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Fevereiro 2009

Fevereiro 01, 2009

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http://hay-tomates.blogspot.com/2009/02/ainda-nao-e-um-post.html

Sinto decepcionar, mas só passei aqui pra dizer que ando ensolarada (e insone). Caminhei pela Paulista hoje, ouvindo Art Pepper & Chet Baker no Ipod. Um céu lindo. Azul desses de esfriar o estômago. Calor. Minha pressão nem ameaçou cair. Escrevi uma letra de jazz pra um amigo. Vou pra NY no mês que vem. Sinto saudade do Blue Note, do Birdland, do Central Park, do Dean & Deluca; também dos amigos de Boston, do Circa Canal, do amanhecer e das lagostas de Cape Cod. E daquilo que poderia ter me tornado mas não tive coragem pra tanto. Ando bebendo demais. Dançando demais também. Ainda há pouco dancei na sala ao som de Cantaloop Island. Não, eu não quero parecer intelectual. Nem globetrotter. Sou uma menina cafona de interior que aprendeu a gostar de Beckett, Schnitzler e Doistoivéski depois de beber muitas cervejas com gente que estudou no Santa Cruz, sabem? Só passei mesmo pra dizer que estou ensolarada e que nunca me senti tão à vontade na minha própria pele. Sou minha ilha particular. O meu próprio pôr-do-sol (isso ainda tem acento e hífen depois desse delírio de reforma ortográfica?). Estou irremediavelmente feliz. Não importa pra ninguém, eu sei. Mas estou feliz. Quero mais. Mas a vida é pouca e ainda quero passar o resto dos dias de mãos dadas. Acho que deixar de lado quem me rouba a solidão foi uma excelente escolha. Feliz. That's all, folks!
*** "Night and Day", Frank Sinatra.

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http://medianeiro.blogspot.com/2008/12/casulo-10-lanamento.html




O lançamento do jornal de literatura contemporânea O Casulo n. 10ocorrerá na Biblioteca Alceu Amoroso Lima (R. Henrique Schaumman, 777), quarta-feira, dia 17 de dezembro, às 19 h.

Durante o lançamento haverá um bate-papo sobre a obra de José Paulo Paes, uma performance do poeta Márcio-André e um sarau aberto com a participação dos poetas publicados no jornal.

Sintam-se a vontade para ir, pegar seu exemplar gratuitamente e ler seus poemas no palco.

Destaques desta edição:

- entrevista com Armando Freitas Filho
- resenha de Decalques, livro de estréia de Diniz Gonçalves Jr.
- homenagem a José Paulo Paes
- artigo crítico sobre a poesia de Paulo Ferraz
- poemas de Danilo Bueno, Márcio-André e Valéria Tarelho
- tradução de poemas de Kim Doré
- mais crônicas e novos poetas

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http://minimae.blogspot.com/2009/02/preciso-de-um-velorio-cigano-mu

Preciso de um velo'rio cigano,
muito a'lcool, brigas, muita raiva,
por ter que perder voce.

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http://minimae.blogspot.com/2009/02/bob-dylan-in-nutshell-pra-mim-p

All I really
wanna doOoooOOoOooooo

is baby be friends
with you

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Fevereiro 02, 2009

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http://hay-tomates.blogspot.com/2008/11/ecos.html

Leio muito, mais do que o recomendado para esse momento. Leio. Leio. Leio sem parar. Cinco livros em um único mês. O motivo? Não arriscaria dizer.
Hoje, porém, achei um rabisco na gaveta da escrivaninha - e há tantos por lá! Fechei os olhos e meus dedos pinçaram um projeto de poema. Não é de todo ruim, mas está dramaticamente longe de ser bom. Rabisquei uma segunda versão, só pra provar que ainda sei como é que se respira. O resultado não é nada animador, mas ainda assim deixo o meu pudor recém-adquirido de lado e coloco aqui uma suposta segunda versão. Podem palpitar, se assim o quiserem, mas aviso que sei quanto suor ainda será preciso se quiser que isso seja, de fato, um poema.



The morgue


Enlouqueci,
antes: o músculo pútrido
posto à prova,
- la sangre.
Mármore negro
tão frio: enlouquecemos
Mas antes a serra
colocada ao lado, eu e você
- la vida.
Sonhos triturados
tão ingênuos: enlouquecemos
Cismas, a vida chovendo
da janela do terceiro andar
Mas isto foi antes: vazio
- up, down, up, down
Foi ontem: acho que enlouqueci.



*** "Light and day", The Polyphonic Spree.

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http://hay-tomates.blogspot.com/2008/11/amanh-na-casa-das-rosas.html


MÚSICA POPULAR E POESIA CONTEMPORÂNEA NA CASA DAS ROSAS
O músico Renato Gama e a poeta Carol Marossi se apresentam no dia 21/11, a partir das 19 horas, no projeto Sexta Básica

A Casa das Rosas - Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura continua oferecendo espetáculos mensais e gratuitos no projeto Sexta Básica, que promove a divulgação músicos e poetas contemporâneos. No dia 21 de novembro é a vez do músico Renato Gama e da poeta Carol Marossi participarem do evento.
"Além de divulgar novos artistas, o Sexta Básica revela um universo de criação cultural, associando literatura e música", afirma Donny Correia, coordenador cultural da Casa das Rosas.
SEXTA BÁSICA
Evento Gratuito
Dia: 21/11/08, sexta-feira, 19h
Local: Hall da Casa das Rosas - Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura
Endereço: Av. Paulista, 37, Bela Vista - próximo à Estação Brigadeiro do Metrô
São Paulo – SP
Tels: (11)3285-6986 ou (11) 3288-9447
Estacionamento conveniado: Al.Santos, 74

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http://hay-tomates.blogspot.com/2008/11/dilogos-i.html


M.,
Eu imaginei que fosse somente um desabafo, mas respondi pra mim mesma e também pra você: ando muito crica ultimamente, você sabe, então é bom colocar as coisas nos seus lugares devidos vez ou outra.

Melancólica eu não diria, mas estou me sentindo muito solitária. Não aquela solidão que arranha, mas aquela que faz a gente acordar pra dentro, sabe? Estou vivenciando uns processos dolorosos e terei que tomar decisões muito sérias nos próximos meses. Chegou o momento do turning point e, por isso, talvez eu tenha que radicalizar - ex: mudar de cidade, país, etc.

Queria unir minha solidão à sua melancolia lá em Friburgo. Estou muito precisada de natureza. Essa cidade me oprime; a fuligem me sufoca. Sinto saudades. Queria tê-lo mais perto, afinal você tem sido meu apoio, meu alívio.

Beijíssimos,
C.
*** "Embraceable you", Chet Baker.

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http://hay-tomates.blogspot.com/2008/11/as-mulheres-da-vez-virginia-woo

Virginia Woolf, Vanessa Bell.

