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maio 30, 2009

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Postado por Ana A. S. Cesar

 

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Termos acessórios da oração

1) Adjunto adnominal

 

É o termo que se liga a um núcleo nominal (representado por substantivo ou palavra substantiva) para especificar, delimitar, restringir a sua significação. O adjunto adnominal pode ser representado por artigos, adjetivos, locuções adjetivas, numerais e pronomes. Exemplos (em negrito):

 

Essas duas complicadas questões de Matemática foram anuladas.

 

Quem ofendeu o menino se verá com o meu pai.

 

Quantos anos ela tem?

 

Observações:

 

a) O adjunto adnominal oracional é chamado de oração subordinada adjetiva restritiva. Exemplos:

 

As moças das quais falávamos foram embora.

 

Os homens que agridem as esposas devem ser presos.

 

Veja-se que, no lugar de uma oração adjetiva, sempre é possível posicionar um adjetivo:

 

As moças simpáticas foram embora.

 

Os homens agressivos devem ser presos.

 

As orações subordinadas adjetivas serão estudadas detalhadamente no capítulo sobre pronomes relativos.

 

b) Quando um termo preposicionado se liga a um substantivo abstrato, pode ser classificado como complemento nominal ou adjunto adnominal. Para facilitar a análise, costuma-se observar o papel desempenhado pelo termo na oração: se for paciente (alvo), será complemento nominal; se agente ou possuidor, adjunto adnominal. Exemplos:

 

O amor do filho pela mãe era muito grande. (“o filho” é o possuidor do amor; portanto, é o adjunto adnominal; “a mãe” é o alvo do amor; logo, trata-se do complemento nominal)

 

A invasão do Iraque pelos Estados Unidos chocou a todos. (o termo “os Estados Unidos” é o agente da invasão; portanto, é o adjunto adnominal; “o Iraque” é o alvo da invasão; logo, trata-se do complemento nominal)

 

2) Adjunto adverbial

 

É o termo que se liga ao verbo, ao adjetivo ou ao advérbio para indicar certas circunstâncias, como tempo, lugar, modo, negação, afirmação, dúvida, etc. Exemplos:

 

Sua esposa vem de Brasília. (adjunto adverbial de lugar ligado ao verbo “vem”)

 

Naquela bela cidade, todos eram felizes. (adjunto adverbial de lugar ligado ao verbo “eram”)

 

Com o susto, muitas pessoas ficaram resfolegantes. (adjunto adverbial de causa ligado ao verbo “ficaram”)

 

Hoje haverá uma festa. (adjunto adverbial de tempo ligado ao verbo “haverá”)

 

Ela estava muito assustada. (adjunto adverbial de intensidade ligado ao adjetivo “assustada”)

 

Ela se saiu muito bem na prova. (adjunto adverbial de intensidade ligado ao advérbio “bem”)

 

Observações:

 

a) Diferença entre adjunto adverbial e advérbio: este é uma classe gramatical (da Morfologia) que exprime circunstâncias de tempo, modo, lugar, intensidade, modo, afirmação, negação, dúvida, entre outras. Aquele é uma classificação sintática, que se dá a qualquer palavra ou grupo de palavras que também indiquem circunstâncias. Exemplos:

 

Eles agiram melhor do que eu. (análise morfológica: advérbio de modo; análise sintática: adjunto adverbial de modo)

 

Por meus filhos, eu faço qualquer coisa. (análise morfológica: preposição + pronome possessivo + substantivo; análise sintática: adjunto adverbial de causa)

 

b) A classe gramatical dos advérbios é variável somente em grau: comparativo e superlativo. Assim como nos adjetivos, o comparativo pode ser: de superioridade (Ela mora mais perto daqui (do) que você); de igualdade (João nada tão bem quanto eu); e de inferioridade (Ela mora menos perto daqui (do) que você). O superlativo pode ser absoluto (Joana acordou cedíssimo) ou analítico (Ela acordou cedo demais). Note-se que os advérbios “bem” e “mal” não admitem as formas analíticas, a não ser que antecedam um verbo no particípio. Exemplos:

 

A moça escreve melhor que o pai. (e não “mais bem”).

 

A moça está mais bem preparada que o pai. (e não “melhor”)

 

Você foi pior que eu na prova (e não “mais mal”)

 

Ele é mais malvisto que eu (e não “melhor visto”)

 

c) Os adjuntos adverbiais podem aparecer em forma oracional, caso em que se chamarão orações subordinadas adverbiais. Exemplo:

 

Ela viajará amanhã. (adjunto adverbial de tempo)

 

Ela viajará assim que tiver dinheiro. (oração subordinada adverbial temporal)

 

Será dada atenção especial a essa e outras orações no capítulo intitulado “Período composto”.

 

d) São vários os contornos semânticos dos adjuntos adverbiais. Vejam-se alguns:

 

Adjunto adverbial de lugar: Todos ficaram no estádio.

Adjunto adverbial de tempo: À noite, o espírito fica leve.

Adjunto adverbial de modo: Ela entrou na igreja solenemente.

Adjunto adverbial de negação: Eu não diria isso.

