da música e da pintura não ensina às pessoas a beleza da música e da pintura. A beleza é inefável; está além das palavras.
Palavras que ensinam são gaiolas para pássaros engaioláveis. Os saberes, todos eles, são pássaros engaiolados. Mas a solidariedade é um pássaro que não pode ser engaiolado. Ela não pode ser dita. A solidariedade pertence a uma classe de pássaros que só existem em vôo. Engaiolados, esses pássaros morrem.
A beleza é um desses pássaros. A beleza está além das palavras. Walt Whitman tinha consciência disso quando disse: "Sermões e lógicas jamais convencem. O peso da noite cala bem mais fundo em minha alma... Ele conhecia os limites das suas próprias palavras. E Fernando Pessoa sabia que aquilo que o poeta quer comunicar não se encontra nas palavras que ele diz: ela aparece nos espaços vazios que se abrem entre elas, as palavras. Nesse espaço vazio se ouve uma música. Mas essa música - de onde vem ela se não foi o poeta que a tocou?
Não é possível fazer uma prova colegial sobre a beleza porque ela não é um conhecimento. E nem é possível comandar a emoção diante da beleza. Somente atos podem ser comandados. Ordinário! Marche!", o sargento ordena. Os recrutas obedecem. Marcham. À ordem segue-se o ato. Mas sentimentos não podem ser comandados. Não posso ordenar que alguém sinta a beleza que estou sentindo.
O que pode ser ensinado são as coisas que moram no mundo de fora: astronomia, física, química, gramática, anatomia, números, letras, palavras. Mas há coisas que não estão do lado de fora. Coisas que moram dentro do corpo. Enterradas na carne, como se fossem SEMENTES À ESPERA...
Sim, sim! Imagine isso: o corpo como um grande canteiro! Nele se encontram, adormecidas, em estado de latência, as mais variadas sementes - lembre-se da estória da Bela Adormecida! Elas poderão acordar, brotar. Mas poderão também não brotar. Tudo depende... As sementes não brotarão se sobre elas houver uma pedra. E também pode acontecer que, depois de brotar, elas sejam arrancadas... De fato, muitas plantas precisam ser arrancadas, antes que cresçam. Nos jardins há pragas: tiriricas, picões...
Uma dessas sementes tem o nome de "solidariedade". A solidariedade não é uma entidade do mundo de fora, ao lado de estrelas, pedras, mercadorias, dinheiro, contratos. Se ela fosse uma entidade do mundo de fora ela poderia ser ensinada. A solidariedade é uma entidade do mundo interior. Solidariedade nem se ensina, nem se ordena, nem se produz. A solidariedade, semente, tem de nascer.
Veja o ipê florido! Nasceu de uma semente. Depois de crescer não será necessária nenhuma técnica, nenhum estímulo, nenhum truque para que ele floresça. Angelus Silésius, místico antigo, tem um verso que diz: “A rosa não tem por quês. Ela floresce porque floresce." O ipê floresce porque floresce. Seu florescer é um simples transbordar natural da sua verdade.
A solidariedade é como o ipê: nasce e floresce. Mas não em decorrência de mandamentos éticos ou religiosos. Não se pode ordenar: "Seja solidário!" Ela acontece como simples transbordamento. Da mesma forma como o poema é um transbordamento da alma do poeta e a canção um transbordamento da alma do compositor...
Disse que solidariedade é um sentimento. É esse o sentimento que nos torna humanos. É um sentimento estranho - que perturba nossos próprios sentimentos. A solidariedade me faz sentir sentimentos que não são meus, que são de um outro. Acontece assim: eu vejo uma criança vendendo balas num semáforo. Ela me pede que eu compre um pacotinho das suas balas. Eu e a criança - dois corpos separados e distintos. Mas, ao olhar para ela, estremeço: algo em mim me faz imaginar aquilo que ela está sentindo. E então, por uma magia inexplicável, esse sentimento imaginado se aloja junto aos meus próprios sentimentos. Na verdade, desaloja meus sentimentos, pois eu vinha vindo, no meu carro, com sentimentos leves e alegres, e agora esse novo sentimento se coloca no lugar deles. O que sinto não são meus sentimentos. Foi-se a leveza e a alegria que me faziam cantar. Agora, são os sentimentos daquele menino que estão dentro de mim. Meu corpo sofre uma transformação: ele não é mais limitado pela pele que o cobre. Expande-se.
Ele está agora ligado a outro corpo que passa a ser parte dele mesmo. Isso não acontece nem por decisão racional, nem por convicção religiosa e nem por um mandamento ético. É o jeito natural de ser do meu próprio corpo, movido pela solidariedade. Acho que esse é o sentido do dito de Jesus que temos de amar o próximo como amamos a nós mesmos. Pela magia do sentimento de solidariedade o meu corpo passa a ser morada do outro. É assim que acontece a bondade.
Mas fica pendente a pergunta inicial: como ensinar primaveras a gelos e areias? Para isso as palavras do conhecimento são inúteis. Seria necessário fazer nascer ipês no meio dos gelos e das areias! E eu só conheço uma palavra que tem esse poder: a palavra dos poetas. Ensinar solidariedade? Que se façam ouvir as palavras dos poetas nas igrejas, nas escolas, nas empresas, nas casas, na televisão, nos bares, nas reuniões políticas, e, principalmente, na solidão...
O menino me olhou com olhos suplicantes.
E, de repente, eu era um menino que olhava com olhos suplicantes...


Rubem Alves

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Postado por Ana A. S. Cesar

CENTENÁRIO PATATIVA DO ASSARÉ


Apresentar a vida e obra de Patativa ao mundo de hoje é fazer uma grande viagem pelos rincões do Brasil de todos os tempos, com suas contradições e contrastes seculares

 

Exposição temática sobre Patativa do Assaré

De 07 de março a 05 de abril

Curadoria e acervo de Assis Ângelo

Exposição em homenagem ao poeta, com exemplares originais de seus livros e folhetos de cordel de Patativa do Assaré; publicações em jornais e revistas sobre o poeta, além de acervo fonográfico e fotográfico.


Palestras


Patativa do Assaré - vida e obra

Com Assis Ângelo
Sábado, dia 07 de março, às 20 horas

Antônio Gonçalves da Silva, nacional e internacionalmente conhecido por Patativa do Assaré (1909-2002), um orgulho do Brasil.


A xilogravura nos cordéis

Com Valdeck de Garanhuns
Sábado, dia 14 de março, às 20 horas

O poeta de literatura de cordel, xilogravador e mestre de teatro de mamulengos, Valdeck de Garanhuns, falará sobre a presença da xilogravura nos cordéis, como ela se desenvolveu no Nordeste e se espalhou por todo o país.


Patativa do Assaré e o reino da cantoria

Com Assis Ângelo
Participação especial de Sebastião Marinho e Luzivan Mathias

Sábado, dia 21 de março, às 20 horas

Será abordado o universo da cantoria, a partir de suas origens na Idade Média; suas características e principais representantes, lembrando da origem do poeta Patativa do Assaré como cantador repentista.
Assis Ângelo será acompanhado pela dupla de cantadores repentistas Sebastião Marinho e Luzivan Matias, que apresentará algumas das inúmeras modalidades do repentismo, como Sextilha, Gemedeira, Gabinete, Martelo Malcriado, Galope Beira-Mar e Treze por Doze, sendo que muitas dessas modalidades estão praticamente extintas.

Literatura de cordel para jovens e crianças e lançamento do livro: 'O Valente Domador'
Com César Obeid

Sábado, dia 28 de março, às17 horas

O escritor e educador, por meio de contação de histórias, improvisos e dinâmicas com rimas, abordará a literatura de cordel destinada ao público infanto-juvenil. Haverá também o lançamento do livro 'O Valente Domador' da Editora Scipione que trata do uso dos animais pelos circos.


Ideias para a discussão de uma poética popular

Com Ricardo Azevedo
Sábado, dia 28 de março, às 20 horas

Pretende-se apontar algumas características do contexto sócio-cultural brasileiro, profundamente marcado pela cultura popular; discutir a hipótese da existência de diferentes padrões culturais, éticos e estéticos; lançar ideias a respeito do que poderia ser considerada uma visão de mundo popular para, finalmente, mostrar comparativamente certos temas e procedimentos com a palavra recorrente no discurso popular.

Oficinas de xilogravura
Com Nireuda Longobardi

Quintas-feiras, dias 05, 12, 19 e 26 de março, das 16 às 18 horas

Oficina de xilogravura com o tema 'Patativa do Assaré', com técnicas mistas. Os participantes produzirão gravuras relacionadas à literatura de cordel.


Repentistas na hora do almoço

Com Sebastião Marinho e Luzivan Mathias
Sextas-feiras, dias 06, 13, 20 e 27 de março, das 12h30 às 13h10

Os cantadores farão versos improvisados ao som da viola, interagindo com a plateia. O improviso poético nordestino é uma rara demonstração de habilidade mental e riqueza de conteúdo e rimas.

Cursos
30 vagas

As inscrições podem ser feitas na recepção da Casa das Rosas, de terça a domingo, das 10 às 18 horas. Documentação necessária: 1 foto 3X4; xerox do RG; xerox do comprovante de residência. Taxa: R$ 10

Encantando Palavras

Com Tatiana Fraga
Terças-feiras, dias 17, 24 e 31 de março e 07 e 14 de abril. Das 16 às 17 horas

Oficinas de poesia para crianças, trabalhando desde cantigas de roda, parlendas e trava-línguas, até poetas que se dedicaram à literatura infantil. As aulas acontecem com jogos, brincadeiras e a construção e desconstrução das palavras.

Contação e construção de histórias em cordel
Com César Obeid

Quartas-feiras, dias 11, 18 e 25 de março e 01, 08 e15 de abril. Das 19h00 às 21 horas

Como escrever e contar as diversas modalidades da literatura de cordel. Sextilha, setilha, oitavas, décimas etc. Dinâmicas de teatro de cordel trabalham a expressão corporal para o universo da poesia popular rimada e metrificada ser vivenciado plenamente.

O poder mágico do imaginário em J.R.R. Tolkien

Com Rosa Sílvia López
Quintas-feiras, dias 12, 19 e 26 de março e 02, 09 e16 de abril. Das 19h30 às 21h30

Literatura de fantasia; A palavra em Tolkien: descoberta e subcriação; Magia na obra e no cotidiano; Transformações e conexões.

Poesia visual
Com Daniele Gomes de Oliveira

Quintas-feiras, dias 12, 19 e 26 de março e 02, 09 e16 de abril. Das 19h30 às 21h30

O curso tratará das relações entre poesia e visualidade partindo da poesia concreta até a poesia intersemiótica.

