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Novembro 2008

Novembro 02, 2008

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http://hay-tomates.blogspot.com/2008/11/as-mulheres-da-vez-toni-morriso

Gente jovem, nossa. Ainda chamam de paixão? Aquele machado mágico que corta fora o mundo com um golpe só e deixa o casal ali, tremendo. Chamem como chamarem, passa por cima de qualquer coisa, pega a cadeira maior, a fatia maior, domina por onde passa, de mansão a brejo, e o seu egoísmo é a sua beleza. Antes de eu estar reduzida a cantarolar, via tudo quanto é tipo de acasalamento. A maioria durava duas noites querendo durar uma estação. Alguns, os da contracorrente, querem ser donos do nome de verdade, mesmo quando todo mundo morre afogado por causa dele. Gente sem imaginação alimenta isso aí com sexo - o palhaço do amor. Não sabem das coisas, das coisas de verdade, das coisas melhores, quando se reduz a perda e todo mundo sai ganhando. Precisa ser meio inteligente para amar desse jeito - de mansinho, sem muleta. Mas o mundo é um tamanho teatro que vai ver por isso é que pessoas tentam superar, colocar tudo o que sentem no palco só para provar que conseguem inventar coisas bonitas: coisas bonitas de arrepiar os cabelos como brigar até a morte, adultério, botar fogo nos lençóis. Elas se dão mal, claro. O mundo ganha delas toda vez. Enquanto elas estão ocupadas se exibindo, cavando a sepultura dos outros, se pendurando numa cruz, correndo feito loucas pela rua, as cerejas estão bem sossegadas passando de verde para vermelho [...].
Amor, Toni Morrison.
*** "Elephant gun", Beirut.

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Novembro 03, 2008

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http://peixedeaquario.zip.net/arch2008-11-01_2008-11-30.html#2008_11-

Sim, sim, parece que conseguirei estar aqui com a devida freqüência! Que felicidade! Bem, conto então o saiba mais...

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Novembro 04, 2008

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http://medianeiro.blogspot.com/2008/10/lanamento.html

A ordem secreta dos ornitorrincos, de Maria Alzira Brum Lemos.


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Novembro 05, 2008

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http://medianeiro.blogspot.com/2008/11/lanamento-meu-mestre-de-histria

Livro do caríssimo Luiz Roberto Guedes.



Luiz Roberto Guedes, a Sociedade da Sombra & Nankin Editorial
convidam para o lançamento de
MEU MESTRE DE HISTÓRIA SOBRENATURAL
Meu mestre de história sobrenatural


VIAGEM AOS MUNDOS
DA LITERATURA FANTÁSTICA

Meu Mestre de História Sobrenatural mescla o fantástico, o sobrenatural
e a ficção científica num caleidoscópio de histórias, um bazar bizarro
que evoca a magia da literatura e celebra os vôos da imaginação.

Gil Pinheiro
(LEIA MAIS)


| MEU MESTRE DE HISTÓRIA SOBRENATURAL| LUIZ ROBERTO GUEDES| 120 p. | R$25,00 |
Ilustrações de Rubens Matuck

Novela selecionada no PAC 2007, da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo
Livraria da Vila
13 de novembro de 2008, quinta-feira,
a partir das 19h30, na Livraria da Vila
Rua Fradique Coutinho, 915
Vila Madalena - Tel. (11) 3814 5811

[ Serviço de valet no local ]

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http://juliaeoquati.blogspot.com/2008/11/elsa.html

They called her Elsa, even though it wasn't her real name. At school, on the first day, our previous teacher tried to teach us how to correctly say, in the german accent, Helga. But all the children in the class could only produce vaguely similar sounds, and she settled for Elsa. Helga wasn't too thrilled to have moved here from Europe, and also to have her name changed by a bunch of 7 year-old-children. We'll keep calling her Elsa, afterall, hard habits... die old.

The principle had decided that learning Spanish was too average-like for our forward and progressive school program, so she introduced German and French as foreign optional languages. Untill this day, i have no idea whay 7 year-old-children would be interested in learning, in the most stupid way ever, Bonjour or Guttentag, needless to say these were subjects in which everyone got B's or A's and for them were able to convince daddy (ten years latter, of course) that it was a brilliant idea to spend a summer in France, to perfeccionate the language they had so passionately studied as a child!

At the time we left middle-school, we had learned nothing but greetings, days of the week, numbers, seasons, directions and classic oral constructions that could serve us to not starve, to find some place; and most importantly a) where's the toilet and b) dou you accept credit card? Despite the poor didatics and the low level of progress in the foreing languages department, fun was guaranteed in Elsa's classes.

She was a large fortyish german with pink skin and light yellow hair that looked as if it had never been touched by a brush. She also sweated a lot and had some sorte of compulsive disorder about organization.

Every Wednesday, at 9 sharp, she would enter the room and wait untill we rearrenged the desks (yes, she drew a little map and made copies for the whole class to know her sitting arrangements). Then, at 9h05 she would play the Guttentag, Guttenmorgen, Guttenwhatever song. During the first time she played it, we were just supposed to listen. The second round, we had to sing aloud during the chorous, when she smartly dimmed down the radio. By the fifth round, already halfway through class' time, we were singing without the old tape recorder, with different voices and tones, as a real choir would. She even taught us moves to match some parts of the song, which were actually helpful, since we only understood the Guttenmorgen, Guttenmorgen, Guttentag! part of the song. The rest was almost like learning German in Libras.

The last half of our productive class was all about writting. We made up words for about twenty minutes and spent lhe las fun moments watching Elsas's mania in organizing her collection of porcelan cats, dogs, turtles, owls, frogs, and all sorts of species. Each class she organized the antiques by a different criteria. One week would be Darwin, another week, Lamarck; and yet another week, by their colour pallets. Very amusing.

Anyway, Elsa really liked summertime, when she'd put on a two-piece bikini and show off her very white and voluptous figure. I remember on fild trip to the Water Park outside the city, the wholw school was there. Elsa was wearing a new pair, red thongs... A bit scary for the children, funny for the staff and embarassing for the other teachers. We could see the blond and curly hair around her bottom part and under her arm pitts. She wasn't too careful when it came to looks.

Night came and we had to go back home. But Elsa wasn't feeling too well, she had a fever, was sweating, shanking, really sick. The headmaster decided to make a pit stop at the ER before going back to school, where our parents waited for us. We're all curious to know what had taken our German Teacher down.

She left, went in the hospital, was there for 20 minutes and came back, very timidly, saying it was all okay. We were delivered ack to our families and a few months passed before we discovered what had made Elsa sick. Another teacher, at a Xmas' party, drank too much eggnog and spilled out the beans: she had forgotten a tampon, an internal woman's menstrual pad, inside, for two months. It had gotten so bad, she developed an infection, and had to take antibiotics for a long time.

Elsa never new all the students had found out about her little oblivion, but nobody never, ever, dared to get closer to her...

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Novembro 06, 2008

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http://medianeiro.blogspot.com/2008/11/lanamento-atlas.html


Livro conjunto do artista plástico Pere Salinas e do poeta Joan Navarro, valencianos.

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http://peixedeaquario.zip.net/arch2008-11-01_2008-11-30.html#2008_11-

2 de novembro
Fui cordialmente convidado a fazer parte do realismo visceral. Claro que aceitei. saiba mais...

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Novembro 07, 2008

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http://medianeiro.blogspot.com/2008/11/curso-virtual-de-catalo.html

O Miguel Afonso Linhares, cearense que vive em Roraima e estudioso de línguas românicas, é um grande amigo virtual que deu uma importante colaboração ao meu livro Poesias de Espanha, que está no prelo. Ele é um dos responsáveis pelo curso virtual de catalão abaixo, que recomendo enfaticamente aos interessados. O curso terá três enfoques: língua, literatura/história e cultura/sociedade.

________________________


CURSO VIRTUAL DE CATALÃO

O Instituto Brasileiro de Filosofia e Ciência Raimundo Lúlio (www.ramonllull.net) preparou um curso virtual de catalão, na plataforma Moodle, que será ministrado pelo Prof. Miguel Afonso Linhares (CEFET-RR) e Profa. Paula da Costa Souza (USP).

Módulo Básico:
Início das aulas dia 10/11/2008 e término no dia 28/02/2009 (recesso do dia 19/12/2008 ao 05/01/2009).
Só serão admitidos os 50 primeiros que se inscreverem.
O último dia para inscrever-se é 08/11/2008.
O preço é de R$ 40,00 pelo módulo.
Cada aula dura uma semana, de segunda a domingo.
Inscrições diretamente com o Prof. Miguel: afonsolinhares@hotmail.com

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http://peixedeaquario.zip.net/arch2008-11-01_2008-11-30.html#2008_11-

Hoje é sexta e é dia de Pirata de Aquário. Finalmente fechei a edição da página wiki sobre

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Novembro 09, 2008

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Novembro 11, 2008

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http://peixedeaquario.zip.net/arch2008-11-01_2008-11-30.html#2008_11-

Comecei hoje uma oficina para ilustrar cadernos. Desde fazer a encadernação até aprender várias técnicas. É ótimo fazer coisas sobre as quais não se tem a mínima idéia, fica saiba mais...

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http://hay-tomates.blogspot.com/2008/10/minding-gap-iii.html


Clov: Por que você não me manda embora?
Hamm: Não tenho mais ninguém.
Clov: Não tenho outro lugar [Pausa].
Hamm: Mesmo assim você vai me deixar.
Clov: Estou tentando.
Hamm: Você não gosta de mim.
Clov: Não.
Hamm: Antes você gostava.
Clov:
Antes!
Hamm: Fiz você sofrer muito. [Pausa] Não é?
Clov: Não é isso.
Hamm: [Ofendido] Não fiz você sofrer muito?
Clov: Fez.
Hamm: [Aliviado] Ah! Ainda bem! [Pausa. Friamente] Desculpe-me. [Pausa. Mais alto] Não ouviu? Desculpe-me.
Clov: Eu ouvi. [Pausa] Você sangrou?
Hamm: Menos. [Pausa] Não está na hora do meu calmante?
Clov: Não.

