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março 27, 2011

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A amizade se sobrepõe ao parentesco pois a benevolência pode morrer na relação de parentesco, mas não na relação de amizade; e, morrendo a benevolência, morre a amizade, enquanto que o do parentesco persiste. Cícero em sua obra “A amizade”, faz reflexões, tendo Fânio, Cévola e Lélio como interlocutores, sobre os motivos que levam o homem a procurar a amizade, com os seus limites e deveres.


Link para download da obra traduzida para o português:


http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/DetalheObraForm.do?select_action=&co_obra=2252


Palavras-chave: a amizade, cícero, filosofia latina, pensadores latinos

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março 26, 2011

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Postado por سميرة

 “Tenho lido e relido Grão de Arroz com o maior encantamento. É dos tais livros que deixamos à mão para poder abri-los quando vem o desejo de uma experiência poética que redima o correr do dia. Afino muito com sua poesia, cujo convívio é para mim cheio de graça. Este livro, me parece, alcançou o limite admirável onde a poesia diz o máximo, o maior dos máximos, com o menor e mais perfeito dos mínimos”. Antônio Cândido



Yeda Prates Bernis, grande poetisa mineira, realiza equilíbrio entre os elementos da natureza e a razão, daí que o poeta alemão Friedrich Schiller tenha dito que cabe à estética exercer um papel articulador, intermediário, entre o estado passivo da natureza e o estado ativo da racionalidade. 

No seu livro Viandante, há uma intertextualização entre diversas obras, inclusive a questão da sabedoria eclesiástica e o desejo incessante de superação da Ausência, um dos temas centrais da obra.

Deixo abaixo um poema de Yeda. 



QUANDO O AMOR SE ACHEGA

 

Quando o amor se achega

e, no outro, não encontra

espaço aberto,

ele, humilde, se aconchega

a si mesmo. E descoberto

se agasalha com pesado manto

do temor, dúvida e espanto.

 

E a tempo pede

que o acalente,

à desventura

que o sustente

não mais que o prazo certo,

e a um vento

inexistente que o leve

em momento brando e breve.


(Yeda Prates Bernis)

 

Palavras-chave: poesia brasileira, yeda prates bernis

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Soneto XXXVII

 

Suspiros de luz nos céus do Empíreo

Alabastro polido, forma rara

Corpo lânguido, teu fulgor de lírio

Ó vaso grego, que arde a chama clara!

 

Da Idade de Ouro, taça de Ambrosia

Corpo de estrelas, alvas labaredas,

E todo o esplendor da aristocracia

O alvor das linhas gregas de tuas sedas.

 

Rugindo em chamas, mármores acesos

Um raiar do branco e da luz coesos

Um bater de asas brancas, puras,leves...

 

Falenas em tua volta, bailarinas

Estrelas em teu corpo, purpurinas

És uma aurora acendendo dentre as neves!

 

(Helena Carrara)

Palavras-chave: poesia brasileira, poesia parnasiana

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Nunca me canso de postar poemas de Augusto Frederico Schmidt, o poeta profeta.


POEMA (ERA UM GRANDE PÁSSARO…)

 

Era um grande pássaro. As asas estavam em cruz, abertas para os céus.

A morte, súbita, o teria precipitado nas areias molhadas.

Estaria de viagem, em demanda de outros céus mais frios!

Era um grande pássaro, que a morte asperamente dominara.

Era um grande e escuro pássaro, que o gelado e repentino vento sufocara.

Chovia na hora em que o contemplei.

Era alguma coisa de trágico,

Tão escuro, e tão misterioso, naquele ermo.

Era alguma coisa de trágico. As asas, que os azuis queimaram,

Pareciam uma cruz aberta no úmido areal.

O grande bico aberto guardava um grito perdido e terrível.

 

Augusto Frederico Schmidt   (Estrela Solitária, 1940)

Palavras-chave: augusto frederico schmidt, modernismo brasileiro, poesia brasileira

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Amor em Silêncio

 

      Quisera dizer-te
      o que meu coração sente,
      mas ao notar sua presença
      minha alma emudece.
      Quisera expressar
      o que se encerra em meu peito,
      mas ao querer expressa-lo,
      se fecha em silêncio.

