Stoa :: Albert Richerd Carnier Guedes :: Blog :: Cientistas Cristãos: Embaixadores para duas Comunidades

setembro 13, 2009

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Esse texto é exemplar no tocante ao pensamento de um cientista que é além de tudo um crente num criador - aqui mais especificamente, um cristão.

Sim, digo "além de tudo", pois se você acredita num criador pra tudo, por consequência, a crença está sobre qualquer conhecimento que você venha a adquirir sobre seus sentidos, pois se criou tudo, criou até mesmo aquilo que você sabe.

Mas não tão simplista, a idéia de um criador acrescenta mais pesso áquilo que se pode apreender, portanto, além do conhecimento adquirido formalmente em sua profissão, o cientista crédulo ainda precisa lidar com certas farpas mal resolvidas por mal compreensão daquilo que ele crê.

Não raro, essa farpas são causadas por ambos os lados - a comunidade científica extremada e fiéis obscuros. 

Mas felizmente, há sempre aqueles que desejam o melhor pra todos - ateus ou teístas que se preocupam em conviver em harmonia, ainda que possuem pensamentos antagonicos, que longe de ser motivo de embates vergonhosos, são motivo debates construtivos e intelectualmente satisfatórios.

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Ciência e religião têm-se tornado um assunto emocional, tanto na comunidade científica como no interior da Cristandade, em anos recentes.

Compreensões inadequadas abundam, tanto no tocante às implicações religiosas das teorias científicas como das implicações científicas da teologia.

Uma interação genuína e proveitosa entre estes dois aspectos diferentes mas complementares da vida de um cientista Cristão é necessária e benéfica, caso se queira sustentar as próprias crenças com integridade.

O desafio do naturalismo filosófico sentido por alguns Cristãos, tal como amplamente exposado por Richard Dawkins et al, tem resultado em uma interação característicamente negativa entre ciência e religião, na qual o Cristianismo deve ser defendido contra o avanço da maré ateísta (presumidamente o sinônimo de evolucionismo e big bang).

O que tem sido quase apagado da consciência popular é a idéia de que estudar ciência possa realmente fortalecer a fé de alguém, e aprofundar a reverência e o senso de maravilhamento diante de um criador que orquestra o universo com tal variedade bela, complexidade e ingenuidade.

Considere as palavras de Thomas Browne:

"A sabedoria de Deus recebe pouca honra daquelas cabeças vulgares que rudemente arregalam os olhos e em completa rusticidade admiram suas obras; o magnificam mais altamente aqueles cuja judiciosa inquirição em seus atos, e pesquisa deliberada de suas criaturas, retribuem o dever de uma admiração devota e erudita."

O desafio da percepção pública da ciência não se limita à relação com a religião. Não disse alguém, em certa ocasião, que "Um pouco de conhecimento é uma coisa perigosa" ?

A mídia, um punhado indivíduos falantes, pode ferir um nervo público que é suspeitoso de qualquer coisa que não consiga compreender.

O dom que estes indivíduos tem é de fazer com que as pessoas acreditem que eles, o público, tem razoabilidade suficiente para captar os "fatos" e tomar uma decisão informada.

A retórica é algo poderoso e, se alguém lê um escrito fundamentalista (Cristão ou Naturalista) descobre que a apresentação da informação é, às vezes, distorcida ou abusada.

Muito poucas pessoas atingem uma decisão informada e, talvez, seja possível argumentar que ela nunca é razoável, considerando-se a complexidade da ciência para as pessoas que tomá-la.

Compreensões errôneas do Cristianismo e de Cristãos cientistas por cientistas, jamais serão alteradas pela tentativa de conduzir cada pessoa individual a uma consideração racional das questões envolvidas.

O problema requer, antes, um assalto estratégico aos fundamentos intelectuais de nossas culturas.

Isto pode ser visto nas diferentes formas de pensar da minha geração e da geração de meus pais.

A transição da modernidade (racionalismo) para a pós-modernidade começou muitos anos atrás como uma idéia intelectual em universidades, mas tem sido finalmente absorvida na psiquê popular.