Encarar a vida pela frente, sempre. Encarar a vida pela frente, e vê-la como ela é. Por fim, entendê-la e amá-la pelo que ela é. E depois deixá-la seguir. Sempre os anos entre nós, sempre os anos. Sempre o amor. Sempre a razão. Sempre o tempo. Sempre as horas.
Desde que estava deitada no sofá, enclausurada, protegida, a presença daquilo que sentia tão evidente criou uma existência física; vestida com os ruídos da rua, banhada de sol, o hálito quente, segredando, agitando os estores. Supondo que Peter lhe dizia: "Sim, sim, mas as tuas festas, que significavam as tuas festas?", tudo quanto podia responder era (e não esperava que ninguém compreendesse): São uma oferenda; o que é terrivelmente vago. Mas quem era Peter para estabelecer que a vida é uma jornada fácil? Peter, sempre apaixonado, sempre apaixonado pela mulher que não lhe convém? Que espécie de amor é o teu?, podia ela perguntar-lhe. E sabia muito bem qual seria a resposta: que é a coisa mais importante do mundo e que talvez mulher nenhuma o compreenda. Muito bem. Mas podia algum homem compreender também o que ela queria dizer? A respeito da vida? Ela não conseguia imaginar Peter ou Richard metendo ombros ao trabalho de dar uma festa sem qualquer razão.Mas para ir mais fundo, mais além do que diziam as pessoas (e estas opiniões, como são superficiais e fragmentárias!), agora até ao âmago do seu próprio espírito, que significava para ela isso a que se chama a vida?
Mrs. Dalloway, Virginia Woolf.
*** "What a difference a day made", Jamie Cullum.

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http://hay-tomates.blogspot.com/2008/11/as-mulheres-da-vez-susa-sontag.

As ideologias criam arquivos de imagens comprobatórias, imagens representativas, que englobam idéias comuns de relevância e desencadeiam pensamentos e sentimentos previsíveis.
"Nós” – esse “nós” é qualquer um que nunca passou por nada parecido com o que eles sofreram – não compreendemos. Nós não percebemos. Não podemos na verdade, imaginar como é isso. Não podemos imaginar como é pavorosa, como é aterradora a guerra; e como ela se torna normal. Não podemos compreender, não podemos imaginar. É isso o que todo soldado, todo jornalista, todo socorrista e todo observador independente que passou algum tempo sob o fogo da guerra e teve a sorte de driblar a morte que abatia outros, à sua volta, sente de forma obstinada. E eles têm razão.
Diante da dor dos outros, Susan Sontag.
*** "Nantes", Beirut.

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http://hay-tomates.blogspot.com/2008/10/natureza-nossa-de-cada-dia-iii.

Renova-te.
Renasce em ti mesmo.
Multiplica os teus olhos, para verem mais.
Multiplica-se os teus braços para semeares tudo.
Destrói os olhos que tiverem visto.
Cria outros, para as visões novas.
Destrói os braços que tiverem semeado,
Para se esquecerem de colher.
Sê sempre o mesmo.
Sempre outro. Mas sempre alto.
Sempre longe.
E dentro de tudo.

Cântico XIII, Cecília Meirelles.

*** "O mundo é um moinho", Cartola.

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http://hay-tomates.blogspot.com/2008/10/natureza-nossa-de-cada-dia-ii.h

Quem, entretanto, imaginar que conhece o Lobo da Estepe e pode analisar sua existência lamentavelmente dividida, incorrerá, sem dúvida, em erro, pois ainda não sabe tudo. Não sabe que (como não há regra sem exceção e como um simples pecador em certas circunstâncias pode ser mais querido a Deus do que noventa e nove justos) Harry também conhecia de quando em vez exceções e momentos ditosos em sentir harmonia, e mesmo em raras ocasiões estabelecer a paz e viver um para outro de tal forma que não apenas um vigiava enquanto o outro dormia, mas também se fortaleciam ambos e cada um duplicava a energia do outro. Também na vida desse homem parecia, como em todas as partes do mundo, que o costumeiro, o consuetudinário, o conhecido e o normal tinham simplesmente por objeto permitir de quando em quando a pausa de um segundo de duração para dar lugar ao extraordinário, ao milagroso, à graça. Se tais curtas e raras horas de ventura compensavam e dulcificavam a triste sina do Lobo da Estepe, de forma que a felicidade e a desventura viessem a equilibra-se finalmente na balança, ou se, talvez, este breve mas intenso usufruir daquelas poucas horas compensava todo o sofrimento e deixava um saldo favorável de alegria, é questão sobre a qual podem meditar as pessoas ociosas a seu talante. Também o Lobo meditava isso, em seus dias mais ociosas e inúteis.

A esse propósito há que acrescentar algo. Muita gente existe que se assemelha a Harry; especialmente muitos artistas pertencem a essa classe de homens. Todas essas pessoas têm duas almas, dois seres em seu interior; há neles uma parte divina e uma satânica, há sangue materno e paterno, há capacidade para ventura e para a desgraça, tão contrapostas e hostis como eram o lobo e o homem dentro de Harry. E esses homens, para os quais a vida não oferece repouso, experimentam às vezes, em seus raros momentos de felicidade, tanta força e tão indizível beleza, a espuma do instante de ventura emerge às vezes tão alta e deslumbradora sobre o mar da dor, que sua luz espargindo radiância, vai atingir a outros com o seu encantamento. A isto se devem, a essa preciosa e momentânea espuma sobre o mar de sofrimento, todas aquelas obras artísticas em que o homem solitário e sofredor se eleva por uma hora tão alto sobre o seu próprio destino, que sua felicidade brilha como uma estrela, e parecem a todos os que a vêem como algo eterno e como se fosse seu próprio sonho de ventura. Todas essas pessoas, sejam quais forem seus atos e obras, não têm propriamente uma vida, ou seja, sua vida carece de essência e de forma, não são heróis, nem artistas, nem pensadores de maneira como os demais homens são juízes, doutores, sapateiros ou mestres; sua existência é um movimento de fluxo e refluxo, está infeliz e dolorosamente partida e é sinistra e insensata, se não estivermos propensos a ver um sentido precisamente naqueles raros acontecimentos, ações, pensamentos e obram que brilham às vezes sobre o caos semelhante vida. Entre os homens dessa espécie surgiu o perigoso e terrível pensamento de que, talvez, toda a vida do homem não passa de um espantoso erro, de um aborto brutal da mão primeva, um cruel e selvagem intento frustrado da Natureza. Mas entre eles surgiu também a idéia de que o homem talvez não seja apenas um animal dotado de razão, mas o filho de Deus destinado à mortalidade.