      Como dizer que te amo,
      como dizer o quanto te quero,
      se quando está junto a mim
      meu corpo estremece.
      Como gostaria de lhe contar
      como me sinto por dentro.

Palavras-chave: amor, poesia, silêncio

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A Metafísica Aristotélica


 Embora a ontologia ou metafísica tenha começado com Parmênides e Platão, costuma-se atribuir seu nascimento a Aristóteles por três motivos principais:

 

1. Diferentemente de seus dois predecessores, Aristóteles não julga o mundo das coisas sensíveis, ou a Natureza, um mundo aparente e ilusório. Pelo contrário, é um mundo real e verdadeiro cuja essência é, justamente, a multiplicidade de seres e a mudança incessante.

Em lugar de afastar a multiplicidade e o devir como ilusões ou sombras do verdadeiro Ser, Aristóteles afirma que o ser da Natureza existe, é real, que seu modo próprio de existir é a mudança e que esta não é uma contradição impensável. É possível uma ciência teorética verdadeira sobre a Natureza e a mudança: a física. Mas é preciso, primeiro, demonstrar que o objeto da física é um ser real e verdadeiro e isso é tarefa da Filosofia Primeira ou da Metafísica.

 

2. Diferentemente de seus dois predecessores, Aristóteles considera que a essência verdadeira das coisas naturais e dos seres humanos e de suas ações não está no mundo inteligível, separado do mundo sensível, onde as coisas físicas ou naturais existem e onde vivemos. As essências, diz Aristóteles, estão nas próprias coisas, nos próprios homens, nas próprias ações e é tarefa da Filosofia conhecê-las, ali mesmo onde existem e acontecem.

Como conhecê-las? Partindo da sensação até alcançar a intelecção. A essência de um ser ou de uma ação é conhecida pelo pensamento, que capta as propriedades internas desse ser ou dessa ação, sem as quais ele ou ela não seriam o que são. A metafísica não precisa abandonar este mundo, mas, ao contrário, é o conhecimento da essência do que existe em nosso mundo. O que distingue a ontologia ou metafísica dos outros saberes (isto é, das ciências e das técnicas) é o fato de que nela as verdades primeiras ou os princípios universais e toda e qualquer realidade são conhecidos direta ou indiretamente pelo pensamento ou por intuição intelectual, sem passar pela sensação, pela imaginação e pela memória.

 

3. Ao se dedicar à Filosofia Primeira ou metafísica, a Filosofia descobre que há diferentes tipos ou modalidades de essências ou de ousiai.

Existe a essência dos seres físicos ou naturais (minerais, vegetais, animais, humanos), cujo modo de ser se caracteriza por nascer, viver, mudar, reproduzir-se e desaparecer – são seres em devir e que existem no devir.

Existe a essência dos seres matemáticos, que não existem em si mesmos, mas existem como formas das coisas naturais, podendo, porém, ser separados delas

pelo pensamento e ter suas essências conhecidas; são seres que, por essência, não nascem, não mudam, não se transformam nem perecem, não estando em devir nem no devir.

Existe a essência dos seres humanos, que compartilham com as coisas físicas o surgir, o mudar e o desaparecer, compartilhando com as plantas e os animais a capacidade para se reproduzir, mas distinguindo-se de todos os outros seres por serem essencialmente racionais, dotados de vontade e de linguagem. Pela razão, conhecem; pela vontade, agem; pela experiência, criam técnicas e artes. E finalmente, existe a essência de um ser eterno, imutável, imperecível, sempre idêntico a si mesmo, perfeito, imaterial, conhecido apenas pelo intelecto, que o conhece como separado de nosso mundo, superior a tudo que existe, e que é o ser por excelência: o ser divino.

Se há tão diferentes tipos de essências, se para cada uma delas há uma ciência (física, biologia, meteorologia, astronomia, psicologia, matemática, ética, política, etc.), deve haver uma ciência geral, mais ampla, mais universal, anterior a todas essas, cujo objeto não seja essa ou aquela modalidade de essência, mas a essência em geral. Trata-se de uma ciência teorética que investiga o que é a essência e aquilo que faz com que haja essências particulares e diferenciadas.

