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maio 13, 2009

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Postado por Ana A. S. Cesar

 

Especial

Conheça detalhes que podem ter influenciado a classificação das escolas paulistas na avaliação.

Fátima* paga uma mensalidade de 541 reais. Seu filho cursa o sexto ano do ensino fundamental em um colégio da Zona Sul da cidade de São Paulo, que era considerado uma escola de qualidade pela mãe. Até o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep ) divulgar as notas dos estudantes que fizeram o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). A média nacional é de 50,52 pontos. A escola em questão se classificou nessa faixa.

A mãe ficou preocupada. “Deveria trocar meu filho de escola?”, reflete Fátima. Os especialistas dizem que, necessariamente, não. O resultado da avaliação é um indicador do ensino, mas outras questões devem ser consideradas pelos pais. O enfoque pedagógico da escola, os valores e a atenção que os pais dão aos filhos e a preocupação do aluno com relação aos estudos podem estar refletidos nos números do Enem.

“O resultado ruim não demonstra necessariamente que a escola não é boa”, diz Ana Paula Mariotto Prado, psicopedagoga da Equipe de Diagnóstico e Atendimento Clínico (EDAC). “Há boas escolas que não obtiveram uma classificação satisfatória, pois trabalham com os alunos priorizando outros aspectos. Não apenas o conteúdo escolar. Como, por exemplo, senso crítico e criatividade. Ou possuem alunos com dificuldades de aprendizagem”, explica.

Evaldo Colombini Miranda, coordenador da Educon, consultoria em educação, sugere que o pai – ou responsável – avalie a escola tirando uma média dos três últimos resultados do Enem. “Se o pai notar uma média sempre baixa, estamos diante de uma escola a ser questionada”, conta Miranda. Neste caso, trocar o filho de colégio ou conversar sobre o resultado com a instituição devem ser questionados.

Julgar a qualidade de ensino se baseando no resultado de apenas um ano pode ser arriscado. “Um grupo menos qualificado prejudicariam a escola em um ano específico”, diz Miranda. “Outra possibilidade é de que os alunos não estejam preocupados com este tipo de avaliação geral da sua escola e da visão da sociedade quanto a isso”, afirma Prado.

Guia de Profissões

Generalizando o desempenho de São Paulo no Enem, nota-se que as escolas públicas paulistas aparecem no final da lista. “Elas são ruins em todo o País. Não é um 'privilégio' paulista”, diz Miranda. As exceções são as escolas públicas, principalmente técnicas, com procura elevada. Para o coordenador, elas selecionam seus alunos e, consequentemente, apresentam desempenho acima da média.

No caso dos colégios particulares, o coordenador da Educon acredita que “vamos da excelência à mediocridade”. Algumas escolas ficaram entre as 20 melhores classificadas, enquanto muitas figuram os últimos lugares. Reflexo do ensino de má qualidade. Além disso, dois fatores são relevantes para Miranda: “São Paulo atende um público (em colégios particulares) sensivelmente maior do que os demais Estados. O que orienta a organização das escolas de ensino médio, em especial as particulares, é o vestibular”.

Os outros Estados brasileiros oferecem menos opções de ensino superior do que São Paulo. “Em algumas regiões, a única alternativa é a universidade federal local. A motivação para um maior desempenho é proporcionalmente maior nos alunos dos demais Estados”, acredita Miranda.

Assim, os alunos paulistas se tornariam menos exigentes. O que não deveria justificar a má classificação no Enem. “Mas o interesse e esforço dos alunos e a participação constante da família influenciam nesse resultado”, diz Prado.

O que fazer para melhorar o ensino

Os entrevistados indicam pontos da educação que devem ser analisados ou exigidos:

 - A vida escolar dos filhos deve ser acompanhada pelos responsáveis desde a educação infantil, percebendo as facilidades e dificuldades da criança. Devem observar como a escola se posiciona com relação a isso, não apenas questionar a classificação no Enem. Cada aluno necessita de um tipo de ensino, os responsáveis precisam analisar e optar pela metodologia adequada;
 - A preocupação, cuidado e participação dos pais – ou responsáveis - na escola deve ser frequente. A discussão sobre o resultado no Enem é apenas mais um momento de reflexão, não o único;
 - É importante que o jovem curse uma faculdade de qualidade. Antes disso, o aluno deve ter uma formação com valores pessoais para que possa atuar na sociedade de maneira efetiva. Essa formação ao longo dos anos é dada pela família, escola e sociedade;
 - No colégio, as principais melhorias estão relacionadas aos recursos humanos da instituição, em especial os professores. Os responsáveis devem verificar a qualidade do corpo docente como sua formação e sua experiência;
 - Procurar saber se o projeto pedagógico é utilizado como guia das ações educativas. Verificar se ocorrem reuniões pedagógicas para a equipe técnica da escola e os professores discutirem as práticas e os objetivos educacionais;
 - Observar a grade horária se contempla as necessidades do aluno. Checar como funciona o sistema de avaliação. Por exemplo, se a escola facilita a aprovação ou exige demais visando apenas resultados como de vestibulares;
 - Por fim, compreender o que o próprio responsável deseja à criança e se a escola em que ela estuda contempla essa ambição.

* A entrevistada preferiu não revelar sua identidade.

 

fonte: Ísis Nóbile Diniz para o portal iG Educação, em 12/05/2009.

Palavras-chave: Educação, Enem

Postado por Ana A. S. Cesar | 1 usuário votou. 1 voto

Comentários

  1. Benedito Ubirata da Silva escreveu:

    Boa matéria, isto rende uma boa discussão, afinal essas coisas de ensino conteudista, ensino público estar no final da fila, e contraposição existem um numero ainda muito grande de escolas particulares também com valores baixos. E o despencar de lenha nos lugares atingidos pelas escolas públicas no fim da fila, sem observar que o perplexo mesmo é uma escola particular estar também no "fim de feira". Boa mesmo, Ana, assunto que se deve discutir e muito por nós.

    Creio que até uns testemunhos, afinal muitos de nós acabamos por ser alunos mas ao mesmo tempo professores substitutos na Rede pública, nos sentindo impotentes a poder fazer algo por falta de dispositivos e ambiente.

    Ou professores substitutos na Rede Particular e também impotentes pelos pedidos diversos das diversas linhas de conduta de administração escolar às quais temos que nos subordinar, ou ser demitido.

    Valeu.

     

    default user iconBenedito Ubirata da Silva ‒ quarta, 13 maio 2009, 00:17 -03 # Link |

  2. GLORIA KREINZ escreveu:

    Obrigada Ana...Citando vc no NJR...Sua luta é a nossa...Juntas...Carinho...Glória Kreinz...

    ONGLORIA KREINZ ‒ sexta, 15 maio 2009, 15:48 -03 # Link |

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