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maio 30, 2009

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Postado por Ana A. S. Cesar

 

Speedy não cumpre regras simples, diz Procon
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LÍNGUA PORTUGUESA

 

Emprego das classes das palavras - Emprego do sinal indicativo de crase - Sintaxe da oração e do período - Pontuação - Concordância nominal e verbal - Regência nominal e verbal - Pronomes: emprego, formas de tratamento e colocação - Emprego de tempos e modos verbais - Estrutura e sequência lógica de frases e parágrafos.

 

I - Compreensão e interpretação de texto.

 

II - Significação das palavras: sinônimos, antônimos, homônimos e parônimos.

 

• Sinônimos: Palavras sinônimas -> duas ou mais palavras identificam-se exatamente ou aproximadamente quanto ao significado. As que se identificam exatamente se dizem sinônimas perfeitas (cara e rosto). As que se identificam por aproximadamente se dizem sinônimas imperfeitas (esperar e aguardar).

Antônimos: Palavras antônimas - duas ou mais palavras têm significados contrários, como amor e ódio vitorioso e derrotado.

• Homônimos: Palavras homônimas - duas ou mais palavras apresentam identidade de sons ou de forma, mas de significado diferente.

As palavras homônimas se apresentam como:

  • perfeitas - mesma grafia e mesma pronúncia, mas com classes diferentes

Ex.: caminho (substantivo) e caminho (do verbo caminhar) / cedo (advérbio) e cedo (do verbo ceder) / for (do verbo ser) e for (do verbo ir) / livre (adjetivo) e livre (do verbo livrar) / são (adjetivo) e são (do verbo ser) / serrar (substantivo) e serra (do verbo serrar)

  • homógrafas - mesma grafia e pronúncia diferente

Ex.: colher (substantivo) e colher (do verbo colher) / começo (substantivo) e começo (do verbo começar) / gelo (substantivo) e gelo (do verbo gelar) / torre (substantivo) e torre (verbo torrar)

  • homófonas - grafia diferente e mesma pronúncia

Ex.: acender (pôr fogo) e ascender (subir) / acento (tonicidade de palavras) e assento (lugar para sentar-se) / apreçar (avaliar preços) e apressar (acelerar) / caçar (perseguição e morte de seres vivos) e cassar (anular) / cela (quarto pequeno), sela (arreio de animais) e sela (do verbo selar) / cerrar (fechar) e serrar (cortar) / cessão (doação), seção (divisão) e sessão (tempo de duração de uma apresentação ou espetáculo) / concerto (apresentação musical) e conserto (arrumação) / coser (costurar) e cozer (cozinhar) / sinto (do verbo sentir) e cinto (objeto de vestuário) / taxa (imposto) e tacha (prego pequeno)

 

Observação

Não se deve confundir os homônimos perfeitos com o conceito de polissemia em que as palavras têm mesma grafia, som e classe (ponto de ônibus, ponto final, ponto de vista, ponto de encontro etc.)

• Parônimos: Palavras parônimas - duas ou mais palavras quando apresentam grafia e pronúncia parecidas, mas significado diferente.

Ex.: área (superfície) e ária (melodia) / comprimento (extensão) e cumprimento (saudação) / deferir (conceder) e diferir (adiar) / descrição (ato de descrever) e discrição (reserva em atos e atitudes) / despercebido (desatento) e desapercebido (despreparado) / emergir (vir a tona, despontar) e imergir (mergulhar) / emigrante (quem sai voluntariamente de seu próprio país para se estabelecer em outro) e imigrante (quem entra em outro país a fim de se estabelecer) / eminente (destacado, elevado) e iminente (prestes a acontecer) / fla grante (evidente) e fragrante (perfumado, aromático) / fluir (correr em estado fluido ou com abundância) e fruir (desfrutar, aproveitar) / inflação (desvalorização da moeda) e infração (violação da lei) / infringir (transgredir) e infligir (aplicar) / ratificar (confirmar) e retificar (corrigir) / tráfego (trânsito de veículos em vias públicas) e tráfico (comércio desonesto ou ilícito) / vultoso (que faz vulto, volumoso ou de grande importância) e vultuoso (acometido de congestão da face).

 

III - Pontuação. Estrutura e seqüência lógica de frases e parágrafos.

 

Há certos recursos da linguagem - pausa, melodia, entonação e até mesmo, silêncio - que só estão presentes na oralidade. Na linguagem escrita, para substituir tais recursos, usamos os sinais de pontuação. Estes são também usados para destacar palavras, expressões ou orações e esclarecer o sentido de frases, a fim de dissipar qualquer tipo de ambigüidade.

