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Agosto 2009

Agosto 01, 2009

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http://medianeiro.blogspot.com/2009/07/flap-2009-vinte-anos-de-muro.ht



PROGRAMAÇÃO

de 7 a 14 de julho de 2009

Dia 07 de julho, terça-feira

CASA DAS ROSAS

19 às 21h ABERTURA

Em lhe sendo pedido um poema de guerra, de W. B. Yeats

Com os poetas Alfredo Fressia e Paulo Ferraz


Dia 08 de julho, quarta-feira

CASA DAS ROSAS

14h MESA DE DEBATE 1- A poesia pode derrubar um muro, ou “have we no gift to set a statesman right”? com:

  • Annita Costa Malufe
  • Dirceu Villa
  • Amalia Gieschen

16h PALESTRA sobre poesia concreta com Frederico Barbosa

18h LEITURA com os convidados

  • Amalia Gieschen
  • Valeria Meiller


LIVRARIA CULTURA SHOPP. BOURBON

18h LEITURA e SESSÃO DE AUTÓGRAFOS com Annita Costa Malufe, Dirceu Villa e Fábio Aristimunho Vargas


20h PASSEATA poética da Casa das Rosas até o ESPAÇO ZERO CULTURAL para Sarau noturno


Dia 09 de julho, quinta-feira

MUSEU DA LÍNGUA PORTUGUESA

12h Visita ao museu – inscrições pelo e-mail flapsp2009(arroba)gmail.com

14h MESA DE DEBATE 2- A pena está entre a cruz e a espada, com:

  • Fábio Aristimunho Vargas
  • Luci Collin
  • Ámbar Past
  • Paulo Ferraz

16h LEITURA com os convidados:

  • Simone Brantes
  • Fabiana Faleiros
  • Fábio Aristimunho Vargas
  • Luci Collin
  • Paulo Ferraz


Dia 10 de julho, sexta-feira

CASA DAS ROSAS

14h MESA DE DEBATE 3- Existe um muro entre a poesia e as outras linguagens? A poesia está encastelada no livro ou na palavra? com:

  • Ana Rüsche
  • Dirceu Villa
  • Alejandro Mendez

16h LEITURA com os convidados:

  • Annita Costa Malufe
  • Ana Rüsche
  • Dirceu Villa
  • Alejandro Mendez


Dia 11 de julho, sábado

ESPAÇO SATYROS DOIS

15h LEITURA com as poetas Ana Rüsche, Camila do Valle, Diego Ramirez e outros poetas convidados


LIVRARIA CULTURA SHOPP. VILLA-LOBOS

18h LANÇAMENTO: Cámbio Climático: Panorama de la joven poesía boliviana e LEITURA com a poeta Jessica Freudenthal


Dia 12 de julho, domingo

CASA DAS ROSAS

10h-16h OFICINAS DE CRIAÇÃO com ALEJANDRO MENDEZ e DIEGO RAMIREZ, salas 1 e 2

inscrições pelo e-mail flapsp2009(arroba)gmail.com

17h LEITURA ABERTA e apresentação dos trabalhos das oficinas


LIVRARIA CULTURA SHOPP. MARKET-PLACE

15h LEITURA e SESSÃO DE AUTÓGRAFOS com as poetas Amalia Gieschen, Ámbar Past e Simone Brantes (a confirmar)


Dia 13 de julho, segunda-feira

FÁBRICA DE CRIATIVIDADE

16h MESA DE DEBATE 4- Existe uma poesia popular e uma poesia erudita oponíveis? com:

  • Camila do Valle
  • Pablo Paredes
  • Balam Rodrigo (a confirmar)

18h LEITURA com os convidados:

  • Camila do Valle
  • Pablo Paredes
  • Balam Rodrigo (a confirmar)

20h SARAU no BAR do BINHO


Dia 14 de julho, terça-feira

CASA DAS ROSAS

18h MESA DE DEBATE 5- Que elementos fazem a poesia mais própria para derrubar um muro? com:

  • Jessica Freudenthal
  • Diego Ramirez
  • Valeria Meiller

20h LEITURA com os três convidados da mesa

21h ENCERRAMENTO


MESA DE LIVROS E EDITORAS NA CASA DAS ROSAS DURANTE TODOS OS DIAS DO EVENTO

ENDEREÇOS:

Casa das Rosas

Av. Paulista, 37 – Bela Vista

Fone: 11 3285-6986/ 3288-9447

Fábrica de Criatividade

R. Dr. Luís da Fonseca Galvão, 248 – Capão Redondo

Fone: 11 5511-0055

Museu da Língua Portuguesa

Praça da Luz, s/n. – Centro

Fone: 11 3326-0775

Espaço dos Satyros Dois

Praça Roosevelt, 134 – Centro

Fone: 11 3258-6345

Bar do Binho

Rua Avelino Lemos Junior, 60 – Campo Limpo

Espaço Zero

R. Goiás, 167 – Pacaembu

FoneL 11 3661-8658

Livraria Cultura Villa-Lobos

Av. das Nações Unidas, 4.777 – Shopping Villa-Lobos

Fone: 3024-3599

Livraria Cultura Market Place

Av. Dr. Chucri Zaidan, 902 – Shopping Market Place

Fone: 3474-4033

Livraria Cultura Bourbon

R. Turiaçú, 2.100 – Bourbon Shopping Pompéia

Fone: 3868-5100


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A Gazeta do Iguaçu, Foz do Iguaçu, quinta-feira, 22 de abril de 2009

Coleção Poesias de Espanha será lançada em Foz


Entre os autores reunidos, figuram nomes diversos como Martim Codax e Federico García Lorca


....Os 70 anos do encerramento da Guerra Civil Espanhola, um dos episódios mais cruéis e de maior impacto do séc. XX, são lembrados neste mês de abril de 2009. Para marcar a efeméride, a editora Hedra lança a coleção Poesias de Espanha: das origens à Guerra Civil, uma antologia poética em quatro volumes que reúne as literaturas galega, espanhola, catalã e basca, todas elas profundamente marcadas pela Guerra Civil Espanhola.

.... Os volumes lançados, intitulados Poesia galega, Poesia espanhola, Poesia catalã e Poesia basca, todos com o subtítulo “das origens à Guerra Civil”, reúnem uma seleção de poemas e autores representativos dos principais períodos históricos de cada literatura, desde suas origens como manifestação literária, a partir do séc. XII, até a Guerra Civil Espanhola, encerrada em 1º de abril de 1939.

.... O corte temporal, além de abarcar as origens da poesia de cada uma das línguas, destaca a importância da Guerra Civil Espanhola para as quatro literaturas, simultaneamente como elemento de ruptura e fator de convergência, na medida em que representa o desaparecimento de toda uma geração de escritores perdida na guerra ou no exílio.

.... Com organização e tradução de Fábio Aristimunho Vargas, a antologia conta ainda com um amplo aparato crítico: uma apresentação geral à coleção seguida dos prefácios específicos para cada língua, notas biobibliográficas dos autores e poemas, um quadro sinótico, fonética sintática e guia comparativo das ortografias portuguesa, galega, castelhana, catalã e basca.

.... Entre os autores reunidos figuram nomes tão diversos como Martim Codax, Rosalía de Castro, Manuel Antonio (Poesia galega), Gonzalo de Berceo, Garcilaso de la Vega, Federico García Lorca (Poesia espanhola), Ausiàs March, Jacint Verdaguer, Bartomeu Rosselló-Pòrcel (Poesia catalã), Bernat Etxepare, José María Iparraguirre, Lauaxeta (Poesia basca), entre vários outros, além de composições e cantigas de origem popular.

.... O livro dedicado à poesia catalã foi premiado pelo Institut Ramon Llull, entidade responsável pela projeção no exterior da língua e da cultura catalãs, com sede em Barcelona, com a concessão de apoio à tradução em 2009.


SOBRE O ORGANIZADOR

.... Fábio Aristimunho Vargas é professor, escritor e advogado. Cursou direito e letras na USP. É mestre em direito internacional pela USP, especialista em direito internacional privado pela Universidad de Salamanca e especialista em estudos bascos pela Fundación Asmoz de Eusko Ikaskuntza e pela Universidad del País Vasco. Traduziu para o português os livros Atlas: Correspondência 2005--2007 [Edicions sèrieAlfa, 2008], do poeta valenciano Joan Navarro e do artista plástico catalão Pere Salinas; La entrañable costumbre [Mantis Editores, 2008], do mexicano Luis Aguilar, entre outros. É co-organizador e tradutor ao castelhano da coletânea de jovens poetas Antologia Vacamarela: português, espanhol e inglês [Edição dos autores, 2007]. Mantém o blogue medianeiro.blogspot.com.


PALESTRA E LANÇAMENTO EM FOZ DO IGUAÇU

.... A coleção Poesias de Espanha: das origens à Guerra Civil será lançada em Foz do Iguaçu durante o Salão Internacional do Livro, no dia 04 de maio, às 19h30. Na ocasião o organizador-tradutor ministrará uma palestra sobre “Os 70 anos da Guerra Civil Espanhola e seu impacto nas literaturas galega, espanhola, catalã e basca”, seguida da leitura de poemas e apresentação de canções e baladas antigas em vídeo. O primeiro lançamento da coleção ocorreu em São Paulo, no dia 03 de abril, na Casa das Rosas, e teve grande repercussão.


APOIO

.... Institut Ramon Llull


SERVIÇO

.... Coleção Poesias de Espanha, em quatro volumes: Poesia galega: das origens à Guerra Civil, Poesia espanhola: das origens à Guerra Civil, Poesia catalã: das origens à Guerra Civil e Poesia basca: das origens à Guerra Civil (São Paulo: Hedra, 2009).

.... Organização e tradução Fábio Aristimunho Vargas

.... · Lançamento: Salão Internacional do Livro Foz do Iguaçu - 2009, dia 04 de maio, a partir das 19h30, Auditório 2

.... · Palestra: Os 70 anos da Guerra Civil Espanhola e seu impacto nas literaturas galega, espanhola, catalã e basca.

.... · Leitura de poemas e apresentação de canções e baladas antigas em vídeo.


chamada na capa do jornal:


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http://juliaeoquati.blogspot.com/2009/05/101.html

Love Conquers All


frase muito bonita e tudo, mas é mentira. Amor assim é coisa de novela da globo, de filme de Hollywood (e Bollywood também, ainda que daquele jeito estranho, cheio de dancinhas), de seriados novaiorquinos sobre 6 amigos que, no final, encontram suas respectivas almas gêmeas, de músicas românticas cantadas pelo Wando e livros da Jane Austen...


amor de verdade é algo totalmente diferente do que todos os meios de arte e mídia imprimem na nossa cabeça desde que nascemos. Exemplo prático: o casal da famosa foto do Doisneau, tirada em frente a prefeitura de Paris, é um ícone do Amor. Namorados se presenteiam com quadros dessa imagem, apaixonados usam como plano de fundo de seus computadores, mulheres românticas tentam imitar a pose (ainda que seja no Viaduto do Chá, em frente ao Matarazzinho). Um porém, todos se esquecem que aquele casal se separou e nunca mais se encontrou até o leilão da fotografia original!


o que é mesmo, então, que o amor conquista? Se não é felicidade eterna, fidelidade eterna, ou algo eterno, a conquista não parece um grande acheivement. Sei que amor pode vir em muitas formas, mas nenhuma é incondicional, resistente a qualquer intempérie, à prova de balas. Por que, então, pintam esse Amor com a maiusculo como a única solução, o conquistador de tudo? Para que serve essa construção de Amor invencível?


As pessoas têm de acreditar em alguma coisa. Podiam ter escolhido ódio, raiva, vingança, inveja. Decidiram, não sei quando, que o grande protagonista dos nossos períodos de busca seria o Amor. É a ele que recorremos, é ele que queremos e desejamos e almejamos para nossa vida. Only for what? Sofrimento. São irmãos gêmeos. O meu cinismo me impede de ver algum tipo de amor sem um down side. Todo amor implica em perda, em sacrifício, em dor, mais cedo ou mais tarde. E todo amor tem data de validade. Todo. Sem exceção.


Não, nem me venha com a história dos seus avós que estão juntos e apaixonados pelos últimos 60 anos. Isso se chama conveniência. Sim. Amizade, cumplicidade, comodismo, preguiça, escolha o seu substantivo. Amor, do jeito que me ensinaram nas histórias de lived happily ever after nunca vi. Amor tem um ar tão mágico, místico, inexplicável. Só se sabe quem sente, não dá pra explicar. BULL-SHIT. Se você sente, como animal racional, consegue descrever. Assim como um médico consegue identificar um ataque do coração pela descrição da dor que o paciente faz. Amor deveria ser diagnosticável.


Ah, se eu já amei? Já falei “eu te amo” sim, já senti aquela sensação indizível de, … de, … de que? Sei lá. Se eu amo meus pais? Claro. I'm supposed to. Minha irmã? Obviamente! Então explica! Nem tem como. Às vezes eu amo, às vezes odeio. Amor é o oposto de ódio então? Deve ser, já me perdi no meu próprio raciocínio e no meu próprio cinismo ilimitado...

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http://latrinadasletras.blogspot.com/2009/07/tropismo.html


Olhos fixos no céu
Não contemplam estrelas;
Esperam um avião.

A bordo, ela
que semeia sorrisos
E coleciona corações
Achados pelo caminho.

Nos deixa para trás
Cultivando GIrassóis
E perseguindo no céu
Um brilho que se esconde
no (centro-)oeste.

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http://juliaeoquati.blogspot.com/2009/06/102.html

acabei de assistir algo que me tirou do sério.
ao final do vídeo, uma voz em off pergunta:

você disse?
eu te amo.
eu não quero mais viver sem você.
você mudou a minha vida.
você disse?
faça um plano, estabeleça um objetivo, trabalhe para alcançá-lo.
mas, de vez em quando, olhe em volta, absorva.
porque é isso. tudo pode acabar amanhã.

eu não me relembro o suficiente da fragilidade da vida, e que a gente pode acabar sem nunca ter dito coisas importantes.

mas, da minha parte, eu disse, e as conseqüências não importam aqui.

e você, disse?

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http://latrinadasletras.blogspot.com/2009/07/buracos.html



Seus olhos,
Tão fixos no retrovisor,
Lançam a dúvida
Do que deixei cair pelo caminho.
Preocupado,
Torço para ser mentira
Essa história de que sempre se perde
Alguma coisa durante a mudança.

Incerto indago: o que é pior?
As coisas que sempre se perdem
Ou as coisas que se perdem pra sempre?
...
Pior é se distrair com isso,
Tirar os olhos da estrada
E esquecer onde queríamos chegar.

Deixe o retrovisor pra lá, meu amor.
Seja o que for o que caiu,
A gente consegue um novo.
E se for alguma peça vital
Que nos faça bater e explodir pelos ares,
Me desintegrarei feliz
Enquanto nos unimos num só fogo.

O sol se põe na próxima curva.

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http://latrinadasletras.blogspot.com/2009/07/vacuo.html



Saudades de te esperar
Sem cessar, dia após dia
Na esperança de uma manhã fria
Em que você bata à minha porta
Para dizer que está de volta.

Saudades de sentir saudade.

Hoje não sei se desejo
Ter você aqui ao lado;
Sou, no fundo, apaixonado
Pelo vazio que fica na cama
Sempre que você vai embora.

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Agosto 03, 2009

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http://latrinadasletras.blogspot.com/2009/08/big-bang.html


No seu ventre, num só ponto
Todo o cosmos está pronto
Para explodir.

Dentro dela me desmancho
Num estouro
Mil estrelas no escuro.

Pouco a pouco o fogo abranda
E o caos toma a forma
Flutuante
Das silhuetas dos corpos
Celestes.

No sétimo dia
Deus fez [o] amor
E viu que era bom.
O princípio de tudo, o Big-Bang:
O orgasmo da criação.

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Zero Hora, Segundo Caderno, p. 4

Porto Alegre, 20 de maio de 2009


Poesia indomável


O poeta Ricardo Silvestrin analisa coleção que reúne poemas espanhóis do século 12 à Guerra Civil do país


Há poucos dias, uma repórter me perguntou se os poemas nos ônibus em Porto Alegre contribuíam para aproximar as pessoas da poesia. A pergunta supunha que houvesse uma distância. Respondi que, ao contrário, a poesia é tão próxima que se encontra nos ônibus. Se fosse distante, jamais estaria ali. Nosso mundo ocidental começa lá na Grécia antiga.


E o que herdamos dos gregos? Poesia e Filosofia. É através dessas duas artes que nos entendemos como seres humanos. Sem figurar, sem aprofundar, sem pensamento e linguagem não existimos. Foi quando o homem passou a falar de si mesmo e não mais dos deuses que se chegou à poesia lírica. Foi pela poesia que se entendeu como é uma língua. Língua não existe. O que temos é a fala. A língua é uma abstração. Lá se foram os gramáticos tentar formular como são as línguas. A quem recorreram? Aos poetas. Italiano se escreve assim porque Dante escreveu, diz como último recurso um gramático. O exemplo do português é Camões. Olha quantas páginas esse cara fez – dirá o gramático – vai duvidar dele? É claro que os poetas não planejaram virar matrizes de pensamento ou de linguagem. Artistas, fizeram o que tinha necessidade de fazer. Mas eles, mesmo sem querer, moldam a expressão, a maneira de perceber e de dizer as coisas de um povo. Mesmo que não leia um livro de poesia durante toda uma vida, ninguém está nem estará distante dela. As formas poéticas estão veladas nas canções populares, nas tramas de novelas, na fala do dia a dia, no jeito de ser, de pensar e de sentir. Uma viagem pelas relações entre a poesia e a sensibilidade de um povo é o que nos traz a leitura da coleção de poesia espanhola traduzida e organizada por Fábio Aristimunho Vargas para a editora Hedra.


Na Espanha, coexistem quatro línguas: castelhana, catalã, basca e galega. É uma Minibabel. Durante a ditadura de Franco, as outras três línguas que não a castelhana foram proibidas. Só com a constituição de 1978 é que voltaram a ser consideradas também como línguas oficiais. O trabalho do Fábio, paulista de origem espanhola, veio preencher uma lacuna que existia na própria história da literatura espanhola. Não havia até então uma antologia que contemplasse a poesia das quatro línguas. A seleção dos autores e dos textos abrange o período que vai do século 12 até a Guerra Civil espanhola, encerrada em 1939.


Épicos contando os feitos de um herói, cantigas louvando ou avacalhando alguém, relatos de moça virgem que não se entrega a quem a raptou, religiosos em conflito com o corpo e o espírito, louvações à bebedeira na brevidade da vida, reflexões refinadas e supimpas sobre a existência humana, amores exagerados que só existem assim nos textos, cantares à pátria, à língua, observações da natureza, humor inteligente, jogos criativos de palavras, crítica e sátira política e, de quebra, alguma sacanagem. As matrizes da poesia ocidental estão ali. Pelos quatro volumes, salta aos olhos o timaço castelhano: Jorge Manrique, guerreiro e nobre do século 15, Santa Teresa de Ávila no século 16, Góngora na virada para o 17, no mesmo século Quevedo e Calderón de La Barca, no 19 vêm Unamuno e Rosália de Castro e, na virada para o 20, Antônio Machado e Garcia Lorca. Por um lado, é leitura para iniciados. Por outro, uma vez que contempla o que, de certa forma, o senso comum espera do poema (amor, rima, sonoridades, versificação retrô) pode ser lido na rodoviária esperando o ônibus.


RICARDO SILVESTRIN*


* Escritor e publicitário



Baco não quer altar nem quer admiração

Salvat Monho (“Poesia basca”)

(1749-1821)


Baco não quer altar nem quer admiração.

Para os homens deixou somente uma instrução:

o vinho sem a água à vontade beberem,

se da morte manter-se a distância quiserem.


Se pensam que viver se reduz a existir,

felizes vamos ser e um bom gole ingerir.

Pois não sabemos como a vida prolongar,

Deixemo-nos beber se o coração mandar.


Se alguém se dá ao trabalho, então não perca a vez:

o copo está vazio, pode enchê-lo outra vez.

Gozar, até esquecer o que nos aborrece

e as lembranças ruins que ninguém esquece.


Bebamos outra vez; é como sói dizer:

que dois copos depois, o terceiro é um dever

E se esse coração no fundo ainda é triste,

talvez o quarto copo enfim o reconquiste.



(sem título)

Rosália de Castro (“Poesia galega” – autora também incluída na antologia castelhana)

(1837-1885)


Agora cabelos negros,

mais tarde cabelos brancos;

agora dentes de prata,

amanhã dentes quebrados;

hoje bochechas rosadas,

amanhã corpo enrugado.

Morte, morte negra,

cura de dores e enganos:

por que não matas as moças

antes que as matem os anos?



Epitáfio

Francesc Vicenç Garcia - (“Poesia catalã”)

(1579-1623)


(à sepultura de um grande bebedor de aguardente, que morreu de gota)

Aqui jaz o que pensou

estar a salvo da gota,

porque d’água um só gota

(só ardente) nunca tomou.

Por fim a gota o esgotou

e o tragou destes conflitos,

e por tempos infinitos

estará sua epiderme

ilesa, pois nenhum verme

a tomará dos mosquitos.



A Roma sepultada em ruínas

Francisco de Quevedo (“Poesia espanhola”)

(1580-1645)


Procuras Roma em Roma, ó peregrino,

e achar em Roma a própria Roma falhas;

se agora são cadáveres as muralhas,

é de si mesmo túmulo o Aventino.


Jaz, onde antes reinava, o Palatino;

e, do tempo corroídas, as medalhas

mais parecem destroços de batalhas

de outras idades que brasão latino.


Só o Tibre restou, cuja corrente,

se a regou cidade, hoje sepultura,

a chora em som funesto e comovente.


Ó, Roma, em teu grande esplendor e altura

fugiu-te o que era firma, e tão somente

o fugidio é que persiste e dura.



Fonte: site do Zero Hora.

A página pode ser visualizada aqui.


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http://medianeiro.blogspot.com/2009/06/as-ultimas-10-coisas-que-o-tom-


AS ÚLTIMAS 10 COISAS QUE COMPREI

TOM
, 72, músico que mantém o blog http://tomze.blog.uol.com.br

1 - Camisetas da Nike.“Só compro porque me salvam da alergia. Mas o símbolo do fabricante é tão grande que, se pudesse,não compraria deles. É de mau gosto”

2 - “Duas barras de chocolate Lindt 85% de cacau”

3 - “Dois pólens [complemento nutricional], da Forever”

4 - “Um HD removível para backup, na rua Aurora”

5 - Livros de poesia espanhola, traduzidos por Fábio Aristimunho Vargas.“Fui comprando um por dia, à medida que me encantava com o anterior”

6 - Uma placa paralela para impressora de computador

7 - “Máscara para fantasia de palco, para cantar ‘Profissão Ladrão’ na Virada Cultural. Comprei na ladeira Porto Geral”

8 - “Um apito imitando briga de gatos,no Embu”

9 - “Dois calções de banho, para hidroterapia”

10 - “Uma dúzia de soldadinhos de plástico subindo uma colina, um cenário da [artista] Laura Andreato reproduzindo o assédio do Exército ao CPC da Bahia”


(Folha de São Paulo, Caderno Vitrine, 16 de maio de 2009)

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http://juliaeoquati.blogspot.com/2009/06/103.html

eu nunca gostei de James Blunt... achava que a voz dele era meio "miada" e que a música era ruim...

mas esse single me conquistou total, e o clipe é bem bom, fazia tempo que eu não achava um clipe bom... são todos de rappers e mulheres peladas, visualmente explícitos, mas não elaborados... e love love love é um clipe lindo!

I'm not looking for us, and neither should you
absolutely gorgeous
then nothing I say is true
you won't find yourself in these guilty eyes.

'cause I love anybody who's fool enough to believe,
and you're just one of many who broke their heart on me
and so I say I don't love you,
though it kills me.
It's a lie that sets you free

love love love
I can't take your love love love
and so I say I don't love you,
though it kills me.
It's a lie that sets you free

I will wrap my body in other women's arm
make love in a hurry
feel better than I am.
Hope you find yourself in someone else's eyes

'cause I love anybody fool enough to believe,
and you're just one of many who broke their heart on me
and so I say I don't love you,
though it kills me.
It's a lie that sets you free

love love love
I can't take your love love love

and so I say I don't Love you,
'cause I love anybody fool enough to believe,
and you're just one of many who broke their heart on me
and so I say I don't love you,
though it kills me
'cause it's a lie

'cause I love anybody fool enough to believe,
and you're just one of many who broke their heart on me
and so I say I don't love you,
though it kills me.
It's a lie that sets you free

It sets you free

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http://hay-tomates.blogspot.com/2009/04/cest-fini.html


C'est fini. E é assim, com uma gripe forte, uma foto da Brooklyn Bridge tirada in loco no mês passado e umas linhas suicidas do meu queridinho Langston Hughes que anuncio a morte - premeditadíssima, claro! Sou uma mulher de touro com taras por excel e modos menos convencionais de planejar as coisas - desse canteiro. Agradeço a todos, queridos ou não, e digo au revoir, assim, sem lágrimas nos olhos.
Suicide's Note
The calm,
Cool face of the river
Asked me for a kiss.

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Agosto 04, 2009

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http://latrinadasletras.blogspot.com/2009/08/recreio.html


A gente cresce,
Aprende a abotoar a camisa,
E a usar roupa sem cores
Pra viver ao contrário.

Pra sair de casa,
Sapatos desconfortáveis.
Na televisão
Notícias indesejáveis.
Entramos no carro
Pra não sair do lugar.