Projeto Escrevivendo com interface para blogagem
Seres imaginários

Coordenação: Karen Kipnis
Com Gabriela Fonseca e Livia Barros (às terças-feiras), e Sandra Schamas com a participação de Mafuane Oliveira (aos sábados)

Terças-feiras, dias 10, 17, 24 e 31 de março e 07, 14, 21 e 28 de abril. Das 19h30 às 22 horas

Sábados, dias 07, 14, 21 e 28 de março e 04, 11 e 18 de abril. Das 10h30 às 13h30

Com a proposta de incentivar jovens e adultos a produzirem textos e a refletirem sobre sua maneira de escrever, a oficina pretende desmistificar o ato da escrita, transformando-o num processo centrado na reflexão sobre o assunto, a forma textual adotada, o papel do leitor e o encadeamento das ideias. Assim, o objetivo do Projeto Escrevivendo é, também, tornar os autores leitores críticos de seus próprios textos.

Dança e poesia: Manoel de Barros

Com Cia. Micrantos
Sábados, dias 07, 14, 21 e 28 de março e 04, 11, 18 e 25 de abril. Das 11 às 13 horas

Encontros com o objetivo de realizar pequenas criações inspiradas em poesias de Manoel de Barros, especialmente aquelas que compõe a trilogia Memórias Inventadas.

Covers delirantes

Oficina de reescrituras e criações
Com Allan Mills

Sábados, dias 21 e 28 de março e 04, 11, 18 e 25 de abril, das 14 às 16 horas

As reescrituras é uma forma de escrita que, posterior à leitura de um livro, gera - por simulação, paródia ou homenagem - um novo poema ou uma série de poemas que transversalizam essa arquitetura, sua paisagem lírica ou algum espaço do dito devir textual.
Uma reescritura não é, segundo HH Montecinos, "nem cópia, nem citação, nem colagem, e sim a criação de um texto absolutamente distinto ao que se reescreve".


Poesia aperitivo

Com Frederico Barbosa
Quartas-feiras, dias 04, 11, 18 e 25 de março e dias 01, 08, 15 e 22 de abril, das 12h30 às 13h

Em meia hora de aula durante o almoço, momentos decisivos da história da literatura brasileira serão abordados em oito encontros vibrantes capazes de despertar o interesse do leitor pelas obras.

Gregório de Matos - dia 04/03
Alvares de Azevedo - dia 11/03

Castro Alves - dia 18/03
Augusto dos Anjos - dia 25/03

Manuel Bandeira - dia 01/04
Carlos Drummond de Andrade - dia 08/04

João Cabral de Melo Neto - 15/04
Augusto de Campos - 22/04


Programação dia da mulher

Dia 08 de março, domingo

17 horas
Sarau Chama poética com o tema do feminino, com os músicos Mario Feres, Paulinho Vieira e Vânia Lucas e declamação de poemas por Rita Alves, Francesca Cricelli e Flora Figueiredo. Direção e organização: Fernanda de Almeida Prado.

19 horas

Chama poética especial: Maysa
A cantora mezzo soprano Maria Dionete interpreta canções do repertório de Maysa, acompanhada no teclado por Silvia Regina Órfão.

 

Dia 12 de março, quinta-feira, às 20 horas

Consultório sentimental e a literatura
Palestra com Betty Milan

No passado, a educação sentimental era feita no contexto da família e por meio da literatura. Hoje, a educação na família é menos eficaz e a literatura é uma referência para poucos. As pessoas são deseducadas em relação ao próprio sentimento. A prática do consultório sentimental se inscreve numa tradição inaugurada por Sêneca e tem em Nelson Rodrigues o seu principal representante no Brasil.

Visitas educativas na Casa das Rosas

Visitas agendadas (mínimo 10 pessoas)
De terça a sexta-feira, das 10 às 12 horas e das 14 às 16 horas

Visitas espontâneas

De terça a sexta-feira: horários diversos
Aos sábados às 12 horas e às 16 horas

Serviço

Casa das Rosas - Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura

Avenida Paulista, 37
Tel.: (11) 3285.6986

Horário de funcionamento
De terça-feira a sexta-feira, das 10 às 22 horas

Sábados e domingos, das 10 às 18 horas (com possibilidade de alteração de acordo com a programação).
Convênio com o estacionamento Patropi - Alameda Santos, 74

Dúvidas, críticas e sugestões:

contato.cr@poiesis.org.br

 

Palavras-chave: Cordel, Cultura, Literatura, Mulher, Poesias

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 Ó Deus, nós te damos graças por este universo, nosso lar; pela sua vastidão e riqueza, pela exuberância da vida que o enche e da qual somos parte. Nós te louvamos pela abóbada celeste e pelos ventos, grávidos de bênçãos, pelas nuvens que navegam e as constelações, lá no alto.

Nós te louvamos pelos oceanos, pelas correntes frescas, pelas montanhas que não se acabam, pelas árvores, pelo capim sob os nossos pés. Nós te louvamos pelos nossos sentidos: poder ver o esplendor da manhã, ouvir as canções dos namorados, sentir o hálito bom das flores da primavera.

Dá-nos, rogamos-te, um coração aberto a toda esta alegria e a toda esta beleza, e livra as nossas almas da cegueira que vem da preocupação com as coisas da vida e das sombras das paixões, a ponto de passar sem ver e sem ouvir até mesmo quando a sarça, ao lado do caminho, se incendeia com a glória de Deus. Alarga em nós o senso de comunhão com todas as coisas vivas, nossas irmãs, a quem deste esta terra por lar, juntamente conosco.

Lembramo-nos, com vergonha, de que no passado nos aproveitamos do nosso maior domínio e dele fizemos uso com crueldade sem limites, tanto assim que a voz da terra, que deveria ter subido a ti numa canção, tornou-se um gemido de dor.

Que aprendamos que as coisas vivas não vivem só para nós; que elas vivem para si mesmas e para ti, que elas amam a doçura da vida tanto quanto nós, e te servem, no seu lugar, melhor que nós no nosso.

Quando chegar o nosso fim, e não mais pudermos fazer uso deste mundo, e tivermos de dar nosso lugar a outros, que não deixemos coisa alguma destruída pela nossa ambição ou deformada pela nossa ignorância. Mas que passemos adiante nossa herança comum mais bela e mais doce, sem que lhe tenha sido tirado nada da sua fertilidade e alegria, e assim nossos corpos possam retornar em paz para o ventre da grande mãe que os nutriu e os nossos espíritos possam gozar da vida perfeita em ti.

  (Orações por um mundo melhor, Walter Rauschenbusch, PAULUS, 1997)

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“Quando falta a saúde a sabedoria não se revela, a arte não se manifesta, a
força não luta, a riqueza é inútil e a inteligência é inaplicável.”

Herophilus, C. 335 a.C. – 280 a.C

fonte: Blog do Pava 

Palavras-chave: Blog, Filósofos

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Eles estão vivos. Falam em diversos idiomas. Escondem-se. Dão sustos. Fogem correndo. Voltam humildes. Ficam esgotados e se recuperam. Morrem, porque estão vivos. Ressuscitam, porque estão vivos.

Estão vivos, andam ao meu redor, me acordam no meio da noite, me levam para passear. Propõem charadas. Cantam, contam, esquentam minha frialdade, matam minha solidão, torturam meu tédio.

Vivos, falam o tempo todo da vida, e da morte. Falam de pontos e linhas. Falam de curvas e retas. Falam de nuvens e pedras. Não temem nenhum assunto. Tudo o que é humano lhes é familiar.

Vivos estão debaixo da cama, enquanto roncamos e sonhamos, sem saber o que planejam. Planejam tomar nosso cérebro. Ocupar nosso coração. Planejam reconduzir nossos pesadelos. Planejam atuar sobre os nossos planos.

Vivos estão sobrevoando as casas, enquanto rastejamos. Vivos estão no porão, no armário trancado, na sala sem ar.

Vivos, compulsivos, cumulativos. Invasivos como doenças. O que são? O que são? Não se deixam levar, não facilitam a nossa vida.

Nem sempre estiveram tão vivos. Antes, eram pontos obscuros em mentes diferentes, insurgentes. Eram intuições vagas, imagens confusas, palavras soltas, diálogos cortados.

Mas quando se tornaram coisas vivas, conseguiram gerar outras vidas. São multiplicativos, insaciáveis, milagrosos.

Quando estão em nossas mãos, essas coisas vivas ganham novos formatos. Emitem sons de todos os tipos, belos e horrorosos, insinuantes e detestáveis, harmoniosos e desafinados.

Porque são vivos, eles me perturbam, eles nos perturbam. Você e eu não podemos evitá-los, não podemos mais viver sem eles. A vida que transborda neles é a vida que nos falta viver. Bebemos neles a vida que queremos ter.

Se vivos não fossem, não teriam essa força toda. Não estariam tão próximos de nós, mais próximos do que os animais de estimação, mais íntimos do que muitos daqueles que se dizem amigos nossos.

Vivos, podem ser queimados. Vivos, podem ser vendidos, doados, emprestados, esquecidos, reencontrados.

Vivos estão. Mais vivos do que pensamos. Mais vivos do que gostaríamos, talvez. Gritando, uivando, gemendo, os livros vivos nos fazem pensar além da conta, nos fazem lembrar realidades que gostaríamos de eliminar, os livros vivos nos fazem imaginar fora de hora.

Vivos estão os livros, objetos que deixaram de ser objetos.

Vivos livros, vivos quando os lemos. Ou até mais vivos, quando os deixamos de lado.

Livros vivos que vivem em mim, e em nós.

Escrito por Gabriel Perissé

Em reconhecimento estão José Miguel Wisnik, Luiz Tatit, Alfredo Bosi (editor da revista Estudos Avançados e membro da Academia Brasileira de Letras), Augusto de Campos, Haroldo de Campos, já falecido, e outros mestres inesquecíveis. 

“Guarda estes versos que escrevi chorando como um alívio a minha saudade, como um dever do meu amor; e quando houver em ti um eco de saudade, beija estes versos que escrevi chorando.” (Machado de Assis)

 

Palavras-chave: Literatura Brasileira, Textos, USP

Esta mensagem está sob a licença CreativeCommons Atribuição.

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Março 14, 2009

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http://proinov.moodle-pt.com.pt/course/view.php?id=72&cal_m=4&cal_y=2009  






1) Pleonasmo - [Do gr. pleonasmós, ‘superabundância’, pelo lat. tard. pleonasmu.]
1.E. Ling. Redundância de termos que em certos casos têm emprego legítimo, para conferir à expressão mais vigor, ou clareza. Ex.: Vi com estes olhos que a terra há de comer.