Essa ciência mais alta, mais ampla, mais universal, que se ocupa com a essência, que estuda por que há essências e como são as essências investigadas pelas demais ciências, é a Filosofia Primeira, escreve Aristóteles no primeiro livro da Metafísica.

 

A metafísica aristotélica

 

Na Metafísica, Aristóteles afirma que a Filosofia Primeira estuda os primeiros princípios e as causas primeiras de todas as coisas e investiga “o Ser enquanto Ser”.

Ao definir a ontologia ou metafísica como estudo do “Ser enquanto Ser”, Aristóteles está dizendo que a Filosofia Primeira estuda as essências sem diferenciar essências físicas, matemáticas, astronômicas, humanas, técnicas, etc., pois cabe às diferentes ciências estudá-las enquanto diferentes entre si. À metafísica cabem três estudos:

 

1. O do ser divino, a realidade primeira e suprema da qual todo o restante procura aproximar-se, imitando sua perfeição imutável. As coisas se transformam, diz Aristóteles, porque desejam encontrar sua essência total e perfeita, imutável como a essência divina. É pela mudança incessante que buscam imitar o que não muda nunca. Por isso, o ser divino é o Primeiro Motor Imóvel do mundo, isto é, aquilo que, sem agir diretamente sobre as coisas, ficando à distância delas, as atrai, é desejado por elas. Tal desejo as faz mudar para, um dia, não mais mudar (esse desejo, diz Aristóteles, explica por que há o devir e por que o devir é eterno, pois as coisas naturais nunca poderão alcançar o que desejam, isto é, a perfeição imutável).

Observamos, assim, que Aristóteles, como Platão, também afirma que a Natureza ou o mundo físico ou humano imitam a perfeição do imutável; porém, diferentemente de Platão, para Aristóteles essa imitação não é uma cópia deformada, uma imagem ou sombra do Ser verdadeiro, mas o modo de existir ou de ser das coisas naturais e humanas.

A mudança ou o devir são a maneira pela qual a Natureza, ao seu modo, se aperfeiçoa e busca imitar a perfeição do imutável divino. O ser divino chama-se Primeiro Motor porque é o princípio que move toda a realidade, e chama-se Primeiro Motor Imóvel porque não se move e não é movido por nenhum outro ente, pois, como já vimos, mover significa mudar, sofrer alterações qualitativas e quantitativas, nascer é perecer, e o ser divino, perfeito, não muda nunca;

 

2. O dos primeiros princípios e causas primeiras de todos os seres ou essências existentes;

 

3. O das propriedades ou atributos gerais de todos os seres sejam eles quais forem, graças aos quais podemos determinar a essência particular de um ser particular existente. A essência ou ousia é a realidade primeira e última de um ser, aquilo sem o qual um ser não poderá existir ou sem o qual deixará de ser o que é. À essência, entendida sob essa perspectiva universal, Aristóteles dá o nome de substância: o substrato ou o suporte permanente de qualidades ou atributos necessários de um ser. A metafísica estuda a substância em geral.

 

Os principais conceitos da metafísica aristotélica

 

De maneira muito breve e simplificada, os principais conceitos da metafísica aristotélica (e que se tornarão as bases de toda a metafísica ocidental) podem ser assim resumidos:

 

- Primeiros princípios: são os três princípios que estudamos na lógica, isto é, identidade, não-contradição e terceiro excluído. Os princípios lógicos são ontológicos porque definem as condições sem as quais um ser não pode existir nem ser pensado; os primeiros princípios garantem, simultaneamente, a realidade e a racionalidade das coisas;

 

- Causas primeiras: são aquelas que explicam o que a essência é e também a origem e o motivo da existência de uma essência. Causa (para os gregos) significa não só o porquê de alguma coisa, mas também o o que e o como uma coisa é o que ela é. As causas primeiras nos dizem o que é, como é, por que é e para que é uma essência. São quatro as causas primeiras:

 

 

1. Causa Material, isto é, aquilo de que uma essência é feita, sua matéria (por exemplo, água, fogo, ar, terra);

 