1. Vírgula


   
Emprega-se a vírgula (uma breve pausa):

a) para separar os elementos mencionados numa relação:
   A nossa empresa está contratando engenheiros, economistas, analistas de sistemas e secretárias.
   O apartamento tem três quartos, sala de visitas, sala de jantar, área de serviço e dois banheiros.

NOTA
Mesmo que o e venha repetido antes de cada um dos elementos da enumeração, a vírgula deve ser empregada:


   Rodrigo estava nervoso. Andava pelos cantos, e gesticulava, e falava em voz alta, e ria, e roía as unhas.

b) para isolar o vocativo:
   Cristina, desligue já esse telefone!
   Por favor, Ricardo, venha até o meu gabinete.

c) para isolar o aposto:
   Dona Sílvia, aquela mexeriqueira do quarto andar, ficou presa no elevador.
   Rafael, o gênio da pintura italiana, nasceu em Urbino.

d) para isolar palavras e expressões explicativas (a saber, por exemplo, isto é, ou melhor, aliás, além disso etc.):
   Gastamos R$ 5.000,00 na reforma do apartamento, isto é, tudo o que tínhamos economizado durante anos.
   Eles viajaram para a América do Norte, aliás, para o Canadá.

e) para isolar o adjunto adverbial antecipado:
   Lá no sertão, as noites são escuras e perigosas.
   Ontem à noite, fomos todos jantar fora.

f) para isolar elementos repetidos:
   O palácio, o palácio está destruído.
   Estão todos cansados, cansados de dar dó!

g) para isolar, nas datas, o nome do lugar:
   São Paulo, 22 de maio de 1995.
   Roma, 13 de dezembro de 1995.

h) para isolar os adjuntos adverbiais:
   A multidão foi, aos poucos, avançando para o palácio.
   Os candidatos serão atendidos, das sete às onze, pelo próprio gerente.

i) para isolar as orações coordenadas, exceto as introduzidas pela conjunção e:
   Ele já enganou várias pessoas, logo não é digno de confiança.
   Você pode usar o meu carro, mas tome muito cuidado ao dirigir.
   Não compareci ao trabalho ontem, pois estava doente.

j) para indicar a elipse de um elemento da oração:
   Foi um grande escândalo. Às vezes gritava; outras, estrebuchava como um animal.
   Não se sabe ao certo. Paulo diz que ela se suicidou, a irmã, que foi um acidente.

k) para separar o paralelismo de provérbios:
   Ladrão de tostão, ladrão de milhão.
   Ouvir cantar o galo, sem saber onde.

l) após a saudação em correspondência (social e comercial):
   Com muito amor,
   Respeitosamente,

m) para isolar as orações adjetivas explicativas:
   Marina, que é uma criatura maldosa, "puxou o tapete" de Juliana lá no trabalho.
   Vidas Secas, que é um romance contemporâneo, foi escrito por Graciliano Ramos.

n) para isolar orações intercaladas:
   Não lhe posso garantir nada, respondi secamente.
   O filme, disse ele, é fantástico.


2. Ponto

   
Emprega-se o ponto, basicamente, para indicar o término de uma frase declarativa de um período simples ou composto.

   Desejo-lhe uma feliz viagem.
   A casa, quase sempre fechada, parecia abandonada, no entanto tudo no seu interior era conservado com primor.

   O ponto é também usado em quase todas as abreviaturas, por exemplo: fev. = fevereiro, hab. = habitante, rod. = rodovia.

   O ponto que é empregado para encerrar um texto escrito recebe o nome de ponto final.


3. Ponto-e-vírgula

   Utiliza-se o ponto-e-vírgula para assinalar uma pausa maior do que a da vírgula, praticamente uma pausa intermediária entre o ponto e a vírgula.
   Geralmente, emprega-se o ponto-e-vírgula para:

   a) separar orações coordenadas que tenham um certo sentido ou aquelas que já apresentam separação por vírgula:
   Criança, foi uma garota sapeca; moça, era inteligente e alegre; agora, mulher madura, tornou-se uma doidivanas.

   b) separar vários itens de uma enumeração:
   Art. 206. O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios:
   I - igualdade de condições para o acesso e permanência na escola;
   II - liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber;
   III - pluralismo de idéias e de concepções, e coexistência de instituições públicas e privadas de ensino;
   IV - gratuidade do ensino em estabelecimentos oficiais;
   . . . . . . . .
(Constituição da República Federativa do Brasil)


4. Dois-pontos

   
Os dois-pontos são empregados para:

   a) uma enumeração:
   ... Rubião recordou a sua entrada no escritório do Camacho, o modo porque falou: e daí tornou atrás, ao próprio ato.
Estirado no gabinete, evocou a cena: o menino, o carro, os cavalos, o grito, o salto que deu, levado de um ímpeto irresistível...
(Machado de Assis)

   b) uma citação:
   Visto que ela nada declarasse, o marido indagou:
   - Afinal, o que houve?

   c) um esclarecimento:
   Joana conseguira enfim realizar seu desejo maior: seduzir Pedro. Não porque o amasse, mas para magoar Lucila.

