Stoa :: Ana A. S. Cesar :: Blog :: Barack Hussein Obama: posse em 20/01/2009

janeiro 17, 2009

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Postado por Ana A. S. Cesar

 

É o começo ou o fim?

Sob uma crise que ameaça a hegemonia americana no mundo, Obama toma posse com um desafio enorme: ou apruma os EUA para manter o país como potência dominante no século XXI ou administra o declínio de uma supremacia que moldou o planeta tal como o conhecemos hoje


PROTEÇÃO MÁXIMA
O novo presidente: sua posse será um evento global, com uma segurança espetacular

 

Na noite em que conquistou o direito de candidatar-se à Casa Branca, em junho passado, Barack Hussein Obama comemorou diante de eleitores entusiasmados com um discurso de otimismo. "Nesta noite, marcamos o fim de uma jornada histórica com o começo de outra – uma jornada que trará dias melhores para o país", prometeu. Agora, ao falar sobre o conteúdo do discurso que fará em sua posse, Obama disse que pretende apenas ser o mais honesto possível com o povo americano sobre "quais são as circunstâncias" do país. A redução da escala retórica, das alturas de "dias melhores" para a dureza das "circunstâncias", é um reflexo sombrio da realidade. Nesta terça-feira, ao tomar posse como o 44º presidente dos Estados Unidos, Obama herdará um país de poderes incontrastáveis. É um mamute militar, a maior economia do planeta, uma potência tecnológica e cultural. Mas, como sombra de mau agouro sobre todo o seu gigantismo, o país se encaminha para uma das maiores crises econômicas de sua história, cuja gravidade coloca em xeque a própria hegemonia americana no mundo.

Como o primeiro negro a presidir o país, a posse de Barack Hussein Obama, 47 anos, é, mesmo, o coroamento de uma jornada histórica. A dúvida é saber se seu governo marcará o início de uma nova era, aprumando os EUA para manter seu status de potência dominante no século XXI, ou se será o começo do fim de uma supremacia que moldou o planeta tal como o conhecemos hoje. Sua posse, como convém aos impérios, será um evento global. A segurança é espetacular, com 20.000 homens, 150 equipes de agentes à paisana e especialistas em tudo – segurança cibernética, material biológico, libertação de reféns. Para chegar aonde as coisas estarão acontecendo, qualquer cidadão terá de cruzar anéis de segurança, cada um mais restritivo que o outro, em que toda a bagagem será revistada e não passará nem guarda-chuva.

Para a solenidade da posse, já saíram 240 000 ingressos. No total, Washington espera receber entre 2 milhões e 4 milhões de visitantes. Até agora, a lista inclui 102 bailes, recepções e jantares, a ser realizados em hotéis, escolas, teatros, igrejas e até museus. O primeiro baile, organizado pelas mulheres negras, estava previsto para a noite de sexta-feira. No sábado, haverá onze festas. No domingo, dezenove. Na segunda, 27. Na terça, 44. Os eventos são organizados pelas mais diferentes tribos. Índios, asiáticos, jovens (maiores de 18 e menores de 35), religiosos "progressistas", ecológicos (só com comida orgânica), gays, latinos, empresários, poetas, crianças (com show de marionetes), jornalistas, militares, artistas. Um único evento reunirá estrelas como Beyoncé, Shakira e Stevie Wonder. Num cardápio quase infinito, haverá a festa do cachorro-quente (no estilo de Chicago, claro), a festa das ostras, a festa sem álcool. A animação dos encontros será feita por uma miríade de DJs e bandas, entre as quais uma tal de "Beleza Brasil" (da Bahia, claro).


