Stoa :: Antonio C. C. Guimarães :: Blog :: A USP não é uma Universidade

setembro 11, 2008

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A USP é um conjunto de institutos e faculdades, mas uma Universidade é mais do que isto, ou não?

Tempos atrás precisei tirar um livro na biblioteca do IF ("sou" do IAG) e para isto tive que fazer um empréstimo entre bibliotecas em três vias, devidamente carimbadas, assinadas e processadas por várias autoridades!

Ontem achei um livro que a tempos queria ler na biblioteca do Instituto de Psicologia e perguntei se poderia retirá-lo, ao que me foi dito que não. Perguntei sobre a possibilidade de empréstimo entre bibliotecas e ai o atentende disse que sim, mas que teria que requerer na "minha" biblioteca o empréstimo do livro e seguir aquele caminho das três vias, etc, que eu já mencionei. Optei por ler as 160 páginas do livro ali mesmo no ato.

Tinha que ser assim? A USP não poderia ter um sistema integrado no qual o portador de uma carterinha da USP pudesse entrar em qualquer uma de suas bibliotecas e retirar o livro que quisesse? É pedir muito da maior e melhor universidade do Brasil?

Acho que este problema das bibliotecas é um sintona da "não Universidade" que a USP é. Ela é um conjunto de unidades. Os alunos entram numa unidade ou outra e pertencem a ela. Se quiserem mudar de um curso para outro precisam prestar novo vestibular. Fazer disciplinas "fora" do currículo é um ato extraordinário, uma demonstração de rebeldia contra as receitas prontas que são as carreiras. O orgão maior da USP, o CO (Conselho Universitário), é marjoritariamente uma representação das unidades. As unidades competem entre si por vagas docentes e recursos. As bibliotecas (de volta ao assunto) pertecem às unidades e não à universidade. Emprestar um livro para alguém que não pertence àquela unidade é um favor.

Tudo bem, esta situação é resultado da história da USP que surgiu como reunião de unidades já existentes como a Faculdade de Direito, a Faculdade de Medicina, a Poli, etc. Mas isto já faz 75 anos! Já não era tempo de a USP dar o salto qualitativo de se tornar uma Universidade com U maiúsculo, no qual as divisões internas tem a função de facilitar a administração e não de dificultar a realização de seu objetivo pricipal: produzir e difundir conhecimento?!

Palavras-chave: bibliotecas, razão de ser, USP

Este post é Domínio Público.

Postado por Antonio C. C. Guimarães | 7 usuários votaram. 7 votos

Comentários

  1. Pedro Souza da Silva escreveu:

    Muito bom seu texto, Antonio. Por apenas um aspecto você conseguiu examinar um problema muito sério. Por conta da minha área de estudo, sofro ainda mais com isto. Costumo ler sobre um tema que une "Humanas" e "Biológicas"... imagina?

    Acho que da conversão da USP em Universidade pode surgir um tipo de intelectualidade mais fértil, menos presa aos jargões de cada unidade ou curso e mais preocupada com o todo. Afinal de contas, falar pra quem pensa igual e concorda contigo é fácil. Difícil é argumentar com seres humanos (tão bem intencionados quanto você, mas que) tem uma formação completamente distinta. Aliás, esses papos difíceis forçam a inteligência pra além, desvendam falhas do raciocínio e amplificam as possibilidades.

    Por uma UNIVERSIDADE de São Paulo.

    Pedro 

     

     

    Pedro Souza da SilvaPedro Souza da Silva ‒ sábado, 13 setembro 2008, 23:00 -03 # Link |

  2. Tom escreveu:

    Antonio,

    seu post meu lembrou uma frase de um professor do IFUSP, que ouvi há uns 6 anos atrás, "A USP não é uma Universidade, mas um conjunto de escolas."

    Quando contei isso para um amigo que começara sua pós no IFUSP, me disse "Acho que nem isso, o IFUSP, por exemplo, é um conjunto de departamentos."

    Ao contar a estória para uma professora do IFUSP, ela, "Será? Acho que é um conjunto de grupos de pesquisa."

    Há que duvide que nem isso é, mas sim um conjunto de pesquisadores individuais.

    Essa questão das dificuldades de se pegar livros de outros institutos na USP é algo que vejo gente reclamando (eu inclusive) faz tempo. Quando visitei a UFSC (2002), achei fantástico o fato de existir uma biblioteca centralizada. Qualquer estudante podia pegar livros de qualquer área! Certamente uma biblioteca central na USP seria inviável, mas ao menos um cartão que permitisse isso seria um grande passo (o que já está mais do que na hora!).

