Stoa :: Ana A. S. Cesar :: Blog ::

outubro 22, 2010

default user icon

Postado por Ana A. S. Cesar

 

Ontem tivemos um dia muito especial no Fórum Espaço Público 2ª Edição, aconteceu no auditório da poli um dia inteiro de debates sobre o tema "Campus Educador: TransFormAção Social e Cultural".


Conhecemos e reconhecemos muita coisa que está acontecendo por aí e é muito bom poder ouvir da fonte, dos olhos, espíritos e corações, bem a nossa frente, não há como evitar o envolvimento e ser seduzido pela possibilidade, ao alcance da ponta de nossos dedos esticados a diante, ao alcance de nossas ideias e sonhos, a possibilidade de fazer acontecer, de fazer parte e vivenciar a mudança.


Essa mudança está acontecendo e é muito bom poder acreditar nisso. Está acontecendo em diversas frentes e formas, nos fóruns, nos projetos sociais, na cidade, no campus, nas universidades, nas salas de aula, nos locais de trabalho, nos bairros, grupos e pessoas que cansaram de rodar em volta de seus umbigos, cansaram do individualismo e querem fazer parte de uma comunidade*, no verdadeiro sentido da palavra, um coletivo educador, coletivo de ação cultural, coletivo de desenvolvimento humano.


Essa vontade começa a transbordar no coração das pessoas e está ganhando espaço, na USP podemos sentir isso entre grupos de funcionários, professores e alunos que não aparecem mais como simples sonhadores, começam a ser vistos como atores, pessoas de ação, iniciativa, fonte e ferramenta para mudanças.


Sou otimista sim, e depois de ontem acredito mais ainda que a mudança está acontecendo o tempo todo, rápida ou pausadamente ela é inevitável e alcança todos os tipos de lugares e pessoas, absorvendo ideias e tendências ou entrando em embates. A mudança é real.


"Ampliar a sala de aula"


Tivemos a presença do Prof. Marcus Vinícius de Moura do Projeto Esporte Talento/CEPEUSP (http://www.educandopeloesporte.blogspot.com/), que trouxe a experiência da Cidade Educadora e com isso diversas questões sobre o Campus da USP:


É possível uma organização local compartilhada na USP?
Temos espaços de convivência/ de coletividade?
O que mobiliza os habitantes do campus?
Temos projetos coletivos?
Quais os princípios que norteiam o uso social no campus?
Tratamos o campus como parte da missão da USP?


"A transformação só acontece com ações educadoras"


Na fala do Prof. Marcos Sorrentino da ESALQ pudemos enxergar um caminho para:


O desafio da Sustentabilidade (deixar de lado as soluções simplistas e moralistas sobre sustentabilidade).
Inclusão radical de todas as diversidades.
Cidadania.
Processos > Projetos> Resultado > Objetivo
Formação de educadores/editores
Círculos de Cultura – Paulo Freire
Educomunicação
Estrutura educadora

¡        Investimento educador

¡        Apelo ao cuidar (Respeito)

¡        Cuidar pensando no todo

¡        Atenção cotidiana com a vida – diálogo coletivo


Os 6 passos:

1.    Constituição de um coletivo educador com o objetivo de elaborar um projeto político-pedagógico (pactuar)

2.    Considerar as diferentes tribos de convivência

3.    Encontrar/criar mecanismos de diálogo

4.    Mapeamento e oferta de rico cardápio de oportunidades de aprendizagem

5.    Processo formativo para que as pessoas possam se apropriar das oportunidades e fazer parte do processo

6.    Monitoramento (acompanhamento) e Avaliação (visão crítica) continuada


“Ilha da Fantasia”


O Prof. Antonio Araújo da Eca/Teatro da Vertigem (http://www.teatrodavertigem.com.br/site/index2.php) trouxe a experiência do inimaginável, de como uma Ilha de Desordem e de Ordem podem coexistir num equilíbrio instável e sutil.


