(esqueceu?)

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Fevereiro 09, 2010

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Postado por Ana A. S. Cesar

 

 

Lançamento do livro

Sobre reis, ratos, urubus e pássaros



 

Dia 03/03, a partir das 19 h, na Livraria Cultura do Conjunto Nacional - SP.

Dia 31/03, a partir das 19 h, na Livraria Cultura do Shopping Iguatemi, em Campinas - SP.


 

Em seu novo livro, Rubem Alves apresenta duas histórias infanto-juvenis cheias de fantasias e lições de vida.

No conto "os reis e os ratos", um rei que é apaixonado por queijo, faz de seu país famoso devido ao laticinio. Mas um grande problema está por vir, pois onde há queijo, há ratos. Em uma divertida tentativa para resolver esse problema, gatos, cachorros, leões E elefantes são utilizados como solução, mas acabam se tornando um problema para o país dos queijos.

No conto "os pássaros e os urubus" traz uma bela parábola ecumênica sobre as criações de DEUS, as diversidades e beleza dos pássaros e seus cantos, porem a raposa resolve provocar a vaidade dos urubus, o que vai gerar uma grande confusão na floresta.

Rubem Alves é educador, escritor e psicanalista, doutor em Filosofia pela Universidade Princeton (EUA) e professor emérito da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Faz magia com as palavras e possui um estilo inconfundível. Tem escrito sobre temas que navegam pelo universo da Sociologia, da Psicanálise, da Filosofia e da Teologia. O escritor é mineiro de Boa Esperança e vive em Campinas (SP).

O livro foi publicado pela Edições Loyola.

 

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Fevereiro 07, 2010

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Postado por Ana A. S. Cesar

Quem já teve a oportunidade de ter em mãos e saborear este pequeno grande livro "Entre a ciência e a sapiência - O dilema da educação", do escritor Rubem Alves, sabe muito bem do que estou falando. Vamos a alguns trechos do livro para que possam devorá-lo:

Ler pode ser uma fonte de alegria. “Pode ser”. Nem sempre é. Livros são iguais a comida. Há os pratos refinados, como o cailles au sarcophage, especialidade de Babette, que começam por dar prazer ao corpo e terminam por dar alegria à alma. E há as gororobas, malcozidas, empelotadas, salgadas, engorduradas, que além de produzir vômito e diarreias no corpo produzem perturbações semelhantes na alma. Assim também são os livros.

Ler é uma virtude gastronômica: requer uma educação da sensibilidade, uma arte de discriminar os gostos. O chef prova os pratos que prepara antes de servi-los. O leitura cuidadoso, de forma semelhante, “prova” um pequeno canapé do livro, antes de se entregar à leitura.

Um escritor não escreve para comunicar saberes. Escreve para comunicar sabores. O escritor escreve para que o leitor tenha o prazer da leitura. (...) Quando sou forçado a interromper a leitura, fico triste. Essa é a prova do prazer que o texto me causa.

Ler pode ser uma fonte de alegria. Por isso mesmo tenho dó das crianças e dos adolescentes que, depois de muito sofrer nas aulas de gramática, análise sintática e escolas literárias, saem das escolas sem ter sido iniciados nos polimórficos gozos da leitura. É como se lhes faltassem órgãos de prazer. São castrados. Não podem penetrar no corpo de prazer que é o livro nem sentir o prazer de ser penetrados por ele. Sabem ler, mas são analfabetos. Porque, como dizia Mário Quintana, analfabeto é precisamente aquele que, sabendo ler, não lê. (trechos da p. 49 a 53)

Há concertos de música. Por que não concertos de leitura? Imagino uma situação impensável: o adolescente se prepara para sair com a namorada, e a mãe lhe pergunta: “Aonde é que você vai?” E ele responde: “Vou a um concerto de leitura. Hoje, no teatro, vai ser lido o conto ‘A terceira margem do rio’, de Guimarães Rosa. Por que é que você não vai também com o pai?” Aí, pai e mãe, envergonhados, desligam o “Jornal Nacional” e vão se aprontar... (p. 65)

ALVES, Rubem - "Entre a ciência e a sapiência - o dilema da educação", Edições Loyola, 1999.

Palavras-chave: Escritores, Livros, Rubem Alves

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Fevereiro 06, 2010

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Postado por Ana A. S. Cesar

 

 

O biólogo e educador Samuel Lago atendeu a esse chamado: devorou os aproximadamente 80 livros de seu amigo e organizou o livro O Melhor de Rubem Alves, lançado em 2008 pela Nossa Cultura Editora. Lago é responsável pela publicação de mais de 50 livros didáticos, utilizados por mais de 30 milhões de alunos.

O Melhor de Rubem Alves é a primeira edição de textos do autor feita pela Nossa Cultura em formato tradicional. São quase 400 páginas que reúnem aforismos e trechos selecionados cuidadosamente da extensa obra de Rubem Alves. Ilustrações produzidas especialmente para o livro ajudam os olhos a viajarem ainda mais livremente pelo pensamento de Rubem Alves, um dos mais respeitados intelectuais do país. Afinal, como diz o organizador, essa é uma obra que “deve ser lida diferentemente de outros livros”. Diz ainda: “Sugiro que cada pequeno texto seja refletido, degustado prazerosamente.” O sumário do livro é uma espécie de guia nessa viagem pelo pensamento de Rubem Alves. Os trechos selecionados foram agrupados em nove temas: educação, religião, sabedoria, vida-morte, sentimento, poesia-palavras-livros-pensamentos, filosofia, ciências e política.

Um escritor que realmente ama as palavras

Poucos escritores brasileiros oferecem uma bibliografia tão extensa quanto Rubem Alves. Generoso, o mineiro nascido em Boa Esperança em 1933 sempre se dedicou a compartilhar seu conhecimento e suas ideias. O resultado é uma obra com aproximadamente 80 títulos, que discutem assuntos como filosofia da região, teologia e  filosofia da ciência e da religião. Ele também é autor de uma biografia de Gandhi e escreve crônicas e ficção, inclusive para crianças.
O interesse por tantos assuntos decorre de sua própria trajetória profissional. Graduado e mestre em teologia, Rubem Alves foi pastor. Depois do golpe militar de 1964, abandonou a Igreja Presbiteriana e mudou para os Estados Unidos, onde obteve o grau de doutor em filosofia no Princeton Theological Seminary. Ao retornar ao Brasil, especializou-se também em psicanálise e tornou-se professor emérito da Unicamp, cargo que mantém até hoje.