[Pausa].
Fim de partida, Samuel Beckett.
*** "Goodbye", Chet Baker.

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http://hay-tomates.blogspot.com/2008/10/minding-gap-ii.html


Vladimir: Dói?
Estragon: Dói! Ele quer saber se dói!
Vladimir: [colérico] Tirando você, ninguém sofre. Eu não conto. Queria ver se estivesse no meu lugar, o que você diria.
Estragon: Doeu?
Vladimir: Doeu! Ele quer saber se doeu!
Estragon: [apontando com o indicador] De qualquer modo, você bem que poderia fechar os botões.
Vladimir: [inclinado-se] É verdade. [Abotoa-se] Nunca descuide das pequenas coisas.
Estragon: O que você queria? Você sempre espera até o último minuto.
Vladimir: [sonhador] O último minuto... [Medita] Custa a chegar, mas será maravilhoso. Quem foi que disse isso?
Esperando Godot, Samuel Beckett.
*** "The story", Norah Jones.

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http://hay-tomates.blogspot.com/2008/09/minding-gap.html

Skull, Andy Warhol.

Vi: When did we three last meet?
Ru:
Let us not speak. [Silence]
Flo: Ru?
Ru:
Yes.
Flo: What do you think of Vi?
Ru: I see little change. [FLO moves to centre seat, whispers in RU's ear]. Oh! [They look at each other. FLO puts her finger to her lips] Does she not realize?
Flo:
God grant not. [FLO and RU turn back front, resume pose. Silence]. Just sit together as we used to, in the playground at Miss Wade's.
Ru: On the log. [Silence] Vi?
Vi:
Yes.
Ru: How do you find FLO?
Vi: She seems much the same. [RU moves to centre seat, whispers in VI's ear]. Oh! [They look at each other. RU puts her finger to her lips]. Has she not been told?
Ru:
God forbid. [Enter FLO. RU and VI turn back front, resume pose]. Holding hands . . . that way.
Flo:
Dreaming of . . . love. [Silence. Exit RU right. Silence].
Vi: Flo?
Flo: Yes.
Vi: How do you think Ru is looking?
Flo:
One sees little in this light. [VI moves centre seat, whispers in FLO's ear]. Oh! [They look at each other. VI puts her finger to her lips]. Does she not know?
Vi: Please God not. [Enter RU. VI and FLO turn back front, resume pose. RU sits right. Silence]. May we not speak of the old days? [Silence]. Of what came after? [Silence]. Shall we hold hands in the old way?

[After a moment they join hands as follows : VI's right hand with RU's right hand. VI's left hand with FLO's left hand, FLO's right hand with RU's left hand, VI's arms being above RU's left arm and FLO's right arm. The three pairs of clasped hands rest on the three laps. Silence].

Flo: I can feel the rings. [Silence].

Came and Go, Samuel Beckett.

*** "Night and day", U2.

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http://hay-tomates.blogspot.com/2008/09/apontamentos-sobre-o-amor-parte

Além de tais problemas administrativos, havia também uma miscelânea de injunções psicológicas que poderiam impedir alguém de retribuir o amor de uma alma aparentemente ideal, em favor de outra insatisfatória, mas misteriosamente mais sedutora. Na excentricidade de nossas escolhas, nós revelamos o matiz que impomos ao processo supostamente direto, mas na prática complicado, de dar e receber afeição. Incapaz de apaixonar-nos coincidentemente, permanecemos tolhidos pelos critérios. Os critérios podem ser benignos, uma preferência por olhos alegres, matemáticos de testa alta, ou debutantes de quadris estreitos, ou podem compreender tendências menos agradáveis, uma compulsão para casar-se com aristocratas, alcóolatras, histéricos ou abandonados pela mãe. Falar apenas dos valores que escolhemos nos outros deixa de lado quanto tempo passamos apaziguando nossas necessidades psicológicas historicamente determinadas e com freqüência inconscientes, pólos compatíveis no mostrador sadomasoquista, neuroses comuns, de preferência a um gosto comum por ópera ou esportes de inverno.

O que tinha parecido uma compatibilidade inerente era restrito a um ambiente específico.
BOTTON, Alain de. Nos mínimos detalhes.
*** "Brothers on a hotel bed", Death Cab for Cutie.

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http://hay-tomates.blogspot.com/2008/08/rilke-e-o-ch-das-cinco.html

"Nem tudo se pode saber ou dizer, como nos querem fazer acreditar. Quase tudo o que sucede é inexprimível e decorre num espaço que a palavra jamais alcançou".

Rilke

*** "Amie", Damien Rice.

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http://hay-tomates.blogspot.com/2008/08/sobre-arte-da-reflexo.html



XXIX

Querer conquistar e manipular o mundo,
sei por experiência que não dá certo.
O mundo é uma coisa espiritual,
que não se deve manipular.
Quem o manipula o destrói,
quem quiser segurá-lo, perde-o.
As coisas ora se adiantam, ora se atrasam,
ora irradiam calor, ora sopram geladas,
ora são fortes, ora delgadas,
ora flutuam na superfície, ora despecam.
Por isso o Sábio evita
todo o excesso: de quantidade, de número e de medida.


Fragmento do Tao-te King, de Lao Tzu.


*** "Por que", Otto.

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Novembro 12, 2008

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http://hay-tomates.blogspot.com/2008/11/as-mulheres-da-vez-susa-sontag.

As ideologias criam arquivos de imagens comprobatórias, imagens representativas, que englobam idéias comuns de relevância e desencadeiam pensamentos e sentimentos previsíveis.
"Nós” – esse “nós” é qualquer um que nunca passou por nada parecido com o que eles sofreram – não compreendemos. Nós não percebemos. Não podemos na verdade, imaginar como é isso. Não podemos imaginar como é pavorosa, como é aterradora a guerra; e como ela se torna normal. Não podemos compreender, não podemos imaginar. É isso o que todo soldado, todo jornalista, todo socorrista e todo observador independente que passou algum tempo sob o fogo da guerra e teve a sorte de driblar a morte que abatia outros, à sua volta, sente de forma obstinada. E eles têm razão.
Diante da dor dos outros, Susan Sontag.
*** "Nantes", Beirut.

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Novembro 13, 2008

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http://hay-tomates.blogspot.com/2008/11/as-mulheres-da-vez-virginia-woo

Virginia Woolf, Vanessa Bell.

Encarar a vida pela frente, sempre. Encarar a vida pela frente, e vê-la como ela é. Por fim, entendê-la e amá-la pelo que ela é. E depois deixá-la seguir. Sempre os anos entre nós, sempre os anos. Sempre o amor. Sempre a razão. Sempre o tempo. Sempre as horas.
Desde que estava deitada no sofá, enclausurada, protegida, a presença daquilo que sentia tão evidente criou uma existência física; vestida com os ruídos da rua, banhada de sol, o hálito quente, segredando, agitando os estores. Supondo que Peter lhe dizia: "Sim, sim, mas as tuas festas, que significavam as tuas festas?", tudo quanto podia responder era (e não esperava que ninguém compreendesse): São uma oferenda; o que é terrivelmente vago. Mas quem era Peter para estabelecer que a vida é uma jornada fácil? Peter, sempre apaixonado, sempre apaixonado pela mulher que não lhe convém? Que espécie de amor é o teu?, podia ela perguntar-lhe. E sabia muito bem qual seria a resposta: que é a coisa mais importante do mundo e que talvez mulher nenhuma o compreenda. Muito bem. Mas podia algum homem compreender também o que ela queria dizer? A respeito da vida? Ela não conseguia imaginar Peter ou Richard metendo ombros ao trabalho de dar uma festa sem qualquer razão.Mas para ir mais fundo, mais além do que diziam as pessoas (e estas opiniões, como são superficiais e fragmentárias!), agora até ao âmago do seu próprio espírito, que significava para ela isso a que se chama a vida?
Mrs. Dalloway, Virginia Woolf.
*** "What a difference a day made", Jamie Cullum.

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Novembro 14, 2008

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http://peixedeaquario.zip.net/arch2008-11-01_2008-11-30.html#2008_11-

Ai, que preguiça.

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http://hay-tomates.blogspot.com/2008/11/dilogos-i.html


M.,
Eu imaginei que fosse somente um desabafo, mas respondi pra mim mesma e também pra você: ando muito crica ultimamente, você sabe, então é bom colocar as coisas nos seus lugares devidos vez ou outra.

Melancólica eu não diria, mas estou me sentindo muito solitária. Não aquela solidão que arranha, mas aquela que faz a gente acordar pra dentro, sabe? Estou vivenciando uns processos dolorosos e terei que tomar decisões muito sérias nos próximos meses. Chegou o momento do turning point e, por isso, talvez eu tenha que radicalizar - ex: mudar de cidade, país, etc.

Queria unir minha solidão com a sua melancolia lá em Friburgo. Estou muito precisada de natureza. Essa cidade me oprime; a fuligem me sufoca. Sinto saudades. Queria te ter mais perto, afinal você tem sido meu apoio, meu alívio.

Beijíssimos,
C.
*** "Embraceable you", Chet Baker.

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Novembro 15, 2008

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http://minimae.blogspot.com/2008/11/mquina-do-lado-da-cama-morreu-e

A máquina do lado da cama morreu,
e fiquei dias afogado em um susto enorme,
quase um pânico de não saber se estava acertando.

Mas há a corrida,
e há o suor,
e há a música,
e há seus beijos.

E as semanas vão passando,
e enquanto não tenho certeza,
vou criando coragem
para não precisar ter.

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http://minimae.blogspot.com/2008/11/parecem-brinquedos-tocando-e-fi

"Parecem brinquedos tocando,
e ficando mais longe, mais longe."

A parada passou e não vimos,
ocupados demais entre linhas e linhaselinhaselinhas
elinhas
elinhas
de histórias que não existem.