Similarmente, se queremos voltar nossas mentes e corações para Cristo, isso deve começar com um sério engajamento intelectual com a teologia e a ciência, por aqueles colocados como embaixadores para ambas as comunidades - a comunidade científica e a Cristã.

Uma mudança de percepção entre a intelligentsia verá, gradualmente, um grande impacto entre o grande público.

Em minhas discussões com colegas cientistas, uma percepção comum dos Cristãos é a de que eles são anti-intelectuais, e que não levam a sério a evidência disponível.

Minha resposta deveria, assim, redefinir a integridade intelectual considerando tanto o meu trabalho como minha fé, pontuando, simultaneamente, que a "integridade intelectual" assumida se apóia, por vezes, em uma cosmovisão derivada da cultura circundante que é aceita passivamente, e não, como se costuma pensar, do raciocínio dedutivo.

Ao falar com Cristãos, talvez construindo uma apreciação mais positiva de como a minha compreensão da ciência tem enriquecido a minha fé, eles sejam levados a uma visão mais esclarecida do papel da ciência.

Atuar como embaixador a dois mundos diferentes requer compreensão das preocupações e dificuldades de relacionar os dois, um ao outro.

Cientistas cristãos estão posicionados de forma singular, para desenvolver esses asuntos, na medida em que adquirem uma compreensão adequada de ambas as comunidades.

Nossa cultura não está perdida, e o Cristianismo e a ciência não são irreconciliáveis.

O que se requer é o aumento da compreensão obtida por meio do engajamento inteligente, com a confiança de que, enfim, a sabedoria de Deus será mostrada, tanto na revelação como na criação.

Pois a terra se encherá do conhecimento da glória de Deus, como as águas cobrem o mar.

Habacuque 2.14

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Texto extraido de "Christian scientists: Ambassadors to two communities"  de Mike Smith, tradução feita no Blog "Religião e Ciência".

 

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Críticas de qualquer categoria são bem vindas, mas dado o carater polêmico de tal assunto, apelo para o bom senso e boa educação daqueles que desejam manter um canal de comunicação como o STOA com o nível de qualidade que é adequado á um meio de comunicação feito por universitários e acadêmicos.

A sociedade espera isso de todos nós.

Postado por Albert Richerd Carnier Guedes

Comentários

  1. Renato Callado Borges escreveu:

    Albert, gostaria de indagar a respeito de um ponto do seu texto:

    "Em minhas discussões com colegas cientistas, uma percepção comum dos Cristãos é a de que eles são anti-intelectuais, e que não levam a sério a evidência disponível. Minha resposta deveria, assim, redefinir a integridade intelectual considerando tanto o meu trabalho como minha fé, pontuando, simultaneamente, que a "integridade intelectual" assumida se apóia, por vezes, em uma cosmovisão derivada da cultura circundante que é aceita passivamente, e não, como se costuma pensar, do raciocínio dedutivo."

    Essa expressão final, "cosmovisão derivada da cultura circundante que é aceita passivamente", eu a entendo simplesmente como você dizendo algo equivalente a "fui criado como cristão e não vou questionar isso".

    Se eu entendi corretamente, eu acho que você diz explicitamente algo que a maioria dos cristãos apenas sente e deixa de dizer: que sabem que o que ensinam às crianças está cientificamente incorreto, mas não estão dispostos a lutar contra isso, por N motivos.

    Por favor, indique se eu interpretei suas palavras corretamente, e me corrija se for o caso.

    []s

    Renato Callado BorgesRenato Callado Borges ‒ domingo, 13 setembro 2009, 13:01 -03 # Link |

  2. Albert Richerd Carnier Guedes escreveu:

    Bom, na verdade como você pode ver, não fui eu quem escrevi, foi uma tradução de um artigo.

    E sim, ele fala de certas coisas no meio que você "vê" no meio, mas que se fossem colocados junto com um artigo cientifico, distoaria completamente, não porque é inquestionável, mas porque são objetos diferentes.

    Pegue por exemplo um milagre. Não tem como categorizar cientificamente isso, pois, a priori, não é uma coisa que possa ser testada ou reproduzida, o que o torna um objeto fora do escopo do método científico. Independente de você crer ou não, você percebe que não tem jeito, a posição de um Cristão frente a esses assuntos é de que apenas o apreende.