Por fim, a gente tem que pagar
Pra comer as verduras
E para alguem nos mandar
Diminuir o açúcar.

Vem, me toma pela mão
E vira a vida do avesso.
Traz na noite a infancia,
Como quando mordidas e arranhões
Nos deixavam de castigo
Trancados no quarto
Por horas a fio.

Eu, Homem feito,
volto a ser criança.
Pulando na cama, a gente brinca
E descobre o mundo
Com a boca.

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Agosto 05, 2009

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http://minimae.blogspot.com/2009/07/sonhei-com-meu-pai-e-ele-me-ped

Sonhei com meu pai, e ele me pediu para ficar coberto. Ganhei também um abraço dele, e o abraço me acordou.

Caralho, que saudade...

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http://minimae.blogspot.com/2009/07/voce-tem-tanta-pressa-em-deixar

Você tem tanta pressa
em deixar tudo normal,
que eu estou ficando com medo,
de que nunca tenha sido assim.

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http://minimae.blogspot.com/2009/07/cinema-jantar-cama.html

Cinema, jantar, cama.
Os dias têm muito potencial.

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http://medianeiro.blogspot.com/2009/06/nota-no-estado-de-sao-paulo.htm

O Estado de São Paulo, Caderno 2, p. D6
São Paulo, sábado, 30 de maio de 2009

Coleção de poesia reúne idiomas da Espanha

INEDITISMO: A curiosidade criou a nova coleção da Hedra, editora dedicada ao segmento de livros de bolso. Chamado de Poesia de Espanha, o projeto é feito de quatro antologias - cada uma reúne 30 poemas e custa R$ 15 - com autores que escreveram em castelhano, catalão, galego e basco e que representam diferentes momentos históricos. A coleção começa com a poesia trovadoresca, passa pelo Humanismo, pelo Século de Ouro Valenciano, pela Decadência, pelo Romantismo, pelo Renascer, pelos movimentos de vanguarda, e termina na Guerra Civil (1936-1939). A iniciativa e a tradução foram realizadas por Fábio Aristimunho Vargas, que estudou catalão e basco levado pela curiosidade sobre suas origens ibéricas. Formado em Direito pela USP, Vargas é especialista em estudos bascos pela Fundación Asmoz de Eusko Ikaskuntza e pela Universidad del País Basco. Além do desejo de conhecer, a coleção nasce de uma surpresa. Após procurar sem sucesso, em livrarias e na web, coletâneas traduzidas para o português, Vargas foi atrás de obras com poemas originais nas quatro línguas oficiais da Espanha. Segundo o tradutor, nem lá se deram ao trabalho.

Fonte: site do Estadão (é preciso senha).

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Agosto 06, 2009

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http://medianeiro.blogspot.com/2009/07/no-meu-espelho.html

Poema da série "Pré-datados":




18.06.2049

.............“Agora cabelos negros,
.............Máis tarde cabelos brancos”
....................Rosalía de Castro



No meu espelho
sou eu mais velho.
Ajeito as lentes
e conto os dentes.
Cabelos brancos,
se os tenho, arranco-os?
Penso na morte
só por esporte.



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Agosto 09, 2009

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http://minimae.blogspot.com/2009/08/meu-oufato-anda-bem-melhor-mesm

Meu oufato anda bem melhor mesmo.
Só que agora, parece que seu cheiro não vai embora.
Como você aguenta cheirar assim tão bem?

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http://minimae.blogspot.com/2009/08/eu-sei-que-vou-achar-alguem-pra

Eu sei que vou achar alguém pra colocar no seu lugar.
Vai ser parecida com você em quase tudo,
um pouco menos agressiva,
ou talvez mais.

E queria também alguém que brigasse comigo,
assim, só por esporte.

Queria alguém pra dividir a casa comigo,
e reclamasse do som da guitarra,
mas depois me desse um beijo no pescoço
dizendo que estou tocando muito bem.

Queria beber um pouco menos,
e ter uns dias de luz apagada,
ouvindo música alto com você.

Estou insatisfeito, eu sei,
e eu não gosto de me notar reclamando.
É chato, é estúpido.

Mas faço mal de querer um monte?

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http://minimae.blogspot.com/2009/08/estou-sozinho-em-casa-esquecend

Estou sozinho em casa,
esquecendo tudo pelos cantos.

Estou bem, obrigado,
mas tem essa agonia toda,
essa pressa toda de ser logo
tão bom quanto eu gostaria de ser.

Quanto eu posso ser.

Essa agonia está me matando
de dentro pra fora.

I'm too young to settle for less than what I know to deserve.

Right?

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http://minimae.blogspot.com/2009/08/seja-bom-pras-pessoas-bruno-sej

Seja bom pras pessoas, Bruno, seja bom.
Você é muito intransigente, Bruno, seja bom.
Bom, eu não tenho vocação.

Mas sinto muito a sua falta,
de verdade.

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http://minimae.blogspot.com/2009/08/efetivacao.html

So be careful of what you wish for
'cause you just might get it.

Que adianta conseguir só metade do que eu queria?

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Agosto 11, 2009

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http://minimae.blogspot.com/2009/07/ao-rei.html

Hoje tem especial do Roberto Carlos na Globo. Recomendo que todo mundo assista.

E vocês que me lêem vão ter que me perdoar se não posto nada há séculos. Estou com 2 problemas. Na verdade 3.

(i) Eu "emprestava" internet de um vizinho que era gente boa e não tinha colocado senha ainda. Pois é, quase um ano depois acho que o cara se tocou e meteu uma senha que eu não descobri qual é. Sem internet = sem minimae;

(ii) Eu ando sem muita vontade de beber, então tenho bebido menos e tido menos espasmos de minimae. A falta de álcool estranhamente me deixou menos produtivo em TODAS as áreas da minha vida, inclusive no trabalho; e

(iii) As coisas andam boas e felizes. E eu não quero compartilhar isso com ninguém ainda.

Maaaaaaas, para compensar, vou colocar algumas letras do Rei aqui pra fazer a alegria da galera.

Ana

Todo tempo que eu vivi,
Procurando o meu caminho,
Só cheguei a conclusão
Que eu não vou achar sozinho,

Oh, Ana, Ana, Ana,
Oh oh, oh oh Ana,
Que saudade de você,

Toda essa vida errada
Que eu vivo até agora,
Começou naquele dia,
Quando você foi embora...

Oh Ana, Ana, Ana,
Oh oh oh oh Ana,
Que saudade de você,

Ana eu me lembro com saudade
Do nosso tempo nosso amor nossa alegria,
Agora só te vejo nos meus sonhos
E quando acordo minha vida é tão vazia,

Oh Ana, Ana, Ana,
Oh oh oh oh Ana,
Que saudade de você.

* * *

Só Vou Gostar de Quem Gosta de Mim

De hoje em diante
Vou modificar o meu modo de vida
Naquele instante que você partiu
Destruiu nosso amor
Agora não vou mais chorar
Cansei de esperar
De esperar enfim
E pra começar eu só vou gostar
De quem gosta de mim
Não quero com isso dizer que o amor
Não é bom sentimento
A vida é tão bela
Quando a gente ama e tem um amor
Por isso é que eu vou mudar
Não quero ficar chorando até o fim
E pra não chorar
Eu só vou gostar de quem gosta de mim
Não vai ser fácil eu bem sei
Eu já procurei
Não encontrei meu bem
A vida é assim
Eu falo por mim
Pois eu vivo sem ninguém

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http://minimae.blogspot.com/2009/07/sempre-te-beijo-sorrindo.html

Sempre te beijo sorrindo.
Deve ser você prendendo
toda graça do mundo em mim.

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Agosto 12, 2009

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http://talidomida.blogspot.com/2009/04/agnostico-nem-sim-nem-nao-muito

 


Agnóstico

Nem sim, nem não:
muito pelo contrário

 

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http://talidomida.blogspot.com/2009/03/bamian-fe-move-montanhas.html

 


Bamian

A fé move
montanhas

 

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http://talidomida.blogspot.com/2009/02/cianureto-para-as-dores-da-vida

 


Cianureto

Para as dores da vida,
alívio rápido e prolongado

 

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http://talidomida.blogspot.com/2009/01/united-colors-of-benetton-obama

 


United Colors of Benetton

Obama na
Casa Branca

 

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http://talidomida.blogspot.com/2009/01/psicopata-amar-verbo-defectivo.

 


Psicopata

Amar
verbo defectivo

 

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http://talidomida.blogspot.com/2008/12/socialismo-tupiniquim-welcome-t

 


Socialismo tupiniquim

Welcome to
the Jango

 

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http://talidomida.blogspot.com/2008/04/belas-artes-vai-adolf-ser-guach

 


Belas Artes

Vai, Adolf!
ser guache na vida.

 

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http://talidomida.blogspot.com/2008/04/habemus-papam-mas-ser-o-benedit

 


Habemus papam

Mas será
o Benedito?


19.04.2005

 

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http://talidomida.blogspot.com/2008/02/clich-mond-mond-vast-mond-se-me

 


Clichê

Mond mond vast mond,
se me chamasse garamond, seria um tipo muito batido

 

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http://talidomida.blogspot.com/2007/11/tratar-com-cromwell-procuro-pes

 


Tratar com Cromwell

Procuro pessoa
para montar república

 

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http://talidomida.blogspot.com/2007/09/limpeza-tnica-deixa-muito-mais-

 


Limpeza étnica

Deixa muito mais
branco

 

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Reciclagem de PET

Meu cachorro virou
sabão

 

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Privatização

L'État c'est
toi

 

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http://talidomida.blogspot.com/2007/05/blow-job-desistiu-de-soprar-cas

 


Blow job

Desistiu de soprar casinhas
e foi atrás da chapeuzinho

 

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Atrito

Menino do Rio
calor que provoca arrepio


07.02.2007

 

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e-pístola

de: paulo@yahoo.il
para: corintios@yahoogrupos.gr

 

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http://talidomida.blogspot.com/2006/12/blog-post.html

 


AVC

Freud explica:
isso é coisa da sua cabeça


06.12.2004 - 19h30

 

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Labirinto

Boi da cara preta, pega
esse heleno que tem medo de careta

 

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http://talidomida.blogspot.com/2006/09/blog-post_115966687273892168.ht

 


Polidactilia

Desde pequeno
era cheio de dedos

 

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Hawking

Li Einstein
numa sentada só

 

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Talidomida

Mãe, você pode me dar
uma mãozinha?

 

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Incompetência

Here comes the story of the hurricane
The one the authorities came to blame


29.08.2005

 

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http://talidomida.blogspot.com/2006/09/blog-post_27.html

 


Morando na periferia

Troco asteróide por planeta decadente
Tratar com Pequeno Príncipe


24.08.2006

 

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http://talidomida.blogspot.com/2006/09/blog-post_26.html

 


Antigo ofício

No ócio te resta
o vício do orifício

 

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Arquétipo

Forever jung
I want to be forever jung

 

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http://latrinadasletras.blogspot.com/2009/03/na-tal-penumbra.html


Meia noite, estouros lá fora.
Natal é tempo de brinquedo;
Crianças fazem de conta
Que mesmo de mãos vazias
O bom velhinho ainda vem.
S E M P R E S E N T E
C O M P A I X Ã O

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http://latrinadasletras.blogspot.com/2009/03/despoeta.html


Um sacerdote reza e masturba a alma
Com coroinhas parvos a tocar o órgão
Falo.

O treino inútil pra acertar o passo
Deixa a marca de um esforço repetido
Calo.

Não reconheço o homem do espelho
Que me fita em silêncio
Mudo.

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http://latrinadasletras.blogspot.com/2008/10/cruzamento.html


A injúria, o escarro
No vidro do carro:
Um beijo explode
Atropelado.

Balas nos semáforo;
Mais um sinal vermelho.

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http://latrinadasletras.blogspot.com/2008/10/cosmonautas.html

Voaremos além do teto
e das galáxias pálidas de néon.
Pintaremos um céu de estrelas vivas
Pra fazer do firmamento
Um só poema.
Multicor, UniVerso.

O buraco negro nos seus olhos
Engole toda a luz do mundo.
Me arrasta e me orienta
Rumo ao desconhecido.
-Astrolábios.

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http://latrinadasletras.blogspot.com/2008/10/sopro-do-mar.html

A maresia
Corrói as janelas,
Dissolve as grades,
Põe ao chão as cercas,
Devagar.

De vento em vento,
De sopro em sopro,
Minha casa e seu mundo
Viram uma coisa só.

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http://latrinadasletras.blogspot.com/2008/10/farofa.html


A casa, a comida, a dignidade.
Escondida atrás de grades,
Uma ave de granja
Repousa.

Hoje temos frango assado!

O descaso, a descrença e distância.
De estilingue na mão, a criança
Estraçalha a pomba branca
Que teima em não dar ovos.
Ela pousa.

Hoje temos frango assado!
___________
A tradição, o trabalho, a família.
Um pelicano tolo definha,
Rasga o peito e morre à míngua.
Seus filhos têm sede
De sangue!

Hoje temos frango assado!

A pistola, a esmola, a lata de cola.
Na gaiola da gaiola,
Jaz um frangote apenas.
Um ladrão de galinhas:
Só pena.

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http://latrinadasletras.blogspot.com/2008/10/ready-made-minimae.html



Sociedade Limitada

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http://latrinadasletras.blogspot.com/2008/08/da-vida.html


Vou partir
Se puder
E perder
O pudor
Sem pedir
Seu perdão.

Pra dar pé.
Pra ser deus.
Pra ser pó.

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http://latrinadasletras.blogspot.com/2008/07/desbravador.html

Cabelos entre dedos,
Dedos entre pernas.
Tateando pedras no escuro,
As mãos se queimam, vacilam, recuam,
Ao tocar a brasa viva
Que faz dos lençóis um firmamento.

Na cegueira da noite,
Leio em braile a poesia
De tua pele arrepiada.
Invado teus poemas mais íntimos
E os guardo na ponta da língua.
Não preciso de olhos pra te sentir bem perto;
O bafo quente contra o meu rosto
Traz sussurros atrevidos,
Muito mais sórdidos
Que a tempestade do deserto;
E muito mais meigos
Que a brisa tímida da manhã.
O vapor da tua voz não sacia minha sede.

Eu, que me satisfazia ao navegar seguro
Perdido nas vagas de seus cabelos,
Abandono o navio e mergulho de cabeça
No maremoto de teu corpo revolto.
Eu quero os beijos da sereia!
A areia nos olhos, o sal na garganta.
Só aprende a navegar
Quem desafia o mar em fúria.
Eu quero é me afogar em tua saliva!
O sabor de oceano na boca do náufrago
É o teu suor, que embriaga e reconforta.

Bóia o corpo do nadador da madrugada
Quando o beijo na testa diz que já é dia.
Ela senta na praia e espera
A maré
Perseguir os passos na areia.

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http://latrinadasletras.blogspot.com/2008/07/apresentao.html


Quem sou eu?

Mais um sonho frustrado que se fez carne
E veio para atormentar;
Cutucar as feridas de um mundo pútrido.
Mais uma mosca azulada rodeando tuas chagas.
Sou o berne que te corrói por dentro
Até brotar de tua pele:
Uma borboleta azul profetizando absurdos!

Eis aqui teu poeta alucinado.
Eis aqui teu asco comedido.
Eis aqui teu reflexo
Numa casa de espelhos tortos.
Tua própria repulsa tira o chapéu
E te dá um abraço caloroso.

Seja bem vindo!

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http://latrinadasletras.blogspot.com/2008/06/heresias.html


O pecado santifica.
O fruto proibido alimenta com as delícias
Que um Deus egoísta guardou só para si.
A vista escurecendo mergulha o cego
Num batismal banho de luz.
Os corpos exaustos desfalecem
Ainda cheios de vida.
É a morte às avessas;
O milagre da ressurreição!

O suor, como água benta,
Esparge minha carne herege
E rega as sementes do mal
Plantadas bem fundo no coração.
A alma brota em flor de espinhos
Que me rasgam a pele da nuca
Num arrepio risonho.

O calor do purgatório aquece
Como a lareira na nossa ceia
De vinho tinto e rosas vermelhas.
Os braços abertos em cruz
Ensaiam um abraço divino.
Um amor entre o céu e o inferno
Que casará anjos e demônios
Por muito mais que dois mil anos.

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http://latrinadasletras.blogspot.com/2008/06/quimera.html


Sou lagarto vagaroso
Largado à espera do sol
Desde a primeira hora do dia,
Pra ferver no seu fogo
Meu sangue gélido de réptil.

Sou salamandra
Que chispa nas chamas,
Te chamando pra inflamar comigo;
Crepitando, queimando um por um
Tantos retratos monocromáticos de casais cinzentos.
Nossa história tem todas as cores muito vivas!
Ardentes.
___
Sou camaleão.
Minha pele se perde na tua pele;
Dois tons, duas matizes
Fazendo uma só pintura.
A cor da noite vem vindo
Engolir tudo.
Acorda! a noite vai indo
E deixou nossos corpos inertes pra trás.

Sou presa fácil.
Nem te vejo quando vem
E me puxa de volta.
Me devora num só bote,
Me envolvendo nos encantos
Da cama, leoa!

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http://latrinadasletras.blogspot.com/2008/06/curta-metragem.html

Baixei o filminho da minha vida na internet
Pra não ter que ver só uma vez,
Na hora da minha morte.

Tédio.
Sua história diante dos seus olhos,
Como um pastelão dos anos 30:
Sem nexo. Sem cor. Ação!

"Seria melhor ter ido ver o Pelé..."

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http://latrinadasletras.blogspot.com/2008/06/conto-rural.html


Sentiu-se santo enquanto algo salgado, mas viscoso demais para ser suor, lhe corria da fronte. Agraciado, ainda olhou o céu; o rosto salpicado do próprio sangue, espargido por aquele estranho sacerdote bruto de mãos calejadas a bradir austero a marreta, tal qual os imponentes juízes da capital, a martelar a justiça.

Era um homem bom. Sabia que a piedade do Divino lhe guardava o repouso eterno, narrado nas histórias do vigário. Já se sentia cego ao ver a luz do paraíso que lhe esperava com muita carne, cerveja e anjas de ancas carnudas para apertar; êta divina providência arretada! Já ouvia o céu chamando seu nome quando o chumbo enfim rachou-lhe o crânio uma última vez.

Brito. Era como sempre foi chamado, e foi assim que assinou, em letras tortas, a papelada que lhe apresentaram ao chegar naquelas lavouras maiores que o sertão inteiro. Era um homem simples. Jamais soube, por exemplo, que diabos era o tal “patronímico” que lhe pediram naquele momento. E se não soube, não era devido apenas à complexidade do termo, mas também porque pai nunca teve, nem alguém que lhe ensinasse aquela língua estranha de doutor.

Da sua terra, não trazia mais que uma trouxa de roupa encardida pra vestir e um nome pra ser chamado. Sobrenome não tinha; seu nome vinha sempre seguido de alguma ordem. “Brito, trabalha direito!”, “Brito, pára de enrolar!”, “Brito, infeliz, corta cana que nem homem!”.

Engraçada a nossa mente na hora da morte... Não pensou em tudo que o levara até ali, naquele circo de horror. Não lembrou das reivindicações por melhores condições; não lembrou da união dos lavradores, da greve no campo, nem de como, por fim, afrontaram o patrão. Deste, a única lembrança que tinha era a de seus sonhos febris, nos quais aquele homem corpulento aparecia a cavalo, pisoteando tudo e todos, chamando-o numa amabilidade falsa, com sua voz de trovão: “Vem cá, Brito... Vem cá, Brito! Vem ser imolado...”. Não pensou em nada relacionado às movimentações e tensões que o levaram àquele massacre na plantação, extasiado pelo cheiro de pólvora e açúcar queimado.

Sua última visão é a marreta que vem beijar-lhe a testa, como os lábios da mãe que coloca o filho para dormir. Um baque. O tombo. Algo já lhe empapa a vista. Vem o segundo golpe. Não sente mais medo o homem caído. Não sente nada. Aquela cortina vermelha, o algoz a pregar sua cabeça chata no chão, como um prego, tudo lhe faz lembrar apenas o Barba, com aquela velha bandeira rubra em frangalhos, que ele dizia ter ganhado de presente de “um cabra que veio de longe”. No pano escarlate, se cruzavam uma foice e um martelo mui amarelados, mas que só de olhar se via que já haviam sido brancos como o cerne da mandioca recém-arrancada da terra. O pobre homem guardava aquilo como um talismã, vai entender... Deve estar até agora abraçado àquele trapo.

A loucura cessa. Não há mais gritos na plantação. Os trabalhadores estão mais unidos do que nunca, empilhados e cimentados pelo próprio sangue. Dezenas de tijolos moldados num só bloco, soldados.

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http://latrinadasletras.blogspot.com/2008/06/mente-pequena-do-homem-mdio-um-


A mente pequena
Do homem-médio
É um grande problema...

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http://latrinadasletras.blogspot.com/2008/06/foro-central.html



No rumo da asfixia berrante dos automóveis,
Desembarco bem perto do ponto marcado.
Soam os sinos da catedral;
É hora de apertar o passo.

A elegante coleira de nó duplo
Pende do pescoço
Como a língua de um animal exausto.
A falta de oxigênio no peito e no cérebro
Me bota curvo; caminho cego.
Não quero e não posso olhar ao redor.

Por todo o caminho, loucos praguejando alguma coisa;
Profetas mijados, babando o futuro entre parcos e porcos dentes.
Por todo o caminho, corpos tombados
Pela fome ou pelo porre que tenta matar a fome.
Eu não os veria se não tivesse que desviar:
Evito o tropeço num velho dormindo aqui,
Salto por sobre uma criança caída ali,
Me esquivo do migrante vagando acolá.

Carrego volumes e mais volumes de processos.
Eu lhes estenderia a mão,
Mas elas estão muito ocupadas com a Justiça.
A correria, os despachos, os protocolos...
Os prazos a cumprir...
Primeiro as obrigações;
Filantropia, só depois do jantar!

No rumo dos berros asfixiados dos automóveis,
Embarco para longe do ponto de impacto.
Soam os sinos da catedral;
É hora de lavar as mãos.

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http://latrinadasletras.blogspot.com/2008/06/sono-lento.html


Não consigo dormir;
A madrugada fala comigo.
O vento é verbo:
Sopra friamente, assustadoramente,
Descontroladamente, precipitadamente.
Advento do advérbio
No calar da noite.
Calada, noite!
É tudo psicológico...
Fria mente. Assustadora mente.
Descontrolada mente. Precipitada mente.
A escuridão mente sem falar.

Passo a noite esperando que a noite passe.
Meu cansaço tem dores nos pés e vem se arrastando
Como os cadáveres vivos com quem convivo dia a dia.
Cada vez menos vivos,
Cada vez menos gente e mais bicho,
Puxando carroça e sendo sugado
Por carrapatos de terno e gravata.

Fecho os olhos, quero apagar de vez
Para acordar num mundo menos sombrio.
Sentir, sem ver, um motivo para sorrir.
De olhos cerrados, quero dormir
E sonhar com o amor cego dos morcegos.

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A consciência-mór: Eu.
A consciência morreu.
Da prepotência à insanidade,
Nada de novo apareceu.

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Agosto 14, 2009

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http://medianeiro.blogspot.com/2009/05/resenha-no-le-monde-diplomatiqu

Le Monde Diplomatique Brasil, maio de 2009

FAZ-SE O CAMINHO AO ANDAR


COL. POESIAS DE ESPANHA: DAS ORIGENS À GUERRA CIVIL


Organização e tradução de Fábio Aristimunho Vargas. Hedra


O bom tradutor, assim como o melhor bailarino, é aquele que esconde a ideia de esforço e manifesta sua arte por meio da simplicidade. A nov Coleção Poesias de Espanha contém quatro volumes dessa simplicidade espantosa, divididos conforme as línguas de origem: Poesia espanhola, Poesia catalã, Poesia galega e Poesia basca – do século XII até o marco da Guerra Civil Espanhola, há 70 anos.


Uma coleção organizada com base nas principais línguas da Espanha é inédita, mesmo em castelhano, resquícios talvez da proibição feita até 1975, pelo governo de Franco, às línguas regionais. O tradutor, nascido perto de nossa tríplice fronteira e provavelmente acostumado aos falares castelhanos, guaranis e portugueses em constante tensão, aponta algumas estrelas que brilham nos céus do traçado geográfico espanhol, palmilhando novas constelações e caminhos.


Longe de qualquer monotonia, os poemas são vivos e deliciosos – desde concorridíssimos, como “La aurora” de Federico García Lorca (Aristimunho teve o gostinho de mostrar sua própria tradução) até autores fundamentais menos em voga, como Rosalía de Castro e Lauaxeta, em escolhas tocantes, como “A vaca cega”, de Joan Maragall, e surpreendentes, como a balada “A moça transformada em cervo”, que narra o triste fim da moça feiticeira, morta pelos cães do próprio irmão e servida como iguaria no jantar da família.


A seleção é acompanhada por bons prefácios, guias ortográfico e fonético, assim como notas sobre períodos literários, autores e poemas originais. A revisão é de Miguel Afonso Linhares.


O volume Poesia basca é resultado de pesquisa orientada por Jon Kortazar, catedrático da Universidade do País Basco e Poesia catalã foi premiado pelo instituto catalão Ramon Llull. Talvez dê, sim, para perceber um pouquinho do esforço do caminhante, que faz caminho ao andar.


Ana Rüsche

Escritora


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http://medianeiro.blogspot.com/2009/05/poesias-de-espanha-radio-ufmg-e

Entrevista concedida à jornalista Rosaly Senra, da Rádio UFMG Educativa, em 30/04/09.