PROTESTOS
O desafio de Obama é reverter o ódio que Bush inspira em boa parte do mundo

Por trás do clima festivo, no entanto, estará a carranca da crise. Nos dois meses que separam a eleição e a posse de Obama, ela agravou-se de modo alarmante. Cerca de 1 milhão de empregos evaporaram. O crédito está congelado. O poder aquisitivo dos americanos, cuja gastança manteve a economia mundial numa alegre espiral por anos a fio, está desabando. Dia desses, em palestra numa universidade, Obama admitiu que o país precisava de "medidas dramáticas já" e que a solução da crise "levará tempo, talvez muitos anos". Na semana passada, seus auxiliares se empenharam para convencer o Congresso a liberar a segunda parcela do socorro financeiro ao mercado. Lawrence Summers, seu principal assessor econômico na Casa Branca, esteve no Congresso três vezes e despachou duas cartas aos parlamentares, prometendo bom uso do dinheiro. A parcela, enfim liberada, é de 350 bilhões de dólares. Antes, a equipe detalhou o primeiro plano de Obama para atacar a crise. É um monumental pacote de estímulo de 825 bilhões de dólares para dois anos.

É o pacote da salvação? Nem seus autores acreditam nisso. É apenas – se é que se pode dizer "apenas" – o maior socorro já proposto no planeta para salvar uma economia do colapso. Os sinais de desequilíbrio não cessam de pipocar, acompanhados de suas cifras espetaculares. Na sexta-feira passada, a crise projetou-se sobre o Citigroup, o gigante financeiro prestes a ser fatiado, e o Bank of America, o maior banco americano, que pediu um novo socorro financeiro ao governo, desta vez de 20 bilhões de dólares. "As dificuldades de Obama são muito mais profundas e mais globais", escreveu o colunista Martin Wolf, em artigo no Financial Times que teve repercussão entre economistas.

Há uma corrente de analistas advertindo que a crise americana pode ser tão grave, ou até mais grave, do que a prolongada recessão do Japão nos anos 90. "Se o foco for apenas estabilizar o sistema financeiro, gastaremos trilhões de dólares sem nenhuma reforma e acabaremos no mesmo lugar", disse o economista Bruce Scott, da Universidade Harvard. E o que deve ser feito já? "Não há medida salvadora", responde Barry Eichengreen, da Universidade da Califórnia, em Berkeley. "É necessário um pacote de estímulo fiscal, recapitalizar os bancos e reestruturar as hipotecas", completa. "É preciso cortar alíquotas de imposto, e o governo precisa deixar de ser alcoviteiro de interesses especiais, como os da indústria automobilística", disse Edward Prescott, o Nobel de 2004.

Ciente dos desafios, Obama já anunciou que consumirá as primeiras três semanas de seu governo em entrevistas, palestras e coletivas para obter apoio no Congresso ao pacote de 825 bilhões de dólares. Pela opinião pública, ele assume com mais de 80% de aprovação, índice notável em comparação até com o de antecessores muito populares, como Ronald Reagan. Obama tem mostrado interesse particular pelo governo de Franklin Roosevelt (1933-1945), que arrancou os EUA da depressão. Examinou as palavras e até o tom com que Roosevelt se dirigia, sempre através do rádio, ao povo americano. Também leu o livro do jornalista Jonathan Alter, The Defining Moment, que descreve os primeiros 100 dias de Roosevelt.

As comparações entre Obama e Roosevelt, embora corriqueiras, não são muito apropriadas. Primeiro, porque Roosevelt assumiu quando a crise já estava no meio do caminho e teve o auxílio economicamente dinamizador da II Guerra. Segundo, porque a vitória de Roosevelt demoliu o quadro partidário da época, levando 29% do eleitorado republicano. Obama levou só 9%. Nem o partido democrata é mais o mesmo. "A militância de base hoje é menos organizada devido ao declínio da velha máquina política e ao encolhimento do trabalho sindicalizado", disse a VEJA o professor Howard Reiter, da Universidade de Connecticut, especialista nos partidos americanos. "Hoje, os democratas se fiam em doações de lobistas e aliados milionários tanto quanto os republicanos." Em certa medida, portanto, o desafio de Obama é até maior do que o de Roosevelt.