2. Causa Formal, isto é, aquilo que explica a forma que uma essência possui (por exemplo, o rio ou o mar são formas da água; mesa é a forma assumida pela matéria madeira com a ação do carpinteiro; margarida é a forma que a matéria vegetal possui na essência de uma flor determinada, etc.);

 

3. Causa Eficiente ou Motriz, isto é, aquilo que explica como uma matéria recebeu uma forma para constituir uma essência (por exemplo, o ato sexual é a causa eficiente que faz a matéria do espermatozóide e do óvulo receber a forma de um novo animal ou de uma criança; o carpinteiro é a causa eficiente que faz a madeira receber a forma da mesa; o fogo é a causa eficiente que faz os corpos frios tornarem-se quentes, etc.); e

 

4. A Causa Final, isto é, a causa que dá o motivo, a razão ou finalidade para alguma coisa existir e ser tal como ela é (por exemplo, o bem comum é a causa final da política, a felicidade é a causa final da ação ética; a flor é a causa final da semente transformar-se em árvore; o Primeiro Motor Imóvel é a causa final do movimento dos seres naturais, etc.).

 

 

Matéria: é o elemento de que as coisas da Natureza, os animais, os homens, os artefatos são feitos; sua principal característica é possuir virtualidades ou conter em si mesma possibilidades de transformação, isto é, de mudança;

 

Forma: é o que individualiza e determina uma matéria, fazendo existir as coisas ou os seres particulares; sua principal característica é ser aquilo que uma essência é num determinado momento, pois a forma é o que atualiza as virtualidades contidas na matéria;

 

Potência: é o que está contido numa matéria e pode vir a existir, se for atualizado por alguma causa; por exemplo, a criança é um adulto em potência ou um adulto em potencial; a semente é a árvore em potência ou em potencial;

 

Ato: é a atualidade de uma matéria, isto é, sua forma num dado instante do tempo; o ato é a forma que atualizou uma potência contida na matéria. Por exemplo, a árvore é o ato da semente, o adulto é o ato da criança, a mesa é o ato da madeira, etc. Potência e matéria são idênticos, assim como forma e ato são idênticos. A matéria ou potência é uma realidade passiva que precisa do ato e da forma, isto é, da atividade que cria os seres determinados;

 

Essência: é a unidade interna e indissolúvel entre uma matéria e uma forma, unidade que lhe dá um conjunto de propriedades ou atributos que a fazem ser necessariamente aquilo que ela é. Assim, por exemplo, um ser humano é por essência ou essencialmente um animal mortal racional dotado de vontade, gerado por outros semelhantes a ele e capaz de gerar outros semelhantes a ele, etc.;

 

Acidente: é uma propriedade ou atributo que uma essência pode ter ou deixar de ter sem perder seu ser próprio. Por exemplo, um ser humano é racional ou mortal por essência, mas é baixo ou alto, gordo ou magro, negro ou branco, por acidente. A humanidade é a essência essencial (animal, mortal, racional, voluntário), enquanto o acidente é o que, existindo ou não existindo, nunca afeta o ser da essência (magro, gordo, alto, baixo, negro, branco). A essência é o universal; o acidente, o particular;

 

Substância ou sujeito: é o substrato ou o suporte onde se realizam a matéria- potência, a forma-ato, onde estão os atributos essenciais e acidentais, sobre o qual agem as quatro causas (material, formal, eficiente e final) e que obedece aos três princípios lógico-ontológicos (identidade, não-contradição e terceiro excluído); em suma, é o Ser. Aristóteles usa o conceito de substância em dois sentidos: num primeiro sentido, substância é o sujeito individual (Sócrates, esta mesa, esta flor, Maria, Pedro, este cão, etc.); num segundo sentido, a substância é o gênero ou a espécie a que o sujeito individual pertence (homem, grego; animal, bípede; vegetal, erva; mineral, ferro; etc.).