2) Trata-se de termo genérico, que tanto pode adornar a linguagem, como torná-la feia e sem encanto. No primeiro caso, em que se busca dar força à expressão, chama-se pleonasmo de estilo. Ex.: "Vi com meus próprios olhos". No segundo caso, caracteriza vício da linguagem e chama-se pleonasmo vicioso, porquanto, longe de enfeitar o estilo, apenas repete desnecessariamente idéia já referida. Ex.: "Subir para cima".

3) Expressões com pleonasmo de estilo trata-se de construção irrepreensível, porque "o pleonasmo deixa de considerar-se vício para classificar-se como figura desde que, sem tornar deselegante a frase, contribua para dar maior relevo à idéia".1

4) Quanto à Tautologia (de tautos, em grego, que exprime a idéia de mesmo, de idêntico), trata-se de outra denominação que recebe o pleonasmo vicioso e se caracteriza pela seguida repetição, por meio de palavras diferentes, de um pensamento anteriormente enunciado, baseando-se "no desconhecimento da verdadeira significação dos termos empregados, provocando redundância ou condenável demasia verbal".2

5) Além dos lapsos mais comuns nesse campo (subir para cima, descer para baixo, entrar para dentro, sair para fora, menino homem...) e verificáveis até com perfunctório cuidado, há outros de identificação mais difícil, mas que, de igual modo, devem ser evitados, ainda que à custa de maior atenção: breve alocução (alocução já significa um discurso breve), monopólio exclusivo (está ínsita em monopólio a idéia de exclusividade), principal protagonista (protagonista já é o personagem principal), manusear com as mãos (manusear já tem por radical, em latim, a idéia de atuar com as mãos), preparar de antemão (por força do prefixo latino pre, preparar já tem em si a idéia de anterioridade), prosseguir adiante (não há como prosseguir para trás, já que o prefixo latino pro tem o significado de movimento para a frente), prever antes (por força do prefixo latino pré, significando anterioridade, prever depois não é prever), prevenir antecipadamente (o prefixo latino pre já traz em si a idéia de anterioridade), repetir de novo (em razão do prefixo latino re, repetir já significa atuar de novo), boato falso (boato já significa um relato sem correspondência com a verdade).
Mas há outros, como você pode ver na lista a seguir: 

- elo de ligação
- acabamento
final
- certeza
absoluta
- quantia
exata
- nos dias 8, 9 e 10,
inclusive
- juntamente
com
-
expressamente proibido
- em duas metades
iguais
- sintomas
indicativos
- há anos
atrás
- vereador
da cidade
-
outra alternativa
- detalhes
minuciosos
- a razão é
porque
- anexo
junto à carta
- de sua
livre escolha
- superávit
positivo
-
todos foram unânimes
- conviver
junto
- fato
real
- encarar
de frente
- multidão
de pessoas
- amanhecer
o dia
- criação
nova
- retornar
de novo
- empréstimo
temporário
- surpresa
inesperada
- escolha
opcional
- planejar
antecipadamente
- abertura
inaugural
-
continua a permanecer
- a
última versão definitiva
-
possivelmente poderá ocorrer
- comparecer
em pessoa
- gritar
bem alto
- propriedade
característica
-
demasiadamente excessivo
- a seu critério
pessoal
- exceder
em muito

Note que todas essas repetições são dispensáveis.

Por exemplo, 'surpresa inesperada'. Existe alguma surpresa esperada?  É óbvio que não. 

Devemos evitar o uso das repetições desnecessárias. Fique atento às expressões que utiliza no seu dia-a-dia. Verifique se não está caindo nesta armadilha.

6) Nem sempre é fácil identificar tautologias, quer por desconhecimento do real significado das palavras, quer porque há expressões que estão enraizadas no uso e são de difícil expurgo: abertura inaugural, acabamento final, detalhes minuciosos, metades iguais, empréstimo temporário, encarar de frente, planejar antecipadamente, superávit positivo, vereador da cidade.

 

 

Palavras-chave: Gramática, videopost

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Março 15, 2009

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LINGUAGEM BRASILEIRA DE SINAIS – LIBRAS


O que significa LIBRAS?

Para entender o que é LIBRAS é necessário adentrar-se no universo da língua que, segundo alguns estudiosos como Sausurre é um sistema abstrato de regras gramaticais, é individual é considerada instrumento do pensamento. Para Bakhtin: O sistema semiótico criado e produzido no contexto social e dialógico, servindo como ele de ligação entre o psiquismo (características singulares do individuo) e a ideologia (valores sociais), os signos agem como mediadores desta relação.

A partir dessas definições sobre a língua acrescenta-se a linguagem de sinais, uma língua não universal que, através de movimentos gestos-visuais, servem de comunicação e de suporte de pensamentos às pessoas Surdas.

Sua história é longa, desde a Antiguidade, 4000 a.C, pelos greco-romanos, considerados seres humanos competentes, passando pela Idade Média 476 d.C, época que eram mal visto perante a igreja, por não poder falar os sacramentos, chegando a Idade Moderna a partir de 1453, na França, quando Ponce de Leon iniciou os primeiros trabalhos a educação dos surdos, o que ajudou consideravelmente pelo fato dele ser o primeiro professor surdo na historia, por fim chega-se a Idade Contemporânea, 1789 até os dias de hoje, que serviu de estudos e inúmeras pesquisas acadêmicas no campo da Lingüística, tornando-se fundamental, majoritária e obrigatória o seu convívio.

Foram alcançados Direitos aos surdos em todo mundo até então. E, como este texto está sendo desenvolvido pelo curso de Letras, com foco educacional, tratará do assunto pertinente a sua história, seus direitos, inclusão e respeito.

LEI Nº. 10.436 de 24 de abril de 2002.

Art. 1º É reconhecida como meio legal de comunicação e expressão a Língua Brasileira de Sinais – Libras e outros recursos de expressão a ela associados.

Art. 2º Diz que deve ser garantido, por parte do poder público em geral empresas concessionárias de serviços públicos de apoiar o uso e difusão da Língua Brasileira de Sinais, como meio de comunicação objetiva e corrente das comunidades surdas do Brasil.

Art. 3º As instituições públicas e concessionárias afins e serviços públicos devem prestar assistência de saúde ao portador de deficiência auditiva.

Art. 4º O sistema educacional em todas as esferas deve garantir o direito de inclusão nos cursos de formação de educação especial, desde a educação básica até o ensino superior, como parte integrante dos Parâmetros Curriculares Nacionais – PCNs, conforme legislação vigente.

Art. 5º Entrou em vigor em 24 de abril de 2002, 181º da Independência e 114º da República, pelo então Presidente da República Fernando Henrique Cardoso.

Por tanto, sendo assim, LIBRAS e considerada a segunda Língua do Brasil, depois da Língua Portuguesa e deve ser respeitada tanto quanto as outras formas de expressão e comunicação.

 

Fonte: Linguagem Brasileira de Sinais, Administração Regional do Senac no Estado de São Paulo. Módulo 01, 2º Edição Revisada. Senac, SP, 2006.

 

Como aprender a linguagem de sinais?

     Se você quer aprender a realmente SE COMUNICAR em Libras, vale o mesmo que para todas as línguas: só se aprende na prática.

     Os Surdos têm uma cultura própria e diferente da dos ouvintes. Da mesma maneira que você só aprende inglês bem estando nos EUA ou Inglaterra, você só aprende Libras bem estando na comunidade Surda.

     As pessoas surdas costumam ter bastante paciência com os ouvintes aprendizes, portanto não se sinta constrangido.

     Procure uma FENEIS ou APADA em sua cidade, eles sempre têm cursos básicos e avançados.  Algumas igrejas evangélicas, principalmente a Igreja Batista, também contam com celebrações específicas


BÍBLIA EM BRAILE - UMA CONQUISTA...UMA VITORIA


Na gráfica que só imprime escrituras sagradas, uma máquina prepara-se para fazer um milagre: publicar a primeira versão brasileira da Bíblia em braile, pontinhos em alto relevo que o deficiente visual toca, com a ponta dos dedos, para ler.
O volume encadernado vai ser vendido. E os livros em brochura, doados aos deficientes visuais.
"São 38 volumes em braile, dá pra ter uma boa idéia da proporção se a gente colocar todos esses volumes numa estante, você vai ter dois metros lineares", explica.
Para saber como receber esta Bíblia, de graça, entre em contato com a
Sociedade Bíblica do Brasil pelo telefone 0800-16-21-64, pelo e-mail
acaosocial@sbb.org.br
ou pela internet
www.sbb.org.br.


 

 

ALFABETO

 

Fonte: Sociedade Bíblica do Brasil

 

Ministério com Surdos Ephatá

A Bíblia nos relata, no Evangelho de Marcos (7.31-37), a passagem da cura de um surdo e um gago. Assim está escrito:“Trouxeram até Jesus um surdo, que falava dificilmente; e rogaram-lhe que pusesse a mão sobre ele. Jesus, pois, tirou-o de entre a multidão, à parte, pôs-lhe os dedos nos ouvidos e, cuspindo, tocou-lhe na língua; e erguendo os olhos ao céu, suspirou e disse-lhe: ‘Efatá’; isto é ‘Abre-te’. E abriram-se-lhe os ouvidos, a prisão da língua se desfez, e falava perfeitamente. As pessoas maravilharam-se dizendo: ‘Tudo tem feito bem; faz até os surdos ouvir e os mudos falar’.”

Este texto da Palavra de Deus nos mostra a preocupação do Senhor Jesus com os surdos. Desde Êxodo 4.11-12, o Senhor já se preocupava com eles e com os “surdos-mudos” – um grupo de pessoas que existia desde o início da história da humanidade. Isso nos mostra, também, que havia uma linguagem de sinais entre os surdos, uma vez que esta é uma linguagem natural deles, que nasce da necessidade de se comunicarem.

Jesus gastou tempo com os surdos e lhes dispensou especial amor. Comunicou-se com eles e, ainda, lhes ministrou a cura (Mt 11.5; Mc 7.32-37). Jesus também nos ensinou: “Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura.” (Mc 16.15). Com certeza os surdos estavam incluídos neste grupo, porque eles também são criaturas de Deus. Jesus os tratava de forma tão especial e diferenciada que o “tirou-o à parte de entre a multidão” (Mc 7.33), para ministra-lhe a cura.