    Agora, isso de forma alguma é isento de críticas, citando o milagre como exemplo, se você é um crédulo, tem o dever de saber se ele é legítmo, dado que charlatões, pretensos "curandeiros" e outras categorias se utilizam disso pra seus proveitos e para prejuizo de outrem.

    Enfim, "passividade" aqui é só pra experssar que o conhecimento dos objetos cristãos não estão no controle daquele que o apreende, ao contrario do objeto da ciência que esta ao alcance do cientista pra manipular e estudar.

     

    Até amigo.

    Albert Richerd Carnier GuedesAlbert Richerd Carnier Guedes ‒ domingo, 13 setembro 2009, 14:15 -03 # Link |

  3. Renato Callado Borges escreveu:

    Eu creio que algo muito importante, que complementa o que você diz, é que os objetos que podem ser manipulados pelo cientista são os objetos que podem ser medidos muitas vezes através de uma receita publicamente conhecida.

    Como cientista, eu suponho que você concorda com isso.

    Os objetivos religiosos não devem ser criticados por não terem mérito científico caso não seja possível medir esses objetos muitas vezes, através de uma receita publicamente conhecida.

    Um problema é quando o objeto pode ser medido dessa forma, e as medições contradizem o dogma.

    Um exemplo claro é quando uma religião afirma que orações podem curar uma doença grave, como a AIDS. Eu espero que apenas pessoas em situações deploráveis, como por exemplo pessoas que não tiveram acesso à educação de qualidade, sejam enganadas dessa forma. Em outras palavras, somente uma pessoa ignorante, ingênua ou pouco inteligente acreditaria em algo assim. (Incidentalmente, minha "posição" como ateu é simplesmente apoiar toda medida na direção de uma educação básica de qualidade para todos - isso é o que é importante).

    Um exemplo obscuro é o do manto de Turim (chamado de sudário), que gerou controvérsias e mais controvérsias, e se por um lado houveram investigações científicas com técnicas modernas, por outro lado muitas pessoas bastante criativas e cultas elaboraram argumentos para contestar as medidas científicas ou para aceita-las, mas acomodando esses resultados ao dogma.

    Enfim, creio que concordamos no fundamental: todas as pessoas devem ser estimuladas a desenvolverem o seu senso crítico.

    E eu complemento isso dizendo que esse desenvolvimento só pode ser feito através de políticas que privilegiem a educação fundamental, de uma maneira contínua ao longo de muitas décadas, pois o desenvolvimento do espírito crítico se dá muito mais na sala de jantar, ouvindo os adultos da família conversarem, do que na sala de aula, ouvindo o/a professor(a) monologar.

    Portanto, a tragédia do nosso analfabetismo implica que não temos como incutir o espírito crítico, de maneira ampla, na "próxima" geração. Essa, que ainda nem nasceu, já está "perdida", pois seus familiares são ignorantes que discutem o que vêem na tevê, e não o que leram no jornal. Somente a "geração próxima da próxima" é que tem chance disso.

    Desculpem o tom amargo... Mas é o que realmente penso.

    Renato Callado BorgesRenato Callado Borges ‒ quinta, 17 setembro 2009, 10:12 -03 # Link |

  4. Albert Richerd Carnier Guedes escreveu:

    Não tudo bem, até dou razão ao seu ponto de vista.

    A questão da fé é complicada, porque por um lado, se um crédulo vai a um hospital e procura o tratamento médico em vez de se utilizar da fé, ele perderia a credibilidade diante dos não-crédulos, o que seria ruim se você quer que as pessoas acreditem na sua crença.

    Por outro lado - suponha por uma questão tautologica que a fé funcione, nesse caso, ao ser diagnosticada, a pessoa se curaria de uma vez e nem procuraria um hospital.

    Assim, ninguém conseguiria saber se a fé funciona mesmo, por que obviamente, ninguém registrou esse fato pra ser contado numa estatistica, e por isso, vai existir tantos casos de curas por fé do que por tratamento médico que não foram contados, e na prática, seriam inexistentes.