   Observe que os dois-pontos são também usados na introdução de exemplos, notas ou observações.
   Parônimos são vocábulos diferentes na significação e parecidos na forma. Exemplos: ratificar/retificar, censo/senso, descriminar/discriminar etc.

   Nota: A preposição per, considerada arcaica, somente é usada na frase de per si (= cada um por sua vez, isoladamente).

   Observação: Na linguagem coloquial pode-se aplicar o grau diminutivo a alguns advérbios: cedinho, longinho, melhorzinho, pouquinho etc.

NOTA
A invocação em correspondência (social ou comercial) pode ser seguida de dois-pontos ou de vírgula:
     Querida amiga:
     Prezados senhores,



5. Ponto de interrogação

   O ponto de interrogação é empregado para indicar uma pergunta direta, ainda que esta não exija resposta:

   O criado pediu licença para entrar:
   - O senhor não precisa de mim?
   - Não obrigado. A que horas janta-se?
   - Às cinco, se o senhor não der outra ordem.
   - Bem.
   - O senhor sai a passeio depois do jantar? de carro ou a cavalo?
   - Não.
(José de Alencar)


6. Ponto de exclamação

   
O ponto de exclamação é empregado para marcar o fim de qualquer enunciado com entonação exclamativa, que normalmente exprime admiração, surpresa, assombro, indignação etc.

   - Viva o meu príncipe! Sim, senhor... Eis aqui um comedouro muito compreensível e muito repousante, Jacinto!
   - Então janta, homem!
(Eça de Queiroz)

NOTA
O ponto de exclamação é também usado com interjeições e locuções interjetivas:
   Oh!

   Valha-me Deus!



7. Reticências

   
As reticências são empregadas para:

a) assinalar interrupção do pensamento:
   - Bem; eu retiro-me, que sou prudente. Levo a consciência de que fiz o meu dever. Mas o mundo saberá...
(Júlio Dinis)

b) indicar passos que são suprimidos de um texto:
   O primeiro e crucial problema de lingüística geral que Saussure focalizou dizia respeito à natureza da linguagem. Encarava-a como um sistema de signos... Considerava a lingüística, portanto, com um aspecto de uma ciência mais geral, a ciência dos signos...

(Mattoso Camara Jr.)

c) marcar aumento de emoção:
   As palavras únicas de Teresa, em resposta àquela carta, significativa da turvação do infeliz, foram estas: "Morrerei, Simão, morrerei. Perdoa tu ao meu destino... Perdi-te... Bem sabes que sorte eu queria dar-te... e morro, porque não posso, nem poderei jamais resgatar-te.
(Camilo Castelo Branco)


8. Aspas

   As aspas são empregadas:

a) antes e depois de citações textuais:
   Roulet afirma que "o gramático deveria descrever a língua em uso em nossa época, pois é dela que os alunos necessitam para a comunicação quotidiana".

b) para assinalar estrangeirismos, neologismos, gírias e expressões populares ou vulgares:
   O "lobby" para que se mantenha a autorização de importação de pneus usados no Brasil está cada vez mais descarado.
(Veja)

   Na semana passada, o senador republicano Charles Grassley apresentou um projeto de lei que pretende "deletar" para sempre dos monitores de crianças e adolescentes as cenas consideradas obscenas.
(Veja)

   Popularidade no "xilindró"
   Preso há dois anos, o prefeito de Rio Claro tem apoio da população e quer uma delegada para primeira-dama.
(Veja)

   Com a chegada da polícia, os três suspeitos "puxaram o carro" rapidamente.

c) para realçar uma palavra ou expressão:
   Ele reagiu impulsivamente e lhe deu um "não" sonoro.
   Aquela "vertigem súbita" na vida financeira de Ricardo afastou-lhe os amigos dissimulados.