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http://juliaeoquati.blogspot.com/2008/10/blog-post.html

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http://juliaeoquati.blogspot.com/2008/09/dj-vu.html

"Julia is a teenage dreamer girl that discovers the magic of poetry. As literature grows inside her, the world around her tries to put her feet on the ground. Her only friends are a strange guy called Francis and her journal. Together, they start living in fantasy world, perfect, painless..."

Isso é a sinopse de um curta brasileiro chamado "O Diário de Julia", do Rafael Fracacio

Except from Francis, this is basically the story of my life... How weird is that?

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http://juliaeoquati.blogspot.com/2008/09/family-autopsy-parte-1.html

Helena era uma criança mirrada, aquelas pra quem as mães preparariam língua ou bifes de fígado. Se fosse hoje, dariam achocolatados feitos especialmente para que seu filho tenha fome de.... urso. Mas, nos anos 50, o que se usava mesmo era uma bela mamadeira cheia de leite, ovos crus e açúcar, do jeitinho que qualquer criança a-do-ra. E a gente fala das cicatrizes que nossos pais nos causam, achando os nossos avós adoráveis. Não foi a primeira nem a última filha; não era a mais bonita, mas também não era feia; nem a mais inteligente era. Helena chegou ao mundo já atrás no placar que a gente mantém com a vida, como se fadada a uma mediocridade de horóscopo. Estava sempre em terceiro lugar, medalha de bronze.


Como toda criança comum, Helena não se lembra de seus primeiros aniversários. Mas não vai se esquecer nunca do 7º, já que seu irmão mais novo nasceu 20 dias antes dele. A comoção familiar denunciava todo o descaso com uma terceira filha, que só por ser filha, já vinha em desvantagem. Como aqueles produtos que compramos em outlets: com a costura defeituosa ou uma pequena manchinha que derrubam o preço pela metade e que, por isso, sempre ficam num lugar de menor destaque no guarda-roupas. Helena era uma calça de barra malfeita.


Rafael, por outro lado, chegou já com o reinado pronto para a coroação. Tanto fez no parto que deixou a mãe de cama por um mês. Com 2 anos, algum charlatão decidiu que deveriam retirar suas amídalas. A cirurgia foi tão bem feita que o excesso de anestesia o deixou molhando a cama até os 10 anos de idade. Nada mais simbólico. Toda noite a mesma novela se repetia, por anos: ele se levantava e ia até a “babá”/ “empregada”, que pacientemente trocava-lhe o pijama, os lençóis e o acolhia na cama. Às vezes dizia para a mãe, que acordava impaciente: “mas mãe, foi só uma rodinha!”, olhando discaradamente para uma poça amarela que secava no calor de setembro.


Era também folgado, preguiçoso e malandro. Daquelas crianças que aprontam e têm a cara de anjo caído. Negava tudo até a morte, mas todo mundo bem sabia o que Rafael fazia.


Pois no aniversário da irmã, com 20 dias, ele já mostrou para quê tinha nascido. A mãe, ainda de resguardo, se lamuriava na cama, enfornada num quarto escuro e abafado. As aleluias rondavam e deixavam suas asas num cemitério nojento que se formava no chão. O “parabéns pra você” tinha trilha sonora das cordas vocais de Rafael, que incessantemente berrava. E o pai só reclamava que tinha que voltar pra loja. Uma cena quase fúnebre. Helena comemorou seus sete anos aos pés da cama da mãe que dizia estar à beira da morte, ao lado do irmão histérico e do pai ríspido que só queria mesmo acabar logo com aquilo.


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http://juliaeoquati.blogspot.com/2008/09/quando-o-seu-ideal-de-parceiro.

Quando o seu ideal de parceiro masculino parece cada vez mais com um super-herói e menos com um humano, talvez seja a hora de rever os seus conceitos, avaliando o que você realmente precisa num homem, ao invés do que você deseja.

Meu horóscopo tá brincando comigo, né?
Nêgo vem falar de reavaliar o que eu procuro num homem? Filho, se balança mas fica em pé, a gente aceita...

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http://juliaeoquati.blogspot.com/2008/09/info.html

Algumas coisas que você não sabe sobre mim.

eu calço sempre o pé direito primeiro, inclusive quando visto meia-calça.
eu visto sempre o braço direito das blusas e camisetas.

eu raspo sempre a perna esquerda primeiro, no banho, contrariando a lógica dos sapatos.

eu sempre lavo as mãos antes de ir ao banheiro e depois. mas não tenho mania de lavar antes das refeições.

eu organizo as minhas músicas no iTunes por artistas e por álbuns. só faço download de discos inteiros, não baixo músicas avulsas.

eu não gosto do youtube.

só comecei a usar torrents ontem.

eu não gosto do facebook. ainda assim eu uso o youtube e o facebook.

ao contrário do que eu sempre falo, minha comida preferida é junk food.

eu tenho a ilusão de que milhares de pessoas estão lendo o meu twitter. e pra piorar, tenho certeza que estão rindo pra cacete das minhas piadinhas e comentários sarcásticos.

eu tenho fantasias de como seria me matar: me jogando da janela, overdose, enfiando o carro numa árvore. nunca me dou o trabalho de mexer um dedo para concretizar nada.

eu esqueço de rezar às vezes. e só às vezes não me sinto culpada. sou preguiçosa mesmo.

eu não sou católica, mas sim budista. e por que deveria me sentir culpada como se seguisse uma religião judaico-cristã?

eu tenho muito medo de me tornar igual à minha mãe. e eu me sinto culpada demais por isso. ela é uma pessoa tão boa.

me sinto também culpada por não fazer mais pelo mundo, pelos pobres, pelos diabéticos, pelos que têm câncer, pelos discriminados, pelo aquecimento global, pela inflação alta, pela concentração de terra, pela corrupção. mas também não me dou o trabalho de fazer nada para aplacar essa culpa. acho que se antes fizesse...

eu odeio e amo o meu chefe. alguém aí também?

eu tenho sempre a sensação de que, um dia, algo grandioso vai acontecer comigo. mas aí sempre vem a ressaca de pensar que com 6 bilhões no mundo, o raio ou o jackpot nunca vão cair em mim. é triste ser mediana.

eu queria conseguir me contentar com ser mediana. juro.

eu odeio comunistas, eu odeio reacionários, eu odeio muita coisa. acho que vou virar anarquista.

eu queria que a minha irmã me admirasse. eu não faria jus a essa admiração, porém.

eu não gosto de ter a minha vida exposta, mas, também, quem lê esse blog?

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http://juliaeoquati.blogspot.com/2008/09/faubourg-saint-denis-et-tu-tais

Faubourg Saint-Denis

et tu étais admise bien sur
tu as quitté boston pour aménager à Paris
un petit apartement dans la rue de Faubourg Saint-Denis
je t'ai montré notre quartier
mes bars, mon école
je t'ai présenté à mes amis, à mes parents
j'ai écouté les textes que tu répétais
tes chantes, tes espoirs, tes désirs, ta musique
tu écoutais la mienne
mon italian, mon allemand,
mes brics de russe
je t'ai donné un walkmand
tu m'as offert un oreiller
et un jour, tu m'as embrassé
le temps passait, le temps filait
et tous parait si facile
si simple, libre, si nouveau et si unique
on allait au cinéma
on allait danser
faire des courses
on riait, tu pleurais,
on nageait, on fumait, on se rasait
de temps en autre tu criais
sans aucune raison, ou avec raison parfois
oui, avec raison parfois
je t'accompagnais au conservatoire
je révisais mes éxamens
j'écoutais tes exercices de chant
tes espoirs, tes désirs, ta musique
tu écoutais la mienne
nous étions proches, si proches
toujours plus proche
nous allions au cinéma,
nous allions nager, rions ensemble
tu criais
avec une raison parfois
et parfois sans
le temps passait
le temps filait
je t'accompagnais au conservatoire
je révisais mes examens
tu m'écutais parler italien, allemand, russe, français
je révisais mes examens
tu criais
parfois avec raison
le temps passait, sans raison
tu criais, sans raison
je révisais mes examens
mes examens, mes examens, mes examens
le temps passait
tu criais, tu criais, tu criais
j'allais au cinéma
(il pleure et dit "pardone-moi, Francine")
...

Thomas, are you listening to me?
No, I see you.

Palavras-chave: nnpp

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http://juliaeoquati.blogspot.com/2008/09/um-beijo-roubado.html

Acabei de assistir "My Blueberry Nights" do Wong Kar Wai, achei maravilhoso. Um filme muito sensível, apesar de uns poucos clichês. Um filme belo e simples, apesar dos stars hollywoodianos. Uma trilha sonora fantástica. Um filme para esboçar sorrisos e deixar os olhos lacrimosos.

Wong Kar Wai é o mesmo diretor do último segmento do "Eros", último filme do Michelangelo Antonioni (filme que também tem um segmento dirigido pelo Soderbergh, que eu não sei o porque foi escolhido, mas...). A primera parte do filme se chama "Il filo pericoloso delle cose" ou, no meu italiano macarrônico, o fio perigoso das coisas.

A parte do Soderbergh, bem sem graça e desnecessária, chama-se Equilibrium, e apesar de um elenco notável (Alan Arkin como um psicólogo bizarro e Roberto Downey Jr. como o paciente inquieto), causa bem uma vontade de ir embora do cinema. Acho que porque deve ter se esquecido de fazer o roteiro deste terço do filme e o Steven resolveru improvisar, hehe.

O trecho final é intitulado "The Hand", e conta a história de um alfaiate pobre e humilde que se apaixona por uma concubina. Ele faz vestidos, um mais bonito que o outro, para ela, de graça. Ele assume a tecelagem, vai enriquecendo, enquanto ela se torna cada vez mais pobre, até ficar doente. É também um filme sensível e belo, e eu vi muitas semelhanças com "Um Beijo Roubado".

A tradução do título para o português, como sempre, deixa a desejar. Mas eu adorei assistir esse filme. Não queria que acabasse! Para não escrever nenhum spoiler, falo só da minha cena preferida.