    Então chegamos ao terceiro caso, uma pessoa tem seu dignostico, tenta ter fé, e por um motivo não consegue se curar por fé, mas também não foi procurar hospital, logo, vai acontecer algo trágico.

    No quarto caso, a pessoa tem fé, mas mesmo assim vai ao hospital receber tratamento, oras, se tiver fé, vai ser curada e com a vantagem de outras pessoas testemunharem isso, o que é recompensador para qualquer crença, e se não conseguir, não causaria o choque de outrem como os que você citou, e receberia o tratamento e se curaria.

    Quer dizer, por lógica, mesmo tendo fé, receber um tratamento médico convencional seria não só bom para o crédulo (em muitos sentidos como demonstrei), como seria alivio para aqueles não-crédulos que o acompanham na doença. Ou seja, ter fé não significa que deva se agir sem bom senso. Não quero especificar crenças em particular, porque creio que bom senso deva ser algo universal, e uma crença teria que ser BEM explicita para impedir uma atitude dessa.

    E o mesmo deve vale para qualquer outros casos em que um procedimento convencional e estipulada laicamente, não só o médico. Na verdade, não vejo onde esses procedimentos poderiam afetar a fé de alguém, a não ser no caso em que lhe disse, tem que ser EXPLICITO pra bater de frente. Doutra parte, se a atitude é implicita numa crença, creio que caia no reino da interpretação da crença, ai teria que ter uma reunião teologica pra discutir isso, etc.

    Resumindo, esses casos absurdos que você citou tem raizes que causam mal, tanto pra qualquer religião quanto pra sociedade, porque tem absurdos que nem envolvem religião.

    Um exemplo que te dou é um que aconteceu (ou acontecia, não sei como está atualmente) é o da cidade São Sebastiã, onde as pessoas começaram a colocar garrfas pet cheio dágua em cima das caixas de luz, porque de alguma forma elas achavam que aquilo diminuia o custo da energia elétrica. É isso é o tipo mais ameno que conheço, e não tem nada relacionado a religião.

    Então, a má educação e a péssima qualidade de ensino está no cerne de muitos males que atinge a todos, e creio que não só em termos de crença, mas também em estatus social (ainda estou carente de exemplos concretos, mas já ouvi algumas coisas absurdas), fora que isso varia de pessoa pra pessoa ainda por cima, muita gente não faz o mínimo esforço pra pensar simplesmente porque não quer. 

    Essa questão incomoda tanto a mim quanto a qualquer um que nos acompanha na universidade, porque não dá pra ficar andando por ai e perceber que as pessoas vivem como a onda as leva.

    Quanto ao manto de Turim, você teria que perguntar á um católico quanto a isso, pois a mim é indiferente se aquele manto é ou não verdadeiro.

    Só que obviamente, defender algo que não confere, pode ser prejudicial a credibilidade deles, principalmente que, se o manto for falso, apenas implica que o manto não é de cristo, não implicaria em mais nada no tocante ao catolicismo (e menos ainda no tocante ao cristianismo como um todo), só faria menos católicos visitarem a exposição da peça.

    Queria escreve mais detalhes, mas acho que saturaria as postagens.

    Abraços amigo, e até mais.

    Albert Richerd Carnier GuedesAlbert Richerd Carnier Guedes ‒ sábado, 17 outubro 2009, 18:00 -03 # Link |

  5. Pedro Henrique Quitete Barreto escreveu:

    Eu sendo um católico convicto, eu tomo que a ideia de desejo de "milagre" de uma religião não se dá por negar ajuda da ciência. A ciência e a religião não são pontos contrários, mas sim não-interferentes; somente há interferência negativa uma sobre a outra.

    A Filosofia, por exemplo, aos termos da Teologia, pode-se se desenvolver livremente, limitando-se, é claro, às verdades teológicas, que, muitas vezes, tem base filosófica TAMBÉM.

    Eu sou convicto da ideia da existência de Deus pela razão - filosofia- e pela teologia - fé. E nunca entro em contradição.