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Gazeta do Povo, Caderno G
Curitiba, sábado, 2 de maio de 2009

Resgate do legado espanhol

O paranaense Fábio Aristimunho Vargas traduziu e organizou a primeira antologia das quatro línguas faladas e escritas na Espanha, do século 12 até a Guerra Civil

Publicado em 02/05/2009 | Marcio Renato dos Santos

A Guerra Civil (1936-1939) provocou fraturas, ainda não totalmente cicatrizadas, nos tecidos social e cultural da Espanha. Entre as baixas, não apenas Federico Garcia Lorca (assassinado em 1936), mas muitos outros autores. Não foram poucos os sobreviventes que tiveram de buscar no exílio a única possibilidade para continuar a vida. O fim do confronto, então, não é data para se comemorar. Ao contrário. O general Franco proibiu que se falasse, escrevesse e publicasse em basco, galego e catalão,o que provocou imenso desconforto entre as minorias do país.

Agora, sete décadas depois do encerramento da Guera Civil, um brasileiro, mais especificamente um paranaense, natural de Foz do Iguaçu, organiza a primeira antologia de poesia dos quatro idiomas que pulsam na Espanha – iniciativa inédita em âmbito mundial. Fábio Aristimunho Vargas, de 32 anos, assina a tradução e a organização de quatro títulos publicados pela editora Hedra: Poesia Espanhola, Poesia Basca, Poesia Catalã e Poesia Galega. Ele participa de um debate, que inclui sessão de autógrafos, na próxima segunda-feira, 4 de maio, às 19h30, no Salão Internacional do Livro de Foz do Iguaçu (R. Benjamin Constant – em frente à Fundação Cultural).

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O projeto começou a ser esboçado durante 2002, ano em que Vargas passou temporada na Espanha – ele realizou um curso na Universidade de Salamanca. Lá, constatou que, primeiro, não havia qualquer antologia de poesia nos idiomas falados e escritos no país de Cervantes. Depois, percebeu que o conflito do século 20 seria um limite para a proposta. Daí o subtítulo da coleção: Das Origens à Guerra Civil. As poesias espanhola e catalã tiveram início no século 12. Poetas galegos são conhecidos a partir do século 13. A poesia basca, por sua vez, passou a ser produzida apenas no século 15.

Vargas procurou apresentar ao leitor um painel, o mais amplo possível: cada título tem 30 poemas, de 20 autores – o que totaliza 80 poetas (do século 12 até meados do século 20). Mas o critério foi o seu gosto pessoal. Ele também é poeta, autor do livro Medianeira. “A minha sensibilidade norteou a seleção.” Há, de fato, variedade e muitas informações relevantes. No País Basco, região situada no extremo norte da Espanha, mais do que nascer no local, para ser considerado um “nativo”, é necessário falar a língua. “Entre as línguas a tinham/ como dentre as mais pobres,/ mas agora há de ser/ de todas a mais nobre”, diz um poema, atribuído a Bernat Etxepare, de 1480, que revela a necessidade dos bascos de afirmar o idioma.

O general Franco, ditador que ficou no poder de 1939 até a década de 1970, reprimiu tanto o País Basco, que até ordenava para que fossem raspadas as inscrições em basco registradas em lápides de cemitérios. A respeito dessas nuances, e sobretudo para divulgar essa coleção, Vargas deve falar em Barcelona ainda em 2009. Por hora, de volta a Foz do Iguaçu (ele morou em São Paulo de 1995 até o ano passado), o advogado divide-se entre as demandas do seu escritório, aulas em duas faculdades e muito estudo: tem a meta de vir a ser aprovado na prova do Instituto Rio Branco e, finalmente, ingressar na escola de diplomatas.

Os quatro volumes apresentam estudos introdutórios, que são portas de entrada para entender o contexto em que foram produzidas essas manifestações poéticas. Mas, na realidade, a grande contribuição desse projeto é a disponibilização dos textos nos idiomais originais e na tradução em português – o que viabiliza ao leitor o contato direto com essas manifestações que, por meio de lirismo, tratam de questões atemporais, como amor, ódio, ciúme, morte, perseguição e vida.

Serviço:

Coleção Poesias da Espanha: Das Origens à Guerra Civil. Quatro Volumes (Poesia Espanhola, Poesia Basca, Poesia Catalã e Poesia Galega). Hedra. 150 págs (em média, por edição). Preço médio: R$ 15.

Aniele Nascimento/ Gazeta do Povo
Aniele Nascimento/ Gazeta do Povo / Vargas: o primeiro mapeamento, em âmbito mundial, da produção poética da Espanha
Vargas: o primeiro mapeamento, em âmbito mundial, da produção poética da Espanha

Federico%20Garc%C3%ADa%20Lorca,%20autor%20do%20s%C3%A9culo%2020',%200,%20'../',%20'580',%20'374'%20)">Federico García Lorca, autor do século 20" title=" / “E eu que a levei até o rio/ achando que era donzela,/ mas ela tinha marido./ Foi na noite de Santiago/ e quase por compromisso./ Apagaram-se os lampiões/ e se acenderam os grilos.” Federico García Lorca, autor do século 20"> Federico%20Garc%C3%ADa%20Lorca,%20autor%20do%20s%C3%A9culo%2020',%200,%20'../',%20'580',%20'374')" class="ampliar">Ampliar imagem Autor%20desconhecido,%20do%20s%C3%A9culo%2017',%200,%20'../',%20'580',%20'372'%20)">Autor desconhecido, do século 17" title=" / “A alegria do amor/ que não dura,/ como no campo flores/ se perdem./ Se muito se almeja/ a um favor,/ tão logo lhe há de vir/ algum mal.” Autor desconhecido, do século 17"> Autor%20desconhecido,%20do%20s%C3%A9culo%2017',%200,%20'../',%20'580',%20'372')" class="ampliar">Ampliar imagem Ausi%C3%A0s%20March,%20autor%20do%20s%C3%A9culo%2015',%200,%20'../',%20'580',%20'376'%20)">Ausiàs March, autor do século 15" title=" / “Como o touro ao deserto vai fugido/ se vencido por seu igual, que o força,/ não volta até recuperada a força/ para destruir quem o haja ofendido.” Ausiàs March, autor do século 15"> Ausi%C3%A0s%20March,%20autor%20do%20s%C3%A9culo%2015',%200,%20'../',%20'580',%20'376')" class="ampliar">Ampliar imagem

“E eu que a levei até o rio/ achando que era donzela,/ mas ela tinha marido./ Foi na noite de Santiago/ e quase por compromisso./ Apagaram-se os lampiões/ e se acenderam os grilos.” Federico García Lorca, autor do século 20

“A alegria do amor/ que não dura,/ como no campo flores/ se perdem./ Se muito se almeja/ a um favor,/ tão logo lhe há de vir/ algum mal.” Autor desconhecido, do século 17

“Como o touro ao deserto vai fugido/ se vencido por seu igual, que o força,/ não volta até recuperada a força/ para destruir quem o haja ofendido.” Ausiàs March, autor do século 15


Pero%20da%20Ponte,%20autor%20do%20s%C3%A9culo%2013.',%200,%20'../',%20'580',%20'377'%20)">Pero da Ponte, autor do século 13." title=" / “Se eu pudesse desamar/ a quem só me desamou,/ e pudesse um mal buscar/ a quem mal só me buscou!/ Assim vingaria eu,/ se pudesse mágoas dar/ a quem mágoas só me deu.” Pero da Ponte, autor do século 13."> Pero%20da%20Ponte,%20autor%20do%20s%C3%A9culo%2013.',%200,%20'../',%20'580',%20'377')" class="ampliar">Ampliar imagem Autor%20desconhecido,%20do%20s%C3%A9culo%2017',%200,%20'../',%20'580',%20'372'%20)">Autor desconhecido, do século 17" title=" / “A alegria do amor/ que não dura,/ como no campo flores/ se perdem./ Se muito se almeja/ a um favor,/ tão logo lhe há de vir/ algum mal.” Autor desconhecido, do século 17"> Autor%20desconhecido,%20do%20s%C3%A9culo%2017',%200,%20'../',%20'580',%20'372')" class="ampliar">Ampliar imagem Ausi%C3%A0s%20March,%20autor%20do%20s%C3%A9culo%2015',%200,%20'../',%20'580',%20'376'%20)">Ausiàs March, autor do século 15" title=" / “Como o touro ao deserto vai fugido/ se vencido por seu igual, que o força,/ não volta até recuperada a força/ para destruir quem o haja ofendido.” Ausiàs March, autor do século 15"> Ausi%C3%A0s%20March,%20autor%20do%20s%C3%A9culo%2015',%200,%20'../',%20'580',%20'376')" class="ampliar">Ampliar imagem“E eu que a levei até o rio/ achando que era donzela,/ mas ela tinha marido./ Foi na noite de Santiago/ e quase por compromisso./ Apagaram-se os lampiões/ e se acenderam os grilos.”
Federico García Lorca, autor do século 20

“A alegria do amor/ que não dura,/ como no campo flores/ se perdem./ Se muito se almeja/ a um favor,/ tão logo lhe há de vir/ algum mal.” Autor desconhecido, do século 17

“Como o touro ao deserto vai fugido/ se vencido por seu igual, que o força,/ não volta até recuperada a força/ para destruir quem o haja ofendido.” Ausiàs March, autor do século 15


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Pero%20da%20Ponte,%20autor%20do%20s%C3%A9culo%2013.',%200,%20'../',%20'580',%20'377'%20)">Pero da Ponte, autor do século 13." title=" / “Se eu pudesse desamar/ a quem só me desamou,/ e pudesse um mal buscar/ a quem mal só me buscou!/ Assim vingaria eu,/ se pudesse mágoas dar/ a quem mágoas só me deu.” Pero da Ponte, autor do século 13."> Pero%20da%20Ponte,%20autor%20do%20s%C3%A9culo%2013.',%200,%20'../',%20'580',%20'377')" class="ampliar">Ampliar imagem Federico%20Garc%C3%ADa%20Lorca,%20autor%20do%20s%C3%A9culo%2020',%200,%20'../',%20'580',%20'374'%20)">Federico García Lorca, autor do século 20" title=" / “E eu que a levei até o rio/ achando que era donzela,/ mas ela tinha marido./ Foi na noite de Santiago/ e quase por compromisso./ Apagaram-se os lampiões/ e se acenderam os grilos.” Federico García Lorca, autor do século 20"> Federico%20Garc%C3%ADa%20Lorca,%20autor%20do%20s%C3%A9culo%2020',%200,%20'../',%20'580',%20'374')" class="ampliar">Ampliar imagem

“Se eu pudesse desamar/ a quem só me desamou,/ e pudesse um mal buscar/ a quem mal só me buscou!/ Assim vingaria eu,/ se pudesse mágoas dar/ a quem mágoas só me deu.” Pero da Ponte, autor do século 13.

“E eu que a levei até o rio/ achando que era donzela,/ mas ela tinha marido./ Foi na noite de Santiago/ e quase por compromisso./ Apagaram-se os lampiões/ e se acenderam os grilos.” Federico García Lorca, autor do século 20

“A alegria do amor/ que não dura,/ como no campo flores/ se perdem./ Se muito se almeja/ a um favor,/ tão logo lhe há de vir/ algum mal.”
Autor desconhecido, do século 17

“Como o touro ao deserto vai fugido/ se vencido por seu igual, que o força,/ não volta até recuperada a força/ para destruir quem o haja ofendido.” Ausiàs March, autor do século 15


Pero%20da%20Ponte,%20autor%20do%20s%C3%A9culo%2013.',%200,%20'../',%20'580',%20'377'%20)">Pero da Ponte, autor do século 13." title=" / “Se eu pudesse desamar/ a quem só me desamou,/ e pudesse um mal buscar/ a quem mal só me buscou!/ Assim vingaria eu,/ se pudesse mágoas dar/ a quem mágoas só me deu.” Pero da Ponte, autor do século 13."> Pero%20da%20Ponte,%20autor%20do%20s%C3%A9culo%2013.',%200,%20'../',%20'580',%20'377')" class="ampliar">Ampliar imagem Federico%20Garc%C3%ADa%20Lorca,%20autor%20do%20s%C3%A9culo%2020',%200,%20'../',%20'580',%20'374'%20)">Federico García Lorca, autor do século 20" title=" / “E eu que a levei até o rio/ achando que era donzela,/ mas ela tinha marido./ Foi na noite de Santiago/ e quase por compromisso./ Apagaram-se os lampiões/ e se acenderam os grilos.” Federico García Lorca, autor do século 20"> Federico%20Garc%C3%ADa%20Lorca,%20autor%20do%20s%C3%A9culo%2020',%200,%20'../',%20'580',%20'374')" class="ampliar">Ampliar imagem Autor%20desconhecido,%20do%20s%C3%A9culo%2017',%200,%20'../',%20'580',%20'372'%20)">Autor desconhecido, do século 17" title=" / “A alegria do amor/ que não dura,/ como no campo flores/ se perdem./ Se muito se almeja/ a um favor,/ tão logo lhe há de vir/ algum mal.” Autor desconhecido, do século 17"> Autor%20desconhecido,%20do%20s%C3%A9culo%2017',%200,%20'../',%20'580',%20'372')" class="ampliar">Ampliar imagem

“Se eu pudesse desamar/ a quem só me desamou,/ e pudesse um mal buscar/ a quem mal só me buscou!/ Assim vingaria eu,/ se pudesse mágoas dar/ a quem mágoas só me deu.” Pero da Ponte, autor do século 13.

“E eu que a levei até o rio/ achando que era donzela,/ mas ela tinha marido./ Foi na noite de Santiago/ e quase por compromisso./ Apagaram-se os lampiões/ e se acenderam os grilos.” Federico García Lorca, autor do século 20

“A alegria do amor/ que não dura,/ como no campo flores/ se perdem./ Se muito se almeja/ a um favor,/ tão logo lhe há de vir/ algum mal.” Autor desconhecido, do século 17



Fonte: site da Gazeta do Povo.

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http://medianeiro.blogspot.com/2009/02/as-5-pessoas-mais-influentes-da

Recentemente participei com uns amigos da Academia de Letras de uma enquete por e-mail que propunha eleger "as cinco pessoas mais influentes da História". Cada um votava em cinco nomes e no final os votos eram pesados e contabilizados, tendo-se chegado a uma lista de mais de 30 nomes em ordem de importância. Essa lista, que diz mais a respeito de nós mesmos do que dos nossos eleitos, chegou ao seguinte resultado:

Jesus - Maomé - Marx - Moisés - Hitler

São estas, para nós participantes da votação, as cinco pessoas mais influentes da História. Reproduzo agora alguns dos meus comentários desconstrutivistas, no sentido de Derrida, a respeito dessa relação:

- Quanto às origens, 3 vieram do Oriente Médio e 2 da Europa Central.

- Quanto à língua materna, 1 provavelmente falava egípcio e hebraico, 1 falava aramaico, 1 falava árabe e 2 falavam alemão.

- Etnicamente, são 3 judeus, 1 árabe e 1 germânico (ou 4 semitas e 1 anti-semita).

- Cronologicamente estão bem distribuídos: um de c. do séc. XV a.C., um do séc. I, um do séc. VI / VII, um do séc. XIX e um do séc. XX.

- Quanto à auto-imagem que ostentam em suas respectivas doutrinas, são 2 profetas, 1 filho de Deus, 1 intelectual revolucionário e 1 führer.

- Com relação à religião, são 3 fundadores de religiões monoteístas contra 1 ateu e 1 católico seguidor de crenças ocultistas germânicas pintado como ateu.

- Politicamente, são 3 homens "práticos" (Maomé, Moisés, Hitler) contra 2 "teóricos" (Jesus, Marx).

- Quanto à natureza de suas ideias, são 3 místicos, 1 racionalista e 1 irracionalista, no sentido espinosiano.

- Quanto à divulgação de suas ideias, 2 tiveram seu pensamento conhecido e difundido por meio escrito graças ao trabalho de outros, enquanto 3 redigiram a própria obra.

- Quanto à profissão, um era carpinteiro; outro era mercador; outro era jornalista escritor; outro foi príncipe e depois pastor; outro foi pintor, militar e estadista.

- Quanto ao nascimento, um nasceu de uma virgem; outro nasceu de uma família de mercadores; outro nasceu de uma família judia de classe média; outro permaneceu oculto após o nascimento e foi lançado à deriva num rio dentro de uma cesta até ser encontrado por uma princesa; outro ocultou suas origens humildes e controvertidas.

- Quanto à morte, um morreu crucificado aos 33 anos de idade; outro morreu aos 63 após uma breve enfermidade; outro morreu aos 64 e foi enterrado como apátrida; outro morreu aos 120 anos após contemplar a terra de Canaã; outro se suicidou aos 56 na iminência de perder uma guerra.

- Quanto ao feito mais marcante, um ressuscitou ao terceiro dia e ascendeu aos céus; outro unificou tribos mutuamente hostis e formou um império; outro escreveu uma obra capital; outro dividiu as águas de um mar; outro foi responsável direto por uma guerra mundial.

- São 5 homens e nenhuma mulher.

E para você, quem são as cinco pessoas mais influentes da História?

Vote já!


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http://juliaeoquati.blogspot.com/2009/03/100.html

este é o centésimo post do blog, que anda abandonado... vamos ver se, com o centenário, a gente resgata isso aqui.

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http://juliaeoquati.blogspot.com/2009/03/empoeirado_24.html

torpor

desperta no ímpeto planejado
crueldade das palavra que se espalham com o vento
vento fogo folha seca queima

eu trago à tona o pior em você, sem saber, esperando que cada letra não se torne mais
uma arma contra mim

cada elo contaminado doentiamente
fui eu que incubei

desespera-se o silêncio, imploro para que o universo para de se expandir
mas o universo continua se expandindo
e eu já não posso mais impedi-lo

todos se sujam
já não há mais vacina
só o imprestável desperta

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http://juliaeoquati.blogspot.com/2009/03/empoeirado.html

amory se deu conta de que seus interesses estavam ligados aos interesses de uma certa pessoa, mutável, variável, cujo rótulo, a fim de que seu passado sempre pudesse ser identificado com ele, era Amory Blaine.
ele caracterizava-se como um jovem de sorte, capaz de infinita capacidade para o bem e para o mal.
não se considerava uma "personalidade forte", mas confiava em sua facilidade (aprender coisas com rapidez) e em sua mentalidade superior (ler uma porção de livros profundos).
orgulhava-o o fato de que jamais poderia vir a ser um gênio da mecânica ou da ciência.
não lhe era impossível galgar qualquer outra atitude.


F. S. Fitzgerald - Este Lado do Paraíso

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http://juliaeoquati.blogspot.com/2008/11/elsa.html

They called her Elsa, even though it wasn't her real name. At school, on the first day, our previous teacher tried to teach us how to correctly say, in the german accent, Helga. But all the children in the class could only produce vaguely similar sounds, and she settled for Elsa. Helga wasn't too thrilled to have moved here from Europe, and also to have her name changed by a bunch of 7 year-old-children. We'll keep calling her Elsa, afterall, hard habits... die old.

The principle had decided that learning Spanish was too average-like for our forward and progressive school program, so she introduced German and French as foreign optional languages. Untill this day, i have no idea whay 7 year-old-children would be interested in learning, in the most stupid way ever, Bonjour or Guttentag, needless to say these were subjects in which everyone got B's or A's and for them were able to convince daddy (ten years latter, of course) that it was a brilliant idea to spend a summer in France, to perfeccionate the language they had so passionately studied as a child!

At the time we left middle-school, we had learned nothing but greetings, days of the week, numbers, seasons, directions and classic oral constructions that could serve us to not starve, to find some place; and most importantly a) where's the toilet and b) dou you accept credit card? Despite the poor didatics and the low level of progress in the foreing languages department, fun was guaranteed in Elsa's classes.

She was a large fortyish german with pink skin and light yellow hair that looked as if it had never been touched by a brush. She also sweated a lot and had some sorte of compulsive disorder about organization.

Every Wednesday, at 9 sharp, she would enter the room and wait untill we rearrenged the desks (yes, she drew a little map and made copies for the whole class to know her sitting arrangements). Then, at 9h05 she would play the Guttentag, Guttenmorgen, Guttenwhatever song. During the first time she played it, we were just supposed to listen. The second round, we had to sing aloud during the chorous, when she smartly dimmed down the radio. By the fifth round, already halfway through class' time, we were singing without the old tape recorder, with different voices and tones, as a real choir would. She even taught us moves to match some parts of the song, which were actually helpful, since we only understood the Guttenmorgen, Guttenmorgen, Guttentag! part of the song. The rest was almost like learning German in Libras.

The last half of our productive class was all about writting. We made up words for about twenty minutes and spent lhe las fun moments watching Elsas's mania in organizing her collection of porcelan cats, dogs, turtles, owls, frogs, and all sorts of species. Each class she organized the antiques by a different criteria. One week would be Darwin, another week, Lamarck; and yet another week, by their colour pallets. Very amusing.

Anyway, Elsa really liked summertime, when she'd put on a two-piece bikini and show off her very white and voluptous figure. I remember on fild trip to the Water Park outside the city, the wholw school was there. Elsa was wearing a new pair, red thongs... A bit scary for the children, funny for the staff and embarassing for the other teachers. We could see the blond and curly hair around her bottom part and under her arm pitts. She wasn't too careful when it came to looks.

Night came and we had to go back home. But Elsa wasn't feeling too well, she had a fever, was sweating, shanking, really sick. The headmaster decided to make a pit stop at the ER before going back to school, where our parents waited for us. We're all curious to know what had taken our German Teacher down.

She left, went in the hospital, was there for 20 minutes and came back, very timidly, saying it was all okay. We were delivered ack to our families and a few months passed before we discovered what had made Elsa sick. Another teacher, at a Xmas' party, drank too much eggnog and spilled out the beans: she had forgotten a tampon, an internal woman's menstrual pad, inside, for two months. It had gotten so bad, she developed an infection, and had to take antibiotics for a long time.

Elsa never new all the students had found out about her little oblivion, but nobody never, ever, dared to get closer to her...

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http://juliaeoquati.blogspot.com/2008/09/dj-vu.html

"Julia is a teenage dreamer girl that discovers the magic of poetry. As literature grows inside her, the world around her tries to put her feet on the ground. Her only friends are a strange guy called Francis and her journal. Together, they start living in fantasy world, perfect, painless..."

Isso é a sinopse de um curta brasileiro chamado "O Diário de Julia", do Rafael Fracacio

Except from Francis, this is basically the story of my life... How weird is that?

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http://juliaeoquati.blogspot.com/2008/09/family-autopsy-parte-1.html

Helena era uma criança mirrada, aquelas pra quem as mães preparariam língua ou bifes de fígado. Se fosse hoje, dariam achocolatados feitos especialmente para que seu filho tenha fome de.... urso. Mas, nos anos 50, o que se usava mesmo era uma bela mamadeira cheia de leite, ovos crus e açúcar, do jeitinho que qualquer criança a-do-ra. E a gente fala das cicatrizes que nossos pais nos causam, achando os nossos avós adoráveis. Não foi a primeira nem a última filha; não era a mais bonita, mas também não era feia; nem a mais inteligente era. Helena chegou ao mundo já atrás no placar que a gente mantém com a vida, como se fadada a uma mediocridade de horóscopo. Estava sempre em terceiro lugar, medalha de bronze.


Como toda criança comum, Helena não se lembra de seus primeiros aniversários. Mas não vai se esquecer nunca do 7º, já que seu irmão mais novo nasceu 20 dias antes dele. A comoção familiar denunciava todo o descaso com uma terceira filha, que só por ser filha, já vinha em desvantagem. Como aqueles produtos que compramos em outlets: com a costura defeituosa ou uma pequena manchinha que derrubam o preço pela metade e que, por isso, sempre ficam num lugar de menor destaque no guarda-roupas. Helena era uma calça de barra malfeita.


Rafael, por outro lado, chegou já com o reinado pronto para a coroação. Tanto fez no parto que deixou a mãe de cama por um mês. Com 2 anos, algum charlatão decidiu que deveriam retirar suas amídalas. A cirurgia foi tão bem feita que o excesso de anestesia o deixou molhando a cama até os 10 anos de idade. Nada mais simbólico. Toda noite a mesma novela se repetia, por anos: ele se levantava e ia até a “babá”/ “empregada”, que pacientemente trocava-lhe o pijama, os lençóis e o acolhia na cama. Às vezes dizia para a mãe, que acordava impaciente: “mas mãe, foi só uma rodinha!”, olhando discaradamente para uma poça amarela que secava no calor de setembro.


Era também folgado, preguiçoso e malandro. Daquelas crianças que aprontam e têm a cara de anjo caído. Negava tudo até a morte, mas todo mundo bem sabia o que Rafael fazia.


Pois no aniversário da irmã, com 20 dias, ele já mostrou para quê tinha nascido. A mãe, ainda de resguardo, se lamuriava na cama, enfornada num quarto escuro e abafado. As aleluias rondavam e deixavam suas asas num cemitério nojento que se formava no chão. O “parabéns pra você” tinha trilha sonora das cordas vocais de Rafael, que incessantemente berrava. E o pai só reclamava que tinha que voltar pra loja. Uma cena quase fúnebre. Helena comemorou seus sete anos aos pés da cama da mãe que dizia estar à beira da morte, ao lado do irmão histérico e do pai ríspido que só queria mesmo acabar logo com aquilo.


