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fevereiro 14, 2010

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Postado por Ana A. S. Cesar

 

"Quem está distante sempre nos causa maior impressão"

 

"Criamos a época da velocidade,

mas nos sentimos enclausurados dentro dela.

Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos;

nossa inteligência, empedernidos e cruéis.

Pensamos em demasia e sentimos bem pouco."

 

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"Cada pessoa que passa em nossa vida, passa sozinha,

é porque cada pessoa é única e nenhuma substitui a outra.

Cada pessoa que passa em nossa vida passa sozinha, e não nos deixa só,

porque deixa um pouco de si e leva um pouquinho de nós.

Essa é a mais bela responsabilidade da vida e a prova

de que as pessoas não se encontram por acaso."

 

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O Grande Ditador


Desculpem,
mas eu não quero ser um imperador,
esse não é o meu ofício. 
Não pretendo governar ou conquistar quem quer que seja. 
Gostaria de ajudar - se possível - 
judeus, o gentio ... negros ... brancos.

Todos nós desejamos ajudar uns aos outros. 
Os seres humanos são assim. 
Desejamos viver para a felicidade do próximo - 
não para o seu infortúnio. 
Por que havemos de odiar ou desprezar uns aos outros? 
Neste mundo há espaço para todos. 
A terra, que é boa e rica, 
pode prover todas as nossas necessidades.

O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém nos extraviamos. 
A cobiça envenenou a alma do homem ...
 levantou no mundo as muralhas do ódio ... 
e tem-nos feito marchar a passo de ganso para a miséria e os morticínios. 
Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela. 
A máquina, que produz abundância, tem-nos deixado em penúria. Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, empedernidos e cruéis. 
Pensamos em demasia e sentimos bem pouco. 
Mais do que máquinas, precisamos de humanidade. 
Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura.
 Sem essas duas virtudes, 
a vida será de violência e tudo será perdido.

A aviação e o rádio aproximaram-se muito mais. A próxima natureza dessas coisas é um apelo eloqüente à bondade do homem ... um apelo à fraternidade universal ... à união de todos nós. Neste mesmo instante a minha voz chega a milhões de pessoas pelo mundo afora ... milhões de desesperados, homens, mulheres, criancinhas ... vítimas de um sistema que tortura seres humanos e encarcera inocentes. 
Aos que me podem ouvir eu digo: "Não desespereis!" A desgraça que tem caído sobre nós não é mais do que o produto da cobiça em agonia ... da amargura de homens que temem o avanço do progresso humano. 
Os homens que odeiam desaparecerão, os ditadores sucumbem e o poder que do povo arrebataram há de retornar ao povo. 
E assim, enquanto morrem os homens, 
a liberdade nunca perecerá.

Soldados! Não vos entregueis a esses brutais ... que vos desprezam ... que vos escravizam ... que arregimentam as vossas vidas ... que ditam os vossos atos, as vossas idéias e os vossos sentimentos! Que vos fazem marchar no mesmo passo, que vos submetem a uma alimentação regrada, que vos tratam como um gado humano e que vos utilizam como carne para canhão! Não sois máquina! Homens é que sois! E com o amor da humanidade em vossas almas! Não odieis! Só odeiam os que não se fazem amar ... os que não se fazem amar e os inumanos.

Soldados! Não batalheis pela escravidão! lutai pela liberdade! 
No décimo sétimo capítulo de São Lucas é escrito que o Reino de Deus está dentro do homem - não de um só homem ou um grupo de homens, mas dos homens todos! Estás em vós! 
Vós, o povo, tendes o poder - o poder de criar máquinas. 
O poder de criar felicidade! 
Vós, o povo, tendes o poder de tornar esta vida livre e bela ... 
de fazê-la uma aventura maravilhosa. 
Portanto - em nome da democracia - usemos desse poder, unamo-nos todos nós. Lutemos por um mundo novo ... 
um mundo bom que a todos assegure o ensejo de trabalho, 
que dê futuro à mocidade e segurança à velhice.