    Pedro Henrique Quitete BarretoPedro Henrique Quitete Barreto ‒ sábado, 17 outubro 2009, 21:02 -03 # Link |

  6. Renato Callado Borges escreveu:

    Olá André e Pedro!

    Eu creio que nós concordamos em muitos pontos, em especial naquele que eu considero o mais importante: ciência e religião podem ser complementares, e os conflitos em geral são decorrentes da ignorância. (Que por sua vez é decorrente de uma educação pública de má qualidade e insuficiente!)

    André, você disse: "Na verdade, não vejo onde esses procedimentos poderiam afetar a fé de alguém, a não ser no caso em que lhe disse, tem que ser EXPLICITO pra bater de frente."

    Que tal o caso em que a religião é contrária a transfusões de sangue? Se você colocar no google "transfusão sangue religião contrária morte" encontrará muito material, caso seja algo que você ainda não conheça.

    Pedro, me desculpe a sinceridade, mas a vida em sociedade é contraditória por excelência, e eu considero impossível viver sem nunca entrar em condição, em especial com relação a questões tão fundamentais quanto as crenças que uma pessoa tem.

    Talvez o que você tinha em mente era afirmar que quando você entra em contradição, você descarta a opção atéia, por uma questão de crença pessoal?

    Abraços!

    Renato.

    Renato Callado BorgesRenato Callado Borges ‒ domingo, 18 outubro 2009, 07:05 -02 # Link |

  7. Albert Richerd Carnier Guedes escreveu:

    Renato Callado Borges disse:

    > André, você disse: "Na verdade, não vejo onde esses

    > procedimentos poderiam afetar a fé de alguém, a não ser no caso em

    > que lhe disse, tem que ser EXPLICITO pra bater de frente."



    > Que tal o caso em que a religião é contrária a transfusões de sangue?

    > Se você colocar no google "transfusão sangue religião contrária morte"

    > encontrará muito material, caso seja algo que você ainda não conheça.

    Sim, eu conheço, a denominação referente a esse caso são os membros da Testemunha de Jeová. E sim, é um exemplo de declaração EXPLICITA de uma regra da denominação que bate de frente com os procedimentos laicos. 

    O meu posicionamento é, como escrevi na última resposta, adotar o procedimento convencional, e deixar a fé agir em paralelo, seja como for que ela se manifeste, o que não contraria a minha crença, e também não choca ninguém.

    Mas o caso dessas regras explicitas é que são sempre puntuais e particulares de cada crença, há sempre uma questão de reinterpretação em relação ao sistema da mesma, como você deve imaginar, o que me impede de dar um termo geral pra todas ( apesar que eu tento ). 

    Se algum Testemunha de Jeová ler isso quiser se pronunciar, poderá mostrar melhor o seu ponto de vista, pois seria injusto e parcial falar por qualquer um que não seja da mesma crença que a minha.

    O dia que for o meu caso, com certeza eu colocarei o meu parecer.

     

    Albert Richerd Carnier GuedesAlbert Richerd Carnier Guedes ‒ domingo, 18 outubro 2009, 18:18 -02 # Link |

  8. Pedro Henrique Quitete Barreto escreveu:

    Renato Callado Borges,

    Salve!

    Essa questão é delicada, não obstante ser muito diversa. A questão do sangue entre as Testemunhas de Jeová trata-se mesmo de uma própria interpretação equívoca das Escrituras (e eu trato que se quiserem, podem se pronunciar respeitosamente contra mim), e é uma regra de comportamente extremamente explícita. O catolicismo pede poucas regras que tratam de atos objetivos (com ou sem mentalidade pecadora), sempre levando em conta mais a intenção do que o ato em si. Por exemplo, um ato de fornicação e o uso da camisinha são considerados impróprios. Ora, o grande erro do mundo moderno é considerar quase ridícula essas proposições frente à "laicidade". Eu tomo as minhas convicções religiosas principalmente não só porque elas são inspiradas, dadas por Deus, mas porque elas apresentam uma realidade física extremamente COERENTE. Pego o exemplo das camisinhas: a mídia não gosta de apresentar que a camisinha AUMENTOU os contraentes de AIDS na África exatamente porque estimula a fornicação de tal maneira que ultrapassa a própria margem de falha do preservativo, fazendo que mesmo assim aumente. Ora, a Igreja aqui acertou, numa regra moral e prática. E isso também quanto ao aborto, em todos os casos.

