Stoa :: Academia de Letras da Faculdade de Direito de São Paulo :: Blog :: Histórico

Dezembro 2008

Dezembro 01, 2008

default user icon

http://hay-tomates.blogspot.com/2008/12/arte-do-engano.html


You know when you see T-shirts piled up in a clothes shop, beautifully folded and colour-coded, and you buy one? It never looks the same when you take it home. It only looked good in the shop, you realize too late.
High Fidelity, Nick Hornby.
*** "Summer sun", Koop & Yukimi Nagano.

Palavras-chave: nnpp

Postado por Academia de Letras da Faculdade de Direito de São Paulo | 0 comentário

default user icon

http://hay-tomates.blogspot.com/2008/10/hoje-no-sesc-santana.html

O queridíssimo Renato Gama, amigo de última hora e parceiro numas maluquices que depois conto pra vocês, lança hoje o novo disco da sua banda, a Nhocuné Soul. O filhote novo se chama Amando e Sambando.
O show, que rola hoje lá no SESC Santana, vai ter participações especiais da fofíssima Neuza Pinheiro e de outras figuraças super competentes.
Quando? Hoje.
Onde? Sesc Santana (Av. Luiz Dumont Villares, 579 – fone: 2971-8700).
Hora? 21 horas.
Quanto? R$ 8 (inteira), R$ 4 (meia).
Quem quiser conferir o som da banda: www.myspace.com/nhocune

Palavras-chave: nnpp

Postado por Academia de Letras da Faculdade de Direito de São Paulo | 0 comentário

Dezembro 03, 2008

default user icon

http://peixedeaquario.zip.net/arch2008-12-01_2008-12-31.html#2008_12-

Ai, tenho tanta coisa para te contar... Primeiro que não haverá mais o Peixe! Sim, mas sem crises, estou preparando algo melhor (creio), mudanças para anos novos e vidas novas.

Detalhes em breve.

Depois que é tanta coisa, que saberá aos pouquinhos. Leia mais...

Palavras-chave: nnpp

Postado por Academia de Letras da Faculdade de Direito de São Paulo | 0 comentário

default user icon

http://hay-tomates.blogspot.com/2008/12/dilogos-ii.html

C.,

Há um tempo, separei muito claramente para mim as funções de determinados "amigos". São pouquíssimos aqueles a quem posso me abrir. Não descobri isso de cara. E não é que todos esses com quem eu não posso me abrir não se importem comigo - ou que eu não me importe com eles - mas simplesmente não são capazes de se doarem o suficiente a ponto de quererem ouvir - porque ouvir vai muito além de captar as informações, ouvir é tentar escutar o mundo com a sensibilidade que é do outro, e não nossa; com os valores que são do outro, não os nossos -, e, ouvindo, de posteriormente ajudarem - e ajudar não é resolver o problema, mas antes de tudo expor o nosso ponto de vista sobre o que se ouviu, mas respeitando o ponto de vista do outro, e respeitar o ponto de vista é também respeitar os limites, respeitar a sensibilidade alheia, mesmo que os limites não sejam os nossos, e mesmo que não concordemos plenamente com eles.
Não descobri de cara que não deveria me abrir pra determinados "amigos". Antes, eu precisei me magoar inúmeras vezes, porque alguns simplesmente não ouviam muito - sabe aquele lance de não prestar nunca atenção ao que você fala -, outros só zoavam - e não por mal, era o jeito deles -, outros me deixavam mal - não por serem sinceros ou exporem opiniões divergentes, mas por me diminuírem, por me enquadrarem, erradamente, em coisas que eu não sou.
Dessa forma, passei a me preservar mais. Não é que eu não mencione, vez ou outra, coisas para estes amigos, mas tomo muito mais cuidado ao falar e principalmente sobre como falar, porque sei que isso pode sempre se voltar contra mim. Posso ficar mal por não receber o retorno que eu esperava. É preciso, então, saber o que se pode esperar de x e x pessoa.
Não necessariamente eles são apenas "amigos de mesa de bar". Ou melhor, podem ser "amigos de mesa de bar" e o "bar" não é sempre um bar, mas uma rua, um cinema, qualquer lugar. Porque o que define essa colocação "mesa de bar" é a superficialidade do contato. E ultimamente venho saturado de mesas de bares, isto é, de pessoas que não estão dispostas a ter uma troca mais profunda comigo.
É quando esses amigos perdem - ou reduzem - sua importância em nossas vidas. E isto é, na verdade, a "resposta" que posso dar. Não se trata de elaborar um troco, uma vingança, mas simplesmente de compreender o que eu ganho com x e y situação.
[...] Outro dia, você me enviou um e-mail dizendo que não deixaria de esperar que as coisas fossem melhores - ou algo como. Eu li, e entendo, e respeito, mas temi, e temo por tudo o que disse acima, a dor que isso possa lhe causar.
Eu estou aqui. De verdade. Às vezes imerso nas minhas angústias, mas você pode contar comigo. E isso, entenda, é raro. Desculpe bater nesta tecla, mas: não se pode esperar muito das pessoas, não se pode esperar muito da vida.
M.
*** "Mr. Tough", Yo la tengo.

Palavras-chave: nnpp

Postado por Academia de Letras da Faculdade de Direito de São Paulo | 0 comentário

default user icon

http://minimae.blogspot.com/2008/12/e-l-vou-eu-de-volta-uma-espiral

E lá vou eu,
de volta a uma espiral gigantesca,
mudando tudo,
mudando quem eu quero ser,
mudando você na minha cabeça.

Não está mais fácil parar de te querer,
e eu desapredi como é esquecer,
eu simplesmente não lembro de quase ninguém.

Palavras-chave: nnpp

Postado por Academia de Letras da Faculdade de Direito de São Paulo | 0 comentário

Dezembro 05, 2008

default user icon

http://medianeiro.blogspot.com/2008/12/lanamento-poesia-mexicana.html


Na próxima terça-feira, 9 de dezembro, às 19h, será realizada na CASA DAS ROSAS uma conversa com os poetas mexicanos Luis Armenta e Luis Aguilar, autores respectivamente dos livros O CÉU MAIS LÍQUIDO, traduzido por Paulo Ferraz, e O ENTRANHÁVEL COSTUME OU EL LIBRO DE FELIPE, traduzido por Fábio Aristimunho Vargas, numa parceria entre o Selo Sebastião Grifo e a Mantis editores, do México. Após haverá leitura com os autores e o lançamento dos livros.

Palavras-chave: nnpp

Postado por Academia de Letras da Faculdade de Direito de São Paulo | 0 comentário

Dezembro 06, 2008

default user icon

http://hay-tomates.blogspot.com/2008/12/labirntico.html

Robert Doisneau




Foi pela manhã. Ouvi a melodia chinesa, por certo muito estranha; aquela que ele cantarolava nas noites bêbadas. Há tempos não a ouvia e, por conta disso, a segunda-feira me pareceu muito mais branca do que o normal - justo a mim, que cultivo com cuidado essa contemplação diária dos céus nem sempre claros da metrópole.
Queria dizer que ele me fez feliz. Mas só por um quarto de dia. Ainda que ele nunca saiba disso e que não fosse essa sua intenção. Alegra-me muito saber que ele luta para cultivar aquela amizade, posterior, um tanto plastificada e sem chance alguma de se desenvolver naturalmente.
Contudo, se eu pudesse, até teria sonhado que me contento com os sorrisos de verão, o rosto de marionete e os seus cabelos ressacosos de sinapses tardias. Ele. Queria nada além do que a vida que ele não viveu, sabem?
Deve estar a trabalhar como um insano agora. As folhas em branco, o relógio contando as pulsações, a idiotice das telas azuis. Eu também deveria estar, mas há essa estranha melodia chinesa cadenciando cada passo meu. Estou nua. Anseio muito vê-lo, ainda que bêbado, sujo, insultando cada saia e cada vermelho que interpela o seu caminho.
Não gosto de conjecturar a respeito, mas me iludo pensando que essas não-atitudes dele podem ser o indício de algo que bagunça o seu avesso e que ele, absolutamente, jamais quis sentir. Entendo-o perfeitamente, porque também não me agrada sentir aquela ausência, os dias todos, sem conhecer mais do que sua superficialidade.
Partilhamos algumas noites, é certo, e nelas disse muito a meu respeito. Os olhos de ônix, porém, ainda são um mistério que provavelmente não desvendarei. E sei que ele é um desses meninos insolentes que se recusam a olhar adiante e deixar os brinquedos lá atrás. Porém minhas retinas ainda vêem, entre as diversas miríades do caminho nebuloso que tecemos, outras paisagens.
A inteligência dele me causa um prazeroso espanto; a ironia também. Mas gosto mesmo é dos seus sorrisos e daquela sua boca. Ainda mais quando ela rescende a vinho.
Entristeço-me em pensar que, durante todo o tempo, ele me teve como um lugar-comum, uma louca sem caráter, imbecilóide e dona de olhares turvos. Culpo-me por ter representado impecavelmente o papel dessas manequins de vitrine - quase um peep show - e por dizer sempre bobagens na sua presença. Atrapalho-me. Não tenho como explicar os motivos. São tão meus.
Tantas insanidades! E há muita tragédia nessa história, sabemos. Ele pesa ainda sobre minhas carnes. Sabe disso. Eu sei. Só não sabe que outros me cobiçam. Bobos. Todos. Até poderia desejar outros sorrisos, olhos e bocas, mas isso seria como exigir que um marinheiro deixasse de partir. Os marinheiros beijam e vão-se embora. Todos os dias. Em cada porto uma mulher os espera. Os marinheiros sempre beijam e vão-se embora.
Estúpida! Alimento uma esperança burra de levá-lo comigo para algum lugar; apresentá-lo aos carniceiros do meu passado. É cedo. Tão cedo. Ainda é outubro e ele já não fica mais parado entre as duas palmeiras da minha rua. Talvez essa amizade plastificada rompa as bolhas. Aguardo? Acho que tornei a querê-lo, não sei. Desejo? Muito. Quase. A todo momento. Na segunda bem mais do que ontem: ouço a melodia chinesa.
O avesso de pandora. [Um certo romance há muito na gaveta. Interminado].
*** "A piece of my mind", EBTG.

Palavras-chave: nnpp

Postado por Academia de Letras da Faculdade de Direito de São Paulo | 0 comentário

default user icon

http://minimae.blogspot.com/2008/12/i-can-hear-so-much-in-your-sigh

I can hear so much in your sighs,
and I can see so much in your eyes.
There are words we both could say,
but don't talk, put your head on my shoulder.

Palavras-chave: nnpp

Postado por Academia de Letras da Faculdade de Direito de São Paulo | 0 comentário

default user icon

http://minimae.blogspot.com/2008/12/tenho-tido-problemas-para-dormi

Tenho tido problemas para dormir
(acho que é a minha consciência).

Palavras-chave: nnpp

Postado por Academia de Letras da Faculdade de Direito de São Paulo | 0 comentário

default user icon

http://minimae.blogspot.com/2008/12/talvez-voc-sempre-me-assombre-e

Talvez você sempre me assombre,
e talvez o fato de você ter pago meus pecados
te faça uma pessoa melhor.

Mas eu continuo te amando mesmo assim.

Palavras-chave: nnpp

Postado por Academia de Letras da Faculdade de Direito de São Paulo | 0 comentário

Dezembro 07, 2008

default user icon

http://medianeiro.blogspot.com/2008/11/lanamento-atlas.html


Livro conjunto do artista plástico Pere Salinas, catalão, e do poeta Joan Navarro, valenciano.

Palavras-chave: nnpp

Postado por Academia de Letras da Faculdade de Direito de São Paulo | 0 comentário

default user icon

http://medianeiro.blogspot.com/2008/11/lanamento-meu-mestre-de-histria

Livro do caríssimo Luiz Roberto Guedes.



Luiz Roberto Guedes, a Sociedade da Sombra & Nankin Editorial
convidam para o lançamento de
MEU MESTRE DE HISTÓRIA SOBRENATURAL
Meu mestre de história sobrenatural


VIAGEM AOS MUNDOS
DA LITERATURA FANTÁSTICA

Meu Mestre de História Sobrenatural mescla o fantástico, o sobrenatural
e a ficção científica num caleidoscópio de histórias, um bazar bizarro
que evoca a magia da literatura e celebra os vôos da imaginação.

Gil Pinheiro
(LEIA MAIS)


| MEU MESTRE DE HISTÓRIA SOBRENATURAL| LUIZ ROBERTO GUEDES| 120 p. | R$25,00 |
Ilustrações de Rubens Matuck

Novela selecionada no PAC 2007, da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo
Livraria da Vila
13 de novembro de 2008, quinta-feira,
a partir das 19h30, na Livraria da Vila
Rua Fradique Coutinho, 915
Vila Madalena - Tel. (11) 3814 5811

[ Serviço de valet no local ]

A Nankin respeita a sua privacidade e é contra o spam na rede. Esperamos que você tenha apreciado esta mensagem. Se você não deseja mais receber e-mails da Nankin, clique aqui e indique Remover.



Palavras-chave: nnpp

Postado por Academia de Letras da Faculdade de Direito de São Paulo | 0 comentário

default user icon

http://medianeiro.blogspot.com/2008/10/lanamento_30.html


O poeta amigo Dirceu Villa lança seu terceiro livro, Icterofagia, no dia 6 de novembro na Livraria da Vila em São Paulo.

Palavras-chave: nnpp

Postado por Academia de Letras da Faculdade de Direito de São Paulo | 0 comentário

default user icon

http://medianeiro.blogspot.com/2008/10/lanamento.html

A ordem secreta dos ornitorrincos, de Maria Alzira Brum Lemos.


Palavras-chave: nnpp

Postado por Academia de Letras da Faculdade de Direito de São Paulo | 0 comentário

default user icon

http://medianeiro.blogspot.com/2008/09/lanamento-cadernos-de-traduo.ht

CADERNOS DE LITERATURA EM TRADUÇÃO
número 9

A Editora Humanitas tem o
prazer de convidá-lo para o
lançamento da revista


CADERNOS DE
LITERATURA
EM TRADUÇÃO
n. 9

O evento será realizado no dia
10 de Outubro de 2008,
das 19h30

Local: Finnegan's Pub
Rua Cristiano Viana, 358
Pinheiros, São Paulo - SP
Telefone: (11) 3062-3232

Colaboradores:

Alípio Correia de Franca Neto
Augusto Rodrigues
Belkiss J. Rabelo
Bronislawa Altman Mello
Daniela Osvald Ramos
Dirceu Villa
Dirce Waltrick do Amarante
Sérgio Medeiros
Eclair Antonio Almeida Filho
Fábio Aristimunho
Guilherme da Silva Braga
John Milton
Lavinia Silvares Fiorussi
Luciana Carvalho
Marcelo Tápia
Marco Syrayama de Pinto
Marina Della Valle
Priscila Fernanda Furlanetto
Roberto de Sousa Causo
Rodrigo Carvalho Alva
Sérgio Bento

Humanitas, 2008
São Paulo
300 p.


Palavras-chave: nnpp

Postado por Academia de Letras da Faculdade de Direito de São Paulo | 0 comentário

default user icon

http://medianeiro.blogspot.com/2008/09/enquanto-isso-no-pas-basco.html

Foto de Isidoro Riezu Asurmendi em Andoain, Guipúscoa

Palavras-chave: nnpp

Postado por Academia de Letras da Faculdade de Direito de São Paulo | 0 comentário

default user icon

http://medianeiro.blogspot.com/2008/09/palestra-no-encuentro-de-escrit

Situación de las políticas públicas para la literatura en Brasil


Fábio Aristimunho Vargas

_________________________________________________________

Ponencia presentada en el XXVI Encuentro de Escritores Patagónicos, mesaLiteratura, sociedad y políticas culturales del Brasil”. Puerto Madryn, Argentina, 17 de agosto de 2008.
_________________________________________________________


El Estado Brasileño, en sus niveles federal, estadual (equivalente a provincial) y municipal, tiene un histórico prestigioso de políticas públicas vueltas a la cultura y a manifestaciones artísticas diversas, sobre todo a la producción de películas, teatro, música, cultura indígena y africana, artes plásticas, circo, entre otras manifestaciones culturales.

Sin embargo, en relación a la literatura las políticas públicas brasileñas lamentablemente se han históricamente orientado por algunos pequeños prejuicios infundidos en la sociedad. Tal situación se viene cambiando a los pocos en los últimos años, pero es importante conocer el histórico de políticas públicas para la literatura en Brasil para mejor comprender su realidad actual.

Para tanto enumero a algunos prejuicios infundidos en la sociedad con relación a la literatura y, después, explicaré su correlación con las políticas públicas entonces practicadas.