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http://juliaeoquati.blogspot.com/2008/09/quando-o-seu-ideal-de-parceiro.

Quando o seu ideal de parceiro masculino parece cada vez mais com um super-herói e menos com um humano, talvez seja a hora de rever os seus conceitos, avaliando o que você realmente precisa num homem, ao invés do que você deseja.

Meu horóscopo tá brincando comigo, né?
Nêgo vem falar de reavaliar o que eu procuro num homem? Filho, se balança mas fica em pé, a gente aceita...

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http://juliaeoquati.blogspot.com/2008/09/info.html

post removido por motivos de força menor.

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http://juliaeoquati.blogspot.com/2008/09/faubourg-saint-denis-et-tu-tais

Faubourg Saint-Denis

et tu étais admise bien sur
tu as quitté boston pour aménager à Paris
un petit apartement dans la rue de Faubourg Saint-Denis
je t'ai montré notre quartier
mes bars, mon école
je t'ai présenté à mes amis, à mes parents
j'ai écouté les textes que tu répétais
tes chantes, tes espoirs, tes désirs, ta musique
tu écoutais la mienne
mon italian, mon allemand,
mes brics de russe
je t'ai donné un walkmand
tu m'as offert un oreiller
et un jour, tu m'as embrassé
le temps passait, le temps filait
et tous parait si facile
si simple, libre, si nouveau et si unique
on allait au cinéma
on allait danser
faire des courses
on riait, tu pleurais,
on nageait, on fumait, on se rasait
de temps en autre tu criais
sans aucune raison, ou avec raison parfois
oui, avec raison parfois
je t'accompagnais au conservatoire
je révisais mes éxamens
j'écoutais tes exercices de chant
tes espoirs, tes désirs, ta musique
tu écoutais la mienne
nous étions proches, si proches
toujours plus proche
nous allions au cinéma,
nous allions nager, rions ensemble
tu criais
avec une raison parfois
et parfois sans
le temps passait
le temps filait
je t'accompagnais au conservatoire
je révisais mes examens
tu m'écutais parler italien, allemand, russe, français
je révisais mes examens
tu criais
parfois avec raison
le temps passait, sans raison
tu criais, sans raison
je révisais mes examens
mes examens, mes examens, mes examens
le temps passait
tu criais, tu criais, tu criais
j'allais au cinéma
(il pleure et dit "pardone-moi, Francine")
...

Thomas, are you listening to me?
No, I see you.

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http://juliaeoquati.blogspot.com/2008/09/um-beijo-roubado.html

Acabei de assistir "My Blueberry Nights" do Wong Kar Wai, achei maravilhoso. Um filme muito sensível, apesar de uns poucos clichês. Um filme belo e simples, apesar dos stars hollywoodianos. Uma trilha sonora fantástica. Um filme para esboçar sorrisos e deixar os olhos lacrimosos.

Wong Kar Wai é o mesmo diretor do último segmento do "Eros", último filme do Michelangelo Antonioni (filme que também tem um segmento dirigido pelo Soderbergh, que eu não sei o porque foi escolhido, mas...). A primera parte do filme se chama "Il filo pericoloso delle cose" ou, no meu italiano macarrônico, o fio perigoso das coisas.

A parte do Soderbergh, bem sem graça e desnecessária, chama-se Equilibrium, e apesar de um elenco notável (Alan Arkin como um psicólogo bizarro e Roberto Downey Jr. como o paciente inquieto), causa bem uma vontade de ir embora do cinema. Acho que porque deve ter se esquecido de fazer o roteiro deste terço do filme e o Steven resolveru improvisar, hehe.

O trecho final é intitulado "The Hand", e conta a história de um alfaiate pobre e humilde que se apaixona por uma concubina. Ele faz vestidos, um mais bonito que o outro, para ela, de graça. Ele assume a tecelagem, vai enriquecendo, enquanto ela se torna cada vez mais pobre, até ficar doente. É também um filme sensível e belo, e eu vi muitas semelhanças com "Um Beijo Roubado".

A tradução do título para o português, como sempre, deixa a desejar. Mas eu adorei assistir esse filme. Não queria que acabasse! Para não escrever nenhum spoiler, falo só da minha cena preferida.

Lizzie, depois de sair de NY e ir até Memphis, Tennessee (god knows why), trabalha num Diner durante o dia e num bar à noite. Ela foge de NY porque foi deixada pelo namorado, que a trocou por outra. Ela sai em busca de algo que nem ela mesma sabe. Servindo no bar, conhece Arnie, um poilicial alcoólatra que bebe todas as noites pelo desgosto de ter sido deixado pela esposa. Lizzie simpatiza (e empatiza, claramente) com ele imediatamente. Uma bela noite, A tal ex-mulher, lindamente encenada pela Rachel Weisz, entra no bar para ir ao banheiro, e Arnie fica desconcertado no seu banquinho, olhando pela janela para o novo jovem namorado dela.

Numa outra noite, Arnie já mais do que bêbado, dá uma surra no tal namoradinho da Sue Lynne (sim, esse é o horroroso nome dela). Ela volta ao bar, enfurecida, gritando e xingando o ex-marido. Caçoa dele e se vira para ir embora, quando ele saca sua arma. Arnie diz que se ela se for, ele vai matá-la, no que ela responde "what are you gonna do? It's over!" e vai embora, denxando-o prostrado com a arma em punho.

Já numa terceira noite, Arnie sai do bar, dizendo para Lizzie que não precisava mais das suas fichas do A.A., que ele havia esquecido. Sai do bar e enfia seu carro num poste. "Disseram que foi um acidente. Que ele não conseguia ver a rua direito e acabou se descontrolando e batendo no poste." But we all know better.

Na noite seguinte, Sue Lynne entra no bar meio fora de si, todos olham para ela como se fosse culpa dela, inclusive Lizzie. Ela se senta no mesmo banquinho do ex-marido e pede uma vodka. Se vira para Lizzie que a está servindo, e diz: "This is my first drink in six years". E aí vemos que ela não abandonou o Arnie à toa não. Ninguém nesse mundo é tão inocente assim. Ela fica bêbada e na hora de ir embora, o dono do bar dá a conta do Arnie para Sue Lynne pagar. São meses de pedidos fiados, quase 800 dólares. Ela fica puta da vida, xinga, esperneia, chora. Lizzie sai atrás dela na rua, para encontrá-la sentada em frente ao local do acidente.

Chorando, ela diz que havia conhecido Arnie bem ali, quando ele havia perguntado para ela se estava dirigindo embriagada. "Quem diria que eu iria me apaixonar por um policial?". Mas que ele era tão louco por ela que ela estava se sufocando, e que toda noite eles bebiam para reencontrar o amor perdido. Mas que na manhã seguinte, alguma coisa continuava errada. Sempre. Até que ela o deixou. E ela desejava que ele morresse todos os dias, para que pudesse ser deixada em paz. E que, agora que ele tinha ido mesmo, ela sentia a maior dor do mundo.

Lizzie não diz nada, apenas ouve as confissões daquela "ex-viúva", tão perdida, tão machucada. E abraça Sue Lynne de um jeito muito carinhoso e reconfortante. Fiquei pensando o sentido dessa cena. Sue Lynne era exatamente igual ao ex-namorado de Lizzie. Ela abandonou o marido e arranjou outro, mesmo o Arnie sendo louco por ela. Elizabeth também não conseguia se imaginar vivendo sem o namorado (ela diz exatamente isso no começo do filme), e ele, ainda assim, a pretere por outra mulher.

Na verdade, ela está abraçando alguém exatamente igual a quem a fez sofrer, numa ironia tão crua, e ao mesmo tempo tão verdadeira. Num momento em que ela poderia abstratamente se vingar dos "traidores" do mundo, ela entende, silenciosamente, que as pessoas também têm suas razões para fazer as coisas. Bons ou ruins, cada um tem seus motivos. E no fim, não há certo ou errado, o lado do mocinho e da bandida. Todo mundo tá aí na vida "screwing up other people".

Essa seqüência no filme é tão bonita, tão profunda. Fiquei muito mexida com tudo. Fique pensando se teria a bondade de consolar alguém como Sue Lynne. Se conseguiria ser "magnânima" (por falta de outra palavra) daquele jeito. Se veria as coisas claramente como vejo agora. Fuck. Todo mundo erra, e a gente fica passing judgement sobre cada tropecinho alheio. E eu odeio que fiquem me julgando. Tenho sempre uma justificativa, um desculpa para cada escorrego. Don't others have them too?

Esse filme não tem nada a ver com encontrar o amor verdadeiro, ou encontrar amor em geral. Não tem nada a ver com a história de um casal, não tem nada a vez com casais. It's just fucking human life, wether you like it or not. 'Cause you don't really have a choice but to change!

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http://juliaeoquati.blogspot.com/2008/09/veja-sp.html

A capa da Vejinha dessa semana está mais que ridícula. Putz, tá faltando pauta pra esses jornalistas da Abril, né?

O Desafio dos 30 Reais é a "headline", e o subtítulo traz algo como "personalidades paulistanas garimpam produtos e serviços bacanas com pouco dinheiro no bolso". Poxa, como se 30 mangos fosse pouco! Tem gente que passa uma semana inteira comendo com essa grana, ou menos! E eles vêm com gracinha de desafio para famosos que fazem vestidos de R$4.000,00 e refeições a partir de R$300,00...

Poxa, por que não colocam alguém quem nem 30 paus tem pra ver o que ele compra? A Galisteu tem uma coleção de 1200 biquinis e gastou o "dinheirinho" dela em... mais um par. O pior é que ela gastou a maior parte do dinheiro na tanga do biquini, e na parte de cima, ela amarrou 2 bandanas. Poxa, apelou né, desde quando isso é bacana? Isso é mais adaptação de pobre na praia que 'estilo' minha filha...

Outra que me tirou do sério foi a Constanza Pascolato. Ela comprou um par de óculos escuros num brechó, 20 conto... Mas aí ela recomenda que troquem a lente para garantir que não fará mal aos olhos. Poxa, trapaceou legal. Quanto ficam lentes escuras novas na ótica do Iguatemi? R$30,00 my ass...

Por fim, a Julia Petit, que comprou calcinha e soutien nas Americanas. Poxa, certeza que com 30 contos dá pra comprar coisa bem melhor. E se ela tá precisando de underwear, vai no depósito São Jorge na 25 de maio, né? Pelo menos a qualidade é melhor...

Putz, por que é que eu ainda leio a veja mesmo?

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http://juliaeoquati.blogspot.com/2008/08/se-voc-no-quiser-se-rebaixar-eu

"se você não quiser se rebaixar, eu não tenho problema nenhum em fazer por você"...

uma conversa de MSN qualquer........


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Fui na pré-estréia de 'Blindness', do Fernando Meirelles, ontem. Adentrei o mundo de Caras com uma coca-cola na mão, recusei a pipoca gratuita, esbarrei no Daniel Oliveira na entrada da sala, e mergulhei na cegueira branca do cinema. Acompanhada do Thi, do ECINE (lá da Secretaria de Cultura), foram quase três horas de visualização de um dos melhores livros que eu já li.

Provavelmente vai-se dizer muito que o filme estava aquém das expectativas, seja porque não quebrou o paradigma do cinema brasileiro de novo, como já tinha acontecido com 'Cidade de Deus', seja porque o livro não foi tão bem retratado quanto esperavam.

Eu fiquei agradavelmente surpresa com o Ensaio Sobre a Cegueira na tela. Primeiro, porque sou bem contrária ao clichê "uma imagem vale mais que mil palavras". Acho que no caso do cinema, as imagens estão sempre tentando alcançar as palavras espalhadas pelo papel. Isso porque, quando adapta-se um livro, mesmo que curto, é muito difícil reproduzir as páginas de uma história em cenas de segundos.

Por exemplo, toda a reflexão do Saramago sobre a cegueira e a natureza humana que se revela com essa epidemia inexplicável, toda a "filosofação" que se desenvolve no livro, não é bem trazida pro filme. Acho que iria ser um filme extremamente chato se não se prendesse mais à história do que à filosofia. Não que não haja questionamentos, nem pontos profundos. Mas o "overall" é mais raso e linear.

Em segundo lugar, todo roteiro adaptado é um desafio. As pessoas todas têm na sua cabeça como deveriam ser os personagens, os lugares, o ritmo de narração. Esse até foi um defeito, acabou ficando meio corrido... Mas visualmente o Meirelles inovou de novo. São vários takes, sem exagero, na medida certa, sem foco, no escuro, ou com muita luz. Provocam sensaçoes físicas na platéia. Temos um pequeno gostinho do que os personagens estão passando.

Claro que nem tudo são flores. Me desgostou um pouco o Gael como rei da Ala 3 (ou Camarata 3), já que na minha cabeça ele seria uma figura horrenda, daquelas que só de olhar temos náusea. Não seria lindo nem tão educado, não seria o Gael. A Julianne Moore (que estava ontem lá, ui!) também nem foi taaanto o que eu esperava. O Mark Ruffalo, por outro lado, tava super bem. A angústia dele parecia de quem estava de verdade passando por aquilo. E a Alice Braga achei bem ruinzinha...

Sobre a fotografia, achei perfeita. Não acho que mudaria nada. Foi bem fantástico ver a mudança de cenas filmadas em cidades diferentes formando um único lugar não-identificável, que poderia ser Paris, França ou Bahia (como diria minha mãe). A Direção também, obviamente, é fantástica. Gostei como exploraram todo o jogo de luzes e sombras, bem diferente. A parte da Direção de Arte, por outro lado, poderia ter arriscado mais, e sujado mais as locações. Nisso concordo com o Thi, acho que no livro tudo é bem mais sujo e nojento...

Por fim, como leiga total, dou nota 8 pro filme. Muito bom, three thumbs up.

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http://juliaeoquati.blogspot.com/2008/08/beautiful-mess.html




















far far, there's this little girl
she was praying for something to happen to her
everyday she writes words and more words
just to speak out the thoughts that keep floating inside
and she's strong when the dreams come cos' they
take her, cover her, they are all over
the reality looks far now, but don't go

how can you stay outside?
there's a beautiful mess inside
how can you stay outside?
there's a beautiful mess inside
oh oh oh oh

far far, there's this little girl
she was praying for something good to happen to her
from time to time there're colors and shapes
dazeling her eyes, tickeling her hands
they invent her a new world with
oil skies and aquarel rivers
but don't you run away already
please don't go oh oh

how can you stay outside?
there's a beautiful mess inside
how an you stay outside?
there's a beautiful mess inside
take a deep breath and dive
there's a beautiful mess inside
how can you stay outside?
There's a beautiful mess
beautiful mess inside

oh beautiful, beautiful

far far there's this little girl
she was praying for something big to happen to her
every night she ears beautiful strange music
it's everywhere there's nowhere to hide
but if it fades she begs
"oh lord don't take it from me, don't take it yourselves"

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http://juliaeoquati.blogspot.com/2008/08/someecards.html
















totally inspired by Pinheiro Neto Advogados...

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http://juliaeoquati.blogspot.com/2008/08/culpada-pela-barriga-proeminent

a culpada pela barriga proeminente é a cerveja
e pela impotência, a mulher

pelas artérias entupidas, a manteiga
e pelas safenas, a mulher

pelo enfisema pulmonar, o cigarro
pela falta de ar, a mulher

maridos são sempre inocentes

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http://juliaeoquati.blogspot.com/2008/08/torpeza.html

torpor


desperta maldade ímpeto planejado
desperta crueldade com palavras que se espalham com vento fogo folha
seca
queimada

trago à tona o pior em você e faço isso sem saber, esperando que cada letra não se torne mais uma arma contra mim

cada elo se contamina doentiamente, e o vírus
fui eu que incubei
selvageria

tremo salgada e silencio para que o universo pare de se expandir
mas o universo continua se expandindo
e eu já não posso mais impedi-lo

todos se sujam, inofensivamente, e a doença
fui eu que passei
brutalidade

surto irrupção epidemia
só o imprestável acorda
e eu já não tenho mais vacina



quem provoca o vento, não sobrevive para ver a tempestade

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http://juliaeoquati.blogspot.com/2008/08/da-tristeza-e-dos-insultos.html

É difícil se sentir injuriada e não poder se defender. Me lembro de um texto do Jhering, "A Luta pelo Direito". Sei que o juridiquês estava banido deste blog, mas este texto é especialmete importante para mim e creio que é bem importante conhecê-lo. Fiz um trabalho sobre ele, e como epígrafe coloquei trecho do poeta Eduardo Alves da Costa:

Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor
do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não escondem;
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz, e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.


Depois de reler o poema, escrevi isso...


Eu não quero que sinta pena ou raiva ou qualquer outra coisa. Quero somente que me leia com o coração aberto.

Fiquei preocupada, nervosa, aliviada. Não a quero mal, muito pelo contrário.

Escrevi num momento de ódio. Não disse nada sobre ela. A outra, sim, estava muito triste (e eu também, afinal, era meu amigo).

Não pedi que o ignorassem. Nada tinha que ver com o problema. Mas decidiram me chamar de tudo de ruim que há no mundo. Porque eu tentei protegê-la.

Ninguém esperou o ônibus partir. E não foi culpa minha.

Nunca xinguei ninguém. Nem insultei ninguém. Não chamei ninguém de amendoim ou cachorro. Foi tudo muito baixo, e se alguém tem que estar triste, sou eu. Sei que não mereço. Sei que fizemos o nosso melhor.

Me disseram que não devemos nos esquecer dos que estão a nossa volta. E foi exatamente o que eu fiz. Fiz para que não nos esquecêssemos de protegê-la.

Sinto muito que tudo chegou a esse ponto. Pensei que havia respeito humano entre nós, mas estava errada. Eu os respeitei, mas fui desrespeitada. E isso dói muito

Tristeza nem começa a descrever o que sinto agora.

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http://juliaeoquati.blogspot.com/2008/08/rise-from-dead.html

No, just from the ICU...

O blog ainda não morreu... ainda. Se bem que esteve correndo risco de morte nos últimos meses né? Isso que dá trabalhar por um salário ridículo.

Voltando ao objetivo do blog, posto alguns poemas do Estimado Cliente, livro do Rodrigo Flores, que eu traduzi e que provavelmente vai sair pelo Demônio Negro.

I.

Que quiçá dizer distância

seja a maneira de

enclausurar a

distância

a maneira do quiçá

da clausura

Que quiçá representar

a distância

seja impossível na Cidade

porque esta retém

as clausuras

em compartimentos de

impossibilidade

em maneiras claudicantes

em reiterações de quiçás

que não de afirmações

que não de figuras ou figurações

que não de legitimidade

mas de revestimentos

de dúvidas que são quiçás

Não dúvidas

senão discursos da dúvida

módulos do não

edificações do não

É dizer

figurar a distância

sua plenitude

é uma

imagem contingente

revestimento opaco

recorrente

tralha mística

Um caminhar é a distância

Uma imagem do pedestre é a distância

Uma negação da imagem do caminho é a

distância

A clausura do não do que caminha é uma

representação da Cidade


II.

Se procede a dizer que

a distância é a distância

é a distância um país Se procede

a omitir que um país não tem corpo

tem distância Corpo ausente Se

procede a representar um país

corpo ausente

distância

ausência de representação

Se procede

a corporificar

uma representação

um país

a distância

Carpe Diem

procede a se ausentar

centro da Crueldade

III.

Haverá que reconsiderar

As projeções

da distância

sobre o corpo

Haverá que projetar

as reconsiderações

os corpos

os elementos da distância

suas plenitudes

seus módulos de dizer e calar

seus procedimentos

claudicantes

seu Quiçá

IV.

A distância não é

Distância Com

tém migrações

corpos países

reiterações

de módulos do Não

quiçá legitimações

de impossibilidade

quiçá

Não

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http://juliaeoquati.blogspot.com/2008/04/william-wordsworth.html

Animal Tranquility and Decay

The little hedgerow birds,
That peck along the road, regard him not.
He travels on, and in his face, his step,
His gait, is one expression: every limb,
His look and bending figure, all bespeak
A man who does not move with pain, but moves
With thought. - He is sensibly subdued
To settled quiet: he is one by whom
All effort seems forgotten; one to whom
Long patience hath such mild composure given,
That patience now doth seem a thing of which
He hath no need. He is by nature led
To peace so perfect that the young behold
With envy, what the Old Man hardly feels.

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http://juliaeoquati.blogspot.com/2008/03/minha-traduo-na-sriealfa-de-joa

Link aqui para a sèrieAlfa

Texto original em espanhol: Lorenzo Garcia Vega
Tradução: Julia Lima





A generosidade de umas caixas de correio


É a generosidade de umas caixas de correio despejadas, encontradas por Joan em Luisenstrasse em Berlim, perto de Unter den Linden. “Eu não te contei – informa Damaris Claderón, a poetisa cubana que mora no Chile que, quanto melhor me sinto, mais me identifico com um cavalo. Então, no avião, para me sentir segura quando vôo, imagino que sou um cavalo e só assim consigo chegar no meu destino”. Posso dizer que, ao receber as caixas de correio de Joan, de imediato me detive na do meio, aí onde está pintado o 6 de que eu, em seguida, quis entendê-lo como a peça de um manifesto desta Playa Albina onde vivo. Peça cuja parte principal bem poderia descrever-se como “A veemência inaceitável do país dos tigres.” Mas, não devo evitar o exagero? Ao fim e ao cabo, eu estou frente a um galhinho de uma árvore que está frente à janela da minha casa na Playa Albina, e um galho assim – galhinho que às vezes sugere a cor creme de uma caixa desbotada tem que estar muito longe de Luisenstrasse, perto de Unter den Linden. Oh, essas caixas têm que revelar algo, mas... Eu, por certo, quiçá vítima do delírio, as contemplo, sim, na foto de Joan, mas as contemplo como se fossem uma maturação de peças demoniacamente difíceis. Sentimos, p. ex., ao contemplar a caixa da direita, que uma pátina antiqüíssima pode nos converter em... em que? Por exemplo, entrar como passageiros em um avião, sentindo que não só a sombra das caixas de correio de Joan poderia nos proteger, senão que poderia acarretar (?) em um dificílimo bem. Depois, então, desta experiência, e sem que tivesse intervindo nenhuma fada, soube que as caixas de correio da casa desabitada, surpreendida por Joan, podiam ser transplantadas aos ramos da árvore da Playa Albina. E a tradução das caixas requer quais instrumentos? Depois que soube como entrar, aconselhado por Damaris, como cavalo em um avião, a tradução das caixas de correio de Luisenstrasse se manifestou para mim com aqueles aviadores espanhóis, Barberán e Collar, que aterrissaram em Cuba, quando do começo da década de 30. Com sua viagem de Sevilla a Cuba, Barberán e Collar levaram a cabo uma verdadeira façanha. Eram eles, quiçá convertidos em cavalos muito semelhantes às caixas de correio do Joan, uns aviadores verdadeiramente felizes. Ainda que, pouco depois – e isto, disparatadamente, pode relatar-se desde o sonho da casa despejada com as caixas despejadas, na Berlim de Joan, eles, os aviadores felizes, ao se dirigir ao México, terminaram tragicamente. Mas o estranho de tudo isso que quis contar é que esses personagens, aviadores espanhóis, ou cavalos de Damaris, confundem-se com a cor da caixa que está à esquerda da foto do Joan, e isto sem que tenham nada a ver com ele. Oh, uma mancha da caixa! Uma mancha de uma caixa que, devido a certo giro de luz desta Playa Albina onde estou, converte-se, nada menos – ainda que só por um minuto em como um desprendimento da cesta que levava Chapeuzinho Vermelho. Mas o que tem a ver a cesta da Chapeuzinho Vermelho com as caixas de correio do Joan? Frente a uns galhinhos que estão frente à janela da minha casa na Playa Albina, repito. E eu não posso seguir falando, pois suspeito que, chegado um determinando momento, não só me confundirei, senão que as caixas despejadas, da casa despejada, me possam assustar além da conta.