    Engraçado também notar que na págian da USP, as bibliotecas se encontrem na seção de Extensão. Que extensão é essa se temos instituto onde é difícil até mesmo entrar, o que dizer sobre o acesso às bibliotecas (públicas?).

    Isso é triste. Lembro que antes de entrar na USP (1998), em Física, fui fazer um trabalho escolhar na Poli, pois estudei técnico em edificações, e aquilo me inluenciou bastante. Primeiro por não imaginar que existia um lugar tão incrível quanto aquela biblioteca, pelo meno para quem está acostumado a bibliotecas de colégios. Segundo por ter sentido um pouco o ambiente entre os estudantes engenharia e aquilo ter me influenciado a fazer física (a melhor coisa que fiz, acredito). Logo isso não será mais possível, pelo caminhar das coisas.

    Já levei mais de um jovem de 2º grau para conhecer a biblioteca do IFUSP, que, apesar dos problemas, acho um local incrível (ou achava, não sei mais como está). É uma delícia vendo esses jovens descobrindo livros que nunca teriam contato.

    Agora, show para atrair jovens por um mero espetáculo, isso tem. Será que isso também não está refletindo no perfil de alguns jovens baderneiros que vemos em institutos como o IFUSP? Só uma extrapolação hipotética, hehehehe... :-P

    Abraço.

    default user iconTom ‒ segunda, 15 setembro 2008, 15:48 -03 # Link |

  3. Antonio Candido de Camargo Guimaraes Junior escreveu:

    Esta limitação da USP, a de ser altamente segmentada e não promover a integração das pessoas e saberes, é uma tragédia para uma universidade. Um contra-senso! Muitas coisas simples poderiam ser feitas para reverter isto. Cito algumas:

     - universalização do acesso às bibliotecas. Já existe o cadastro dos membros da USP com carterinha e tudo que possuem código de barras e chips. Não seria um investimento absurdo, perto do benefício, criar um sistema informatizado de empréstimo dos livros de todas as bibliotecas da USP.

     - criação de espaços de convívio comum para estudantes e outros membros da USP,  o que nas universidades americas são os "student centers".

    - flexibilixação dos currículos e tornar mais fácil a vida de um aluno que queira cursar disciplinas em outras unidades. Isto é promover diversidade acadêmica e valorizar a individualidade de cada pessoa.

     A minha impressão é que a USP se move por inércia. Não há um objetivo institucional, uma força motor para conduzir a universidade para metas envisionads para daqui 10, 20 anos.  O pensamento dirigente parece ser muito imediatista e acanhado. Falta visão. Falta liderança. Não digo estas coisas como abstrações, já fui aluno de uma universidade tradicional nos Estados Unidos (Brown University) e vi coisas assim. A universidade possui objetivos explícitos, estratégias são traçadas, planos são postos em ação. A presidente da Universidade chama os alunos para apresentar os planos, para debater. Não por obrigação estatutária, mas porque precisa envolver toda a comunidade acadêmica no projeto da universidade. 

    Aqui os alunos em geral não se sentem parte integrante da universidade. A USP é um lugar geográfico. Eles vão até esta "repartição pública", tem aula, voltam pra casa e assim vai até receberem o diploma e acabou. É uma experiência bastante limitada se comparada ao que poderia ser potencialmente (e é em outras universidades). Fico por aqui porque esta discussão vai longe.

     

     

    Antonio C. C. GuimarãesAntonio Candido de Camargo Guimaraes Junior ‒ segunda, 15 setembro 2008, 17:11 -03 # Link |

  4. Antonio Candido de Camargo Guimaraes Junior escreveu:

    Eu troquei alguns emails sobre a questão do acesso universal às bibliotecas com o SIBi. Alguns trechos:

    "Reconhecemos que, de longa data, os usuários almejam ser reconhecidos como
    usuários USP, conforme registros documentados neste DT/SBi, transpondo
    as paredes físicas de cada instituição que integra a Universidade, com
    recursos de tecnologia.
    Dessa forma, o SIBi/USP tem envidado esforços, que resultaram em algumas
    iniciativas de sucesso, como já se verifica no campus de São Carlos, entre
    as Unidades da área da Saúde no complexo da Dr Arnaldo e a biblioteca da
    Faculdade de Saúde Pública, que antende a qualquer usuário da USP.
    Entendemos que com a solução do empréstimo único a todos os usuários USP
    caminharemos  para ampliação de facilidades reais para os usuários.
    Entetanto, esse momento, não podemos definir, ainda, uma data precisa para essa solução."