Cada espécie de homens tem suas características, seus aspectos, seus vícios e virtudes e seus pecados mortais. Um dos signos do Lobo da Estepe era o de ser noctívago. A manhã era para ele a pior parte do dia, causava-lhe temor e nunca lhe trouxera nada de bom. Nunca fora alegre em qualquer manhã de sua vida, nunca fizera nada de bom na primeira metade do dia, não tivera boas idéias, nem divisara nenhuma alegria para ele ou para os demais. Ao começar a tarde, ia reagindo lentamente, principiava a se animar e, ao cair da noite, em seus melhores dias, tornava-se frutífero, ativo e, às vezes, até brilhante e alegre. Disso decorria sua necessidade de isolamento e independência. Nunca existira um homem com tão profunda e apaixonada necessidade de independência como ele. Em sua juventude, quando ainda era pobre e tinha dificuldades em ganhar a vida, preferia passar fome e andar mal vestido a sacrificar uma parcela de sua independência. Nunca se vendera por dinheiro ou vida fácil às mulheres ou aos poderosos, e mil vezes desprezara o que aos olhos do mundo representa vantagens e regalias, a fim de salvaguardar a sua liberdade. Nenhuma idéia lhe era mais odiosa e terrível do que a de exercer um cargo, submeter-se a horários, obedecer ordens. Um escritório, uma repartição, uma sala de audiência eram-lhe tão odiosos quanto a morte, e o que de mais espantoso podia imaginar em sonhos seria o confinamento num quartel. Sabia subtrair-se a todas essas coisas, a custo de grandes sacrifícios e nisso residia sua força e virtude, nisso era inflexível e incorruptível, nisso seu caráter era firma e retilíneo. Só que a essa virtude estavam intimamente ligados seu sofrimento e seu destino. Ocorria a ele o que se dá com todos: o que buscava e desejava com um impulso íntimo de seu ser acabava por ser-lhe concedido, mas em grau demasiadamente superior ao que convém a um homem. A princípio, o que obtinha parecia-lhe um sonho e uma satisfação, mas logo se revelava como sendo o seu amargo destino. Assim, o poderoso era arruinado pelo poder, o rico pelo dinheiro, o subserviente pela submissão, o luxurioso pela luxúria. O Lobo da Estepe perecia por sua própria independência. Havia alcançado sua meta, seria sempre independente, ninguém haveria de mandar nele, jamais faria algo para ser agradável aos outros. Só e livre, decidia sobre seus atos e omissões. pois todo homem forte alcança indefectivelmente o que um verdadeiro impulso lhe ordena buscar. mas em meio à liberdade alcançada, Harry compreendia de súbito que essa liberdade era a morte, que estava só, que o mundo o deixara em paz de uma inquietante maneira, que ninguém mais se importava com ele, nem ele próprio, e que se afogava aos poucos numa atmosfera cada vez mais tênue de falta de relações e de isolamento. Havia chegado ao momento em que a solidão e a independência já não eram seu objetivo e seu anseio, mas antes sua condenação e sua sentença. O maravilhosos desejo fora realizado e já não era possível voltar atrás e de nada valia agora abrir os braços cheio de boa vontade e nostalgia, disposto à fraternidade e à vida social. Tinham-no agora deixado só. Não que fosse motivo de ódio e de repugnância. pelo contrário, tinha muitos amigos. Um grande número de pessoas o precisavam. Mas tudo não passava de simpatia e cordialidade; recebia convites, presentes, cartas gentis, mas ninguém vinha até ele, ninguém estava disposto nem era capaz de compartilhar de sua vida. Agora rodeava-o a atmosfera do solitário, uma atmosfera serena da qual fugia o mundo em seu redor, deixando-o incapaz de relacionar-se, uma atmosfera contra a qual não poderia prevalecer nem a vontade nem o ardente desejo. Esta era uma das
características mais significativas de sua vida.
O lobo da estepe, Herman Hesse.
*** "Love will tear us apart", Nouvelle Vague.

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http://hay-tomates.blogspot.com/2008/10/natureza-nossa-de-cada-dia-i.ht

O Lobo da Estepe tinha, portanto, duas naturezas, uma de homem e outra de lobo; tal era seu destino, e nem por isso tão singular e raro. Deve haver muitos homens que tenham em si muito de cão ou de raposa, de peixe ou de serpente sem que com isso experimentem maiores dificuldades. Em tais casos, o homem e o peixe ou o homem e a raposa convivem normalmente e nenhum causa ao outro qualquer dano; ao contrário, um ajuda ao outro, e muito homem há que levou essa condição a tais extremos a ponto de dever sua felicidade mais à raposa ou ao macaco que nele havia, do que ao próprio homem. Tais fatos são bastante conhecidos. No caso de Harry, entretanto, o caso diferia: nele o homem e o lobo não caminhavam juntos, mas apenas permaneciam em contínua e mortal inimizade e um vivia apenas para causar dano ao outro, e quando há dois inimigos mortais num mesmo sangue e na mesma alma, então a vida é uma desgraça. Bem, cada qual tem seu fado, e nenhum deles é leve.

Com nosso Lobo da Estepe sucedia que, em sua consciência, vivia ora como lobo, ora como homem, como acontece aliás com todos os seres mistos. ocorre, entretanto, que quando vivia como lobo, o homem nele permanecia como espectador, sempre à espera de interferir e condenar, e quando vivia como homem, o lobo procedia de maneira semelhante. Por exemplo, se Harry, como homem, tivesse um pensamento belo, experimentasse uma sensação nobre e delicada, ou praticasse uma das chamadas boas ações, então o lobo, em seu interior, arreganhava os dentes e ria e mostrava-lhe com amarga ironia o quão ridícula era aquela nobre encenação aos seus olhos de fera, aos olhos de um lobo que sabia muito bem em seu coração o que lhe convinha, ou seja, caminhar sozinho nas estepes, beber sangue vez por outra ou perseguir alguma loba. Toda ação humana parecia, pois, aos olhos do lobo horrivelmente absurda e despropositada, estúpida e vã. Mas sucedia exatamente o mesmo quando Harry sentia e se comportava como lobo, quando arreganhava os dentes aos outros, quando sentia ódio e inimizade a todos os seres humanos e a seus mentirosos e degenerados hábitos e costumes. Precisamente aí era qua a parte humana existente nele se punha a espreitar o lobo, chamava-o de besta e de fera e o lançava a perder, amargurando-lhe toda a satisfação de sua saudável e simples natureza lupina.

Era isso o que ocorria ao Lobo da Estepe, e pode-se perfeitamente imaginar que Harry não levasse de todo uma vida agradável e feliz. Isso não quer dizer, entretanto, que sua infelicidade fosse por demais singular (embora assim lhe pudesse parecer, da mesma forma como qualquer pessoa torna o sofrimento que se abate sorte ela como sendo o maior do mundo). Isso não pode ser dito a propósito de ninguém. Mesmo aquele que não tem em seu interior um lobo, nem por isso pode ser considerado mais feliz. E mesmo a mais infeliz das existências tem os seus momentos luminosos e suas pequenas flores de ventura a brotar entre a areia e as pedras. Assim também acontecia com o Lobo da Estepe. Não se pode negar que fosse, em geral, muito infeliz, e podia também fazer os outros infelizes, especialmente quando os queria ou era por eles estimado. Pois todos os que com ele se deram viram apenas uma das partes de seu ser. Muitos o estimaram por ser uma pessoa inteligente, refina e arguta, e mostraram-se horrorizados e desapontados quando descobriam o lobo que mostrava nele. E assim tinha de ser pois Harry, como toda pessoa sensível, queira ser amado como um todo e, portanto, era exatamente com aqueles cujo amor lhe era mais precioso que ele não podia de maneira alguma encobrir ou perjurar o lobo. Havia outros, todavia, que amavam nele exatamente o lobo, o livre, o selvagem, o indômito, o perigosos e forte, e estes achavam profundamente decepcionante e deplorável quando o selvagem e perverso se transformava em homem, e mostrava anseios de bondade e refinamento, gostava de ouvir Mozart, de ler poesia e acalentar ideais humanos. Em geral, estes se mostravam mais desapontados e irritados do que os outros, e dessa forma o Lobo da Estepe levava sua própria natureza dual e discordante aos destinos alheios toda vez que entrava em contato com as pessoas.
O lobo da estepe, Herman Hesse.
*** "Relicário", Nando Reis.

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http://hay-tomates.blogspot.com/2008/10/minding-gap-iii.html


Clov: Por que você não me manda embora?
Hamm: Não tenho mais ninguém.
Clov: Não tenho outro lugar [Pausa].
Hamm: Mesmo assim você vai me deixar.
Clov: Estou tentando.
Hamm: Você não gosta de mim.
Clov: Não.
Hamm: Antes você gostava.
Clov:
Antes!
Hamm: Fiz você sofrer muito. [Pausa] Não é?
Clov: Não é isso.
Hamm: [Ofendido] Não fiz você sofrer muito?
Clov: Fez.
Hamm: [Aliviado] Ah! Ainda bem! [Pausa. Friamente] Desculpe-me. [Pausa. Mais alto] Não ouviu? Desculpe-me.
Clov: Eu ouvi. [Pausa] Você sangrou?
Hamm: Menos. [Pausa] Não está na hora do meu calmante?
Clov: Não.