9. Travessão

   
Emprega-se o travessão para:

a) indicar a mudança de interlocutor no diálogo:
   - Que gente é aquela, seu Alberto?
   - São japoneses.
   - Japoneses? E... é gente como nós?
   - É. O Japão é um grande país. A única diferença é que eles são amarelos.
   - Mas, então não são índios?
(Ferreira de Castro)

b) colocar em relevo certas palavras ou expressões:
   Maria José sempre muito generosa - sem ser artificial ou piegas - a perdoou sem restrições.
   Um grupo de turistas estrangeiros - todos muito ruidosos - invadiu o saguão do hotel no qual estávamos hospedados.

c) substituir a vírgula ou os dois pontos:
   Cruel, obscena, egoísta, imoral, indômita, eternamente selvagem, a arte é a superioridade humana - acima dos preceitos que se combatem, acima das religiões que passam, acima da ciência que se corrige; embriaga como a orgia e como o êxtase.
(Raul Pompéia)

d) ligar palavras ou grupos de palavras que formam um "conjunto" no enunciado:
   A ponte Rio-Niterói está sendo reformada.
   O triângulo Paris-Milão-Nova York está sendo ameaçado, no mundo da moda, pela ascensão dos estilistas do Japão.


10. Parênteses

   Os parênteses são empregados para:

a) destacar num texto qualquer explicação ou comentário:
   Todo signo linguístico é formado de duas partes associadas e inseparáveis, isto é, o significante (unidade formada pela sucessão de fonemas) e o significado (conceito ou idéia).

b) incluir dados informativos sobre bibliografia (autor, ano de publicação, página etc.):
   Mattoso Camara (1977:91) afirma que, às vezes, os preceitos da gramática e os registros dos dicionários são discutíveis: consideram erro o que já poderia ser admitido e aceitam o que poderia, de preferência, ser posto de lado.

c) indicar marcações cênicas numa peça de teatro:
   Abelardo I - Que fim levou o americano?
   João - Decerto caiu no copo de uísque!
   Abelardo I - Vou salvá-lo. Até já!
         (sai pela direita)
(Oswald de Andrade)

d) isolar orações intercaladas com verbos declarativos, em substituição à vírgula e aos travessões:
   Afirma-se (não se prova) que é muito comum o recebimento de propina para que os carros apreendidos sejam liberados sem o recolhimento das multas.


11. Asterisco

O asterisco, sinal gráfico em forma de estrela, é um recurso empregado para:

a) remissão a uma nota no pé da página ou no fim de um capítulo de um livro:
   Ao analisarmos as palavras sorveteria, sapataria, confeitaria, leiteria e muitas outras que contêm o morfema preso* -aria e seu alomorfe -eria, chegamos à conclusão de que este afixo está ligado a estabelecimento comercial. Em alguns contextos pode indicar atividades, como em: bruxaria, gritaria, patifaria etc.

   * É o morfema que não possui significação autônoma e sempre aparece ligado a outras palavras.

b) substituição de um nome próprio que não se deseja mencionar:
   O Dr.* afirmou que a causa da infecção hospitalar na Casa de Saúde Municipal está ligada à falta de produtos adequados para assepsia.

 

O PARÁGRAFO

O parágrafo é organizado em torno de uma ideia-núcleo, que é desenvolvida por ideias secundárias. O parágrafo pode ser formado por uma ou mais frases, sendo seu tamanho variável. No texto dissertativo-argumentativo, os parágrafos devem estar todos relacionados com a tese ou ideia principal do texto, geralmente apresentada na introdução.

Embora existam diferentes formas de organização de parágrafos, os textos dissertativo-argumentativos e alguns gêneros jornalísticos apresentam uma estrutura-padrão. Essa estrutura consiste em três partes: a ideia-núcleo, as ideias secundárias (que desenvolvem a ideia-núcleo) e a conclusão (que reafirma a ideia-básica). Em parágrafos curtos, é raro haver conclusão.

Conheça a estrutura-padrão a seguir, observando sua organização interna.

(ideia-núcleo) A poluição que se verifica principalmente nas capitais do país é um problema relevante, para cuja solução é necessária uma ação conjunta de toda a sociedade.
(ideia secundária) O governo, por exemplo, deve rever sua legislação de proteção ao meio ambiente, ou fazer valer as leis em vigor; o empresário pode dar sua contribuição, instalando filtro de controle dos gases e líquidos expelidos, e a população, utilizando menos o transporte individual e aderindo aos programas de rodízio de automóveis e caminhões, como já ocorre em São Paulo.
(conclusão) Medidas que venham a excluir qualquer um desses três setores da sociedade tendem a ser inócuas no combate à poluição e apenas onerar as contas públicas.

Observe que a ideia-núcleo apresentou palavras-chave (poluição / solução / ação conjunta / sociedade) que vão nortear o restante do parágrafo. O período subsequente – ideia secundária – vai desenvolver o que foi citado anteriormente: ação conjunta – do governo, do empresário e da população. O último período retoma as ideias anteriores, posicionando-se frente ao tema.