     

    Ai questionei se o obstáculo era de ordem técnica ou política e me responderam:

     "A versão do software utilizado atualmente, pelas biliotecas da USP,
    apresenta algumas restrições técnicas para implantação plena dessa função.
    Apesar disso, estamos trabalhando com empréstimo automatizado com as maioria
    das biblitoecas do Sistema, sendo este o primeiro passo para a unificação do
    empréstimo.
    Está em andamento o edital para aquisição de um novo software para o
    gerenciamento das biblitoecas, que oferecerá melhores recuros, para sanar
    essa e outras questões técnicas.
    Além dos aspectos técnicos, devemos cconsiderar que as bibliotecas têm certa
    autonomia no que se refere aos recursos oferecidos aos seus usuários."

     

    Antonio C. C. GuimarãesAntonio Candido de Camargo Guimaraes Junior ‒ terça, 30 setembro 2008, 13:56 -03 # Link |

  5. Rafael Sola de Paula de Angelo Calsaverini escreveu:

    Aquisição de um novo software???

    Por falta de um, há três departamentos de computação na USP, e um total de 8 cursos de graduação ligados à computação e 3 ligados à sistemas de informação e documentação.(*)

    Aquisição de software????? FAÇA UM SOFTWARE, PÔ!!!

     

    (*)

    Biblioteconomia
    Ciências da Informação e da Documentação
    Sistemas de Informação

    +

    Ciência da Computação e Informática x 2
    Engenharia de Computação x 3
    Física Computacional
    Matemática Aplicada e Computacional x 2

     

    Rafael Sola de Paula de Angelo CalsaveriniRafael Sola de Paula de Angelo Calsaverini ‒ sexta, 14 novembro 2008, 13:34 -02 # Link |

  6. Rafael Sola de Paula de Angelo Calsaverini escreveu:

    A USP está no século XIX.

    Menos de 10 anos atrás o sistema de retirada de livros da biblioteca do Instituto de Ciências Matemáticas e da Computação (ICMC) era manual, baseado naquelas fichinhas ridículas de papel. Dizem que na FFLCH foi uma puta briga para aceitarem o SIB. 

    Veja o meu caso: eu faço doutorado na interface entre física e economia no IF. Não posso retirar livros na FEA sem todo esse ritual RIDÍCULO de empréstimo entre bibliotecas (EEB). Tenho que ficar que nem idiota indo renovar o livro toda semana se eu quiser, e pegando o carimbo do Papa para conseguir. 

    Mas nem tudo está perdido. Lá em São Carlos, onde eu fiz a graduação e o mestrado, a coisa é bem diferente. No IFSC você pode requisitar EEB via internet, ele chega para você, de qualquer unidade, no balcão e você recebe um e-mail no dia de ir buscar. Agora eles começaram até a permitir renovação de livros pela internet. Qualquer um pode retirar livro em qualquer biblioteca lá usando a carteirinha USP.

    Rafael Sola de Paula de Angelo CalsaveriniRafael Sola de Paula de Angelo Calsaverini ‒ sexta, 14 novembro 2008, 13:40 -02 # Link |

  7. Antonio Candido escreveu:

    Interessante este dado sobre o IFSC, ele reforça uma impressão que eu já tinha tido antes, a de que as unidades menores e mais novas da USP são mais inovadoras que as unidades quatrocentonas do campus Butantã. As "unidades satélites"  tem um ranço menor a carregar, estão mais distantes das disputas por poder na adminsitração central, etc.

    Outro dia descobri que poderia me cadastrar na biblioteca do IFUSP para evitar de ter de fazer os tais empréstimos entre bibliotecas. Perguntei o que precisaria para me cadastrar e disseram que precisaria de um comprovante de matrícula. Lembrei à atendente que pósdocs não fazem matrícula e perguntei se a carterinha da USP já não prova suficiente de que estou vinculado à Universidade. Ela me respondeu que eu poderia ter a carterinha, mas ter saído do programa. Lembrei que o mesmo valeria para um comprovante de matrícula ou algo do gênero, no que ela concordou, mas disse que estas eram as regras... Contra a burocracia não há lógica, não há argumento, somente obediência.

    A USP ficou velha antes de ganhar tradição.

    Antonio C. C. GuimarãesAntonio Candido ‒ sexta, 14 novembro 2008, 14:02 -02 # Link |

  8. Tom escreveu:

    A USP ficou velha antes de ganhar tradição.

    Vejam o que disse o professor  Marcos Felipe de Sá, quando questionei como estimular o uso de ferramentas como o Stoa, pelos docentes, no workshop sobre o futuro da USP: substituir a geração atual?