    Eu diria que sua ideia de contradição é válida quanto ao fato, mas não quanto à própria verdade, já que é quase impossível constatar uma contradição entre a realidade e a religião, principalmente a católica, onde explicações animistas são nulas. Eu tomo a minha religião como verdadeira e todas as outras, falsas. Mas não o faço porcamente ou preconceituosamente. O pensamento de verdade "laica" vem do próprio evolucionismo filosófico que permeiam as ciências de que não há verdade além desta, que muda o tempo todo. Isso é uma grande bobagem. A verdade sempre se mantém e sempre existe.

    Agora esse problema de divisão epistemológica que eu apresentei, e a interferência negativa é exatamente o ponto que a Igreja Católica toma, de que não se interfere naquilo que não se contradiz. As ciências são separadas, mas não totalmente; a biologia é interferida pela química, mas não totalmente, mas tão-somente como utilidade e como limitação. Muitas religiões negam isso.

    Pedro Henrique Quitete BarretoPedro Henrique Quitete Barreto ‒ segunda, 19 outubro 2009, 04:13 -02 # Link |

  9. Renato Callado Borges escreveu:

    É muito bom poder conversar sobre esse assunto! Eu pessoalmente sou da opinião que devemos conversar sobre tudo, em especial sobre política, futebol e religião!

    Do que vocês responderam, eu creio que posso resumir muito superficialmente dizendo que o importante são as questões conflituosas específicas a cada religião. Por exemplo, a transfusão de sangue para as Testemunhas de Jeová, o aborto para os Católicos.

    Creio que de comum entre os dois exemplos é o seu aspecto biológico, corporal. Eu fiquei pensando se questões que não sejam tão próximas desse aspecto são tão conflituosas. Pensei, especificamente, na questão da idade do nosso planeta, e do universo em geral.

    Em outras palavras, é muito mais difícil encontrar alguém religioso disposto a negar que a Terra gira em torno do Sol, do que disposto a negar a validade do aborto, da camisinha, da evolução das espécies.

    Você compartilham dessa impressão minha? Têm alguma idéia do porquê disso?

    Renato Callado BorgesRenato Callado Borges ‒ segunda, 19 outubro 2009, 04:30 -02 # Link |

  10. escreveu:

    Porquanto o que de Deus se pode conhecer neles se manifesta, porque Deus lho manifestou.

    Porquanto, tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças, antes em seus discursos se desvaneceram, e o seu coração insensato se obscureceu.

    Dizendo-se sábios, tornaram-se loucos.como Renato Callado,meu caro,essa ultima passagem q esta em Rm1.22,discreve muito bem muitos,q se enganam saber de tudo,pois se tem "verdades",teoricas q são ensinadas com pensamentos absurdos q nos faz meditar da sabedoria do mundo, "verdades" q tem q ser mudadas de tempo em tempos,Paulo fala de uma falsa ciência.Ciência q tem seu significado de conecimento,q a muitos tem faltado,e não me refiro de pessoas q por questoes socias e politicas nao tem acesso ,a mesma.Tem provas e mais provas do poder da fé(direcionada genuinamente) e suas formas de demostra la,basta ser analisada(se quiserem).Podemos falar e falar,mostrar todo conteudo intelectual,capacidade de faculdade mental,mas so o ESPIRITO SANTO convence o homem do pecado, 

    Porque a palavra da cruz é loucura para os que perecem; mas para nós, que somos salvos, é o poder de Deus.

    Porque está escrito: Destruirei a sabedoria dos sábios, E aniquilarei a inteligência dos inteligentes.

    Onde está o sábio? Onde está o escriba? Onde está o inquiridor deste século? Porventura não tornou Deus louca a sabedoria deste mundo?