Em suma, note que todo o parágrafo se organiza em torno do primeiro período, que expõe o ponto de vista do autor sobre como combater a poluição. O segundo período desenvolve e fundamenta a ideia-núcleo, apontando como cada um dos setores envolvidos pode contribuir. O último período conclui o parágrafo, reforçando a ideia-núcleo.


Outro aspecto que merece especial atenção são os elementos relacionadores, isto é, os conectores ou conetivos. Eles são responsáveis pela coesão do texto e tornam a leitura mais fluente; visam a estabelecer um encadeamento lógico entre as idéias e servem de “elo” entre o parágrafo, ou no interior do período, e o tópico que o antecede. Saber usá-los com precisão, tanto no interior da frase, quanto ao passar de um enunciado para outro, é uma exigência também para a clareza do texto. Sem esses conectores – pronomes relativos, conjunções, advérbios, preposições, palavras denotativas – as idéias não fluem, muitas vezes o pensamento não se completa, e o texto torna-se obscuro, sem coerência.

Os elementos relacionadores não são, todavia, obrigatórios; geralmente estão presentes a partir do segundo parágrafo. No exemplo a seguir, o parágrafo demonstrativo certamente não constitui o 1º parágrafo de uma redação.

Exemplo de um parágrafo e suas divisões

 “Nesse contexto, é um grave erro a liberação da maconha. Provocará de imediato violenta elevação do consumo. O Estado perderá o precário controle que ainda exerce sobre as drogas psicotrópicas e nossas instituições de recuperação de viciados não terão estrutura suficiente para atender à demanda. Enfim, viveremos o caos.”
(Alberto Corazza, Isto É, com adaptações)

Elemento relacionador : Nesse contexto.
Tópico frasal: é um grave erro a liberação da maconha.
Desenvolvimento: Provocará de imediato violenta elevação do consumo. O Estado perderá o precário controle que ainda exerce sobre as drogas psicotrópicas e nossas instituições de recuperação de viciados não terão estrutura suficiente para atender à demanda.
Conclusão: Enfim, viveremos o caos.

 

IV - Ortografia oficial. Acentuação gráfica.

Ver no blog.


V - Classes das palavras.

As palavras são classificadas de acordo com as funções exercidas nas orações.

Na língua portuguesa podemos classificar as palavras em:

Substantivo

É a palavra variável que denomina qualidades, sentimentos, sensações, ações, estados e seres em geral.

Quanto a sua formação, o substantivo pode ser primitivo (jornal) ou derivado (jornalista), simples (alface) ou composto (guarda-chuva).

Já quanto a sua classificação, ele pode ser comum (cidade) ou próprio (Curitiba), concreto (mesa) ou abstrato (felicidade).

Os substantivos concretos designam seres de existência real ou que a imaginação apresenta como tal: alma, fada, santo. Já os substantivos abstratos designam qualidade, sentimento, ação e estado dos seres: beleza, cegueira, dor, fuga.

Os substantivos próprios são sempre concretos e devem ser grafados com iniciais maiúsculas.

Certos substantivos próprios podem tornar-se comuns, pelo processo de derivação imprópria (um judas = traidor / um panamá = chapéu).

Os substantivos abstratos têm existência independente e podem ser reais ou não, materiais ou não. Quando esses substantivos abstratos são de qualidade tornam-se concretos no plural (riqueza X riquezas).

Muitos substantivos podem ser variavelmente abstratos ou concretos, conforme o sentido em que se empregam (a redação das leis requer clareza / na redação do aluno, assinalei vários erros).

Já no tocante ao gênero (masculino X feminino) os substantivos podem ser:

  • biformes: quando apresentam uma forma para o masculino e outra para o feminino. (rato, rata ou conde X condessa).
  • uniformes: quando apresentam uma única forma para ambos os gêneros. Nesse caso, eles estão divididos em:
  • epicenos: usados para animais de ambos os sexos (macho e fêmea) - albatroz, badejo, besouro, codorniz;
  • comum de dois gêneros: aqueles que designam pessoas, fazendo a distinção dos sexos por palavras determinantes - aborígine, camarada, herege, manequim, mártir, médium, silvícola;
  • sobrecomuns - apresentam um só gênero gramatical para designar pessoas de ambos os sexos - algoz, apóstolo, cônjuge, guia, testemunha, verdugo;

Alguns substantivos, quando mudam de gênero, mudam de sentido. (o cisma X a cisma / o corneta X a corneta / o crisma X a crisma / o cura X a cura / o guia X a guia / o lente X a lente / o língua X a língua / o moral X a moral / o maria-fumaça X a maria-fumaça / o voga X a voga).