La generosidad de unos buzones


Es la generosidad de unos buzones desahuciados, encontrados por Joan en Luisenstrasse en Berlín, cerca de Unter den Linden. “Yo no te he contado informa Damaris Calderón, la poetisa cubana residente en Chile que, cuanto mejor yo me siento, más me identifico con un caballo. Entonces en el avión, para sentirme segura, cuando vuelo me imagino que soy un caballo y sólo así he conseguido llegar a mi destino”. Puedo decir, que al recibir los buzones de Joan, de inmediato me detuve en el buzón del centro, ahí donde está pintado el 6 de que yo, enseguida, quise entenderlo como la pieza de un manifiesto de esta Playa Albina donde vivo. Pieza cuya parte principal, bien podría describirse como "La vehemencia inaceptable del país de los tigres". Pero, ¿no debo evitar la exageración? Al fin y al cabo, yo estoy frente a la ramita de un árbol que está frente a la ventana de mi casa en la Playa Albina, y una ramita así -ramita que a veces sugiere el color cremita de un buzón desvaído- tiene que estar muy lejos de
Luisenstrasse, cerca de Unter den Linden. Oh, estos buzones, tienen que revelar algo, pero... Yo, por cierto, víctima quizás del delirio, los contemplo, sí, en la foto de Joan, pero los contemplo como si fueran una maduración de piezas endemoniadamente difíciles. Sentimos, por ej., al contemplar el buzón de la derecha, que una pátina antiquísima puede convertirnos en... ¿en qué?. Por ejemplo, entrar de pasajeros en un avión, sintiendo que no sólo la sombra de los buzones de Joan nos pudiera proteger, sino que pudiera conllevar (?) un dificilísimo bien. Después, entonces, de esta experiencia, y sin que hubiese intervenido ningún hada, supe que los buzones de la casa deshabitada, sorprendida por Joan, podían ser trasplantados a las ramas del árbol de la Playa Albina. Y ¿qué instrumentos requiere la traducción de los buzones? Después que supe cómo entrar, aconsejado por Damaris, como caballo en un avión, la traducción de los buzones de Luisenstrasse se me manifestó con aquellos aviadores españoles, Barberán y Collar, quienes aterrizaron en Cuba, cuando los comienzos de la década del 30. Con su viaje de Sevilla a Cuba, Barberán y Collar llevaron a cabo una verdadera hazaña. Eran ellos, quizás convertidos en caballos muy semejantes a los buzones de Joan, unos aviadores verdaderamente felices. Aunque, poco después y esto, disparatadamente, puede relatarse desde el sueño de la casa desahuciada con los buzones desahuciados, en el Berlín de Joan, ellos, los aviadores felices, al dirigirse a México, terminaron trágicamente. Pero lo extraño de todo esto que quisiera contar, es que esos personajes, aviadores españoles, o caballos de Damaris, se me confunden con el color del buzón que está a la izquierda de la foto de Joan, y esto sin que tengan nada que ver con él ¡Oh, una mancha de buzón! Una mancha de buzón que, debido a cierto giro de la luz de esta Playa Albina donde estoy, se me convierte, nada menos aunque sólo por un minuto en como un desprendimiento de la cesta que llevaba la Caperucita Roja. Pero ¿qué tiene que ver la cesta de la Caperucita Roja con los buzones de Joan?. Frente a unas ramitas que están frente a la ventana de mi casa en la Playa Albina, repito. Y yo no puedo seguir hablando, pues me sospecho que, llegado un determinado momento, no sólo me confundiré, sino que los buzones desahuciados, de la casa desahuciada, me pueden asustar más de la cuenta.



[Lorenzo Garcia Vega nasceu em Jagüey Grande, província de Matanzas, Cuba, em 1926. É Doutor em Direito, Filosofia e Letras pela Universidade de Havana; Em 1952 recebeu o Prêmio Nacional de Literatura de Cuba. Entre seus últimos livros se encontram: Poemas para penúltima vez 1948-1989 (1991), Collages de un notario (1992), Espacios para lo huyuyo (1993), Varicaciones o como veredicto para sol de otras dudas (1993), Palíndromo en otra cerradura (1999), El oficio de perder (2004), Cuerdas para Aleister (2005). Atualmente vive em Playa Albina, Miami.

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http://hay-tomates.blogspot.com/2009/05/abstinencia.html

Ryan in the tub, NAN GOLDIN.
Perception of an object costs
Precise the object’s loss.
Emily Dickinson.
*** "Some other time", Bill Evans.

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Agosto 15, 2009

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http://minimae.blogspot.com/2009/08/tem-uma-urgencia-enorme-crescen

Tem uma urgência enorme crescendo em mim,
e parece que eu vou quebrar as paredes.

Please don't slow me down
if I'm going too fast.

Tá ótimo assim.

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http://minimae.blogspot.com/2009/08/ive-got-sweet-little-angel-i-lo

I've got a sweet little angel,
I love the way she spreads her wings.

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http://minimae.blogspot.com/2009/08/charadas.html

Como é que pode, que eu tenho mais tempo que você?

* * *

2 vezes 1... diz aí, quanté?

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http://medianeiro.blogspot.com/2009/05/fotos-do-lancamento-no-salao.ht

Entre os dias 1º e 10 de maio foi realizado o Salão Internacional do Livro - Foz do Iguaçu 2009. Participei do evento com o lançamento da Coleção Poesias de Espanha, no dia 4, ocasião em que fiz uma palestra sobre "Os 70 anos da Guerra Civil Espanhola e seu impacto nas literaturas galega, espanhola, catalã e basca". Eis as fotos da minha participação:



Auditório cheio

Minha mãe







Minha irmã Tania lendo Garcilaso de la Vega

Meu alunos também leram, como a Adriana

Vera, minha aluna de Filosofia, lendo Santa Teresa de Ávila

Com meus alunos de RI

Marineuza, minha aluna de Direito Internacional

Com a Ju

Com minhas alunas de Filosofia

Com a família

Professores da FAA: Patricia, eu, Lisbeth e Tania

Com Ju e minha mãe

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Agosto 16, 2009

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http://hay-tomates.blogspot.com/2009/06/beckett-on.html

Every word is like an unnecessary stain on silence and nothingness.

*** "Enjoy the silence", Depeche Mode.

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Agosto 21, 2009

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http://latrinadasletras.blogspot.com/2009/08/rumo.html


Com os cegos de mil olhos
E mil pernas
Faço vila e vou marchando
Linha reta.

Abro um a um os olhos,
Faço a curva
E mil pálpebras abertas
Visão turva
Andam em círculos

Furo os olhos e me entrego às minhas penas.
Pra lugar nenhum vou caminhando apenas.
O caos é via de pedras amarelas
Pernas vão, pernas vêm, e eu vou com elas.

Mas, escravo da caminhada eterna
Amputo as minhas próprias pernas
E na alforria louca dos sapatos
Me liberto de todos os atos
Que teimam em me levar
A qualquer canto.

De repente me espanto
E me vejo enclausurado
Entre o estar como ação
E o ser como estado.
Fico sendo o Por-Enquanto.

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http://altctrlodel.blogspot.com/2009/03/resposta-ao-gabs.html

Mofado Caio De Um Sonho De Uma Noite De Verão

Em Uma História Sem Fim De Cinema!”

(ou Rascunho de Dragão em IV Ondas)


I.

além do jardim


ninguém fala a mesma língua

as dádivas cobradas selvagens

nos furtam do concreto

a alma distraída

que nos guia pela rua


o único de cada hora

é a repetitiva visão do amanhã


só que o azul do céu não é o sol

mas a tristeza da hora de partir


parto


II.

o coração leve


na monotonia da inconstância

todos filmes que chorei

são livros lacrados


obliteração fluida

de 1.000rps por semanas


não a freqüência constante das marés

mas a chuva de verão

a tempestade tropical

o furacão


o coração leve é o olho do furacão


III.

cada um está só no coração do mundo

atravessado por um raio de sol

e súbito crepúsculo


sem me ter, todo dia se arrasta

comigo, nenhuma noite é muito longa

… me ame menos, mas me ame por muito tempo


como se pudesse manter suspenso no ar

o coração leve – sempre há ventania,

sempre há tempestade tropical;


o coração leve é o olho do furacão

cercado pelos relâmpagos lendários do

oriente deste vendaval

enquanto desafiamos a gravidade


nos manter com todo peso em guarda – roupas encharcadas

de perto eletrizadas, sem tocar (por

medo das baforadas) – não dá pra seguir em frente

não dá pra deixar pra trás – nós

desafiando a gravidade


enquanto dançamos na beira do precipício contra-ad-

mirado mundo novo ao

som dos trovões se aproximando o

toque – não


podemos encher o espaço, um ao outro, preenchemos dentro de cada metade, adiante o inevitável colapso dos mundos, aproximando sem tocar, matemáticos contra os dragões, prenhes em cada fração fissurável até esgotar a leveza

engravida-de

parto


IV.

vestígios de um dia


você não dorme com o Gim, mas ele acorda com você

linguando a ressaca seca, irriga a garganta e gargalhada de perfume

mistura pau-no-pau o cheiro de borracha-de-vênus metida a lagartixa

num sol que não dura o sábado

a primeira escolha da manhã – 1ª


a madrugada divaga quem é você,

mas o dia só pergunta o quê fazer com ele...


e nada que explique o amanhecer vai te levar ao fim da noite /


eu sou um bocado

bêbado, um bocado viado, um bocado

louco, um bocado escritor;


mas um bocado é apenas um pedaço,

algo que explica quem é você ao fim do dia...


nas fossas marinhas das conversas de bar?!


Nenhum comentário de boutique, palavrão fora de hora, ou filosofia amanhecida de sexta-feira torna mais fácil levantar da cama e decidir o que fazer da sua vida.


Vá estereotipar a sua mãe!

(e não esqueça de converter o betamax em blue-ray, pra não ficar pesado...)

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http://altctrlodel.blogspot.com/2006/08/ii-erro-no-identificado.html

Canal certo, veículo usual, autores consagrados. Onde estava? Meio de semana ordinário, problemas?, sim. Algo errado! Notícias pedindo botóx, mas algum schrubles emanava positivismo de psico-esoto-baboseira. Seria um vírus-hippie? Cadê a desesperança da imprensa? Chato não era, só instigava. Quadro após quadro as prisões, brigaiadas e posicionamentos pareciam ir para algum lugar. Dava mais medo que um Emo. Dia tosco.

Nunca tive pressa de chegar no “para onde vamos”. E se eu não gostar do lugar?

Existencialistas-de-merda são péssimos agentes de viagem; eu provavelmente acabaria com um bilhete de retorno da Varig (bem feito por trepar com leitores de Sartre). Mas, se estávamos indo, era melhor eu descobrir a destinação e me preparar.

“33”. Não precisava de protetor solar, só de sorte. Morria com 32 e escapava da DR com minha vida. Discutir o relacionamento com o mundo pra quê? Pra mim o sentido da vida sempre foi 33. Tava bom; e eu chegava feliz no próximo “Mochileiro da Galáxia”. Peraí!

- Vocês não tão entendendo nada, né? Puxa o controle e vamos reduzindo

Trinta-e-três é o sentido da vida ou é quando entramos numa sala de conferência para discussões mais aprofundadas? Como o sentido da vida não devia ser o inferno, tava mais pro número da sala. Mas demora pra descobrir...

A primeira pessoa confiável que voltou do Tibet me garantiu ter ouvido do Lama que a resposta era 33. Eu estava com um terço da minha filosofia de vida resolvida... Até que fiquei preso numa fila com um numerólogo cabalista. Inferno. Cismou de entregar que 3 é o eterno e que aos 33 anos (ele devia ser cristão...) me depararia com uma “crise espiritual”. Puta troço chato. Mas como eu não queria virar um cabaço-balzaquiano-gatão-radical-chic-em-crise, resolvi viver só até os 32. Viva Cazuza! Viva Cássia Eller!

Adonai seja louvado! Se você for acreditar em cabala, é melhor ouvir de um Rabino do que da Madonna. Ou, pelo menos, de um judeu. Perguntei num jantar e levei uma sacaneada. Você encontra um 33 a qualquer momento, seu shmokale. Sempre que você tem problemas de falta ou excesso de tempo, você lembra que não é eterno – fácil! Era só eu deixar de ser um vagabundo workaholic.

Mas isso não resolvia meu problema com o jornal...

Se todo mundo estava se deparando com a existência ao mesmo tempo, aí tinha. Em alguma página, alguma notícia tinha que explicar aquela crise de positivismo-hippie entre os jornalistas. E lá estavam elas na página 3:

Solstício: O que fazer na mais longa noite do ano?
Morte: Comoções durante homenagem a Bussunda.
Incertezas: Brasil deverá efetuar mudanças na Copa?

Entrei em crise, sinto muito...


Altivo Oliveira Neto
22/06/06

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http://altctrlodel.blogspot.com/2006/08/i-vou-te-falar-do-meu-povo.html

Nascemos dispersos, estranhos ao decalque esperado pelo molde. Uma obra nascida do erro, cujo traço engrandece o conjunto – sem nunca fazer parte. Cujo autor nunca reconhece. Somos arte. Somos a transgressão original

A um passo de um ctrl+z

Gritamos e protegemos. Nos justificamos. Nosso primeiro refúgio, o sorriso desarmante, denominaria o nosso tipo ~ eternamente alegres por viver; este esgar deslumbrado nos esconderia muito no futuro – somos falsos. Somos fadas, demônios, duendes, teatro, somos as asas

Em busca da liberdade de um palco

E voamos longe pra nos entender. Sem você pedir. Aprendemos inglês, fomos estudar fora, viramos comissários, turistas profissionais, diplomatas até. Nós abrimos as fronteiras deste mundo e conquistamos as Índias

Mas você não estava lá

[←] os que ficaram enlouqueceram. Fugiram para dentro [de si] o negro do universo. A minha gente drogada, reclusa ou chorando [...] alimentando o câncer [nós chacinamos os sonhos de bilhares] e além__ Terias meu coturno em sua casa, se não nos matássemos aos quinze anos. Somos adúlteros, nazistas e suicidas

Então emigramos

Fugimos para as maiores cidades do planeta e construímos nossos guetos. Brigamos, marchamos por eles. Fomos grandes. Mas vocês estavam longe, e nos perdemos em nossa solidão. Perdemos nossa moral. Viramos estetas, hedonistas, narcisistas. Optamos por esquecer a nossa dor, e redesenhamos o mundo. Coreografamos e estilizamos e fotografamos até construir o nosso conto-de-fadas

Até que a praga veio

E vocês nos jogaram na cara que fazíamos parte do seu mundo. Debaixo de toda maquiagem, dança e erudição, precisávamos crescer. E nós não tínhamos tempo. Queríamos ser adolescentes depois dos vinte anos, recuperar o não aproveitado, entende? E toda uma geração se perdeu. Somos aidéticos

E o peso deste novo sangue urrou de dor

Reconstruímos nossas casas, nossos bairros, e o gueto abriu as portas para que marchássemos. Não tivemos uma diáspora, nascemos dispersos. Na regra da ironia das denominações, correríamos o mundo tentando virar caricaturas – nossos rostos de palhaços tristes (e maldosos) evitaRiam o contato mútuo na idade – mas tenho medo de morrer só. E agora iríamos nos reunir

Que cada porta fosse marcada com uma bandeira

Que cada bairro de cada cidade gritasse: estamos aqui e não vamos morrer sós. Uma vez por ano, amor, escancaramos as portas dos nossos guetos, nos organizamos como uma comunidade e tentamos voltar pra casa. Uma vez por ano eu sou a regra, e não a exceção. Uma vez por ano eu ando em nosso bairro e meu povo pendura bandeiras nas portas das casas, e eu não preciso procurar a outra ponta do arco-íris

E eu me lembro de você, e de como era gostoso estar em casa contigo

Quem sabe estar em nossa sala e encontrar o seu sorriso este domingo. Eu tento encontrar forças nas esquinas deste bairro. Enquanto isso eu marcho. Para lembrar ou esquecer. Mas sei que aqui estão nossos restaurantes, aqui estão nossas boates, nossos bares, teatros, galerias, casas. E aqui eu vou marchar. Os peregrinos seguem para os templos, o ano-novo fica no bairro oriental, as quermesses nos bairros italianos e as paradas nos bairros gays

E marcharemos em desfile até todos estarmos em casa

E o seu povo marchar com o meu povo

Só não demore, pois tenho saudades.

Altivo Oliveira Neto

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Agosto 23, 2009

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http://latrinadasletras.blogspot.com/2009/08/praiana.html


Sua sombra samba
Sobre as sobras
De sol e de sal.

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http://minimae.blogspot.com/2009/08/e-se-eu-estiver-condenado-viver

E se eu estiver condenado a viver sozinho?
Estamos nos afastando rápido,
e já não tenho notícias suas há séculos.

Você não vai conversar comigo depois,
você não me perdoou, e eu,
bem, eu não consigo me preocupar.

Talvez esteja na hora,
talvez a gente nunca tenha se gostado tanto assim.
Mas caralho,
parecia muito que éramos bons amigos.

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http://hay-tomates.blogspot.com/2009/05/make-it-new.html



O espírito do tempo - meu tempo. Zeitgeist privé; espírito. Não escrevo, não. Não consigo mais. Talvez amanhã. Enquanto isso, assisto novamente os filmes favoritos. Um por um. E o que encontro? Resposta. Nos lábios de um Sean Connery inspirado, interpretando um escritor. Finding Forrester.

Forrester: No thinking - that comes later. You must write your first draft with your heart. You rewrite with your head. The first key to writing is... to write, not to think!

*** "You´re gonna make me lonesome when you go", Madeleine Peyroux.



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http://hay-tomates.blogspot.com/2009/04/constatacao-ii.html


Aberrações devem ficar no circo, não no seu apartamento.
*** "Valsa dos clowns", Chico Buarque.

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http://hay-tomates.blogspot.com/2009/04/convite.html







COLEÇÃO POESIAS DE ESPANHA



Os 70 anos do encerramento da Guerra Civil Espanhola, um dos episódios mais cruéis e de maior impacto do séc. XX, serão lembrados no dia 1º de abril de 2009. Para marcar a data, a editora Hedra lança, no dia 3 de abril na Casa das Rosas, a coleção Poesias de Espanha: das origens à Guerra Civil, uma antologia poética em quatro volumes que reúne as literaturas galega, espanhola, catalã e basca, todas elas profundamente marcadas pela Guerra Civil Espanhola.

Os volumes que serão lançados, intitulados Poesia galega, Poesia espanhola, Poesia catalã e Poesia basca, todos com o subtítulo “das origens à Guerra Civil”, reúnem uma seleção de poemas e autores representativos dos principais períodos históricos de cada literatura, desde suas origens como manifestação literária, a partir do séc. XII, até a Guerra Civil Espanhola, encerrada em 1º de abril de 1939.

O corte temporal, além de abarcar as origens da poesia de cada uma das línguas, destaca a importância da Guerra Civil Espanhola para as quatro literaturas, simultaneamente como elemento de ruptura e fator de convergência, na medida em que representa o desaparecimento de toda uma geração de escritores perdida na guerra ou no exílio.

Com organização e tradução de Fábio Aristimunho Vargas, a antologia conta ainda com um amplo aparato crítico: uma apresentação geral à coleção seguida dos prefácios específicos para cada língua, notas biobibliográficas dos autores e poemas, um quadro sinótico, fonética sintática e guia comparativo das ortografias portuguesa, galega, castelhana, catalã e basca.

Entre os autores reunidos figuram nomes tão diversos como Martim Codax, Rosalía de Castro, Manuel Antonio (Poesia galega), Gonzalo de Berceo, Garcilaso de la Vega, Federico García Lorca (Poesia espanhola), Ausiàs March, Jacint Verdaguer, Bartomeu Rosselló-Pòrcel (Poesia catalã), Bernat Etxepare, José María Iparraguirre, Lauaxeta (Poesia basca), entre vários outros, além de composições e cantigas de origem popular.

O livro dedicado à poesia catalã foi premiado pelo Institut Ramon Llull, entidade responsável pela projeção no exterior da língua e da cultura catalãs, com sede em Barcelona, com a concessão de apoio à tradução em 2009.



SOBRE O ORGANIZADOR

Fábio Aristimunho Vargas é professor, escritor e advogado. Cursou direito e letras na USP. É mestre em direito internacional pela USP, especialista em direito internacional privado pela Universidad de Salamanca e especialista em estudos bascos pela Fundación Asmoz de Eusko Ikaskuntza e pela Universidad del País Vasco. Traduziu para o português os livros Atlas: Correspondência 2005--2007 [Edicions sèrieAlfa, 2008], do poeta valenciano Joan Navarro e do artista plástico catalão Pere Salinas; La entrañable costumbre [Mantis Editores, 2008], do mexicano Luis Aguilar, entre outros. É co-organizador e tradutor ao castelhano da coletânea de jovens poetas Antologia Vacamarela: português, espanhol e inglês [Edição dos autores, 2007]. Mantém o blogue medianeiro.blogspot.com



DEBATE E RECITAL

Paralelamente ao lançamento haverá um debate e um recital quinquelíngue de poesia. O debate abordará o tema “O impacto da Guerra Civil nas literaturas galega, espanhola, catalã e basca”. Dele participarão Estebe Ormazabal, professor de língua basca; Miguel Afonso Linhares, linguista e professor de espanhol em Roraima; Fábio Aristimunho Vargas, organizador e tradutor da coleção Poesias de Espanha, e Paulo Ferraz, poeta e editor.

No Recital Quinquelíngue, escritores convidados farão leituras de poemas em galego, castelhano, catalão e basco, com as respectivas traduções ao português. Participarão das leituras, entre outros escritores, Alfredo Fressia, Ana Rüsche, Andréa Catrópa, Dirceu Villa e Ruy Proença. Ao final, serão apresentados vídeos com canções e baladas antigas.



APOIO
Institut Ramon Llull
Casa das Rosas



DIVULGAÇÃO
Euskal Etxea Brasil
Associação Cultural Catalonia
Coletivo Vacamarela
Instituto Cervantes



SERVIÇO
Coleção Poesias de Espanha, em quatro volumes: Poesia galega: das origens à Guerra Civil, Poesia espanhola: das origens à Guerra Civil, Poesia catalã: das origens à Guerra Civil e Poesia basca: das origens à Guerra Civil, editora Hedra, 2009.
Organização e tradução Fábio Aristimunho Vargas
· Lançamento: dia 03 de abril, a partir das 19h
· Debate: O impacto da Guerra Civil nas literaturas galega, espanhola, catalã e basca.
· Recital quinquelíngue com a participação de escritores convidados.
Casa das Rosas
Av. Paulista, 37 -Bela Vista – São PauloFone: 11 3285-6986/ 3288-9447Funcionamento: de terça a sexta, das 10h às 22h. Sábados e domingos, das 10h às 18h.



INFORMAÇÕES À IMPRENSA

Marcele Rocha
11. 9417 – 0169 11. 3097 – 8304
marcele@hedra.com.br

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http://hay-tomates.blogspot.com/2009/03/sobre-aquelas-lavas-todas.html

Esta é a hora da expansão, do viver verdadeiro.
Todo o resto foi uma preparação.
A verdade é que sou inconstante,
com estímulos sensuais em muitas direções.
Fiquei docemente adormecida por alguns séculos,
e entrei em erupção sem avisar.


*** "Human nature", Miles Davis.

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http://hay-tomates.blogspot.com/2009/03/intermezzo.html

Quase nunca faço isso, quer dizer, ler dois livros ao mesmo tempo. Fico confusa, sabem? Também porque esse procedimento interrompe meu processo compulsivo. Explico: quando o livro é muito bom, gosto de lê-lo, assim, numa tacada. Os últimos livros que foram alvo da minha mania compulsiva foram Amor, da Toni Morrison - lido em 3 noites (covardia! o livro é relativamente curto); PanAmérica, do José Agripino de Paula - lido em uma semana (tive que parar e me aprofundar em certos dados que o autor apresenta, dã!) e o terceiro e último foi O fio das missangas, do Mia Couto - livro fantástico, cujo trechinho deixo aí abaixo porque o cara é um monstro. Recomendo.
OBS: E pensar que um dia cheguei a achar que ele era ela. Mia? É, tal como a Mia Farrow, ex do Woody Allen. Ai, ai, essas meninas pouco sabidas...
Regressava a horas, entrava em casa pelas traseiras para não chorar ante os olhos sofridos de minha mãe. Minha fatia de tristeza era uma ofensa perante as verdadeiras e inteiras mágoas dela. Regressava depois do quarto, olhos recompostos, fingindo uma alegriazita. Minha mãe se apercebia do meu estado, desembrulho sem prenda. E me dava conselho:
- Sonhe com cuidado, Mariazita. Não esqueça, você é pobre. E um pobre não sonha tudo, nem sonha depressa.
COUTO, Mia. Meia Culpa, meia própria culpa. In: O fio das Missangas. São Paulo: Companhia das Letras, 2009, p. 41.
*** "Não enche", Caetano Veloso.

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http://hay-tomates.blogspot.com/2009/03/autofagia.html


Este post se auto-destruirá em 48 horas.




[Pronto, destruiu-se].





*** "Bluemoon", Michael Bublé.

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http://hay-tomates.blogspot.com/2009/03/o-velho-wilde.html

Dante and Virgil in Hell, William Adolphe Bouguereau.

A melhor maneira de se livrar de uma tentação é render-se a ela.
Oscar Wilde.
[Hum, será?]
*** "My kinda love", Sarah Vaughan.

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http://hay-tomates.blogspot.com/2009/03/constatacao.html



Morremos daquilo que nos seduz.

*** "Na carreira", Chico Buarque e Edu Lobo.

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http://hay-tomates.blogspot.com/2009/03/das-coisas-que-nao-se-le-mas-se


Tu tens um medo:
Acabar.
Não vês que acabas todos os dia
Que morres no amor
Na tristeza
Na dúvida
No desejo.
Que te renovas todo o dia
No amor
Na tristeza
Na dúvida
No desejo.
Que és sempre outro
Que és sempre o mesmo
Que morrerás por idades imensas
Até não teres medo de morrer
E então serás eterno.

Cecília Meireles, Cântico VI.

E digo que a Cecilinha teve os seu Cânticos relançados por uma dessas editoras poderosas aí, que deram pra usurpar o sacro ventre dessas mulheres incríveis e publicá-los em livros como se fossem receitas de pudim de pão barato. Barato? Ah, é, mas nem isso os tais livros são! O IMS- Instituto Moreira Sales -, por exemplo, lançou um livro com a obra (quase) toda da Ana C. - todo rosa, como se ela precisasse disso pra ser sensacional! - e está cobrando a módica quantia de 70 Reais! Um abuso, não acham? Ainda bem que elas não precisam das lágrimas e das astúcias femininas todas pra serem mulheres talentosíssimas. Elas apenas são.
Aliás, nessa linha é-cor-de-rosa-shocking, a Ana Rüsche está ministrando um curso lá na Alceu. Apareçam: está rolando uma ginástica com umas "senhouras" bem incríveis e que permanecem intactas depois de terem tido o ventre igualmente usurpado por editoras e coisas malévolas assim, toc, toc, toc.
Au revoir!
*** "Dancing with myself", Nouvelle Vague.