Lizzie, depois de sair de NY e ir até Memphis, Tennessee (god knows why), trabalha num Diner durante o dia e num bar à noite. Ela foge de NY porque foi deixada pelo namorado, que a trocou por outra. Ela sai em busca de algo que nem ela mesma sabe. Servindo no bar, conhece Arnie, um poilicial alcoólatra que bebe todas as noites pelo desgosto de ter sido deixado pela esposa. Lizzie simpatiza (e empatiza, claramente) com ele imediatamente. Uma bela noite, A tal ex-mulher, lindamente encenada pela Rachel Weisz, entra no bar para ir ao banheiro, e Arnie fica desconcertado no seu banquinho, olhando pela janela para o novo jovem namorado dela.

Numa outra noite, Arnie já mais do que bêbado, dá uma surra no tal namoradinho da Sue Lynne (sim, esse é o horroroso nome dela). Ela volta ao bar, enfurecida, gritando e xingando o ex-marido. Caçoa dele e se vira para ir embora, quando ele saca sua arma. Arnie diz que se ela se for, ele vai matá-la, no que ela responde "what are you gonna do? It's over!" e vai embora, denxando-o prostrado com a arma em punho.

Já numa terceira noite, Arnie sai do bar, dizendo para Lizzie que não precisava mais das suas fichas do A.A., que ele havia esquecido. Sai do bar e enfia seu carro num poste. "Disseram que foi um acidente. Que ele não conseguia ver a rua direito e acabou se descontrolando e batendo no poste." But we all know better.

Na noite seguinte, Sue Lynne entra no bar meio fora de si, todos olham para ela como se fosse culpa dela, inclusive Lizzie. Ela se senta no mesmo banquinho do ex-marido e pede uma vodka. Se vira para Lizzie que a está servindo, e diz: "This is my first drink in six years". E aí vemos que ela não abandonou o Arnie à toa não. Ninguém nesse mundo é tão inocente assim. Ela fica bêbada e na hora de ir embora, o dono do bar dá a conta do Arnie para Sue Lynne pagar. São meses de pedidos fiados, quase 800 dólares. Ela fica puta da vida, xinga, esperneia, chora. Lizzie sai atrás dela na rua, para encontrá-la sentada em frente ao local do acidente.

Chorando, ela diz que havia conhecido Arnie bem ali, quando ele havia perguntado para ela se estava dirigindo embriagada. "Quem diria que eu iria me apaixonar por um policial?". Mas que ele era tão louco por ela que ela estava se sufocando, e que toda noite eles bebiam para reencontrar o amor perdido. Mas que na manhã seguinte, alguma coisa continuava errada. Sempre. Até que ela o deixou. E ela desejava que ele morresse todos os dias, para que pudesse ser deixada em paz. E que, agora que ele tinha ido mesmo, ela sentia a maior dor do mundo.

Lizzie não diz nada, apenas ouve as confissões daquela "ex-viúva", tão perdida, tão machucada. E abraça Sue Lynne de um jeito muito carinhoso e reconfortante. Fiquei pensando o sentido dessa cena. Sue Lynne era exatamente igual ao ex-namorado de Lizzie. Ela abandonou o marido e arranjou outro, mesmo o Arnie sendo louco por ela. Elizabeth também não conseguia se imaginar vivendo sem o namorado (ela diz exatamente isso no começo do filme), e ele, ainda assim, a pretere por outra mulher.

Na verdade, ela está abraçando alguém exatamente igual a quem a fez sofrer, numa ironia tão crua, e ao mesmo tempo tão verdadeira. Num momento em que ela poderia abstratamente se vingar dos "traidores" do mundo, ela entende, silenciosamente, que as pessoas também têm suas razões para fazer as coisas. Bons ou ruins, cada um tem seus motivos. E no fim, não há certo ou errado, o lado do mocinho e da bandida. Todo mundo tá aí na vida "screwing up other people".

Essa seqüência no filme é tão bonita, tão profunda. Fiquei muito mexida com tudo. Fique pensando se teria a bondade de consolar alguém como Sue Lynne. Se conseguiria ser "magnânima" (por falta de outra palavra) daquele jeito. Se veria as coisas claramente como vejo agora. Fuck. Todo mundo erra, e a gente fica passing judgement sobre cada tropecinho alheio. E eu odeio que fiquem me julgando. Tenho sempre uma justificativa, um desculpa para cada escorrego. Don't others have them too?

Esse filme não tem nada a ver com encontrar o amor verdadeiro, ou encontrar amor em geral. Não tem nada a ver com a história de um casal, não tem nada a vez com casais. It's just fucking human life, wether you like it or not. 'Cause you don't really have a choice but to change!

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http://juliaeoquati.blogspot.com/2008/09/veja-sp.html

A capa da Vejinha dessa semana está mais que ridícula. Putz, tá faltando pauta pra esses jornalistas da Abril, né?

O Desafio dos 30 Reais é a "headline", e o subtítulo traz algo como "personalidades paulistanas garimpam produtos e serviços bacanas com pouco dinheiro no bolso". Poxa, como se 30 mangos fosse pouco! Tem gente que passa uma semana inteira comendo com essa grana, ou menos! E eles vêm com gracinha de desafio para famosos que fazem vestidos de R$4.000,00 e refeições a partir de R$300,00...

Poxa, por que não colocam alguém quem nem 30 paus tem pra ver o que ele compra? A Galisteu tem uma coleção de 1200 biquinis e gastou o "dinheirinho" dela em... mais um par. O pior é que ela gastou a maior parte do dinheiro na tanga do biquini, e na parte de cima, ela amarrou 2 bandanas. Poxa, apelou né, desde quando isso é bacana? Isso é mais adaptação de pobre na praia que 'estilo' minha filha...

Outra que me tirou do sério foi a Constanza Pascolato. Ela comprou um par de óculos escuros num brechó, 20 conto... Mas aí ela recomenda que troquem a lente para garantir que não fará mal aos olhos. Poxa, trapaceou legal. Quanto ficam lentes escuras novas na ótica do Iguatemi? R$30,00 my ass...

Por fim, a Julia Petit, que comprou calcinha e soutien nas Americanas. Poxa, certeza que com 30 contos dá pra comprar coisa bem melhor. E se ela tá precisando de underwear, vai no depósito São Jorge na 25 de maio, né? Pelo menos a qualidade é melhor...

Putz, por que é que eu ainda leio a veja mesmo?

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http://juliaeoquati.blogspot.com/2008/08/se-voc-no-quiser-se-rebaixar-eu

"se você não quiser se rebaixar, eu não tenho problema nenhum em fazer por você"...

uma conversa de MSN qualquer........


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Fui na pré-estréia de 'Blindness', do Fernando Meirelles, ontem. Adentrei o mundo de Caras com uma coca-cola na mão, recusei a pipoca gratuita, esbarrei no Daniel Oliveira na entrada da sala, e mergulhei na cegueira branca do cinema. Acompanhada do Thi, do ECINE (lá da Secretaria de Cultura), foram quase três horas de visualização de um dos melhores livros que eu já li.

Provavelmente vai-se dizer muito que o filme estava aquém das expectativas, seja porque não quebrou o paradigma do cinema brasileiro de novo, como já tinha acontecido com 'Cidade de Deus', seja porque o livro não foi tão bem retratado quanto esperavam.

Eu fiquei agradavelmente surpresa com o Ensaio Sobre a Cegueira na tela. Primeiro, porque sou bem contrária ao clichê "uma imagem vale mais que mil palavras". Acho que no caso do cinema, as imagens estão sempre tentando alcançar as palavras espalhadas pelo papel. Isso porque, quando adapta-se um livro, mesmo que curto, é muito difícil reproduzir as páginas de uma história em cenas de segundos.

Por exemplo, toda a reflexão do Saramago sobre a cegueira e a natureza humana que se revela com essa epidemia inexplicável, toda a "filosofação" que se desenvolve no livro, não é bem trazida pro filme. Acho que iria ser um filme extremamente chato se não se prendesse mais à história do que à filosofia. Não que não haja questionamentos, nem pontos profundos. Mas o "overall" é mais raso e linear.

Em segundo lugar, todo roteiro adaptado é um desafio. As pessoas todas têm na sua cabeça como deveriam ser os personagens, os lugares, o ritmo de narração. Esse até foi um defeito, acabou ficando meio corrido... Mas visualmente o Meirelles inovou de novo. São vários takes, sem exagero, na medida certa, sem foco, no escuro, ou com muita luz. Provocam sensaçoes físicas na platéia. Temos um pequeno gostinho do que os personagens estão passando.

Claro que nem tudo são flores. Me desgostou um pouco o Gael como rei da Ala 3 (ou Camarata 3), já que na minha cabeça ele seria uma figura horrenda, daquelas que só de olhar temos náusea. Não seria lindo nem tão educado, não seria o Gael. A Julianne Moore (que estava ontem lá, ui!) também nem foi taaanto o que eu esperava. O Mark Ruffalo, por outro lado, tava super bem. A angústia dele parecia de quem estava de verdade passando por aquilo. E a Alice Braga achei bem ruinzinha...

Sobre a fotografia, achei perfeita. Não acho que mudaria nada. Foi bem fantástico ver a mudança de cenas filmadas em cidades diferentes formando um único lugar não-identificável, que poderia ser Paris, França ou Bahia (como diria minha mãe). A Direção também, obviamente, é fantástica. Gostei como exploraram todo o jogo de luzes e sombras, bem diferente. A parte da Direção de Arte, por outro lado, poderia ter arriscado mais, e sujado mais as locações. Nisso concordo com o Thi, acho que no livro tudo é bem mais sujo e nojento...

Por fim, como leiga total, dou nota 8 pro filme. Muito bom, three thumbs up.

