Stoa :: Ana A. S. Cesar :: Blog :: Vai fechar a E.E.Alberto Torres, no Butantã???

dezembro 07, 2009

default user icon
Postado por Ana A. S. Cesar

serra_blog

 

O governo do Estado de São Paulo ameaça fechar aquela que tem, segundo o seu próprio indicador de qualidade, o melhor ensino médio da capital. Localizada no Butantã, zona oeste da cidade, a escola estadual Alberto Torres ficou em primeiro lugar no Saresp 2008, mas não deve oferecer aulas no ano letivo de 2010.

A certeza do fechamento chegou a pais, alunos e professores em uma reunião no dia 28 de outubro. Conforme relataram  dois professores, quatro pais e três alunos da escola, o encerramento das atividades foi anunciado pela vice-diretora, Eunice Ramos, e por uma superintendente da Diretoria de Ensino da Região Centro-Oeste.

Na ocasião, também foram distribuídos aos pais formulários para que escolhessem três escolas da região para as quais gostariam de transferir seus filhos a partir do ano que vem.

Desde então, funcionários, pais e alunos estão se mobilizando para impedir o fim da escola. Na semana passada, entraram com um pedido no Ministério Público e no Conselho Tutelar do Butantã para que acompanhassem o caso.

Segundo funcionários presentes nessa reunião, a justificativa apresentada pelo Estado é que não há demanda de alunos na região --baixa procura confirmada pela Secretaria da Educação. Hoje, há 178 alunos matriculados na escola, conforme informou a Cogesp (órgão que administra as escolas estaduais da região metropolitana).

O colégio fica numa região nobre de São Paulo, ao lado do Instituto Butantan e próximo à futura estação Butantã do metrô, cuja inauguração é prevista para o ano que vem. Foi inaugurada em 1932 como uma escola agrícola e foi idealizada por Vital Brazil para abrigar filhos de funcionários da instituição de pesquisa.

Hoje, sem hortas e pomares, abriga sete turmas de ensino fundamental e médio, cujos alunos e professores dizem conviver há pelo menos três anos com boatos e ameaças de fechamento.

"Há demanda. O problema é que, com esses boatos, pais têm medo de colocar seus filhos e professores resistem em ir", disse o professor de filosofia Liroan Tadeu Porto de Lima. Para Cíntia Ribeiro, aluna da sétima série, o pior é estudar sem a certeza de que a escola estará lá no ano seguinte. "Eu gosto de estudar lá e queria ficar. É muito ruim ter que ficar trocando de escola toda hora."

Mesmo com a ameaça, Sueli Ferreira da Silva, assistente de serviços gerais e mãe de uma aluna do segundo ano, não pensa em mudar de planos. "Quero por minha filha mais nova lá."

Outro lado

Após ser questionada por meio de sua assessoria de imprensa durante três dias --dos quais em dois negou a história--, a Secretaria da Educação do Estado, por meio da Cogesp (coordenadoria de escolas da rede estadual na Grande SP), afirmou que ainda não tem definição sobre se a escola continuará funcionando para o ano letivo de 2010.

"Quem deve aprovar o fechamento é o próprio secretário [estadual da Educação, Paulo Renato Souza], que ainda não tomou a decisão", disse o coordenador da Cogesp, José Benedito Oliveira. Segundo ele, a secretaria não orientou a vice-diretora Eunice Ramos a anunciar o fechamento da unidade.

Ele admitiu, porém, que a secretaria realizou estudos sobre a demanda na escola e verificou queda de 73% no número de estudantes desde 2005 -naquele ano, havia 654; hoje tem 178. 

(Matéria publicada em 02/12/2009)

 

Referências: Jornal Folha de São Paulo; Caricatura do Governador do Estado de São Paulo José Serra, selecionada para o 16º Salão Nacional de Humor de Ribeirão Preto - Gilberto Martimiano: www.artedogil.wordpress.com

Palavras-chave: Educação, Ensino Médio, Escolas

Postado por Ana A. S. Cesar

Comentários

  1. Sady Carlos de Souza Junior escreveu:

    Profa. Ana Cesar,

    É uma pena isto acontecer aqui nesta Metrópole que é São Paulo.

    Fui professor de Filosofia, Sociologia e História no Ensino Médio nesta Escola e tenho muito boas lembranças dos anos que lecionei lá: em 1996, 1997! Inclusive há alunos que até hoje me reconhecem como professor!

    Se deixar de ser uma Escola, fico torcendo para que este espaço tenha um uso/função mais apropriada com o seu destino de educar e retransmitir cultura.

    Sady Carlos

     

    Sady CarlosSady Carlos de Souza Junior ‒ terça, 08 dezembro 2009, 17:37 -02 # Link |

  2. Benedito Ubirata da Silva escreveu:

    Opaaaa! O Sr. Sady foi professor no Alberto Torres em 97? Que legal. Bom dar aula no ensino médio estadual, e principalmente qdo se vê  na história do corpo docente de uma escola que atingiu pontuações grandes no Saresp. Passei por esse processo, a gente se sente bem. No entanto, não é nada agradável perceber que todo um trabalho de contrôle de Qualidade de anos, se esvai.

    Mas ou posso estar enganado, ou redondamente enganado. A política de fechar salas de aulas é por ter possibilidades de sobra de salas e também em função pelo numero de escolas particulares oferecendo essas salas. Não que seja uma política de privatização. Porém se ninguém se matricula, e as escolas particulares abrem salas por excesso de matrículas, o estado se sente no direito de fechar essas salas. 