 

Conheça o professor Samuel Ramos Lago - http://www.lago.com.br/

 

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Fevereiro 03, 2010

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http://www.icicom.up.pt/blog/muitaletra/arquivos/nelida.jpg

 

A escritora Nélida Piñon venceu o prêmio literário Casa de las Americas, na categoria literatura brasileira, pelo livro de ensaios "O Aprendiz de Homero" (Editora Record). O anúncio foi feito na manhã de ontem. A obra reúne 24 ensaios da autora dos últimos cinco anos e expõe as referências literárias de Piñon, como leitora e escritora. O livro é seu primeiro desde "Vozes do Deserto", de 2005, quando a autora venceu o Prêmio Jabuti, nas categorias romance e livro do Ano. Nélida Piñon foi a primeira mulher a presidir a Academia Brasileira de Letras. (Jornal Folha de São Paulo, 30.01.10)

 

Primeira mulher a presidir a Academia Brasileira de Letras, Nelida lançou o livro de 24 ensaios cinco anos depois de "Vozes do deserto", vencedor do Prêmio Jabuti 2005 nas categorias Romance e Livro do Ano. Nélida estreou com seu primeiro romance em 1961, "Guia-mapa de Gabriel Arcanjo". Ao longo de sua carreira, colaborou em publicações nacionais e estrangeiras, proferiu conferências em diversos países, onde foi igualmente traduzida. A escritora foi agraciada com o Prêmio Príncipe de Astúrias das Letras de 2005, concedido pela fundação de mesmo nome, da Espanha.


 

Colheita

Um rosto proibido desde que crescera. Dominava as paisagens no modo ativo de agrupar frutos e os comia nas sendas minúsculas das montanhas, e ainda pela alegria com que distribuía sementes. A cada terra a sua verdade de semente, ele se dizia sorrindo. Quando se fez homem encontrou a mulher, ela sorriu, era altiva como ele, embora seu silêncio fosse de ouro, olhava-o mais do que explicava a história do universo. Esta reserva mineral o encantava e por ela unicamente passou a dividir o mundo entre amor e seus objetos. Um amor que se fazia profundo a ponto de se dedicarem a escavações, refazerem cidades submersas em lava.

A aldeia rejeitava o proceder de quem habita terras raras. Pareciam os dois soldados de uma fronteira estrangeira, para se transitar por eles, além do cheiro da carne amorosa, exigiam eles passaporte, depoimentos ideológicos. Eles se preocupavam apenas com o fundo da terra, que é o nosso interior, ela também completou seu pensamento. Inspirava-lhes o sentimento a conspiração das raízes que a própria árvore, atraída pelo sol e exposta à terra, não podia alcançar, embora se soubesse nelas.

Até que ele decidiu partir. Competiam-lhe andanças, traçar as linhas finais de um mapa cuja composição havia se iniciado e ele sabia hesitante. Explicou à mulher que para a amar melhor não dispensava o mundo, a transgressão das leis, os distúrbios dos pássaros migratórios. Ao contrário, as criaturas lhe pareciam em suas peregrinações simples peças aladas cercando alturas raras.

Ela reagiu, confiava no choro. Apesar do rosto exibir naqueles dias uma beleza esplêndida a ponto de ele pensar estando o amor com ela por que buscá-lo em terras onde dificilmente o encontrarei, insistia na independência. Sempre os de sua raça adotaram comportamento de potro. Ainda que ele em especial dependesse dela para reparar certas omissões fatais.

Viveram juntos todas as horas disponíveis até a separação. Sua última frase foi simples: com você conheci o paraíso. A delicadeza comoveu a mulher, embora os diálogos do homem a inquietassem. A partir desta data trancou-se dentro de casa. Como os caramujos que se ressentem com o excesso da claridade. Compreendendo que talvez devesse preservar a vida de modo mais intenso, para quando ele voltasse. Em nenhum momento deixava de alimentar a fé, fornecer porções diárias de carpas oriundas de águas orientais ao seu amor exagerado.

Em toda a aldeia a atitude do homem representou uma rebelião a se temer. Seu nome procuravam banir de qualquer conversa. Esforçavam-se em demolir o rosto livre e sempre que passavam pela casa da mulher faziam de conta que jamais ela pertencera a ele. Enviavam-lhe presentes, pedaços de toicinho, cestas de pêra, e poesias esparsas. Para que ela interpretasse através daqueles recursos o quanto a consideravam disponível, sem marca de boi e as iniciais do homem em sua pele.

A mulher raramente admitia uma presença em sua casa. Os presentes entravam pela janela da frente, sempre aberta para que o sol testemunhasse a sua própria vida, mas abandonavam a casa pela porta dos fundos, todos aparentemente intocáveis. A aldeia ia lá para inspecionar os objetos que de algum modo a presenciaram e eles não, pois dificilmente aceitavam a rigidez dos costumes. Às vezes ela se socorria de um parente, para as compras indispensáveis. Deixavam eles então os pedidos aos seus pés, e na rápida passagem pelo interior da casa procuravam a tudo investigar. De certo modo ela consentia para que vissem o homem ainda imperar nas coisas sagradas daquela casa.

Jamais faltou uma flor diariamente renovada próxima ao retrato do homem. Seu semblante de águia. Mas, com o tempo, além de mudar a cor do vestido, antes triste agora sempre vermelho, e alterar o penteado, pois decidira manter os cabelos curtos, aparados rentes à cabeça — decidiu por eliminar o retrato. Não foi fácil a decisão. Durante dias rondava o retrato, sondou os olhos obscuros do homem, ora o condenava, ora o absolvia: porque você precisou da sua rebeldia, eu vivo só, não sei se a guerra tragou você, não sei sequer se devo comemorar sua morte com o sacrifício da minha vida.

Durante a noite, confiando nas sombras, retirou o retrato e o jogou rudemente sobre o armário. Pôde descansar após a atitude assumida. Acreditou deste modo poder provar aos inimigos que ele habitava seu corpo independente da homenagem. Talvez tivesse murmurado a algum dos parentes, entre descuidada e oprimida, que o destino da mulher era olhar o mundo e sonhar com o rei da terra.

Recordava a fala do homem em seus momentos de tensão. Seu rosto então igualava-se à pedra, vigoroso, uma saliência em que se inscreveria uma sentença, para permanecer. Não sabia quem entre os dois era mais sensível à violência. Ele que se havia ido, ela que tivera que ficar. Só com os anos foi compreendendo que se ele ainda vivia tardava a regressar. Mas, se morrera, ela dependia de algum sinal para providenciar seu fim. E repetia temerosa e exaltada: algum sinal para providenciar meu fim. A morte era uma vertente exagerada, pensou ela olhando o pálido brilho das unhas, as cortinas limpas, e começou a sentir que unicamente conservando a vida homenagearia aquele amor mais pungente que búfalo, carne final da sua espécie, embora tivesse conhecido a coroa quando das planícies.

Quando já se tornava penoso em excesso conservar-se dentro dos limites da casa, pois começara a agitar nela uma determinação de amar apenas as coisas venerandas, fossem pó, aranha, tapete rasgado, panela sem cabo, como que adivinhando ele chegou. A aldeia viu o modo de ele bater na porta com a certeza de se avizinhar ao paraíso. Bateu três vezes, ela não respondeu. Mais três e ela, como que tangida à reclusão, não admitia estranhos. Ele ainda herói bateu algumas vezes mais, até que gritou seu nome, sou eu, então não vê, então não sente, ou já não vive mais, serei eu logo o único a cumprir a promessa?