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http://juliaeoquati.blogspot.com/2008/08/beautiful-mess.html




















far far, there's this little girl
she was praying for something to happen to her
everyday she writes words and more words
just to speak out the thoughts that keep floating inside
and she's strong when the dreams come cos' they
take her, cover her, they are all over
the reality looks far now, but don't go

how can you stay outside?
there's a beautiful mess inside
how can you stay outside?
there's a beautiful mess inside
oh oh oh oh

far far, there's this little girl
she was praying for something good to happen to her
from time to time there're colors and shapes
dazeling her eyes, tickeling her hands
they invent her a new world with
oil skies and aquarel rivers
but don't you run away already
please don't go oh oh

how can you stay outside?
there's a beautiful mess inside
how an you stay outside?
there's a beautiful mess inside
take a deep breath and dive
there's a beautiful mess inside
how can you stay outside?
There's a beautiful mess
beautiful mess inside

oh beautiful, beautiful

far far there's this little girl
she was praying for something big to happen to her
every night she ears beautiful strange music
it's everywhere there's nowhere to hide
but if it fades she begs
"oh lord don't take it from me, don't take it yourselves"

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http://juliaeoquati.blogspot.com/2008/08/so-long-farewell.html

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http://juliaeoquati.blogspot.com/2008/08/someecards.html
















totally inspired by Pinheiro Neto Advogados...

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http://juliaeoquati.blogspot.com/2008/08/culpada-pela-barriga-proeminent

a culpada pela barriga proeminente é a cerveja
e pela impotência, a mulher

pelas artérias entupidas, a manteiga
e pelas safenas, a mulher

pelo enfisema pulmonar, o cigarro
pela falta de ar, a mulher

maridos são sempre inocentes

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http://juliaeoquati.blogspot.com/2008/08/torpeza.html

torpor


desperta maldade ímpeto planejado
desperta crueldade com palavras que se espalham com vento fogo folha
seca
queimada

trago à tona o pior em você e faço isso sem saber, esperando que cada letra não se torne mais uma arma contra mim

cada elo se contamina doentiamente, e o vírus
fui eu que incubei
selvageria

tremo salgada e silencio para que o universo pare de se expandir
mas o universo continua se expandindo
e eu já não posso mais impedi-lo

todos se sujam, inofensivamente, e a doença
fui eu que passei
brutalidade

surto irrupção epidemia
só o imprestável acorda
e eu já não tenho mais vacina



quem provoca o vento, não sobrevive para ver a tempestade

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http://juliaeoquati.blogspot.com/2008/08/da-tristeza-e-dos-insultos.html

É difícil se sentir injuriada e não poder se defender. Me lembro de um texto do Jhering, "A Luta pelo Direito". Sei que o juridiquês estava banido deste blog, mas este texto é especialmete importante para mim e creio que é bem importante conhecê-lo. Fiz um trabalho sobre ele, e como epígrafe coloquei trecho do poeta Eduardo Alves da Costa:

Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor
do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não escondem;
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz, e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.


Depois de reler o poema, escrevi isso...


Eu não quero que sinta pena ou raiva ou qualquer outra coisa. Quero somente que me leia com o coração aberto.

Fiquei preocupada, nervosa, aliviada. Não a quero mal, muito pelo contrário.

Escrevi num momento de ódio. Não disse nada sobre ela. A outra, sim, estava muito triste (e eu também, afinal, era meu amigo).

Não pedi que o ignorassem. Nada tinha que ver com o problema. Mas decidiram me chamar de tudo de ruim que há no mundo. Porque eu tentei protegê-la.

Ninguém esperou o ônibus partir. E não foi culpa minha.

Nunca xinguei ninguém. Nem insultei ninguém. Não chamei ninguém de amendoim ou cachorro. Foi tudo muito baixo, e se alguém tem que estar triste, sou eu. Sei que não mereço. Sei que fizemos o nosso melhor.

Me disseram que não devemos nos esquecer dos que estão a nossa volta. E foi exatamente o que eu fiz. Fiz para que não nos esquecêssemos de protegê-la.

Sinto muito que tudo chegou a esse ponto. Pensei que havia respeito humano entre nós, mas estava errada. Eu os respeitei, mas fui desrespeitada. E isso dói muito

Tristeza nem começa a descrever o que sinto agora.

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http://juliaeoquati.blogspot.com/2008/08/rise-from-dead.html

No, just from the ICU...

O blog ainda não morreu... ainda. Se bem que esteve correndo risco de morte nos últimos meses né? Isso que dá trabalhar por um salário ridículo.

Voltando ao objetivo do blog, posto alguns poemas do Estimado Cliente, livro do Rodrigo Flores, que eu traduzi e que provavelmente vai sair pelo Demônio Negro.

I.

Que quiçá dizer distância

seja a maneira de

enclausurar a

distância

a maneira do quiçá

da clausura

Que quiçá representar

a distância

seja impossível na Cidade

porque esta retém

as clausuras

em compartimentos de

impossibilidade

em maneiras claudicantes

em reiterações de quiçás

que não de afirmações

que não de figuras ou figurações

que não de legitimidade

mas de revestimentos

de dúvidas que são quiçás

Não dúvidas

senão discursos da dúvida

módulos do não

edificações do não

É dizer

figurar a distância

sua plenitude

é uma

imagem contingente

revestimento opaco

recorrente

tralha mística

Um caminhar é a distância

Uma imagem do pedestre é a distância

Uma negação da imagem do caminho é a

distância

A clausura do não do que caminha é uma

representação da Cidade


II.

Se procede a dizer que

a distância é a distância

é a distância um país Se procede

a omitir que um país não tem corpo

tem distância Corpo ausente Se

procede a representar um país

corpo ausente

distância

ausência de representação

Se procede

a corporificar

uma representação

um país

a distância

Carpe Diem

procede a se ausentar

centro da Crueldade

III.

Haverá que reconsiderar

As projeções

da distância

sobre o corpo

Haverá que projetar

as reconsiderações

os corpos

os elementos da distância

suas plenitudes

seus módulos de dizer e calar

seus procedimentos

claudicantes

seu Quiçá

IV.

A distância não é

Distância Com

tém migrações

corpos países

reiterações

de módulos do Não

quiçá legitimações

de impossibilidade

quiçá

Não

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http://juliaeoquati.blogspot.com/2008/04/william-wordsworth.html

Animal Tranquility and Decay

The little hedgerow birds,
That peck along the road, regard him not.
He travels on, and in his face, his step,
His gait, is one expression: every limb,
His look and bending figure, all bespeak
A man who does not move with pain, but moves
With thought. - He is sensibly subdued
To settled quiet: he is one by whom
All effort seems forgotten; one to whom
Long patience hath such mild composure given,
That patience now doth seem a thing of which
He hath no need. He is by nature led
To peace so perfect that the young behold
With envy, what the Old Man hardly feels.

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http://juliaeoquati.blogspot.com/2008/03/minha-traduo-na-sriealfa-de-joa

Link aqui para a sèrieAlfa

Texto original em espanhol: Lorenzo Garcia Vega
Tradução: Julia Lima





A generosidade de umas caixas de correio


É a generosidade de umas caixas de correio despejadas, encontradas por Joan em Luisenstrasse em Berlim, perto de Unter den Linden. “Eu não te contei – informa Damaris Claderón, a poetisa cubana que mora no Chile que, quanto melhor me sinto, mais me identifico com um cavalo. Então, no avião, para me sentir segura quando vôo, imagino que sou um cavalo e só assim consigo chegar no meu destino”. Posso dizer que, ao receber as caixas de correio de Joan, de imediato me detive na do meio, aí onde está pintado o 6 de que eu, em seguida, quis entendê-lo como a peça de um manifesto desta Playa Albina onde vivo. Peça cuja parte principal bem poderia descrever-se como “A veemência inaceitável do país dos tigres.” Mas, não devo evitar o exagero? Ao fim e ao cabo, eu estou frente a um galhinho de uma árvore que está frente à janela da minha casa na Playa Albina, e um galho assim – galhinho que às vezes sugere a cor creme de uma caixa desbotada tem que estar muito longe de Luisenstrasse, perto de Unter den Linden. Oh, essas caixas têm que revelar algo, mas... Eu, por certo, quiçá vítima do delírio, as contemplo, sim, na foto de Joan, mas as contemplo como se fossem uma maturação de peças demoniacamente difíceis. Sentimos, p. ex., ao contemplar a caixa da direita, que uma pátina antiqüíssima pode nos converter em... em que? Por exemplo, entrar como passageiros em um avião, sentindo que não só a sombra das caixas de correio de Joan poderia nos proteger, senão que poderia acarretar (?) em um dificílimo bem. Depois, então, desta experiência, e sem que tivesse intervindo nenhuma fada, soube que as caixas de correio da casa desabitada, surpreendida por Joan, podiam ser transplantadas aos ramos da árvore da Playa Albina. E a tradução das caixas requer quais instrumentos? Depois que soube como entrar, aconselhado por Damaris, como cavalo em um avião, a tradução das caixas de correio de Luisenstrasse se manifestou para mim com aqueles aviadores espanhóis, Barberán e Collar, que aterrissaram em Cuba, quando do começo da década de 30. Com sua viagem de Sevilla a Cuba, Barberán e Collar levaram a cabo uma verdadeira façanha. Eram eles, quiçá convertidos em cavalos muito semelhantes às caixas de correio do Joan, uns aviadores verdadeiramente felizes. Ainda que, pouco depois – e isto, disparatadamente, pode relatar-se desde o sonho da casa despejada com as caixas despejadas, na Berlim de Joan, eles, os aviadores felizes, ao se dirigir ao México, terminaram tragicamente. Mas o estranho de tudo isso que quis contar é que esses personagens, aviadores espanhóis, ou cavalos de Damaris, confundem-se com a cor da caixa que está à esquerda da foto do Joan, e isto sem que tenham nada a ver com ele. Oh, uma mancha da caixa! Uma mancha de uma caixa que, devido a certo giro de luz desta Playa Albina onde estou, converte-se, nada menos – ainda que só por um minuto em como um desprendimento da cesta que levava Chapeuzinho Vermelho. Mas o que tem a ver a cesta da Chapeuzinho Vermelho com as caixas de correio do Joan? Frente a uns galhinhos que estão frente à janela da minha casa na Playa Albina, repito. E eu não posso seguir falando, pois suspeito que, chegado um determinando momento, não só me confundirei, senão que as caixas despejadas, da casa despejada, me possam assustar além da conta.