Os nomes terminados em -ão fazem feminino em -ã, -oa ou -ona (alemã, leoa, valentona).

Os nomes terminados em -e mudam-no para -a, entretanto a maioria é invariável (monge X monja, infante X infanta, mas o/a dirigente, o/a estudante).

Quanto ao número (singular X plural), os substantivos simples formam o plural em função do final da palavra.

  • vogal ou ditongo (exceto -ÃO): acréscimo de -S (porta X portas, troféu X troféus);
  • ditongo -ÃO: -ÕES / -ÃES / -ÃOS, variando em cada palavra (pagãos, cidadãos, cortesãos, escrivães, sacristães, capitães, capelães, tabeliães, deães, faisães, guardiães).

Os substantivos paroxítonos terminados em -ão fazem plural em -ãos (bênçãos, órfãos, gólfãos). Alguns gramáticos registram artesão (artífice) - artesãos e artesão (adorno arquitetônico) - artesões.

  • -EM, -IM, -OM, -UM: acréscimo de -NS (jardim X jardins);
  • -R ou -Z: -ES (mar X mares, raiz X raízes);
  • -S: substantivos oxítonos acréscimo de -ES (país X países). Os não-oxítonos terminados em -S são invariáveis, marcando o número pelo artigo (os atlas, os lápis, os ônibus), cais, cós e xis são invariáveis;
  • -N: -S ou -ES, sendo a última menos comum (hífen X hifens ou hífenes), cânon > cânones;
  • -X: invariável, usando o artigo para o plural (tórax X os tórax);
  • -AL, EL, OL, UL: troca-se -L por -IS (animal X animais, barril X barris). Exceto mal por males, cônsul por cônsules, real (moeda) por réis, mel por méis ou meles;
  • IL: se oxítono, trocar -L por -S. Se não oxítonos, trocar -IL por -EIS. (til X tis, míssil X mísseis). Observação: réptil / reptil por répteis / reptis, projétil / projetil por projéteis / projetis;
  • sufixo diminutivo -ZINHO(A) / -ZITO(A): colocar a palavra primitiva no plural, retirar o -S e acrescentar o sufixo diminutivo (caezitos, coroneizinhos, mulherezinhas). Observação: palavras com esses sufixos não recebem acento gráfico.
  • metafonia: -o tônico fechado no singular muda para o timbre aberto no plural, também variando em função da palavra. (ovo X ovos, mas bolo X bolos). Observação: avôs (avô paterno + avô materno), avós (avó + avó ou avô + avó).

Os substantivos podem apresentar diferentes graus, porém grau não é uma flexão nominal. São três graus: normal, aumentativo e diminutivo e podem ser formados através de dois processos:

  • analítico: associando os adjetivos (grande ou pequeno, ou similar) ao substantivo;
  • sintético: anexando-se ao substantivo sufixos indicadores de grau (meninão X menininho).

Certos substantivos, apesar da forma, não expressam a noção aumentativa ou diminutiva. (cartão, cartilha).

  • alguns sufixos aumentativo: -ázio, -orra, -ola, -az, -ão, -eirão, -alhão, -arão, -arrão, -zarrão;
  • alguns sufixos diminutivo: -ito, -ulo-, -culo, -ote, -ola, -im, -elho, -inho, -zinho (o sufixo -zinho é obrigatório quando o substantivo terminar em vogal tônica ou ditongo: cafezinho, paizinho);

O aumentativo pode exprimir desprezo (sabichão, ministraço, poetastro) ou intimidade (amigão); enquanto o diminutivo pode indicar carinho (filhinho) ou ter valor pejorativo (livreco, casebre).

Algumas curiosidades sobre os substantivos:

Palavras masculinas:

  • ágape (refeição dos primitivos cristãos);
  • anátema (excomungação);
  • axioma (premissa verdadeira);
  • caudal (cachoeira);
  • carcinoma (tumor maligno);
  • champanha, clã, clarinete, contralto, coma, diabete/diabetes (FeM classificam como gênero vacilante);
  • diadema, estratagema, fibroma (tumor benigno);
  • herpes, hosana (hino);
  • jângal (floresta da Índia);
  • lhama, praça (soldado raso);
  • praça (soldado raso);
  • proclama, sabiá, soprano (FeM classificam como gênero vacilante);
  • suéter, tapa (FeM classificam como gênero vacilante);
  • teiró (parte de arma de fogo ou arado);
  • telefonema, trema, vau (trecho raso do rio).