Ela sabia agora que era ele. Não consultou o coração para agitar-se, melhor viver a sua paixão. Abriu a porta e fez da madeira seu escudo. Ele imaginou que escarneciam da sua volta, não restava alegria em quem o recebia. Ainda apurou a verdade: se não for você, nem preciso entrar. Talvez tivesse esquecido que ele mesmo manifestara um dia que seu regresso jamais seria comemorado, odiaria o povo abundante na rua vendo o silêncio dos dois após tanto castigo.

Ela assinalou na madeira a sua resposta. E ele achou que devia surpreendê-la segundo o seu gosto. Fingia a mulher não perceber seu ingresso casa adentro, mais velho sim, a poeira colorindo original as suas vestes. Olharam-se como se ausculta a intrepidez do cristal, seus veios limpos, a calma de perder-se na transparência. Agarrou a mão da mulher, assegurava-se de que seus olhos, apesar do pecado das modificações, ainda o enxergavam com o antigo amor, agora mais provado.

Disse-lhe: voltei. Também poderia ter dito: já não te quero mais. Confiava na mulher; ela saberia organizar as palavras expressas com descuido. Nem a verdade, ou sua imagem contrária, denunciaria seu hino interior. Deveria ser como se ambos conduzindo o amor jamais o tivessem interrompido.

Ela o beijou também com cuidado. Não procurou sua boca e ele se deixou comovido. Quis somente sua testa, alisou-lhe os cabelos. Fez-lhe ver o seu sofrimento, fora tão difícil que nem seu retrato pôde suportar. Onde estive então nesta casa, perguntou ele, procure e em achando haveremos de conversar. O homem se sentiu atingido por tais palavras. Mas as peregrinações lhe haviam ensinado que mesmo para dentro de casa se trazem os desafios.

Debaixo do sofá, da mesa, sobre a cama, entre os lençóis, mesmo no galinheiro, ele procurou, sempre prosseguindo, quase lhe perguntava: estou quente ou frio. A mulher não seguia suas buscas, agasalhada em um longo casaco de lã, agora descascava batatas imitando as mulheres que encontram alegria neste engenho. Esta disposição da mulher como que o confortava. Em vez de conversarem, quando tinham tanto a se dizer, sem querer eles haviam começado a brigar. E procurando ele pensava onde teria estado quando ali não estava, ao menos visivelmente pela casa.

Quase desistindo encontrou o retrato sobre o armário, o vidro da moldura todo quebrado. Ela tivera o cuidado de esconder seu rosto entre cacos de vidro, quem sabe tormentas e outras feridas mais. Ela o trouxe pela mão até a cozinha. Ele não se queria deixar ir. Então, o que queres fazer aqui? Ele respondeu: quero a mulher. Ela consentiu. Depois porém ela falou: agora me siga até a cozinha.

— O que há na cozinha?

Deixou-o sentado na cadeira. Fez a comida, se alimentaram em silêncio. Depois limpou o chão, lavou os pratos, fez a cama recém-desarrumada, tirou o pó da casa, abriu todas as janelas quase sempre fechadas naqueles anos de sua ausência. Procedia como se ele ainda não tivesse chegado, ou como se jamais houvesse abandonado a casa, mas se faziam preparativos sim de festa. Vamos nos falar ao menos agora que eu preciso?, ele disse.

— Tenho tanto a lhe contar. Percorri o mundo, a terra, sabe, e além do mais...

Eu sei, ela foi dizendo depressa, não consentindo que ele dissertasse sobre a variedade da fauna, ou assegurasse a ela que os rincões distantes ainda que apresentem certas particularidades de algum modo são próximos a nossa terra, de onde você nunca se afastou porque você jamais pretendeu a liberdade como eu. Não deixando que lhe contasse, sim que as mulheres, embora louras, pálidas, morenas e de pele de trigo, não ostentavam seu cheiro, a ela, ele a identificaria mesmo de olhos fechados. Não deixando que ela soubesse das suas campanhas: andou a cavalo, trem, veleiro, mesmo helicóptero, a terra era menor do que supunha, visitara a prisão, razão de ter assimilado uma rara concentração de vida que em nenhuma parte senão ali jamais encontrou, pois todos os que ali estavam não tinham outro modo de ser senão atingindo diariamente a expiação.

E ela, não deixando ele contar o que fora o registro da sua vida, ia substituindo com palavras dela então o que ela havia sim vivido. E de tal modo falava como se ela é que houvesse abandonado a aldeia, feito campanhas abolicionistas, inaugurado pontes, vencido domínios marítimos, conhecido mulheres e homens, e entre eles se perdendo pois quem sabe não seria de sua vocação reconhecer pelo amor as criaturas. Só que ela falando dispensava semelhantes assuntos, sua riqueza era enumerar com volúpia os afazeres diários a que estivera confinada desde a sua partida, como limpava a casa, ou inventara um prato talvez de origem dinamarquesa, e o cobriu de verdura, diante dele fingia-se coelho, logo assumindo o estado que lhe trazia graça, alimentava-se com a mão e sentia-se mulher; como também simulava escrever cartas jamais enviadas pois ignorava onde encontrá-lo; o quanto fora penoso decidir-se sobre o destino a dar a seu retrato, pois, ainda que praticasse a violência contra ele, não podia esquecer que o homem sempre estaria presente; seu modo de descascar frutas, tecendo delicadas combinações de desenho sobre a casca, ora pondo em relevo um trecho maior da polpa, ora deixando o fruto revestido apenas de rápidos fiapos de pele; e ainda a solução encontrada para se alimentar sem deixar a fazenda em que sua casa se convertera, cuidara então em admitir unicamente os de seu sangue sob condição da rápida permanência, o tempo suficiente para que eles vissem que apesar da distância do homem ela tudo fazia para homenageá-lo, alguns da aldeia porém, que ele soubesse agora, teimaram em lhe fazer regalos, que, se antes a irritavam, terminaram por agradá-la.

— De outro modo, como vingar-me deles?

Recolhia os donativos, mesmo os poemas, e deixava as coisas permanecerem sobre a mesa por breves instantes, como se assim se comunicasse com a vida. Mas, logo que todas as reservas do mundo que ela pensava existirem nos objetos se esgotavam, ela os atirava à porta dos fundos. Confiava que eles próprios recolhessem o material para não deteriorar em sua porta.

E tanto ela ia relatando os longos anos de sua espera, um cotidiano que em sua boca alcançava vigor, que temia ele interromper um só momento o que ela projetava dentro da casa como se cuspisse pérolas, cachorros miniaturas, e uma grama viçosa, mesmo a pretexto de viver junto com ela as coisas que ele havia vivido sozinho. Pois quanto mais ela adensava a narrativa, mais ele sentia que além de a ter ferido com o seu profundo conhecimento da terra, o seu profundo conhecimento da terra afinal não significava nada. Ela era mais capaz do que ele de atingir a intensidade, e muito mais sensível porque viveu entre grades, mais voluntariosa por ter resistido com bravura os galanteios. A fé que ele com neutralidade dispensara ao mundo a ponto de ser incapaz de recolher de volta para seu corpo o que deixara tombar indolente, ela soubera fazer crescer, e concentrara no domínio da sua vida as suas razões mais intensas.