    Visto como na sabedoria de Deus o mundo não conheceu a Deus pela sua sabedoria, aprouve a Deus salvar os crentes pela loucura da pregação.1 co 1

    Porque as suas coisas invisíveis, desde a criação do mundo, tanto o seu eterno poder, como a sua divindade, se entendem, e claramente se vêem pelas coisas que estão criadas, para que eles fiquem inescusáveis;Rm1.20.

    E se me permite a piada infame?citarei uma frase de um filosofo brasileiro.

    "Renato 'CALLADO' é um poeta!" trecho tirado do poema para Pelé.   rsrsr

    Abraço e desculpe a piada,não leve a mal.

    default user icon ‒ terça, 21 junho 2011, 13:48 -03 # Link |

  11. Renato escreveu:

    Não levo a mal a piada, não, Júnior, já acostumei com isso faz tempo! : )

    Quanto ao que você propõe, eu não compreendo inteiramente, pois suas frases não estão articuladas de uma maneira simples. Mas me parece que você diz que a ciência tal como ensinada, por exemplo, na usp, é falsa. Se estou enganado neste ponto, por favor me corrija, e ignore o que escrevi a seguir.

    Mas se eu entendi corretamente o que você escreveu, eu creio que temos perspectivas radicalmente diferentes sobre o que chamamos de "verdade" e "falsidade", entre outros conceitos.

    Em outras palavras, eu acho que estamos usando as mesmas palavras, mas com sentidos diferentes. Você também não tem essa impressão?

    Para mim, "verdade" é uma qualidade de uma proposição. Em outras palavras, dada uma frase, ela pode ser "verdadeira".

    Para mim, "falsidade" é uma qualidade de uma proposição. Em outras palavras, dada uma frase, ela pode ser "falsa".

    Para mim, dada uma frase, ela só pode ser "verdadeira" ou "falsa". Não há uma terceira opção.

    Existem alguns detalhes dessa minha concepção. O primeiro deles é que podem exister frases que são do tipo "Se A é verdadeiro, então B é verdadeiro também". Nesse caso, eu sei que se eu souber que A é verdade, mesmo que eu não tenha nenhuma informação direta sobre B, como eu sei que a frase "Se A então B" é verdadeira, então eu sei que B é verdade também.

    No que consiste a ciência ensinada na usp? Ela consiste basicamente em transmitir as frases que já sabemos serem verdadeiras e falsas, e também consiste em transmitir as frases que ainda não sabemos se são verdadeiras ou se são falsas. (Estas últimas são chamadas de "questões em aberto").

    A segunda coisa essencial na qual consiste a ciência, tal como ensinada na usp, é treinar os alunos para que sejam habilidosos em inventar frases e poder determinar se elas são verdadeiras ou não.

    Eles podem fazer essa determinação de duas maneiras: ou por observação direta, ou derivando o valor de verdadeiro ou falso de frases anteriores, das quais já sabemos o valor.

    Como se costuma dizer, "errar é humano". Então alguém pode achar que uma frase é verdadeira quando na verdade é falsa, ou o contrário. É por isso que quando algum cientista acredita ter conseguido demonstrar que uma determinada frase tem um determinado valor, ele publica esse seu resultado.

    Essa publicação, chamada de "paper", é lida por cientistas do mundo todo, muitos deles que estudaram o mesmo problema, e tentaram determinar o valor da mesma questão, ou de uma muito parecida.

    Se os cientistas estão todos convencidos de que o valor que foi atribuído à questão está correto, essa questão deixa de ter interesse científico, no sentido de que deixa de ser uma "questão em aberto". Mas nada impede que alguém investigue essa frase, e tente demonstrar que ela tem um valor diferente do valor que foi atribuído antes.Quando isso ocorre, é necessário revisar as frases que foram demonstradas e que usaram a frase revolucionada como um dos axiomas de sua demonstração.

    Dos exemplos que conheço disso, um bastante famoso é a descoberta da mecânica quântica. Ora, a mecânica clássica foi de certa forma demonstrada incorreta pelo surgimento da mecânica quântica, pois nessa época (começo do século XX), muitos propunham que era verdadeira a frase "o universio é regido como um relógio pelas leis de Newton". Ao surgir a mecânica quântica, esta frase, e todas as frases que se basearam nela, tiveram que ser consideradas falsas.