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http://hay-tomates.blogspot.com/2009/03/das-coisas-que-se-le-nas-noites

Circle of Hell, Fred Cress.


Tenho que ter paciência para não me perder dentro de mim: vivo me perdendo de vista. Preciso de paciência porque sou vários caminhos, inclusive o fatal beco-sem-saída.
Marisa tem em si água e deserto, povoamento e ermo, fartura e carência, medo e desafio. Tem em si a eloquência e absurda mudez, a surpresa e a antiguidade, o requinte e a rudeza.
E assim sou, simples e sensível, capaz de impulsos violentos e absorventes, maus e bons, nobres e vis, mas nunca de um sentimento que subsista, nunca de uma emoção que continue, e entre para a substância da alma. Tudo em mim é tendência para ser a seguir outra coisa; uma impaciência da alma consigo mesma, como uma criança inoportuna; um desassossego crescente e sempre igual. Tudo me interessa e nada me prende.
LISPECTOR, Clarice. Um sopro de vida.
*** "Ways & Means", Snow Patrol.

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Unknown, Maggie Taylor
Não sei onde está. Respira, funga, tosse. Pulmão tumultuado, mãos embaralhadas. Come with me Come with me My babe. Tão tarde tão cedo, tão tão tão. Deixa-me, solta, livra-me das amarras. Não quero, quero você. Não, não quis nascer não. Não quis, respira. Afogo. Beija. Não solta, deixa. Fica. Vá pra casa, a chave, a chave, a chave. Fica não fica. Diz sim. As ruas mortas, tanto sangue. Tela escarlate, pulsando, febril. Fica! Não vá. Quero. Deixa-me viver. Afoga - é tanto gás, não respiro. Digo não solta. Vive, diz que fica. Então não digamos mais. Não quero você. Hoje ontem amanhã, depois. Fale você, diga. Eu não. Vamos, falemos, cuspamos. Vomite, você. Diga que sim, que não você. Respiro mais mais. Não mais.
*** "My funny valentine", Chet Baker.

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http://hay-tomates.blogspot.com/2009/02/cotidiano.html

Imagem do Hubble.



Considerar: 1. do latim considerare: estar com as estrelas.

E às vezes é tão difícil, não é?



*** " Moanin' ", Art Blakey.

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Thelonious Monk
Compulsão: (s.f.) 1. imposição interna irresistível que leva o indivíduo a realizar determinado ato ou a comportar-se de determinada maneira.
Maldito Ipod. Agora posso brincar - diariamente, se assim me agradar - com os 16 Giga de jazz e blues que armazenava no computador. Uma criança! Durmo tarde. Muita música, acordes demais - e lucidez de menos, desconfio. Semana de pianistas, essa. Começou com o Hancock na semana passada e foi descambando um dia após o outro: Duke Ellington, Bill Evans, Chick Corea, Michel Camilo, Brad Mehldau, Keith Jarrett...Daí caí com graça nos braços do Oscar Peterson e na perdição de Alice in Wonderland! Hoje estou mais, hum, er, cof, cof, óbvia: Monk. Doses cavalares. Precisamente desde às 23:24 hs de ontem. I mean you, Monk & Art Blakey, neste momento.
Mas escrevo mesmo por uma questão de sobrevivência. Minha, de fato. Há alguma alma caridosa aí do outro lado disposta a me ceder uma versão em mp3, mp4, rar, etc. de uma certa Dexter´s Tune, de um certo Randy Newman, parte de uma certa trilha sonora de um certo filme com o De Niro? Os altruístas podem enviar a raridade pro: amarossi@terra.com.br
Não sou nada boa com essas promoções e vendas casadas. Também não vendo terreno no paraíso, mas de repente o bom coração pode valer uma cerveja, who knows?

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Self Portrait, Nan Goldin.
R.,

Suas palavras são muito fortes, mas isso eu já disse antes. O que eu não disse é que também ando trocando e-mails com aquela amiga e a temática é praticamente convergente, isto é, tanto você quanto ela estão passando por angústias semelhantes - e encontraram uma espécie de diluidor que, não por acaso, sou eu. Talvez ontem eu não tenha explicado bem a situação, afinal aquele Herbie Hancock afeta o raciocínio de qualquer um. Em resumo, muitos e-mails pungentes arrebentando as muralhas aqui dentro. Lembrei, então, de um poema - e de uma foto da Nan Goldin - que nos remetem a essas várias (e inevitáveis) coisas. Serão provavelmente meu próximo post no blogue. Por enquanto, envio para você. Porque às vezes, querido, um sorriso é só um sorriso.
Museu Cotidiano

Esquecer para lembrar: centelha inglória
da renúncia, palavras turvas, membros inertes
– muletas de causa/efeito para maior
segurança dos instintos – o corpo, fábrica
de flertes, quer abrigo, pares e poros,
um pouco de atrito – este nó que de tão
cego não desata nem sacia (tarde de maio
ou joy forever?) – exilados da carne a
envenenar-se de espírito, fardos mutuamente
inúteis – agora deixa sangrar: uma
fina, milenar garoa, salpicando carbono
em flores fósseis (voltem sempre).
Leonardo Martinelli, em Dedo no ventilador.

*** "Unfinished sympathy", Massive Attack.


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http://hay-tomates.blogspot.com/2009/02/ainda-nao-e-um-post.html

Sinto decepcionar, mas só passei aqui pra dizer que ando ensolarada (e insone). Caminhei pela Paulista hoje, ouvindo Art Pepper & Chet Baker no Ipod. Um céu lindo. Azul desses de esfriar o estômago. Calor. Minha pressão nem ameaçou cair. Escrevi uma letra de jazz pra um amigo. Vou pra NY no mês que vem. Sinto saudade do Blue Note, do Birdland, do Central Park, do Dean & Deluca; também dos amigos de Boston, do Circa Canal, do amanhecer e das lagostas de Cape Cod. E daquilo que poderia ter me tornado mas não tive coragem pra tanto. Ando bebendo demais. Dançando demais também. Ainda há pouco dancei na sala ao som de Cantaloop Island (não, eu não quero parecer intelectual. Nem globetrotter. Sou uma menina cafona de interior que aprendeu a gostar de Beckett, Schnitzler e Doistoivéski depois de beber muitas cervejas com gente que estudou no Santa Cruz, sabem?).
Enfim, só passei mesmo pra dizer que estou ensolarada e que nunca me senti tão à vontade na minha própria pele. Sou minha ilha particular. O meu próprio pôr-do-sol (isso ainda tem acento e hífen depois desse delírio de reforma ortográfica?). Estou irremediavelmente feliz. Não importa pra ninguém, eu sei. Mas estou feliz. Quero mais. A vida é pouca. Ainda quero passar o resto dos dias de mãos dadas. Acho que deixar de lado quem me roubava a solidão foi uma excelente escolha. Feliz. That's all, folks!
*** "Night and Day", Frank Sinatra.

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http://hay-tomates.blogspot.com/2009/01/isto-no-um-post.html


Prometi um post decente, mas a metrópole anda roendo meus ossos vorazmente e não tenho tempo, por enquanto, para semear esse canteiro do jeito que gostaria. Assim, anuncio um recesso por prazo indeterminado. Voltaremos. Um dia.
*** "I´ve got you under my skin", Frank Sinatra.

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http://hay-tomates.blogspot.com/2009/01/ela-quer-saber-se-di.html

Vilhelm Hammershoi
Gostaria de saber como você está. As marcas ainda doem? E os projetos? Os projetos aliviam as dores? Os poemas? O romance? Eles aliviam você? As costas ainda machucam? Você vive sem as dores? Mas e as dores, como ficam sem você?
*** "Fidelity", Regina Spektor.

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http://hay-tomates.blogspot.com/2009/01/deixa-o-2009-caminhar.html

Abandonei o canteiro e a tendência - sinto muito! - é fazê-lo cada vez mais. Explico: ando muito ocupada desse outro lado de cá, mas ainda sobra um tempinho pra escrever (não no blogue, claro!), ler e ouvir música - até porque sem esses pequenos prazeres é melhor abandonar de uma vez do navio, não é? Mas, antes que eu escorregue mais um pouco e faça uma postagem ridícula, estilo "meu querido diário", digo pra vocês que ainda volto, preferencialmente com um post "decente".
Por enquanto, meu feliz 2009 pra vocês. Vou ali dobrar a vida em flor. Volto já.
*** "Deixa estar", Los Hermanos.

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http://hay-tomates.blogspot.com/2008/12/procura-se-susan-desesperadamen

Aproveitando que tia Maddie está nessas terras tupiniquins e, principalmente, inspirada por um post do Victor da Rosa no seu Notícia de três linhas, venho por meio dessa postagem pedir que os leitores se manifestem! Não, vocês não vão ganhar uma camiseta promocional, nem pagar dois posts e levar três.
Embuída pelo espírito natalino, eu queria mesmo saber quem são vocês que se dedicam a ler os tomates plantados nesse canteiro e agradecê-los. Muito e sinceramente. Afinal, antes de certas parafernálias de alta espionagem instaladas por aqui, eu jurava que só meus amigos - e alguns inimigos, óbvio! - liam essas baboseiras.
Enfim, manifestem-se!
*** "Sem saudade de você", Carlos Lyra.

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http://hay-tomates.blogspot.com/2008/12/deixem-o-poetinha-falar.html

Resta, acima de tudo, essa capacidade de ternura
Essa intimidade perfeita com o silêncio
Resta essa voz íntima pedindo perdão por tudo
- Perdoai-os! porque eles não têm culpa de ter nascido...

Resta esse antigo respeito pela noite, esse falar baixo
Essa mão que tateia antes de ter, esse medo
De ferir tocando, essa forte mão de homem
Cheia de mansidão para com tudo quanto existe.

Resta essa imobilidade, essa economia de gestos
Essa inércia cada vez maior diante do Infinito
Essa gagueira infantil de quem quer exprimir o inexprimível
Essa irredutível recusa à poesia não vivida.

Resta essa comunhão com os sons, esse sentimento
Da matéria em repouso, essa angústia da simultaneidade
Do tempo, essa lenta decomposição poética
Em busca de uma só vida, uma só morte, um só Vinicius.

Resta esse coração queimando como um círio
Numa catedral em ruínas, essa tristeza
Diante do cotidiano; ou essa súbita alegria
Ao ouvir passos na noite que se perdem sem história.

Resta essa vontade de chorar diante da beleza
Essa cólera em face da injustiça e o mal-entendido
Essa imensa piedade de si mesmo, essa imensa
Piedade de si mesmo e de sua força inútil.

Resta esse sentimento de infância subitamente desentranhado
De pequenos absurdos, essa capacidade
De rir à toa, esse ridículo desejo de ser útil
E essa coragem para comprometer-se sem necessidade.

Resta essa distração, essa disponibilidade, essa vagueza
De quem sabe que tudo já foi como será no vir-a-ser
E ao mesmo tempo essa vontade de servir, essa
Contemporaneidade com o amanhã dos que não tiveram ontem nem hoje.

Resta essa faculdade incoercível de sonhar
De transfigurar a realidade, dentro dessa incapacidade
De aceitá-la tal como é, e essa visão
Ampla dos acontecimentos, e essa impressionante

E desnecessária presciência, e essa memória anterior
De mundos inexistentes, e esse heroísmo
Estático, e essa pequenina luz indecifrável
A que às vezes os poetas dão o nome de esperança.

Resta esse desejo de sentir-se igual a todos
De refletir-se em olhares sem curiosidade e sem memória
Resta essa pobreza intrínseca, essa vaidade
De não querer ser príncipe senão do seu reino.

Resta esse diálogo cotidiano com a morte, essa curiosidade
Pelo momento a vir, quando, apressada
Ela virá me entreabrir a porta como uma velha amante
Mas recuará em véus ao ver-me junto à bem-amada...

Resta esse constante esforço para caminhar dentro do labirinto
Esse eterno levantar-se depois de cada queda
Essa busca de equilíbrio no fio da navalha
Essa terrível coragem diante do grande medo, e esse medo
Infantil de ter pequenas coragens.

O haver, Vinícius de Moraes.

*** "Hitler in my heart", Anthony and the Johnsons.

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http://hay-tomates.blogspot.com/2008/12/sobre-as-conversinhas-femininas

Mulheres falam. Falam muito. Quase sem parar. Isto é um fato indiscutível, claro. Mas sobre o que falam? Bom, dentre uma infinita - e muitas vezes supérflua - gama de assuntos, falamos sobre o que poderia ter sido e não foi. Segue abaixo um exemplo. E ele tem a ver com o que? Tchan, tchan, tchan: surprise! O amor (ou algo similar como chocolate, sapatos e cosméticos. Nunca sabemos bem em que patamar estão as prioridades de um cromossomo X).
Mas, antes que vocês me acusem de fissura gratuita pelo vocábulo aí acima, já me desculpo e aviso que o exemplo é meramente ilustrativo. E hilário. Leiam.
Y diz: vc. sabe do que se trata? isto é, entendeu aquela porra de e-mail que ele me mandou?
Carol diz: acredito que os caras mais inteligentes podem ser os mais asnos em termos de amor, Y! e esse cara não sabe definitivamente nada de amor. até pq. eu duvido que ele tenha vivido um. aliás, acho que a prova de que o amor existe é que esse fulano, mesmo sendo tão culto, foge dele o tempo todo. e por que? medo. ele sabe que vai sucumbir e que, se ele abrir a janela, o negócio vai inundar a sala, o quarto, a cozinha e depois a casa toda e nenhum dos livrinhos que ele tem na estante vai conseguir explicar qual a origem daquilo [risos satisfeitos]. é um mané, em resumo.
Y diz: mas não entendo por que foge! cara, a minha questão é: nós éramos claramente pra estar juntos! e ele correu disso.
Carol diz: viu só? fez isso pq. é um idiota! ou pq. sabe que nesse terreno vc. ganha dele fácil, pq. tem mais vivência; sabe mais do que ele sobre o amor pq. o vivenciou mais vezes, com muitas pessoas e, sobretudo, porque vc. sabe também o que é o desamor. e ele? dããã. fica achando que os fragmentos do barthes encerram o assunto! ou que o advento de uma sociedade deleuziana vai resolver o problema dele! [risos sarcásticos]. e vc. ainda leva esse cara a sério! eu juro que não entendo.
Y diz: eu o levo a sério porque somos muito especiais um pro outro e, pô, eu tenho dificuldade de achá-lo um idiota. esse é o problema [riso amarelo].
Carol diz: então amém! que assim permaneçam. mas, mudando de assunto, estou a fim de dançar. a gente bem que podia marcar uma baladinha dia desses, né? esses nossos cafés são legais, mas acho que precisamos de algo mais hardcore. terapia de choque mesmo [risos entusiasmados].
Y diz: é verdade! precisamos armar um esquema "daqueles" [risos satisfeitos]. e nem te conto o que fiz no domingo [risos maquiavélicos]... você vai me matar!
Carol diz: cooonta!
Y diz: então...
*** "Pen and notebook", Camera Obscura.

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Robert Doisneau




Foi pela manhã. Ouvi a melodia chinesa, por certo muito estranha; aquela que ele cantarolava nas noites bêbadas. Há tempos não a ouvia e, por conta disso, a segunda-feira me pareceu muito mais branca do que o normal - justo a mim, que cultivo com cuidado essa contemplação diária dos céus nem sempre claros da metrópole.
Queria dizer que ele me fez feliz. Mas só por um quarto de dia. Ainda que ele nunca saiba disso e que não fosse essa sua intenção. Alegra-me muito saber que ele luta para cultivar aquela amizade, posterior, um tanto plastificada e sem chance alguma de se desenvolver naturalmente.
Contudo, se eu pudesse, até teria sonhado que me contento com os sorrisos de verão, o rosto de marionete e os seus cabelos ressacosos de sinapses tardias. Ele. Queria nada além do que a vida que ele não viveu, sabem?
Deve estar a trabalhar como um insano agora. As folhas em branco, o relógio contando as pulsações, a idiotice das telas azuis. Eu também deveria estar, mas há essa estranha melodia chinesa cadenciando cada passo meu. Estou nua. Anseio muito vê-lo, ainda que bêbado, sujo, insultando cada saia e cada vermelho que interpela o seu caminho.
Não gosto de conjecturar a respeito, mas me iludo pensando que essas não-atitudes dele podem ser o indício de algo que bagunça o seu avesso e que ele, absolutamente, jamais quis sentir. Entendo-o perfeitamente, porque também não me agrada sentir aquela ausência, os dias todos, sem conhecer mais do que sua superficialidade.
Partilhamos algumas noites, é certo, e nelas disse muito a meu respeito. Os olhos de ônix, porém, ainda são um mistério que provavelmente não desvendarei. E sei que ele é um desses meninos insolentes que se recusam a olhar adiante e deixar os brinquedos lá atrás. Porém minhas retinas ainda vêem, entre as diversas miríades do caminho nebuloso que tecemos, outras paisagens.
A inteligência dele me causa um prazeroso espanto; a ironia também. Mas gosto mesmo é dos seus sorrisos e daquela sua boca. Ainda mais quando ela rescende a vinho.
Entristeço-me em pensar que, durante todo o tempo, ele me teve como um lugar-comum, uma louca sem caráter, imbecilóide e dona de olhares turvos. Culpo-me por ter representado impecavelmente o papel dessas manequins de vitrine - quase um peep show - e por dizer sempre bobagens na sua presença. Atrapalho-me. Não tenho como explicar os motivos. São tão meus.
Tantas insanidades! E há muita tragédia nessa história, sabemos. Ele pesa ainda sobre minhas carnes. Sabe disso. Eu sei. Só não sabe que outros me cobiçam. Bobos. Todos. Até poderia desejar outros sorrisos, olhos e bocas, mas isso seria como exigir que um marinheiro deixasse de partir. Os marinheiros beijam e vão-se embora. Todos os dias. Em cada porto uma mulher os espera. Os marinheiros sempre beijam e vão-se embora.
Estúpida! Alimento uma esperança burra de levá-lo comigo para algum lugar; apresentá-lo aos carniceiros do meu passado. É cedo. Tão cedo. Ainda é outubro e ele já não fica mais parado entre as duas palmeiras da minha rua. Talvez essa amizade plastificada rompa as bolhas. Aguardo? Acho que tornei a querê-lo, não sei. Desejo? Muito. Quase. A todo momento. Na segunda bem mais do que ontem: ouço a melodia chinesa.
O avesso de pandora. [Um certo romance há muito na gaveta. Interminado].
*** "A piece of my mind", EBTG.

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Agosto 24, 2009

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http://latrinadasletras.blogspot.com/2009/08/caustico.html


Desço do ônibus: um susto!
Corpos caídos pelas calçadas:
"Estourou a Guerra!
Os comunistas voltaram!"

Mas é só segunda-feira.
O cheiro de carne queimada;
Apenas mendigos e ratos.
O homem do juízo final
Ainda berra na praça
E não!
O fim não está próximo.

Antes fossem os comunistas...

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http://latrinadasletras.blogspot.com/2009/08/picadeiro.html


Pintar o sorriso na cara.
Rir de tudo em volta.
Plantar bananeira
Pra ver o mundo de pernas pro ar.

Tudo uma grande palhaçada.

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http://latrinadasletras.blogspot.com/2009/08/epifania.html


Entendimento
É tropeçar em tampa de bueiro
E não saber
Se é superfície
Ou o fundo do lodo.

É virar do avesso;
Sentir o cabelo no êstômago
E as vísceras à flor da pele.

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Agosto 25, 2009

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http://latrinadasletras.blogspot.com/2009/08/vicio.html


Seus dedos, seus lábios
Me prendem, me tragam.
Arder no seu fogo,
Roubar o seu fôlego,
Me desmanchar
Perdido entre boca e garganta.

Sugado,
Só mais um homem
Virando fumaça.
Pisado,
Só cinzas
Sumindo num sopro.

E você ainda vai dizer
Que fui um câncer na sua vida.

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http://minimae.blogspot.com/2009/08/esse-sim.html

Eu sinto falta do seu cabelo,
e do jeito que eu tirava sua roupa.
Eu sinto muita falta da sua boca,
e daquele um banho.

Mas a vida é fácil demais na saudade.

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Agosto 26, 2009

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http://minimae.blogspot.com/2009/07/quem-sabe-se-gente-andar-por-ai

Quem sabe se a gente andar por aí de mãos dadas,
e contar pra todo mundo que se gosta
a coisa não vai pra frente, e a gente se acerta de vez?

Caralho, que medo enorme
de arrebentar tudo de novo...

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http://minimae.blogspot.com/2009/07/ha-um-certo-tom-de-cinza-que-na

Há um certo tom de cinza
que não quer ir embora por nada,
e mesmo que o céu limpe,
acho que vou ter uma núvem só pra mim,
e toda noite, um pouco de chuva.

A parte boa, eu acho,
é que quem sabe,
algo de bom venha com o vento.

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http://minimae.blogspot.com/2009/07/conselho-de-camarada-correr-no-

Conselho de camarada:
Correr no frio é uma puta cagada.

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http://minimae.blogspot.com/2009/07/e-se-te-amar-for-ruim-se-essa-a

E se te amar for ruim?
Se essa agonia continuar pra sempre,
como vou tocar a vida, amor?

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http://minimae.blogspot.com/2009/07/estou-procurando-uma-casa-nova-

Estou procurando uma casa nova,
um pouco porque quero mudar,
um pouco porque preciso crescer.

E muito porque já menti demais nessa cama.

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http://minimae.blogspot.com/2009/07/3-anos-de-minimae.html

3 anos de minimae.

Jesus, quando eu vou arranjar tempo pra comprar um caderno e fechar isso?

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http://minimae.blogspot.com/2009/07/esse-frio-estupido-nao-me-deixa

Esse frio estúpido não me deixa dormir sozinho,
e você está longe demais para se encaixar em mim.

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http://minimae.blogspot.com/2009/07/sub.html

E você desce a escada,
tudo fica mais escuro,
e o gelo tem um barulho melhor,
quando tem bastante whisky.

Quero muito morar aqui.

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http://medianeiro.blogspot.com/2009/07/lanzamiento-poesias-de-espanha-


Colección

POESIAS DE ESPANHA
DAS ORIGENS À GUERRA CIVIL

(Poesías de España: de los orígenes a la Guerra Civil)

Poesía gallega · Poesía española · Poesía catalana · Poesía vasca

Edición brasileña

Organización y traducción al portugués: Fábio Aristimunho Vargas

NOCHE DE LANZAMIENTO

Tertulia Literaria del Café Galdós
Miércoles, 29 de julio, de 18 a 21 horas
C/ Los Madrazo, 10
Madrid - España
(Metro Sevilla)

Coordinada por el poeta Javier Díaz Gil


Más informaciones: http://medianeiro.blogspot.com


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http://medianeiro.blogspot.com/2009/04/lancamento-de-poesias-de-espanh

Vou participar do Salão Internacional do Livro - Foz do Iguaçu 2009. O lançamento da Coleção Poesias de Espanha será no dia 4 de maio, a partir das 19h30, quando darei uma palestra sobre "Os 70 anos da Guerra Civil Espanhola e seu impacto nas literaturas galega, espanhola, catalã e basca".

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http://medianeiro.blogspot.com/2009/04/poesia-e-guerra-civil-dialogos-

Fui convidado a participar do evento "Poesia e Guerra Civil: diálogos e intervenções", promovido pelo Instituto Cervantes no Dia Mundial do Livro. Colaborei com o vídeo-poema da postagem anterior.

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http://medianeiro.blogspot.com/2009/04/video-poema-de-um-trabalhador.h

Vídeo-poema feito sob encomenda do Instituto Cervantes para o evento "Poesia y Guerra Civil Española: diálogos e intervenciones", realizado no dia 23 de abril de 2009 na sede do IC em São Paulo. A organização do evento propôs a diversos escritores latino-americanos que realizassem um "diálogo" com algum poema da época da Guerra Civil.



De um trabalhador confiscado na Ponte da Amizade


...........A partir do poema “A um trabalhador assassinado”

...........(Langille eraildu bati), do poeta basco Lauaxeta

...........(1905-1937),que morreu fuzilado na Guerra Civil


Como trabalhadores, todos somos

um pouco a cada dia assassinados.

A cada dia um pouco relembrados

que trazemos em nossos cromossomos


o que podíamos ser mas não fomos

por nossa culpa, pois não estudados.

Nessa guerra incivil dos tributados,

nossa bagagem tanta, feito os pomos-


-de-Adão dos travestis, nos denuncia

à distância à polícia aduaneira,

que sabe aliviar toda caçamba


dos excessos. Vivemos na fronteira

de nós mesmos, e somos nós a muamba

que é confiscada um pouco a cada dia.


...........Foz do Iguaçu, abril de 2009



_________________________


Comentário sobre o processo criativo


A Guerra Civil Espanhola teve grande impacto sobre quatro literaturas que convivem sobrepostas no território da Espanha. As literaturas galega, espanhola, catalã e basca sofreram igualmente com o desaparecimento de toda uma geração de escritores, perdida na guerra e no exílio.


Decidi homenagear um escritor basco, que escrevia em uma língua praticamente inacessível para além de suas fronteiras linguísticas. A obra do poeta Lauaxeta (1905-1937), que morreu fuzilado na Guerra Civil, causou por si mesma uma revolução nas letras bascas, introduzindo-as diretamente na Modernidade. Seu prematuro desaparecimento, aos 32 anos de idade, foi uma dentre as muitas perdas que a literatura basca demoraria a superar.