À medida que as virtudes da mulher o sufocavam, as suas vitórias e experiências iam-se transformando em uma massa confusa, desorientada, já não sabendo ele o que fazer dela. Duvidava mesmo se havia partido, se não teria ficado todos estes anos a apenas alguns quilômetros dali, em degredo como ela, mas sem igual poder narrativo.

Seguramente ele não lhe apresentava a mesma dignidade, sequer soubera conquistar seu quinhão na terra. Nada fizera senão andar e pensar que aprendeu verdades diante das quais a mulher haveria de capitular. No entanto, ela confessando a jornada dos legumes, a confecção misteriosa de uma sopa, selava sobre ele um penoso silêncio. A vergonha de ter composto uma falsa história o abatia. Sem dúvida estivera ali com a mulher todo o tempo, jamais abandonara a casa, a aldeia, o torpor a que o destinaram desde o nascimento, e cujos limites ele altivo pensou ter rompido.

Ela não cessava de se apoderar das palavras, pela primeira vez em tanto tempo explicava sua vida, tinha prazer de recolher no ventre, como um tumor que coça as paredes íntimas, o som da sua voz. E, enquanto ouvia a mulher, devagar ele foi rasgando o seu retrato, sem ela o impedir, implorasse não, esta é a minha mais fecunda lembrança. Comprazia-se com a nova paixão, o mundo antes obscurecido que ela descobriu ao retorno do homem.

Ele jogou o retrato picado no lixo e seu gesto não sofreu ainda desta vez advertência. Os atos favoreciam a claridade e, para não esgotar as tarefas a que pretendia dedicar-se, ele foi arrumando a casa, passou pano molhado nos armários, fingindo ouvi-Ia ia esquecendo a terra no arrebato da limpeza. E, quando a cozinha se apresentou imaculada, ele recomeçou tudo de novo, então descascando frutas para a compota enquanto ela lhe fornecia histórias indispensáveis ao mundo que precisaria apreender uma vez que a ele pretendia dedicar-se para sempre. Mas de tal modo agora arrebatava-se que parecia distraído, como pudesse dispensar as palavras encantadas da mulher para adotar afinal o seu universo.

Nélida Piñon, jornalista, romancista, contista, professora, é carioca de Vila Isabel, Rio de Janeiro, RJ. Nasceu em 3 de maio de 1937. Eleita em 27 de julho de 1989 para a Cadeira n. 30, na sucessão de Aurélio Buarque de Holanda, foi recebida em 3 de maio de 1990, pelo acadêmico Lêdo Ivo.

Foi a primeira mulher, nos mais de 100 anos de existência da ABL, a integrar a Diretoria e ocupar a presidência da Casa de Machado de Assis, no ano do seu I Centenário.

Sua produção literária está traduzida para países como Alemanha, Itália, Espanha, União Soviética, Estados Unidos, Cuba e Nicarágua. Contos seus encontram-se publicados em centenas de revistas e fazem parte de antologias brasileiras e estrangeiras.

Recebeu vários prêmios literários: Prêmio Walmap, pelo romance Fundador (1970); Prêmio Mário de Andrade, pelo romance A casa da paixão (1973); Prêmio da Associação Paulista de Críticos de Arte e Prêmio Ficção Pen Clube pelo romance A República dos sonhos (1985); Prêmio José Geraldo Vieira, da União Brasileira de Escritores de São Paulo, pelo romance A doce canção de Caetana (1987); Prêmio Golfinho de Ouro, pelo Conjunto de Obras, conferido pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro (1990); Prêmio Bienal Nestlé, pelo Conjunto de Obras (1991); Prêmio Internacional de Literatura Juan Rulfo, o mais importante da América Latina e do Caribe, concedido pela primeira vez a uma mulher e a um autor de língua portuguesa (1995); Prêmio Menéndez Pelayo, concedido pela universidade espanhola de mesmo nome, em 2003.

Obras

Guia-mapa de Gabriel Arcanjo, romance (1961)

Madeira feita de cruz, romance (1963)

Tempo das frutas, contos (1966)

Fundador, romance (1969)

A casa da paixão, romance (1977)

Sala de armas, contos (1973)

Tebas do meu coração, romance (1974)

A força do destino, romance (1977)

O calor das coisas, contos (1980)

A república dos sonhos, romance (1984)

A doce canção de Caetana, romance (1987)

O pão de cada dia: fragmentos, contos (1994)

A roda do vento, romance infanto-juvenil (1996)

Até amanhã, outra vez, romance (1999)

Cortejo do Divino e outros contos escolhidos, contos (2001)

O presumível coração da América, discursos (2002)

Vozes do deserto, romance (2004)

O ritual da arte, ensaio sobre a criação literária (inédito).


O texto acima foi publicado no livro "Sala de Armas", Editora Record - Rio de Janeiro, 1997, pág. 263.

Nélida Piñon Sala De Armas (contos)

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Fevereiro 02, 2010

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http://www.ricardobaldacci.com/crbst_pa_2_p_tjhts20r732ba3/crbst_DSC002102.jpgfoto: John Pizzarelli e Ricardo Baldacci

 

Conheça a sua história

 

Quando criança sua mãe colocava muitos discos interessantes na vitrola: Frank Sinatra, Duke Ellington, Ray Charles e Bossa Nova. Cresceu gostando de coisa boa e começou a estudar música no início de sua adolescência.

Sua predileção sempre foi pelo Jazz e Blues. Inicialmente foi influenciado por B.B King, Eric Clapton e Stevie Ray Vaughan, além dos clássicos da Soul Music. Depois, recebeu forte influências do trio de Nat King Cole, John Pizzarelli, Joe Pass e Wes Montgomery.

Desde 2004 tem tocado regularmente com as mais diferentes formações na noite paulistana. Solo em voz/violão/guitarra, duo, trio, quarteto, quinteto etc.

Realizou shows por mais de dois anos, todos os meses, no All of Jazz e n’Obar em São Paulo. No primeiro, reinaugurou os happy-hours ao lado do vetereno pianista Dálio Sahm. No último, apresentou-se como atração principal da casa, aos sábados, liderando o quarteto Full House, famoso por “encher a casa”.

Recebeu elogios do gaitista, antigo artista da Blue Note, Omar Izar “Quando você canta parece que estou em Nova Iorque” e do John Pizzarelli “You sing great”.

Acampanhou a cantora nova-iorquina de jazz Judi D em sua turnê pelo Brasil. “You know more jazz lyrics than I do”.

Onde quer exista espaço para a boa música, lá estará o Ricardo.

 

http://www.ricardobaldacci.com/crbst_pa_2_p_tjhts20r732ba3/crbst_DSC07315.jpgfoto: apresentação na FNAC - SP

 

Sejam bem-vindos a seu site: http://www.ricardobaldacci.com

                               http://www.ricardobaldacci.com/Folder.pdf

 

Palavras-chave: Música, Talento

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Sociedade - 01.02.10



O Departamento de Ciências Políticas da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) e o Instituto de Relações Internacionais (IRI), ambos da USP, promovem de terça-feira (2) ao dia 11 o seminário internacional Conceitos, Métodos e Técnicas de Pesquisa em Ciência Política.