SÓ PIOROU
Fila de desempregados, em Nova York: da eleição até a posse de Obama, 1 milhão de empregos evaporaram

Por ser a primeira eleição de um negro para a Casa Branca, a vitória de Obama acabou nublada por alguns mitos – como o de que teve um desempenho espetacular. Obama quebrou uma barreira histórica, a racial, mas ganhou 53% dos votos populares e 365 votos no colégio eleitoral, o que não é pouco, mas também não é esmagador. Ele teve o apoio decisivo dos negros e empolgou o eleitorado jovem, mas, de novo, o saldo final foi menos radiante do que se imaginou. "O comparecimento às urnas dos jovens foi menos dramático do que alguns analistas anteciparam, mas é significativo que tenham escolhido Obama por uma margem bem superior à de outras eleições", disse a VEJA o cientista político Larry Bartels, da Universidade Princeton. Por fim, Obama teve a ajuda da impopularidade de George W. Bush e da gravidade da crise. Ira Katznelson, ex-presidente da Associação Americana de Ciência Política, ponderou a VEJA: "Acredito que Obama venceria a eleição sem a crise, mas a vitória seria bem mais apertada".

Tudo isso – o esforço para vencer e as dificuldades do futuro – torna a posse de Obama um evento ainda mais relevante. Além de lidar com a crise econômica, ele terá de resgatar o respeito, a admiração e o apreço de que os Estados Unidos gozavam no mundo, mas que foram destroçados pelo governo de Bush e seus auxiliares mais obtusos, o vice-presidente Dick Cheney e o ex-secretário de Defesa Donald Rumsfeld. O trio é responsável por parte do ódio que Bush desperta no mundo e que, naturalmente, passou a ser associado aos Estados Unidos. Na largada, Obama conta com imensas vantagens para lidar com esse legado desmoralizador. Tolerante e pragmático, ele é o primeiro presidente-celebridade. Pode ser porque a imprensa o adulou. Ou porque sua família, com a mulher exuberante e as duas simpáticas filhas pequenas, seja perfeitamente fotogênica. Ou porque é o primeiro negro a chegar lá. O fato é que, talvez por tudo isso junto, boa parte do mundo lhe é simpática. Se Obama falhar, portanto, não terá sido por falta de torcida a favor.

  

EUA: Uma terra de oportunidades

O mais precioso dos valores americanos, a igualdade
de chances de vencer na vida, ganha novo impulso
com a posse de Obama


FIM DE FESTA
Casal no sofisticado balneário americano de Bridgehampton: a ressaca do consumo sem limites

 

Com 300 milhões de habitantes, a maior economia do planeta, influência cultural e poderio militar de dimensões nunca vistas no passado, os Estados Unidos não são um mero país entre outros tantos – são uma experiência política e social que inspira a humanidade. A terra da liberdade e das oportunidades deu ao mundo a primeira república moderna, os conceitos de democracia, direitos de cidadania e a livre economia que hoje são os alicerces da civilização. O modelo americano funciona bem há 233 anos, mas sempre esteve sujeito a sustos e solavancos. "É fácil dizer hoje, depois que tudo já aconteceu, que o século XX foi o século americano", disse o cientista político Daniel Nexon, da Universidade Georgetown, em Washington. "Mas, em diversas oca-siões, como a crise de 1929, a II Guerra e a ameaça soviética, o projeto americano esteve em perigo." Entender a gravidade dessas ameaças ajuda a decifrar uma das chaves do sucesso americano: a capacidade de sua sociedade em reconhecer os próprios erros, aceitar desafios e superar obstáculos.