 

No primeiro sentido, a substância é um ser individual existente; no segundo é o conjunto das características gerais que os sujeitos de um gênero e de uma espécie possuem. Aristóteles fala em substância primeira para referir-se aos seres ou sujeitos individuais realmente existentes, com sua essência e seus acidentes (por exemplo, Sócrates); e em substância segunda para referir-se aos sujeitos universais, isto é, gêneros e espécies que não existem em si e por si mesmos, mas só existem encarnados nos indivíduos, podendo, porém, ser conhecidos pelo pensamento. “Assim, por exemplo, o gênero “animal” e as espécies “vertebradas”, mamíferas” e humanas” não existem em si mesmas, mas existem em Sócrates ou através de Sócrates.

O gênero é um universal formado por um conjunto de propriedades da matéria e da forma que caracterizam o que há de comum nos seres de uma mesma espécie.

A espécie também é um universal formado por um conjunto de propriedades da matéria e da forma que caracterizam o que há de comum nos indivíduos semelhantes. Assim, o gênero é formado por um conjunto de espécies semelhantes e as espécies, por um conjunto de indivíduos semelhantes. Os indivíduos ou substâncias primeiras são seres realmente existentes; os gêneros e as espécies ou substâncias segundas são universalidades que o pensamento conhece através dos indivíduos.

 

 

Predicados: são as oito categorias que vimos no estudo da lógica e que também são ontológicas, porque se referem à estrutura e ao modo de ser da substância ou da essência. Em outras palavras, os predicados atribuídos a uma substância ou essência são constitutivos de seu ser e de seu modo de ser, pois toda realidade pode ser conhecida porque possui qualidades (mortal, imortal, finito, infinito, bom, mau, etc.), quantidades (um, muitos, alguns, pouco, muito, grande, pequeno), relaciona-se com outros (igual, diferente, semelhante, maior, menor, superior, inferior), está em algum lugar (aqui, ali, perto, longe, no alto, embaixo, em frente, atrás, etc.), está no tempo (antes, depois, agora, ontem, hoje, amanhã, de dia, de noite, sempre, nunca), realiza ações ou faz alguma coisa (anda, pensa, dorme, corta, cai, prende, cresce, nasce, morre, germina, frutifica, floresce, etc.) e sofre ações de outros seres (é cortado, é preso, é morto, é quebrado, é arrancado, é puxado, é atraído, é levado, é curado, é envenenado, etc.).

As categorias ou predicados podem ser essenciais ou acidentais, isto é, podem ser necessários e indispensáveis à natureza própria de um ser, ou podem ser algo que um ser possui por acaso ou que lhe acontece por acaso, sem afetar sua natureza.

Tomemos um exemplo. Se eu disser “Sócrates é homem”, necessariamente terei que lhe dar os seguintes predicados: mortal, racional, finito, animal, pensa, sente, anda, reproduz, fala, adoece, é semelhante a outros atenienses, é menor do que uma montanha e maior do que um gato, ama, odeia. Acidentalmente, ele poderá ter outros predicados: é feio, é baixo, é diferente da maioria dos atenienses, é casado, conversou com Laques, esteve no banquete de Agáton, esculpiu três estátuas, foi forçado a envenenar-se pelo tribunal de Atenas.

Se nosso exemplo, porém, fosse uma substância genérica ou específica, todos os predicados teriam de ser essenciais, pois o acidente é o que acontece somente para o indivíduo existente e o gênero e a espécie são universais que só existem no pensamento e encarnados nas essências individuais.

Com esse conjunto de conceitos forma-se o quadro da ontologia ou metafísica aristotélica como explicação geral, universal e necessária do Ser, isto é, da realidade. Esse quadro conceitual será herdado pelos filósofos posteriores, que problematizarão alguns de seus aspectos, estabelecerão novos conceitos, suprimirão alguns outros, desenvolvendo o que conhecemos como metafísica ocidental.

A metafísica aristotélica inaugura, portanto, o estudo da estrutura geral de todos os seres ou as condições universais e necessárias que fazem com que exista um ser e que possa ser conhecido pelo pensamento. Afirma que a realidade no seu todo é inteligível ou conhecível e apresenta-se como conhecimento teorético da realidade sob todos os seus aspectos gerais ou universais, devendo preceder as investigações que cada ciência realiza sobre um tipo determinado de ser.