O seminário contará com a presença de acadêmicos de instituições como New York University, Science Po, Hamburg University, Philipps University Marbug, Texas A&M University, e University of Basel.

O evento é aberto ao público e será composto por uma sequência de palestras nos dias 2, 3, 4, 9, 10 e 11, das 18 horas às 19h30, na Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) da USP (Av. Professor Luciano Gualberto, 908, Cidade Universitária, São Paulo). As exposições serão proferidas em inglês, seguidas de comentários de acadêmicos locais.

A programação detalhada do evento poderá ser consultada nos sites do Departamento de Ciência Política da FFLCH e do Instituto de Relações Internacionais. Os interessados podem se inscrever, gratuitamente, pelo email vivs@usp.br  Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.

Mais informações: email  vivs@usp.br, sites www.iri.usp.br e http://flch.usp.br/dcp

   
 
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Fevereiro 01, 2010

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Rubem Alves 15/03, segunda-feira, às 19h30 | Local: Palácio das Artes - Grande Teatro (Av. Afonso Pena, 1.537, Centro)


O escritor Rubem Alves é o convidado para abrir a programação do Sempre Um Papo em 2010. Ele conversa com o público sobre a importância da leitura na educação e lança o livro infantil "Sobre Reis, Ratos, Urubus e Pássaros". Consagrado poeta e cronista, e com um extenso currículo que passa por ensaísta, pedagogo, teólogo e psicanalista, a expectativa do autor é lotar novamente o Grande Teatro do Palácio das Artes. A entrada é franca, mediante a doação de livros novos ou usados para o projeto Biblioteca Sempre Um Papo Ler Convivendo.

Em seu novo livro, Rubem Alves apresenta duas histórias infanto-juvenis cheias de fantasias e lições de vida. No conto "Os Reis e os Ratos", um rei que é apaixonado por queijo, faz de seu país famoso devido ao laticínio. Mas um grande problema está por vir, pois onde há queijo, há ratos. Em uma divertida tentativa para resolver esse problema, gatos, cachorros, leões e elefantes são utilizados como solução, mas acabam se tornando um problema para o país dos queijos.

No conto "Os Pássaros e os Urubus" o autor traz uma bela parábola ecumênica sobre as criações de DEUS, as diversidades e beleza dos pássaros e seus cantos, porém a raposa resolve provocar a vaidade dos urubus, o que vai gerar uma grande confusão na floresta.

Nascido em Boa Esperança, no Sul de Minas Gerais, Rubem Alves se mudou para o Rio de Janeiro em 1945. Considerado um dos intelectuais mais respeitados do país, o escritor é mestre em Teologia e lecionou durante 12 anos na Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP); em 1980, torna-se psicanalista. Mas foi na literatura e poesia que Alves se encontrou e, hoje, tem uma coleção invejável de obras, entre crônicas, biografia, livros de teologia, filosofia e infantis. Pela editora Planeta, além de “O Sapo que Queria ser Príncipe”, publicou “O Velho que Acordou Menino” e “Perguntaram-me se Acredito em Deus”.

O “Sempre Um Papo” é uma realização da Cemig, com o apoio cultural da Fundação Clóvis Salgado. Mais informações: (31) 3261-1501 e www.sempreumpapo.com.br.

Serviço: Sempre Um Papo com o escritor Rubem Alves 15/03/2010, segunda-feira, às 19h30 Grande Teatro do Palácio das Artes (Av. Afonso Pena, 1537, Centro) Informações para o público: www.sempreumpapo.com.br - (31) 3261.1501

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Palavras-chave: Escritores, Lançamento, Literatura

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Janeiro 27, 2010

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Fernando Segredo lançará seu primeiro livro no dia 30/01.

Para conhecer seu Blog de Notas acesse:

http://fernandosegredo.blogspot.com/

Palavras-chave: Lançamento, Livros

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Sobre a Vírgula

 
Muito legal a campanha dos 100 anos da ABI

(Associação Brasileira de Imprensa).

 


Vírgula pode ser uma pausa ... ou não.
Não, espere.
Não espere ..
 
Ela pode sumir com seu dinheiro.
23,4.
2,34.
 
Pode criar heróis ..
Isso só, ele resolve.
Isso só ele resolve.

Ela pode ser uma solução.
Vamos perder, nada foi resolvido.
Vamos perder nada, foi resolvido.
 
A vírgula muda uma opinião.
Não queremos saber.
Não, queremos saber.
 
A vírgula pode condenar ou salvar.
Não tenha clemência!
Não, tenha clemência!
 
Uma vírgula muda tudo.
ABI: 100 anos lutando para que ninguém mude uma vírgula da sua informação.
 

Detalhes Adicionais:
 
 SE O HOMEM SOUBESSE O VALOR QUE TEM A MULHER andaria DE QUATRO À SUA PROCURA.

 

* Se você for Mulher, Certamente colocou uma vírgula depois de MULHER ...

* Se você for Homem, Colocou uma vírgula depois de TEM ...


 

Palavras-chave: Humor

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Especial Fé e Cura

Hospitais espirituais, cultos, promessas, orações. Médicos que procuram médico do além para curar doenças. Mães que dizem ter salvo os filhos da morte com preces. Pessoas que só aprenderam a ter fé na hora do desespero. E até a medicina admite a importância da fé para a cura. Marcelo Rezende mostra em uma série de reportagens especiais, no Jornal da Band, como a fé move milhões de brasileiros em busca da cura do corpo e da alma.

 

Dia 26/1: Mães com Fé

Você vai conhecer a história de mães que acreditam na força da espiritualidade para tratar doenças graves de seus filhos. Na segunda reportagem especial de nossa série, o repórter Marcelo Rezende mostra ainda que, em alguns casos, até a morte é encarada como uma forma de cura.

 

Assista à reportagem da série da Band

http://maisband.band.com.br/v_47778_especial_fe_e_cura.htm

 

Palavras-chave: , Religião

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Janeiro 25, 2010

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VOCÊS SÃO MEUS CONVIDADOS

PARA

A

"FESTA DA DEDICAÇÃO"

 

 

 

Palavras-chave: Convite, Igrejas, Inauguração

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Janeiro 19, 2010

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ra terra ter
rat erra ter
rate rra ter
rater ra ter
raterr a ter
raterra terr
araterra ter
raraterra te
rraraterra t
erraraterra
terraraterra

Palavras-chave: Poesia concreta

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Janeiro 15, 2010

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ARTE E TÉCNICA

 

Arte e técnica, a combinação infalível


Dicas diversas sobre conceitos artísticos e técnicas de criação em programas como Photoshop, CorelDRAW e 3Ds Max.

Objetivo

Discutir alguns pré-requisitos para a criação de um trabalho digital artístico e profissional, unindo a combinação do conhecimento geral sobre artes e do domínio das técnicas de cada programa.

