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novembro 15, 2010

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Postado por Ana A. S. Cesar

 

 

Por Eugene Peterson

 

Os pastores (*) se transformaram em um grupo de gerentes de lojas, sendo que os estabelecimentos comerciais que dirigem são as igrejas. As preocupações são as mesmas dos gerentes: como manter os clientes felizes, como atraí-los para que não vão às lojas concorrentes que ficam na mesma rua, como embalar os produtos de forma que os consumidores gastem mais dinheiro com eles.

Alguns pastores são ótimos gerentes, atraindo muitos consumi­dores, levantando grandes somas em dinheiro e desenvolvendo uma excelente reputação. Ainda assim, o que fazem é gerenciar uma loja. Religiosa mas, de toda forma, uma loja. Esses empreendedores têm sua mente ocupada por estratégias semelhantes às de franquias de fast-food e, quando dormem, sonham com o sucesso que atrai a atenção da mídia.

Será que ainda existem sete mil que não dobraram os joelhos perante Baal? Haverá um número suficiente para sermos identificados como uma minoria? Acredito que sim. De vez em quando, conseguimos identificar-nos um com o outro, e algumas minorias já conseguiram grandes realizações. E deve haver alguns gerentes de loja que estão descobrindo que o ensopado pelo qual trocaram seu direito de primogenitura é sem sabor e estão, com tristeza, trabalhando pela restauração de seu chamado. Será essa tristeza uma brasa, com força suficiente para se tornar uma labareda de repúdio à deserção que havia acontecido? Voltará a Palavra de Deus a ser como fogo na boca deles? Poderá a minha indignação ser como um fole que sopra esse carvão?


***

(*)Na introdução do livro "Um pastor segundo o coração de Deus"
Via Pavablog, do jornalista Sérgio Pavarini

Palavras-chave: Cristianismo, Teologia

Postado por Ana A. S. Cesar

Comentários

  1. Andre de Souza Freitas escreveu:

    Creio que haja um relevante número de pessoas que sofrem e suspiram por ver essa insuportável situação. Mas hoje os ventos sopram a favor dos exploradores. Somente um avivamento, verdadeiro, desmascarará os perversos e libertará as mentes da escravidão materialista que reina nos meios "evangélicos".

    Andre de Souza FreitasAndre de Souza Freitas ‒ segunda, 15 novembro 2010, 10:01 -02 # Link |

  2. Ana Cesar escreveu:

    Existe uma segunda razão por que as pessoas desenvolveram uma aversão pela ideia de conversão. Diz respeito à impressão de imperialismo arrogante que alguns evangelistas às vezes dão - O que nos é proibido é toda retórica tendenciosa, toda manipulação deliberada de resultados, toda artificialidade,  hipocrisia e representação, toda atitude de colocar-se em frente a um espelho com o objetivo de, conscientemente, planejar nossos gestos e caretas, toda autopropaganda e autoconfiança. De maneira mais positiva, devemos ser nós mesmos, ser naturais, desenvolver e exercitar os dons que Deus nos deu e, ao mesmo tempo, depositar nossa confiança não em nós mesmos, mas no Espírito, que concorda em opear  por meio de nós. Entretanto, é difícil pedir para que a Igreja não jogue pedra caluniosa em nome de uma hipotética iniquidade. Nem a mulher adúltera, Estevão, os ladrões, os assassinos, os homossexuais, os pobres, eu mesma, nem mesmo as crianças indígenas, que morrem por problemas culturais por doenças trazidas pelos comerciantes, por ladrões, por missionários bons e maus etc., devem ser objeto de julgamentos, mas de cuidado e amor. Quem deve ter direito à justiça? Quem deve ter direito à igualdade?

     

    Ana A. S. CesarAna Cesar ‒ segunda, 15 novembro 2010, 14:25 -02 # Link |

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