Primer prejuicio: escritores son personas muertas, o entonces personas que aparecen en la tele para hablar de temas que no les tocan, y por eso igualmente intangibles, lejanos de la realidad cotidiana. Como si no hubiera escritores vivos produciendo literatura hoy en día, como si escritores no tendrían el derecho de tener una obra todavía no consagrada, como si no les fuera permitido un tiempo para alcanzar la madurez de su obra, no les fuera permitido ser personas vivas.

Segundo prejuicio: literatura sirve para el vestibular. Es como si la literatura tuviera un objetivo práctico, el de preparar los jóvenes para el ingreso en la universidad. Vestibular, en Brasil, es el examen de admisión a la universidad y su grado de dificultad varía según el prestigio de la universidad a que se intenta ingresar. En Brasil la universidad pública es de muy mejor calidad que la universidad privada, mientras que la secundaria privada es de mejor calidad que la secundaria pública, de lo que resulta que la mayoría de lo estudiantes que ingresan en la universidad pública provienen de la secundaria privada, mientras que los estudiantes de la secundaria pública ingresan en la universidad privada. El vestibular resulta ser, así, un instrumento de perpetuación de la injusticia social.

Tercer prejuicio: sólo existe literatura relevante en grandes tiradas. Este prejuicio se debe a las características del país. Como Brasil es un país con amplia dimensión territorial y una población de 190 millones, se cree que solamente las grandes tiradas interesan, en la medida en que puedan alcanzar la amplitud del territorio nacional.

Estos son tres de los prejuicios más o menos infundidos en la sociedad en relación a la literatura, que, sin embargo, como todo prejuicio, no resisten a un análisis mínimamente racional y se deshacen en el aire. Son prejuicios, nada más. Lo cruel, sin embargo, es que estos prejuicios históricamente orientan las políticas públicas para la literatura en Brasil. A ver.

El primer prejuicio, “escritores son personas muertas”, condice con el criterio adoptado para seleccionarse a autores merecedores de recibir el fomento público. Sólo habría políticas públicas para publicarse a escritores canónicos, consagrados, aunque haya una saturación de ediciones de sus obras. Es como si, subvirtiéndose el dicho políticamente incorrecto de los cowboys americanos de otros tiempos, según los cuales “un indio bueno es un indio muerto” (sic), las políticas públicas para la literatura partieron del principio de que “un escritor bueno es un escritor muerto”.

El segundo prejuicio, “literatura sirve para el vestibular”, es el que más caracteriza las políticas públicas para la literatura. Las inversiones públicas en la literatura en general se confunden con inversiones en la educación formal. Con sus inversiones en la publicación de obras canónicas de lectura obligatoria para el vestibular, el gobierno considera cumplidos dos de sus obligaciones constitucionales: fomento a la cultura y fomento a la educación. “Matar dois coelhos com uma cajadada”, o matar a dos conejos con un solo golpe, se diría en portugués.

El tercer prejuicio, de que sólo grandes tiradas valen la pena, corresponde a una actitud típica de las políticas culturales en general. Si hay fomento público, la tirada es invariablemente grande. Tiradas de centenas de millares de ejemplares. De tal orientación resulta que el fomento público se queda vuelto sobre todo a la industria del libro, y no propiamente a la producción y creación literaria, lo que es claramente una inversión de valores.

Pero tal panorama, como se ha dicho, se viene cambiando en los últimos tres o cuatro años en Brasil. Es difícil precisar el marco a partir del cual la situación de las políticas públicas comenzó a cambiarse en Brasil, pero sí se puede destacar la importancia de la organización y de los movimientos de escritores que pasaron a hacerse oír por los poderes públicos y a luchar por sus reivindicaciones. Una de estas iniciativas fue el Movimento Literatura Urgente, de 2004, de que participaron más de 120 escritores brasileños de renombre. Su manifiesto, llamado Temos fome de literatura, o “Tenemos hambre de literatura”, reivindicaba políticas públicas para la creación literaria, entre otras propuestas más o menos polémicas. Este manifiesto fue entregue al Ministerio de la Cultura y a otras autoridades gubernamentales y sus frutos comienzan a hacerse sentir en las políticas públicas.

Con el reciente cambio de orientación de las políticas culturales para la literatura, hoy en día se pueden observar a diversas iniciativas de fomento público para la literatura en los niveles federal, estadual y municipal. Concretamente, el Ministerio de la Cultura, la Secretaría de Estado de la Cultura de San Pablo y la municipalidad de San Pablo patrocinan importantes convocatorias para la selección de proyectos de patrocinio a la creación literaria y otras actividades relacionadas a la literatura actualmente producida, además de las convocatorias de empresas estatales, tales como las de la Petrobras y del banco Caixa Econômica Federal.

Como ejemplos de este cambio de actitud, puedo citar a algunos proyectos de que participé directamente y que merecieron el patrocinio público:

1. el periódico O Casulo, de cuyo consejo editorial soy miembro, que publica sobre todo poesía de autores brasileños contemporáneos y que, en sus orígenes, era mantenido exclusivamente por donaciones de los editores y por anuncios pagos. O Casulo ganó por dos veces la convocatoria de la municipalidad de San Pablo para publicarse en una tirada de 30 mil ejemplares a partir de su número 5 (actualmente está en el número 9), siendo distribuido en escuelas públicas de la ciudad;

2. el encuentro Tordesilhas – Festival Ibero-Americano de Poesia Contemporânea, desarrollado en 2007 en San Pablo, de que fui uno de los organizadores, que proporcionó la participación de cerca de 40 escritores de países como España, Portugal, Cuba, México, Perú, Ecuador, Paraguay, Chile, Uruguay y Argentina. Este encuentro tuvo el patrocinio del banco Caixa Econômica Federal, tras ganar una grande convocatoria pública nacional y demasiado concurrida;

3. el encuentro FLAP!, celebrado en San Pablo y Río de Janeiro, que en su cuarta edición en agosto de 2008 se convirtió en un festival internacional, del cual participaron escritores de diversos países de Latino América (Argentina, Uruguay, Chile, Ecuador, México, Guatemala, Cuba). El encuentro tuvo el patrocinio de, entre otras entidades, la Associação Paulista de Amigos da Arte, vinculada a la Secretaría de Estado de la Cultura de San Pablo. El intercambio de experiencias que proporcionan festivales como estos, a ejemplo del presente Encuentro de Escritores Patagónicos, es de inmensurable importancia para el desarrollo de la producción literaria actual.

A título de conclusión, se puede decir que finalmente se pueden constatar unas consistentes políticas públicas para la literatura en Brasil, a ejemplo de lo que hace mucho tiempo se hace en áreas como el cine, el teatro, la música y muchas otras manifestaciones artísticas. No se quiere con ello decir que el gobierno no debería patrocinarlas a todas – sí que lo debe, pues que es su obligación constitucional fomentar las artes y la cultura, pero que no se olvide de la literatura, sobre todo la literatura practicada por escritores vivos.

Una lección que se puede aprovechar de este reciente cambio de postura de las políticas públicas para la literatura en Brasil es lo importante que es la unión de los escritores en defensa de sus intereses, que en última instancia es una defensa de los intereses de toda la sociedad, en la medida en que la literatura viva es un patrimonio cultural irrenunciable de un pueblo.

Publicado no Jornal do Anglo, n. 93, 10/9/08


Palavras-chave: nnpp

Postado por Academia de Letras da Faculdade de Direito de São Paulo | 0 comentário

default user icon

http://medianeiro.blogspot.com/2008/09/flap-rio-interferncias.html

FLAP! Rio - Interferências
Data: 20 e 21 de setembro de 2008
Local: Marquês de São Vicente, 225, Gávea. Campus da PUC-Rio, Auditório del Castilho - 2º andar, Prédio RDC (Ed. Rio Datacentro) Mapa: http://www.puc-rio.br/sobrepuc/campus/mapa/index.html
Horário: 14:00 às 19:00

Em sua terceira edição carioca, a FLAP! assume o tema INTERFERÊNCIAS.

Em dois dias - 20 e 21 de setembro - a PUC será o palco de 4 debates, 2 saraus e a exibição de dois curtas.

Abaixo confira a programação.

Inscreva-se para receber o Boletim da FLAP!
Comunidade no Orkut

dia 20 de setembro

14h - Abertura: a abertura do evento ficará a cargo da poeta e filósofa Viviane Mosé.

14h30 - Geração Espontânea
Geração Mimeógrafo, 00, 80, 90… Uma estratégia de venda ou um retrato, um instantâneo de um momento literário? Quem define, o que difere? Para situar ou para estigmatizar? São válidos esses rótulos?
Mediadora: Heloísa Buarque de Hollanda (editora da Aeroplano e professora da UFRJ)
Flávio Izhaki (escritor)
Miguel Conde (jornalista de literatura dO Globo)
Viviane Mosé (poeta)

16h20 – Sarau Movimento InVerso - Clauky Saba
Adriana Monteiro de Barros / Betina Koop / Madame Kaos (juju hollanda, beatriz provasi e marcela giannini) / Marcella Maria / Priscila Andrade

16h50 – Empório de palavras
Sebos, livrarias de bairro, virtuais, grandes redes. Produções artesanais vendidas em portas de teatro, e-books disponíveis em sites e blogs. Busdoors propagandeando – e vendendo! - o mais novo título de auto-ajuda. Quem é o leitor de literatura brasileira? Qual o caminho para os novos autores? Poesia não vai para as vitrines porque não vende ou não vende porque não vai para as vitrines?
Mediador: Tanussi Cardoso (poeta e editor)
Eucanaã Ferraz (poeta)
Claufe Rodrigues (poeta e jornalista)
João Emanuel Magalhães Pinto (editor da Guarda-Chuva)
Victor Paes (poeta e editor da Confraria do Vento)

18h40 – Exibição do curta 'POR ACASO GULLAR', de Maria Rezende e Rodrigo Bittencourt

19h – Encerramento

dia 21 de setembro

14h - Abertura
Leitura de Lorca

14h30 - Palavras nos meios: tecnologia e miscigenação.
Vídeos, CD’S, blogs, sites colaborativos, compartilhamento na web.
O diálogo da literatura entre mídias é uma evidente característica da produção contemporânea. Mas até que ponto os diferentes suportes interferem diretamente na escrita? De que maneira essa interação se torna positiva ou valoriza o texto que não se sustenta? Como está escrevendo a geração de escritores que utiliza a internet como principal ferramenta de publicação?
Mediador: Ramon Mello (escritor e jornalista)
Lucas Viriato (poeta e editor do jornal Plástico Bolha)
Olga Savary (poeta e tradutora)
Omar Salomão (poeta)
Alice Sant’Anna (poeta)

16h20 – Sarau Castelinho do Flamengo - João Pedro Roriz
Manoel Herculano (ator e escritor) / Marcelo Girard (jornalista e escritor) / João Pedro Roriz (ator e poeta)

16h50 - Vanguarda
Artistas de vanguarda protagonizaram movimentos marcantes como a Semana de Arte Moderna de 22 e a Poesia Concreta, rompendo com alguns padrões e características estéticas de sua época e re-significando outros. Mas, em 2008, o que é possível encontrar de novo? Ainda existe a possibilidade de vanguarda na literatura atual?
Mediador: Leandro Jardim (poeta e letrista)
Beatriz Resende (crítica literária)
Dado Amaral (poeta, ator e cineasta)
Paulo Henriques Britto (poeta, contista, tradutor e professor da PUC-Rio)

18h40 – Exibição de curta 'PROCURANDO DRUMMOND', de Rodrigo Bittencourt

19h – Encerramento

Palavras-chave: nnpp

Postado por Academia de Letras da Faculdade de Direito de São Paulo | 0 comentário

default user icon
default user icon

http://medianeiro.blogspot.com/2008/08/fla-2008-viva-la-conexin.html

Um breve registro fotográfico do que foi a FLAP! 2008 em São Paulo, que nesta edição contou com a presença de diversos convidados latino-americanos.


FLAP! 2008 - Zona Franca - Viva la Conexión!

FLAP! à moda antiga: mesa Zona Franca II, com Renan Nuernberger, Cidinha da Silva, Emerson da Cruz Inácio (FFLCH/USP), Jocelyn Pantoja (México), Maria Elisa Cevasco (FFLCH/USP)

público no B_arco

mesa Porto Libre I 1o. bloco, com Alan Mills (Guatemala), Andréa Del Fuego, Lorena Saucedo (México), Benjamín Morales (México), Diana de Hollanda

mesa Porto Libre I 2o. bloco, com Ernesto Carrión (Equador), Enrique Winter (Chile), Marcelino Freire, Ruy Proença

chorinho no Ó do Borogodó

Casa das Rosas

mesa Poesia-Poesía, com Leandro Jardim (coord.), Berimba de Jesus, Ernesto Carrión (Equador), Fábio Aristimunho Vargas, Virginia Fuente (Argentina) e Luis Paniagua (México)

minha leitura

Ivanito na Globo

mesa Poesia-Poesía 2nd round, com Andréa Catrópa, Lorena Saucedo (México), Elizandra Souza, Julia Lima e Victor Coral (Peru)

Carrión durmiendo

Frederico Barbosa, Alfredo Fressia, Fábio Aristimunho Vargas

mesa Puerto Libre II com Quadrinhos do Quarto Mundo

desenhistas

registro artístico da leitura

Cursinho da Poli, mesa Porto Libre IV, com Rafael Rocha Daud, Virginia Fuente (Argentina), Lorena Saucedo (México), Alberto Trejo (México), Maiara Gouveia, Victor Del Franco, Luis Paniagua (México)

público no Cursinho da Poli

TV Cultura, programa Metrópolis

Sarau do Binho

mesa Literatura periférica: geografia ou estilo?, com Paloma Kiss, Alan Mills (Guatemala), Allan da Rosa, Antonio Vicente Pietroforte, Serginho poeta

mesa na FFLCH/USP, com Rodrigo Flores (México), Profa. Vima Lia Martin, Reinaldo Montero (Cuba)

confraternização Posto da Polícia Aduaneira

Jocelyn Pantoja

Andréa Catrópa


Estes registros vão dos dias 02/8 (sábado) a 05/8 (terça-feira), dias que pude acompanhar a FLAP. Faltam portanto registros dos dias 1º, 6, 7 e 8, além de todas as histórias que já entraram para o anedotário da FLAP.

Palavras-chave: nnpp

Postado por Academia de Letras da Faculdade de Direito de São Paulo | 0 comentário

Dezembro 11, 2008

default user icon

http://hay-tomates.blogspot.com/2008/11/as-mulheres-da-vez-toni-morriso

Gente jovem, nossa. Ainda chamam de paixão? Aquele machado mágico que corta fora o mundo com um golpe só e deixa o casal ali, tremendo. Chamem como chamarem, passa por cima de qualquer coisa, pega a cadeira maior, a fatia maior, domina por onde passa, de mansão a brejo, e o seu egoísmo é a sua beleza. Antes de eu estar reduzida a cantarolar, via tudo quanto é tipo de acasalamento. A maioria durava duas noites querendo durar uma estação. Alguns, os da contracorrente, querem ser donos do nome de verdade, mesmo quando todo mundo morre afogado por causa dele. Gente sem imaginação alimenta isso aí com sexo - o palhaço do amor. Não sabem das coisas, das coisas de verdade, das coisas melhores, quando se reduz a perda e todo mundo sai ganhando. Precisa ser meio inteligente para amar desse jeito - de mansinho, sem muleta. Mas o mundo é um tamanho teatro que vai ver por isso é que pessoas tentam superar, colocar tudo o que sentem no palco só para provar que conseguem inventar coisas bonitas: coisas bonitas de arrepiar os cabelos como brigar até a morte, adultério, botar fogo nos lençóis. Elas se dão mal, claro. O mundo ganha delas toda vez. Enquanto elas estão ocupadas se exibindo, cavando a sepultura dos outros, se pendurando numa cruz, correndo feito loucas pela rua, as cerejas estão bem sossegadas passando de verde para vermelho [...].
Amor, Toni Morrison.
*** "Elephant gun", Beirut.