Assim como diz a Palavra, Jesus deu-lhes um tratamento especial. O amor ágape, o amor superior de Jesus, não discrimina pela função, mas valoriza a pessoa por sua dignidade conferida por Deus, não vendo mais a surdez como uma deficiência propriamente dita, mas como um “diferencial”. O amor ágape não vê o surdo como um indivíduo doente, como uma orelha ou um aparelho fonador a ser salvo por fonoaudiólogos, reabilitadores etc..., mas como um indivíduo a ser amado e aceito por nós, a ser trabalhado, respeitando seu próprio conteúdo interior e cultura.

“Abre-te”, Lagoinha!

A Igreja Batista da Lagoinha “abriu o seu coração” para o trabalho com os surdos há 15 anos. O Ministério nasceu em 1992, por iniciativa de um pequeno grupo de membros da igreja, com o apoio dos pastores: Márcio Valadão e Jonas Neves. O grupo abraçou a visão do trabalho com surdos, trazida por uma missionária de “Jovens com uma Missão” (JOCUM), e logo se iniciaram as visitas a entidades e casas. Os obreiros aprenderam a Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS) e, em pouco tempo, estavam interpretando os cultos.

O nome do Ministério, “Ephatá” (baseado no texto de Marcos 7.31-37), é de origem aramaica e significa “sê aberto” – transliterado para o grego significa “abre-te”. Porém, o grupo optou pela escrita com “ph”, ficando o nome do Ministério – “Ephatá”.

Atualmente, a liderança é composta pelo pastor Cláudio Márcio de Souza Boaventura (líder do Ministério), por Núbia Nogueira Césari Aguila (obreira / coordenadora ouvinte), Pastor  Rainer da Silva Nonato (Pastor surdo) e uma equipe de intérpretes e voluntários que, juntos, trabalham em prol da comunidade surda.

Vários obreiros já se formaram no Ministério e cursos de Libras (Língua Brasileira de Sinais) têm sido ministrados em várias ocasiões. Pessoas que têm aprendido dentro das suas igrejas têm iniciado o ministério.

Uma das metas do “Ephatá” é conquistar os surdos para o Reino de Deus, pois eles vivem uma outra cultura e, por isso, precisam ser alcançados.

Ouvindo as mãos

A voz dos surdos são as mãos e os corpos que pensam, sonham e expressam. A Língua de Sinais envolve movimentos que podem parecer sem sentido para muitos, mas que significam a possibilidade de organizar as idéias, estruturar o pensamento e manifestar o significado da vida para os surdos. Pensar sobre a surdez requer penetrar no mundo dos surdos e ouvir as mãos que com alguns movimentos nos dizem o que fazer para tornar possível o contato entre mundos envolvidos.

Não é fácil para o surdo, assim como não é fácil para os ouvintes, entenderem uma “cultura” diferente. Para que não seja estrangeiro na cultura do outro, é necessário que se aceitem mutuamente e se respeitem como pessoas dignas. Entretanto, o culto, a forma de buscar a Deus para o surdo, é diferente. Eles precisam de sua língua especial, a LIBRAS, que tem ritmo e vibração diferentes. A Igreja do Senhor precisa aceitar essas diferenças. Os surdos são bilíngües. Para trabalhar com surdos, é preciso, antes de qualquer coisa, aprender. É preciso entrar para a cultura, ir ao seu encontro, ouvir e entender seu silêncio, a sua língua, aceitá-lo e falar sua linguagem, afinal, Deus se fez “carne e habitou entre nós” para nos falar do seu amor.

Missão

- Levar a Palavra de Deus, por intermédio do “Programa Som da Alma”, pela Rede Super de Televisão (canal 21UHF e 23 TV a cabo), de segunda à sexta-feira, às 7h da manhã com reprise às 12h.
- Cursos de LIBRAS – Língua Brasileira de Sinais, a segunda língua do país de acordo com a Lei nº 10.436, de 24 de abril de 2002 regulamentada pelo Decreto nº 5626 de 22 de dezembro de 2005.
- SOS Surdos: assistência geral na interação social dos surdos com serviço gratuito de interpretações gerais como igrejas, hospitais, órgãos públicos e quaisquer lugares que se fizerem necessários.
- Implantação de ministérios com surdos.
- Células: adulto e infantil – desenvolver o caráter de Cristo na vida dos surdos.
Aconselhamento: assistência na área espiritual de acordo com os princípios cristãos.

Atividades

- Cursos de noivos, Adoção para surdos adultos e/ou infantil (preparação para o batismo), Escola de Líderes, Escola de Discípulos, acampamentos, retiros, Casados para Sempre, Palestras de consagração de filhos, tele-visitas, visitas, Encontros com Deus, Cultos em LIBRAS (todos os sábados, às 17h30, onde os surdos louvam, pregam e adoração ao Senhor), atendimento jurídico e fonoaudiólogo.
- Curso Teológico: há um espaço reservado no Seminário Teológico Carisma para o surdo que deseja se preparar para o pastoreio.   
- Atendimentos aos familiares para facilitar a comunicação com os surdos.

O Ministério com Surdos Ephatá tem sua sede à rua Rio de Janeiro, 441 – 3º andar, na conhecida Praça Sete, Centro de Belo Horizonte / MG – Cep 30.060-040.

Telefones: (31) 3270-8620 / 3272-2206 (tele-fax) Site: ephata.lagoinha.org.br / phatadeaf@bol.com.br / ephatasurdos@hotmail.com

Fonte: site Ministérios da Lagoinha

 

Deficientes auditivos em alta

Eles formam um exército silencioso. São estimados em mais de 140 milhões de pessoas em todo o mundo (dados da Organização Mundial da Saúde) e, no Brasil, são 5,7 milhões com algum tipo de deficiência auditiva (dados do IBGE de 2006). Enfrentam obstáculos e entraves burocráticos diários para se integrar à sociedade.

O Estado, responsável por zelar pela saúde e bem-estar de qualquer um, não formatou qualquer lei voltada para contemplar as necessidades dessas pessoas. “As iniciativas são apenas isoladas e por municípios. Tanto que os especialistas fazem encontros anuais para trocar experiências e encontrar maneiras de estender essas ações ao maior número possível de lugares”, conta o otorrinolaringologista e presidente da Associação de Pais e Amigos de Surdos de Campinas (SP) – Apascamp, Luis Miguel Chiriboga.


Escola Dominical para deficientes auditivos na Primeira Igreja Batista de Niterói: uso da Língua Brasileira de Sinais (Libra) e preocupação com necessidades especiais do grupo

O médico alerta que o quadro é preocupante, pois de cada mil crianças que nascem no Brasil, duas apresentam algum problema de surdez. Desse total, 46% possuem a deficiência em virtude de problemas genéticos, que podem receber tratamento a fim de que tenham uma vida menos limitada na sociedade. Existe jeito de resolver os outros casos? Sim, e uma delas seria o cumprimento da lei que obriga a realização do “teste da orelhinha” em crianças recém-nascidas. Feito nos mesmos moldes do teste do pezinho, o procedimento é essencial para tratar possíveis doenças que podem ser curadas nos primeiros anos de vida. O método é simples: coloca-se uma sonda no ouvido, emite-se dois tipos de som e espera-se uma resposta da criança. “Se ela não responder de maneira adequada, passa-se a exames mais elaborados”, afirma o médico. Às vezes, no entanto, o problema de surdez é momentâneo e não passa de um acúmulo de cera no ouvido.


A Igreja do Nazareno Central investe há 12 anos na integração dos membros atingidos pela surdez, através de manifestações artísticas

Preocupar-se com crianças não é a única prioridade. Centros de excelência localizados no Brasil dedicam seus estudos a melhorar a vida das pessoas que possuem uma deficiência auditiva originária de motivos variados. Um exemplo disso é o Hospital das Clínicas da Unicamp, que desde março retomou o procedimento de realizar cirurgias de implante coclear. O benefício é destinado a pacientes com deficiência auditiva de origem neurosensorial profunda. O projeto teve início em 2001 e foi retomado após a universidade realizar negociação com a Cochlear Corporation, responsável pela fabricação dos aparelhos.

De acordo com o coordenador do programa na Unicamp, o médico e professor Paulo Porto, o implante coclear é um aparelho que fornece a possibilidade de reabilitar pacientes com deficiência auditiva que não conseguem benefícios dos aparelhos auditivos disponíveis. “Ele pode ser implantado em crianças que nasceram com o problema neurosensorial ou em adultos que sofreram algum tipo de acidente que ocasionou a perda da audição. Surdez proveniente de infecção ou patologia grave também pode ser atendida pelo implante”, afirma.


Escola dominical direcionada da Igreja do Nazareno Central de Campinas - SP

Muitos avanços poderiam ser obtidos, no entanto, se o governo federal concedesse atenção especial e encaminhasse as verbas necessárias para o departamento de pesquisas e lançamentos de novas tecnologias. “A Unicamp e a PUC-Campinas deveriam receber dinheiro para fornecer prótese a pessoas com deficiência auditiva. Só que, por questões burocráticas, esse dinheiro não chega”, lamenta o presidente da Apascamp.

Nesse contexto, as entidades assistenciais assumem o papel do Estado e fornecem os aparelhos. Só que, com o lançamento de aparelhos com tecnologia digital, muitas associações serão obrigadas a efetuar a troca dos aparelhos doados. “Só aqui teremos que arranjar 2.200”, revela o médico.

PROJETO DE LEI BENEFICIA MILHÕES DE DEFICIENTES AUDITIVOS

Um novo projeto de lei pode trazer maiores benefícios para os quase dez milhões de brasileiros com algum tipo de deficiência auditiva. Ele obriga os fabricantes de rádio e de TV a disponibilizarem, em pelo menos 50% dos equipamentos fabricados, saída de áudio compatível com fones de ouvido, com ajuste independente de volume. O projeto foi apresentado pelo deputado federal Arolde de Oliveira, no artigo 19-A da Lei 10.098, de 19 de dezembro de 2000.

Para o deputado, “trata-se de uma alternativa viável, de baixo custo, com fones de ouvido que permitam uma maior apreensão do som”. A proposta tem, a seu ver, “um grande potencial de inclusão e socialização”. Também se estabelece a obrigatoriedade, na programação da TV, de transmissão de legendas ocultas, ou de traduções na linguagem dos sinais, para os portadores de perda auditiva de moderada a severa – o equivalente a cerca de 3 milhões de brasileiros, segundo a OMS.