La generosidad de unos buzones


Es la generosidad de unos buzones desahuciados, encontrados por Joan en Luisenstrasse en Berlín, cerca de Unter den Linden. “Yo no te he contado informa Damaris Calderón, la poetisa cubana residente en Chile que, cuanto mejor yo me siento, más me identifico con un caballo. Entonces en el avión, para sentirme segura, cuando vuelo me imagino que soy un caballo y sólo así he conseguido llegar a mi destino”. Puedo decir, que al recibir los buzones de Joan, de inmediato me detuve en el buzón del centro, ahí donde está pintado el 6 de que yo, enseguida, quise entenderlo como la pieza de un manifiesto de esta Playa Albina donde vivo. Pieza cuya parte principal, bien podría describirse como "La vehemencia inaceptable del país de los tigres". Pero, ¿no debo evitar la exageración? Al fin y al cabo, yo estoy frente a la ramita de un árbol que está frente a la ventana de mi casa en la Playa Albina, y una ramita así -ramita que a veces sugiere el color cremita de un buzón desvaído- tiene que estar muy lejos de
Luisenstrasse, cerca de Unter den Linden. Oh, estos buzones, tienen que revelar algo, pero... Yo, por cierto, víctima quizás del delirio, los contemplo, sí, en la foto de Joan, pero los contemplo como si fueran una maduración de piezas endemoniadamente difíciles. Sentimos, por ej., al contemplar el buzón de la derecha, que una pátina antiquísima puede convertirnos en... ¿en qué?. Por ejemplo, entrar de pasajeros en un avión, sintiendo que no sólo la sombra de los buzones de Joan nos pudiera proteger, sino que pudiera conllevar (?) un dificilísimo bien. Después, entonces, de esta experiencia, y sin que hubiese intervenido ningún hada, supe que los buzones de la casa deshabitada, sorprendida por Joan, podían ser trasplantados a las ramas del árbol de la Playa Albina. Y ¿qué instrumentos requiere la traducción de los buzones? Después que supe cómo entrar, aconsejado por Damaris, como caballo en un avión, la traducción de los buzones de Luisenstrasse se me manifestó con aquellos aviadores españoles, Barberán y Collar, quienes aterrizaron en Cuba, cuando los comienzos de la década del 30. Con su viaje de Sevilla a Cuba, Barberán y Collar llevaron a cabo una verdadera hazaña. Eran ellos, quizás convertidos en caballos muy semejantes a los buzones de Joan, unos aviadores verdaderamente felices. Aunque, poco después y esto, disparatadamente, puede relatarse desde el sueño de la casa desahuciada con los buzones desahuciados, en el Berlín de Joan, ellos, los aviadores felices, al dirigirse a México, terminaron trágicamente. Pero lo extraño de todo esto que quisiera contar, es que esos personajes, aviadores españoles, o caballos de Damaris, se me confunden con el color del buzón que está a la izquierda de la foto de Joan, y esto sin que tengan nada que ver con él ¡Oh, una mancha de buzón! Una mancha de buzón que, debido a cierto giro de la luz de esta Playa Albina donde estoy, se me convierte, nada menos aunque sólo por un minuto en como un desprendimiento de la cesta que llevaba la Caperucita Roja. Pero ¿qué tiene que ver la cesta de la Caperucita Roja con los buzones de Joan?. Frente a unas ramitas que están frente a la ventana de mi casa en la Playa Albina, repito. Y yo no puedo seguir hablando, pues me sospecho que, llegado un determinado momento, no sólo me confundiré, sino que los buzones desahuciados, de la casa desahuciada, me pueden asustar más de la cuenta.



[Lorenzo Garcia Vega nasceu em Jagüey Grande, província de Matanzas, Cuba, em 1926. É Doutor em Direito, Filosofia e Letras pela Universidade de Havana; Em 1952 recebeu o Prêmio Nacional de Literatura de Cuba. Entre seus últimos livros se encontram: Poemas para penúltima vez 1948-1989 (1991), Collages de un notario (1992), Espacios para lo huyuyo (1993), Varicaciones o como veredicto para sol de otras dudas (1993), Palíndromo en otra cerradura (1999), El oficio de perder (2004), Cuerdas para Aleister (2005). Atualmente vive em Playa Albina, Miami.

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Queridos, notícia quente!!! Vale muito a pena conferir, além de comprar o livro, é claro.



Lançamento:
Dia 18 de janeiro de 2008, 20h (sexta-feira).
Espaço d'Os Satyros, Praça Roosevelt, São Paulo
- Apresentação do livro por Juliano Pessanha
- Teatro Livro com Os Satyros

Preço no dia 18.01.07: a preço de custo, R$ 5,00.
Preço normal: R$ 20,00

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Happy new year, she told herself, rolled over, punched her pillow and fell asleep.

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She thought she had seen him accross the street, walking calmly, smoking one of those stinky cigars. She ran chasing him, a bus passed in front of her and when she got to the other sidewalk, there was no trace of Mr. N. I started calling him N. because of her, just my silly habit of taking up other people's nicknames. She knew it was possible, that he could be back, that he would never stop hunting her. She was slightly drunk, head spinning with the rush fromt he idea of getting rid of him. He deserved it, afterall. She saw another bus pass her by, and felt the pleasure of pushing him in front of it, hearing the breaks, the hit, the smashing soud of brain and blood spilled on the concrete, the "ohs" and "ahs" from the walkers around, such pleasure...

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After her return home from Europe, she became quite used to taking larger steps than her legs could handle, it usually meant tripping, falling and even getting all screwed up, but Eleanor didn't care. She liked her scars, she liked the memories of all her falls and crashes, never regret, she told me. I never got accustomed to this reckless posture, maybe because I grew fond of her "happy shiny smiley" self. After that party she spent months being "normal", plain, absolutely ordinary, she hated it more than one can imagine. I simply got to know her that way, truly believed she was just a shallow cheerful puddle of blondness. It was easy to be with her, no drama, no tears, she had no problems. I had forgotten about the strange scene at that party, until another event unchained a series of lapses of behavior, as if Eleanor was replaced by someone else, enraged and troubled, whenever people said things related to let's say optimist approach on life, even trivial comments on her humor started to thrown her out. That particular event, trigger to the new Eleanor, took place in Paris. I read her journal when I went to collect her stuff from the clinic. Nobody knew what she had gone through there, what he made her go through. And after such traumatic episode, she came back almost doubled. She could be sweet and sour, happy and sad, the same Eleanor, but restless whenever someone mentioned she was perky, intense, vivacious. She would always frown, her face darkened and ripped words crossed her lips: you know nothing about me, life, or anything that matters, for that matter. After a while she took up the negligent conduct that led her to reveal all the problems I thought, we thought, she didn't have. And that's when all the wounds and scars begun to show.


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I met her when she was still just happy and shiny. Her blond hair had volume and light, her small eyes were alive and she talked loudly whenever she felt life was good and things would only get better and better. But halfway through the night (it was at a party or something), she showed me the first signs that things most probably were going to get worse. I can't remember what triggered such strange reaction, but she suddenly fisted the table and told a girl to shut it, because she didn't know anything about life. All perplexed eyes moved rapidly into their orbits as guided missiles towards agitated targets, while she and the girl digladiated in silence. At first, past the chock, the offended one stood up and tried to climb accross the table, struggled to reach the "blondie" (as she squeezed between clenched teeth), hands holding her back. For a few seconds Eleanor stood stil, unaffected, and then turned around, gave the fisty girl her back and walked away, as if no sotrm had been. Then, following this disturbingly serene response, the girl screamed at the already far away Eleanor: "You freak!". And that was about enough to turn her back into the old smily and shiny to whom I was introduced. At the time it wasn't clear to me what had happened, it seemed like a normal irritated reaction anyone could have on a bad day. But later on I would understand the real meaning of the weird episode.

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She held those hands, pressed them hard, held them as if letting go meant the most unbearable pain, nails being ripped off, nonstop vomiting, little pieces of glass slowly piercing arms and legs, knives runnig through the feet's sole, nothing would be worse then letting go. She had to losen her fingers, to her despair, after all, she was meant to go through hell like all sinners are. She went back by herself, crying all her past mistakes, regretting all the broken bones, broken steps, bronken bonds that would never heal, like she would never heal from letting go. That was just the logical consequence of walking away, the solitude of all the songs that you can't hear, all the colors you can't see and all the words you can't pronounce because: YOU ARE ALONE. And this insuperable condition was exactly what defined her, not who she once were, not who she was, not all she could ever be, the simple existence came down to two little words that nobody could spill out, otherwise the world would collapse in consciousness and they just couldn't let that happen. All they did was let her suffer such collapse, isolated, making it look like she suffered from a contagious illness so distressful that the mere gaze of her eyes were enough to make me sick.

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Novembro 16, 2008

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http://hay-tomates.blogspot.com/2008/10/natureza-nossa-de-cada-dia-i.ht

O Lobo da Estepe tinha, portanto, duas naturezas, uma de homem e outra de lobo; tal era seu destino, e nem por isso tão singular e raro. Deve haver muitos homens que tenham em si muito de cão ou de raposa, de peixe ou de serpente sem que com isso experimentem maiores dificuldades. Em tais casos, o homem e o peixe ou o homem e a raposa convivem normalmente e nenhum causa ao outro qualquer dano; ao contrário, um ajuda ao outro, e muito homem há que levou essa condição a tais extremos a ponto de dever sua felicidade mais à raposa ou ao macaco que nele havia, do que ao próprio homem. Tais fatos são bastante conhecidos. No caso de Harry, entretanto, o caso diferia: nele o homem e o lobo não caminhavam juntos, mas apenas permaneciam em contínua e mortal inimizade e um vivia apenas para causar dano ao outro, e quando há dois inimigos mortais num mesmo sangue e na mesma alma, então a vida é uma desgraça. Bem, cada qual tem seu fado, e nenhum deles é leve.