 

A metafísica investiga:

 

- Aquilo sem o que não há seres nem conhecimento dos seres: os três princípios lógico-ontológicos (identidade, não-contradição e terceiro excluído) e as quatro causas (material, formal, eficiente e final);

- Aquilo que faz um ser ser necessariamente o que ele é: matéria, potência, forma e ato;

- Aquilo que faz um ser ser necessariamente como ele é: essência e predicados ou categorias;

 

- Aquilo que faz um ser existir como algo determinado: a substância individual (substância primeira) e a substância como gênero ou espécie (substância segunda).

Metafísica é estudar “o Ser enquanto Ser”.

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março 25, 2011

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O Amor é uma Companhia

O amor é uma companhia.
Já não sei andar só pelos caminhos,
Porque já não posso andar só.
Um pensamento visível faz-me andar mais depressa
E ver menos, e ao mesmo tempo gostar bem de ir vendo tudo.

Mesmo a ausência dela é uma coisa que está comigo.
E eu gosto tanto dela que não sei como a desejar.
Se a não vejo, imagino-a e sou forte como as árvores altas.
Mas se a vejo tremo, não sei o que é feito do que sinto na ausência dela.

Todo eu sou qualquer força que me abandona.
Toda a realidade olha para mim como um girassol com a cara dela no meio.

(Alberto Caeiro, heterônimo de Fernando Pessoa)

Palavras-chave: alberto caeiro, fernando pessoa, poesia portuguesa

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Para o peito amante, não existe ausência...


Ausência


Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar os teus olhos que são doces 
Porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto. 
No entanto a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida 
E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz. 
Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado. 
Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados 
Para que eu possa levar uma gota de orvalho nesta terra amaldiçoada 
Que ficou sobre a minha carne como nódoa do passado. 
Eu deixarei... tu irás e encostarás a tua face em outra face. 
Teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada. 
Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu, porque eu fui o grande íntimo da noite. 
Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa. 
Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço. 
E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado. 
Eu ficarei só como os veleiros nos pontos silenciosos. 
Mas eu te possuirei como ninguém porque poderei partir. 
E todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves, das estrelas. 
Serão a tua voz presente, a tua voz ausente, a tua voz serenizada.

(Vinícius de Moraes)

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Desfiar tua ausência, pois me aflige
tecer sozinha este enternecimento,
e meu corpo é bordado pensamento
de juntar teu desejo ao meu desejo (...)

Musicar tua ausência, que meu sonho
— em cada gesto que se prenuncia
compõe nas veias pautas de agonia,
acordes dissonantes em meu corpo.

(Inês Pedrosa)

Palavras-chave: inês pedrosa, literatura portuguesa

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[É TÃO GENTIL E TÃO HONESTO O AR]

É tão gentil e tão honesto o ar 
de minha Dama, quando alguém saúda, 
que toda boca vai ficando muda 
e os olhos não se afoitam de a fitar. 

Ela assim vai sentindo-se louvar 
na piedosa humildade em que se escuda, 
qual fosse um anjo que dos céus se muda 
para uma prova dos milagres dar. 

Tão afável se mostra a quem a mira 
que o olhar infunde ao coração dulçores 
que só não sente quem jamais olhou-a. 

E quando fala, dos seus lábios voa 
Uma aura suave, trescalando amores, 
que dentro d'alma vai dizer: "Suspira!" 

                    Tradução: Augusto de Campos 


[TANTO GENTILE E TANTO ONESTA PARE]

Tanto gentile e tanto onesta pare
la donna mia, quand'ella altrui saluta,
ch'ogne lingua deven tremando muta,
e gli occhi no l'ardiscon di guardare.

Ella si va, sentendosi laudare,
benignamente e d'umiltà vestuta;
e par che sia una cosa venuta
dal cielo in terra a miracol mostrare.

Mostrasi sì piacente a chi la mira,
che dà per li occhi una dolcezza al core,
che 'ntender nolla può chi nolla prova.

E par che de la sua labbia si mova
un spirito soave pien d'amore,
che va dicendo a l'anima: Sospira.