Apresentar algumas dicas sobre desenho e pintura, uma visão geral sobre o universo digital e alguns exemplos sobre técnicas de trabalho usadas em programas como Photoshop, CorelDraw e 3ds Max. O conteúdo foi desenvolvido para atender as necessidades de profissionais que atuam no mercado de artes gráficas e que trabalham ou pretendem trabalhar com ilustração e pintura digital

Público Alvo

Esta palestra é recomendada a todos os profissionais que já dominam algum dos softwares 3ds Max, Photoshop, Illustrator e Corel Draw, mas buscam atualizações e/ou descortinar novos horizontes de trabalho.

Conteúdo

§ Como se forma a imagem digital: RGB X CMYK, vetor X raster, tela X impressão
§ Curiosidades: para quê tablet, LAB, HDR, RAW?
§ Expressão humana: os diversos materiais e instrumentos de criação (escultura, desenho/pintura, gravura)
§ A estrutura do desenho: linhas e campos de cores
§ Volumes: contrastes de brilho e de cor
§ Noções de perspectiva e regra dos terços
§ Desenho e pintura no Photoshop: traço, volume, cor e imagens realistas
§ Recuperação de fotos no Photoshop: brilho, cor, volume e nitidez
§ Fotomontagens no Photoshop: noções de perspectiva e regra dos terços
§ Vetorização no CorelDraw: traço, volume, cor e imagens com estilo
§ Modelagem 3D e renderização no 3ds Max: realidade virtual e "hiper realismo"
§ Estilo: cada um tem o seu - exemplos, referências de criação, escolha do tema e mistura de técnicas.

Instrutor: Janaína Cesar de Oliveira Baldacci

Local: Auditório da ABFLEXO - São Paulo - SP - Rua Domingos de Moraes, 2243 – cj. 86 – Vila Mariana – São Paulo – SP (próximo a estação Santa Cruz do metrô).

Data: 27 e 28 de Janeiro 2010

Horário: 18:00 às 21:00 horas

Investimento

Assinantes da revista PUBLISH = R$ 195,00
Associados ABFLEXO, ABRAWEB, ABIEA, ABRATAG = R$ 219,00
Demais interessados = R$ 243,00
Empresas que inscreverem 3 ou mais funcionários = R$ 195,00 cada

Palavras-chave: Cursos, Eventos

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19/08/2009

 

XVII Colóquio de Filosofia 

"Formação do Professor e Ensino de Filosofia"

Mesa Redonda que contou com a participação dos professores: Roberto Rondon UEPB; Roberto de Barros Freire UFMT; Lívio Wogel UFMT; Walkyr Marra IFMT. O evento foi realizado pelo Departamento de Filosofia da Universidade Federal de Mato Grosso.


 

 

23/04/2008


Palestra reforça importância da formação ética na área de informática


A preocupação com a formação ética dos profissionais de informática é cada vez maior na sociedade da informação. Isso porque volta e meia somos bombardeados com escândalos de obtenção ilícita de dados pessoais, relacionados a falhas de segurança e comercialização de informações pela rede mundial de computadores. Foi pensando em promover uma reflexão sobre ética, para que os alunos tenham consciência de que a boa convivência na internet depende de uma série de regras de boa conduta, que o professor MSc. Ed’ Wilson Tavares Ferreira propôs a palestra Moral e Ética, realizada na semana passada, na Sala de Projeções.

“Falar sobre ética é muito pertinente, principalmente no momento em que vivemos, no qual as políticas de privacidade estão em cheque. Em muitos casos, o profissional que deveria zelar pelo sigilo da informação é o que comete esse tipo de crime”, explica Ferreira.

O palestrante convidado foi o professor Dr. Roberto Barros Freire. O docente ponderou sobre as definições de ética e moral, suas diferenças conceituais e discorreu sobre o problema da corrupção no Brasil – “Antes de tudo, o combate à corrupção deve ser um compromisso de todos. Para isso, o bem comum deve superar os interesses particulares”.

Ética e Moral: falsos sinônimos

“A diferença básica é que a ética não é só comportamento, é reflexão. Ela vai além da norma moral”. É assim que o professor Dr. Roberto Barros Freire enxerga a distinção fundamental entre esses dois conceitos geralmente considerados sinônimos. “As pessoas aprendem o significado dos termos pelo uso, não pelo sentido real”. Para ele, esse equívoco é o grande problema na hora de se julgar o que é ético ou antiético. “A filosofia vem justamente para tentar extrapolar o sentido emotivo dos termos e resgatar o seu significado”, explica.

O professor frisa que moral é um conjunto de regras de conduta de um determinado lugar. “Morais são compartilhadas por grupos distintos, portanto, não existe uma moral universal”. Já ética, salienta, é uma reflexão crítica sobre a prática moral, um referencial para os homens basearem suas ações, do ponto de vista dicotômico de bem e mal. “A ética não depende de um contexto local, mas da liberdade de agir de forma virtuosa. É a reflexão sobre ação. É tentar melhorar a si e em relação ao próximo. É não agir conforme o dever, mas pelo dever”, ressalta.

Porém, explica o professor, ao falar sobre ética as pessoas devem analisar os comportamentos com bom senso, pois o que é considerado "certo" para uns pode ser considerado "errado" para outros. Além disso, devem levar em conta as intenções que motivaram uma atitude julgada antiética. “A ética permite distinguir a má fé da ignorância”. 

Para Freire, a ética deve ser vivida no dia-a-dia e se revela quando o bem comum supera os interesses particulares nas grandes e pequenas ações. Segundo o professor, é esse princípio ético republicano que falta aos brasileiros. “As pessoas estão acostumadas a achar que só o que os políticos fazem é roubo e se esquecem que imprimir trabalho pessoal numa repartição pública ou levar para casa uma caneta também o é”.

Sobre Roberto de Barros Freire

Graduado em Filosofia pela Universidade de São Paulo (USP), Freire é mestre e doutor em Educação pela UFMT e doutor em Ética e Filosofia Política pelo Departamento de Filosofia da USP.

fonte: Assessoria de Imprensa - CEFET MT

 

 

 

 

 

Como filósofo experiente, o autor apresenta 10 proposições filosóficas para reflexão: Primeira Proposição: A racionalidade vacilante; Segunda Proposição: A busca da felicidade; Terceira Proposição: Sobre a liberdade; Quarta Proposição: A questão da violência contemporânea; Quinta Proposição: Da justiça jurídica à ética; Sexta Proposição: A política do dia a dia; Sétima Proposição: Sobre o Estado e o Governo; Oitava Proposição: Alguns desencantos contemporâneos; Nona Proposição: O homem comum; Décima Proposição: A política de educar. Escrito numa linguagem acessível, a obra tem a propriedade de não só ser apreciada por um público mais ampliado, mas servir de livro didático para o ensino de Filosofia nas escolas de ensino médio das redes pública e privadas de ensino.