Palavras-chave: nnpp

Postado por Academia de Letras da Faculdade de Direito de São Paulo | 0 comentário

default user icon

http://hay-tomates.blogspot.com/2008/12/sobre-as-conversinhas-femininas

Mulheres falam. Falam muito. Quase sem parar. Isto é um fato indiscutível, claro. Mas sobre o que falam? Bom, dentre uma infinita - e muitas vezes supérflua - gama de assuntos, falamos sobre o que poderia ter sido e não foi. Segue abaixo um exemplo. E ele tem a ver com o que? Tchan, tchan, tchan: surprise! O amor (ou algo similar como chocolate, sapatos e cosméticos. Nunca sabemos bem em que patamar estão as prioridades de um cromossomo X).
Mas, antes que vocês me acusem de fissura gratuita pelo vocábulo aí acima, já me desculpo e aviso que o exemplo é meramente ilustrativo. E hilário. Leiam.
Y diz: vc. sabe do que se trata? isto é, entendeu aquela porra de e-mail que ele me mandou?
Carol diz: acredito que os caras mais inteligentes podem ser os mais asnos em termos de amor, Y! e esse cara não sabe definitivamente nada de amor. até pq. eu duvido que ele tenha vivido um. aliás, acho que a prova de que o amor existe é que esse fulano, mesmo sendo tão culto, foge dele o tempo todo. e por que? medo. ele sabe que vai sucumbir e que, se ele abrir a janela, o negócio vai inundar a sala, o quarto, a cozinha e depois a casa toda e nenhum dos livrinhos que ele tem na estante vai conseguir explicar qual a origem daquilo [risos satisfeitos]. é um mané, em resumo.
Y diz: mas não entendo por que foge! cara, a minha questão é: nós éramos claramente pra estar juntos! e ele correu disso.
Carol diz: viu só? fez isso pq. é um idiota! ou pq. sabe que nesse terreno vc. ganha dele fácil, pq. tem mais vivência; sabe mais do que ele sobre o amor pq. o vivenciou mais vezes, com muitas pessoas e, sobretudo, porque vc. sabe também o que é o desamor. e ele? dããã. fica achando que os fragmentos do barthes encerram o assunto! ou que o advento de uma sociedade deleuziana vai resolver o problema dele! [risos sarcásticos]. e vc. ainda leva esse cara a sério! eu juro que não entendo.
Y diz: eu o levo a sério porque somos muito especiais um pro outro e, pô, eu tenho dificuldade de achá-lo um idiota. esse é o problema [riso amarelo].
Carol diz: então amém! que assim permaneçam. mas, mudando de assunto, estou a fim de dançar. a gente bem que podia marcar uma baladinha dia desses, né? esses nossos cafés são legais, mas acho que precisamos de algo mais hardcore. terapia de choque mesmo [risos entusiasmados].
Y diz: é verdade! precisamos armar um esquema "daqueles" [risos satisfeitos]. e nem te conto o que fiz no domingo [risos maquiavélicos]... você vai me matar!
Carol diz: cooonta!
Y diz: então...
*** "Pen and notebook", Camera Obscura.

Palavras-chave: nnpp

Postado por Academia de Letras da Faculdade de Direito de São Paulo | 0 comentário

Dezembro 14, 2008

default user icon

http://juliaeoquati.blogspot.com/2008/11/elsa.html

They called her Elsa, even though it wasn't her real name. At school, on the first day, our previous teacher tried to teach us how to correctly say, in the german accent, Helga. But all the children in the class could only produce vaguely similar sounds, and she settled for Elsa. Helga wasn't too thrilled to have moved here from Europe, and also to have her name changed by a bunch of 7 year-old-children. We'll keep calling her Elsa, afterall, hard habits... die old.

The principle had decided that learning Spanish was too average-like for our forward and progressive school program, so she introduced German and French as foreign optional languages. Untill this day, i have no idea whay 7 year-old-children would be interested in learning, in the most stupid way ever, Bonjour or Guttentag, needless to say these were subjects in which everyone got B's or A's and for them were able to convince daddy (ten years latter, of course) that it was a brilliant idea to spend a summer in France, to perfeccionate the language they had so passionately studied as a child!

At the time we left middle-school, we had learned nothing but greetings, days of the week, numbers, seasons, directions and classic oral constructions that could serve us to not starve, to find some place; and most importantly a) where's the toilet and b) dou you accept credit card? Despite the poor didatics and the low level of progress in the foreing languages department, fun was guaranteed in Elsa's classes.

She was a large fortyish german with pink skin and light yellow hair that looked as if it had never been touched by a brush. She also sweated a lot and had some sorte of compulsive disorder about organization.

Every Wednesday, at 9 sharp, she would enter the room and wait untill we rearrenged the desks (yes, she drew a little map and made copies for the whole class to know her sitting arrangements). Then, at 9h05 she would play the Guttentag, Guttenmorgen, Guttenwhatever song. During the first time she played it, we were just supposed to listen. The second round, we had to sing aloud during the chorous, when she smartly dimmed down the radio. By the fifth round, already halfway through class' time, we were singing without the old tape recorder, with different voices and tones, as a real choir would. She even taught us moves to match some parts of the song, which were actually helpful, since we only understood the Guttenmorgen, Guttenmorgen, Guttentag! part of the song. The rest was almost like learning German in Libras.

The last half of our productive class was all about writting. We made up words for about twenty minutes and spent lhe las fun moments watching Elsas's mania in organizing her collection of porcelan cats, dogs, turtles, owls, frogs, and all sorts of species. Each class she organized the antiques by a different criteria. One week would be Darwin, another week, Lamarck; and yet another week, by their colour pallets. Very amusing.

Anyway, Elsa really liked summertime, when she'd put on a two-piece bikini and show off her very white and voluptous figure. I remember on fild trip to the Water Park outside the city, the wholw school was there. Elsa was wearing a new pair, red thongs... A bit scary for the children, funny for the staff and embarassing for the other teachers. We could see the blond and curly hair around her bottom part and under her arm pitts. She wasn't too careful when it came to looks.

Night came and we had to go back home. But Elsa wasn't feeling too well, she had a fever, was sweating, shanking, really sick. The headmaster decided to make a pit stop at the ER before going back to school, where our parents waited for us. We're all curious to know what had taken our German Teacher down.

She left, went in the hospital, was there for 20 minutes and came back, very timidly, saying it was all okay. We were delivered ack to our families and a few months passed before we discovered what had made Elsa sick. Another teacher, at a Xmas' party, drank too much eggnog and spilled out the beans: she had forgotten a tampon, an internal woman's menstrual pad, inside, for two months. It had gotten so bad, she developed an infection, and had to take antibiotics for a long time.

Elsa never new all the students had found out about her little oblivion, but nobody never, ever, dared to get closer to her...

Palavras-chave: nnpp

Postado por Academia de Letras da Faculdade de Direito de São Paulo | 0 comentário

Dezembro 15, 2008

default user icon

http://hay-tomates.blogspot.com/2008/12/deixem-o-poetinha-falar.html

Resta, acima de tudo, essa capacidade de ternura
Essa intimidade perfeita com o silêncio
Resta essa voz íntima pedindo perdão por tudo
- Perdoai-os! porque eles não têm culpa de ter nascido...

Resta esse antigo respeito pela noite, esse falar baixo
Essa mão que tateia antes de ter, esse medo
De ferir tocando, essa forte mão de homem
Cheia de mansidão para com tudo quanto existe.

Resta essa imobilidade, essa economia de gestos
Essa inércia cada vez maior diante do Infinito
Essa gagueira infantil de quem quer exprimir o inexprimível
Essa irredutível recusa à poesia não vivida.

Resta essa comunhão com os sons, esse sentimento
Da matéria em repouso, essa angústia da simultaneidade
Do tempo, essa lenta decomposição poética
Em busca de uma só vida, uma só morte, um só Vinicius.

Resta esse coração queimando como um círio
Numa catedral em ruínas, essa tristeza
Diante do cotidiano; ou essa súbita alegria
Ao ouvir passos na noite que se perdem sem história.

Resta essa vontade de chorar diante da beleza
Essa cólera em face da injustiça e o mal-entendido
Essa imensa piedade de si mesmo, essa imensa
Piedade de si mesmo e de sua força inútil.

Resta esse sentimento de infância subitamente desentranhado
De pequenos absurdos, essa capacidade
De rir à toa, esse ridículo desejo de ser útil
E essa coragem para comprometer-se sem necessidade.

Resta essa distração, essa disponibilidade, essa vagueza
De quem sabe que tudo já foi como será no vir-a-ser
E ao mesmo tempo essa vontade de servir, essa
Contemporaneidade com o amanhã dos que não tiveram ontem nem hoje.

Resta essa faculdade incoercível de sonhar
De transfigurar a realidade, dentro dessa incapacidade
De aceitá-la tal como é, e essa visão
Ampla dos acontecimentos, e essa impressionante

E desnecessária presciência, e essa memória anterior
De mundos inexistentes, e esse heroísmo
Estático, e essa pequenina luz indecifrável
A que às vezes os poetas dão o nome de esperança.

Resta esse desejo de sentir-se igual a todos
De refletir-se em olhares sem curiosidade e sem memória
Resta essa pobreza intrínseca, essa vaidade
De não querer ser príncipe senão do seu reino.

Resta esse diálogo cotidiano com a morte, essa curiosidade
Pelo momento a vir, quando, apressada
Ela virá me entreabrir a porta como uma velha amante
Mas recuará em véus ao ver-me junto à bem-amada...

Resta esse constante esforço para caminhar dentro do labirinto
Esse eterno levantar-se depois de cada queda
Essa busca de equilíbrio no fio da navalha
Essa terrível coragem diante do grande medo, e esse medo
Infantil de ter pequenas coragens.

O haver, Vinícius de Moraes.

*** "Hitler in my heart", Anthony and the Johnsons.

Palavras-chave: nnpp

Postado por Academia de Letras da Faculdade de Direito de São Paulo | 0 comentário

Dezembro 16, 2008

default user icon

http://hay-tomates.blogspot.com/2008/12/procura-se-susan-desesperadamen

Aproveitando que tia Maddie está nessas terras tupiniquins e, principalmente, inspirada por um post do Victor da Rosa no seu Notícia de três linhas, venho por meio dessa postagem pedir que os leitores se manifestem! Não, vocês não vão ganhar uma camiseta promocional, nem pagar dois posts e levar três.
Embuída pelo espírito natalino, eu queria mesmo saber quem são vocês que se dedicam a ler os tomates plantados nesse canteiro e agradecê-los. Muito e sinceramente. Afinal, antes de certas parafernalhas de alta espionagem instaladas por aqui, eu jurava que só meus amigos - e alguns inimigos, óbvio! - liam essas baboseiras.
Enfim, manifestem-se!
*** "Sem saudade de você", Carlos Lyra.

Palavras-chave: nnpp

Postado por Academia de Letras da Faculdade de Direito de São Paulo | 0 comentário

Dezembro 17, 2008

default user icon

http://medianeiro.blogspot.com/2008/12/casulo-10-lanamento.html




O lançamento do jornal de literatura contemporânea O Casulo n. 10ocorrerá na Biblioteca Alceu Amoroso Lima (R. Henrique Schaumman, 777), quarta-feira, dia 17 de dezembro, às 19 h.

Durante o lançamento haverá um bate-papo sobre a obra de José Paulo Paes, uma performance do poeta Márcio-André e um sarau aberto com a participação dos poetas publicados no jornal.

Sintam-se a vontade para ir, pegar seu exemplar gratuitamente e ler seus poemas no palco.

Destaques desta edição:

- entrevista com Armando Freitas Filho
- resenha de Decalques, livro de estréia de Diniz Gonçalves Jr.
- homenagem a José Paulo Paes
- artigo crítico sobre a poesia de Paulo Ferraz
- poemas de Danilo Bueno, Márcio-André e Valéria Tarelho
- tradução de poemas de Kim Doré
- mais crônicas e novos poetas

Palavras-chave: nnpp

Postado por Academia de Letras da Faculdade de Direito de São Paulo | 0 comentário

default user icon

Dezembro 20, 2008

default user icon

http://talidomida.blogspot.com/2008/12/socialismo-tupiniquim-welcome-t

 


Socialismo tupiniquim

Welcome to
the Jango

 

Palavras-chave: nnpp

Postado por Academia de Letras da Faculdade de Direito de São Paulo | 0 comentário

Dezembro 21, 2008

default user icon

http://minimae.blogspot.com/2008/12/ter-que-comear-do-zero-me-assus

Ter que começar do zero me assusta muito.
Mas saber que pode existir você,
ajuda um bocado a querer me assustar.

Palavras-chave: nnpp

Postado por Academia de Letras da Faculdade de Direito de São Paulo | 0 comentário

Dezembro 22, 2008

default user icon

http://juliaeoquati.blogspot.com/2008/10/blog-post.html

Palavras-chave: nnpp

Postado por Academia de Letras da Faculdade de Direito de São Paulo | 0 comentário

default user icon

http://juliaeoquati.blogspot.com/2008/09/dj-vu.html

"Julia is a teenage dreamer girl that discovers the magic of poetry. As literature grows inside her, the world around her tries to put her feet on the ground. Her only friends are a strange guy called Francis and her journal. Together, they start living in fantasy world, perfect, painless..."

Isso é a sinopse de um curta brasileiro chamado "O Diário de Julia", do Rafael Fracacio

Except from Francis, this is basically the story of my life... How weird is that?

Palavras-chave: nnpp

Postado por Academia de Letras da Faculdade de Direito de São Paulo | 0 comentário

default user icon

http://juliaeoquati.blogspot.com/2008/09/family-autopsy-parte-1.html

Helena era uma criança mirrada, aquelas pra quem as mães preparariam língua ou bifes de fígado. Se fosse hoje, dariam achocolatados feitos especialmente para que seu filho tenha fome de.... urso. Mas, nos anos 50, o que se usava mesmo era uma bela mamadeira cheia de leite, ovos crus e açúcar, do jeitinho que qualquer criança a-do-ra. E a gente fala das cicatrizes que nossos pais nos causam, achando os nossos avós adoráveis. Não foi a primeira nem a última filha; não era a mais bonita, mas também não era feia; nem a mais inteligente era. Helena chegou ao mundo já atrás no placar que a gente mantém com a vida, como se fadada a uma mediocridade de horóscopo. Estava sempre em terceiro lugar, medalha de bronze.


Como toda criança comum, Helena não se lembra de seus primeiros aniversários. Mas não vai se esquecer nunca do 7º, já que seu irmão mais novo nasceu 20 dias antes dele. A comoção familiar denunciava todo o descaso com uma terceira filha, que só por ser filha, já vinha em desvantagem. Como aqueles produtos que compramos em outlets: com a costura defeituosa ou uma pequena manchinha que derrubam o preço pela metade e que, por isso, sempre ficam num lugar de menor destaque no guarda-roupas. Helena era uma calça de barra malfeita.


Rafael, por outro lado, chegou já com o reinado pronto para a coroação. Tanto fez no parto que deixou a mãe de cama por um mês. Com 2 anos, algum charlatão decidiu que deveriam retirar suas amídalas. A cirurgia foi tão bem feita que o excesso de anestesia o deixou molhando a cama até os 10 anos de idade. Nada mais simbólico. Toda noite a mesma novela se repetia, por anos: ele se levantava e ia até a “babá”/ “empregada”, que pacientemente trocava-lhe o pijama, os lençóis e o acolhia na cama. Às vezes dizia para a mãe, que acordava impaciente: “mas mãe, foi só uma rodinha!”, olhando discaradamente para uma poça amarela que secava no calor de setembro.


Era também folgado, preguiçoso e malandro. Daquelas crianças que aprontam e têm a cara de anjo caído. Negava tudo até a morte, mas todo mundo bem sabia o que Rafael fazia.


Pois no aniversário da irmã, com 20 dias, ele já mostrou para quê tinha nascido. A mãe, ainda de resguardo, se lamuriava na cama, enfornada num quarto escuro e abafado. As aleluias rondavam e deixavam suas asas num cemitério nojento que se formava no chão. O “parabéns pra você” tinha trilha sonora das cordas vocais de Rafael, que incessantemente berrava. E o pai só reclamava que tinha que voltar pra loja. Uma cena quase fúnebre. Helena comemorou seus sete anos aos pés da cama da mãe que dizia estar à beira da morte, ao lado do irmão histérico e do pai ríspido que só queria mesmo acabar logo com aquilo.


Palavras-chave: nnpp

Postado por Academia de Letras da Faculdade de Direito de São Paulo | 0 comentário

default user icon

http://juliaeoquati.blogspot.com/2008/09/quando-o-seu-ideal-de-parceiro.

Quando o seu ideal de parceiro masculino parece cada vez mais com um super-herói e menos com um humano, talvez seja a hora de rever os seus conceitos, avaliando o que você realmente precisa num homem, ao invés do que você deseja.

Meu horóscopo tá brincando comigo, né?
Nêgo vem falar de reavaliar o que eu procuro num homem? Filho, se balança mas fica em pé, a gente aceita...

