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abril 19, 2009

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Postado por Ana A. S. Cesar

O pronome pode ficar antes ou depois do verbo quando houver:

  1. Sujeito explícito antes do verbo:
  • Ele se manteve / manteve-se irredutível em relação ao colegiado.
  • Sigmund Freud se consagrou/consagrou-se como um mestre em especificar questões complexas da natureza humana.
  • Desde os dois anos de idade Maria se veste /veste-se sozinha.
  • Humilhar o vizinho se tornou/tornou-se uma obsessão para João.
  • Por muito tempo aquelas pessoas se debateram/debateram-se com o vício.
  1. Conjunção coordenativa:
  • Gostei da festa, porém me despedi/despedi-me cedo.
  • Tem rompantes, mas se arrepende/arrepende-se depois.
  • O governador foi taxativo e se estendeu/estendeu-se longamente sobre o assunto.
  1. Preposição antes de verbo no infinitivo:
  • Nas lojas esportivas encontramos o equipamento ideal para proporcionar-nos/para nos proporcionar uma vida sadia.
  • Temos satisfação em lhe participar / em participar-lhe a inauguração da fábrica.
  • Tenho o prazer de lhes falar/falar-lhes sobre a filosofia que norteia nossa instituição.

Há apenas duas situações inviáveis:

  1. A ênclise com os tempos futuros; em outros termos: colocar o pronome átono depois dos verbos no futuro do presente e do pretérito do indicativo e no futuro do subjuntivo:
  • fazerei-me / faria-nos / diriam-se / se disser-te / quando puse-las / se trouxe-las etc.
  1. O pronome átono depois do particípio: Eu já teria aposentado-me se ganhasse bem.

Se aplicar a orientação de sempre usar o pronome na frente do verbo, você já não corre o risco de cometer esse erro de ênclise. Como corrigir essas situações, então? Usar a próclise colocando um sujeito explícito antes do verbo, para não deixar o pronome no início da frase:

  • Eu me benzerei; ele nos faria um favor; se te disser; quando (eu) as puser no lugar; eles se diriam magoados. Ficarei feliz se (você) as trouxer junto.
  • Eu já teria me aposentado se ganhasse bem.

Ainda não aceita na linguagem culta formal, a colocação do pronome átono em início de frase é admitida na linguagem informal e nos diálogos - pode ser "proibida", mas não é inviável, portanto, Me desculpe se falei demais. / Me arrepio todo... é aceitável na Nova Gramática do Português Contemporâneo, de  Celso Cunha e Lindley Cintra (foto abaixo); e observam que essa possibilidade, especialmente com a forma me, é característica do português do Brasil e também do português falado nas repúblicas africanas.

                                     

 

Próclise: antes

Ênclise: depois

Palavras-chave: Gramática, Ortografia, Português

Postado por Ana A. S. Cesar

Comentários

  1. Visitante escreveu:

    gostei da resposta  eu sou de Mo çambique (Africa)

    o meu email geadocarlos@gmail.com

    default user iconVisitante ‒ quarta, 03 junho 2009, 15:17 -03 # Link |

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