A posse de um presidente negro é um exemplo. Há apenas duas gerações, negros eram proibidos de votar em estados do sul. Devido à segregação racial, sacramentada por lei, negros e brancos separavam-se quando iam à escola, ao banheiro ou usavam o transporte público. As desigualdades ainda persistem – negros ganham, em média, 77% do salário pago aos brancos –, mas sete em cada dez formam parte da imensa classe média americana. Nada menos que 1,1 milhão de famílias negras ganham acima de 100 000 dólares por ano, o que as coloca no patamar superior da sociedade americana. O desafio de Obama, nesse caso, é como lidar com os 25% da população negra que ainda não saíram dos guetos, presos a um círculo vicioso que os mantém na pobreza.

Não há nada mais antiamericano que a pobreza. Não por falta de pobres, mas porque o país se define como uma terra que oferece a todos, independentemente de classe social, credo ou cor da pele, a oportunidade de prosperar mediante o próprio esforço e determinação. A figura do self-made man, o homem que construiu sozinho o seu lugar ao sol, é a personificação desse mito. Os irlandeses, que imigraram em massa no século XIX, eram considerados uma massa de trabalhadores braçais de baixo custo e pouca ou nenhuma educação. Entre 1820 e 1930, cerca de 4,5 milhões desembarcaram nos Estados Unidos. Em 1960, os americanos elegeram o primeiro presidente descendente de irlandeses católicos. Seu nome: John F. Kennedy. Os Estados Unidos recebem a cada doze dias o mesmo número de imigrantes que o Brasil em um ano. A recessão deve diminuir esse fluxo nos próximos anos, mas nada indica que num futuro próximo o país vá se fechar à imigração.

A superação de desafios é uma das habilidades que colocaram alguns presidentes, como Franklin Roosevelt, entre os grandes governantes dos Estados Unidos. Entre 1933 e 1945, Roosevelt não apenas venceu a II Guerra e a Grande Depressão como promoveu enormes avanços na área social. O programa de reformas conhecido como New Deal financiou obras públicas que empregaram 8,5 milhões de americanos e criou os alicerces do sistema previdenciário. O compromisso social americano, em parte cunhado por Roosevelt, não é pôr limites às possibilidades de enriquecimento pessoal, mas dar oportunidades iguais a todos e garantir que o pobre tenha uma existência digna. Uma das propostas mais ambiciosas de Barack Obama é ampliar a cobertura médica para dois terços de um contingente de 47 milhões de cidadãos, 15% da população americana que não possui nenhum plano de saúde, público ou privado. Seu desafio será manter a promessa em tempos de crise financeira, visto que tal medida custaria 75 bilhões de dólares aos cofres públicos. O novo complicador é como fará isso com a economia em recessão.

O economista americano Paul Krugman argumenta que os Estados Unidos foram um país mais igualitário nos anos 50 e 60, pelo menos no que diz respeito à percepção de seus habitantes. Seu argumento é que o grosso da população pertencia à classe média e se sentia realmente como membro dessa faixa de renda confortável. A desigualdade social nos Estados Unidos, medida pelo índice Gini, realmente aumentou significativamente desde 1950 e hoje está entre as mais altas do Primeiro Mundo. Alguns economistas chegam a sugerir que a classe média americana corre risco de extinção – um evidente exagero. Será possível que o sentimento de que existem oportunidades para todos, tão enraizado no modo de vida americano, está se perdendo?

A certeza de que a experiência americana é um acontecimento excepcional acompanha a consciência coletiva desde que os primeiros colonizadores ingleses aportaram no Novo Mundo, no século XVI. Eles trouxeram consigo a ideia de os Estados Unidos como "uma cidade no alto de uma montanha", servindo de referência para os outros povos. "A crença na excepcionalidade americana é algo que permeia todo o espectro político atual", disse a VEJA o sociólogo americano Todd Gitlin, da Universidade Colúmbia, em Nova York. O século XXI traz desafios ao país, como a ascensão das potências econômicas, como China e Índia. O grande perigo é que as novas dificuldades e a atual crise financeira, que lançou desconfiança no capitalismo, podem levar o país a se tornar mais nacionalista, protecionista e isolacionista. Impedir que isso aconteça é outro desafio para Obama.

fonte: revista Veja 

sábado, 17 de janeiro de 2009 

Copyright © 2006 Editora Abril Ltda. Todos os direitos reservados.