    Mas o que se descobriu também foi que a mecânica clássica é verdadeira dentro de certos limites, e que se adicionássemos esse qualificativo à mecânica clássica, e às suas derivações, essas reformulações são verdadeiras ao mesmo tempo em que a mecânica quântica é verdadeira.

    Ora, isso é o que entendo como sendo a ciência, tal como estou aprendendo e ensinando na usp e em outros lugares. Tenho certeza de que não é uma descrição completa, mas não creio que seja muito errada. E creio que muitos cientistas iriam concordar que essa descrição é apropriada para um bate-papo.

    Eu não me incomodo com quais palavras você usa para denominar cada um dos conceitos que apresentei. Mas eu espero que você concorde comigo que as seguintes frases são verdadeiras, quando interpretadas dentro do método que expus acima:

    "Defino louco como o homem que não é capaz de ser racional."

    "Renato Callado apresentou argumentos racionais."

    "O homem que apresenta argumentos racionais é racional."

    "Logo, Renato Callado não é louco."

    Renato Callado BorgesRenato ‒ terça, 21 junho 2011, 18:21 -03 # Link |

  12. Luciana Santos escreveu:

    Quase me inibo a comentar diante da aulinha de lógica, mas gostaria de entrar na discussão também!

     

    Albert, a impressão que tive ao ler o post e os comentários foi de uma contradição: no post você passa a ideia de que a ciência e a fé são conciliáveis. Logo nos primeiros comentários, você dissocia bastante as coisas, colocando a ciência de um lado e a religião do outro. Poderia explicar melhor seu ponto de vista (se acha que são coerentes ou dissociadas)?

    Me chamou a atenção a ideia de que a fé promove a cura, no trecho "No quarto caso, a pessoa tem fé, mas mesmo assim vai ao hospital receber tratamento, oras, se tiver fé vai ser curada ". Você está afirmando que quem tem fé não padece de doenças?

    Segue trecho de história real contada pelo jovem Omar Abu Halima, em meio a conflitos no oriente médio:

    "Eu estava na casa ao lado, de um tio meu, quando sentimos três ou quatro explosões, uma depois da outra. Caí no chão. A nossa casa estava envolvida por uma fumaça densa e branca que não deixava respirar e pelas chamas. Saí ao segundo piso e vi minha mãe envolvida pelo fogo. No corredor, estavam os meus irmãos Abed de 14 anos, Said de 10, Hamza de 8, abraçados ao meu pai Sadallah, de 45 anos. Queimavam. Hamza dizia: quero rezar, quero rezar, mas logo depois morreu. Os outros já estavam mortos. Meu pai não tinha mais a cabeça."

    Esse é um exemplo extremo, entre outros. Se a fé promove a cura, quer dizer que esse menino de 8 anos dizendo que queria rezar quando estava queimando não tinha fé?

     

    Pedro, uma questão pra você: você disse que a religião católica considera o uso da camisinha impróprio. Vamos considerar uma pessoa que tenha adquirido uma doença sexualmente transmissível (por uma transfusão de sangue, por exemplo). Essa pessoa se casa e, seguindo os preceitos católicos, não usa camisinha e transmite a doença. Isso é coerente com o princípio de amar ao próximo (transmitir uma doença consciente dela)?

    Você diz que suas convicções apresentam uma base física coerente, certo? Gostaria que citasse algumas evidências científicas da existência de Jesus. Não digo histórias faladas ou escritas, pois toda história pode ser verdade ou mito. Digo registros semelhantes aos que comprovam a existência de qualquer figura histórica.

    Mais um ponto: " A verdade sempre se mantém e sempre existe." Os preceitos cristãos são datados (da vida de Cristo). Ou seja, nem sempre existiram. Não são verdade?

     

    Junior, "o que está escrito", apenas por estar escrito, não é científico. Por que a Bíblia deveria ser considerada um livro de verdades? O que o comprova racionalmente?

     

     

    Luciana SantosLuciana Santos ‒ quinta, 23 junho 2011, 09:50 -03 # Link |

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