O poema que selecionei, “A um trabalhador assassinado” (Langille eraildu bati), trata de um dos temas que estavam na pauta original da Guerra Civil: a justiça social nas relações trabalhistas e o uso do aparato estatal para reprimir a classe trabalhadora.


Trasladando esse tema para meu tempo e lugar, a fronteira Brasil–Paraguai neste final da primeira década do séc. XXI, constato que permanece na pauta do dia o uso da força policial para reprimir trabalhadores que não têm outra perspectiva – a menos que se considere a criminalidade uma perspectiva – senão viverem na informalidade.


Diariamente são apreendidos na fronteira grandes volumes de mercadorias que seriam revendidas a preço baixo em diferentes pontos do território brasileiro. Mercadorias como brinquedos, eletrônicos e quinquilharias, responsáveis por colocar o pão na mesa de inúmeras famílias.


Em meu poema “De um trabalhador confiscado na Ponte da Amizade” procuro dar voz a um desses trabalhadores que vivem na fronteira de si mesmos.


____________



Este vídeo-poema também está no YouTube.



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http://medianeiro.blogspot.com/2009/04/politica-publica-y-literatura-e

Foi publicado um artigo meu em espanhol, "Política pública y literatura en Brasil", na revista Tela de Rayón, de Puerto Madryn, Argentina. Recebi recentemente os exemplares enviados por minha amiga Sylvia Iglesias.


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http://medianeiro.blogspot.com/2009/04/resenha-na-folha-de-s-paulo.htm

Folha de S. Paulo
Caderno Ilustrada
São Paulo, sábado, 18 de abril de 2009


RODAPÉ LITERÁRIO

A esfera infinita da poesia

____________________________

Nova coleção reúne diversas tradições

poéticas das regiões espanholas, dos
versos galegos aos bascos
____________________________


MANUEL DA COSTA PINTO

COLUNISTA DA FOLHA

TENDO EM comum o subtítulo "Das Origens à Guerra Civil", os quatro volumes sobre a "poesia de Espanha" organizados por Fábio Aristimunho Vargas são um notável trabalho de síntese: apresenta tradições literárias derivadas de vertentes linguísticas distintas -castelhana, catalã, galega, basca- e acaba demonstrando como o idioma da poesia constitui um país sobreposto ao território (mesmo quando incorpora suas tensões).

Pode-se dizer que a Espanha, como unidade política, é uma metonímia do mundo globalizado: compreende vários países dentro de sua extensão geográfica, possui uma metrópole hegemônica (Madri), que entretanto não cancela outros polos -um pouco como a esfera infinita de Pascal, "cujo centro está em toda parte e a circunferência em parte nenhuma".

E se alguns desses centros conquistaram o estatuto de comunidades autônomas por pressão do violento nacionalismo basco ou do separatismo cultural catalão, a literatura -cuja nacionalidade é a língua- não pode prescindir do comércio com outros domínios. O maior exemplo está no volume "Poesia Espanhola", em que Vargas indica como Garcilaso de la Vega foi influenciado pelo valenciano Ausiàs March, que aparece em "Poesia Catalã". E há ainda, em "Poesia Galega", um dos poemas nesse idioma feitos por Federico García Lorca (cuja obra foi escrita essencialmente em castelhano).

As apresentações dos volumes são breves e esclarecedoras, indicando peculiaridades histórico-culturais; as traduções trazem, ao final, o poema na língua de origem; e os apêndices incluem, além da biografia dos escritores, quadros que colocam essas literaturas em paralelismo cronológico e ortográfico.

Dito isso, é digno de nota que as intempéries políticas -que se estenderam para além da Guerra Civil vencida pelo "generalíssimo" Francisco Franco em 1939- muitas vezes congelaram as tradições poéticas dos territórios submetidos. Enquanto a Espanha vivia seus "Séculos de Ouro" (renascimento e barroco), com Garcilaso, Góngora, Quevedo e Calderón de la Barca, a Galícia entrava nos "Séculos Escuros" de uma produção literária "praticamente nula", segundo Vargas.

E, no caso basco, alguns poemas parecem confinados a temas como a celebração da paisagem e a luta pela independência. Mesmo aqui, há momentos de impacto, como no verso que abre "Contrapasso", de Bernat Etxepare: "Euskara,/ mostra a tua cara", que o leitor certamente vai associar à música de Cazuza ("Brasil, mostra a tua cara") -e que prova como o tradutor soube recriar poemas que sobrevivem a seu contexto original graças à língua basca (euskara) e não à utopia regressiva da "nação basca" (Euskal Herria).

________________________________

POESIA ESPANHOLA / POESIA CATALÃ / POESIA GALEGA / POESIA BASCA: DAS ORIGENS À GUERRA CIVIL
Autor: vários
Tradução: Fábio Aristimunho Vargas
Editora: Hedra
Quanto: R$ 15 (cada volume de 160 págs. em média)
Avaliação: ótimo


Fonte: site da Folha de São Paulo.


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http://medianeiro.blogspot.com/2009/04/poesias-de-espanha-na-radio_16.

Entrevistas que concedi a rádios como organizador e tradutor da Coleção Poesias de Espanha: das origens à Guerra Civil, por ocasião do lançamento dos quatro volumes da coleção: Poesia galega, Poesia espanhola, Poesia catalã e Poesia basca (São Paulo: Hedra, 2009).

CBN – A rádio que toca notícia
Entrevista concedida à jornalista Simone Bagno, da Rádio CBN de São Paulo, programa CBN Noite Total, Boletim Tempo de Letras, que foi ao ar no dia 02/04/09, às 23h.
Fonte: site da CBN.

BLOG TEMPO DE LETRAS
Excerto que não foi ao ar da entrevista concedida à jornalista Simone Bagno, da Rádio CBN de São Paulo. Postado no blog institucional do programa em 02/04/09.

Fonte: Blog Tempo de Letras.

RÁDIO ELDORADO FM
Entrevista concedida à jornalista Vanessa di Sevo, da Rádio Eldorado FM de São Paulo, que foi ao ar no dia 1º/04/09, às 15h30. Chamada: “Mundo lembra os 70 anos do fim da Guerra Civil Espanhola”.
Fonte: site Território Eldorado.

RÁDIO CULTURA BRASIL
Entrevista concedida à escritora e apresentadora Andréa Catrópa, da Rádio Cultura Brasil, programa Ondas Literárias, que foi ao ar no dia 28/03/09, às 10h30.

Fontes: site da Rádio Cultura Brasil e blogue Ondas Literárias.

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http://medianeiro.blogspot.com/2009/04/fotos-do-lancamento.html

Fotos do lançamento da Coleção Poesias de Espanha: das origens à Guerra Civil, realizado na Casa das Rosas, em São Paulo, no dia 03 de abril de 2009. O lançamento foi tudo de bom! Pra quem não se lembra, neste mês de abril de 2009 são lembrados os 70 anos do fim da Guerra Civil Espanhola.

Os livros da noite, de cima pra baixo: Poesia catalã, Poesia galega, Poesia basca e Poesia espanhola (São Paulo: Hedra, 2009).
"Minha obra deixe, quem não está triste,
ou triste alguma vez não haja estado"...
(Ausiàs March)

Debate "O impacto da Guerra Civil nas literaturas galega, espanhola, catalã e basca", com Paulo Ferraz, Fábio Aristimunho Vargas, Estebe Ormazabal e Miguel Afonso Linhares.
"Escuta, Espanha, a voz de um filho
que fala em língua não castelhana"
(Joan Maragall)


Casa cheia!
"branca, louçã, cortês, polida e lhana,
casa de humildes dons, castos amores"
(Teodor Llorente)

Intervalo entre o debate e o recital.
"Os prazeres e os dulçores
desta vida trabalhada"
(Jorge Manrique)


Eu, tia Marli e minha prima Bárbara.
"Meu coração transborda de alegria,
e dos de casa já escuto a voz"
(Jean Baptiste Elizanburu)

Autógrafo com Felipe Oliva.
"nem eu tenho mais que dar-te
nem tens mais que me pedir"
(Rosalía de Castro)

Ana Rüsche fazendo as vezes de mucama.
"Livre-me Deus desta carga
mais que o aço árdua de suster,
que morro por não morrer"
(Santa Teresa de Ávila)


Alfredo Fressia, Dirceu Villa e Ana Rüsche.
"Como dize Aristótiles, cosa es verdadera,
el mundo por dos cosas trabaja: la primera..."
(Juan Ruiz, Arcipreste de Hita)


Sarau quinquelíngue: Miguel Afonso Linhares e Andréa Catrópa na leitura do galego.
"Ai desperta, adorada Galiza,
desse sono em que estás debruçada"
(Francisco Añón)


Sarau: Estebe Ormazabal e Paulo Ferraz na leitura do basco.
"Muitos gostam dos bascos
sem sua língua falar,
e agora ao euskara
poderão comprovar"
(Bernat Etxepare)


Baladas antigas.
"Mas agora pague o mico"
(anònim, segle XIX)

Pós-lançamento de sempre...
..."que dois copos depois, o terceiro é um dever"!
(Salvat Monho)

Tércio Redondo, Ruy e Marisa Proença.
"Era mais de meia-noite,
contam as velhas histórias"...
(José de Espronceda)


"Mas tenho sede! Passem-me a garrafa!"
(Betiri Olhondo)

Padrinhos, madrinhas e afilhados: Ju, Claudia, Marco Antonio, Melissa e eu.
..."rodeados de amigos,
que o prazer nos recordam"...
(Eduardo Pondal)


Eu e a Ju, que me apoiou - e aguentou! - nesses dois anos de Poesias de Espanha.
"De quantas coisas que no mundo estão,
não vejo eu bem quais podem semelhar"
(Paio Gomez Charinho)



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COLEÇÃO POESIAS DE ESPANHA


Os 70 anos do encerramento da Guerra Civil Espanhola, um dos episódios mais cruéis e de maior impacto do séc. XX, serão lembrados no dia 1º de abril de 2009. Para marcar a data, a editora Hedra lança, no dia 3 de abril na Casa das Rosas, a coleção Poesias de Espanha: das origens à Guerra Civil, uma antologia poética em quatro volumes que reúne as literaturas galega, espanhola, catalã e basca, todas elas profundamente marcadas pela Guerra Civil Espanhola.


Os volumes que serão lançados, intitulados Poesia galega, Poesia espanhola, Poesia catalã e Poesia basca, todos com o subtítulo “das origens à Guerra Civil”, reúnem uma seleção de poemas e autores representativos dos principais períodos históricos de cada literatura, desde suas origens como manifestação literária, a partir do séc. XII, até a Guerra Civil Espanhola, encerrada em 1º de abril de 1939.


O corte temporal, além de abarcar as origens da poesia de cada uma das línguas, destaca a importância da Guerra Civil Espanhola para as quatro literaturas, simultaneamente como elemento de ruptura e fator de convergência, na medida em que representa o desaparecimento de toda uma geração de escritores perdida na guerra ou no exílio.


Com organização e tradução de Fábio Aristimunho Vargas, a antologia conta ainda com um amplo aparato crítico: uma apresentação geral à coleção seguida dos prefácios específicos para cada língua, notas biobibliográficas dos autores e poemas, um quadro sinótico, fonética sintática e guia comparativo das ortografias portuguesa, galega, castelhana, catalã e basca.


Entre os autores reunidos figuram nomes tão diversos como Martim Codax, Rosalía de Castro, Manuel Antonio (Poesia galega), Gonzalo de Berceo, Garcilaso de la Vega, Federico García Lorca (Poesia espanhola), Ausiàs March, Jacint Verdaguer, Bartomeu Rosselló-Pòrcel (Poesia catalã), Bernat Etxepare, José María Iparraguirre, Lauaxeta (Poesia basca), entre vários outros, além de composições e cantigas de origem popular.


O livro dedicado à poesia catalã foi premiado pelo Institut Ramon Llull, entidade responsável pela projeção no exterior da língua e da cultura catalãs, com sede em Barcelona, com a concessão de apoio à tradução em 2009.


SOBRE O ORGANIZADOR


Fábio Aristimunho Vargas é professor, escritor e advogado. Cursou direito e letras na USP. É mestre em direito internacional pela USP, especialista em direito internacional privado pela Universidad de Salamanca e especialista em estudos bascos pela Fundación Asmoz de Eusko Ikaskuntza e pela Universidad del País Vasco. Traduziu para o português os livros Atlas: Correspondência 2005--2007 [Edicions sèrieAlfa, 2008], do poeta valenciano Joan Navarro e do artista plástico catalão Pere Salinas; La entrañable costumbre [Mantis Editores, 2008], do mexicano Luis Aguilar, entre outros. É co-organizador e tradutor ao castelhano da coletânea de jovens poetas Antologia Vacamarela: português, espanhol e inglês [Edição dos autores, 2007]. Mantém o blogue Medianeiro.


DEBATE E RECITAL


Paralelamente ao lançamento haverá um debate e um recital quinquelíngue de poesia. O DEBATE abordará o tema “O impacto da Guerra Civil nas literaturas galega, espanhola, catalã e basca”. Dele participarão, entre outros, Estebe Ormazabal, professor de língua basca; Miguel Afonso Linhares, linguista e professor de espanhol em Roraima, e Fábio Aristimunho Vargas, organizador e tradutor da coleção Poesias de Espanha.


No RECITAL QUINQUELÍNGUE, escritores convidados farão leituras de poemas em galego, castelhano, catalão e basco, com as respectivas traduções ao português. Participarão das leituras, entre outros escritores, Paulo Ferraz, Alan Mills, Andréa Catrópa e Dirceu Villa. Ao final, serão apresentados vídeos com canções e baladas antigas.


APOIO

Institut Ramon Llull

Casa das Rosas


DIVULGAÇÃO

Euskal Etxea Brasil

Associação Cultural Catalonia

Coletivo Vacamarela

Instituto Cervantes


SERVIÇO


Coleção Poesias de Espanha, em quatro volumes: Poesia galega: das origens à Guerra Civil, Poesia espanhola: das origens à Guerra Civil, Poesia catalã: das origens à Guerra Civil e Poesia basca: das origens à Guerra Civil, editora Hedra, 2009.

Organização e tradução Fábio Aristimunho Vargas.

  • Lançamento: dia 03 de abril, a partir das 19h,
  • Debate: O impacto da Guerra Civil nas literaturas galega, espanhola, catalã e basca.
  • Recital quinquelíngue com a participação de escritores convidados.


Casa das Rosas

Av. Paulista, 37 -Bela Vista
Fone: 11 3285-6986/ 3288-9447
Funcionamento: de terça a sexta, das 10h às 22h. Sábados e domingos, das 10h às 18h.


INFORMAÇÕES À IMPRENSA


Marcele Rocha

11. 9417 – 0169 | 11. 3097 – 8304

marcele@hedra.com.br




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http://medianeiro.blogspot.com/2009/03/poesias-de-espanha.html

Assista e ouça a todas as interpretações musicais de composições indicadas na antologia Poesias de Espanha: das origens à Guerra Civil (São Paulo: Hedra, 2009. Organização e tradução de Fábio Aristimunho Vargas), coletânea em quatro volumes que reúne as poesias galega, espanhola, catalã e basca do séc. XII a 1939, ano do fim da Guerra Civil Espanhola.


As línguas da Espanha



POESIA GALEGA


Ondas do Mar de Vigo

Cantiga de autoria de Martim Codax (séc. XIII).


Créditos da interpretação: Synfonye. Dir. Stevie Wishart.

Fonte: o link original da música.


Santa Maria, Strela do dia (Santa Maria, Estrela do dia)

Cantiga que integra o cancioneiro das Cantigas de Santa Maria, cuja autoria é tradicionalmente atribuída a Afonso X o Sábio (1221-1284).

Créditos da interpretação: Petrônio Joabe, Elton Becker e João Omar, integrantes do Projeto Música e Literatura.

Fonte: o link original. Neste endereço há transcrições e melodias de todas as Cantigas de Santa Maria. Já neste endereço há fac-símiles e gravuras dos manuscritos medievais.



POESIA ESPANHOLA


Vivo sin vivir en mí (Vivo sem viver em mim)

Poema de Santa Teresa de Ávila.

Créditos da interpretação: não discriminados.

Fonte: o link original da interpretação.



POESIA CATALÃ


La cançó del comte l’Arnau (A canção do conde Arnau)

Famosa canção popular surgida por volta do séc. XV.


Créditos da interpretação: Montserrat Figueras i Francesc Garrigosa, en Cançons de la Catalunya Mil·lenària. Planys & llegendes. Capella Reial de Catalunya, dirigida per Jordi Savall. Audivis-Astrée (1991).

Fontes: o link original da música, que traz outras interpretações da canção, e a tradução do Medianeiro.


El mariner (O marinheiro)

Canção popular do séc. XVI.


Créditos da interpretação: Llibre de cançons - crestomatia de cançons tradicionals catalanes. Edició amb les melodies i els textos íntegres, revisats i comentats a cura de Joaquim Maideu i Puig. EUMO Editorial. Secció II: Cançons baladístiques o líriconarratives.

Fonte: o link original da música.


Un lloro, un moro, un mico, i un senyor de Puerto Rico (Um louro, um mouro, um mico, e um senhor de Porto Rico)

Canção novecentista de autoria desconhecida, até hoje bastante popular.

Créditos da interpretação: gravação da banda Dijous Paella, que pode ser baixada gratuitamente no endereço eletrônico do grupo sob o nome Un Senyor de Puerto Rico.

Fontes: o link original da música e a tradução do Medianeiro.


La Balanguera (A Balangueira)

Poema de Joan Alcover (1854-1926) musicado por Amadeu Vives (1871-1932), alçado a hino oficial de Maiorca em 1996.


Créditos da interpretação: Maria del Mar Bonet - Concert de presentació de 'Raixa', al Palau de la Música Catalana de Barcelona.

Fonte: o link original, que apresenta diversas versões oficiais e livres do hino. Aqui há outra interpretação.


POESIA BASCA


Neska ontziratua (A moça raptada)

Balada basca de origem popular, também conhecida por seu verso inicial, Brodatzen ari nintzen (Eu estava bordando), datada do séc. XVIII-XIX.

Versão com legendas em basco:

Versão com legendas em basco e português:

Créditos da interpretação: Mikel Urdangarin.

Fontes: o link original e a tradução do Medianeiro.


Maiteak erran zerautan (Minha amada me perguntou)

Canção basca de origem popular, datada do séc. XVIII-XIX.


Créditos da interpretação: Iñigo Salaberria eta Arantza Cuesta Ezeiza. Kantutegiaren egilea: R.M. AZKUE.

Fontes: o link original da música e um link com a transcrição.


Gernikako Arbola (A Árvore de Guernica)

Hino composto em 1853, com letra de José María Iparraguirre (1820-1882) e música de Juan María Blas de Altuna y Mascarua (1828-1868).


Créditos da interpretação: não discriminados.

Fonte: o link original.

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http://medianeiro.blogspot.com/2008/12/casulo-10-lanamento.html




O lançamento do jornal de literatura contemporânea O Casulo n. 10ocorrerá na Biblioteca Alceu Amoroso Lima (R. Henrique Schaumman, 777), quarta-feira, dia 17 de dezembro, às 19 h.

Durante o lançamento haverá um bate-papo sobre a obra de José Paulo Paes, uma performance do poeta Márcio-André e um sarau aberto com a participação dos poetas publicados no jornal.

Sintam-se a vontade para ir, pegar seu exemplar gratuitamente e ler seus poemas no palco.

Destaques desta edição:

- entrevista com Armando Freitas Filho
- resenha de Decalques, livro de estréia de Diniz Gonçalves Jr.
- homenagem a José Paulo Paes
- artigo crítico sobre a poesia de Paulo Ferraz
- poemas de Danilo Bueno, Márcio-André e Valéria Tarelho
- tradução de poemas de Kim Doré
- mais crônicas e novos poetas

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http://medianeiro.blogspot.com/2008/12/lanamento-poesia-mexicana.html


Na próxima terça-feira, 9 de dezembro, às 19h, será realizada na CASA DAS ROSAS uma conversa com os poetas mexicanos Luis Armenta e Luis Aguilar, autores respectivamente dos livros O CÉU MAIS LÍQUIDO, traduzido por Paulo Ferraz, e O ENTRANHÁVEL COSTUME OU EL LIBRO DE FELIPE, traduzido por Fábio Aristimunho Vargas, numa parceria entre o Selo Sebastião Grifo e a Mantis editores, do México. Após haverá leitura com os autores e o lançamento dos livros.

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http://latrinadasletras.blogspot.com/2009/05/onirismo.html


Insônia, enxaqueca e dores nas costas.
Há penas demais neste travesseiro.

Olhos fechados correm o risco
De se abrir pra dentro
E botar meu mundo do avesso.

Descoberto,
Durmo agora um sono sem sonhos.

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http://latrinadasletras.blogspot.com/2009/05/constelacoes.html


Num céu de açúcar derramado
Estrelas pulsam
Fingindo o brilho supremo
De um fogo que já não existe
Há alguns milhares de anos.
Toda a vida do cosmos
É uma fotografia de astros mortos.
Por um instante acho graça
De gente tentando ler o futuro
Nesse álbum de fotos antigas.

Contemplo o infinito lá fora:
Uma lembrança de si mesmo.

Contemplo a lembrança aqui dentro:
Um infinito de mim mesmo.

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Agosto 27, 2009

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http://minimae.blogspot.com/2009/08/o-que-eu-faco-com-essa-vontade-

O que eu faço com essa vontade de te pegar pela nuca?
E se eu quiser muito
te chamar por uma última vez?
Muito mesmo...

Eu sei que não dá mais,
E que no fim do dia,
eu te perdi pro meu tédio.

Eu devia ter amado mais você.

Mas da próxima vez,
não vá ficar encabulada.
Eu realmente gosto de você.

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http://latrinadasletras.blogspot.com/2009/08/salgrado-misterio.html

Sem guardas,
Sem grades,
Sem gritos,
Teu segredo segrega
Os que seguem
Dos que sangram.

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http://latrinadasletras.blogspot.com/2009/08/testamento.html


No instante entre
A criação do Homem
E o suicídio de Deus,
Ecoou em voz de trovão:
"FODAM-SE!"

E Ele tingiu os céus de rosa
Numa alvorada de Domingo.

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Agosto 31, 2009

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http://latrinadasletras.blogspot.com/2009/07/tropismo.html


Olhos fixos no céu
Não contemplam estrelas;
Esperam um avião.

A bordo, ela
que semeia sorrisos
E coleciona corações
Achados pelo caminho.

Nos deixa para trás
Cultivando GIrassóis
E perseguindo no céu
Um brilho que se esconde
no (centro-)oeste.

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http://latrinadasletras.blogspot.com/2009/07/vacuo.html



Saudades de te esperar
Sem cessar, dia após dia
Na esperança de uma manhã fria
Em que você bata à minha porta
Para dizer que está de volta.

Saudades de sentir saudade.

Hoje não sei se desejo
Ter você aqui ao lado;
Sou, no fundo, apaixonado
Pelo vazio que fica na cama
Sempre que você vai embora.

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http://latrinadasletras.blogspot.com/2009/07/buracos.html



Seus olhos,
Tão fixos no retrovisor,
Lançam a dúvida
Do que deixei cair pelo caminho.
Preocupado,
Torço para ser mentira
Essa história de que sempre se perde
Alguma coisa durante a mudança.

Incerto indago: o que é pior?
As coisas que sempre se perdem
Ou as coisas que se perdem pra sempre?
...
Pior é se distrair com isso,
Tirar os olhos da estrada
E esquecer onde queríamos chegar.

Deixe o retrovisor pra lá, meu amor.
Seja o que for o que caiu,
A gente consegue um novo.
E se for alguma peça vital
Que nos faça bater e explodir pelos ares,
Me desintegrarei feliz
Enquanto nos unimos num só fogo.

O sol se põe na próxima curva.

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http://minimae.blogspot.com/2009/06/eba-cd-novo-da-regina-spektor.h

Eba! CD novo da Regina Spektor!

