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maio 23, 2009

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Postado por Ana A. S. Cesar
 
 
* Paso de los Toros, 14 de setembro de 1920    
+ Montevidéu, 17 de maio de 2009
 
 

Mario Benedetti, o poeta uruguaio do compromisso e cronista dos sentimentos, morreu em Montevidéu aos 88 anos. Romancista, contista, ensaísta, dramaturgo e crítico, foi um resistente que viveu e lutou contra o exílio e a doença. Os seus livros de contos, novelas e poemas são uma referência para os leitores da América do Sul e da Europa, sobretudo Espanha. Benedetti foi o mais prolífico expoente da literatura uruguaia, com obras traduzidas em vários idiomas.

Deixou mais de 80 livros. A juventude para quem escrevia era também um dos seus temas preferidos. “Tinha a esperança que os jovens se lembrassem de mim. A juventude actual sempre esteve presente. Quando leio poemas nos teatros metada da sala é ocupada por jovens”, declarou numa entrevista antiga.

Iniciou a carreira literária em 1949. Durante anos dividiu a sua vida entre Montevidéu, Maiorca e Madri para escapar do úmido inverno uruguaio que afetava sua asma crônica. O autor tinha um estado de saúde bastante delicado e estava em sua casa, na capital uruguaia, quando morreu. No ano passado, o escritor foi hospitalizado quatro vezes em Montevidéu devido a diversos problemas físicos.

O autor ficou famoso em 1956 a sua obra poética mais conhecida o livro “Poemas de escritório”.

 

 

MÁRIO BENEDETTI

 

                                     MARIO BENEDETTI

ANTOLOGIA POÉTICA

Tradução de Julio Luís Gehlen.
Rio de Janeiro, Record, 1988

 

                                          
Morreu um monstro das letras
 
 

EN PIE

 

Sigo en pie

por latido

por costumbre

por no abrir la ventana decisiva

y mirar de una vez a la insolente

muerte

esa mansa

dueña de la espera

 

sigo en pie

por pereza en los adioses

cierre y demolición

de la memória

 

no es un mérito

otros desafían

la claridad

el caos

o la tortura

 

seguir en pie

quiere decir coraje

 

o no tener

donde caerse

muerto

 

      (De A Ras de Sueño, 1967)

 

 

EM PÉ

 

Continuo em pé

por pulsar

por costume

por não abrir a janela decisiva

e olhar de uma vez a insolente

morte

essa mansa

dona da espera

 

continuo em pé

por preguiça nas despedidas

no fechamento e demolição

da memória

 

não é um mérito

outros desafiam

a claridade

o caos

ou a tortura

 

continuar em pé

quer dizer coragem

 

ou não ter

onde cair

morto

 

      (De A Ras de Sueño, 1967)

 

Palavras-chave: Literatura

Esta mensagem está sob a licença CreativeCommons Atribuição.

Postado por Ana A. S. Cesar

Comentários

  1. Visitante escreveu:

    Lastimavel e irreparavel perda, seus versos é que mostrarão a importancia de suas mensagens a todos os povos. Inalda-Brasil 

    default user iconVisitante ‒ quarta, 02 dezembro 2009, 21:56 -02 # Link |

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