“Para aqueles com perda auditiva parcial – que, portanto, são capazes de apreender sinais sonoros, ainda que com dificudade – há soluções mais eficazes que a legendagem oculta e a linguagem de sinais”, explica Arolde de Oliveira. Nos casos de deficiência auditiva parcial, uma alternativa viável, de baixo custo e que traz ganhos significativos, é a fabricação de aparelhos de televisão com saída independente de áudio compatível com fones de ouvido, o que permitirá uma melhor apreensão.

O deputado comenta que, ao contrário do que ocorre no caso da legendagem oculta, tal dispositivo também poderá ser utilizado em receptores de rádio, tornando a sua audiência mais cômoda aos portadores de deficiência auditiva parcial. Soma-se a isso a implementação de um ajuste de volume independente para os fones de ouvido. “O projeto torna viável assistir à TV ou ouvir o rádio acompanhado, uma vez que será possível ajustar níveis diferentes de ruído para os fones e para o som convencional, de maneira confortável para todos”, explica.


Renato Faria e esposa, líderes do trabalho na Igreja do Nazareno Central: “Nossa meta é levar aos surdos o conhecimento de Jesus e a maturidade cristã”

IGREJAS SUPERAM DESAFIOS

Evangelizar e divulgar a Bíblia é algo desafiador. A missão torna-se ainda mais interessante quando existem características únicas. Pessoas com deficiência auditiva ganharam nos últimos anos uma atenção especial das igrejas de todo o país. Ao descobrir que essas pessoas querem conhecer a Palavra de Cristo, algumas denominações criaram ministérios e estratégias para cumprir a tarefa. Existem até igrejas voltadas especificamente para surdos, como uma localizada no centro de Campinas (interior de São Paulo), que possui reuniões de sexta-feira a domingo.

A Igreja do Nazareno Central, também em Campinas, outro exemplo, conta com um ministério há 12 anos. Após um período de treinamento e adaptação, um novo estilo de evangelismo se instalou no local. “Hoje temos como meta levar aos surdos o conhecimento de Jesus e a maturidade cristã”, afirma Renato Faria, responsável pelo ministério.

Atualmente, a igreja abre suas portas às sextas-feiras para que pessoas com deficiência auditiva participem de um culto voltado especialmente para elas. A linguagem dos sinais é usada durante toda a cerimônia, o que possibilita a integração de todos, independentemente do problema auditivo apresentado. Renato deixa claro que deseja “a participação de pessoas dispostas a trabalhar nesse ministério, mesmo que não conheça a linguagem dos sinais”.

Conhecida como Libra (Língua Brasileira de Sinais), o método é utilizado nas igrejas, como a Primeira Igreja Batista de Niterói (RJ). De acordo com a diretora do Ministério de Deficientes Auditivos, Elza Maria da Silva, existe ainda a preocupação de transmitir aos membros da igreja diretrizes sobre o tratamento que se deve dar a uma pessoa com deficiência auditiva. Atualmente, jovens, idosos e adolescentes se preparam para executar o trabalho.

Tanto Renato Faria como Elza detectam alguns problemas na condução desse tipo de ministério, principalmente no que se refere a material didático adequado para as aulas na Escola Dominical. “Muitas vezes, cada ministério cria seu próprio material. Nós, por exemplo, usamos desenhos e figuras, pois esses itens são mais fáceis de se encontrar em livrarias e papelarias”, conta Renato.

O pioneirismo na formulação de materiais para pessoas surdas está presente também na Primeira Igreja Batista de Curitiba (PR). Com cursos de linguagem de sinais há 15 anos, a igreja chegou à conclusão de que não há como esperar a boa vontade das editoras em relação a esse público. “A literatura nessa área inexiste”, afirma o pastor Adoniran Mello, responsável pelo trabalho com surdos. Segundo ele, há previsão de o ministério lançar um DVD com a dramatização da história de João com a linguagem de sinais e a tradução do Evangelho de João pelo Sistema de Classificação Conceitual (SCC), em que o texto é feito sem a presença de artigos, conjunções e preposições, e os tempos verbais ficam no infinitivo. “É que algumas palavras, para serem compreendidas e assimiladas pelo cérebro, necessitam do som, ou seja, a dificuldade de aprendê-las é maior”, explica. Pastor Mello ainda comanda o projeto evangelístico SEP (Surdos Entendendo a Palavra), levado às ruas de Curitiba.

No cotidiano, a luta não é diferente. Ir ao banco, freqüentar um consultório médico ou uma simples lanchonete se transforma em ato penoso. Mas há algo muito mais grave: sentir na pele a indiferença da sociedade. “As pessoas precisam aprender que essas pessoas possuem deficiência auditiva, não intelectual”, completa o médico Luis Miguel Chiriboga.


Uma das mais criativas e eficazes iniciativas das igrejas, quando o assunto é comunicação com surdos, é o “ministério das mãos”

CLOSE CAPTION: TECNOLOGIA E CIDADANIA

Através da televisão nos deparamos com o mundo. Os principais fatos e personagens da história encontram-se diariamente na telinha. Agora, imagine visualizar tudo isso e não conseguir ter contato com algo vital: o som. No final, além de uma forma de discriminação involuntária, perde-se um potencial público consumidor, que também trabalha, forma opinião e tem poder aquisitivo. Foi para contemplar esse nicho de mercado que surgiu na década de 1980 o Close Caption, – desenvolvido a partir de uma lei nos Estados Unidos – que tinha o objetivo de facilitar o ensino de idiomas pela televisão e de incluir os portadores de deficiência auditiva. Foi um sucesso. As pessoas com qualquer tipo de deficiência auditiva se identificaram com a novidade e a tecnologia passou a ter aceitação em lugares públicos, onde há restrição de volume alto, como hospitais. O Close Caption deu tão certo que todos os aparelhos de DVD já saem de fábrica com o dispositivo. Parece pouco, mas é muito para quem é privado de algo tão essencial.

 

Fonte: Revista Enfoque Gospel

         (dados estatísticos ref. a 2006)

Palavras-chave: Educação, Igreja, Libras, Ministério

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Março 20, 2009

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Postado por Ana A. S. Cesar

 

 

Caros irmãos: Recebam este louvor a Deus em gratidão a tudo o que Ele tem feito em nossas vidas.


"Em Espírito, em Verdade
Te adoramos, te adoramos!

Rei do reis e Senhor
Te entregamos nosso viver

Pra te adorar Ó Rei dos reis,foi que eu nasci Ó rei Jesus,
Meu prazer é Te louvar, meu prazer é estar nos átrios do Senhor, meu prazer é viver na casa de Deus onde flui o amor

Em Espírito, em Verdade
Te adoramos, te adoramos!

Rei do reis e Senhor

Te entregamos nosso viver
Pra te adorar Ó Rei dos reis, foi que eu nasci Ó rei Jesus,
Meu prazer é Te louvar, meu prazer é estar nos átrios do Senhor, meu prazer é viver na casa de Deus onde flui o amor." (Márcio Pereira)

 

Palavras-chave: Deus, Música

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Março 21, 2009

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Postado por Ana A. S. Cesar

 

Falta de personalidade é quando uma pessoa não toma decisões próprias, não pensa por si mesma. É condicionada a tomar decisões influenciada por outra(s) pessoa(s). Falta-lhe a capacidade de agir, de tomar iniciativa, de vencer barreiras ou valores introjetados, enfim, é a pessoa que tem atitudes pálidas diante de situações em que lhe são exigidas atitudes calorosas. Falta-lhe ainda percepção de compartilhar emoções espontâneas, o que geralmente é demonstrado nas pessoas felizes, sociáveis e generosas.

A falta de personalidade é característica dos que se “fingem de morto” como se nada tivesse acontecido ou está acontecendo; passam horas, dias, meses, anos, sem demonstrar suas emoções; ou ainda evidenciam, mas com demonstrações compactadas, retidas no receio de se expor, de se revelar.

Não assumem uma postura diante dos acontecimentos.

Só possuem frasco, não têm conteúdo.

Não são dignas de confiança.

Conhece alguém assim?

A enciclopédia Wikipédia define a personalidade da seguinte forma: define-se a personalidade como tudo aquilo que distingue um indivíduo de outros indivíduos, ou seja, o conjunto de características psicológicas que determinam a sua individualidade pessoal e social. A formação da personalidade é processo gradual, complexo e único a cada indivíduo. O termo deriva do grego persona, com significado de máscara, designava a “personagem” representada pelos atores teatrais no palco. O termo é também sinônimo de celebridade. Pode-se definir também personalidade por um conceito dinâmico que descreve o crescimento e o desenvolvimento de todo sistema psicológico de um indivíduo, outra definição seria: a organização dinâmica interna daqueles sistemas psicológicos do indivíduo que determinam o seu ajuste individual ao ambiente. Mais claramente, pode-se dizer que é a soma total de como o indivíduo interage e reage em relação aos demais.

Distúrbios

Eis aqui alguns exemplos de sintomas de distúrbios/transtornos da personalidade:

  • falta de socialização;
  • emocionalmente frio;
  • deformidade de caráter; o indivíduo não observa as suas obrigações em relação a outros, a grupos, a convenções sociais;
  • intolerância a frustrações;
  • imediatista, incapacidade de esperar;
  • agressividade;
  • impulsividade;
  • tendências compulsivas;
  • egoísmo;
  • dramatismo;
  • busca constante por atenção e elogios;
  • vaidade; preocupação excessiva com a aparência;
  • exageros e sensibilidade emocional;
  • manipulações;
  • inconstância e baixa persistência;
  • falta de autocensura;
  • superioridade excessiva;
  • incapacidade de aprender com base em seus próprios erros;
  • desconfiança em excesso para com os outros;
  • ciúmes doentio;
  • irresponsabilidade;
  • discórdia intrafamiliar e relacionamentos caóticos;
  • instabilidade de humor, de auto-estima, relações interpessoais, comportamentos, metas, objetivos, gostos e opiniões;
  • raiva constante;
  • pensamento extremo (cisão, separação de pessoas por ótimas ou péssimas)
  • frequentes atos impulsivos e autolesivos;
  • ira descontrolada;
  • medo de estar só; medo excessivo de ser abandonado, rejeitado;
  • sensação de tédio e ameaça de suicídio, entre outros tantos sistematizados.

Máscara

Todas as pessoas têm sua personalidade, ela é delimitadora de sua relação com seus iguais e a máscara que todos usam, nas suas relações interpessoais.

A humanidade, muitas vezes, pode ser enxergada como protagonista de uma peça de teatro onde cada um desempenha um papel imposto pelo grupo. À semelhança do teatro, quanto mais perfeito é o desempenho do indivíduo, mais aplauso receberá da platéia, esta, basicamente, formada pelos elementos circundantes.