Contato

http://www.ufmt.br/bicho_homem/

rdefreire@uol.com.br  

Palavras-chave: Filosofia

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Janeiro 12, 2010

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Não adianta tentar ferir-me com teus espinhos, pois eles se transformarão em bálsamos requintados se chegarem à minha alma. (Ana Cesar)

 


Esta mensagem está sob a licença CreativeCommons Atribuição.

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Janeiro 09, 2010

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Águia - Isaías 1024x768 Papel de Parede Wallpaper


Quando as tempestades da vida
Surgem escuras à minha frente,
Me recordo de maravilhosas palavras
Que uma vez eu li.

E digo a mim mesma:
Quando pairarem nuvens ameaçadoras,
Não dobre suas asas
E não fuja para o abrigo.

Mas, faça como a águia:
Abra largamente as suas asas
E decole para bem alto,
Acima dos problemas que a vida traz.

Pois a águia sabe
Que quanto mais alto voar,
Mais tranquilos e mais brilhantes
Tornam-se os céus.

E não há nada na vida
Que Deus nos peça para carregar
Que nós não possamos levar planando
Com as asas da oração.

E ao olhar para trás
Verá que a tempestade passou,
Você encontrará novas forças
E ganhará coragem também.
Tenha um ótimo ano.
Voe alto em 2010.

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Janeiro 06, 2010

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[Hilda_Hilst_8.png]

 

Enigmática, a senhora Hilda Hilst. Dona de um texto na maioria das vezes estranho, instigante, capaz de surpresas cuidadosamente planejadas. Camaleoa. Com quase quarenta livros publicados, escrevendo magistralmente desde a prosa de ficção à dramaturgia, passando por poemas de construção hipermental (metalurgia de palavras), ainda assim não é suficientemente conhecida nem estudada.
Densa a sua tessitura, crua,  mas ao mesmo tempo poderosa e cálida, como fogo ateado à distância para o deleite das mãos.
Conhecida principalmente nos círculos intelectuais paulistanos, Hilda concebeu novelas onde o poder verbal, literariedade e erudição se mesclam em resultados desconcertantes.
Em "Com Meus Olhos de Cão", novela que dá título à coletânea de sua prosa, editada pela Brasiliense, narra o processo de entorpecimento e desligamento do mundo porque passa o personagem Amós Kéres, matemático, poeta. "Matamoros", "A Obscena Senhora D" e "Qadós" são outros exemplos de poetização da prosa em Hilda Hilst.
A temática de seus textos foi, durante muito tempo, o universo imponderável das ações humanas, a inquietude do ser; a morte, Deus, a finitude, a reflexão e a ars poética. Mas o tratamento rigoroso da matéria literária tornou muito densa essa sua literatura - que ao longo de mais de trinta anos de intensa atividade, ficou restrita a uns poucos eleitos. Sua poesia, repleta de indagações metafísicas, acabou conduzindo-a a mergulhos no universo das  leituras da física e da filosofia, que toma como apoio em sua busca de respostas sobre a imortalidade da alma. Ela anseia descobrir, mas sem abrir mão da ciência. Foi a preocupação com a sobrevivência da alma que a levou, nos anos 70, a realizar uma série de experiências em Transcomunicação Instrumental, com o intuito de gravar vozes de espíritos. Hilda deixava gravadores ligados por sua chácara (a Casa do Sol) e afirma ter captado vozes pronunciando palavras e fragmentos de frases. Poucos a levaram a sério.
O mesmo não aconteceu na literatura, em que a crítica se rendeu ao refinamento e profundidade de seus textos. Carrega até hoje a fama de escritora dificílima. O livro "Com meus olhos de cão" teve excelente receptividade, mas apesar de tudo seu texto ainda continuava sendo "desgustado" somente por uns poucos eleitos que se permitiam o desafio de entrar na cortina de ferro da literatura de Hilda Hilst.
Louvada pela crítica, admirada por outros escritores (entre eles Lygia Fagundes Telles e Caio Fernando Abreu), mas distanciada do grande público, Hilda queria mais. Inconformada com a repercussão pálida de seus textos, a escritora tomou uma decisão surpreendente: depois que leu pelos jornais que a francesa Regine Deforges, com o açucarado best-seller "A Bicicleta Azul" pôs na bolsa mais de 10 milhões de dólares, não teve dúvida: "Como é que eu, com uma cabeça esplendorosa, não consigo nem me sustentar?". E concebeu "O Caderno Rosa de Lory Lambi", um escrito pornográfico. Hilda estava convicta, achava que deveria escrever de maneira diferente para ganhar dinheiro mesmo: "Textos que todo mundo compreendesse, colocando a problemática do sexo de maneira nova, chula". E foi o que fez. O livro foi lançado e fez sucesso. Hilda, então, escreveu, em pouco mais de dois anos, dois outros livros na mesma linha: "Contos de Escárnio" e "Cartas de um Sedutor".
Conseguiu deixar a crítica em quase pânico, mas, boa filha, voltou logo à literatura esplendorosa de sempre. As novelas de Hilda Hilst são, na verdade, rapsódias, cantos em grande forma que constituem uma representação poética do espírito e da realidade. Isto pode ser dito especialmente de "Com meus olhos de cão" - uma narrativa em prosa lírica da angústia e da derrelição, um tema constante em Hilda Hilst. Em "A Obscena Senhora D", por exemplo, num exercício de metalinguagem, o personagem Ehud fala a um outro, Hillé: "Derrelição quer dizer desamparo, abandono e por que me perguntas a cada dia e não reténs, daqui por diante te chamo a senhora D. D de derrelição, ouviu?".
Amor, morte, sonho, sexo, vida agônica. Salvação e perdição, tempo e eternidade, realidade e fantasia, Deus e o homem são os elementos vivenciais que passam sob diferentes roupagens e máscaras ao longo da narrativa descontínua dos textos de HH. São imagens e sons que nos assaltam como sortilégio e como um presságio que destila da linguagem crua.
De imediato percebemos a intenção do estabelecimento de uma nova estrutura de narração, fundada nos desvario. Há uma razão experimentalista, que não nega as suas heranças surrealistas: construções irrefletidas, encadeamentos ilógicos, experimentações formais no âmbito da prosa:

"Hillé, andam estranhando teu jeito de olhar.
Que jeito?
Você sabe.
É que não compreendo.
Não compreende o quê?
Não compreendo o olho, e tento enxergar perto.
Também não compreendo o corpo, essa armadilha, nem a sangrenta lógica dos dias, nem os rostos que me olham nesta vila onde moro, o que é casa, conceitos, o que são as pernas, o que é ir e vir, para onde,
Ehud (...)?"

Porém, a natureza e a verdade poética que Hilda Hilst anseia não se situam no jogo formal, nos seus limites, sua atenção verbal extrapola a forma vã, já que: "modo de ser da literatura, historicamente ligada a uma forma chamada verso, a essência da poesia não se revela nem quando a situam ao nível da linguagem metrificada". A poesia é outra coisa. A poesia é Hilda.
Embora menos complexa, sendo uma obra, "consumada" - em que as razões experimentais encontram-se mais ou menos definidas e encontraram forma definitiva - Com meus olhos de cão lembra-nos o "Igitur", de Mallarmé. Mas a indecifração de algum elemento que nela nos inquiete e confunda, porém, estará, via de regra, presa a um sistema coerente de significado constituindo, pois, um código que em uma última instância pode ser interpretado em relativa conformidade com o real, se considerarmos real o delírio, o sonho, a morbidez... O trauma, enfim.

por Sônia Zaghetto, jornalista (DF)


(Colaboração do escritor Haroldo Barbosa Filho, no Facebook).