[Pausa].
Fim de partida, Samuel Beckett.
*** "Goodbye", Chet Baker.

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http://hay-tomates.blogspot.com/2008/10/minding-gap-ii.html


Vladimir: Dói?
Estragon: Dói! Ele quer saber se dói!
Vladimir: [colérico] Tirando você, ninguém sofre. Eu não conto. Queria ver se estivesse no meu lugar, o que você diria.
Estragon: Doeu?
Vladimir: Doeu! Ele quer saber se doeu!
Estragon: [apontando com o indicador] De qualquer modo, você bem que poderia fechar os botões.
Vladimir: [inclinado-se] É verdade. [Abotoa-se] Nunca descuide das pequenas coisas.
Estragon: O que você queria? Você sempre espera até o último minuto.
Vladimir: [sonhador] O último minuto... [Medita] Custa a chegar, mas será maravilhoso. Quem foi que disse isso?
Esperando Godot, Samuel Beckett.
*** "The story", Norah Jones.

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http://hay-tomates.blogspot.com/2008/09/minding-gap.html

Skull, Andy Warhol.

Vi: When did we three last meet?
Ru:
Let us not speak. [Silence]
Flo: Ru?
Ru:
Yes.
Flo: What do you think of Vi?
Ru: I see little change. [FLO moves to centre seat, whispers in RU's ear]. Oh! [They look at each other. FLO puts her finger to her lips] Does she not realize?
Flo:
God grant not. [FLO and RU turn back front, resume pose. Silence]. Just sit together as we used to, in the playground at Miss Wade's.
Ru: On the log. [Silence] Vi?
Vi:
Yes.
Ru: How do you find FLO?
Vi: She seems much the same. [RU moves to centre seat, whispers in VI's ear]. Oh! [They look at each other. RU puts her finger to her lips]. Has she not been told?
Ru:
God forbid. [Enter FLO. RU and VI turn back front, resume pose]. Holding hands . . . that way.
Flo:
Dreaming of . . . love. [Silence. Exit RU right. Silence].
Vi: Flo?
Flo: Yes.
Vi: How do you think Ru is looking?
Flo:
One sees little in this light. [VI moves centre seat, whispers in FLO's ear]. Oh! [They look at each other. VI puts her finger to her lips]. Does she not know?
Vi: Please God not. [Enter RU. VI and FLO turn back front, resume pose. RU sits right. Silence]. May we not speak of the old days? [Silence]. Of what came after? [Silence]. Shall we hold hands in the old way?

[After a moment they join hands as follows : VI's right hand with RU's right hand. VI's left hand with FLO's left hand, FLO's right hand with RU's left hand, VI's arms being above RU's left arm and FLO's right arm. The three pairs of clasped hands rest on the three laps. Silence].

Flo: I can feel the rings. [Silence].

Came and Go, Samuel Beckett.

*** "Night and day", U2.

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http://hay-tomates.blogspot.com/2008/09/apontamentos-sobre-o-amor-parte

Além de tais problemas administrativos, havia também uma miscelânea de injunções psicológicas que poderiam impedir alguém de retribuir o amor de uma alma aparentemente ideal, em favor de outra insatisfatória, mas misteriosamente mais sedutora. Na excentricidade de nossas escolhas, nós revelamos o matiz que impomos ao processo supostamente direto, mas na prática complicado, de dar e receber afeição. Incapaz de apaixonar-nos coincidentemente, permanecemos tolhidos pelos critérios. Os critérios podem ser benignos, uma preferência por olhos alegres, matemáticos de testa alta, ou debutantes de quadris estreitos, ou podem compreender tendências menos agradáveis, uma compulsão para casar-se com aristocratas, alcóolatras, histéricos ou abandonados pela mãe. Falar apenas dos valores que escolhemos nos outros deixa de lado quanto tempo passamos apaziguando nossas necessidades psicológicas historicamente determinadas e com freqüência inconscientes, pólos compatíveis no mostrador sadomasoquista, neuroses comuns, de preferência a um gosto comum por ópera ou esportes de inverno.

O que tinha parecido uma compatibilidade inerente era restrito a um ambiente específico.
BOTTON, Alain de. Nos mínimos detalhes.
*** "Brothers on a hotel bed", Death Cab for Cutie.

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http://hay-tomates.blogspot.com/2008/09/apontamentos-sobre-o-amor-iii.h

Pois bem, acho que já disse o que queria, ainda que de maneira verborrágica, apaixonada e muito, muito nonsense. Conseqüentemente, dou-me agora o sagrado direito de contraditar alguns dos pontos abordados nos posts anteriores. E ela deve fazer isso? - perguntam vocês. Claro que sim, afinal muitas vezes sou meio Whitman: eu me contradigo ? Pois muito bem, eu me contradigo. Sou amplo, contenho multidões.
O amor acaba
Paulo Mendes Campos
1) O amor acaba. Numa esquina, por exemplo, num domingo de lua nova, depois de teatro e silêncio; acaba em cafés engordurados, diferentes dos parques de ouro onde começou a pulsar; de repente, ao meio do cigarro que ele atira de raiva contra um automóvel ou que ela esmaga no cinzeiro repleto, polvilhando de cinzas o escarlate das unhas; na acidez da aurora tropical, depois duma noite votada à alegria póstuma, que não veio; e acaba o amor no desenlace das mãos no cinema, como tentáculos saciados, e elas se movimentam no escuro como dois polvos de solidão; como se as mãos soubessem antes que o amor tinha acabado; na insônia dos braços luminosos do relógio; e acaba o amor nas sorveterias diante do colorido iceberg, entre frisos de alumínio e espelhos monótonos; e no olhar do cavaleiro errante que passou pela pensão; às vezes acaba o amor nos braços torturados de Jesus, filho crucificado de todas as mulheres; mecanicamente, no elevador, como se lhe faltasse energia; no andar diferente da irmã dentro de casa o amor pode acabar; na epifania da pretensão ridícula dos bigodes; nas ligas, nas cintas, nos brincos e nas silabadas femininas; quando a alma se habitua às províncias empoeiradas da Ásia, onde o amor pode ser outra coisa, o amor pode acabar; na compulsão da simplicidade simplesmente; no sábado, depois de três goles mornos de gim à beira da piscina; no filho tantas vezes semeado, às vezes vingado por alguns dias, mas que não floresceu, abrindo parágrafos de ódio inexplicável entre o pólen e o gineceu de duas flores; em apartamentos refrigerados, atapetados, aturdidos de delicadezas, onde há mais encanto que desejo; e o amor acaba na poeira que vertem os crepúsculos, caindo imperceptível no beijo de ir e vir; em salas esmaltadas com sangue, suor e desespero; nos roteiros do tédio para o tédio, na barca, no trem, no ônibus, ida e volta de nada para nada; em cavernas de sala e quarto conjugados o amor se eriça e acaba; no inferno o amor não começa; na usura o amor se dissolve; em Brasília o amor pode virar pó; no Rio, frivolidade; em Belo Horizonte, remorso; em São Paulo, dinheiro; uma carta que chegou depois, o amor acaba; uma carta que chegou antes, e o amor acaba; na descontrolada fantasia da libido; às vezes acaba na mesma música que começou, com o mesmo drinque, diante dos mesmos cisnes; e muitas vezes acaba em ouro e diamante, dispersado entre astros; e acaba nas encruzilhadas de Paris, Londres, Nova Iorque; no coração que se dilata e quebra, e o médico sentencia imprestável para o amor; e acaba no longo périplo, tocando em todos os portos, até se desfazer em mares gelados; e acaba depois que se viu a bruma que veste o mundo; na janela que se abre, na janela que se fecha; às vezes não acaba e é simplesmente esquecido como um espelho de bolsa, que continua reverberando sem razão até que alguém, humilde, o carregue consigo; às vezes o amor acaba como se fora melhor nunca ter existido; mas pode acabar com doçura e esperança; uma palavra, muda ou articulada, e acaba o amor; na verdade; o álcool; de manhã, de tarde, de noite; na floração excessiva da primavera; no abuso do verão; na dissonância do outono; no conforto do inverno; em todos os lugares o amor acaba; a qualquer hora o amor acaba; por qualquer motivo o amor acaba; para recomeçar em todos os lugares e a qualquer minuto o amor acaba.
E a versão do Antônio Prata...
2) O amor acaba. Assim foi e assim será. Numa quarta-feira de Cinzas, num sábado de Carnaval. O amor se perde, entre o rebolado de duas passistas, debaixo da saia da baiana, o bumbo ecoando as batidas que já não vêm do coração. O amor encolhe, anoréxico, suicida-se de melancolia; acaba num átomo, de infarto - "tão jovem!" dirão -, ou aos poucos, pingando, em lenta e imperceptível hemorragia, pálido amor; morre de velhice, de obesidade, de preguiça; o amor desaparece no fundo de uma gaveta, entre cartas de amor e contas de luz de 1987: o amor embolora, cria fungos, amarela; acaba entre um sorriso e um soluço, no meio do filme, no cinema, no movimento da mão que busca a outra na poltrona, mas mão já não há; acaba no papel de bala amassado, metido no bolso: lá vai ele, tão fragil, o amor; acaba no mesmo colo de sempre, na cama, num gozo triste, na distância entre dois corpos dormentes, num cafuné estéril, cadê o amor que estava aqui? O gato comeu, o ladrão levou, o anel que tu me destes era vidro e se quebrou, o amor que tu me tinhas, cadê, meu Deus, o amor? O amor escorre, escapa, dissolve, seca, evapora-se de nós, pobres criaturas "feitas apenas para amar e sofrer de amor"; o amor acaba nas férias, na praia, no sol, em segundas-feiras cinzentas nos escritórios, em piscinas e cinzeiros, em abraços e ofensas, o amor acaba com o ódio, acaba mesmo com o amor, nem tanto, um tanto só, de amor; acaba sozinho, culpado, acaba em conjunto, triste; esquece-se o amor, como uma música de infância, uma tarde em que morremos de rir, uma cidade inteira onde já estivemos e já não está mais dentro de nós; onde foi parar, o amor? Foi-se embora para Pasárgada, onde é amigo do rei (de nós, certamente, já não é), fugiu para Maracangalha (com Amália?), aposentou-se no Beleléu, foi pro inferno, pro limbo, pro céu ou, quem sabe, reside agora num baú, num sótão, numa rua calma em Santa Rita do Passa Quatro; o amor não escolhe o momento de terminar, vai-se no susto de um pôr-do-sol interrompido por uma buzina, no primeiro ônibus da manhã, é soterrado pela pilha de jornais atiradas diante da porta, vai embora com a borra de café; "em todos os lugares o amor acaba; a qualquer hora o amor acaba; por qualquer motivo o amor acaba; para recomeçar em todos os lugares e a qualquer minuto o amor acaba!".
*** "Dance Me To The End Of Love", Madeleine Peyroux.