Com nosso Lobo da Estepe sucedia que, em sua consciência, vivia ora como lobo, ora como homem, como acontece aliás com todos os seres mistos. ocorre, entretanto, que quando vivia como lobo, o homem nele permanecia como espectador, sempre à espera de interferir e condenar, e quando vivia como homem, o lobo procedia de maneira semelhante. Por exemplo, se Harry, como homem, tivesse um pensamento belo, experimentasse uma sensação nobre e delicada, ou praticasse uma das chamadas boas ações, então o lobo, em seu interior, arreganhava os dentes e ria e mostrava-lhe com amarga ironia o quão ridícula era aquela nobre encenação aos seus olhos de fera, aos olhos de um lobo que sabia muito bem em seu coração o que lhe convinha, ou seja, caminhar sozinho nas estepes, beber sangue vez por outra ou perseguir alguma loba. Toda ação humana parecia, pois, aos olhos do lobo horrivelmente absurda e despropositada, estúpida e vã. Mas sucedia exatamente o mesmo quando Harry sentia e se comportava como lobo, quando arreganhava os dentes aos outros, quando sentia ódio e inimizade a todos os seres humanos e a seus mentirosos e degenerados hábitos e costumes. Precisamente aí era qua a parte humana existente nele se punha a espreitar o lobo, chamava-o de besta e de fera e o lançava a perder, amargurando-lhe toda a satisfação de sua saudável e simples natureza lupina.

Era isso o que ocorria ao Lobo da Estepe, e pode-se perfeitamente imaginar que Harry não levasse de todo uma vida agradável e feliz. Isso não quer dizer, entretanto, que sua infelicidade fosse por demais singular (embora assim lhe pudesse parecer, da mesma forma como qualquer pessoa torna o sofrimento que se abate sorte ela como sendo o maior do mundo). Isso não pode ser dito a propósito de ninguém. Mesmo aquele que não tem em seu interior um lobo, nem por isso pode ser considerado mais feliz. E mesmo a mais infeliz das existências tem os seus momentos luminosos e suas pequenas flores de ventura a brotar entre a areia e as pedras. Assim também acontecia com o Lobo da Estepe. Não se pode negar que fosse, em geral, muito infeliz, e podia também fazer os outros infelizes, especialmente quando os queria ou era por eles estimado. Pois todos os que com ele se deram viram apenas uma das partes de seu ser. Muitos o estimaram por ser uma pessoa inteligente, refina e arguta, e mostraram-se horrorizados e desapontados quando descobriam o lobo que mostrava nele. E assim tinha de ser pois Harry, como toda pessoa sensível, queira ser amado como um todo e, portanto, era exatamente com aqueles cujo amor lhe era mais precioso que ele não podia de maneira alguma encobrir ou perjurar o lobo. Havia outros, todavia, que amavam nele exatamente o lobo, o livre, o selvagem, o indômito, o perigosos e forte, e estes achavam profundamente decepcionante e deplorável quando o selvagem e perverso se transformava em homem, e mostrava anseios de bondade e refinamento, gostava de ouvir Mozart, de ler poesia e acalentar ideais humanos. Em geral, estes se mostravam mais desapontados e irritados do que os outros, e dessa forma o Lobo da Estepe levava sua própria natureza dual e discordante aos destinos alheios toda vez que entrava em contato com as pessoas.
O lobo da estepe, Herman Hesse.
*** "Relicário", Nando Reis.

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Novembro 18, 2008

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http://altctrlodel.blogspot.com/2006/08/ii-erro-no-identificado.html

Canal certo, veículo usual, autores consagrados. Onde estava? Meio de semana ordinário, problemas?, sim. Algo errado! Notícias pedindo botóx, mas algum schrubles emanava positivismo de psico-esoto-baboseira. Seria um vírus-hippie? Cadê a desesperança da imprensa? Chato não era, só instigava. Quadro após quadro as prisões, brigaiadas e posicionamentos pareciam ir para algum lugar. Dava mais medo que um Emo. Dia tosco.

Nunca tive pressa de chegar no “para onde vamos”. E se eu não gostar do lugar?

Existencialistas-de-merda são péssimos agentes de viagem; eu provavelmente acabaria com um bilhete de retorno da Varig (bem feito por trepar com leitores de Sartre). Mas, se estávamos indo, era melhor eu descobrir a destinação e me preparar.

“33”. Não precisava de protetor solar, só de sorte. Morria com 32 e escapava da DR com minha vida. Discutir o relacionamento com o mundo pra quê? Pra mim o sentido da vida sempre foi 33. Tava bom; e eu chegava feliz no próximo “Mochileiro da Galáxia”. Peraí!

- Vocês não tão entendendo nada, né? Puxa o controle e vamos reduzindo

Trinta-e-três é o sentido da vida ou é quando entramos numa sala de conferência para discussões mais aprofundadas? Como o sentido da vida não devia ser o inferno, tava mais pro número da sala. Mas demora pra descobrir...

A primeira pessoa confiável que voltou do Tibet me garantiu ter ouvido do Lama que a resposta era 33. Eu estava com um terço da minha filosofia de vida resolvida... Até que fiquei preso numa fila com um numerólogo cabalista. Inferno. Cismou de entregar que 3 é o eterno e que aos 33 anos (ele devia ser cristão...) me depararia com uma “crise espiritual”. Puta troço chato. Mas como eu não queria virar um cabaço-balzaquiano-gatão-radical-chic-em-crise, resolvi viver só até os 32. Viva Cazuza! Viva Cássia Eller!

Adonai seja louvado! Se você for acreditar em cabala, é melhor ouvir de um Rabino do que da Madonna. Ou, pelo menos, de um judeu. Perguntei num jantar e levei uma sacaneada. Você encontra um 33 a qualquer momento, seu shmokale. Sempre que você tem problemas de falta ou excesso de tempo, você lembra que não é eterno – fácil! Era só eu deixar de ser um vagabundo workaholic.

Mas isso não resolvia meu problema com o jornal...

Se todo mundo estava se deparando com a existência ao mesmo tempo, aí tinha. Em alguma página, alguma notícia tinha que explicar aquela crise de positivismo-hippie entre os jornalistas. E lá estavam elas na página 3:

Solstício: O que fazer na mais longa noite do ano?
Morte: Comoções durante homenagem a Bussunda.
Incertezas: Brasil deverá efetuar mudanças na Copa?

Entrei em crise, sinto muito...


Altivo Oliveira Neto
22/06/06

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http://altctrlodel.blogspot.com/2006/08/i-vou-te-falar-do-meu-povo.html

Nascemos dispersos, estranhos ao decalque esperado pelo molde. Uma obra nascida do erro, cujo traço engrandece o conjunto – sem nunca fazer parte. Cujo autor nunca reconhece. Somos arte. Somos a transgressão original

A um passo de um ctrl+z

Gritamos e protegemos. Nos justificamos. Nosso primeiro refúgio, o sorriso desarmante, denominaria o nosso tipo ~ eternamente alegres por viver; este esgar deslumbrado nos esconderia muito no futuro – somos falsos. Somos fadas, demônios, duendes, teatro, somos as asas

Em busca da liberdade de um palco

E voamos longe pra nos entender. Sem você pedir. Aprendemos inglês, fomos estudar fora, viramos comissários, turistas profissionais, diplomatas até. Nós abrimos as fronteiras deste mundo e conquistamos as Índias

Mas você não estava lá

[←] os que ficaram enlouqueceram. Fugiram para dentro [de si] o negro do universo. A minha gente drogada, reclusa ou chorando [...] alimentando o câncer [nós chacinamos os sonhos de bilhares] e além__ Terias meu coturno em sua casa, se não nos matássemos aos quinze anos. Somos adúlteros, nazistas e suicidas

Então emigramos

Fugimos para as maiores cidades do planeta e construímos nossos guetos. Brigamos, marchamos por eles. Fomos grandes. Mas vocês estavam longe, e nos perdemos em nossa solidão. Perdemos nossa moral. Viramos estetas, hedonistas, narcisistas. Optamos por esquecer a nossa dor, e redesenhamos o mundo. Coreografamos e estilizamos e fotografamos até construir o nosso conto-de-fadas

Até que a praga veio

E vocês nos jogaram na cara que fazíamos parte do seu mundo. Debaixo de toda maquiagem, dança e erudição, precisávamos crescer. E nós não tínhamos tempo. Queríamos ser adolescentes depois dos vinte anos, recuperar o não aproveitado, entende? E toda uma geração se perdeu. Somos aidéticos

E o peso deste novo sangue urrou de dor

Reconstruímos nossas casas, nossos bairros, e o gueto abriu as portas para que marchássemos. Não tivemos uma diáspora, nascemos dispersos. Na regra da ironia das denominações, correríamos o mundo tentando virar caricaturas – nossos rostos de palhaços tristes (e maldosos) evitaRiam o contato mútuo na idade – mas tenho medo de morrer só. E agora iríamos nos reunir

Que cada porta fosse marcada com uma bandeira

Que cada bairro de cada cidade gritasse: estamos aqui e não vamos morrer sós. Uma vez por ano, amor, escancaramos as portas dos nossos guetos, nos organizamos como uma comunidade e tentamos voltar pra casa. Uma vez por ano eu sou a regra, e não a exceção. Uma vez por ano eu ando em nosso bairro e meu povo pendura bandeiras nas portas das casas, e eu não preciso procurar a outra ponta do arco-íris

E eu me lembro de você, e de como era gostoso estar em casa contigo

Quem sabe estar em nossa sala e encontrar o seu sorriso este domingo. Eu tento encontrar forças nas esquinas deste bairro. Enquanto isso eu marcho. Para lembrar ou esquecer. Mas sei que aqui estão nossos restaurantes, aqui estão nossas boates, nossos bares, teatros, galerias, casas. E aqui eu vou marchar. Os peregrinos seguem para os templos, o ano-novo fica no bairro oriental, as quermesses nos bairros italianos e as paradas nos bairros gays

E marcharemos em desfile até todos estarmos em casa

E o seu povo marchar com o meu povo

Só não demore, pois tenho saudades.