Palavras-chave: dante alighieri, poesia italiana

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Palavras-chave: chopin, música clássica

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Palavras-chave: chopin, horowitz, música clássica

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Sonetto LXI

Benedetto sia 'l giorno, et 'l mese, et l'anno,
et la stagione, e 'l tempo, et l'ora, e 'l punto,
e 'l bel paese, e 'l loco ov'io fui giunto
da'duo begli occhi che legato m'ànno;

et benedetto il primo dolce affanno
ch'i' ebbi ad esser con Amor congiunto,
et l'arco, et le saette ond'i' fui punto,
et le piaghe che 'nfin al cor mi vanno.

Benedette le voci tante ch'io
chiamando il nome de mia donna ò sparte,
e i sospiri, et le lagrime, e 'l desio;

et benedette sian tutte le carte
ov'io fama l'acquisto, e 'l pensier mio,
ch'è sol di lei, sí ch'altra non v'à parte.

 

 

Palavras-chave: francesco petrarca, poesia italiana, soneto

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Palavras-chave: antônio abujamra, poesia brasileira, régis bonvicino

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Palestra do Professor Sidney Silveira, dividida em três partes sobre a metafísica de Aristóteles acerca do Primeiro Motor Imóvel.

 

http://www.youtube.com/watch?v=FkO4Q4mKYBw

 

http://www.youtube.com/watch?v=NWd7Sf0kVcM

 

http://www.youtube.com/watch?v=qg2q90v5VQI

Palavras-chave: aristóteles, filosofia, metafísica

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Soneto

 

Dançarás nos meus olhos, quando a morte

Se debruçar sobre o meu ser inquieto.

Tua visão, tão frágil e tão leve,

Resistirá à escura sombra densa.

 

Ficarás nos meus olhos, quando a vida

Se for de mim aos poucos separando,

Como a nuvem do céu, a nuvem branca,

Dentro da grande noite já madura.

 

Dançarás nos meus olhos, como a Estrela

Nos altos céus, na aurora solitária

Dança – e dançando assiste ao claro dia.

 

Dançarás nos meus olhos, como a chama

Última, como a esperança derradeira,

Como o alento final antes da morte.

 

(Augusto Frederico Schmidt)

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Cantarei de Amor tão Eternamente

 

           

 

Cantarei de amor tão eternamente

Com porfias ao diamante em existência,

Desafio ao tempo com sua chama ardente

E a morte indubitável em candência.

 

Minha lira tem o canto ascendente

Que almeja a Forma tão pura da essência,

Sua imóvel e imortal Verdade ingente

Que amor faz subir à Inteligência.

 

E aquele por qual meu ser é aceso

No inferno glacial do seu desprezo

Sim, resignar-me-ei só em olhar-te.

 

Só deuses podem a ti dar louvores

Visto que és a Glória dos lavores

No arranco divinal de engenho e arte.

 

 

(Helena Carrara)

Palavras-chave: amor platônico, parnasianismo, poesia brasileira, soneto

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Amor Platônico faz referência ao amor em que não há aproximação, não toca, não há envolvimento físico. Amor idealizado no sentido platônico e não no sentido do senso comum, idealizado no sentido de que o objeto é o ser perfeito, detentor de todas das maiores qualidades e distante de tudo que não tenha virtude.

A questão do amor é importantíssima no pensamento Platônico. Na obra O Banquete o tema central é o amor, o cenário é uma festa na casa do poeta Agatão. Durante a festa,  surge a ideia de se falar sobre o amor, todos relatam suas impressões acerca do tema, mas é o diálogo de Sócrates que é o central que cita o seguinte relato da sábia sacerdotisa Diotima:


“O Amor é concebido no dia de nascimento de Afrodite, por um “golpe” de Penúria sobre Recurso. Recurso adormece e Penúria deita-se a seu lado. Enfim, consegue engravidar. O Amor, filho de ambos, ganha características do pai e da mãe: sempre oscilando entre dois pólos. Um pólo, o das completudes, como o pai, e outro pólo o das carências, como a mãe. O Amor não é um deus, mas um gênio, um tipo de espírito. É um gênio que está sempre entre dois extremos. Assim, estando a meio caminho, tem consciência do que é a carência e do que é a completude, e busca a primeira. Por isso o Amor é busca.  A natureza do Amor é a de buscar o belo, em um sentido amplo da palavra, que engloba também o bem. O que é belo é o que é digno de ser amado, e o Amor assim faz. Age de modo a ter a posse do que é desejado; e conseguindo isso, atinge a satisfação e tem tudo para ficar feliz.”