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http://minimae.blogspot.com/2009/02/vou-sumir-um-tempo-pensar-um-mo

Vou sumir um tempo,
pensar um monte no que eu quero
no que eu vou ser.

Mudar faz parte, e matar partes de mim e' um processo.

Shiva e' prova "viva" disso.

And you will know me by the trail of dead.

(it's just a band)

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Fevereiro 04, 2009

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http://hay-tomates.blogspot.com/2009/02/dialogos-iii.html

Self Portrait, Nan Goldin.
R.,

Suas palavras são muito fortes, mas isso eu já disse antes. O que eu não disse é que também ando trocando e-mails com aquela amiga e a temática é praticamente convergente, isto é, tanto você quanto ela estão passando por angústias semelhantes - e encontraram uma espécie de diluidor que, não por acaso, sou eu. Talvez ontem eu não tenha explicado bem a situação, afinal aquele Herbie Hancock afeta o raciocínio de qualquer um. Em resumo, muitos e-mails pungentes arrebentando as muralhas aqui dentro. Lembrei, então, de um poema - e de uma foto da Nan Goldin - que nos remetem a essas várias (e inevitáveis) coisas. Serão provavelmente meu próximo post no blogue. Por enquanto, envio para você. Porque às vezes, querido, um sorriso é só um sorriso.
Museu Cotidiano

Esquecer para lembrar: centelha inglória
da renúncia, palavras turvas, membros inertes
– muletas de causa/efeito para maior
segurança dos instintos – o corpo, fábrica
de flertes, quer abrigo, pares e poros,
um pouco de atrito – este nó que de tão
cego não desata nem sacia (tarde de maio
ou joy forever?) – exilados da carne a
envenenar-se de espírito, fardos mutuamente
inúteis – agora deixa sangrar: uma
fina, milenar garoa, salpicando carbono
em flores fósseis (voltem sempre).
Leonardo Martinelli, em Dedo no ventilador.

*** "Unfinished sympathy", Massive Attack.


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Fevereiro 05, 2009

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http://talidomida.blogspot.com/2009/02/cianureto-para-as-dores-da-vida

 


Cianureto

Para as dores da vida,
alívio rápido e prolongado

 

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http://hay-tomates.blogspot.com/2008/12/dilogos-ii.html

C.,

Há um tempo, separei muito claramente para mim as funções de determinados "amigos". São pouquíssimos aqueles a quem posso me abrir. Não descobri isso de cara. E não é que todos esses com quem eu não posso me abrir não se importem comigo - ou que eu não me importe com eles - mas simplesmente não são capazes de se doarem o suficiente a ponto de quererem ouvir - porque ouvir vai muito além de captar as informações, ouvir é tentar escutar o mundo com a sensibilidade que é do outro, e não nossa; com os valores que são do outro, não os nossos -, e, ouvindo, de posteriormente ajudarem - e ajudar não é resolver o problema, mas antes de tudo expor o nosso ponto de vista sobre o que se ouviu, mas respeitando o ponto de vista do outro, e respeitar o ponto de vista é também respeitar os limites, respeitar a sensibilidade alheia, mesmo que os limites não sejam os nossos, e mesmo que não concordemos plenamente com eles.
Não descobri de cara que não deveria me abrir pra determinados "amigos". Antes, eu precisei me magoar inúmeras vezes, porque alguns simplesmente não ouviam muito - sabe aquele lance de não prestar nunca atenção ao que você fala -, outros só zoavam - e não por mal, era o jeito deles -, outros me deixavam mal - não por serem sinceros ou exporem opiniões divergentes, mas por me diminuírem, por me enquadrarem, erradamente, em coisas que eu não sou.
Dessa forma, passei a me preservar mais. Não é que eu não mencione, vez ou outra, coisas para estes amigos, mas tomo muito mais cuidado ao falar e principalmente sobre como falar, porque sei que isso pode sempre se voltar contra mim. Posso ficar mal por não receber o retorno que eu esperava. É preciso, então, saber o que se pode esperar de x e x pessoa.
Não necessariamente eles são apenas "amigos de mesa de bar". Ou melhor, podem ser "amigos de mesa de bar" e o "bar" não é sempre um bar, mas uma rua, um cinema, qualquer lugar. Porque o que define essa colocação "mesa de bar" é a superficialidade do contato. E ultimamente venho saturado de mesas de bares, isto é, de pessoas que não estão dispostas a ter uma troca mais profunda comigo.
É quando esses amigos perdem - ou reduzem - sua importância em nossas vidas. E isto é, na verdade, a "resposta" que posso dar. Não se trata de elaborar um troco, uma vingança, mas simplesmente de compreender o que eu ganho com x e y situação.
[...] Outro dia, você me enviou um e-mail dizendo que não deixaria de esperar que as coisas fossem melhores - ou algo como. Eu li, e entendo, e respeito, mas temi, e temo por tudo o que disse acima, a dor que isso possa lhe causar.
Eu estou aqui. De verdade. Às vezes imerso nas minhas angústias, mas você pode contar comigo. E isso, entenda, é raro. Desculpe bater nesta tecla, mas: não se pode esperar muito das pessoas, não se pode esperar muito da vida.
M.
*** "Mr. Tough", Yo la tengo.

