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fevereiro 28, 2009

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Postado por Ana A. S. Cesar

 

Quando pensamos em Leonardo Da Vinci, logo nos lembramos do homem que pintou quadros famosos como Monalisa e A Última Ceia, suas obras mais populares. Mas Da Vinci não se notabilizou apenas por ser o autor de um dos quadros mais famosos do mundo. Existem vários outros Leonardos: o pintor, o escultor, o músico, o poeta, o arquiteto, o engenheiro, o cientista, o fisiólogo, o químico, o físico, o botânico, o geólogo e o mecânico. Considerado um arquétipo do homem renascentista, Da Vinci foi, muitas vezes, definido como gênio, graças às artes, às descobertas científicas e às invenções técnicas muito à frente de seu tempo. Da Vinci era uma mente brilhante e se tornou um mestre na matemática, na mecânica, na física, na hidráulica e até mesmo na anatomia humana e animal. Se Da Vinci vivesse nos dias de hoje, seria considerado um homem multimídia.

E é para um mergulho dentro da mente de um dos maiores gênios da história da humanidade que chega a Goiânia a exposição que desvenda e revela algumas das maiores invenções de Leonardo Da Vinci. A mostra Por dentro da mente de Da Vinci está aberta ao público no Espaço Cultural da Universidade Católica de Goiás (UCG), e fica na cidade até 31 de março. A mostra parte do projeto Curta Goiânia por Inteiro, do Goiânia Convention & Visitors Bureau, e das comemorações dos 50 anos da UCG.

A exposição abre oficialmente o ano de celebração de aniversário da UCG e, segundo a vice-reitora da universidade, a mostra sobre Da Vinci não foi uma escolha aleatória. “Da Vinci é um marco do Renascimento, ele inaugurou uma nova era no campo da cultura e da ciência. Para nós, os 50 anos da UCG também representam um renascimento para a universidade”, explica.

Por dentro da mente de Da Vinci já passou por vários países da Europa, pelos Estados Unidos, Dubai, México e Canadá. Desde dezembro de 2006, a exposição roda o Brasil e já esteve em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador e Porto Alegre. A mostra reúne 40 modelos artesanais (nove deles interativos), em miniaturas e em tamanho real, construídos em madeira, bronze e corda, por uma família de designers de Florença. Segundo Paolo Gori, um dos responsáveis pela exposição, os protótipos foram elaborados a partir de desenhos originais, fragmentos de estudos e anotações do artista.

Todos os desenhos e anotações foram seguidos à risca e os modelos apresentados na exposição revelam a viabilidade de construção das máquinas por ele projetadas. Por dentro da mente de Da Vinci é dividida em cinco projetos temáticos: Voo, Navegação, Guerra, Mecânica e Hidráulica. Alguns de seus maiores estudos e invenções, como as máquinas militares, as civis e as voadoras, poderão ser vistos na exposição. Além dos monitores que vão esclarecer as dúvidas dos visitantes, junto a cada modelo também haverá painéis contendo textos explicativos das obras.

Para a coordenadora de Arte e Cultura da UCG, Custódia Anunziata Spencièri de Oliveira, a exposição sobre Da Vinci é um presente para a comunidade e um estímulo para os adolescentes. “A ideia é que a sociedade e, principalmente, os estudantes possam ver ao vivo que muito do que eles conhecem hoje, como a bicicleta, foi pensado por um homem na época renascentista. Ele lançou a semente de um conhecimento que é utilizado por nós até hoje”, afirma. Além da bicicleta, são atribuídos ao italiano os modelos da asa delta e de uma ponte móvel. Da Vinci também criou máquinas para agricultura e artefatos bélicos, como projéteis em forma de ogivas, usadas atualmente.

Os projetos

Apesar de contrário à guerra – considerava as batalhas como uma “loucura bestialíssima” –, Da Vinci projetou diversas armas de ataque e também de defesa: desde armas de fogo, até máquinas de sítio, catapultas e similares. Leonardo fez desenhos admiráveis, como o dos “carros ceifadores”, máquinas de guerra utilizadas desde a antiguidade, mas que, nas mãos de Da Vinci, adquiriram forma elegante e maior poder nas foices giratórias, destinadas a chacinar inimigos. Na parte destinada às máquinas militares estarão expostos os modelos do carro ceifador e da escavadora de trincheira.

Na seção de máquinas civis estão expostas as máquinas para o trabalho. Muitas delas já existiam antes de Da Vinci, que teve oportunidade de utilizar tais máquinas empregadas na construção da catedral de Florença durante o período de aprendiz no ateliê de Verrochio. Com conhecimento científico das leis físicas que regulam os movimentos, Da Vinci pôde melhorar e aperfeiçoar as máquinas. O objetivo principal era reduzir o trabalho do homem a partir da exploração das fontes de energia. É com esse propósito que seus estudos se concentram em molas, pesos, roldanas e correntes. Nesta parte estão presentes protótipos da bicicleta e da engrenagem de mecanismo helicoidal.

Da Vinci sempre teve fascínio pela possibilidade de voar, razão pela qual ele se dedicou a estudar e projetar diversas máquinas voadoras. Antes, concebia o voo como uma simples imitação do voo natural dos pássaros e criou dispositivos com asas que batem, acionadas pelo próprio piloto. Mas logo se deu conta de que a força humana não era suficiente. Foi então que percebeu que as aves de portes médio e grande pairam no ar, se valendo das correntes e só recorrendo ao bater de asas para corrigir ou estabilizar a trajetória.

A partir dessas observações, Leonardo deduziu que, explorando as mesmas forças e correntes de ar, o homem também podia pairar no céu. Abandonou a asa batente e criou a asa fixa, tipo planador. Dessas várias observações surgiram desenhos famosos, como o do parafuso aéreo, a asa planador e até estudo de um paraquedas. Todas as miniaturas criadas a partir desses desenhos fazem parte da exposição.

A água também é outro elemento fundamental nos trabalhos do mestre italiano. A vontade de Da Vinci era de controlar, explorar e canalizar a força da água por meio do planejamento de canais e de máquinas hidráulicas. O interesse pela natação fez com que Da Vinci criasse um dispositivo que permitia o homem andar sobre a superfície da água, utilizando bastões e longos patins cheios de ar. Ele também projetou dispositivos de mergulhador – máscara, roupa de couro e um engenhoso sistema de válvulas e tubos para a circulação do ar.

Da Vinci foi parte de um dos períodos de criatividade mais significativos da história da humanidade. E a intenção da exposição Por dentro da mente de Da Vinci é divulgar o legado desse incrível artista e cientista, pensando-o não como um homem estranho à sua época, mas como um ser dotado de curiosidade, aguçado espírito de observação e de grande inteligência.


Visitações

Exposição: Por dentro da mente de Da Vinci
Local: Espaço Cultural da UCG - Área 3 (Prédio da Arquitetura) – Praça Universitária - Universidade Católica de Goiás (GO)
Abertura: Terça-feira, 17/02, às 20 horas. Aberto à comunidade a partir de 18/02
Horário de funcionamento: Segunda a sexta, das 8h às 22h; sábados e domingos, das 8h às 18h.

Entrada franca

 

Palavras-chave: Arte, Cultura, Universidades

Postado por Ana A. S. Cesar

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