Adjunto adverbial de intensidade: Estamos felizes demais.

Adjunto adverbial de afirmação: Eu realmente disse isso.

Adjunto adverbial de dúvida: Talvez ela venha.

Adjunto adverbial de causa: Por sua causa, fui demitido.

Adjunto adverbial de companhia: Sairemos com uns amigos.

Adjunto adverbial de matéria: Essa pulseira é feita de prata.

Adjunto adverbial de meio: Vamos de carro ou a cavalo?

Adjunto adverbial de concessão: Apesar de você, sou feliz.

Adjunto adverbial de preço: As luvas custaram caro.

Adjunto adverbial de instrumento: Ele removeu o lixo com uma vassoura.

 

e) Algumas palavras e expressões, que não se enquadram rigorosamente em nenhuma das dez classes previstas pela Nomenclatura Gramatical Brasileira, mas se assemelham aos advérbios, são classificadas como palavras denotativas. Estas são divididas de acordo com o seu teor semântico. Observem-se alguns exemplos:

 

Palavra denotativa de adição: ainda, além disso, ademais, etc. Exemplo: O homem chorou. Além disso, desmaiou.

Palavra denotativa de afetividade: felizmente, infelizmente, etc. Exemplo: Infelizmente não pude ir.

Palavra denotativa de aproximação: quase, aproximadamente, etc. Exemplo: Ela quase foi reprovada.

Palavra denotativa de exclusão: só, somente, apenas, exclusive, etc. Exemplo: Eu quis ser gentil.

Palavra denotativa de inclusão: até, também, inclusive, etc. Exemplo: Até você pode vencer.

Palavra denotativa de realce: que, é que, etc. Exemplo: Ela é que começou.

Palavra denotativa de situação: então, afinal, etc. Exemplo: Afinal, que faremos?

Palavra denotativa de retificação: aliás, ou melhor, etc. Exemplo: Ele é japonês, ou melhor, oriental.

Palavra denotativa de explicação ou exemplificação: isto é, ou seja, por exemplo, a saber, etc. Exemplo: Há vários autores de que gosto, a saber: Machado, Lispector, Garret e outros.

 

3) Aposto

 

É o termo que explica, especifica, resume ou enumera outro termo da oração. Vejamos cada um dos quatro tipos de aposto:

 

a) Aposto explicativo: termo que explica, esclarece algum termo da oração. É sempre isolado por sinais de pontuação, principalmente as vírgulas. Exemplos:

 

Naquela segunda-feira, um Natal triste, eu não encontrei ninguém.

 

Alexandre, o engenheiro que contratei, virá aqui hoje.

 

Só faltava uma coisa: o amor.

 

O aposto explicativo pode aparecer sob a forma de duas orações, conforme se vê abaixo:

 

Naquela segunda-feira, que não passou de um Natal triste, eu não encontrei ninguém.

 

Só faltava uma coisa: que ela sentisse o verdadeiro amor.

 

A primeira oração, que tem função adjetiva, chama-se oração subordinada adjetiva explicativa. A segunda, de função substantiva, é classificada como oração subordinada substantiva apositiva.

 

Observação: há autores que consideram ser a oração subordinada adjetiva explicativa um adjunto adnominal, e não um aposto. Discordamos desse ponto de vista, porquanto a referida oração se coaduna mais com a concepção de aposto (algo que explica) do que com a de adjunto adnominal (algo que restringe).

 

b) Aposto especificador: especifica e nomeia o núcleo nominal. Exemplos:

 

A Rua Martins Fontes é muito movimentada.

 

Você é o professor Dílson?

 

Perceba-se que o aposto especificador geralmente nomeia o núcleo, e não o qualifica, como faz o adjetivo com função sintática de adjunto adnominal. Sob essa ótica, os termos destacados abaixo seriam adjuntos adnominais:

 

Moro numa rua tranquila.

 

Ele é um professor genial.

 

c) Aposto enumerador: enumera um termo da oração, desmembrando-o em partes. Exemplo:

 

Há vários aspectos a serem considerados: a miséria, os baixos índices de escolaridade, a violência, entre outros. (os termos destacados enumeram os aspectos mencionados)

 

d) Aposto resumidor: desempenha papel contrário ao do enumerador. Em vez de desmembrar, resume os elementos mencionados em somente um termo, geralmente um pronome. Exemplos:

 

Miséria, baixos índices de escolaridade, violência, tudo deve ser considerado. (o pronome “tudo” resume os elementos mencionados)

 

Aquela família conseguiu realizar seus maiores sonhos, o que muito nos aprouve. (o pronome “o” resume o conteúdo da oração anterior)

 

4) Vocativo

 

É o termo pelo qual se chama um interlocutor real ou imaginário. Vem sempre isolado por vírgula(s). Exemplo:

 

"Deus!, ó Deus!, onde estás que não respondes?" (Castro Alves, Obra Completa, p. 290).

 

Observação: nos vocativos acima, embora seja usado o ponto de exclamação, não se afasta o uso da vírgula, já que aquele, nesse caso, não encerra.                                                                                                                                                     

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