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http://hay-tomates.blogspot.com/2008/12/arte-do-engano.html


You know when you see T-shirts piled up in a clothes shop, beautifully folded and colour-coded, and you buy one? It never looks the same when you take it home. It only looked good in the shop, you realize too late.
High Fidelity, Nick Hornby.
*** "Summer sun", Koop & Yukimi Nagano.

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http://hay-tomates.blogspot.com/2008/10/hoje-no-sesc-santana.html

O queridíssimo Renato Gama, amigo de última hora e parceiro numas maluquices que depois conto pra vocês, lança hoje o novo disco da sua banda, a Nhocuné Soul. O filhote novo se chama Amando e Sambando.
O show, que rola hoje lá no SESC Santana, vai ter participações especiais da fofíssima Neuza Pinheiro e de outras figuraças super competentes.
Quando? Hoje.
Onde? Sesc Santana (Av. Luiz Dumont Villares, 579 – fone: 2971-8700).
Hora? 21 horas.
Quanto? R$ 8 (inteira), R$ 4 (meia).
Quem quiser conferir o som da banda: www.myspace.com/nhocune

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Fevereiro 07, 2009

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http://minimae.blogspot.com/2009/02/preciso-de-muito-tempo-sozinho-

Preciso de muito tempo sozinho
pra me recuperar de gente.
Cansa muito viver assim,
falando tanto.

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Fevereiro 10, 2009

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http://hay-tomates.blogspot.com/2009/02/all-that-jazz.html

Thelonious Monk
Compulsão: (s.f.) 1. imposição interna irresistível que leva o indivíduo a realizar determinado ato ou a comportar-se de determinada maneira.
Maldito Ipod. Agora posso brincar - diariamente, se assim me agradar - com os 16 Giga de jazz e blues que armazenava no computador. Uma criança! Durmo tarde. Muita música, acordes demais - e lucidez de menos, desconfio. Semana de pianistas, essa. Começou com o Hancock na semana passada e foi descambando um dia após o outro: Duke Ellington, Bill Evans, Chick Corea, Michel Camilo, Brad Mehldau, Keith Jarrett...Daí caí com graça nos braços do Oscar Peterson e na perdição de Alice in Wonderland! Hoje estou mais, hum, er, cof, cof, óbvia: Monk. Doses cavalares. Precisamente desde às 23:24 hs de ontem. I mean you, Monk & Art Blakey, neste momento.
Mas escrevo mesmo por uma questão de sobrevivência. Minha, de fato. Há alguma alma caridosa aí do outro lado disposta a me ceder uma versão em mp3, mp4, rar, etc. de uma certa Dexter´s Tune, de um certo Randy Newman, parte de uma certa trilha sonora de um certo filme com o De Niro? Os altruístas podem enviar a raridade pro: amarossi@terra.com.br
Não sou nada boa com essas promoções e vendas casadas. Também não vendo terreno no paraíso, mas de repente o bom coração pode valer uma cerveja, who knows?

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Fevereiro 14, 2009

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http://hay-tomates.blogspot.com/2009/02/cotidiano.html

Imagem do Hubble.



Considerar: 1. do latim considerare; estar com as estrelas.

E às vezes é tão difícil, não é?



*** " Moanin' ", Art Blakey.

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Fevereiro 17, 2009

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http://talidomida.blogspot.com/2009/01/psicopata-amar-verbo-defectivo.

 


Psicopata

Amar
verbo defectivo

 

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Fevereiro 19, 2009

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http://hay-tomates.blogspot.com/2009/01/deixa-o-2009-caminhar.html

Abandonei o canteiro e a tendência - sinto muito! - é fazê-lo cada vez mais. Explico: ando muito ocupada desse outro lado de cá, mas ainda sobra um tempinho pra escrever (não no blogue, claro!), ler e ouvir música - até porque sem esses pequenos prazeres é melhor abandonar de uma vez do navio, não é? Mas, antes que eu escorregue mais um pouco e faça uma postagem ridícula, estilo "meu querido diário", digo pra vocês que ainda volto, preferencialmente com um post "decente".
Por enquanto, meu feliz 2009 pra vocês. Vou ali dobrar a vida em flor. Volto já.
*** "Deixa estar", Los Hermanos.

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http://hay-tomates.blogspot.com/2008/12/procura-se-susan-desesperadamen

Aproveitando que tia Maddie está nessas terras tupiniquins e, principalmente, inspirada por um post do Victor da Rosa no seu Notícia de três linhas, venho por meio dessa postagem pedir que os leitores se manifestem! Não, vocês não vão ganhar uma camiseta promocional, nem pagar dois posts e levar três.
Embuída pelo espírito natalino, eu queria mesmo saber quem são vocês que se dedicam a ler os tomates plantados nesse canteiro e agradecê-los. Muito e sinceramente. Afinal, antes de certas parafernálias de alta espionagem instaladas por aqui, eu jurava que só meus amigos - e alguns inimigos, óbvio! - liam essas baboseiras.
Enfim, manifestem-se!
*** "Sem saudade de você", Carlos Lyra.

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http://hay-tomates.blogspot.com/2008/12/deixem-o-poetinha-falar.html

Resta, acima de tudo, essa capacidade de ternura
Essa intimidade perfeita com o silêncio
Resta essa voz íntima pedindo perdão por tudo
- Perdoai-os! porque eles não têm culpa de ter nascido...

Resta esse antigo respeito pela noite, esse falar baixo
Essa mão que tateia antes de ter, esse medo
De ferir tocando, essa forte mão de homem
Cheia de mansidão para com tudo quanto existe.

Resta essa imobilidade, essa economia de gestos
Essa inércia cada vez maior diante do Infinito
Essa gagueira infantil de quem quer exprimir o inexprimível
Essa irredutível recusa à poesia não vivida.

Resta essa comunhão com os sons, esse sentimento
Da matéria em repouso, essa angústia da simultaneidade
Do tempo, essa lenta decomposição poética
Em busca de uma só vida, uma só morte, um só Vinicius.

Resta esse coração queimando como um círio
Numa catedral em ruínas, essa tristeza
Diante do cotidiano; ou essa súbita alegria
Ao ouvir passos na noite que se perdem sem história.

Resta essa vontade de chorar diante da beleza
Essa cólera em face da injustiça e o mal-entendido
Essa imensa piedade de si mesmo, essa imensa
Piedade de si mesmo e de sua força inútil.

Resta esse sentimento de infância subitamente desentranhado
De pequenos absurdos, essa capacidade
De rir à toa, esse ridículo desejo de ser útil
E essa coragem para comprometer-se sem necessidade.

Resta essa distração, essa disponibilidade, essa vagueza
De quem sabe que tudo já foi como será no vir-a-ser
E ao mesmo tempo essa vontade de servir, essa
Contemporaneidade com o amanhã dos que não tiveram ontem nem hoje.