Palavras-chave: nnpp

Postado por Academia de Letras da Faculdade de Direito de São Paulo | 0 comentário

default user icon

http://juliaeoquati.blogspot.com/2008/09/info.html

Algumas coisas que você não sabe sobre mim.

eu calço sempre o pé direito primeiro, inclusive quando visto meia-calça.
eu visto sempre o braço direito das blusas e camisetas.

eu raspo sempre a perna esquerda primeiro, no banho, contrariando a lógica dos sapatos.

eu sempre lavo as mãos antes de ir ao banheiro e depois. mas não tenho mania de lavar antes das refeições.

eu organizo as minhas músicas no iTunes por artistas e por álbuns. só faço download de discos inteiros, não baixo músicas avulsas.

eu não gosto do youtube.

só comecei a usar torrents ontem.

eu não gosto do facebook. ainda assim eu uso o youtube e o facebook.

ao contrário do que eu sempre falo, minha comida preferida é junk food.

eu tenho a ilusão de que milhares de pessoas estão lendo o meu twitter. e pra piorar, tenho certeza que estão rindo pra cacete das minhas piadinhas e comentários sarcásticos.

eu tenho fantasias de como seria me matar: me jogando da janela, overdose, enfiando o carro numa árvore. nunca me dou o trabalho de mexer um dedo para concretizar nada.

eu esqueço de rezar às vezes. e só às vezes não me sinto culpada. sou preguiçosa mesmo.

eu não sou católica, mas sim budista. e por que deveria me sentir culpada como se seguisse uma religião judaico-cristã?

eu tenho muito medo de me tornar igual à minha mãe. e eu me sinto culpada demais por isso. ela é uma pessoa tão boa.

me sinto também culpada por não fazer mais pelo mundo, pelos pobres, pelos diabéticos, pelos que têm câncer, pelos discriminados, pelo aquecimento global, pela inflação alta, pela concentração de terra, pela corrupção. mas também não me dou o trabalho de fazer nada para aplacar essa culpa. acho que se antes fizesse...

eu odeio e amo o meu chefe. alguém aí também?

eu tenho sempre a sensação de que, um dia, algo grandioso vai acontecer comigo. mas aí sempre vem a ressaca de pensar que com 6 bilhões no mundo, o raio ou o jackpot nunca vão cair em mim. é triste ser mediana.

eu queria conseguir me contentar com ser mediana. juro.

eu odeio comunistas, eu odeio reacionários, eu odeio muita coisa. acho que vou virar anarquista.

eu queria que a minha irmã me admirasse. eu não faria jus a essa admiração, porém.

eu não gosto de ter a minha vida exposta, mas, também, quem lê esse blog?

Palavras-chave: nnpp

Postado por Academia de Letras da Faculdade de Direito de São Paulo | 0 comentário

default user icon

http://juliaeoquati.blogspot.com/2008/09/faubourg-saint-denis-et-tu-tais

Faubourg Saint-Denis

et tu étais admise bien sur
tu as quitté boston pour aménager à Paris
un petit apartement dans la rue de Faubourg Saint-Denis
je t'ai montré notre quartier
mes bars, mon école
je t'ai présenté à mes amis, à mes parents
j'ai écouté les textes que tu répétais
tes chantes, tes espoirs, tes désirs, ta musique
tu écoutais la mienne
mon italian, mon allemand,
mes brics de russe
je t'ai donné un walkmand
tu m'as offert un oreiller
et un jour, tu m'as embrassé
le temps passait, le temps filait
et tous parait si facile
si simple, libre, si nouveau et si unique
on allait au cinéma
on allait danser
faire des courses
on riait, tu pleurais,
on nageait, on fumait, on se rasait
de temps en autre tu criais
sans aucune raison, ou avec raison parfois
oui, avec raison parfois
je t'accompagnais au conservatoire
je révisais mes éxamens
j'écoutais tes exercices de chant
tes espoirs, tes désirs, ta musique
tu écoutais la mienne
nous étions proches, si proches
toujours plus proche
nous allions au cinéma,
nous allions nager, rions ensemble
tu criais
avec une raison parfois
et parfois sans
le temps passait
le temps filait
je t'accompagnais au conservatoire
je révisais mes examens
tu m'écutais parler italien, allemand, russe, français
je révisais mes examens
tu criais
parfois avec raison
le temps passait, sans raison
tu criais, sans raison
je révisais mes examens
mes examens, mes examens, mes examens
le temps passait
tu criais, tu criais, tu criais
j'allais au cinéma
(il pleure et dit "pardone-moi, Francine")
...

Thomas, are you listening to me?
No, I see you.

Palavras-chave: nnpp

Postado por Academia de Letras da Faculdade de Direito de São Paulo | 0 comentário

default user icon

http://juliaeoquati.blogspot.com/2008/09/um-beijo-roubado.html

Acabei de assistir "My Blueberry Nights" do Wong Kar Wai, achei maravilhoso. Um filme muito sensível, apesar de uns poucos clichês. Um filme belo e simples, apesar dos stars hollywoodianos. Uma trilha sonora fantástica. Um filme para esboçar sorrisos e deixar os olhos lacrimosos.

Wong Kar Wai é o mesmo diretor do último segmento do "Eros", último filme do Michelangelo Antonioni (filme que também tem um segmento dirigido pelo Soderbergh, que eu não sei o porque foi escolhido, mas...). A primera parte do filme se chama "Il filo pericoloso delle cose" ou, no meu italiano macarrônico, o fio perigoso das coisas.

A parte do Soderbergh, bem sem graça e desnecessária, chama-se Equilibrium, e apesar de um elenco notável (Alan Arkin como um psicólogo bizarro e Roberto Downey Jr. como o paciente inquieto), causa bem uma vontade de ir embora do cinema. Acho que porque deve ter se esquecido de fazer o roteiro deste terço do filme e o Steven resolveru improvisar, hehe.

O trecho final é intitulado "The Hand", e conta a história de um alfaiate pobre e humilde que se apaixona por uma concubina. Ele faz vestidos, um mais bonito que o outro, para ela, de graça. Ele assume a tecelagem, vai enriquecendo, enquanto ela se torna cada vez mais pobre, até ficar doente. É também um filme sensível e belo, e eu vi muitas semelhanças com "Um Beijo Roubado".

A tradução do título para o português, como sempre, deixa a desejar. Mas eu adorei assistir esse filme. Não queria que acabasse! Para não escrever nenhum spoiler, falo só da minha cena preferida.

Lizzie, depois de sair de NY e ir até Memphis, Tennessee (god knows why), trabalha num Diner durante o dia e num bar à noite. Ela foge de NY porque foi deixada pelo namorado, que a trocou por outra. Ela sai em busca de algo que nem ela mesma sabe. Servindo no bar, conhece Arnie, um poilicial alcoólatra que bebe todas as noites pelo desgosto de ter sido deixado pela esposa. Lizzie simpatiza (e empatiza, claramente) com ele imediatamente. Uma bela noite, A tal ex-mulher, lindamente encenada pela Rachel Weisz, entra no bar para ir ao banheiro, e Arnie fica desconcertado no seu banquinho, olhando pela janela para o novo jovem namorado dela.

Numa outra noite, Arnie já mais do que bêbado, dá uma surra no tal namoradinho da Sue Lynne (sim, esse é o horroroso nome dela). Ela volta ao bar, enfurecida, gritando e xingando o ex-marido. Caçoa dele e se vira para ir embora, quando ele saca sua arma. Arnie diz que se ela se for, ele vai matá-la, no que ela responde "what are you gonna do? It's over!" e vai embora, denxando-o prostrado com a arma em punho.

Já numa terceira noite, Arnie sai do bar, dizendo para Lizzie que não precisava mais das suas fichas do A.A., que ele havia esquecido. Sai do bar e enfia seu carro num poste. "Disseram que foi um acidente. Que ele não conseguia ver a rua direito e acabou se descontrolando e batendo no poste." But we all know better.

Na noite seguinte, Sue Lynne entra no bar meio fora de si, todos olham para ela como se fosse culpa dela, inclusive Lizzie. Ela se senta no mesmo banquinho do ex-marido e pede uma vodka. Se vira para Lizzie que a está servindo, e diz: "This is my first drink in six years". E aí vemos que ela não abandonou o Arnie à toa não. Ninguém nesse mundo é tão inocente assim. Ela fica bêbada e na hora de ir embora, o dono do bar dá a conta do Arnie para Sue Lynne pagar. São meses de pedidos fiados, quase 800 dólares. Ela fica puta da vida, xinga, esperneia, chora. Lizzie sai atrás dela na rua, para encontrá-la sentada em frente ao local do acidente.

Chorando, ela diz que havia conhecido Arnie bem ali, quando ele havia perguntado para ela se estava dirigindo embriagada. "Quem diria que eu iria me apaixonar por um policial?". Mas que ele era tão louco por ela que ela estava se sufocando, e que toda noite eles bebiam para reencontrar o amor perdido. Mas que na manhã seguinte, alguma coisa continuava errada. Sempre. Até que ela o deixou. E ela desejava que ele morresse todos os dias, para que pudesse ser deixada em paz. E que, agora que ele tinha ido mesmo, ela sentia a maior dor do mundo.

Lizzie não diz nada, apenas ouve as confissões daquela "ex-viúva", tão perdida, tão machucada. E abraça Sue Lynne de um jeito muito carinhoso e reconfortante. Fiquei pensando o sentido dessa cena. Sue Lynne era exatamente igual ao ex-namorado de Lizzie. Ela abandonou o marido e arranjou outro, mesmo o Arnie sendo louco por ela. Elizabeth também não conseguia se imaginar vivendo sem o namorado (ela diz exatamente isso no começo do filme), e ele, ainda assim, a pretere por outra mulher.

Na verdade, ela está abraçando alguém exatamente igual a quem a fez sofrer, numa ironia tão crua, e ao mesmo tempo tão verdadeira. Num momento em que ela poderia abstratamente se vingar dos "traidores" do mundo, ela entende, silenciosamente, que as pessoas também têm suas razões para fazer as coisas. Bons ou ruins, cada um tem seus motivos. E no fim, não há certo ou errado, o lado do mocinho e da bandida. Todo mundo tá aí na vida "screwing up other people".

Essa seqüência no filme é tão bonita, tão profunda. Fiquei muito mexida com tudo. Fique pensando se teria a bondade de consolar alguém como Sue Lynne. Se conseguiria ser "magnânima" (por falta de outra palavra) daquele jeito. Se veria as coisas claramente como vejo agora. Fuck. Todo mundo erra, e a gente fica passing judgement sobre cada tropecinho alheio. E eu odeio que fiquem me julgando. Tenho sempre uma justificativa, um desculpa para cada escorrego. Don't others have them too?

Esse filme não tem nada a ver com encontrar o amor verdadeiro, ou encontrar amor em geral. Não tem nada a ver com a história de um casal, não tem nada a vez com casais. It's just fucking human life, wether you like it or not. 'Cause you don't really have a choice but to change!

Palavras-chave: nnpp

Postado por Academia de Letras da Faculdade de Direito de São Paulo | 0 comentário

default user icon

http://juliaeoquati.blogspot.com/2008/09/veja-sp.html

A capa da Vejinha dessa semana está mais que ridícula. Putz, tá faltando pauta pra esses jornalistas da Abril, né?

O Desafio dos 30 Reais é a "headline", e o subtítulo traz algo como "personalidades paulistanas garimpam produtos e serviços bacanas com pouco dinheiro no bolso". Poxa, como se 30 mangos fosse pouco! Tem gente que passa uma semana inteira comendo com essa grana, ou menos! E eles vêm com gracinha de desafio para famosos que fazem vestidos de R$4.000,00 e refeições a partir de R$300,00...

Poxa, por que não colocam alguém quem nem 30 paus tem pra ver o que ele compra? A Galisteu tem uma coleção de 1200 biquinis e gastou o "dinheirinho" dela em... mais um par. O pior é que ela gastou a maior parte do dinheiro na tanga do biquini, e na parte de cima, ela amarrou 2 bandanas. Poxa, apelou né, desde quando isso é bacana? Isso é mais adaptação de pobre na praia que 'estilo' minha filha...

Outra que me tirou do sério foi a Constanza Pascolato. Ela comprou um par de óculos escuros num brechó, 20 conto... Mas aí ela recomenda que troquem a lente para garantir que não fará mal aos olhos. Poxa, trapaceou legal. Quanto ficam lentes escuras novas na ótica do Iguatemi? R$30,00 my ass...

Por fim, a Julia Petit, que comprou calcinha e soutien nas Americanas. Poxa, certeza que com 30 contos dá pra comprar coisa bem melhor. E se ela tá precisando de underwear, vai no depósito São Jorge na 25 de maio, né? Pelo menos a qualidade é melhor...

Putz, por que é que eu ainda leio a veja mesmo?

Palavras-chave: nnpp

Postado por Academia de Letras da Faculdade de Direito de São Paulo | 0 comentário

default user icon

http://juliaeoquati.blogspot.com/2008/08/se-voc-no-quiser-se-rebaixar-eu

"se você não quiser se rebaixar, eu não tenho problema nenhum em fazer por você"...

uma conversa de MSN qualquer........


---------

Fui na pré-estréia de 'Blindness', do Fernando Meirelles, ontem. Adentrei o mundo de Caras com uma coca-cola na mão, recusei a pipoca gratuita, esbarrei no Daniel Oliveira na entrada da sala, e mergulhei na cegueira branca do cinema. Acompanhada do Thi, do ECINE (lá da Secretaria de Cultura), foram quase três horas de visualização de um dos melhores livros que eu já li.

Provavelmente vai-se dizer muito que o filme estava aquém das expectativas, seja porque não quebrou o paradigma do cinema brasileiro de novo, como já tinha acontecido com 'Cidade de Deus', seja porque o livro não foi tão bem retratado quanto esperavam.

Eu fiquei agradavelmente surpresa com o Ensaio Sobre a Cegueira na tela. Primeiro, porque sou bem contrária ao clichê "uma imagem vale mais que mil palavras". Acho que no caso do cinema, as imagens estão sempre tentando alcançar as palavras espalhadas pelo papel. Isso porque, quando adapta-se um livro, mesmo que curto, é muito difícil reproduzir as páginas de uma história em cenas de segundos.

Por exemplo, toda a reflexão do Saramago sobre a cegueira e a natureza humana que se revela com essa epidemia inexplicável, toda a "filosofação" que se desenvolve no livro, não é bem trazida pro filme. Acho que iria ser um filme extremamente chato se não se prendesse mais à história do que à filosofia. Não que não haja questionamentos, nem pontos profundos. Mas o "overall" é mais raso e linear.

Em segundo lugar, todo roteiro adaptado é um desafio. As pessoas todas têm na sua cabeça como deveriam ser os personagens, os lugares, o ritmo de narração. Esse até foi um defeito, acabou ficando meio corrido... Mas visualmente o Meirelles inovou de novo. São vários takes, sem exagero, na medida certa, sem foco, no escuro, ou com muita luz. Provocam sensaçoes físicas na platéia. Temos um pequeno gostinho do que os personagens estão passando.

Claro que nem tudo são flores. Me desgostou um pouco o Gael como rei da Ala 3 (ou Camarata 3), já que na minha cabeça ele seria uma figura horrenda, daquelas que só de olhar temos náusea. Não seria lindo nem tão educado, não seria o Gael. A Julianne Moore (que estava ontem lá, ui!) também nem foi taaanto o que eu esperava. O Mark Ruffalo, por outro lado, tava super bem. A angústia dele parecia de quem estava de verdade passando por aquilo. E a Alice Braga achei bem ruinzinha...

Sobre a fotografia, achei perfeita. Não acho que mudaria nada. Foi bem fantástico ver a mudança de cenas filmadas em cidades diferentes formando um único lugar não-identificável, que poderia ser Paris, França ou Bahia (como diria minha mãe). A Direção também, obviamente, é fantástica. Gostei como exploraram todo o jogo de luzes e sombras, bem diferente. A parte da Direção de Arte, por outro lado, poderia ter arriscado mais, e sujado mais as locações. Nisso concordo com o Thi, acho que no livro tudo é bem mais sujo e nojento...

Por fim, como leiga total, dou nota 8 pro filme. Muito bom, three thumbs up.

Palavras-chave: nnpp

Postado por Academia de Letras da Faculdade de Direito de São Paulo | 0 comentário

default user icon

http://juliaeoquati.blogspot.com/2008/08/beautiful-mess.html




















far far, there's this little girl
she was praying for something to happen to her
everyday she writes words and more words
just to speak out the thoughts that keep floating inside
and she's strong when the dreams come cos' they
take her, cover her, they are all over
the reality looks far now, but don't go

how can you stay outside?
there's a beautiful mess inside
how can you stay outside?
there's a beautiful mess inside
oh oh oh oh

far far, there's this little girl
she was praying for something good to happen to her
from time to time there're colors and shapes
dazeling her eyes, tickeling her hands
they invent her a new world with
oil skies and aquarel rivers
but don't you run away already
please don't go oh oh

how can you stay outside?
there's a beautiful mess inside
how an you stay outside?
there's a beautiful mess inside
take a deep breath and dive
there's a beautiful mess inside
how can you stay outside?
There's a beautiful mess
beautiful mess inside

oh beautiful, beautiful

far far there's this little girl
she was praying for something big to happen to her
every night she ears beautiful strange music
it's everywhere there's nowhere to hide
but if it fades she begs
"oh lord don't take it from me, don't take it yourselves"

Palavras-chave: nnpp

Postado por Academia de Letras da Faculdade de Direito de São Paulo | 0 comentário

default user icon

http://juliaeoquati.blogspot.com/2008/08/so-long-farewell.html

Palavras-chave: nnpp

Postado por Academia de Letras da Faculdade de Direito de São Paulo | 0 comentário

default user icon

http://juliaeoquati.blogspot.com/2008/08/someecards.html
















totally inspired by Pinheiro Neto Advogados...