É pela promessa de tais coisas que desalmados têm subido ao poder. Mas, só mistificam! Não cumprem o que prometem. Jamais o cumprirão! Os ditadores liberam-se, porém escravizam o povo. Lutemos agora para libertar o mundo, abater as fronteiras nacionais, dar fim à ganância, ao ódio e à prepotência. Lutemos por um mundo de razão, um mundo em que a ciência e o progresso conduzam à ventura de todos nós. 
Soldados, em nome da democracia, unamo-nos.

Hannah, estás me ouvindo? Onde te encontres, levanta os olhos! Vês, Hannah? O sol vai rompendo as nuvens que se dispersam! Estamos saindo da treva para a luz! Vamos entrando num mundo novo - um mundo melhor, em que os homens estarão acima da cobiça, do ódio e da brutalidade. Ergues os olhos, Hannah! A alma do homem ganhou asas e afinal começa a voar. Voa para o arco-íris, para a luz da esperança. 

Ergue os olhos, Hannah! 

Ergue os olhos!

(O último discurso, do filme "O Grande Ditador")


 

Charles Chaplin foi uma das personalidades mais marcantes e criativas da era do cinema mudo. Atuou, dirigiu, escreveu, produziu e financiou seus próprios filmes.

Filmes de Chaplin 

O idílio desfeito -1914
Os clássicos vadios - 1921
O garoto - 1921
Casamento ou luxo? - 1923
Em busca do ouro - 1925
O circo - 1928
Luzes da cidade - 1931
Tempos modernos - 1936
O grande ditador -1941
Monsieur Verdoux - 1947
Luzes da ribalta - 1952
Um rei em Nova York - 1957
A condessa de Hong Kong -1967

 

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Homem humilde cuja dignidade vai além de seus trajes maltrapidos, folgados sapatos, um chapéu-coco e uma bengala, foi sua marca registrada e imortalizada na história do cinema mudo.

Charles Spencer Chaplin Jr. nasceu na Inglaterra, Walworth, Londres, em 16 de abril de 1889. Foi ator, diretor, roteirista e músico. Seu personagem ficou conhecido na França como "Charlot", na Itália, Espanha, Portugal, Grécia, Romênia e Turquia, como Carlitos, no Brasil: "O Vagabundo (The Tramp)".

Seu posicionamento politico de esquerda, sempre esteve presente em seus filmes.Tempos Modernos foi um filme que criticava a situação da classe operária e dos pobres, utilizando conceitos marxistas elaborados por Karl Marx.

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Em 1940 lançou "O Grande Ditador", seu primeiro filme falado, onde Chaplin criticou Adolf Hitler e o Fascismo. O filme recebeu nomeações como melhor filme, melhor ator, melhor roteiro e música original, mas não foi premiado.

Em 1952, Chaplin ganhou o Oscar de melhor música em filme dramático por "Luzes da Ribalta" (Limelight), porém no mesmo ano, após anunciar que iria viajar para Suíça com sua esposa Oona O'neil, o governo americano confiscou seus bens, e mais tarde, quando tentou retornar aos EUA, foi proibido pelo serviço de imigração e seu visto foi cassado sob a acusação de "atividades anti-americanas". Charles então decide morar na Suíça. Em razão das perseguições da época de sua realização, este prêmio só pode ser recebido em 1972, junto com talvez a sua maior premiação.

Em 1972, ainda no exílio, havendo muita expectativa nesta premiação (não se sabia se seria permitida sua re-entrada no país), ele volta aos Estados Unidos pela última vez, para receber um prêmio especial da Academia por "suas incalculáveis realizações na indústria do cinema", se tornando uma das maiores aclamações na história do Oscar, onde foi aplaudido por mais de cinco minutos, em pé, por todos os presentes.

Charles Chaplin morreu no dia 25 de Dezembro de 1977, aos 88 anos, na Suíça, vítima de um derrame cerebral.

fotos: Google Imagem

Palavras-chave: Cinema

Postado por Ana A. S. Cesar

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