Resta essa faculdade incoercível de sonhar
De transfigurar a realidade, dentro dessa incapacidade
De aceitá-la tal como é, e essa visão
Ampla dos acontecimentos, e essa impressionante

E desnecessária presciência, e essa memória anterior
De mundos inexistentes, e esse heroísmo
Estático, e essa pequenina luz indecifrável
A que às vezes os poetas dão o nome de esperança.

Resta esse desejo de sentir-se igual a todos
De refletir-se em olhares sem curiosidade e sem memória
Resta essa pobreza intrínseca, essa vaidade
De não querer ser príncipe senão do seu reino.

Resta esse diálogo cotidiano com a morte, essa curiosidade
Pelo momento a vir, quando, apressada
Ela virá me entreabrir a porta como uma velha amante
Mas recuará em véus ao ver-me junto à bem-amada...

Resta esse constante esforço para caminhar dentro do labirinto
Esse eterno levantar-se depois de cada queda
Essa busca de equilíbrio no fio da navalha
Essa terrível coragem diante do grande medo, e esse medo
Infantil de ter pequenas coragens.

O haver, Vinícius de Moraes.

*** "Hitler in my heart", Anthony and the Johnsons.

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http://hay-tomates.blogspot.com/2008/12/sobre-as-conversinhas-femininas

Mulheres falam. Falam muito. Quase sem parar. Isto é um fato indiscutível, claro. Mas sobre o que falam? Bom, dentre uma infinita - e muitas vezes supérflua - gama de assuntos, falamos sobre o que poderia ter sido e não foi. Segue abaixo um exemplo. E ele tem a ver com o que? Tchan, tchan, tchan: surprise! O amor (ou algo similar como chocolate, sapatos e cosméticos. Nunca sabemos bem em que patamar estão as prioridades de um cromossomo X).
Mas, antes que vocês me acusem de fissura gratuita pelo vocábulo aí acima, já me desculpo e aviso que o exemplo é meramente ilustrativo. E hilário. Leiam.
Y diz: vc. sabe do que se trata? isto é, entendeu aquela porra de e-mail que ele me mandou?
Carol diz: acredito que os caras mais inteligentes podem ser os mais asnos em termos de amor, Y! e esse cara não sabe definitivamente nada de amor. até pq. eu duvido que ele tenha vivido um. aliás, acho que a prova de que o amor existe é que esse fulano, mesmo sendo tão culto, foge dele o tempo todo. e por que? medo. ele sabe que vai sucumbir e que, se ele abrir a janela, o negócio vai inundar a sala, o quarto, a cozinha e depois a casa toda e nenhum dos livrinhos que ele tem na estante vai conseguir explicar qual a origem daquilo [risos satisfeitos]. é um mané, em resumo.
Y diz: mas não entendo por que foge! cara, a minha questão é: nós éramos claramente pra estar juntos! e ele correu disso.
Carol diz: viu só? fez isso pq. é um idiota! ou pq. sabe que nesse terreno vc. ganha dele fácil, pq. tem mais vivência; sabe mais do que ele sobre o amor pq. o vivenciou mais vezes, com muitas pessoas e, sobretudo, porque vc. sabe também o que é o desamor. e ele? dããã. fica achando que os fragmentos do barthes encerram o assunto! ou que o advento de uma sociedade deleuziana vai resolver o problema dele! [risos sarcásticos]. e vc. ainda leva esse cara a sério! eu juro que não entendo.
Y diz: eu o levo a sério porque somos muito especiais um pro outro e, pô, eu tenho dificuldade de achá-lo um idiota. esse é o problema [riso amarelo].
Carol diz: então amém! que assim permaneçam. mas, mudando de assunto, estou a fim de dançar. a gente bem que podia marcar uma baladinha dia desses, né? esses nossos cafés são legais, mas acho que precisamos de algo mais hardcore. terapia de choque mesmo [risos entusiasmados].
Y diz: é verdade! precisamos armar um esquema "daqueles" [risos satisfeitos]. e nem te conto o que fiz no domingo [risos maquiavélicos]... você vai me matar!
Carol diz: cooonta!
Y diz: então...
*** "Pen and notebook", Camera Obscura.

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http://hay-tomates.blogspot.com/2008/12/labirntico.html

Robert Doisneau




Foi pela manhã. Ouvi a melodia chinesa, por certo muito estranha; aquela que ele cantarolava nas noites bêbadas. Há tempos não a ouvia e, por conta disso, a segunda-feira me pareceu muito mais branca do que o normal - justo a mim, que cultivo com cuidado essa contemplação diária dos céus nem sempre claros da metrópole.
Queria dizer que ele me fez feliz. Mas só por um quarto de dia. Ainda que ele nunca saiba disso e que não fosse essa sua intenção. Alegra-me muito saber que ele luta para cultivar aquela amizade, posterior, um tanto plastificada e sem chance alguma de se desenvolver naturalmente.
Contudo, se eu pudesse, até teria sonhado que me contento com os sorrisos de verão, o rosto de marionete e os seus cabelos ressacosos de sinapses tardias. Ele. Queria nada além do que a vida que ele não viveu, sabem?
Deve estar a trabalhar como um insano agora. As folhas em branco, o relógio contando as pulsações, a idiotice das telas azuis. Eu também deveria estar, mas há essa estranha melodia chinesa cadenciando cada passo meu. Estou nua. Anseio muito vê-lo, ainda que bêbado, sujo, insultando cada saia e cada vermelho que interpela o seu caminho.
Não gosto de conjecturar a respeito, mas me iludo pensando que essas não-atitudes dele podem ser o indício de algo que bagunça o seu avesso e que ele, absolutamente, jamais quis sentir. Entendo-o perfeitamente, porque também não me agrada sentir aquela ausência, os dias todos, sem conhecer mais do que sua superficialidade.
Partilhamos algumas noites, é certo, e nelas disse muito a meu respeito. Os olhos de ônix, porém, ainda são um mistério que provavelmente não desvendarei. E sei que ele é um desses meninos insolentes que se recusam a olhar adiante e deixar os brinquedos lá atrás. Porém minhas retinas ainda vêem, entre as diversas miríades do caminho nebuloso que tecemos, outras paisagens.
A inteligência dele me causa um prazeroso espanto; a ironia também. Mas gosto mesmo é dos seus sorrisos e daquela sua boca. Ainda mais quando ela rescende a vinho.
Entristeço-me em pensar que, durante todo o tempo, ele me teve como um lugar-comum, uma louca sem caráter, imbecilóide e dona de olhares turvos. Culpo-me por ter representado impecavelmente o papel dessas manequins de vitrine - quase um peep show - e por dizer sempre bobagens na sua presença. Atrapalho-me. Não tenho como explicar os motivos. São tão meus.
Tantas insanidades! E há muita tragédia nessa história, sabemos. Ele pesa ainda sobre minhas carnes. Sabe disso. Eu sei. Só não sabe que outros me cobiçam. Bobos. Todos. Até poderia desejar outros sorrisos, olhos e bocas, mas isso seria como exigir que um marinheiro deixasse de partir. Os marinheiros beijam e vão-se embora. Todos os dias. Em cada porto uma mulher os espera. Os marinheiros sempre beijam e vão-se embora.
Estúpida! Alimento uma esperança burra de levá-lo comigo para algum lugar; apresentá-lo aos carniceiros do meu passado. É cedo. Tão cedo. Ainda é outubro e ele já não fica mais parado entre as duas palmeiras da minha rua. Talvez essa amizade plastificada rompa as bolhas. Aguardo? Acho que tornei a querê-lo, não sei. Desejo? Muito. Quase. A todo momento. Na segunda bem mais do que ontem: ouço a melodia chinesa.
O avesso de pandora. [Um certo romance há muito na gaveta. Interminado].
*** "A piece of my mind", EBTG.