Uma experiência pedagógica de trocar com o departamento ao lado, de propor aos alunos um verdadeiro diálogo com o campus em sua arquitetura e significação. Propor a vivência de um campus como espaço de arte e cultura. Possibilitando o encontro com outras unidades, com diferentes e inusitadas pessoas, a troca, a relação, deslocando percepções e mudando a lógica do uso do espaço. Propondo uma OCUPAÇÃO artística. Surpreendendo com um bote salva vidas navegando na praça do relógio e fulminando na morte da rainha.


Trazendo a cidade ao campus e levando o campus à cidade.


A proposta: ocupação, diálogo, ação, reconhecimento, descoberta, transformação com/nas áreas externas do campus e da cidade.


“Campus X campo
impermeabilidade X permeabilidade
Virtualidade”


O Prof. Martin Grossmann da ECA num pensamento crítico-criativo em velocidade de internet2 trouxe a idéia de um campus de ação cultural. Acreditando que a ação cultural possibilita uma relação maior com o outro.


Questionou a educação como acontece na USP e como foi concebida pelos iluministas com forte hierarquia e pouca ou nenhuma flexibilidade, dificultando a interdisciplinaridade e a troca.


Colocou a importância da Visão Crítica da Sustentabilidade de forma a evitar radicalismos que possam aparecer numa espécie de Proposta Higienista, a exemplo do nazismo.


“Confiança na produção coletiva”


O Prof. Menezes do Instituto de Física encantou com a possibilidade da “diversão como uma cultura importante” e da ideia de co-responsabilidade revestida de liberdade.


Alertou: os alunos estudam hoje e não fazemos idéia para qual mundo do trabalho de amanhã. Se não recuperarmos a comunidade, a co-responsabilidade seguiremos a caminho do Admirável Mundo Novo (livro escrito por Aldous Huxley, publicado em 1932).


“Você sabia?”


A Profa. Elizabeth Saad da ECA ilustrou, provou e questionou.

A comunicação contemporânea não é linear.
Comunicação/vivência acelerada.
Melhor do que qualquer conclusão antecipada: assista ao vídeo.


“Uma outra moeda é possível”


O Prof. Gilson Schwartz da ECA/CTR com uma visão do campus como plataforma para a conexão global, com a Cidade do Conhecimento (http://www.cidade.usp.br/blog/), a moeda “Saber”, o 2º Encontro de Inclusão Financeira, trouxe exemplos reais de como a capacitação das pessoas e das instituições para as novas tecnologias pode transformar, e a importância de desenvolver competências para apropriação das oportunidades para o desenvolvimento e inclusão social.


“Um outro mundo é possível”


Chico Witaker (http://chicowhitaker.net/), da Comissão Brasileira Justiça e Paz e do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral, coloca algumas possibilidades diante do mundo em permanente mudança:


> Sobrevivência = nos adaptar as mudanças.
> “Um outro mundo possível” = nos associar à mudanças transformadoras.


> Rede: “ninguém que quer mudar as coisas muda sozinho”, diversidade, criatividade, co-responsabilidade, intercomunicação.

> Pirâmide: maldição – luta pelo poder, pisar em quem está em baixo.

> Organização: trabalhar/se relacionar com outros.

> Aprender a desaprender para poder mudar.


> Fórum Social de São Paulo – 9/11/2010 na FAU Maranhão.


> Consenso > colegiado > decisão > existem convergências > união da diversidade no respeito mutuo e no esforço coletivo X Cultura da Competição.

> Campus como espaço para uma rede de troca de saber, todo mundo ensina, todo mundo aprende.


 

* comunidade
co.mu.ni.da.de
sf (lat communitate) 1 Qualidade daquilo que é comum; comunhão. 2 Participação em comum; sociedade. 3Sociol Agremiação de indivíduos que vivem em comum ou têm os mesmos interesses e ideais políticos, religiosos etc. 4 Lugar onde residem esses indivíduos. 5 Comuna. 6 Totalidade dos cidadãos de um país, o Estado.

Palavras-chave: COCESP, Fórum, IEA, USP

Postado por Ana A. S. Cesar

Você deve entrar no sistema para escrever um comentário.

Termo de Responsabilidade

Todo o conteúdo desta página é de inteira responsabilidade do usuário. O Stoa, assim como a Universidade de São Paulo, não necessariamente corroboram as opiniões aqui contidas.