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junho 17, 2010

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Postado por Ana A. S. Cesar

 

MARCELO NOVAES 

Um intérprete de sonhos que escreve. E ouve a sonoridade das frases ditas. Nada mais do que isso. Sem posses, dívidas ou herdeiros.

 

Prosas poéticas

http://prosaspoeticas-marcelo-novaes.blogspot.com/

 

 

Imbricado no mundo

 

"Não creio no romantismo, só na atenção. Nada de monções derradeiras. Novalis já está morto há muito tempo, e seu amor afugentado [quiçá, imerso em eterno e inesgotável sono]. A luz do cristal parece penosa, obscura, tristonha. E o barulho que parecia vir da lâmpada, vem lá de fora. O teatro sempre lota às sextas-feiras. E o barulho é metálico: ruído em fibra ótica, detrito em nitrato. E não há porque chorar por isso. Do amor, o antigo gesto, é quase imperceptível: urdidura de atriz & ator. Limo provindo da nascente, mais-que-fatigada luz celeste & falsa Cruz. Não creio no romantismo erguendo tendas em pleno campo, fraudando bandeiras em mastros. Creio no sereno. Creio no que irrompe do rio caudaloso. Creio no acumular da areia [ou do calcário] rente ao córrego. E de outro barulho: o de se andar a pé em chão tão áspero. Creio no talento da atriz e nas mãos que lavram gestos a contento, mimetizando o amor [longo & coletivo projeto]. Creio na aluvião e no vórtice, mas não no romantismo [ou em sua duração]. Creio na paisagem imbricada no Mundo [mas paisagem de cada um, onde dorme a própria noite]. Eu saberia do amor, se fosse puro foco e não sucumbisse a toda novidade. Falo do amor catado em ciscos ou pedregulhos: deste aureolado [Oh, Aurélia de Nerval!] em sombra & luz. Este amor, quiçá imerso em sono eterno & inesgotável. Não creio neste amor menos atento que me escapa, quando olho de permeio. É puro estilo de tão estilizado [prazer de se sonhar imantando em imantado círculo]. O barulho que parecia vir da lâmpada não é do amor nenhum sinal: tem outro significado. Embora a luz possa se apagar. Embora Novalis e Nerval estejam mortos.

 

E-mail do escritor

marcelodenovaes@gmail.com

 

Palavras-chave: Literatura Brasileira, Prosa

Postado por Ana A. S. Cesar

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