Palavras femininas:

  • abusão (engano);
  • alcíone (ave doa antigos);
  • aluvião, araquã (ave);
  • áspide (reptil peçonhento);
  • baitaca (ave);
  • cataplasma, cal, clâmide (manto grego);
  • cólera (doença);
  • derme, dinamite, entorce, fácies (aspecto);
  • filoxera (inseto e doença);
  • gênese, guriatã (ave);
  • hélice (FeM classificam como gênero vacilante);
  • jaçanã (ave);
  • juriti (tipo de aves);
  • libido, mascote, omoplata, rês, suçuarana (felino);
  • sucuri, tíbia, trama, ubá (canoa);
  • usucapião (FeM classificam como gênero vacilante);
  • xerox (cópia).

Gênero vacilante:

  • acauã (falcão);
  • inambu (ave);
  • laringe, personagem (Ceg. fala que é usada indistintamente nos dois gêneros, mas que há preferência de autores pelo masculino);
  • víspora.

Alguns femininos:

  • abade - abadessa;
  • abegão (feitor) - abegoa;
  • alcaide (antigo governador) - alcaidessa, alcaidina;
  • aldeão - aldeã;
  • anfitrião - anfitrioa, anfitriã;
  • beirão (natural da Beira) - beiroa;
  • besuntão (porcalhão) - besuntona;
  • bonachão - bonachona;
  • bretão - bretoa, bretã;
  • cantador - cantadeira;
  • cantor - cantora, cantadora, cantarina, cantatriz;
  • castelão (dono do castelo) - castelã;
  • catalão - catalã;
  • cavaleiro - cavaleira, amazona;
  • charlatão - charlatã;
  • coimbrão - coimbrã;
  • cônsul - consulesa;
  • comarcão - comarcã;
  • cônego - canonisa;
  • czar - czarina;
  • deus - deusa, déia;
  • diácono (clérigo) - diaconisa;
  • doge (antigo magistrado) - dogesa;
  • druida - druidesa;
  • elefante - elefanta e aliá (Ceilão);
  • embaixador - embaixadora e embaixatriz;
  • ermitão - ermitoa, ermitã;
  • faisão - faisoa (Cegalla), faisã;
  • hortelão (trata da horta) - horteloa;
  • javali - javalina;
  • ladrão - ladra, ladroa, ladrona;
  • felá (camponês) - felaína;
  • flâmine (antigo sacerdote) - flamínica;
  • frade - freira;
  • frei - sóror;
  • gigante - giganta;
  • grou - grua;
  • lebrão - lebre;
  • maestro - maestrina;
  • maganão (malicioso) - magana;
  • melro - mélroa;
  • mocetão - mocetona;
  • oficial - oficiala;
  • padre - madre;
  • papa - papisa;
  • pardal - pardoca, pardaloca, pardaleja;
  • parvo - párvoa;
  • peão - peã, peona;
  • perdigão - perdiz;
  • prior - prioresa, priora;
  • mu ou mulo - mula;
  • rajá - rani;
  • rapaz - rapariga;
  • rascão (desleixado) - rascoa;
  • sandeu - sandia;
  • sintrão - sintrã;
  • sultão - sultana;
  • tabaréu - tabaroa;
  • varão - matrona, mulher;
  • veado - veada;
  • vilão - viloa, vilã.


fonte: www.pciconcursos.com.br

15 itens de estudo (tutorial)

Postado por Ana A. S. Cesar

Comentários

  1. sandrelimendes2yahoo.com escreveu:

    AdOrei esse blOg é oWtimO!!! Legal

    default user iconsandrelimendes2yahoo.com ‒ quinta, 02 julho 2009, 10:34 BRT # Link |

  2. nathanarodrigues_ escreveu:

    Gostei demais do conteúdo, acho que deveria ter mais sites que abordem todos os temas de Português, que nós alunos precisamos.

    Parabéns para os idealizadores!Fixe

    default user iconnathanarodrigues_ ‒ quinta, 15 outubro 2009, 10:55 BRT # Link |

  3. escreveu:

    achei o texto muito rico em detalhes. muito bom o material

    default user icon ‒ quinta, 15 outubro 2009, 19:10 BRT # Link |

  4. Visitante escreveu:

    Muito Obrigada De Todo Coração vcs Não Sabe Como Ess Conteudo Vai im Ajudar, Parabéns Pelo Trabalho

    default user iconVisitante ‒ terça, 20 outubro 2009, 17:25 BRST # Link |

  5. escreveu:

    Parabéns, conteúdo muito bem elaborado!