    Posso estar errado, mas ouvi isso, qdo fui professor no ensino Médio no começo da década.

    Se fosse essa política, mais ou menos o que eu escrevi. Eu discordo, devem existir padrões de qualidades. Ou seja, se a instituição educacional pública tem um aspecto positivo, bom. Então essa poderia ser mantida como elemento padrão às outras instituições que não deixariam de ganhar com isso. Afinal, ela tem os alunos e suas respectivas matrículas e mensalidades.

    Se por um azar, o aluno ou aluna se sente lesado pela qualidade, o governo não precisa controlar diretamente. Pelo menos por essas vias. Mas pela via da qualidade de instituições consideradas padrões. Aí este aluno se permite a sair da instituição particular para ir para a padrão. Mais ou menos o que acontece com a USP.

    Mas aí vem a controvérsia?

    Aonde estaria o controle governamental da qualidade? 

    No momento em que ele vê no todo, o comportamento educacional, se este ainda está abaixo, muito abaixo da qualidade. Ele intervém. Mais ou menos o que aconteceu com a crise econômica mundial, em que os menos neoliberais, e os mais neoliberais tiveram que intervir no mercado livre para esse naõ deixar a coisa cair no caos da ausência de qualidade padronizada.

    Bom saber que vc foi professor do Ensino Médio Público. Dá um outro enfoque na minha visão. Pesquisadores aqui da USP, ou professores, falam da realidade brasileira, sem ao menos nunca ter entrado, trabalhado, e convivido com pessoas de maioria do País. No seus trabalhos vou ler com mais carinho.

    Saudações Corintianas.

     

     

    Benedito

    default user iconBenedito Ubirata da Silva ‒ terça, 08 dezembro 2009, 18:08 -02 # Link |

  3. Sady Carlos de Souza Junior escreveu:

    Olá Benedito!

    Obrigado, por suas palavras, pelos seus esclarecimentos comparativos do ensino público e privado! Nós, apesar de todas as dificuldades que temos como professores, somos realmente gladiadores, pois "inoculamos" o conhecimento à juventude que está aí - com muita dificuldade, mas seguindo sempre em frente!

    Eu saí da EE Alberto Torres quando o governo do Covas demitiu 20.000 professores que como eu, acumulavam cargo público sem ser concursados. Então tive que fazer as malas!

    Mas hoje sou professor efetivo do Estado, portanto continuo lecionando na Rede Pública, porém em outra Escola de São Paulo, além de ser funcionário da USP.

    Sady CarlosSady Carlos de Souza Junior ‒ terça, 08 dezembro 2009, 21:36 -02 # Link |

  4. Andre de Freitas Dutra escreveu:

    http://www1.folha.uol.com.br/folha/educacao/ult305u663883.shtml

    Parece que a escola continua...

    Andre de Freitas DutraAndre de Freitas Dutra ‒ quarta, 09 dezembro 2009, 13:27 -02 # Link |

  5. Robson Albert- robson.albert@gmail,com escreveu:

    Robson Albert ex- aluno do Alberto Torres

     

    Gente precisamos muito fazer algo, pois aquela escola faz parte da minha vida pois desde a 1ª série estudei naquela escola até me formar no ensino médio. Vamos nos mobilizar pra que isso não aconteça. Meu e-mail é robson.albert@gmail.com vamos fazer com que isso não ocorra!

    default user iconRobson Albert- robson.albert@gmail,com ‒ quarta, 16 dezembro 2009, 14:23 -02 # Link |

  6. Dênis Douglas Veiga de Souza escreveu:

    Olá povo stoano...

       Temo pela Alberto Torres por já  ter vivido essa situação.

       Estudei na EE Profª Zuleika Ferreira da Costa Aguiar,na Vila Diva,ZL,da 1ª a 6ª série.Já no final da 4ª fiquei sabendo das intenções do Cogesp em fechá-la,o que a comunidade conseguiu derrubar por 2 vezes,em 99 e 2000,mas em 2002 (ou 2003,não me lembro ao certo...) Alckmin a incluiu num pacote de escolas que,pelo baixo numero de alunos previstos para o ano seguinte,foram ou repassadas ao poder municipal,ou fechadas.

      Ocorre,que dessas,apenas ela continuava em bom estado um ano depois,pois seu zelador  soube protegê-la da depredação e descaso ocorrido nas demais.Ironicamente,numa região com  boa demanda para um telecentro ou um centro de línguas,o Governo decidiu instalar lá o 3º BPM, presumo eu para agilizar o policiamento na favela localizada no fim da rua, a Mata-Porco.

        Isto é,para o Governo é mais fácil coibir os resultados de pouco investimento em Educação do que melhorar a qualidade do ensino.

        Eis a realidade,meu povo stoano...

    Dênis Douglas Veiga de SouzaDênis Douglas Veiga de Souza ‒ quarta, 23 junho 2010, 20:31 -03 # Link |

  7. Visitante escreveu:

    Nossa! Que saudade tenho dessa escola! Estudei lá desde a 1ª série até a 8ª série! Também tenho ótimas lembranças!

    Tive ótimos professores como D. Angelina e Ernesto de Matemática!

    É UMA PENA!!!

    Isabel

    default user iconVisitante ‒ domingo, 02 janeiro 2011, 23:37 -02 # Link |

Você deve entrar no sistema para escrever um comentário.

Termo de Responsabilidade

Todo o conteúdo desta página é de inteira responsabilidade do usuário. O Stoa, assim como a Universidade de São Paulo, não necessariamente corroboram as opiniões aqui contidas.