Palavras-chave: Estados Unidos, Presidente

© 2019 Todos os direitos reservados

Postado por Ana A. S. Cesar | 1 usuário votou. 1 voto

Comentários

  1. Maurício Kanno escreveu:

    Oi... Realmente essa é uma matéria interessante (apesar do título pessimista), dei uma boa lida na edição impressa. Mas verifiquei que no site da Veja não há acesso público a essa matéria, reservada a assinantes, inclusive com símbolo de cadeado, no site http://veja.abril.com.br .

    É correto copiar e colar no blog o texto integral de uma reportagem nas condições acima referidas, de um veículo de comunicação que mantém esta informação no rodapé? - "Copyright © 2006 Editora Abril Ltda. Todos os direitos reservados."

    Creio que, se vc tem acesso ao texto, e o achou interessante, seria melhor apenas colocar alguns trechos dele com seus comentários pessoais. Isso sim seria digno de um blog. 

    Maurício KannoMaurício Kanno ‒ domingo, 18 janeiro 2009, 01:17 -02 # Link |

  2. Ewout ter Haar escreveu:

    Concordo com Maurício, redistribuir material que nao é seu deve ser feito somente com permissao do detentor dos direitos. O seu blog nao é um lugar apropriado para fazer isto.

    Ewout ter HaarEwout ter Haar ‒ domingo, 18 janeiro 2009, 10:11 -02 # Link |

  3. Ana César escreveu:

    Agradeço a orientação dos nobres colegas e já alterei para copyright. Contudo, acreditava que apenas informando a fonte já seria suficiente, visto que o texto está na íntegra e não o alterei em nada. Apenas avaliei ser importante a informação do histórico acontecimento do dia 20. Outra coisa: anteontem cheguei de uma viagem de 14 horas e não prestei atenção no "rodapé". Jamais agiria com a intenção de burlar ou quebrar qualquer regra do que entendo ser "digno de um blog". Estarei mais atenta nas próximas vezes.

    Abraços.

    Sorriso

    Ana A. S. CesarAna César ‒ domingo, 18 janeiro 2009, 14:39 -02 # Link |

  4. Benedito Ubirata da Silva escreveu:

    Pessoal, creio que seria legal fazermos uma reunião não formal, estabelecendo princípios. Ou seja, ao meu ver, creio que a Ana tenha o direito sim, de colocar, como ela quiser. Pois na entrada do Stoa, e no final do Stoa, ele se diz não responsável e blá blá blá. E isso acontece em quase todo o mundo qdo o blog é aberto pra uma comunidade, e o próprio provedor, ou sei lá, portal oferece esse espaço. Só haverá, e é claro não veremos, nos blogs que estão por detrás de alguma redação, ou editoração, ou jornal, sei lá como se expressa. Porque aí não veremos devido ao fato não ser aberto pra nós escrevermos. Logo quem lá escreve deve saber direitinho a "reza braba" de como redigir. Dentro de uma linha editorial.

    Salvo a isso vem os comentários. Que tbm, em quase todo o mundo que escreve em uma língua que eu entenda, deixa este em aberto, ficando a critério do autor publicar ou não o comentário. Ou então no caso do Stoa, liberdade para o autor do post deletar. E isso já aconteceu comigo deletando e eu sendo deletado. E entre amigos inclusive, porque se a tendência do comentário foge da ética, ou sei lá o que quiser o autor, ele permite ou não.

    Porém ainda somos uma universidade, e o portal está inserido no contexto desta, queiramos  ou não aceitar. Logo seria legal, e vejo isso com bons olhos, pros novos que entrarão na USP sejam alunos, funcionários ou professores, que tendo uma linha do que a comunidade acha legal, tudo vai bem.