Pode-se definir que o aplauso é o alimento do ego e, em busca daquele, os indivíduos permitem-se a pequenas variações em seus papéis decorrentes daquilo que julgam adequados para agradar aos espectadores.

Quando o personagem não é compreendido pelo grupo circundante procedendo no exagero nas variações das máscaras utilizadas para o seu aperfeiçoamento, ou o medo em usá-las para realizar o seu papel na sua plenitude, pode levar a desajustes que são denominados modernamente de neurose.

O temor de não ser aprovado pela sociedade leva a uma rigidez na mudança das máscaras, ou seja, o temor da vaia cria o sentimento de timidez. Em contrapartida, a carência de aplausos leva o indivíduo à busca desenfreada de destaque especial ao papel perante a platéia.

As máscaras, na verdade são defesas, cuja finalidade principal, é proteger o indivíduo do meio circundante. Na psicologia social e na sociologia, a individualidade (e suas máscaras) perde parte de sua importância quando se trata da análise da ação do grupo como um todo. A somatória das máscaras individuais gera uma defesa grupal, onde não se reconhece o ser isolado e sim, a reação do grupo.

Psicanálise

A teoria psicanalítica foi elaborada e sistematizada por Sigmund Freud, é uma das teorias mais influentes sobre os mecanismos que movem a personalidade e os processos do inconsciente que dirigem a funcionalidade e o comportamento pessoal tendo o ego e super ego como mutantes.

 

Existem outras teorias e estudos de comportamento que também são importantes na definição de personalidade/falta de personalidade, que apropriadamente serão abordadas.

 

Palavras-chave: Comportamento, Pessoas

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Postado por Ana A. S. Cesar

 

É uma boa discussão essa. O Direito Autoral é uma invenção extremamente nova. Se olharmos para os períodos que antecedem a lei, veremos que o incentivo para criar pode nascer de outras fontes que não a obtenção de uma exclusividade garantida pela lei.

Segundo Eduardo Azevedo, em um artigo à revista Digital Designer, "o Direito Autoral, como hoje colocado, não atende aos mais fundamentais preceitos democráticos, não desenvolve a produção cultural e cria, por outro lado, graves incentivos para a concentração econômica, gerando verdadeiras questões de direito concorrencial."

Eduardo afirma que o primeiro e mais fundamental equívoco na manutenção do sistema de propriedade intelectual é a crença de que o Direito Autoral trata de forma adequada a questão da propriedade. A propriedade, conforme tratada pelo Direito Autoral é essencialmente monopolista ao declarar que o autor tem o direito exclusivo de determinar os rumos que sua obra pode tomar. Essa vocação monopolista do Direito Autoral cria espectadores e não usuários de uma obra autoral, o que desestimula a colaboração.

Em segundo lugar, a duração excessiva do prazo de proteção de uma obra autoral também contribui para esse cenário de crise de valores do Direito Autoral. O alargamento do prazo de proteção experimentado ao longo do século XX criou meios de eternizar o monopólio sobre a utilização de uma obra e privou com maior intensidade o acesso de terceiros ao conteúdo das obras.

Em terceiro lugar, a necessidade de arrecadação e distribuição dos valores devidos por execução de obras e sua reconhecida ineficiência no mundo atual, também seria um dos fatores que incentivariam uma revisão na forma pela qual tratamos o Direito Autoral.

E, por fim, a conscientização de que o Direito Autoral impede o acesso ao conhecimento e obstaculiza o desenvolvimento da criatividade, seria um quarto argumento em prol da tese pela abolição da propriedade intelectual e, especialmente, do Direito Autoral.

De olho neste debate e provavelmente com muito medo de suas consequências, a indústria cultural estabelecida criou os seus meios para manter o estado atual do mercado. Para isso, desenvolve alguns sistemas de gestão e controle do uso de obras, como o digital right management.

Do outro lado do cabo desta guerra surgem alternativas que desejam encurtar o prazo de proteção e ampliar o fair use. A mais famosa é a Creative Commons, que oferece ao artista uma maior liberdade, mas ainda não responde a algumas questões fundamentais como o estabelecimento de um plano a longo prazo para a sobrevivência do autor.

De acordo com informações prestadas pelos exibidores em debate na Comissão de Educação, perto de 90% das obras cinematográficas e, por consequência, das músicas nelas inseridas pelos produtores, são estrangeiras e na sua quase totalidade de origem norte-americana. Nos Estados Unidos vigora um sistema de copyright com pagamento direto ao autor, e não o de "direito de autor", ao qual o Brasil, através de convenções internacionais, adere. Assim, na avaliação dos exibidores, o Ecad age contra o país ao remeter divisas para compositores e gravadoras estrangeiras.

Depois de muitos debates e textos sobre o assunto pude perceber que a revisão é realmente válida quando a indústria lucra 90%, contra apenas 10% dos autores. No entanto, como escritor, não vejo porque considerar minha obra diferente de um apartamento, por exemplo, onde ninguém perde o direito de ser dono após um período de tempo. Desejo sim, que as obras que construo com muito suor e sacrifícios perpetue para meus filhos e netos, assim como perpetuaria um imóvel de tijolo e concreto.

Sem o direito autoral, os autores que dependem da venda de suas criações para viver poderiam ser seriamente afetados. Ainda que os maiores beneficiários da atual legislação sejam os grandes grupos de mídia e um número restrito de autores, músicos e artistas plásticos, não há justificativa para a total ausência de leis de proteção ao trabalho intelectual.

Abolir as regulamentações sobre o direito autoral em nome da socialização do conhecimento seria, como alerta e sabedoria popular, jogar o "bebê fora com a água da banheira". Não por impedir a produção cultural, que é um movimento incessante e inesgotável, mas porque facilitaria ainda mais exploração dos artistas por grupos com maior poder econômico.

A discussão, porém, pode e deve ir mais longe. O acesso à cultura é uma questão que remete à Declaração dos Direitos Humanos (1948). Lê-se no Art. XXVII: "Toda pessoa tem o direito de tomar parte livremente na vida cultural da comunidade, de fluir as artes e de participar no progresso científico e nos benefícios que deste resultam". Por outro lado, "todo homem tem direito à proteção dos interesses morais e materiais decorrentes de qualquer produção científica literária ou artística da qual seja autor".

Como podemos perceber, a questão parece estar muito mais relacionada com os bloqueios comerciais impostos pelos altos custos de produção, do que no pagamento dos miseráveis 10% de direito autoral.

De qualquer forma, coloco abaixo alguns pensamentos que poderão ajudá-lo(a) a ter um posicionamento.

"Essas indústrias decidem se os materiais sobre os quais elas passaram a mão devem ou não ser usados por outros. E se elas permitirem o uso, decidem as condições e o preço. As legislações européia e americana estendem esse privilégio para nada menos que 70 anos após o falecimento do autor original. Quais as consequências? A privatização de uma parcela cada vez maior das nossas expressões culturais, porque é precisamente isso que o copyright faz. Nosso direito democrático à liberdade de trocas culturais e artísticas está sendo levado embora aos poucos, mas veementemente." Joost Smiers e Marieke Van Schijndel - Porque Pensamentos Não Tem Patentes.

"A razão pela qual é difícil administrar o plágio no domínio da arte e da literatura deve-se ao fato de que não basta apenas demonstrar que B se inspirou em A, sem citar eventualmente suas fontes, mas provar também que A não se inspirou em ninguém. O plágio, na realidade, pressupõe que a regressão de B em direação a A desaparece neste último, pois se for provado que A se inspira e, por assim dizer, plagia um X situado em posição de anterioridade cronológica, a denúncia de A seria enfraquecida."  -  Jacques Soulilou.

Pelo menos de uma coisa tenho que concordar com Joost: o Direito Autoral hoje serve muito mais para manter o estado de desenvolvimento alcançado pelos países, em sua maioria do hemisfério norte, do que para estimular a arte em outros.

Eduardo Azevedo é professor graduado e pós-graduado em Computação Gráfica pela Universidade Federal Fluminense (RJ). Há anos escreve para as maiores revistas de computação. Tem trabalhos publicados nos principais congressos da área e grande experiência profissional.

Palavras-chave: Direitos Autorais

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Março 23, 2009

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Postado por Ana A. S. Cesar

 

Abençoados os que possuem amigos, os que os têm sem pedir.
Porque amigo não se pede, não se compra, nem se vende.
Amigo a gente sente!

Benditos os que sofrem por amigos, os que falam com o olhar.
Porque amigo não se cala, não questiona, nem se rende.
Amigo a gente entende!

Benditos os que guardam amigos, os que entregam o ombro pra chorar.
Porque amigo sofre e chora.
Amigo não tem hora pra consolar!

Benditos sejam os amigos que acreditam na tua verdade ou te apontam a realidade.
Porque amigo é direção.
Amigo é a base quando falta o chão!

Benditos sejam todos os amigos de raízes, verdadeiros.
Porque amigos são herdeiros da real sagacidade.
Ter amigos é a melhor cumplicidade!

Há pessoas que choram por saber que as rosas têm espinho,
Há outras que sorriem por saber que os espinhos têm rosas!

Esta mensagem está sob a licença CreativeCommons Atribuição.

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Março 25, 2009

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Postado por Ana A. S. Cesar

                http://cinemagia.files.wordpress.com/2009/03/palavra_encantada_cartaz.jpg

                                               

                     PALAVRA (EN)CANTADA

Depois do dia tribulado de ontem, vale a pena deixar registrado que hoje assisti a um documentário muito bom no Espaço Unibanco de Cinema Pompéia. Trata-se do filme "Palavra (en)cantada", uma reflexão entre a música popular e a poesia e literatura. Ele usa de depoimentos históricos de Chico Buarque, Maria Bethânia, Tom Zé, Arnaldo Antunes, Martinho da Vila (do qual conheci pessoalmente em uma temporada memorável de estudo na UnB), entre outros artistas. Tem também depoimentos de professores e produtores musicais, especialistas no gênero. Há ainda cenas de Morte e Vida Severina, simplesmente lindo, que passou na França no Festival de Teatro Universitário de Nancy, em 1966. Gostei muito do filme, da produção e dos inesquecíveis tempos em que não podíamos sequer "abrir a boca". Tem muita coisa boa no documentário que vale a pena ver, como por exemplo, cenários musicais originais, com Dorival Caymmi cantando O Mar, nos idos anos 40. Adorei! 