Palavras-chave: nnpp

Postado por Academia de Letras da Faculdade de Direito de São Paulo | 0 comentário

default user icon

http://juliaeoquati.blogspot.com/2008/08/culpada-pela-barriga-proeminent

a culpada pela barriga proeminente é a cerveja
e pela impotência, a mulher

pelas artérias entupidas, a manteiga
e pelas safenas, a mulher

pelo enfisema pulmonar, o cigarro
pela falta de ar, a mulher

maridos são sempre inocentes

Palavras-chave: nnpp

Postado por Academia de Letras da Faculdade de Direito de São Paulo | 0 comentário

default user icon

http://juliaeoquati.blogspot.com/2008/08/torpeza.html

torpor


desperta maldade ímpeto planejado
desperta crueldade com palavras que se espalham com vento fogo folha
seca
queimada

trago à tona o pior em você e faço isso sem saber, esperando que cada letra não se torne mais uma arma contra mim

cada elo se contamina doentiamente, e o vírus
fui eu que incubei
selvageria

tremo salgada e silencio para que o universo pare de se expandir
mas o universo continua se expandindo
e eu já não posso mais impedi-lo

todos se sujam, inofensivamente, e a doença
fui eu que passei
brutalidade

surto irrupção epidemia
só o imprestável acorda
e eu já não tenho mais vacina



quem provoca o vento, não sobrevive para ver a tempestade

Palavras-chave: nnpp

Postado por Academia de Letras da Faculdade de Direito de São Paulo | 0 comentário

default user icon

http://juliaeoquati.blogspot.com/2008/08/da-tristeza-e-dos-insultos.html

É difícil se sentir injuriada e não poder se defender. Me lembro de um texto do Jhering, "A Luta pelo Direito". Sei que o juridiquês estava banido deste blog, mas este texto é especialmete importante para mim e creio que é bem importante conhecê-lo. Fiz um trabalho sobre ele, e como epígrafe coloquei trecho do poeta Eduardo Alves da Costa:

Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor
do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não escondem;
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz, e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.


Depois de reler o poema, escrevi isso...


Eu não quero que sinta pena ou raiva ou qualquer outra coisa. Quero somente que me leia com o coração aberto.

Fiquei preocupada, nervosa, aliviada. Não a quero mal, muito pelo contrário.

Escrevi num momento de ódio. Não disse nada sobre ela. A outra, sim, estava muito triste (e eu também, afinal, era meu amigo).

Não pedi que o ignorassem. Nada tinha que ver com o problema. Mas decidiram me chamar de tudo de ruim que há no mundo. Porque eu tentei protegê-la.

Ninguém esperou o ônibus partir. E não foi culpa minha.

Nunca xinguei ninguém. Nem insultei ninguém. Não chamei ninguém de amendoim ou cachorro. Foi tudo muito baixo, e se alguém tem que estar triste, sou eu. Sei que não mereço. Sei que fizemos o nosso melhor.

Me disseram que não devemos nos esquecer dos que estão a nossa volta. E foi exatamente o que eu fiz. Fiz para que não nos esquecêssemos de protegê-la.

Sinto muito que tudo chegou a esse ponto. Pensei que havia respeito humano entre nós, mas estava errada. Eu os respeitei, mas fui desrespeitada. E isso dói muito

Tristeza nem começa a descrever o que sinto agora.

Palavras-chave: nnpp

Postado por Academia de Letras da Faculdade de Direito de São Paulo | 0 comentário

default user icon

http://juliaeoquati.blogspot.com/2008/08/rise-from-dead.html

No, just from the ICU...

O blog ainda não morreu... ainda. Se bem que esteve correndo risco de morte nos últimos meses né? Isso que dá trabalhar por um salário ridículo.

Voltando ao objetivo do blog, posto alguns poemas do Estimado Cliente, livro do Rodrigo Flores, que eu traduzi e que provavelmente vai sair pelo Demônio Negro.

I.

Que quiçá dizer distância

seja a maneira de

enclausurar a

distância

a maneira do quiçá

da clausura

Que quiçá representar

a distância

seja impossível na Cidade

porque esta retém

as clausuras

em compartimentos de

impossibilidade

em maneiras claudicantes

em reiterações de quiçás

que não de afirmações

que não de figuras ou figurações

que não de legitimidade

mas de revestimentos

de dúvidas que são quiçás

Não dúvidas

senão discursos da dúvida

módulos do não

edificações do não

É dizer

figurar a distância

sua plenitude

é uma

imagem contingente

revestimento opaco

recorrente

tralha mística

Um caminhar é a distância

Uma imagem do pedestre é a distância

Uma negação da imagem do caminho é a

distância

A clausura do não do que caminha é uma

representação da Cidade


II.

Se procede a dizer que

a distância é a distância

é a distância um país Se procede

a omitir que um país não tem corpo

tem distância Corpo ausente Se

procede a representar um país

corpo ausente

distância

ausência de representação

Se procede

a corporificar

uma representação

um país

a distância

Carpe Diem

procede a se ausentar

centro da Crueldade

III.

Haverá que reconsiderar

As projeções

da distância

sobre o corpo

Haverá que projetar

as reconsiderações

os corpos

os elementos da distância

suas plenitudes

seus módulos de dizer e calar

seus procedimentos

claudicantes

seu Quiçá

IV.

A distância não é

Distância Com

tém migrações

corpos países

reiterações

de módulos do Não

quiçá legitimações

de impossibilidade

quiçá

Não

Palavras-chave: nnpp

Postado por Academia de Letras da Faculdade de Direito de São Paulo | 0 comentário

default user icon

http://juliaeoquati.blogspot.com/2008/04/william-wordsworth.html

Animal Tranquility and Decay

The little hedgerow birds,
That peck along the road, regard him not.
He travels on, and in his face, his step,
His gait, is one expression: every limb,
His look and bending figure, all bespeak
A man who does not move with pain, but moves
With thought. - He is sensibly subdued
To settled quiet: he is one by whom
All effort seems forgotten; one to whom
Long patience hath such mild composure given,
That patience now doth seem a thing of which
He hath no need. He is by nature led
To peace so perfect that the young behold
With envy, what the Old Man hardly feels.

Palavras-chave: nnpp

Postado por Academia de Letras da Faculdade de Direito de São Paulo | 0 comentário

default user icon

http://juliaeoquati.blogspot.com/2008/03/minha-traduo-na-sriealfa-de-joa

Link aqui para a sèrieAlfa

Texto original em espanhol: Lorenzo Garcia Vega
Tradução: Julia Lima





A generosidade de umas caixas de correio


É a generosidade de umas caixas de correio despejadas, encontradas por Joan em Luisenstrasse em Berlim, perto de Unter den Linden. “Eu não te contei – informa Damaris Claderón, a poetisa cubana que mora no Chile que, quanto melhor me sinto, mais me identifico com um cavalo. Então, no avião, para me sentir segura quando vôo, imagino que sou um cavalo e só assim consigo chegar no meu destino”. Posso dizer que, ao receber as caixas de correio de Joan, de imediato me detive na do meio, aí onde está pintado o 6 de que eu, em seguida, quis entendê-lo como a peça de um manifesto desta Playa Albina onde vivo. Peça cuja parte principal bem poderia descrever-se como “A veemência inaceitável do país dos tigres.” Mas, não devo evitar o exagero? Ao fim e ao cabo, eu estou frente a um galhinho de uma árvore que está frente à janela da minha casa na Playa Albina, e um galho assim – galhinho que às vezes sugere a cor creme de uma caixa desbotada tem que estar muito longe de Luisenstrasse, perto de Unter den Linden. Oh, essas caixas têm que revelar algo, mas... Eu, por certo, quiçá vítima do delírio, as contemplo, sim, na foto de Joan, mas as contemplo como se fossem uma maturação de peças demoniacamente difíceis. Sentimos, p. ex., ao contemplar a caixa da direita, que uma pátina antiqüíssima pode nos converter em... em que? Por exemplo, entrar como passageiros em um avião, sentindo que não só a sombra das caixas de correio de Joan poderia nos proteger, senão que poderia acarretar (?) em um dificílimo bem. Depois, então, desta experiência, e sem que tivesse intervindo nenhuma fada, soube que as caixas de correio da casa desabitada, surpreendida por Joan, podiam ser transplantadas aos ramos da árvore da Playa Albina. E a tradução das caixas requer quais instrumentos? Depois que soube como entrar, aconselhado por Damaris, como cavalo em um avião, a tradução das caixas de correio de Luisenstrasse se manifestou para mim com aqueles aviadores espanhóis, Barberán e Collar, que aterrissaram em Cuba, quando do começo da década de 30. Com sua viagem de Sevilla a Cuba, Barberán e Collar levaram a cabo uma verdadeira façanha. Eram eles, quiçá convertidos em cavalos muito semelhantes às caixas de correio do Joan, uns aviadores verdadeiramente felizes. Ainda que, pouco depois – e isto, disparatadamente, pode relatar-se desde o sonho da casa despejada com as caixas despejadas, na Berlim de Joan, eles, os aviadores felizes, ao se dirigir ao México, terminaram tragicamente. Mas o estranho de tudo isso que quis contar é que esses personagens, aviadores espanhóis, ou cavalos de Damaris, confundem-se com a cor da caixa que está à esquerda da foto do Joan, e isto sem que tenham nada a ver com ele. Oh, uma mancha da caixa! Uma mancha de uma caixa que, devido a certo giro de luz desta Playa Albina onde estou, converte-se, nada menos – ainda que só por um minuto em como um desprendimento da cesta que levava Chapeuzinho Vermelho. Mas o que tem a ver a cesta da Chapeuzinho Vermelho com as caixas de correio do Joan? Frente a uns galhinhos que estão frente à janela da minha casa na Playa Albina, repito. E eu não posso seguir falando, pois suspeito que, chegado um determinando momento, não só me confundirei, senão que as caixas despejadas, da casa despejada, me possam assustar além da conta.



La generosidad de unos buzones


Es la generosidad de unos buzones desahuciados, encontrados por Joan en Luisenstrasse en Berlín, cerca de Unter den Linden. “Yo no te he contado informa Damaris Calderón, la poetisa cubana residente en Chile que, cuanto mejor yo me siento, más me identifico con un caballo. Entonces en el avión, para sentirme segura, cuando vuelo me imagino que soy un caballo y sólo así he conseguido llegar a mi destino”. Puedo decir, que al recibir los buzones de Joan, de inmediato me detuve en el buzón del centro, ahí donde está pintado el 6 de que yo, enseguida, quise entenderlo como la pieza de un manifiesto de esta Playa Albina donde vivo. Pieza cuya parte principal, bien podría describirse como "La vehemencia inaceptable del país de los tigres". Pero, ¿no debo evitar la exageración? Al fin y al cabo, yo estoy frente a la ramita de un árbol que está frente a la ventana de mi casa en la Playa Albina, y una ramita así -ramita que a veces sugiere el color cremita de un buzón desvaído- tiene que estar muy lejos de
Luisenstrasse, cerca de Unter den Linden. Oh, estos buzones, tienen que revelar algo, pero... Yo, por cierto, víctima quizás del delirio, los contemplo, sí, en la foto de Joan, pero los contemplo como si fueran una maduración de piezas endemoniadamente difíciles. Sentimos, por ej., al contemplar el buzón de la derecha, que una pátina antiquísima puede convertirnos en... ¿en qué?. Por ejemplo, entrar de pasajeros en un avión, sintiendo que no sólo la sombra de los buzones de Joan nos pudiera proteger, sino que pudiera conllevar (?) un dificilísimo bien. Después, entonces, de esta experiencia, y sin que hubiese intervenido ningún hada, supe que los buzones de la casa deshabitada, sorprendida por Joan, podían ser trasplantados a las ramas del árbol de la Playa Albina. Y ¿qué instrumentos requiere la traducción de los buzones? Después que supe cómo entrar, aconsejado por Damaris, como caballo en un avión, la traducción de los buzones de Luisenstrasse se me manifestó con aquellos aviadores españoles, Barberán y Collar, quienes aterrizaron en Cuba, cuando los comienzos de la década del 30. Con su viaje de Sevilla a Cuba, Barberán y Collar llevaron a cabo una verdadera hazaña. Eran ellos, quizás convertidos en caballos muy semejantes a los buzones de Joan, unos aviadores verdaderamente felices. Aunque, poco después y esto, disparatadamente, puede relatarse desde el sueño de la casa desahuciada con los buzones desahuciados, en el Berlín de Joan, ellos, los aviadores felices, al dirigirse a México, terminaron trágicamente. Pero lo extraño de todo esto que quisiera contar, es que esos personajes, aviadores españoles, o caballos de Damaris, se me confunden con el color del buzón que está a la izquierda de la foto de Joan, y esto sin que tengan nada que ver con él ¡Oh, una mancha de buzón! Una mancha de buzón que, debido a cierto giro de la luz de esta Playa Albina donde estoy, se me convierte, nada menos aunque sólo por un minuto en como un desprendimiento de la cesta que llevaba la Caperucita Roja. Pero ¿qué tiene que ver la cesta de la Caperucita Roja con los buzones de Joan?. Frente a unas ramitas que están frente a la ventana de mi casa en la Playa Albina, repito. Y yo no puedo seguir hablando, pues me sospecho que, llegado un determinado momento, no sólo me confundiré, sino que los buzones desahuciados, de la casa desahuciada, me pueden asustar más de la cuenta.



[Lorenzo Garcia Vega nasceu em Jagüey Grande, província de Matanzas, Cuba, em 1926. É Doutor em Direito, Filosofia e Letras pela Universidade de Havana; Em 1952 recebeu o Prêmio Nacional de Literatura de Cuba. Entre seus últimos livros se encontram: Poemas para penúltima vez 1948-1989 (1991), Collages de un notario (1992), Espacios para lo huyuyo (1993), Varicaciones o como veredicto para sol de otras dudas (1993), Palíndromo en otra cerradura (1999), El oficio de perder (2004), Cuerdas para Aleister (2005). Atualmente vive em Playa Albina, Miami.

Palavras-chave: nnpp

Postado por Academia de Letras da Faculdade de Direito de São Paulo | 0 comentário

default user icon

http://juliaeoquati.blogspot.com/2008/01/lanamento-acordados.html

Queridos, notícia quente!!! Vale muito a pena conferir, além de comprar o livro, é claro.



Lançamento:
Dia 18 de janeiro de 2008, 20h (sexta-feira).
Espaço d'Os Satyros, Praça Roosevelt, São Paulo
- Apresentação do livro por Juliano Pessanha
- Teatro Livro com Os Satyros

Preço no dia 18.01.07: a preço de custo, R$ 5,00.
Preço normal: R$ 20,00

Palavras-chave: nnpp

Postado por Academia de Letras da Faculdade de Direito de São Paulo | 0 comentário

default user icon

http://juliaeoquati.blogspot.com/2008/01/happy-new-year.html


Happy new year, she told herself, rolled over, punched her pillow and fell asleep.

Palavras-chave: nnpp

Postado por Academia de Letras da Faculdade de Direito de São Paulo | 0 comentário

default user icon

http://juliaeoquati.blogspot.com/2007/12/i-need-fix-cause-im-going-down_


She thought she had seen him accross the street, walking calmly, smoking one of those stinky cigars. She ran chasing him, a bus passed in front of her and when she got to the other sidewalk, there was no trace of Mr. N. I started calling him N. because of her, just my silly habit of taking up other people's nicknames. She knew it was possible, that he could be back, that he would never stop hunting her. She was slightly drunk, head spinning with the rush fromt he idea of getting rid of him. He deserved it, afterall. She saw another bus pass her by, and felt the pleasure of pushing him in front of it, hearing the breaks, the hit, the smashing soud of brain and blood spilled on the concrete, the "ohs" and "ahs" from the walkers around, such pleasure...