    E se por um acaso alguém quiser derrubar isso, ou aquilo, já existe "algo" para ser questionado, e no final o melhor...   ... Evolução, para os que ficam aqui, poder contar de como partiu do zero a idéia de blogs na USP, até o ponto que chegou.

    Sei lá. Esse é o meu ver. Eu copy peistiei, uma reportagem, ou notícia, mas logo de ínicio declarei que não era de minha autoria, e era da Agência de Notícia citada em questão. Depois pelo pensamento do colega Maurício, pela notícia ser pequena, e não saber se todos tem acesso a ela, não deixando alguém com agua na boca, de não conseguir ver, deixei copiado, mas tem muitas que são links, ou como me ensinaram aqui no Stoa, permalink.

    Precisamos sim, discutir bastante a cara do Stoa, se isso for discutível, para realmente evoluir.

    Normas? Uma censura? Ou uma auto-censura? Ou ABNT? Ou tendência do  escrever ou não.

    O que importa é que o Stoa não se responsabiliza, e nem nós uns aos outros. 

    No entanto, nos ajudamos em solidariedade uspiana, pra diminuir uma vergonha, ou outra no futuro com a comunidade externa a USP. Rssss

    (desculpe mas coloquei os risos apenas pelo fator, que se de repente eu colocar o Principia Matematica mal traduzido, ou não no blog, não existe pelo menos que eu saiba se isto é errado em termos de Blog.

    Como é em dissertação, narração, editorial, resenha, resumo, e tantas outras formas de se expressar escrevendo e publicando.

    Vamos lá, gente! Façamos a nossa forma de Blog, então.

    O meu voto é:

     No meu ver eu queria um lugar em que poderia, um pouco, sair do acadêmicismo, do universo pesado das citações, dando chance a quem lê diverso a sua área, concentrar na informação do jeitão informal. Se precisar aprofundamento pelo texto, um comentário ali ou aqui, perguntando de quem é a fonte e fim de história.

    Não quero usar o Stoa para ser avaliado no que tange a minha capacidade de escrita, e leitura ou defesa de hipótese! Ou seja, não busco uma nota. Uso-o pra treinar. Porque dizem que não sei escrever e quero aprender. Pra usar em sala de aula, ou na empresa a linha do Blog. (essa é a minha proposta e não sei se é boa).

    Afinal se eu colocar o Principia no meu post, vai ler quem quiser.

    • Salvo é claro se meu enorme texto, atrapalha o processamento de outros blogs da comunidade. Porém tenho ciência da probabilidade de ninguém ler. Só isso.

    Vira-se o disco, ou o dial do rádio, essa é a visão que acho que exista no mundo das comunicações, vamos segui-la! Perdoem-me.

    default user iconBenedito Ubirata da Silva ‒ domingo, 18 janeiro 2009, 19:47 -02 # Link |

  5. Ewout ter Haar escreveu:

    Entao, Ana, o problema é que está redistribuindo, ao publico em geral, um texto. Mas somente a Veja, como detentor dos direitos autorais, pode fazer isto.

    Pensando bem, o que seria razoável para voce fazer é mudar as restricoes de acesso. Redistribuir o texto para o publico em geral nao deve, mas se restringir o acesso é como se fosse fazer uma cópia para os seus amigos ler. Neste caso, nao vejo nada de errado.

    Ewout ter HaarEwout ter Haar ‒ domingo, 18 janeiro 2009, 21:18 -02 # Link |

  6. Maurício Kanno escreveu:

    Oi, Ana, para mim não faz diferença se vc tb copia embaixo o rodapé do site da Veja. O que importa é q vc tá copiando o txt integral da reportagem, restrita a assinantes (o que é agravante; se ao menos a reportagem fosse liberada ao público, provavelmente eu nem me manifestaria).

    O fato de vc disponibilizar isso aqui ao público em geral que é incorreto em minha opinião. (Não sei, mas a alternativa proposta por Ewout creio que seria válida tb, de deixar acesso restrito aos usuários Stoa.)