    Obrigado e vou consultar mais vezes esses assuntos.

     

    Eduardo- Remanso- BA

    default user icon ‒ segunda, 23 novembro 2009, 21:26 BRST # Link |

  6. Daiane (dai_ escreveu:

    Mt bom esse blog, me ajudou bastante. Era exatamente o que eu procurava. Parabéns!

    default user iconDaiane (dai_ ‒ sexta, 27 novembro 2009, 17:02 BRST # Link |

  7. escreveu:

    parabéns este é um ótimo conteúdo. me ajudou muito lê-lo.

    default user icon ‒ quinta, 03 dezembro 2009, 12:11 BRST # Link |

  8. escreveu:

    parabens muito obrigado, me ajudou muito a estudar p o concurso do IBGE...

    precisamos de mais websites assim

    default user icon ‒ terça, 08 dezembro 2009, 09:53 BRST # Link |

  9. angeldreamer_ escreveu:

    Obrigado!!!

    Marcos Cavalcante.

     

    default user iconangeldreamer_ ‒ quarta, 09 dezembro 2009, 20:15 BRST # Link |

  10. angeldreamer_ escreveu:

    Obrigado!!!

    Marcos Cavalcante.

    default user iconangeldreamer_ ‒ quarta, 09 dezembro 2009, 20:17 BRST # Link |

  11. angeldreamer_ escreveu:

    Obrigado!!!

    Marcos Cavalcante.

    default user iconangeldreamer_ ‒ quarta, 09 dezembro 2009, 20:19 BRST # Link |

  12. ke-ty- escreveu:

    amei   muito bom

    default user iconke-ty- ‒ terça, 23 fevereiro 2010, 21:21 BRT # Link |

  13. escreveu:

    Parabéns! vcs colocaram tudo que cairá em minha prova para concurso público.Meu muito obrigada! felicidades!!!!!!!!!!

    default user icon ‒ sexta, 26 fevereiro 2010, 20:10 BRT # Link |

  14. Visitante escreveu:

    Parabens!!!! Pelo blog me ajudou muito valeu!!!!

    default user iconVisitante ‒ quarta, 03 março 2010, 08:01 BRT # Link |

  15. Visitante escreveu:

    eu amei me ajudou bastante !!!!!!!!

    default user iconVisitante ‒ sábado, 06 março 2010, 16:29 BRT # Link |

  16. msn > diego- escreveu:

    "parabens muito obrigado, me ajudou muito a estudar p o concurso do IBGE..."

     

    Faço das palavras do colega acima as minhas...

    default user iconmsn > diego- ‒ segunda, 08 março 2010, 15:26 BRT # Link |

  17. Visitante escreveu:

    Muito bom,obrigado.

    Me ajudou a estudar para o prova do concurso do IBGE ;)

    default user iconVisitante ‒ quarta, 10 março 2010, 13:31 BRT # Link |

  18. Renata Miranda escreveu:

    adorei me ajudou demais.quando eu tiver qualquer duvida ja sei onde consultar!!!Riso

    default user iconRenata Miranda ‒ quarta, 10 março 2010, 16:43 BRT # Link |

  19. Visitante escreveu:

    amei as dicas ! kkkk

    default user iconVisitante ‒ sexta, 12 março 2010, 13:32 BRT # Link |

  20. escreveu:

    Risoadorei esta me ajudando muito pro concurso do IBGE explicaçõe muito claras ,obridaga mesmo!!!!

    default user icon ‒ quinta, 18 março 2010, 18:47 BRT # Link |

  21. escreveu:

    adorei muito são assuntos muito interessantes me ajugou bastante

    default user icon ‒ terça, 23 março 2010, 15:20 BRT # Link |

  22. Edna edna_maria_ escreveu:

    Nossa amei esse blog, vocês me ajudaram bastante muito obrigado mesmo, continuem sempre assim ajudando aqueles q querem ser ajudados. abraços.

    default user iconEdna edna_maria_ ‒ sexta, 16 abril 2010, 18:18 BRT # Link |

  23. escreveu:

    Riso otima adorei muito.o assunto ficou mais interessante e de forma criativa qnto mais vc ler vc se enteressa mais. parabéns...............

    default user icon ‒ sexta, 16 abril 2010, 21:30 BRT # Link |

  24. escreveu:

    gostei muito do blog, "Parabéns".

    default user icon ‒ sábado, 17 abril 2010, 09:14 BRT # Link |

  25. Virginia escreveu:

    gostei muito, pois me tirou muitas dúvidas.

     

    default user iconVirginia ‒ segunda, 19 abril 2010, 15:30 BRT # Link |

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