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PROGRAMAÇÃO

de 7 a 14 de julho de 2009

Dia 07 de julho, terça-feira

CASA DAS ROSAS

19 às 21h ABERTURA

Em lhe sendo pedido um poema de guerra, de W. B. Yeats

Com os poetas Alfredo Fressia e Paulo Ferraz


Dia 08 de julho, quarta-feira

CASA DAS ROSAS

14h MESA DE DEBATE 1- A poesia pode derrubar um muro, ou “have we no gift to set a statesman right”? com:

  • Annita Costa Malufe
  • Dirceu Villa
  • Amalia Gieschen

16h PALESTRA sobre poesia concreta com Frederico Barbosa

18h LEITURA com os convidados

  • Amalia Gieschen
  • Valeria Meiller


LIVRARIA CULTURA SHOPP. BOURBON

18h LEITURA e SESSÃO DE AUTÓGRAFOS com Annita Costa Malufe, Dirceu Villa e Fábio Aristimunho Vargas


20h PASSEATA poética da Casa das Rosas até o ESPAÇO ZERO CULTURAL para Sarau noturno


Dia 09 de julho, quinta-feira

MUSEU DA LÍNGUA PORTUGUESA

12h Visita ao museu – inscrições pelo e-mail flapsp2009(arroba)gmail.com

14h MESA DE DEBATE 2- A pena está entre a cruz e a espada, com:

  • Fábio Aristimunho Vargas
  • Luci Collin
  • Ámbar Past
  • Paulo Ferraz

16h LEITURA com os convidados:

  • Simone Brantes
  • Fabiana Faleiros
  • Fábio Aristimunho Vargas
  • Luci Collin
  • Paulo Ferraz


Dia 10 de julho, sexta-feira

CASA DAS ROSAS

14h MESA DE DEBATE 3- Existe um muro entre a poesia e as outras linguagens? A poesia está encastelada no livro ou na palavra? com:

  • Ana Rüsche
  • Dirceu Villa
  • Alejandro Mendez

16h LEITURA com os convidados:

  • Annita Costa Malufe
  • Ana Rüsche
  • Dirceu Villa
  • Alejandro Mendez


Dia 11 de julho, sábado

ESPAÇO SATYROS DOIS

15h LEITURA com as poetas Ana Rüsche, Camila do Valle, Diego Ramirez e outros poetas convidados


LIVRARIA CULTURA SHOPP. VILLA-LOBOS

18h LANÇAMENTO: Cámbio Climático: Panorama de la joven poesía boliviana e LEITURA com a poeta Jessica Freudenthal


Dia 12 de julho, domingo

CASA DAS ROSAS

10h-16h OFICINAS DE CRIAÇÃO com ALEJANDRO MENDEZ e DIEGO RAMIREZ, salas 1 e 2

inscrições pelo e-mail flapsp2009(arroba)gmail.com

17h LEITURA ABERTA e apresentação dos trabalhos das oficinas


LIVRARIA CULTURA SHOPP. MARKET-PLACE

15h LEITURA e SESSÃO DE AUTÓGRAFOS com as poetas Amalia Gieschen, Ámbar Past e Simone Brantes (a confirmar)


Dia 13 de julho, segunda-feira

FÁBRICA DE CRIATIVIDADE

16h MESA DE DEBATE 4- Existe uma poesia popular e uma poesia erudita oponíveis? com:

  • Camila do Valle
  • Pablo Paredes
  • Balam Rodrigo (a confirmar)

18h LEITURA com os convidados:

  • Camila do Valle
  • Pablo Paredes
  • Balam Rodrigo (a confirmar)

20h SARAU no BAR do BINHO


Dia 14 de julho, terça-feira

CASA DAS ROSAS

18h MESA DE DEBATE 5- Que elementos fazem a poesia mais própria para derrubar um muro? com:

  • Jessica Freudenthal
  • Diego Ramirez
  • Valeria Meiller

20h LEITURA com os três convidados da mesa

21h ENCERRAMENTO


MESA DE LIVROS E EDITORAS NA CASA DAS ROSAS DURANTE TODOS OS DIAS DO EVENTO

ENDEREÇOS:

Casa das Rosas

Av. Paulista, 37 – Bela Vista

Fone: 11 3285-6986/ 3288-9447

Fábrica de Criatividade

R. Dr. Luís da Fonseca Galvão, 248 – Capão Redondo

Fone: 11 5511-0055

Museu da Língua Portuguesa

Praça da Luz, s/n. – Centro

Fone: 11 3326-0775

Espaço dos Satyros Dois

Praça Roosevelt, 134 – Centro

Fone: 11 3258-6345

Bar do Binho

Rua Avelino Lemos Junior, 60 – Campo Limpo

Espaço Zero

R. Goiás, 167 – Pacaembu

FoneL 11 3661-8658

Livraria Cultura Villa-Lobos

Av. das Nações Unidas, 4.777 – Shopping Villa-Lobos

Fone: 3024-3599

Livraria Cultura Market Place

Av. Dr. Chucri Zaidan, 902 – Shopping Market Place

Fone: 3474-4033

Livraria Cultura Bourbon

R. Turiaçú, 2.100 – Bourbon Shopping Pompéia

Fone: 3868-5100


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Celuzlose
Revista Literária

N. 1, junho de 2009.

Edição e projeto gráfico de Victor Del Franco.

Entrevista com Fábio Aristimunho Vargas.
Poemas de Andréa Catrópa, Celso Borges e Hélio Neri.
Poemas traduzidos de Enrique Winter (Chile) e Martín Barea Mattos (Uruguai).
Poesia visual: Marcelo Sahea.

Acessível aqui.


ENTREVISTA

Fábio Aristimunho Vargas

Quinquelíngue

Poeta, tradutor e advogado, Fábio Aristimunho Vargas lançou recentemente a coleção Poesias de Espanha (Hedra, 2009) com 4 volumes, dos quais a coletênea Poesia catalã foi premiada pelo Institut Ramon Llull, de Barcelona.


Nesta entrevista, ele fala do seu trabalho de tradutor, do período em que atuou na Academia de Letras da Faculdade de Direito do Largo São Francisco e dos próximos livros que está preparando.



Em abril de 2009, você lançou a coleção Poesias de Espanha, uma antologia de fôlego que abrange um largo período histórico e inclui as quatro línguas oficiais espanholas. Quando você teve seu primeiro contato com a literatura espanhola? Já havia alguma referência desde a infância ou isso só aconteceu muito posteriormente?

A Coleção Poesias de Espanha: das origens à Guerra Civil é resultado de dois anos de trabalho árduo, mais alguns meses de infindáveis revisões e editoração. Em alguns momentos tive a impressão de que não terminaria nunca a antologia e acabaria abandonando o projeto pelo caminho. Mas, felizmente, consegui manter um ritmo de trabalho bastante intenso para poder lançar os quatro volumes da coleção – Poesia galega, Poesia espanhola, Poesia catalã e Poesia basca – a tempo do aniversário dos 70 anos da Guerra Civil Espanhola, em abril de 2009. Dos quatro idiomas da coleção, a minha primeira referência é a língua castelhana, que trago da minha infância em Foz do Iguaçu, no Paraná, minha cidade de origem e onde hoje moro novamente. Na Tríplice Fronteira o mundo hispânico é algo tão próximo quanto o seu vizinho e os colegas de colégio ou de trabalho. Sem falar que o meu pai era hispanofalante, apesar de ele falar apenas português em casa. Quando estive na Espanha, em 2002, para um curso de pós-graduação, tive o meu primeiro contato com as outras línguas do país, de cuja existência eu tinha conhecimento mas me surpreendi com sua vivacidade, sobretudo com a onipresença do catalão nas ruas de Barcelona e com a persistência do euskara no País Basco. Retornando a São Paulo, onde morava na época, comecei a estudar catalão e basco, a convite de amigos próximos, e mais tarde o galego. E como escritor, naturalmente era sempre a literatura dessas línguas o meu ponto de apoio, que eu lia conforme estudava o idioma.


Durante o processo de organização da antologia, além do período histórico, quais foram os outros critérios para a seleção dos poemas?

Numa antologia as escolhas e as renúncias são sempre arbitrárias. Procurei o mais possível estabelecer um critério objetivo de seleção, como por exemplo eleger os autores mais importantes de cada período literário, refletindo em número de autores a importância de cada período literário e o prestígio de cada autor no número de seus poemas – quanto mais fundamental o autor, mais poemas seus foram incluídos na antologia. Mas qual ou quais poemas selecionar de cada um desses autores? É nesse momento que impera a subjetividade e a seleção acaba se norteando pelos gostos do organizador, o que é algo inevitável. Ainda assim procurei manter um certo equilíbrio temático e de tons, sem nenhum tipo de preconceito literário. Na antologia é possível encontrar poemas jocosos, metalinguísticos, populares, eruditos, políticos, religiosos, epistolares, ideológicos, distribuídos de maneira aleatória e equilibrada por toda a coletânea.


Após ler as traduções (ou transcriações, como preferir), fica evidente o cuidado e o rigor que você dedicou ao trabalho. Um bom exemplo disso é o poema basco “O marinheiro” de Betiri Olhondo. Gostaria que você falasse um pouco sobre a carpintaria das traduções. Os poemas bascos chegaram a dar insônia, ou estou enganado?

Sou muito preocupado em reproduzir ou recriar os aspectos formais dos poemas, na melhor linha de certa tradição brasileira de “transcriação” de poesia. Em muitos poemas a rima e a métrica me vêm com naturalidade na tradução, mas em vários outros resultam de um verdadeiro parto, ante a dificuldade de se respeitar a forma do poema original. Tenho uma satisfação especial pelo resultado da tradução do poema basco “O marinheiro”, de Betiri Olhondo, mas também de poemas como “Vivo sem viver em mim”, de Santa Teresa de Ávila, “Prisioneiro”, de Jordi de Sant Jordi, “A vaca cega”, de Joan Maragall, e das cantigas galego-portuguesas, neste último caso apresentadas como releituras modernas dos originais medievais. De fato as traduções do basco foram as mais complicadas, por uma série de motivos. Por não se tratar de uma língua neolatina e por ter uma sonoridade muito peculiar, o ritmo dos poemas não é facilmente transposto na tradução, restando ao tradutor criar um ritmo totalmente novo para cada poema. A tradução nesse caso é uma versificação totalmente nova, em que se aproveita não mais do que a ideia do original. Eu me orgulho de alguns momentos em que consegui reproduzir algo da sonoridade do verso original, em passagens como “à beira da estrada carreteira pouco transitada”, de Xabier Lizardi, e “não buscamos baleia, apenas nova ideia”, de Lauaxeta, mas reconheço que foram poucos os momentos em que as assonâncias e sobretudo as aliterações conseguiram passar pela peneira do idioma. Por outro lado, foi na antologia da poesia basca em que mais abusei das traduções em versos brancos, algo que ainda assim se justifica: dada a dificuldade para decifrar o sentido do original, em muitos casos não me sentia à vontade para “trair” o texto em busca da melhor rima, preferindo recriar a sonoridade com outros recursos rítmicos.


Como foi feita a pesquisa para a elaboração das notas finais, incluindo o quadro sinótico e o guia das ortografias?

A pesquisa para as notas foi feita como em qualquer trabalho monográfico: investigação em acervos físicos e eletrônicos, fichamentos, levantamentos bibliográficos etc. Para isso acionei bibliotecas estrangeiras, sobretudo espanholas, e as bibliotecas particulares dos amigos, que gentilmente me emprestaram livros sem prazo para devolução. Também comprei muitas obras, na maior parte com preços em euro, que pesaram no meu bolso. Nas notas incluo não só informações objetivas sobre a vida e a obra dos autores, mas também alguns comentários sobre sua poética particular e sobre questões pontuais do trabalho de tradução. Uma curiosidade é que a antologia da poesia basca é baseada na minha monografia “Panorama histórico de la poesía vasca: una mirada lusohablante”, que elaborei para obtenção do título de Especialista em Estudos Bascos, pela Fundación Asmoz de Eusko Ikaskuntza e pela Universidad del País Vasco, sob orientação do Prof. Jon Kortazar, um grande crítico da literatura basca. Já o Quadro sinótico, que compara cronologicamente os períodos literários das quatro literaturas, é fruto das minhas reflexões sobre o tema e embasa algumas das conclusões a que cheguei a respeito da relação que há entre literaturas ao mesmo tempo tão próximas e tão distantes, conforme exponho na Apresentação dos volumes. O Guia das ortografias é um estudo gentilmente elaborado e cedido pelo revisor da antologia, o Prof. Miguel Afonso Linhares, de Roraima, que acompanhou de perto e desde cedo colaborou com o desenvolvimento do projeto Poesias de Espanha.



No período em que morou em São Paulo, você estudou na Faculdade de Direito do Largo São Francisco e participou das atividades da Academia de Letras que existe na Faculdade. Como foi essa passagem pela Academia de Letras e o seu trabalho na edição da revista FNX?

A Academia de Letras da Faculdade de Direito de São Paulo, fundada em 1932, foi uma verdadeira escola para mim, um período valioso de aprendizado. De lá trouxe muita experiência de editoração e vivência literária, e sobretudo os amigos que permaneceram para além do quinquênio da faculdade. Por muito tempo fiz parte do conselho editorial da Revista Phoenix, que em seu número XIX, de 2005, mudou seu nome para FNX. Com a revista aprendi muito sobre organização e editoração de obras literárias, um conhecimento fundamental para mim hoje em dia. Eis o blog da Academia de Letras.


Por falar na revista FNX, afinal de contas, quem é Wallace O’Brian?

Wallace O’Brian é um heterônimo e personagem coletivo, criado pelo pessoal da Academia de Letras para personificar tudo o que considerávamos ruim em poesia. Seus versos são em regra derramados e excessivamente líricos, tratando de temas anacrônicos como cavalaria, os deuses greco-romanos, a tradição céltica. E sempre eram inseridas frases com duplo-sentido aparentemente acidental. Em 2004, a revista Phoenix (FNX) trouxe um dossiê revelando a gênese de Wallace O’Brian, até então secreta e envolta em mistérios, além de uma coletânea de seus poemas. Na realidade, tudo foi uma grande brincadeira literária e Wallace O’Brian era, de certa forma, um manifesto poético do grupo, só que às avessas.


Sator arepo tenet opera rotas. O palíndromo é um vício?

A arte do palíndromo é uma grande diversão, mas também um vício, um estorvo. O Laerte tem uma série de tiras sobre palíndromos, que ele curiosamente assina como ET Real. Uma delas ilustra bem a fixação do palindromista na procura pelo palíndromo: um sujeito está no ônibus e lê uma placa em que está escrito restaurante; pensando em várias combinações de letras a partir do espelho da palavra, ele chega ao resultado: “E.T. na rua; T.S.E. redobra garbo de restaurante”, e a charge termina com ele procurando por uma caneta. Essa tira é genial, pois ilustra com perfeição a experiência palindrômica e a condição do palindromista. Eu coleciono os palíndromos que faço, e já contabilizo algumas centenas, embora admita que são poucos os que guardam alguma verossimilhança e concisão, que são critérios para se avaliar a qualidade de um palíndromo. Já que mencionei, cito alguns palíndromos de minha autoria: “O spa local a colapso”, “Medo, pejo – hoje podem”, “Somava zero. Rezávamos”, “O céu sueco”, “Lê, Dr., o cordel”, “À cobaia dai a boca”, “Até o professor vil lê papel. Livros, se for poeta”, “Museu – és um?”, “O laico gênio foi negociá-lo”, “A letra é arte lá”, “O anônimo bar abomino? Não!”, entre vários outros, para nem citar os palíndromos impublicáveis. Certa vez eu e meu amigo Guilherme Almeida de Almeida organizamos um curso de criação de palíndromos na Casa das Rosas, que foi bastante divertido, especialmente para nós mesmos. Também sou o proprietário de uma comunidade no orkut dedicada à arte palindrômica, chamada “Palíndromos e palindromania”, e convido os leitores a fazer uma visita. É difícil unir palíndromo e poesia, pois o resultado em geral é nonsense ou na linha arte pela arte. Mas já fiz algumas tentativas e incursões literárias no palíndromo, como os micropoemas da “Série palindrômica”.



Em 2005, você lançou “Medianeira”, seu primeiro livro de poesias. Está preparando o próximo livro de poesias ou os seus trabalhos atuais estão voltados totalmente para a tradução?

Tenho dois livros na gaveta, um de poesia e outro de poesia infantil, que estão amadurecendo antes serem publicados. Não tenho pressa de publicar, sei que todo livro tem um ciclo próprio de gestação que não convém acelerar. Também estou num processo de incorporação das minhas leituras ibéricas, que talvez resultem em novos poemas, dos quais o poema “De um trabalhador confiscado na Ponte da Amizade” é um primeiro fruto. Por enquanto estou mais focado mesmo no meu trabalho como tradutor. Hoje tenho três projetos de tradução em andamento, sendo que um deles já está em fase de editoração, a antologia Canto desalojado, que reúne poemas de Alfredo Fressia, poeta uruguaio radicado em São Paulo. Também tenho planos para organizar uma continuação da coleção Poesias de Espanha, desta vez tratando do restante séc. XX que não foi abrangido pela primeira coleção. Esta continuação terá como subtítulo “do pós-Guerra a 2000” e já contabiliza uma quantidade razoável de poemas e poetas traduzidos, só que desta vez vou trabalhar com mais calma, sem a pressão de uma data pré-estabelecida para o lançamento. É uma lição que aprendi com o trabalho insano a que me submeti na primeira coleção. Não que eu me arrependa, pois é um trabalho de que me orgulho bastante, mas não pretendo repetir a experiência tão cedo.



..................4 POEMAS DA

..................SÉRIE PALINDRÔMICA


ALVARIANA

a ira cá bate: tabacaria



....................................CANTO GENERAL

.................................... “a vaga vida dure”, neruda divagava


ORAÇÃO

orem: “oh, homero...”


.................................... TERRA

.................................... mesmo com, sem



De um trabalhador confiscado na Ponte da Amizade


A partir do poema “A um trabalhador

assassinado”, de Lauaxeta, poeta basco

fuzilado na Guerra Civil Espanhola


Como trabalhadores, todos somos

a cada dia um pouco assassinados.

Um pouco a cada dia relembrados

que trazemos em nossos cromossomos


o que podíamos ser mas não fomos

por nossa culpa, pois pouco estudados.

Nessa guerra incivil dos remediados,

nossa bagagem tanta, feito os pomos-


-de-Adão dos travestis, nos denuncia

à distância à polícia aduaneira,

que sabe aliviar toda caçamba


dos excessos. Vivemos na fronteira

de nós mesmos, e somos nós a muamba

que é confiscada um pouco a cada dia.


..................Foz do Iguaçu, abril de 2009







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http://medianeiro.blogspot.com/2009/04/resenha-na-gazeta-do-iguacu.htm

A Gazeta do Iguaçu, Foz do Iguaçu, quinta-feira, 22 de abril de 2009

Coleção Poesias de Espanha será lançada em Foz


Entre os autores reunidos, figuram nomes diversos como Martim Codax e Federico García Lorca


....Os 70 anos do encerramento da Guerra Civil Espanhola, um dos episódios mais cruéis e de maior impacto do séc. XX, são lembrados neste mês de abril de 2009. Para marcar a efeméride, a editora Hedra lança a coleção Poesias de Espanha: das origens à Guerra Civil, uma antologia poética em quatro volumes que reúne as literaturas galega, espanhola, catalã e basca, todas elas profundamente marcadas pela Guerra Civil Espanhola.

.... Os volumes lançados, intitulados Poesia galega, Poesia espanhola, Poesia catalã e Poesia basca, todos com o subtítulo “das origens à Guerra Civil”, reúnem uma seleção de poemas e autores representativos dos principais períodos históricos de cada literatura, desde suas origens como manifestação literária, a partir do séc. XII, até a Guerra Civil Espanhola, encerrada em 1º de abril de 1939.

.... O corte temporal, além de abarcar as origens da poesia de cada uma das línguas, destaca a importância da Guerra Civil Espanhola para as quatro literaturas, simultaneamente como elemento de ruptura e fator de convergência, na medida em que representa o desaparecimento de toda uma geração de escritores perdida na guerra ou no exílio.

.... Com organização e tradução de Fábio Aristimunho Vargas, a antologia conta ainda com um amplo aparato crítico: uma apresentação geral à coleção seguida dos prefácios específicos para cada língua, notas biobibliográficas dos autores e poemas, um quadro sinótico, fonética sintática e guia comparativo das ortografias portuguesa, galega, castelhana, catalã e basca.

.... Entre os autores reunidos figuram nomes tão diversos como Martim Codax, Rosalía de Castro, Manuel Antonio (Poesia galega), Gonzalo de Berceo, Garcilaso de la Vega, Federico García Lorca (Poesia espanhola), Ausiàs March, Jacint Verdaguer, Bartomeu Rosselló-Pòrcel (Poesia catalã), Bernat Etxepare, José María Iparraguirre, Lauaxeta (Poesia basca), entre vários outros, além de composições e cantigas de origem popular.

.... O livro dedicado à poesia catalã foi premiado pelo Institut Ramon Llull, entidade responsável pela projeção no exterior da língua e da cultura catalãs, com sede em Barcelona, com a concessão de apoio à tradução em 2009.


SOBRE O ORGANIZADOR

.... Fábio Aristimunho Vargas é professor, escritor e advogado. Cursou direito e letras na USP. É mestre em direito internacional pela USP, especialista em direito internacional privado pela Universidad de Salamanca e especialista em estudos bascos pela Fundación Asmoz de Eusko Ikaskuntza e pela Universidad del País Vasco. Traduziu para o português os livros Atlas: Correspondência 2005--2007 [Edicions sèrieAlfa, 2008], do poeta valenciano Joan Navarro e do artista plástico catalão Pere Salinas; La entrañable costumbre [Mantis Editores, 2008], do mexicano Luis Aguilar, entre outros. É co-organizador e tradutor ao castelhano da coletânea de jovens poetas Antologia Vacamarela: português, espanhol e inglês [Edição dos autores, 2007]. Mantém o blogue medianeiro.blogspot.com.


PALESTRA E LANÇAMENTO EM FOZ DO IGUAÇU

.... A coleção Poesias de Espanha: das origens à Guerra Civil será lançada em Foz do Iguaçu durante o Salão Internacional do Livro, no dia 04 de maio, às 19h30. Na ocasião o organizador-tradutor ministrará uma palestra sobre “Os 70 anos da Guerra Civil Espanhola e seu impacto nas literaturas galega, espanhola, catalã e basca”, seguida da leitura de poemas e apresentação de canções e baladas antigas em vídeo. O primeiro lançamento da coleção ocorreu em São Paulo, no dia 03 de abril, na Casa das Rosas, e teve grande repercussão.


APOIO

.... Institut Ramon Llull


SERVIÇO

.... Coleção Poesias de Espanha, em quatro volumes: Poesia galega: das origens à Guerra Civil, Poesia espanhola: das origens à Guerra Civil, Poesia catalã: das origens à Guerra Civil e Poesia basca: das origens à Guerra Civil (São Paulo: Hedra, 2009).

.... Organização e tradução Fábio Aristimunho Vargas

.... · Lançamento: Salão Internacional do Livro Foz do Iguaçu - 2009, dia 04 de maio, a partir das 19h30, Auditório 2

.... · Palestra: Os 70 anos da Guerra Civil Espanhola e seu impacto nas literaturas galega, espanhola, catalã e basca.

.... · Leitura de poemas e apresentação de canções e baladas antigas em vídeo.


chamada na capa do jornal:


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http://juliaeoquati.blogspot.com/2009/06/102.html

acabei de assistir algo que me tirou do sério.
ao final do vídeo, uma voz em off pergunta:

você disse?
eu te amo.
eu não quero mais viver sem você.
você mudou a minha vida.
você disse?
faça um plano, estabeleça um objetivo, trabalhe para alcançá-lo.
mas, de vez em quando, olhe em volta, absorva.
porque é isso. tudo pode acabar amanhã.

eu não me relembro o suficiente da fragilidade da vida, e que a gente pode acabar sem nunca ter dito coisas importantes.

mas, da minha parte, eu disse, e as conseqüências não importam aqui.

e você, disse?

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http://juliaeoquati.blogspot.com/2009/05/101.html

Love Conquers All


frase muito bonita e tudo, mas é mentira. Amor assim é coisa de novela da globo, de filme de Hollywood (e Bollywood também, ainda que daquele jeito estranho, cheio de dancinhas), de seriados novaiorquinos sobre 6 amigos que, no final, encontram suas respectivas almas gêmeas, de músicas românticas cantadas pelo Wando e livros da Jane Austen...


amor de verdade é algo totalmente diferente do que todos os meios de arte e mídia imprimem na nossa cabeça desde que nascemos. Exemplo prático: o casal da famosa foto do Doisneau, tirada em frente a prefeitura de Paris, é um ícone do Amor. Namorados se presenteiam com quadros dessa imagem, apaixonados usam como plano de fundo de seus computadores, mulheres românticas tentam imitar a pose (ainda que seja no Viaduto do Chá, em frente ao Matarazzinho). Um porém, todos se esquecem que aquele casal se separou e nunca mais se encontrou até o leilão da fotografia original!


o que é mesmo, então, que o amor conquista? Se não é felicidade eterna, fidelidade eterna, ou algo eterno, a conquista não parece um grande acheivement. Sei que amor pode vir em muitas formas, mas nenhuma é incondicional, resistente a qualquer intempérie, à prova de balas. Por que, então, pintam esse Amor com a maiusculo como a única solução, o conquistador de tudo? Para que serve essa construção de Amor invencível?


As pessoas têm de acreditar em alguma coisa. Podiam ter escolhido ódio, raiva, vingança, inveja. Decidiram, não sei quando, que o grande protagonista dos nossos períodos de busca seria o Amor. É a ele que recorremos, é ele que queremos e desejamos e almejamos para nossa vida. Only for what? Sofrimento. São irmãos gêmeos. O meu cinismo me impede de ver algum tipo de amor sem um down side. Todo amor implica em perda, em sacrifício, em dor, mais cedo ou mais tarde. E todo amor tem data de validade. Todo. Sem exceção.


Não, nem me venha com a história dos seus avós que estão juntos e apaixonados pelos últimos 60 anos. Isso se chama conveniência. Sim. Amizade, cumplicidade, comodismo, preguiça, escolha o seu substantivo. Amor, do jeito que me ensinaram nas histórias de lived happily ever after nunca vi. Amor tem um ar tão mágico, místico, inexplicável. Só se sabe quem sente, não dá pra explicar. BULL-SHIT. Se você sente, como animal racional, consegue descrever. Assim como um médico consegue identificar um ataque do coração pela descrição da dor que o paciente faz. Amor deveria ser diagnosticável.


Ah, se eu já amei? Já falei “eu te amo” sim, já senti aquela sensação indizível de, … de, … de que? Sei lá. Se eu amo meus pais? Claro. I'm supposed to. Minha irmã? Obviamente! Então explica! Nem tem como. Às vezes eu amo, às vezes odeio. Amor é o oposto de ódio então? Deve ser, já me perdi no meu próprio raciocínio e no meu próprio cinismo ilimitado...

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