    Deixo como referência a Lei 9.610/98, que é a Lei de Direitos Autorais: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9610.htm . Atenção especial ao artigo 46, referente a limitações dos direitos autorais em casos de imprensa e vejam o que acham.

    Benedito, o usuário do Stoa se compromete a, pelo menos, seguir as leis brasileiras, como é o caso da citada acima. Os termos de uso do Stoa referem-se a isso. 

    E é claro, não sou um expert em leis, mas eticamente acho que isso não está certo. A vocação de um blog, de td modo, para mim, é mostrar a opinião pessoal do autor.

    Desculpe se fui rude, mas é minha percepção e creio que seria importante especialmente a autora do blog e a equipe Stoa refletirem a respeito.

    Grande abraço. ;)

    Maurício KannoMaurício Kanno ‒ domingo, 18 janeiro 2009, 21:37 -02 # Link |

  7. Tom escreveu:

    Acho que vem a calhar o seguinte tópico por causa desse post:

    Quem quiser assinar a carta, visitem

    http://stoa.usp.br/acesso

    Quem tiver dúvidas sobre as leis brasileiras e as tentativas de torná-la menos restritiva e arcaica, sugiro a página do GPOPAI da USP, um grupo de pesquisa que aborda também esse assunto:

    http://www.gpopai.usp.br

    Concluindo e repetindo o que já foi dito, a lei brasileira é diferente de nossa opinião. Certamente nem todos brasileiros concordam com todas a leis do nosso país. É por isso que surgem grupos de debates como esses sobre a leis de propriedade intelectual brasileiras, como as que vêm ocorrendo em universidades Brasil a fora, com apoio do Ministério da Cultura.

    default user iconTom ‒ domingo, 18 janeiro 2009, 23:12 -02 # Link |

  8. Benedito Ubirata da Silva escreveu:

    Ei Maurício, foi aquilo que escrevi que vc deve se ater, e aí não precisamos nos desculpar. Ou seja, com esse bate papo, estamos sim aprendendo coisas. Que muita gente desconhece, e pelo lado que vc apresentou agora, eu tenho que concordar. Se a Veja, ou qq revista ou meio, escreve algo e disponibiliza só para quem tem acesso. É do direito dela. Do direito meu, seu e de qq um. Afinal, ela gastou, suou, e etc. pra fazer o trabalho. Seria mais ou menos que vc fazer um software, dizer que não é livre, e alguém achá-lo muito bom, e até fazer uma propagand positiva, distribuindo-o como prova da qualidade referida. Na pior das hipóteses, vc pode criticar a distribuição e se lixar com a propaganda. o que impediu sim é de vc ter "retorno" naquelas cópias distribuidas que poderiam ter sido salvo-guardadas.

    Mas eu creio que muitas vezes fazemos isso de forma ingênua, ou seja, se eu deixar o meu disco original, do "palavra por janelas", eu fiz isso pra te agradar, ajudar a ser mais prático, esnobar uma versão que eu tenho e que vc fica empacado na velha. Enfim...

    É pirataria? Sim. Mas deve-se se levar em consideração o carinho, de não ficar com o "tesouro" só pra si. E querer repassar aos amigos.

    E aí vem o que eu escrevi, vamos entrar então em solidariedade. Fazendo com que essas dicas só nos façam crescer.  E eu acho que precisamos verificar, que a proposta do Sr. Ewout realmente é boa. Pois eu seria uma assinante da Veja, e iria mostrar pros amigos, o que li de interessante, lá em casa, num churrasco, ou chá das cinco.

    Taí, isso parece ser legal. Até o momento em que a Veja, ñão esperniar, sendo o público do SToa em potencial pra gastar em assinatura, não o gaste pq, nós nos solidarizamos. Rsssssssss;

    Isso vale um cafézinho na Física com pão de queijo e muito bate papo. Porque é complicado.