Palavras-chave: nnpp

Postado por Academia de Letras da Faculdade de Direito de São Paulo | 0 comentário

default user icon

http://juliaeoquati.blogspot.com/2007/12/i-need-fix-cause-im-going-down_




After her return home from Europe, she became quite used to taking larger steps than her legs could handle, it usually meant tripping, falling and even getting all screwed up, but Eleanor didn't care. She liked her scars, she liked the memories of all her falls and crashes, never regret, she told me. I never got accustomed to this reckless posture, maybe because I grew fond of her "happy shiny smiley" self. After that party she spent months being "normal", plain, absolutely ordinary, she hated it more than one can imagine. I simply got to know her that way, truly believed she was just a shallow cheerful puddle of blondness. It was easy to be with her, no drama, no tears, she had no problems. I had forgotten about the strange scene at that party, until another event unchained a series of lapses of behavior, as if Eleanor was replaced by someone else, enraged and troubled, whenever people said things related to let's say optimist approach on life, even trivial comments on her humor started to thrown her out. That particular event, trigger to the new Eleanor, took place in Paris. I read her journal when I went to collect her stuff from the clinic. Nobody knew what she had gone through there, what he made her go through. And after such traumatic episode, she came back almost doubled. She could be sweet and sour, happy and sad, the same Eleanor, but restless whenever someone mentioned she was perky, intense, vivacious. She would always frown, her face darkened and ripped words crossed her lips: you know nothing about me, life, or anything that matters, for that matter. After a while she took up the negligent conduct that led her to reveal all the problems I thought, we thought, she didn't have. And that's when all the wounds and scars begun to show.


Palavras-chave: nnpp

Postado por Academia de Letras da Faculdade de Direito de São Paulo | 0 comentário

default user icon

http://juliaeoquati.blogspot.com/2007/12/i-need-fiz-cause-im-going-down.




I met her when she was still just happy and shiny. Her blond hair had volume and light, her small eyes were alive and she talked loudly whenever she felt life was good and things would only get better and better. But halfway through the night (it was at a party or something), she showed me the first signs that things most probably were going to get worse. I can't remember what triggered such strange reaction, but she suddenly fisted the table and told a girl to shut it, because she didn't know anything about life. All perplexed eyes moved rapidly into their orbits as guided missiles towards agitated targets, while she and the girl digladiated in silence. At first, past the chock, the offended one stood up and tried to climb accross the table, struggled to reach the "blondie" (as she squeezed between clenched teeth), hands holding her back. For a few seconds Eleanor stood stil, unaffected, and then turned around, gave the fisty girl her back and walked away, as if no sotrm had been. Then, following this disturbingly serene response, the girl screamed at the already far away Eleanor: "You freak!". And that was about enough to turn her back into the old smily and shiny to whom I was introduced. At the time it wasn't clear to me what had happened, it seemed like a normal irritated reaction anyone could have on a bad day. But later on I would understand the real meaning of the weird episode.

Palavras-chave: nnpp

Postado por Academia de Letras da Faculdade de Direito de São Paulo | 0 comentário

default user icon

http://juliaeoquati.blogspot.com/2007/12/i-need-fix-cause-im-going-down.
























She held those hands, pressed them hard, held them as if letting go meant the most unbearable pain, nails being ripped off, nonstop vomiting, little pieces of glass slowly piercing arms and legs, knives runnig through the feet's sole, nothing would be worse then letting go. She had to losen her fingers, to her despair, after all, she was meant to go through hell like all sinners are. She went back by herself, crying all her past mistakes, regretting all the broken bones, broken steps, bronken bonds that would never heal, like she would never heal from letting go. That was just the logical consequence of walking away, the solitude of all the songs that you can't hear, all the colors you can't see and all the words you can't pronounce because: YOU ARE ALONE. And this insuperable condition was exactly what defined her, not who she once were, not who she was, not all she could ever be, the simple existence came down to two little words that nobody could spill out, otherwise the world would collapse in consciousness and they just couldn't let that happen. All they did was let her suffer such collapse, isolated, making it look like she suffered from a contagious illness so distressful that the mere gaze of her eyes were enough to make me sick.

Palavras-chave: nnpp

Postado por Academia de Letras da Faculdade de Direito de São Paulo | 0 comentário

Dezembro 23, 2008

default user icon

http://peixedeaquario.zip.net/arch2008-12-01_2008-12-31.html#2008_12-

 

Essa então é daquelas postagens derradeiras do Peixe, já que no ano que vem estaremos no domínio próprio (??), com cabelos vermelhíssimos no www.anarusche.com, como a Maiara bem mandou avisar.

Palavras-chave: nnpp

Postado por Academia de Letras da Faculdade de Direito de São Paulo | 0 comentário

Dezembro 25, 2008

default user icon

http://peixedeaquario.zip.net/arch2008-12-01_2008-12-31.html#2008_12-

sim, no Rio e com marcas ridículas daquelas pessoas que não fazem idéia do que é areia e a utilidade de um filtro solar. vamos deixar esse post assim, meio twitter, meio rapididito. afinal, há muito mais vida ali fora embaixo da chuva. aquele abraço!

Leia mais...

Palavras-chave: nnpp

Postado por Academia de Letras da Faculdade de Direito de São Paulo | 0 comentário

Dezembro 26, 2008

default user icon

http://peixedeaquario.zip.net/arch2008-12-01_2008-12-31.html#2008_12-

Sim, o meu já se foi evaporado. E o teu? Para quem nem recebe isso (ah, vida de profissional liberal e dono do próprio nariz, tempo, salários) e mesmo para quem ainda não torrou o seu, um link:

Postado por Academia de Letras da Faculdade de Direito de São Paulo | 0 comentário

Dezembro 27, 2008

default user icon

http://minimae.blogspot.com/2008/12/mais-um-ano-de-minimae-mais-um-

Mais um ano de minimae, mais um ano de versos que podiam ser frases, e mais um ano de muito álcool para fazer o mundo rodar (nos dois possíveis sentidos).

Então é chegada a hora de pensar em novas resoluções para 2009, não? Está na hora de pensar em como ser um homem melhor para mim mesmo.

  1. Dormir mais (Dormir 4, 5hs por noite e ir pra academia na manhã seguinte já deu o que tinha que dar);
  2. Praticar um esporte (Que envolva outras pessoas. Correr não vale.); e
  3. Comer melhor (O que basicamente quer dizer beber menos, mas enfim, não vou colocar "beber menos" sabendo que as chances de eu cumprir isso são ínfimas).
E vamos por aí que devagar eu chego lá.

Palavras-chave: nnpp

Postado por Academia de Letras da Faculdade de Direito de São Paulo | 0 comentário

default user icon

http://hay-tomates.blogspot.com/2008/11/ecos.html

Leio muito, mais do que o recomendado para esse momento. Leio. Leio. Leio sem parar. Cinco livros em um único mês. O motivo? Não arriscaria dizer.
Hoje, porém, achei um rabisco na gaveta da escrivaninha - e há tantos por lá! Fechei os olhos e meus dedos pinçaram um projeto de poema. Não é de todo ruim, mas está dramaticamente longe de ser bom. Rabisquei uma segunda versão, só pra provar que ainda sei como é que se respira. O resultado não é nada animador, mas ainda assim deixo o meu pudor recém-adquirido de lado e coloco aqui uma suposta segunda versão. Podem palpitar, se assim o quiserem, mas aviso que sei quanto suor ainda será preciso se quiser que isso seja, de fato, um poema.



The morgue


Enlouqueci,
antes: o músculo pútrido
posto à prova,
- la sangre.
Mármore negro
tão frio: enlouquecemos
Mas antes a serra
colocada ao lado, eu e você
- la vida.
Sonhos triturados
tão ingênuos: enlouquecemos
Cismas, a vida chovendo
da janela do terceiro andar
Mas isto foi antes: vazio
- up, down, up, down
Foi ontem: acho que enlouqueci.



*** "Light and day", The Polyphonic Spree.

Palavras-chave: nnpp

Postado por Academia de Letras da Faculdade de Direito de São Paulo | 0 comentário

default user icon

http://hay-tomates.blogspot.com/2008/11/amanh-na-casa-das-rosas.html


MÚSICA POPULAR E POESIA CONTEMPORÂNEA NA CASA DAS ROSAS
O músico Renato Gama e a poeta Carol Marossi se apresentam no dia 21/11, a partir das 19 horas, no projeto Sexta Básica

A Casa das Rosas - Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura continua oferecendo espetáculos mensais e gratuitos no projeto Sexta Básica, que promove a divulgação músicos e poetas contemporâneos. No dia 21 de novembro é a vez do músico Renato Gama e da poeta Carol Marossi participarem do evento.
"Além de divulgar novos artistas, o Sexta Básica revela um universo de criação cultural, associando literatura e música", afirma Donny Correia, coordenador cultural da Casa das Rosas.
SEXTA BÁSICA
Evento Gratuito
Dia: 21/11/08, sexta-feira, 19h
Local: Hall da Casa das Rosas - Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura
Endereço: Av. Paulista, 37, Bela Vista - próximo à Estação Brigadeiro do Metrô
São Paulo – SP
Tels: (11)3285-6986 ou (11) 3288-9447
Estacionamento conveniado: Al.Santos, 74

Palavras-chave: nnpp

Postado por Academia de Letras da Faculdade de Direito de São Paulo | 0 comentário

default user icon

http://hay-tomates.blogspot.com/2008/11/dilogos-i.html


M.,
Eu imaginei que fosse somente um desabafo, mas respondi pra mim mesma e também pra você: ando muito crica ultimamente, você sabe, então é bom colocar as coisas nos seus lugares devidos vez ou outra.

Melancólica eu não diria, mas estou me sentindo muito solitária. Não aquela solidão que arranha, mas aquela que faz a gente acordar pra dentro, sabe? Estou vivenciando uns processos dolorosos e terei que tomar decisões muito sérias nos próximos meses. Chegou o momento do turning point e, por isso, talvez eu tenha que radicalizar - ex: mudar de cidade, país, etc.

Queria unir minha solidão à sua melancolia lá em Friburgo. Estou muito precisada de natureza. Essa cidade me oprime; a fuligem me sufoca. Sinto saudades. Queria tê-lo mais perto, afinal você tem sido meu apoio, meu alívio.

Beijíssimos,
C.
*** "Embraceable you", Chet Baker.

Palavras-chave: nnpp

Postado por Academia de Letras da Faculdade de Direito de São Paulo | 0 comentário

default user icon

http://hay-tomates.blogspot.com/2008/11/as-mulheres-da-vez-virginia-woo

Virginia Woolf, Vanessa Bell.

Encarar a vida pela frente, sempre. Encarar a vida pela frente, e vê-la como ela é. Por fim, entendê-la e amá-la pelo que ela é. E depois deixá-la seguir. Sempre os anos entre nós, sempre os anos. Sempre o amor. Sempre a razão. Sempre o tempo. Sempre as horas.
Desde que estava deitada no sofá, enclausurada, protegida, a presença daquilo que sentia tão evidente criou uma existência física; vestida com os ruídos da rua, banhada de sol, o hálito quente, segredando, agitando os estores. Supondo que Peter lhe dizia: "Sim, sim, mas as tuas festas, que significavam as tuas festas?", tudo quanto podia responder era (e não esperava que ninguém compreendesse): São uma oferenda; o que é terrivelmente vago. Mas quem era Peter para estabelecer que a vida é uma jornada fácil? Peter, sempre apaixonado, sempre apaixonado pela mulher que não lhe convém? Que espécie de amor é o teu?, podia ela perguntar-lhe. E sabia muito bem qual seria a resposta: que é a coisa mais importante do mundo e que talvez mulher nenhuma o compreenda. Muito bem. Mas podia algum homem compreender também o que ela queria dizer? A respeito da vida? Ela não conseguia imaginar Peter ou Richard metendo ombros ao trabalho de dar uma festa sem qualquer razão.Mas para ir mais fundo, mais além do que diziam as pessoas (e estas opiniões, como são superficiais e fragmentárias!), agora até ao âmago do seu próprio espírito, que significava para ela isso a que se chama a vida?
Mrs. Dalloway, Virginia Woolf.
*** "What a difference a day made", Jamie Cullum.

Palavras-chave: nnpp

Postado por Academia de Letras da Faculdade de Direito de São Paulo | 0 comentário

default user icon

http://hay-tomates.blogspot.com/2008/11/as-mulheres-da-vez-susa-sontag.

As ideologias criam arquivos de imagens comprobatórias, imagens representativas, que englobam idéias comuns de relevância e desencadeiam pensamentos e sentimentos previsíveis.
"Nós” – esse “nós” é qualquer um que nunca passou por nada parecido com o que eles sofreram – não compreendemos. Nós não percebemos. Não podemos na verdade, imaginar como é isso. Não podemos imaginar como é pavorosa, como é aterradora a guerra; e como ela se torna normal. Não podemos compreender, não podemos imaginar. É isso o que todo soldado, todo jornalista, todo socorrista e todo observador independente que passou algum tempo sob o fogo da guerra e teve a sorte de driblar a morte que abatia outros, à sua volta, sente de forma obstinada. E eles têm razão.
Diante da dor dos outros, Susan Sontag.
*** "Nantes", Beirut.

Palavras-chave: nnpp

Postado por Academia de Letras da Faculdade de Direito de São Paulo | 0 comentário

default user icon

http://hay-tomates.blogspot.com/2008/10/natureza-nossa-de-cada-dia-iii.

Renova-te.
Renasce em ti mesmo.
Multiplica os teus olhos, para verem mais.
Multiplica-se os teus braços para semeares tudo.
Destrói os olhos que tiverem visto.
Cria outros, para as visões novas.
Destrói os braços que tiverem semeado,
Para se esquecerem de colher.
Sê sempre o mesmo.
Sempre outro. Mas sempre alto.
Sempre longe.
E dentro de tudo.

Cântico XIII, Cecília Meirelles.

*** "O mundo é um moinho", Cartola.

Palavras-chave: nnpp

Postado por Academia de Letras da Faculdade de Direito de São Paulo | 0 comentário

default user icon

http://hay-tomates.blogspot.com/2008/10/natureza-nossa-de-cada-dia-ii.h

Quem, entretanto, imaginar que conhece o Lobo da Estepe e pode analisar sua existência lamentavelmente dividida, incorrerá, sem dúvida, em erro, pois ainda não sabe tudo. Não sabe que (como não há regra sem exceção e como um simples pecador em certas circunstâncias pode ser mais querido a Deus do que noventa e nove justos) Harry também conhecia de quando em vez exceções e momentos ditosos em sentir harmonia, e mesmo em raras ocasiões estabelecer a paz e viver um para outro de tal forma que não apenas um vigiava enquanto o outro dormia, mas também se fortaleciam ambos e cada um duplicava a energia do outro. Também na vida desse homem parecia, como em todas as partes do mundo, que o costumeiro, o consuetudinário, o conhecido e o normal tinham simplesmente por objeto permitir de quando em quando a pausa de um segundo de duração para dar lugar ao extraordinário, ao milagroso, à graça. Se tais curtas e raras horas de ventura compensavam e dulcificavam a triste sina do Lobo da Estepe, de forma que a felicidade e a desventura viessem a equilibra-se finalmente na balança, ou se, talvez, este breve mas intenso usufruir daquelas poucas horas compensava todo o sofrimento e deixava um saldo favorável de alegria, é questão sobre a qual podem meditar as pessoas ociosas a seu talante. Também o Lobo meditava isso, em seus dias mais ociosas e inúteis.

A esse propósito há que acrescentar algo. Muita gente existe que se assemelha a Harry; especialmente muitos artistas pertencem a essa classe de homens. Todas essas pessoas têm duas almas, dois seres em seu interior; há neles uma parte divina e uma satânica, há sangue materno e paterno, há capacidade para ventura e para a desgraça, tão contrapostas e hostis como eram o lobo e o homem dentro de Harry. E esses homens, para os quais a vida não oferece repouso, experimentam às vezes, em seus raros momentos de felicidade, tanta força e tão indizível beleza, a espuma do instante de ventura emerge às vezes tão alta e deslumbradora sobre o mar da dor, que sua luz espargindo radiância, vai atingir a outros com o seu encantamento. A isto se devem, a essa preciosa e momentânea espuma sobre o mar de sofrimento, todas aquelas obras artísticas em que o homem solitário e sofredor se eleva por uma hora tão alto sobre o seu próprio destino, que sua felicidade brilha como uma estrela, e parecem a todos os que a vêem como algo eterno e como se fosse seu próprio sonho de ventura. Todas essas pessoas, sejam quais forem seus atos e obras, não têm propriamente uma vida, ou seja, sua vida carece de essência e de forma, não são heróis, nem artistas, nem pensadores de maneira como os demais homens são juízes, doutores, sapateiros ou mestres; sua existência é um movimento de fluxo e refluxo, está infeliz e dolorosamente partida e é sinistra e insensata, se não estivermos propensos a ver um sentido precisamente naqueles raros acontecimentos, ações, pensamentos e obram que brilham às vezes sobre o caos semelhante vida. Entre os homens dessa espécie surgiu o perigoso e terrível pensamento de que, talvez, toda a vida do homem não passa de um espantoso erro, de um aborto brutal da mão primeva, um cruel e selvagem intento frustrado da Natureza. Mas entre eles surgiu também a idéia de que o homem talvez não seja apenas um animal dotado de razão, mas o filho de Deus destinado à mortalidade.