 

         

            ALGUÉM QUE ME AME DE VERDADE

Outro filme que assisti, mas há um tempinho, foi o "Alguém que me ame de verdade" que conta a história da amizade entre duas jovens professoras, uma judia ortodoxa, outra muçulmana, as duas enfrentando pressão por casamentos arranjados. As duas lecionam na escola primária Ditmas Park, no bairro do Brooklyn, em NY, um espaço de alunos e professores multiétnicos e multiculturais. Independente da religião diferente, tornam-se amigas. Justamente me lembrei deste filme por causa de um episódio que vivenciei ontem com um professor. Aparentemente não tem nada a ver, mas foi a relação que fiz de imediato a esse episódio.

Quem assistir ao filme tirará boas lições de vida para a própria vida... 

 

Palavras-chave: Documentário, Filmes, Literatura, Música

Este post é Domínio Público.

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Março 26, 2009

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Postado por Ana A. S. Cesar

 

           

Nesta trepidante cultura nossa, da agitação e do barulho, gostar de sossego é uma excentricidade.
Sob a pressão do ter de parecer, ter de participar, ter de adquirir, ter de qualquer coisa, assumimos uma infinidade de obrigações, muitas desnecessárias, outras impossíveis.
Não há perdão nem anistia para os que ficam de fora da ciranda: os que não se submetem mas questionam, os que pagam o preço de sua relativa autonomia, os que não se deixam escravizar, pelo menos sem alguma resistência.
O normal é ser atualizado, produtivo e bem-informado.
É indispensável circular, estar enturmado. Quem não corre com a manada praticamente nem existe, se não se cuidar botam numa jaula: um animal estranho.
Acuados pelo relógio, pelos compromissos, pela opinião alheia, disparamos sem rumo – ou em trilhas determinadas – feito hâmsteres que se alimentam da sua própria agitação.
Ficar sossegado é perigoso: pode parecer doença.
Recolher-se em casa ou dentro de si mesmo, ameaça quem leva um susto cada vez que examina sua alma.
Estar sozinho é considerado humilhante, sinal de que não se arrumou ninguém – como se amizade ou amor se “arrumasse” em loja. Com relação a homem pode até ser libertário: enfim só, ninguém pendurado nele controlando, cobrando, chateando. Enfim, livre!
Mulher, não. Se está só, em nossa mente preconceituosa é sempre porque está abandonada: ninguém a quer.
Além do desgosto pela solidão, temos horror à quietude. Logo pensamos na depressão: quem sabe terapia e antidepressivo? Criança que não brinca ou salta nem participa de atividades frenéticas está com algum problema.
O silêncio nos assusta por retumbar no vazio dentro de nós. quando nada se move nem faz barulho, notamos as frestas pelas quais nos espiam coisas incomodas e mal resolvidas, ou se enxerga outro ângulo de nós mesmos. Nos damos conta de que não somos apenas figurinhas atarantadas correndo entre casas, trabalho e bar, praia ou campo.
Existe em nós, geralmente nem percebido e nada valorizado, algo além desse que paga contas, transa, ganha dinheiro, e come, envelhece, e um dia (mas isso é só para os outros!) vai morrer. Quem é esse afinal sou eu? Quais seus desejos e medos, seus projetos e sonhos?
No susto que essa ideia provoca, queremos ruído, ruídos. Chegamos em casa e ligamos a televisão antes de largar a bolsa ou pasta. Não é para assistir a um programa: é pela distração.
Silêncio faz pensar, remexe águas paradas, trazendo à tona sabe Deus que desconcerto nosso. Com medo de ver quem – ou o que – somos, adia-se o defrontamento com nossa alma sem máscaras.
Mas, se agente aprende a gostar um pouco de sossego, descobre – em si e no outro – regiões nem imaginadas, questões fascinantes e não necessariamente ruins.
Nunca esqueci a experiência de quando alguém botou a mão no meu ombro de criança e disse:
- Fica quietinha, um momento só, escuta a chuva chegando.
E ela chegou: intensa e lenta, tornando tudo singularmente novo. A quietude pode ser como essa chuva: nela a gente se refaz para volta mais inteiro ao convívio, às tantas fases, às tarefas, aos amores.
Então, por favor, me deem isso: um pouco de silêncio bom para que eu escute o vento nas folhas, a chuva nas lajes, e tudo o que fala muito além das palavras de todos os textos e da música de todos os sentimentos.

(Extraído do livro Pensar é transgredir, Lya Luft, Record, 2004)

http://oglobo.globo.com/cultura/mat/2006/10/31/286479302.asp

Palavras-chave: Crônicas, Literatura, Textos

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Lya Luft é escritora e tradutora, formada em Pedagogia e Letras, mestra em Linguística Aplicada e Literatura Brasileira.

 

            


“A vida é maravilhosa, mesmo quando dolorida. Eu gostaria que na correria da época atual a gente pudesse se permitir, criar uma pequena ilha de contemplação, de autocontemplação, de onde se pudesse ver melhor todas as coisas: com mais generosidade, mais otimismo, mais respeito, mais silêncio, mais prazer. Mais senso da própria dignidade, não importando idade, dinheiro, cor, posição, crença. Não importando nada."

























Bibliografia

No Brasil

COLETÂNEA

  • Revelação

Quando chegaste,
redescobri em mim inocência e alegria.
Removi a máscara que sobrava:
nada havia a esconder de ti,
nem medo - a não ser partires.

Supérfluas as palavras,
dispensada a aparência, fiquei eu,
sem prumo,
como antes da primeira dúvida
e do ultimo desencanto.

Quando chegaste,
escutei meu nome como num outro tempo.
o meu lado da sombra entregou
o que ninguém via:
as feridas sem cura e a esperança sem rumo.

Começa a crer, por mim, que o amor é possível,
e que a vida vale a pena e o pranto
de cada dia.

  • Ônus
A esperança me chama,
e eu salto a bordo
como se fosse a primeira viagem.
Se não conheço os mapas,
escolho o imprevisto:
qualquer sinal é um bom presságio.

Seja como for, eu vou,
pois quase sempre acredito:
ando de olhos fechados
feito criança brincando de cega.
Mais de uma vez saio ferida
ou quase afogada,
mas não desisto.

A dor eventual é o preço da vida:
passagem, seguro e pedágio.

  • O lado fatal

Se me tivessem amputado braços e pernas

e furado o coração com frias facas

e cegado meus olhos com ganchos

e esfolado a minha pele como a de um pobre bicho

- nada doeria mais

que te saber morto, amado meu,

depositado

nesse poço de silêncio de onde não respondes.

(A não ser em sonho, quando me olhas e tuas mãos tocam as minhas: espalmadas e vazias.)

  • Nossas muitas fomes

Do meu cômodo posto de observadora - e o duro posto de cidadã, onerada de altíssimos impostos, contas a pagar, perplexidade e insegurança, e otimismo anêmico -, quero expandir o conceito de fome.

A fome, as fomes: de dignidade, a essencial. De casa, saúde e educação, as básicas. Mas - não menos importantes - a fome de conhecimento, de possibilidades de escolha.

Fome de confiança, ah, essa não dá para esquecer. Poder confiar no guarda, nas autoridades, nos pais e no país, e também nos filhos. Em nós mesmos, se nos acharmos merecedores. Confiar em quem votei, e em quem não recebeu meu voto: ser digno não é vantagem, é obrigação básica. Andamos tão desencantados, que ser decente parece virtude, ser honesto ganha medalha, e ser mais ou menos coerente merece aplausos.

Fome de conhecimento: não é alfabetizado quem apenas assina o nome, mas quem assina o que leu e compreendeu. De outro modo, perigo à vista. Não cursa uma verdadeira escola quem dela sai para a vida sem saber pensar, argumentar e discernir. A primeira condição para viver melhor é conhecer mais coisas, inclusive sobre a própria situação e as possibilidades de mudar. Não tomando, Invadindo e assaltando, mas crescendo enquanto ser humano e membro produtivo da comunidade: família, trabalho, cidade, país.

Informar-se faz parte disso, de ser integrado, de integrar-se. É tomar contato com a realidade diretamente, não apenas com o que os outros relatam ou inventam. É assistir ou escutar notícias não como quem tateia no escuro, mas com ouvidos de quem deseja entender. Informar-se é também ler: ler como se come o pão cotidiano, ainda que seja o jornal esquecido no banco da praça.

Não creio que a violência que assola este país e nos transforma em ratos assustados seja simplesmente fruto da fome de comida, mas da fome de auto-estima. A violência internacional, emblematizada no terrorismo, nasce entre outras coisas da combinação de ideologia torta e fanatismo. A ideologia nem sempre comanda a morte, nem sempre desconserta o intelecto: sendo positiva, ilumina e estimula, assim como a outra degola inocentes, explode crianças e se orgulha disso.

Andamos acuados pela brutalidade que transcende os limites urbanos, atingindo lugares bucólicos que antes pareciam paraísos intocáveis: você pensa em comprar um sítio? Inclua nesse pacote o caseiro, os cães, alarmes e quem sabe cerca eletrificada. Se for uma fazenda, cave trincheiras e contrate guardas. De preferência, more na cidade mais próxima, rodeado de toda uma parafernália de segurança, ou lançando-se na vida (isto é, saindo à rua) com audácia de guerreiro medieval. Teremos paz, essa nossa grande fome?

Neste momento estou descrente, embora batalhe por isso do jeito que posso. É dos deveres básicos de qualquer pessoa, tentar a paz em si mesmo e ao seu redor, sem necessariamente desfraldar bandeiras, mas existindo e agindo como um ser pacífico (não confundam com pusilânime!). Se posso ser agregadora - iniciando pela família e amigos -, não devo espalhar ressentimento; se quero a paz, não posso transmitir rancor.

Tudo começa, como dizem, em casa: desde quando ela era uma primitiva caverna, e nós uns trogloditas um pouco menos disfarçados do que hoje, com fomes bem mais simples de satisfazer.

Palavras-chave: Escritores, Literatura

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http://proinov.moodle-pt.com.pt/course/view.php?id=72&cal_m=4&cal_y=2009

Os verbos abaixar e baixar tinham o mesmo significado? E também vamos esclarecer o A ou . Então, vamos lá:

 

Baixar

do Lat.  bassiare

v. tr.,

pôr em baixo;

apear;

arrear;

fazer descer;

inclinar para baixo;

abater, humilhar;

empar;

v. int.,

diminuir em altura, em valor, em prestígio;

descer;

ser inferior;

ficar abaixo;

ser expedido (ordem, aviso);

v. refl.,

curvar-se;

fig.,

humilhar-se;

submeter-se.