    Mas em ultima análise acho a melhor idéia.

     

    default user iconBenedito Ubirata da Silva ‒ domingo, 18 janeiro 2009, 23:30 -02 # Link |

  9. Tom escreveu:

    Ana,

    segundo o advogado Túlio Vianna, sua mensagem está conforme as leis brasileiras. Sorriso

    Lei 9610/98

       
       Art. 46. Não constitui ofensa aos direitos autorais:

            I - a reprodução:

            a) na imprensa diária ou periódica, de notícia ou de artigo informativo, publicado em diários ou periódicos, com a menção do nome do autor, se assinados, e da publicação de onde foram transcritos;


    Agora alguém tem que explicar pra ela que é certo ;)
     

    Abraços!

    default user iconTom ‒ quinta, 22 janeiro 2009, 11:58 -02 # Link |

  10. Antonio Candido escreveu:

    Já disse isto em outra oportunidade, mas repito: devemos nos preocupar menos com direitos autorais e coisas do gênero e mais com a liberdade de informação. Uma das maiores tragédias da humanidade aconteceu quando um sujeito cercou um punhado de terra e disse: este pedaço aqui é meu. E os outros aceitaram...

    Que quem se sentiu lesado por violação de direito que busque seu direito e ai a outra parte poderá contra-argumentar (o Tom acabou de dar uma ótima peça legal para isto). Agora, porque teríamos nós aqui o interesse de defender pretensos direitos autorais de terceiros? 

    O único reparo que faria ao post da Ana é que poderia escolher fontes melhores que Veja (eca!). De resto, obrigado por  tornar público um material que era de acesso restrito. 

    Antonio C. C. GuimarãesAntonio Candido ‒ quinta, 22 janeiro 2009, 12:20 -02 # Link |

  11. Maurício Kanno escreveu:

    Será que ninguém reparou que eu mesmo havia indicado a leitura do referido artigo da referida lei?

    Deixo como referência a Lei 9.610/98, que é a Lei de Direitos Autorais: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9610.htm . Atenção especial ao artigo 46, referente a limitações dos direitos autorais em casos de imprensa e vejam o que acham. 

    Maurício KannoMaurício Kanno ‒ quinta, 22 janeiro 2009, 12:27 -02 # Link |

  12. Tom escreveu:

    Antonio,

    é importante críticas construtitivas a Veja, como essa

     http://stoa.usp.br/vereadores/weblog/41146.html#cmt11873

    Só dessa forma outras pessos poderão desenvolver o raciocício crítico ao lerem qualquer fonte de informção.

    default user iconTom ‒ quinta, 22 janeiro 2009, 12:27 -02 # Link |

  13. Tom escreveu:

    Maurício,

    não cheguei a ler a lei quando comentou anteriormente. Mas acabo de notar que sua opinião está errada, tanto conforme o que diz a lei e um advogado (muito mais competente que eu para analisar o caso). Na minha opinião, também discordo da sua (note que agora é minha opinião conta a sua, não da lei contra sua opinião).

    Maurício Kanno disse:

    Oi, Ana, para mim não faz diferença se vc tb copia embaixo o rodapé do site da Veja. O que importa é q vc tá copiando o txt integral da reportagem, restrita a assinantes (o que é agravante; se ao menos a reportagem fosse liberada ao público, provavelmente eu nem me manifestaria).

    O fato de vc disponibilizar isso aqui ao público em geral que é incorreto em minha opinião.

    Curiosidade: por que você se preocupou em deixar essa matéria restrita apenas a um pequeno número de pessoas?

    default user iconTom ‒ quinta, 22 janeiro 2009, 13:33 -02 # Link |

  14. Tom escreveu:

    @Todos @Maurício

    Vejam que bonito, O dia em que a Veja visitou meu blog.

    rsrsrsrsrs

    default user iconTom ‒ quarta, 28 janeiro 2009, 01:47 -02 # Link |

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