Palavras-chave: Escritores, Literatura

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Janeiro 05, 2010

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Lançado em outubro de 2009, o livro Um Anjo no Paraíso - José de Anchieta, da ilha de Tenerife a São Paulo e ao Rio de Janeiro já faz parte da nossa história literária. Recomendo a leitura deste romance que em muito acrescentará ao nosso conhecimento.

A OBRA

Nas páginas de UM ANJO NO PARAÍSO, estão várias das passagens mais difíceis e, ao mesmo tempo, saborosas da história de um homem magro e doente. Mas também a epopéia de um gigante que viveu no Brasil no Século XVI. Trata-se de um resgate em forma de romance que oferece a jovens e adultos conhecimento a respeito de importantes momentos brasileiros, de uma maneira leve e agradável.

CONTEÚDO

A obra aborda a infância de José de Anchieta e a convivência com sua família em San Cristóbal de La Laguna – Tenerife; os tempos de colégio; a chegada a Salvador e o encontro com o Pe. Manoel da Nóbrega; a complicada comunicação com os nativos; as dificuldades enfrentadas até e após a fundação de São Paulo; as batalhas contra os escravocratas; a Confederação dos Tamoios e a prisão de Anchieta e Nóbrega numa aldeia chamada Iperoig; as batalhas de Mem de Sá e Estácio de Sá contra os franceses de Villegaignon; e a fundação do Rio de Janeiro.

Em tom de aventura, UM ANJO NO PARAÍSO responde a muitas questões. Por exemplo:

- Como era o “Novo Mundo” no início do Século XVI?

- Por que foi decidida a fundação de uma vila que se chamaria São Paulo de Piratininga?

- Quem foi João Ramalho, herói ou vilão?

- Além de religioso, Anchieta chegou a atuar até como sapateiro?

- Anchieta tinha dons proféticos?

- Por que “Rio de Janeiro”, se a então vila praiana foi fundada no mês de março?

- Via Anchieta ou “Caminho do Padre José”?

Primeiras jornadas de José de Anchieta - Século XVI

O AUTOR

Haroldo Barbosa Filho nasceu em Jardinópolis, São Paulo, em 1961. Como redator publicitário, atuou durante mais de 25 anos em diversas agências da capital paulista. UM ANJO NO PARAÍSO é seu romance de estreia, sob o importante selo de Edições Loyola, uma das maiores e mais conceituadas editoras do Brasil.

Mais duas obras são de sua autoria: Milagres acontecem - um guia prático para ser e fazer feliz e Se eu consigo, você consegue.

 

fonte: do blog do autor - http://livroumanjonoparaiso.blogspot.com/2009/10/lancamento-em-outubro-de-2009.h

Palavras-chave: Literatura, Romance

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Janeiro 03, 2010

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Postado por Ana A. S. Cesar


Levanto cedo, faço minhas abluções, ponho a chaleira no fogo para fazer café e abro a porta do apartamento - mas não encontro o pão costumeiro. No mesmo instante me lembro de ter lido alguma coisa nos jornais da véspera sobre a "greve do pão dormido". De resto não é bem uma greve, é um lock-out, greve dos patrões, que suspenderam o trabalho noturno; acham que obrigando o povo a tomar seu café da manhã com pão dormido conseguirão não sei bem o que do governo.

Está bem. Tomo o meu café com pão dormido, que não é tão ruim assim. Enquanto tomo café vou me lembrando de um homem modesto que conheci antigamente. Quando vinha deixar o pão à porta do apartamento ele apertava a campainha, mas, para não incomodar os moradores, avisava gritando:

- Não é ninguém, é o padeiro!

Interroguei-o uma vez: como tivera a idéia de gritar aquilo?

"Então você não é ninguém?"

Ele abriu um sorriso largo. Explicou que aprendera aquilo de ouvido. Muitas vezes lhe acontecera bater a campainha de uma casa e ser atendido por uma empregada ou outra pessoa qualquer, e ouvir uma voz que vinha lá de dentro perguntando quem era; e ouvir a pessoa que o atendera dizer para dentro: "não é ninguém, não, senhora, é o padeiro". Assim ficara sabendo que não era ninguém...

Ele me contou isso sem mágoa nenhuma, e se despediu ainda sorrindo. Eu não quis detê-lo para explicar que estava falando com um colega, ainda que menos importante. Naquele tempo eu também, como os padeiros, fazia o trabalho noturno. Era pela madrugada que deixava a redação de jornal, quase sempre depois de uma passagem pela oficina - e muitas vezes saía já levando na mão um dos primeiros exemplares rodados, o jornal ainda quentinho da máquina, como o pão saído do forno.

Ah, eu era rapaz, eu era rapaz naquele tempo! E às vezes me julgava importante porque no jornal que levava para casa, além de reportagens ou notas que eu escrevera sem assinar, ia uma crônica ou artigo com o meu nome. O jornal e o pão estariam bem cedinho na porta de cada lar; e dentro do meu coração eu recebi a lição de humildade daquele homem entre todos útil e entre todos alegre; "não é ninguém, é o padeiro!"

E assobiava pelas escadas.

 

Rubem Braga, Ai de ti, Copacabana!

Rio, maio, 1956.

 

Palavras-chave: Crônicas

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Janeiro 02, 2010

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Postado por Ana A. S. Cesar

 

As I lay me down
Heaven hear me now
I'm lost without a cause
After giving it my all

Winter storms have come
And darkened my sun
After all that I've been through
Who on earth can I turn to?

(Chorus)
I look to you
I look to you
After all my strength is gone
In you I can be strong

I look to you
I look to you
And when melodies are gone
In you I hear a song I look to you

(Verse 2)
After I lose my breath
There's no more fighting left
Thinking to rise no more
Searching for that open door

And every road that I've taken
Led to my regret
And I don't know if I'm gonna make it
Nothing to do but lift my head

(Chorus)
I look to you
I look to you
After all my strength is gone
In you I can be strong

I look to you
I look to you
And when melodies are gone
In you I hear a song
I look to you

(Bridge)
My love is all broken (oh Lord)
My walls have come (coming down on me)
tumbling down on me (All the rain is falling)

The rain is falling
Defeat is calling (set me free)
I need you to set me free
Take me far away from the battle
I need you to shine on me

(Chorus)
I look to you
I look to you
After all my strength is gone
In you I can be strong

I look to you
I look to you
And when melodies are gone
In you I hear a song
I look to you

I look to you
I look to you...

 

 

Deus é nosso refúgio e nossa fortaleza.

Palavras-chave: Deus, you tube

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