 

Abaixar

 

de baixar

v. tr.,

pôr abaixo;

dirigir para a parte inferior;

fazer descer;

diminuir (altura, temperatura, etc. );

fig.,

humilhar, aviltar;

reprimir;

v. refl.,

curvar-se inclinando-se ou dobrando-se;

humilhar-se, submeter-se.

 

Exemplos:

·         Vou baixar aquela música, aquele vídeo.

·         Aquela loja baixou os preços.

·         Aquela loja abaixou os preços.

·         Um abaixou mais, o outro também vai abaixar.

·         Na linguagem marinheira, baixou é o mesmo que "sair de licença"; "estar de folga"; "estar liberado".  O marinheiro Pedro baixou terra. Ele foi liberado.

·         Vou me abaixar (no sentido de agachar; quando nos agachamos). Ato dos seres humanos.

·         Ela abaixou a cabeça e foi embora.

·         Abaixa o facho! - como quem diz: seja mais humilde.

 

A  ou Há?

Para saber se você deve usar “a” ou “há” segue algumas dicas para facilitar a eliminação de dúvidas a esse respeito:

Usa-se “há” quando o verbo “haver” é impessoal, tem sentido de “existir” e é conjugado na terceira pessoa do singular.

Exemplo: Há um modo mais fácil de fazer essa massa de bolo.
Existe um modo mais fácil de fazer essa massa de bolo.

Ainda como impessoal, o verbo “haver” é utilizado em expressões que indicam tempo decorrido, assim como o verbo “fazer”.

Exemplos: Há muito tempo não como esse bolo.
Faz muito tempo que não como esse bolo.

Logo, para identificarmos se utilizaremos o “a” ou “há” substituímos por “faz” nas expressões indicativas de tempo. Se a substituição não alterar o sentido real da frase, emprega-se “há”.

Exemplos: Há cinco anos não escutava uma música como essa.
Substituindo por faz: Faz cinco anos que não escutava uma música como essa.

Quando não for possível a conjugação do verbo “haver” nem no sentido de “existir”, nem de “tempo decorrido”, então, emprega-se “a”.

Exemplos: Daqui a pouco você poderá ir embora.
Estamos a dez minutos de onde você está.

Importante: Não se usa “Há muitos anos atrás”, pois é redundante, pleonasmo. Não é necessário colocar “atrás”, uma vez que o verbo “haver” está no sentido de tempo decorrido.

Palavras-chave: Gramática, Língua

Postado por Ana A. S. Cesar | 2 comentários

Março 28, 2009

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Postado por Ana A. S. Cesar

 

http://waldo-rafael.zip.net/images/cultraaoff.gif           

A Caixa Cultural São Paulo e a Embaixada dos Estados Unidos promovem as exposições Legado Sagrado, do fotógrafo norte-americano Edward Curtis, e Retratos Yanomami, da fotógrafa suíça naturalizada brasileira Claudia Andujar, que mostra  a luta da tribo pela preservação de sua cultura. Um paralelo das culturas indígenas do Brasil e dos Estados Unidos através do trabalho de dois dos mais renomados fotógrafos mundiais na temática indígena.

 

Com coordenação e curadoria de João Kulcsár, as exposições apresentam juntas 88 fotografias - 60 de Curtis e 28 de Andujar. “O índio permeia a história norte-americana tanto quanto faz parte dos valores culturais e sociais que formam a identidade brasileira. Legado Sagrado e Retratos Yanomami propõem ao visitante um passeio imagético pela história dos povos indígenas. É a primeira vez que as exposições são montadas juntas no Brasil. Fazer uma mostra com fotógrafos de extrema qualidade técnica e estética como Edward S. Curtis e Claudia Andujar é uma contribuição inestimável para o momento atual do homem ocidental contemporâneo”, afirma o curador.

 

Em Legado Sagrado, as imagens de Curtis, pioneiro em revelar os costumes dos índios norte-americanos, mostram a sua arte no retrato e na paisagem, tanto em passagens da vida cotidiana como nos rituais indígenas. Esta exposição, criada pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos, mostra ao visitante a ampla diversidade das tribos norte-americanas. O acervo de fotos desta coleção pertence a Christopher Cardozo. “É uma oportunidade de ver imagens ampliadas em diversos processos históricos como Platina, viragem a ouro, fotogravura, entre outros”, explica Kulcsár.

 

Transpondo a temática indígena para a realidade brasileira, a exposição Retratos Yanomami, da fotógrafa suíça naturalizada brasileira, Claudia Andujar, retrata a luta do povo Yanomami pela preservação. Sempre entre a razão e a intuição, os cortes, enquadramentos e personagens de Claudia se arredondam para falar de uma incessante busca pelo entendimento e diálogo. “Claudia, em sua procura pelo eterno, leva para suas imagens a compreensão, a angústia, os devaneios dos indígenas”, afirma o curador.

 

As exposições Legado Sagrado e Retratos Yanomami ficarão em cartaz na Caixa Cultural (Praça da Sé, 111) até 26 de abril. O horário de visitação é de terça a domingo, das 9h às 21h. A entrada é franca. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone (11) 3321-4400 ou no site www.caixa.gov.br/caixacultural.


Edward S. Curtis

 

Edward Sheriff Curtis nasceu no Estado de Wisconsin no ano de 1868. Seu interesse por fotografia aumentou depois que sua família se mudou para Seattle, no Estado de Washington. “Durante 24 anos trabalhou no projeto de sua vida, The North American Indian (O Índio Norte-Americano), Um dos mais importantes trabalhos fotográfico do sex XX” diz Kulcsár. O projeto é uma coleção de 20 volumes encardernados em couro, texto impresso a mão e fotogravuras originais. Autodidata confeccionou sua primeira câmera fotográfica, depois de estudar a lente de um estereoscópio.

 

Claudia Andujar

 

Claudia Andujar nasceu em Neuchâtel, Suíça, em 1931. Viveu na Hungria e nos Estados Unidos no início dos anos 50, transferindo-se para São Paulo em 1957, onde se naturalizou brasileira. Aqui, atuou como repórter fotográfica de publicações como a lendária revista “Realidade” e desenvolveu por cinco anos, juntamente com George Love, o Workshop de Fotografia no Museu de Arte de São Paulo, trabalho que acabou por influenciar dezenas de fotógrafos paulistas em atividade nestas duas últimas décadas. Claudia tornou-se mundialmente conhecida ao ter obras adquiridas pelo curador de fotografia Edward Steichen, do Museu de Arte Moderna de Nova Iorque (MoMA), entre outras. Em sua luta pelo povo Yanomami já publicou livros, como “Mitopoemas Yanomami e Yanomami em frente do Eterno”, 1979 e filmou o documentário “Povo da Lua, Povo do Sangue: Yanomami”. Claudia Andujar tem trabalhos em importantes coleções nacionais (MAM-SP, Coleção Pirelli/MASP, Pinacoteca do Estado de São Paulo, entre outras) e internacionais MoMa - Nova York, Amsterdam Art Museum, Fundação Cartier de Arte Contemporânea.

 

João Kulcsár

 

João Kulcsár é professor do Curso de Bacharelado em Fotografia do SENAC e curador de fotografia com inúmeras exposições internacionais (Estados Unidos, Portugal, Itália, e Suiça) e nacionais, entre elas: Magnum, 60 anos; Cristiano Mascaro, Maureen Bisilliat, Thomaz Farkas, Fotógrafos Norte-americados – FSA; Lewis Hine entre outras. Foi professor visitante na Universidade de Harvard e tem Mestrado na Universidade de Kent, Inglaterra.

 

Dia 17/4 - Palestra com João Kulcsár das 19h às 20h e visita guiada na exposição Edward Curtis, com João Kulcsár das 20h às 21h30.

As inscrições devem ser feitas antecipadamente por telefone.

 

Serviço

 

O quê: exposições de fotografia Legado Sagrado, de Edward Curtis, e Retratos Yanomami, de Claudia Andujar

Quando: de 14 de março a 26 de abril, de terça a domingo, das 9h às 21h

Onde: CAIXA Cultural (Praça da Sé, 111)     

Quanto: entrada franca

Informações: (11) 3321-4400

Recomendação de faixa etária: livre

Realização: Caixa Cultural

Patrocínio: Caixa Econômica Federal

 

Acesso e sanitário para pessoas com necessidades especiais.

 

Visitas monitoradas às exposições com agendamento.

 

 

fonte: Assessoria de imprensa

          Caixa Econômica Federal

 


Palavras-chave: Exposições, Indíos

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Março 29, 2009

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Postado por Ana A. S. Cesar

Mateus 5

  E Jesus, vendo a multidão, subiu a um monte, e, assentando-se, aproximaram-se dele os seus discípulos;
  E, abrindo a sua boca, os ensinava, dizendo:
  Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus;
  Bem-aventurados os que choram, porque eles serão consolados;
  Bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a terra;
  Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque eles serão fartos;
  Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia;
  Bem-aventurados os limpos de coração, porque eles verão a Deus;
  Bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus;
  Bem-aventurados os que sofrem perseguição por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus;
  Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal contra vós por minha causa.
  Exultai e alegrai-vos, porque é grande o vosso galardão nos céus; porque assim perseguiram os profetas que foram antes de vós.
  Vós sois o sal da terra; e se o sal for insípido, com que se há de salgar? Para nada mais presta senão para se lançar fora, e ser pisado pelos homens.
  Vós sois a luz do mundo; não se pode esconder uma cidade edificada sobre um monte;
  Nem se acende a candeia e se coloca debaixo do alqueire, mas no velador, e dá luz a todos que estão na casa.
 

Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus.

 

fonte: Bíblia Sagrada - edição Almeida Corrigida e Revisada Fiel.

Mateus 5 versículos 1 a 16.

 

Palavras-chave: Bíblia

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Postado por Ana A. S. Cesar

 

Eu nunca te esquecerei

Não terei mais o teu sorriso
E não irei mais escutar a tua voz
Não sentirei mais a tua fé
Adentrar pela porta do meu coração.


É tarde para te falar
Mas é necessário
Que saibas que

Em tempo algum irei te esquecer.


Não partirás do meu coração
Estarás sempre aqui comigo

As boas lembranças de ti

É que permanecerão.

Podes me escutar
De onde estás:
Eu precisei tanto de ti!

Por um período longo senti

Imensamente a tua ausência

[e sentirei]

Eu nunca disse realmente
adeus a ti

Deus sabe o quanto te precisei!

Que saibas que

Nunca irei te esquecer!


Em algum lugar sei que te lembrarás de mim

Algum dia?

[em outro tempo]

Pois tu foste embora

da minha vida

Mas eu mesma nunca te esquecerei.

 

29/03/2009

Palavras-chave: Poesia

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