Cada espécie de homens tem suas características, seus aspectos, seus vícios e virtudes e seus pecados mortais. Um dos signos do Lobo da Estepe era o de ser noctívago. A manhã era para ele a pior parte do dia, causava-lhe temor e nunca lhe trouxera nada de bom. Nunca fora alegre em qualquer manhã de sua vida, nunca fizera nada de bom na primeira metade do dia, não tivera boas idéias, nem divisara nenhuma alegria para ele ou para os demais. Ao começar a tarde, ia reagindo lentamente, principiava a se animar e, ao cair da noite, em seus melhores dias, tornava-se frutífero, ativo e, às vezes, até brilhante e alegre. Disso decorria sua necessidade de isolamento e independência. Nunca existira um homem com tão profunda e apaixonada necessidade de independência como ele. Em sua juventude, quando ainda era pobre e tinha dificuldades em ganhar a vida, preferia passar fome e andar mal vestido a sacrificar uma parcela de sua independência. Nunca se vendera por dinheiro ou vida fácil às mulheres ou aos poderosos, e mil vezes desprezara o que aos olhos do mundo representa vantagens e regalias, a fim de salvaguardar a sua liberdade. Nenhuma idéia lhe era mais odiosa e terrível do que a de exercer um cargo, submeter-se a horários, obedecer ordens. Um escritório, uma repartição, uma sala de audiência eram-lhe tão odiosos quanto a morte, e o que de mais espantoso podia imaginar em sonhos seria o confinamento num quartel. Sabia subtrair-se a todas essas coisas, a custo de grandes sacrifícios e nisso residia sua força e virtude, nisso era inflexível e incorruptível, nisso seu caráter era firma e retilíneo. Só que a essa virtude estavam intimamente ligados seu sofrimento e seu destino. Ocorria a ele o que se dá com todos: o que buscava e desejava com um impulso íntimo de seu ser acabava por ser-lhe concedido, mas em grau demasiadamente superior ao que convém a um homem. A princípio, o que obtinha parecia-lhe um sonho e uma satisfação, mas logo se revelava como sendo o seu amargo destino. Assim, o poderoso era arruinado pelo poder, o rico pelo dinheiro, o subserviente pela submissão, o luxurioso pela luxúria. O Lobo da Estepe perecia por sua própria independência. Havia alcançado sua meta, seria sempre independente, ninguém haveria de mandar nele, jamais faria algo para ser agradável aos outros. Só e livre, decidia sobre seus atos e omissões. pois todo homem forte alcança indefectivelmente o que um verdadeiro impulso lhe ordena buscar. mas em meio à liberdade alcançada, Harry compreendia de súbito que essa liberdade era a morte, que estava só, que o mundo o deixara em paz de uma inquietante maneira, que ninguém mais se importava com ele, nem ele próprio, e que se afogava aos poucos numa atmosfera cada vez mais tênue de falta de relações e de isolamento. Havia chegado ao momento em que a solidão e a independência já não eram seu objetivo e seu anseio, mas antes sua condenação e sua sentença. O maravilhosos desejo fora realizado e já não era possível voltar atrás e de nada valia agora abrir os braços cheio de boa vontade e nostalgia, disposto à fraternidade e à vida social. Tinham-no agora deixado só. Não que fosse motivo de ódio e de repugnância. pelo contrário, tinha muitos amigos. Um grande número de pessoas o precisavam. Mas tudo não passava de simpatia e cordialidade; recebia convites, presentes, cartas gentis, mas ninguém vinha até ele, ninguém estava disposto nem era capaz de compartilhar de sua vida. Agora rodeava-o a atmosfera do solitário, uma atmosfera serena da qual fugia o mundo em seu redor, deixando-o incapaz de relacionar-se, uma atmosfera contra a qual não poderia prevalecer nem a vontade nem o ardente desejo. Esta era uma das
características mais significativas de sua vida.
O lobo da estepe, Herman Hesse.
*** "Love will tear us apart", Nouvelle Vague.

Palavras-chave: nnpp

Postado por Academia de Letras da Faculdade de Direito de São Paulo | 0 comentário

default user icon

http://hay-tomates.blogspot.com/2008/10/natureza-nossa-de-cada-dia-i.ht

O Lobo da Estepe tinha, portanto, duas naturezas, uma de homem e outra de lobo; tal era seu destino, e nem por isso tão singular e raro. Deve haver muitos homens que tenham em si muito de cão ou de raposa, de peixe ou de serpente sem que com isso experimentem maiores dificuldades. Em tais casos, o homem e o peixe ou o homem e a raposa convivem normalmente e nenhum causa ao outro qualquer dano; ao contrário, um ajuda ao outro, e muito homem há que levou essa condição a tais extremos a ponto de dever sua felicidade mais à raposa ou ao macaco que nele havia, do que ao próprio homem. Tais fatos são bastante conhecidos. No caso de Harry, entretanto, o caso diferia: nele o homem e o lobo não caminhavam juntos, mas apenas permaneciam em contínua e mortal inimizade e um vivia apenas para causar dano ao outro, e quando há dois inimigos mortais num mesmo sangue e na mesma alma, então a vida é uma desgraça. Bem, cada qual tem seu fado, e nenhum deles é leve.

Com nosso Lobo da Estepe sucedia que, em sua consciência, vivia ora como lobo, ora como homem, como acontece aliás com todos os seres mistos. ocorre, entretanto, que quando vivia como lobo, o homem nele permanecia como espectador, sempre à espera de interferir e condenar, e quando vivia como homem, o lobo procedia de maneira semelhante. Por exemplo, se Harry, como homem, tivesse um pensamento belo, experimentasse uma sensação nobre e delicada, ou praticasse uma das chamadas boas ações, então o lobo, em seu interior, arreganhava os dentes e ria e mostrava-lhe com amarga ironia o quão ridícula era aquela nobre encenação aos seus olhos de fera, aos olhos de um lobo que sabia muito bem em seu coração o que lhe convinha, ou seja, caminhar sozinho nas estepes, beber sangue vez por outra ou perseguir alguma loba. Toda ação humana parecia, pois, aos olhos do lobo horrivelmente absurda e despropositada, estúpida e vã. Mas sucedia exatamente o mesmo quando Harry sentia e se comportava como lobo, quando arreganhava os dentes aos outros, quando sentia ódio e inimizade a todos os seres humanos e a seus mentirosos e degenerados hábitos e costumes. Precisamente aí era qua a parte humana existente nele se punha a espreitar o lobo, chamava-o de besta e de fera e o lançava a perder, amargurando-lhe toda a satisfação de sua saudável e simples natureza lupina.

Era isso o que ocorria ao Lobo da Estepe, e pode-se perfeitamente imaginar que Harry não levasse de todo uma vida agradável e feliz. Isso não quer dizer, entretanto, que sua infelicidade fosse por demais singular (embora assim lhe pudesse parecer, da mesma forma como qualquer pessoa torna o sofrimento que se abate sorte ela como sendo o maior do mundo). Isso não pode ser dito a propósito de ninguém. Mesmo aquele que não tem em seu interior um lobo, nem por isso pode ser considerado mais feliz. E mesmo a mais infeliz das existências tem os seus momentos luminosos e suas pequenas flores de ventura a brotar entre a areia e as pedras. Assim também acontecia com o Lobo da Estepe. Não se pode negar que fosse, em geral, muito infeliz, e podia também fazer os outros infelizes, especialmente quando os queria ou era por eles estimado. Pois todos os que com ele se deram viram apenas uma das partes de seu ser. Muitos o estimaram por ser uma pessoa inteligente, refina e arguta, e mostraram-se horrorizados e desapontados quando descobriam o lobo que mostrava nele. E assim tinha de ser pois Harry, como toda pessoa sensível, queira ser amado como um todo e, portanto, era exatamente com aqueles cujo amor lhe era mais precioso que ele não podia de maneira alguma encobrir ou perjurar o lobo. Havia outros, todavia, que amavam nele exatamente o lobo, o livre, o selvagem, o indômito, o perigosos e forte, e estes achavam profundamente decepcionante e deplorável quando o selvagem e perverso se transformava em homem, e mostrava anseios de bondade e refinamento, gostava de ouvir Mozart, de ler poesia e acalentar ideais humanos. Em geral, estes se mostravam mais desapontados e irritados do que os outros, e dessa forma o Lobo da Estepe levava sua própria natureza dual e discordante aos destinos alheios toda vez que entrava em contato com as pessoas.
O lobo da estepe, Herman Hesse.
*** "Relicário", Nando Reis.

Palavras-chave: nnpp

Postado por Academia de Letras da Faculdade de Direito de São Paulo | 0 comentário

default user icon

http://hay-tomates.blogspot.com/2008/10/minding-gap-iii.html


Clov: Por que você não me manda embora?
Hamm: Não tenho mais ninguém.
Clov: Não tenho outro lugar [Pausa].
Hamm: Mesmo assim você vai me deixar.
Clov: Estou tentando.
Hamm: Você não gosta de mim.
Clov: Não.
Hamm: Antes você gostava.
Clov:
Antes!
Hamm: Fiz você sofrer muito. [Pausa] Não é?
Clov: Não é isso.
Hamm: [Ofendido] Não fiz você sofrer muito?
Clov: Fez.
Hamm: [Aliviado] Ah! Ainda bem! [Pausa. Friamente] Desculpe-me. [Pausa. Mais alto] Não ouviu? Desculpe-me.
Clov: Eu ouvi. [Pausa] Você sangrou?
Hamm: Menos. [Pausa] Não está na hora do meu calmante?
Clov: Não.

[Pausa].
Fim de partida, Samuel Beckett.
*** "Goodbye", Chet Baker.

Palavras-chave: nnpp

Postado por Academia de Letras da Faculdade de Direito de São Paulo | 0 comentário

default user icon

http://hay-tomates.blogspot.com/2008/10/minding-gap-ii.html


Vladimir: Dói?
Estragon: Dói! Ele quer saber se dói!
Vladimir: [colérico] Tirando você, ninguém sofre. Eu não conto. Queria ver se estivesse no meu lugar, o que você diria.
Estragon: Doeu?
Vladimir: Doeu! Ele quer saber se doeu!
Estragon: [apontando com o indicador] De qualquer modo, você bem que poderia fechar os botões.
Vladimir: [inclinado-se] É verdade. [Abotoa-se] Nunca descuide das pequenas coisas.
Estragon: O que você queria? Você sempre espera até o último minuto.
Vladimir: [sonhador] O último minuto... [Medita] Custa a chegar, mas será maravilhoso. Quem foi que disse isso?
Esperando Godot, Samuel Beckett.
*** "The story", Norah Jones.

Palavras-chave: nnpp

Postado por Academia de Letras da Faculdade de Direito de São Paulo | 0 comentário

default user icon

http://hay-tomates.blogspot.com/2008/09/minding-gap.html

Skull, Andy Warhol.

Vi: When did we three last meet?
Ru:
Let us not speak. [Silence]
Flo: Ru?
Ru:
Yes.
Flo: What do you think of Vi?
Ru: I see little change. [FLO moves to centre seat, whispers in RU's ear]. Oh! [They look at each other. FLO puts her finger to her lips] Does she not realize?
Flo:
God grant not. [FLO and RU turn back front, resume pose. Silence]. Just sit together as we used to, in the playground at Miss Wade's.
Ru: On the log. [Silence] Vi?
Vi:
Yes.
Ru: How do you find FLO?
Vi: She seems much the same. [RU moves to centre seat, whispers in VI's ear]. Oh! [They look at each other. RU puts her finger to her lips]. Has she not been told?
Ru:
God forbid. [Enter FLO. RU and VI turn back front, resume pose]. Holding hands . . . that way.
Flo:
Dreaming of . . . love. [Silence. Exit RU right. Silence].
Vi: Flo?
Flo: Yes.
Vi: How do you think Ru is looking?
Flo:
One sees little in this light. [VI moves centre seat, whispers in FLO's ear]. Oh! [They look at each other. VI puts her finger to her lips]. Does she not know?
Vi: Please God not. [Enter RU. VI and FLO turn back front, resume pose. RU sits right. Silence]. May we not speak of the old days? [Silence]. Of what came after? [Silence]. Shall we hold hands in the old way?

[After a moment they join hands as follows : VI's right hand with RU's right hand. VI's left hand with FLO's left hand, FLO's right hand with RU's left hand, VI's arms being above RU's left arm and FLO's right arm. The three pairs of clasped hands rest on the three laps. Silence].

Flo: I can feel the rings. [Silence].

Came and Go, Samuel Beckett.

*** "Night and day", U2.

Palavras-chave: nnpp

Postado por Academia de Letras da Faculdade de Direito de São Paulo | 0 comentário

default user icon

http://hay-tomates.blogspot.com/2008/09/apontamentos-sobre-o-amor-parte

Além de tais problemas administrativos, havia também uma miscelânea de injunções psicológicas que poderiam impedir alguém de retribuir o amor de uma alma aparentemente ideal, em favor de outra insatisfatória, mas misteriosamente mais sedutora. Na excentricidade de nossas escolhas, nós revelamos o matiz que impomos ao processo supostamente direto, mas na prática complicado, de dar e receber afeição. Incapaz de apaixonar-nos coincidentemente, permanecemos tolhidos pelos critérios. Os critérios podem ser benignos, uma preferência por olhos alegres, matemáticos de testa alta, ou debutantes de quadris estreitos, ou podem compreender tendências menos agradáveis, uma compulsão para casar-se com aristocratas, alcóolatras, histéricos ou abandonados pela mãe. Falar apenas dos valores que escolhemos nos outros deixa de lado quanto tempo passamos apaziguando nossas necessidades psicológicas historicamente determinadas e com freqüência inconscientes, pólos compatíveis no mostrador sadomasoquista, neuroses comuns, de preferência a um gosto comum por ópera ou esportes de inverno.

O que tinha parecido uma compatibilidade inerente era restrito a um ambiente específico.
BOTTON, Alain de. Nos mínimos detalhes.
*** "Brothers on a hotel bed", Death Cab for Cutie.