    Abaixo está meu questionamento

     

    Ainda vou criar um post sobre isso. Engraçado que o pessoal que organizou o workshop chamou esse Felipe Cassapo para apresentar sobre a importância de colocar o conteúdo na rede. O Stoa nem foi mencionado. Ainda bem que eu estava lá, pois não duvido que poderiam pensar em criar uma nova rede. O_o Mas a apresentação dele foi legal e aproveitei para fazer jabá do Stoa. :-D

    No debate com o Jimmy Wales, esse dias, ele também respondeu à minha pergunta sobre as contribuições dos acadêmicos nessas novas mídias digitais e sociais. Também é assunto para um post. :-)

    default user iconTom ‒ sexta, 14 novembro 2008, 15:08 -02 # Link |

  9. Tom escreveu:

    Ah, que assistir a esses vídeos do IPTV que coloquei no video google estará contribuindo com um criminoso.

    default user iconTom ‒ sexta, 14 novembro 2008, 15:10 -02 # Link |

  10. Tom escreveu:

    Antonio, divulguei sobre o simpósio de pós-doutorado na comunidade Física do orkut e o professor Orlando (UNICAMP) disse o seguinte:

    um pouco de historia, em 1996 os postdocs na USP nao tinham nem direito a carteirinha da USP. emprestar livros na matematica era uma tortura.

    nao podiamos usar a linha de acesso da casa a USP porque nao eramos nem classificados.


    um pouco nos sentiamos e pelo jeito ainda se sentem

    http://www.phdcomics.com/comics/archive.php?comicid=1102

    Engraçada esse tirinha, hehehehe. Parece que a situação não mudou muito em relação às bibliotecas.

    default user iconTom ‒ domingo, 30 novembro 2008, 22:57 -02 # Link |

  11. Alexandre Simionato Bueno escreveu:

    O duro é perceber que não há coesão nem dentro das próprias unidades. Na USP não existe projeto pedagógico. É um lugar onde os egos estão acima, bem acima, da universidade em si.

    Alexandre Simionato BuenoAlexandre Simionato Bueno ‒ sábado, 24 janeiro 2009, 15:06 -02 # Link |

  12. Raphael Mejias Dias escreveu:

    A USP é Narcisa, como seus individuáis frequentadores, todos preocupados apenas com seus narizes.

    Raphael Mejias DiasRaphael Mejias Dias ‒ terça, 10 março 2009, 22:19 -03 # Link |

  13. escreveu:

    ou vc sao idiotas ou universitarios da USP mesmo.

    fala serio!

    tudo isso so pra falar de emprestimo

    de livros em uma universidade publica?

    so por ser publica ja nos remete ao

    direto de emprestimos,sendo

    aluno ou nao.

    como dis o Boris C.

    "isso é uma vergonha".

    Att.

    ana claudia m.s.

    default user icon ‒ sexta, 04 dezembro 2009, 13:56 -02 # Link |

  14. Antonio Candido escreveu:

    Final feliz...

     

     

    Assunto: Empréstimo Unificado - Sistema Integrado de Bibliotecas

    Prezados usuários, 

    Com a instituição do empréstimo unificado (Portaria GR-4.830), as 43 
    bibliotecas do Sistema Integrado de Bibliotecas (SIBi) terão um regimento 
    único e aplicarão processos, rotinas e prazos idênticos. 

    A partir de fevereiro de 2011, alunos, professores e funcionários poderão 
    emprestar livros em qualquer biblioteca da universidade, independentemente da 
    unidade em que estudam ou trabalham, utilizando apenas a carteirinha da USP. 
    Solicitamos a todos os usuários da Biblioteca do IAG que providenciem sua 
    inscrição nas Bibliotecas em que desejam realizar empréstimos. 

    A Biblioteca do IAG não fará EEB (Empréstimo Entre Bibliotecas) para as 
    Bibliotecas do Campus da Capital. 

    O que mudou? 

    1. O usuário poderá retirar material bibliográfico em qualquer biblioteca do 
    SIBi/USP, isto é, nas 43 Bibliotecas do Sistema. 

    2. Os docentes poderão retirar até 20 (vinte) obras por 30 (trinta) dias. 

    3. Os alunos de pós-graduação, professores ou pesquisadores visitantes poderão 
    retirar até 15 (quinze) obras por 20 (dez) dias. 

    4. Os alunos de graduação e funcionários poderão retirar até 10 (dez) obras 
    por 10 (dez) dias. 

    5. A não devolução ou renovação do material na data de seu vencimento 
    implicará na suspensão pelo prazo de 1 (um) dia para cada dia em atraso e por 
    item atrasado. 

    6. O usuário que atrasar a devolução da obra ficará suspenso em todas as 
    Bibliotecas do SIBi/USP, não podendo realizar novo empréstimo. 

     

    Antonio C. C. GuimarãesAntonio Candido ‒ quinta, 27 janeiro 2011, 09:27 -02 # Link |

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