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Gente jovem, nossa. Ainda chamam de paixão? Aquele machado mágico que corta fora o mundo com um golpe só e deixa o casal ali, tremendo. Chamem como chamarem, passa por cima de qualquer coisa, pega a cadeira maior, a fatia maior, domina por onde passa, de mansão a brejo, e o seu egoísmo é a sua beleza. Antes de eu estar reduzida a cantarolar, via tudo quanto é tipo de acasalamento. A maioria durava duas noites querendo durar uma estação. Alguns, os da contracorrente, querem ser donos do nome de verdade, mesmo quando todo mundo morre afogado por causa dele. Gente sem imaginação alimenta isso aí com sexo - o palhaço do amor. Não sabem das coisas, das coisas de verdade, das coisas melhores, quando se reduz a perda e todo mundo sai ganhando. Precisa ser meio inteligente para amar desse jeito - de mansinho, sem muleta. Mas o mundo é um tamanho teatro que vai ver por isso é que pessoas tentam superar, colocar tudo o que sentem no palco só para provar que conseguem inventar coisas bonitas: coisas bonitas de arrepiar os cabelos como brigar até a morte, adultério, botar fogo nos lençóis. Elas se dão mal, claro. O mundo ganha delas toda vez. Enquanto elas estão ocupadas se exibindo, cavando a sepultura dos outros, se pendurando numa cruz, correndo feito loucas pela rua, as cerejas estão bem sossegadas passando de verde para vermelho [...].
Amor, Toni Morrison.
*** "Elephant gun", Beirut.

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Socialismo tupiniquim

Welcome to
the Jango

 

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Belas Artes

Vai, Adolf!
ser guache na vida.

 

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Habemus papam

Mas será
o Benedito?


19.04.2005

 

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Clichê

Mond mond vast mond,
se me chamasse garamond, seria um tipo muito batido

 

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Tratar com Cromwell

Procuro pessoa
para montar república

 

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Limpeza étnica

Deixa muito mais
branco

 

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Reciclagem de PET

Meu cachorro virou
sabão

 

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Privatização

L'État c'est
toi

 

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Blow job

Desistiu de soprar casinhas
e foi atrás da chapeuzinho

 

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Atrito

Menino do Rio
calor que provoca arrepio


07.02.2007

 

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e-pístola

de: paulo@yahoo.il
para: corintios@yahoogrupos.gr

 

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AVC

Freud explica:
isso é coisa da sua cabeça


06.12.2004 - 19h30

 

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Labirinto

Boi da cara preta, pega
esse heleno que tem medo de careta

 

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Polidactilia

Desde pequeno
era cheio de dedos

 

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Hawking

Li Einstein
numa sentada só

 

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Talidomida

Mãe, você pode me dar
uma mãozinha?

 

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Incompetência

Here comes the story of the hurricane
The one the authorities came to blame


29.08.2005

 

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Morando na periferia

Troco asteróide por planeta decadente
Tratar com Pequeno Príncipe


24.08.2006

 

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Antigo ofício

No ócio te resta
o vício do orifício

 

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Arquétipo

Forever jung
I want to be forever jung

 

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Big Brother

Raúl sabe
a importância de ser fidel

 

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Praça de São Pedro

Dois tiros e
Ali tombou o papa


13.05.1981

 

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Fevereiro 20, 2009

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http://minimae.blogspot.com/2009/02/achei-que-se-fosse-longe-o-bast

Achei que se fosse longe o bastante,
esqueceria de tudo, e quem sabe, à distância,
até os relógios parassem.

Bom, vim até o fim do mundo,
e aqui, só o que parece,
é que tenho mais tempo
para pensar em todas as besteiras que fiz.

Pelo menos aqui nem sinto culpa
por nao resolver nada.

Estou no fim do mundo, afinal.

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Fevereiro 26, 2009

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http://medianeiro.blogspot.com/2009/02/as-5-pessoas-mais-influentes-da

Recentemente participei com uns amigos da Academia de Letras de uma enquete por e-mail que propunha eleger "as cinco pessoas mais influentes da História". Cada um votava em cinco nomes e no final os votos eram pesados e contabilizados, tendo-se chegado a uma lista de mais de 30 nomes em ordem de importância. Essa lista, que diz mais a respeito de nós mesmos do que dos nossos eleitos, chegou ao seguinte resultado:

Jesus - Maomé - Marx - Moisés - Hitler

São estas, para nós participantes da votação, as cinco pessoas mais influentes da História. Reproduzo agora alguns dos meus comentários desconstrutivistas, no sentido de Derrida, a respeito dessa relação:

- Quanto às origens, 3 vieram do Oriente Médio e 2 da Europa Central.

- Quanto à língua materna, 1 provavelmente falava egípcio e hebraico, 1 falava aramaico, 1 falava árabe e 2 falavam alemão.

- Etnicamente, são 3 judeus, 1 árabe e 1 germânico (ou 4 semitas e 1 anti-semita).

- Cronologicamente estão bem distribuídos: um de c. do séc. XV a.C., um do séc. I, um do séc. VI / VII, um do séc. XIX e um do séc. XX.

- Quanto à auto-imagem que ostentam em suas respectivas doutrinas, são 2 profetas, 1 filho de Deus, 1 intelectual revolucionário e 1 führer.

- Com relação à religião, são 3 fundadores de religiões monoteístas contra 1 ateu e 1 católico seguidor de crenças ocultistas germânicas pintado como ateu.

- Politicamente, são 3 homens "práticos" (Maomé, Moisés, Hitler) contra 2 "teóricos" (Jesus, Marx).

- Quanto à natureza de suas ideias, são 3 místicos, 1 racionalista e 1 irracionalista, no sentido espinosiano.

- Quanto à divulgação de suas ideias, 2 tiveram seu pensamento conhecido e difundido por meio escrito graças ao trabalho de outros, enquanto 3 redigiram a própria obra.

- Quanto à profissão, um era carpinteiro; outro era mercador; outro era jornalista escritor; outro foi príncipe e depois pastor; outro foi pintor, militar e estadista.

- Quanto ao nascimento, um nasceu de uma virgem; outro nasceu de uma família de mercadores; outro nasceu de uma família judia de classe média; outro permaneceu oculto após o nascimento e foi lançado à deriva num rio dentro de uma cesta até ser encontrado por uma princesa; outro ocultou suas origens humildes e controvertidas.

- Quanto à morte, um morreu crucificado aos 33 anos de idade; outro morreu aos 63 após uma breve enfermidade; outro morreu aos 64 e foi enterrado como apátrida; outro morreu aos 120 anos após contemplar a terra de Canaã; outro se suicidou aos 56 na iminência de perder uma guerra.

- Quanto ao feito mais marcante, um ressuscitou ao terceiro dia e ascendeu aos céus; outro unificou tribos mutuamente hostis e formou um império; outro escreveu uma obra capital; outro dividiu as águas de um mar; outro foi responsável direto por uma guerra mundial.

- São 5 homens e nenhuma mulher.

E para você, quem são as cinco pessoas mais influentes da História?

Vote já!


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Fevereiro 28, 2009

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http://minimae.blogspot.com/2009/02/voltei-para-casa-e-eles-tinham-

Voltei para casa e eles tinham voltado, meus acentos.

Acho que foi a melhor coisa que me aguardava....

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