Palavras-chave: nnpp

Postado por Academia de Letras da Faculdade de Direito de São Paulo | 0 comentário

default user icon

http://hay-tomates.blogspot.com/2008/09/apontamentos-sobre-o-amor-iii.h

Pois bem, acho que já disse o que queria, ainda que de maneira verborrágica, apaixonada e muito, muito nonsense. Conseqüentemente, dou-me agora o sagrado direito de contraditar alguns dos pontos abordados nos posts anteriores. E ela deve fazer isso? - perguntam vocês. Claro que sim, afinal muitas vezes sou meio Whitman: eu me contradigo ? Pois muito bem, eu me contradigo. Sou amplo, contenho multidões.
O amor acaba
Paulo Mendes Campos
1) O amor acaba. Numa esquina, por exemplo, num domingo de lua nova, depois de teatro e silêncio; acaba em cafés engordurados, diferentes dos parques de ouro onde começou a pulsar; de repente, ao meio do cigarro que ele atira de raiva contra um automóvel ou que ela esmaga no cinzeiro repleto, polvilhando de cinzas o escarlate das unhas; na acidez da aurora tropical, depois duma noite votada à alegria póstuma, que não veio; e acaba o amor no desenlace das mãos no cinema, como tentáculos saciados, e elas se movimentam no escuro como dois polvos de solidão; como se as mãos soubessem antes que o amor tinha acabado; na insônia dos braços luminosos do relógio; e acaba o amor nas sorveterias diante do colorido iceberg, entre frisos de alumínio e espelhos monótonos; e no olhar do cavaleiro errante que passou pela pensão; às vezes acaba o amor nos braços torturados de Jesus, filho crucificado de todas as mulheres; mecanicamente, no elevador, como se lhe faltasse energia; no andar diferente da irmã dentro de casa o amor pode acabar; na epifania da pretensão ridícula dos bigodes; nas ligas, nas cintas, nos brincos e nas silabadas femininas; quando a alma se habitua às províncias empoeiradas da Ásia, onde o amor pode ser outra coisa, o amor pode acabar; na compulsão da simplicidade simplesmente; no sábado, depois de três goles mornos de gim à beira da piscina; no filho tantas vezes semeado, às vezes vingado por alguns dias, mas que não floresceu, abrindo parágrafos de ódio inexplicável entre o pólen e o gineceu de duas flores; em apartamentos refrigerados, atapetados, aturdidos de delicadezas, onde há mais encanto que desejo; e o amor acaba na poeira que vertem os crepúsculos, caindo imperceptível no beijo de ir e vir; em salas esmaltadas com sangue, suor e desespero; nos roteiros do tédio para o tédio, na barca, no trem, no ônibus, ida e volta de nada para nada; em cavernas de sala e quarto conjugados o amor se eriça e acaba; no inferno o amor não começa; na usura o amor se dissolve; em Brasília o amor pode virar pó; no Rio, frivolidade; em Belo Horizonte, remorso; em São Paulo, dinheiro; uma carta que chegou depois, o amor acaba; uma carta que chegou antes, e o amor acaba; na descontrolada fantasia da libido; às vezes acaba na mesma música que começou, com o mesmo drinque, diante dos mesmos cisnes; e muitas vezes acaba em ouro e diamante, dispersado entre astros; e acaba nas encruzilhadas de Paris, Londres, Nova Iorque; no coração que se dilata e quebra, e o médico sentencia imprestável para o amor; e acaba no longo périplo, tocando em todos os portos, até se desfazer em mares gelados; e acaba depois que se viu a bruma que veste o mundo; na janela que se abre, na janela que se fecha; às vezes não acaba e é simplesmente esquecido como um espelho de bolsa, que continua reverberando sem razão até que alguém, humilde, o carregue consigo; às vezes o amor acaba como se fora melhor nunca ter existido; mas pode acabar com doçura e esperança; uma palavra, muda ou articulada, e acaba o amor; na verdade; o álcool; de manhã, de tarde, de noite; na floração excessiva da primavera; no abuso do verão; na dissonância do outono; no conforto do inverno; em todos os lugares o amor acaba; a qualquer hora o amor acaba; por qualquer motivo o amor acaba; para recomeçar em todos os lugares e a qualquer minuto o amor acaba.
E a versão do Antônio Prata...
2) O amor acaba. Assim foi e assim será. Numa quarta-feira de Cinzas, num sábado de Carnaval. O amor se perde, entre o rebolado de duas passistas, debaixo da saia da baiana, o bumbo ecoando as batidas que já não vêm do coração. O amor encolhe, anoréxico, suicida-se de melancolia; acaba num átomo, de infarto - "tão jovem!" dirão -, ou aos poucos, pingando, em lenta e imperceptível hemorragia, pálido amor; morre de velhice, de obesidade, de preguiça; o amor desaparece no fundo de uma gaveta, entre cartas de amor e contas de luz de 1987: o amor embolora, cria fungos, amarela; acaba entre um sorriso e um soluço, no meio do filme, no cinema, no movimento da mão que busca a outra na poltrona, mas mão já não há; acaba no papel de bala amassado, metido no bolso: lá vai ele, tão fragil, o amor; acaba no mesmo colo de sempre, na cama, num gozo triste, na distância entre dois corpos dormentes, num cafuné estéril, cadê o amor que estava aqui? O gato comeu, o ladrão levou, o anel que tu me destes era vidro e se quebrou, o amor que tu me tinhas, cadê, meu Deus, o amor? O amor escorre, escapa, dissolve, seca, evapora-se de nós, pobres criaturas "feitas apenas para amar e sofrer de amor"; o amor acaba nas férias, na praia, no sol, em segundas-feiras cinzentas nos escritórios, em piscinas e cinzeiros, em abraços e ofensas, o amor acaba com o ódio, acaba mesmo com o amor, nem tanto, um tanto só, de amor; acaba sozinho, culpado, acaba em conjunto, triste; esquece-se o amor, como uma música de infância, uma tarde em que morremos de rir, uma cidade inteira onde já estivemos e já não está mais dentro de nós; onde foi parar, o amor? Foi-se embora para Pasárgada, onde é amigo do rei (de nós, certamente, já não é), fugiu para Maracangalha (com Amália?), aposentou-se no Beleléu, foi pro inferno, pro limbo, pro céu ou, quem sabe, reside agora num baú, num sótão, numa rua calma em Santa Rita do Passa Quatro; o amor não escolhe o momento de terminar, vai-se no susto de um pôr-do-sol interrompido por uma buzina, no primeiro ônibus da manhã, é soterrado pela pilha de jornais atiradas diante da porta, vai embora com a borra de café; "em todos os lugares o amor acaba; a qualquer hora o amor acaba; por qualquer motivo o amor acaba; para recomeçar em todos os lugares e a qualquer minuto o amor acaba!".
*** "Dance Me To The End Of Love", Madeleine Peyroux.

Palavras-chave: nnpp

Postado por Academia de Letras da Faculdade de Direito de São Paulo | 0 comentário

default user icon

http://hay-tomates.blogspot.com/2008/09/apontamentos-sobre-o-amor-ii.ht

Como eu dizia no post anterior, acredito que o amor é uma reação emocional que se aprende. Trata-se de uma resposta para um grupo de estímulos e comportamentos aprendidos e, como qualquer comportamento aprendido, é provocado pela interação daquele que aprende com seu meio, com sua habilidade/disposição para aprender e com as espécies e as forças das retribuições. Retribuições? É isso mesmo: como, quando e qual o limite de cada indivíduo para responder ao amor que expressa.
Daí que o tal amor é uma interação das mais dinâmicas, vivida em todos os momentos da vida, durante toda ela. É tudo a todo instante. Ou pelo mesmo deveria ser assim. Por isso não gosto dessa frase ficar apaixonado/a. Não acredito que ninguém fique ou deixe de estar apaixonado. Isso é minimalismo grosseiro; é equiparar o amor ao desejo, à atração, à necessidade, etc. e tal.
As pessoas podem reagir de uma forma particular, num certo grau, a determinados estímulos específicos. Nisso consiste um indicador visível do amor que sentem. Assim, as pessoas não têm mais amor para se apaixonar ou desapaixonar do que em qualquer outro momento da vida delas. Acho mais preciso dizer que se cresce no amor, isto é, quanto mais se aprende, mais se tem oportunidade de modificar as respostas comportamentais e então expandir a capacidade de amar. Não há muitas opções: ou estamos crescendo no amor ou então estamos morrendo. Dessa forma, então, as ações estarão se modificando durante a vida, assim como as interações.
Se alguém deseja conhecer o amor, deve viver o amor em suas ações. Pensar, ler, escrever ou fazer discursos sobre o amor pode até ser útil, mas em última análise trará pouca ou nenhuma resposta efetiva, posto que tais coisas só têm valor quando apresentam questões para serem vividas. O amor só é aprendido com uma compreensão que nos estimule a partir de cada novo conhecimento, por ínfimo que seja, e mediante o qual se age e reage. É isso ou qualquer conhecimento não terá nenhum valor. Para amarmos devemos viver as questões, mas para vivê-las é necessário que elas se apresentem.
Dessa forma, vivenciando as questões, aprenderemos muitas 'verdades' sobre o amor, entre elas que o amor não é uma coisa, uma mercadoria que se possa comprar, trocar ou vender. O amor não é algo que pode ser forçado ou que pertença a alguém. Ele só pode ser dado voluntariamente, com a maior confiança em si próprio e no outro (deve ser por acusa disso, aliás, que Erich Fromm dizia que qualquer pessoa de pouca confiança é também uma pessoa de pouco amor).
Mas então, por que existem tantas pessoas que se dispõem a vender seu corpo, sua mente e seu espírito em nome do amor? Não percebem que estão profundamente enganadas? Pode-se comprar o corpo de outra pessoa, seu tempo, suas posses, quiçá até mesmo suas necessidades e sonhos mais profundos, mas é impossível comprar seu amor. Contudo, muitas pessoas podem escolher obter o amor por um preço e isto é uma arte dramática que tem sido aperfeiçoada por muitos de nós ao ponto de ser impossível para qualquer um perceber a fraude. E por que não percebemos? Ora, porque muitas vezes não nos encaixamos no tremendo enredo de mau gosto que algumas pessoas insistem em nos imputar. Não há papel para nosotros nesse teatro! Essas pessoas estão tão longe de merecerem sentar ao nosso lado que não há mesmo meios de entender o porquê de algumas delas serem assim como são.
Minto, há sim. Essas pessoas manipulam a realidade facilmente, são tipinhos que usam máscaras e sabem subverter, mentir descaradamente sem falsear. Eu cairia numa dessas; vocês também. E isto pelo ingênuo fato de gente como eu e alguns de vocês terem mais o que fazer na vida do que ficar armando maneiras de foder outras pessoas. Muitos de nós até temos caráter, princípios e tentar explicar porque essas pessoas são como são é perda de tempo: são assim porque não podem nascer de novo. Ponto final.
Trata-se, portanto, de um fato irrefutável: eu e vocês (quase) sempre vamos errar; vez ou outra daremos chance pra quem não merece, para quem não sabe mesmo o que é o amor ou para quem é uma pessoa 'de pouco amor'.
Continuo achando, de qualquer modo, que esses tipos de jogos de amor não são fáceis: o custo é muito grande. Nunca valem o preço.
*** "Suddenly I see", KT Tunstall.

Palavras-chave: nnpp

Postado por Academia de Letras da Faculdade de Direito de São Paulo | 0 comentário

default user icon

http://hay-tomates.blogspot.com/2008/09/apontamentos-sobre-o-amor-i.htm

O amor deve ser aprendido. O amor a si próprio, a responsabilidade e o cuidado com o seu próximo também devem sê-lo, mas Eistein disse um dia algo mais ou menos assim: é um milagre que o sistema educacional não tenha reprimido a sagrada curiosidade de questionamento, pois essa delicada planta depende muito da necessidade de liberdade, sem a qual ela se arruína e morre. Tenho que concordar, até mesmo porque sempre fui (e ainda sou, amém!) uma criatura curiosa, que dedica muitas e muitas horas do dia observando e tentando aparar incômodas arestas.
Nessas de overthinker, acabo percebendo muitas coisas e é sobre elas que pretendo tratar nesse e nos próximos posts. Melhor, pretendo discorrer sobre o que eu penso sobre o amor, esse sentimento que alguns imputam ser o cúmulo da breguice, mas que a mim parece ser tudo o que realmente importa para sermos considerados verdadeiramente humanos, no melhor sentido que esta palavra pode ter.
Pois bem, acredito que a maioria de nós nunca teve lições acerca do amor e, se as tivemos, muitas vezes as ignoramos. Em algum ponto estagnamos, daí essa massa de zumbis crescidos, solitários, alienados, perdidos, zangados, descontentes, etc, etc, que estamos tão acostumados a ver por aí e, quiçá, até façamos parte dela. Zumbis não sabem quem são, onde estão ou como chegaram. Não têm idéia de para aonde vão, como chegarão lá, nem do que farão ao chegarem. Não têm idéia do que possuem, do que querem, nem de como desenvolvê-lo. Se vocês não são um deles, um dia já foram e, se acham que não os conhecem, calma: certamente vocês foram ou serão vítimas de um deles algum dia!
Essas pessoas são, em essência, como robôs enferrujados, vivendo no passado, confusas no presente, como medo do futuro. Em momento algum elas foram apresentadas ao amor como um fenômeno que se aprende. O que aprenderam de amor foi de forma indireta, como um acaso. Sua maior orientação - e que provavelmente constitui-se no seu único aprendizado - foi recebida mediante os meios de comunicação de massa, que sempre exploraram o amor para fins nada bonitos. Certamente um grupo de poetas frustrados, apoiados pela Metro-Goldwyn-Mayer e pela 20th Century Fox criaram o amor romântico para o mercado mundial. Seu conceito de amor, em geral, não vai além disso: rapaz encontra moça, moça briga com o rapaz (ou vice-versa), o rapaz perde a moça, a moça e o rapaz se entendem por algum passe de mágica, casam-se e vivem felizes para sempre. Há algumas variações, claro, e as histórias dos irmãos Grimm e as novelas globais também têm seu quinhão nisso tudo.
No cinema, os clássicos do tempo da vovó, protagonizados pelo galã Rock Hudson e pela diva Doris Day, ilustram bem esse aspecto. Rock encontra Doris. Rock a corteja com atenção, flores, presentes, palavras doces e gentis, perseguições frenéticas e boas maneiras. Doris foge das investidas de Rock durante aproximadamente uns 4 rolos de filme, se não mais. Por fim, Doris não pode mais resistir e se entrega a Rock. Ele a carrega por toda a tela, rumo a um incandescente pôr-do-sol. The end.
Morro de curiosidade para ver o que acontece depois disso, mas não precisamos ser lá muito espertos para intuir. Qualquer moçoila do tipo da personagem que Doris faz, que fugiu de um homem durante 4 rolos de filme, certamente é frígida. Ou louca. Qualquer homem que se ocupou com tal absurdo deve sofrer de ejaculação precoce. Eles se merecem. E não é curioso como muita gente, talvez até eu e vocês, ainda procure se enquadrar nessa fórmula? Pior, muita gente se acomoda no the end e acha que tudo vai dar certo, assim, por milagre. Pior ainda, a maioria de nós, por não saber o que é o amor, pula fora ao menor sinal de que a aquela paixão avassaladora, tão típica dos inícios, vai se retirar. Beep, paixão é uma reação química que dura, no máximo, dois anos. Amor é outra coisa.
Reafirmando essa concepção maluca de amor, temos ainda esses anúncios de desodorantes (já repararam nas propagandas do Axe?), os antigos comerciais de cigarro, os anúncios de cosméticos, de carros, etc. Eles costumam dar a noção de que o amor 'acontece', em geral à primeira vista. A mensagem subliminar é: você não tem que batalhar pelo amor, afinal ele não precisa ser aprendido; você 'entra' no amor se seguir determinadas regras e 'jogar' de acordo com elas.
Não sei quanto a vocês, mas eu não gostaria (apesar de estar reincidindo no erro nos últimos tempos, seja por ingenuidade, seja pelo cinismo alheio) de dedicar o projeto de uma casa a um arquiteto que tenha precários conhecimentos sobre construção, nem aplicaria na bolsa com o auxílio de um corretor que não sabe nada sobre o mercado de capitais. Ainda assim, formamos relações amorosas - que esperamos invariavelmente que sejam permamentes - com pessoas que dificilmente têm conhecimentos sobre o amor. Igualam amor ao sexo, à atração, à necessidade, à segurança, ao romance, à consideração e milhares de outras coisas. Aviso aos navegantes, o amor é tudo isso e nada disso.
Na verdade, a grande maioria de nós nunca aprende a amar totalmente, até porque muitos sequer cultivam aquele amor latu sensu, por todas as criaturas; não as respeitamos; somos desleais, imaturos e egoístas. Muitos querem somente a satisfação imediata dos seus desejos. O resultado são os zumbis: representam no amor, imitam amantes, fingem, mentem, traem, desrespeitam, tratam-no como um jogo. Não é surpreendente, então, que muitos de nós estejamos morrendo de solidão, pulando de relação em relação tentando preencher um enorme vazio. Estamos tão ansiosos e incompletos, mesmo em relações aparentemente íntimas; buscamos sempre algo mais do que sentimos que deveria existir. Is it all that exists? , diz uma canção da Ella Fitzgerald.
Existe algo mais, sim. É simplesmente isso, o ilimitado potencial do amor dentro de cada indivíduo, pronto para ser reconhecido, esperando ser desenvolvido, desejando crescer. Se desejamos amar, devemos começar o processo de descobrir seu real significado, quais as qualidades de uma pessoa amorosa, o que é preciso fazer para desenvolvê-las.
Cada pessoa tem o potencial para o amor, mas ele nunca é percebido sem esforço. Isso pode se traduzir, muitas vezes, em sofrimento, mas digo que o amor é melhor aprendido na alegria e na paz. Vocês estão em paz? Nesse momento eu não estou, mas é que costumo optar pelo caminho mais pedregoso.
*** "Layla", Eric Clapton.

Palavras-chave: nnpp

Postado por Academia de Letras da Faculdade de Direito de São Paulo | 0 comentário

default user icon

http://hay-tomates.blogspot.com/2008/09/hoje.html


Palavras-chave: nnpp

Postado por Academia de Letras da Faculdade de Direito de São Paulo | 0 comentário

default user icon

http://hay-tomates.blogspot.com/2008/08/rilke-e-o-ch-das-cinco.html

"Nem tudo se pode saber ou dizer, como nos querem fazer acreditar. Quase tudo o que sucede é inexprimível e decorre num espaço que a palavra jamais alcançou".

Rilke

*** "Amie", Damien Rice.

Palavras-chave: nnpp

Postado por Academia de Letras da Faculdade de Direito de São Paulo | 0 comentário