Diotima prossegue e faz referência a beleza:


 ” Na juventude o amante inicia seu percurso buscando corpos belos e em seguida passa então para almas belas. Em ambos os casos, percebe que os corpos belos e a almas belas são diferentes entre si e, então, vê que o que os faz belos é o compartilhar de algo que é a beleza. 

Ela (a Beleza) não lhe aparece como uma ideia ou um tipo de conhecimento. Não está em algum lugar em uma coisa, como em um animal ou na terra ou nos céu ou em algum outro lugar, mas ela própria por ela mesma e com ela mesma,  a beleza existe em si, separada do mundo sensível. Uma coisa é mais ou menos bela conforme a sua participação na idéia suprema de beleza".


O belo é o bem, a perfeição, existe em si mesma, apartada do mundo sensível, residindo no mundo das ideias.

O amor platônico está distante da matéria, ele não é efêmero, nem cego e falso, atributos pertencentes ao mundo finito e corrosivo da matéria. A base do amor platônico é a virtude e não os interesses viciados impuros e corruptos da matéria.

O amor platônico é a contemplação da Beleza universal e essencial.

 A ideia de beleza pode determinar o que seja mais ou menos belo. Platão define o amor como a junção de duas partes que se completam, um círculo cósmico constituindo um ser andrógino que, em seu caminhar  perpetua a existência humana.

Esse ser, que só existe no mundo das ideias platônico, confere à sua natureza a uma espécie peculiar de beleza: a beleza da completude, do todo e não uma beleza que simplesmente imita a natureza e ancorado na matéria o que seria um amor incompleto e imperfeito.

Temos em Platão, uma concepção de belo onde o homem tem uma atuação passiva ao seu conceito: não está sob sua responsabilidade o julgamento do que é ou não é belo.

 

 

 

Palavras-chave: amor platônico, filosofia, o banquete, platão

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março 24, 2011

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Postado por سميرة

Apenas Mais Uma De Amor

Eu gosto tanto de você
Que até prefiro esconder
Deixo assim ficar
Subentendido

Como uma idéia que existe na cabeça
E não tem a menor obrigação de acontecer

Eu acho tão bonito isso
De ser abstrato baby
A beleza é mesmo tão fugaz

É uma idéia que existe na cabeça
E não tem a menor pretensão de acontecer

Pode até parecer fraqueza
Pois que seja fraqueza então,
A alegria que me dá
Isso vai sem eu dizer

Se amanhã não for nada disso
Caberá só a mim esquecer
O que eu ganho, o que eu perco
Ninguém precisa saber

Eu gosto tanto de você
Que até prefiro esconder
Deixo assim ficar
Subentendido

Como uma idéia que existe na cabeça
E não tem a menor obrigação de acontecer

Pode até parecer fraqueza
Pois que seja fraqueza então,
A alegria que me dá
Isso vai sem eu dizer

Se amanhã não for nada disso
Caberá só a mim esquecer
E eu vou sobreviver...
O que eu ganho, o que eu perco
Ninguém precisa saber

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junho 11, 2010

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O dia é de empapar folhagens, dois copos e meio fora e mail que não chega.Deve ser assim quando entre dois nadas existe uma ponte e é preciso não correr para ver o sol dar volta e meia no céu.

A noite é de deixar as comportas da alma se abrirem.Um ou dois chazinhos, saquinho mergulhado em água quente tingindo tudo e por dentro cinza. Nada de reconhecer alma especial. Decerto um deserto de armas e é quando tenho vontade de ligar, rabiscar, recortar e colar para ver se tudo dá certo.

O outro dia é de recolher as coisas, dizpérsio...

Palavras-chave: Academia de Letraz, Alex Monteiro, Caio Fernando Abreu, Direito USP, Guimaraes Rosa, Pérsio Plensack, Saulo Yassuda

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