Altivo Oliveira Neto

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Novembro 20, 2008

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http://hay-tomates.blogspot.com/2008/11/amanh-na-casa-das-rosas.html


MÚSICA POPULAR E POESIA CONTEMPORÂNEA NA CASA DAS ROSAS
O músico Renato Gama e a poeta Carol Marossi se apresentam no dia 21/11, a partir das 19 horas, no projeto Sexta Básica

A Casa das Rosas - Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura continua oferecendo espetáculos mensais e gratuitos no projeto Sexta Básica, que promove a divulgação músicos e poetas contemporâneos. No dia 21 de novembro é a vez do músico Renato Gama e da poeta Carol Marossi participarem do evento.
"Além de divulgar novos artistas, o Sexta Básica revela um universo de criação cultural, associando literatura e música", afirma Donny Correia, coordenador cultural da Casa das Rosas.
SEXTA BÁSICA
Evento Gratuito
Dia: 21/11/08, sexta-feira, 19h
Local: Hall da Casa das Rosas - Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura
Endereço: Av. Paulista, 37, Bela Vista - próximo à Estação Brigadeiro do Metrô
São Paulo – SP
Tels: (11)3285-6986 ou (11) 3288-9447
Estacionamento conveniado: Al.Santos, 74

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http://medianeiro.blogspot.com/2008/11/sexta-bsica-com-carol-marossi.h


MÚSICA POPULAR E POESIA CONTEMPORÂNEA NA CASA DAS ROSAS

O músico Renato Gama e a poeta Carol Marossi se apresentam no dia 21/11, a partir das 19 horas, no projeto Sexta Básica

A Casa das Rosas - Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura continua oferecendo espetáculos mensais e gratuitos no projeto Sexta Básica, que promove a divulgação músicos e poetas contemporâneos. No dia 21 de novembro é a vez do músico Renato Gama e da poeta Carol Marossi participarem do evento. "Além de divulgar novos artistas, o Sexta Básica revela um universo de criação cultural, associando literatura e música", afirma Donny Correia, coordenador cultural da Casa das Rosas.

Serviço SEXTA BÁSICA
Evento Gratuito

Dia: 21/11/08, sexta-feira, 19h
Local: Hall da Casa das Rosas - Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura
Endereço: Av. Paulista, 37, Bela Vista - próximo à Estação Brigadeiro do Metrô
São Paulo – SP
Tels: (11)3285-6986 ou (11) 3288-9447
www.poiesis.org.br
Estacionamento conveniado: Al.Santos, 74




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Novembro 22, 2008

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http://minimae.blogspot.com/2008/11/eu-estava-com-tudo-pronto-tudo-

Eu estava com tudo pronto,
tudo muito, muito organizado.

Não sei como não vi.
Não podia durar muito.

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Novembro 23, 2008

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http://minimae.blogspot.com/2008/11/estranho-ouvir-silncio.html

É estranho ouvir silêncio.

São quatro compassos,
nem dá quatro segundos.

É estranho ouvir silêncio.

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http://minimae.blogspot.com/2008/11/inspira-um-expira-dois-inspira-

Inspira, um
expira, dois
inspira, três...

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http://medianeiro.blogspot.com/2008/10/estria-ondas-literrias.html

A série Ondas Literárias, programa de rádio sobre poesia contemporânea produzido por Andréa Catropa com o apoio da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo, estréia no próximo sábado, dia 25/10/08, às 10h30

Foram produzidos 24 programas ao todo, que trazem entrevistas, adaptações sonoras de textos e dicas culturais de poetas como Carlito Azevedo, Frederico Barbosa, Alice Ruiz, Ruy Proença, Donizete galvão, Paulo Ferraz, Ana Rüsche e Fábio Aristimunho Vargas, entre outros.

A série já foi veiculada no interior de São Paulo, pela Cultura FM de Amparo, e agora estreará na Rádio Cultura Brasil (1200 kHZ). O programa pode ser ouvido no mesmo horário pelo site .

Blog do Ondas Literárias:
.

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"Roberto Piva e Francisco dos Santos", do poeta português Luís Serguilha.




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http://medianeiro.blogspot.com/2008/09/11-de-setembro-dia-nacional-da.

A celebração da Data Nacional de Catalunha foi histórica em São Paulo


São Paulo (Brasil) 12-09-2008

Os catalães de São Paulo e seus descendentes,viveram ontem à noite momentos memoráveis e cheios de emoção na celebração da Data Nacional de Catalunha.

Pela primeira vez, nos mais de 100 anos de história da imigração catalã no Brasil, celebrou-se o Onze de Setembro de forma oficial na cidade mais importante da América Latina e motor econômico do Brasil, que ostenta a cifra de mais de 20 milhões de habitantes na sua região metropolitana.

A Data Nacional de Catalunha foi incluída de forma oficial no Calendário de Datas e Comemorações Oficiais da cidade de São Paulo, de acordo com a Lei Municipal nº 14.823, aprovada pela Câmara Municipal no dia 28 de agosto passado.

A iniciativa surgiu por ocasião de uma conversa mantida entre os diretores da Associação Cultural Catalonia, único centro catalão no Brasil, com o Vereador Aurélio Miguel, um dos principais membros da câmara municipal paulista, filho de imigrantes catalães e grande esportista. Considerado um ícone do judô brasileiro, já conquistou muitos títulos para o país, tais como a medalha de ouro nos jogos olímpicos de Seul no ano de 1988. Como homenagem à sua destacada trajetória no esporte nacional foi designado portador da bandeira do Brasil, encabeçando a delegação do país na cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de Barcelona no ano de 1992.

O ato que celebrou a Data Nacional de Catalunha realizou-se ontem às sete da noite no plenário da Câmara Municipal de São Paulo. Durante o mesmo foi lida uma mensagem de saudação do presidente do Parlamento da Catalunha, Ernest Benach, onde destacava que “É para mim uma grande honra encaminhar esta carta com motivo da celebração da Data Nacional de Catalunha em São Paulo , data esta incluída, pela primeira vez, no calendário oficial de datas comemorativas desta cidade. Oficializa-se, assim, um anseio, um desejo, que hoje toma forma: fazer uma celebração do 11 de Setembro para solidificar o laço que une Catalunha e São Paulo, os catalães dos dois lados do Atlântico.”O presidente acrescentava ainda “Quero expressar, portanto, o reconhecimento da câmara catalã e até a emoção que sinto pessoalmente pelo trabalho firme e decidido da Associação Cultural Catalonia de São Paulo. As comunidades catalãs do exterior, que representam uma parte importante da historia da Catalunha, que tiveram papel fundamental para manter viva a nossa identidade, até o momento não receberam o reconhecimento necessário. A Catalunha do século XXI tem uma dívida para com “as Catalunhas” do exílio, com a gente que teve que sair do país, mas que nunca esqueceu a sua terra.”

Por outra parte, o presidente da Associação Cultural Catalonia, Màrius Vendrell, no seu discurso destacou “Os imigrantes catalães que tivemos que abandonar a nossa terra, por motivos diversos, ao longo dos últimos 100 anos, encontramos em São Paulo um segundo lar para nossas famílias e estamos construindo aqui o nosso futuro. Poucos foram os que tiveram a sorte de “fazer a América”, podendo realizar aqui de forma completa todos os seus anseios, e sonhos, mas sem dúvida, tivemos a possibilidade de viver aqui em liberdade para manter a nossa identidade própria e poder transmiti-la aos nossos descendentes. Somos catalães-brasileiros e brasileiros-catalães pois temos o privilégio de termos duas pátrias”.

Durante o evento o coral do Catalonia cantou os hinos nacionais da Catalunha e do Brasil e a canção “Senyor Sant Jordi”, numa atuação que causou uma profunda emoção ao público presente.

Ao fim da celebração, o grupo “Castellers do Brasil”, formada por jovens brasileiros, atuou publicamente pela primeira vez, formando diversos castells (torres humanas). Trata-se de um projeto social levado a cabo pela Associação Cultural Catalonia junto com a Associação Evangélica Beneficente (AEB), Universidade Adventista de São Paulo (UNASP) e que conta também com o suporte técnico e colaboração dos “Castellers de Vilafranca”. Pela primeira vez no Brasil está sendo utilizado a tradição catalã das torres humanas, para obter a inserção social de jovens da periferia de uma grande cidade, à semelhança do que os mesmos “Castellers de Vilafranca” já fizeram no ano passado no Chile.

Agora, pois, todos os anos, os catalães de São Paulo poderemos celebrar a nossa data de forma oficial.

Divulgação Associação Cultural Catalonia
www.catalonia.com.br






Diada Nacional de Catalunya fou històrica a São Paulo


São Paulo (Brasil) 12-09-2008

Els catalans de São Paulo i els seus descendents, vàrem gaudir ahir de una jornada memorable i plena d'emoció celebrant-hi la Diada Nacional de Catalunya.

Per primera vegada en més de 100 anys de la història de la immigració catalana al Brasil, es va celebrar l'Onze de Setembre de una manera oficial a la ciutat més important d'Amèrica Llatina i motor econòmic del Brasil, que compta amb més de 20 milions d'habitants en la seva regió metropolitana.

La Diada Nacional de Catalunya, ha estat inclosa de forma oficial en el calendari de dates i celebracions oficials de la ciutat de São Paulo, segons la Llei Municipal nº 14.823 aprovada el dia 28 d'agost passat per la Cambra Municipal.

L'iniciativa va sorgir a través d'una conversa entre la directiva de la Associació Cultural Catalonia, l'únic casal català del Brasil, amb el Vereador Aurélio Miguel, un dels principals membres de la cambra municipal paulista , fill d'immigrants catalans i gran deportista . Considerat una icona del judo brasiler ha guanyat molts títols per el país, com la medalla d'or als jocs olímpics de Seul l'any 1988. Com a homenatge a la seva destacada trajectòria al deport nacional va portar la bandera del Brasil encapçalant la delegació d'aquest país als jocs olímpics de Barcelona l'any 1992.

L'acte que va celebrar la Diada de Catalunya es va realitzar ahir a les set del vespre a la sala de plens de la Cambra Municipal de São Paulo. Durant l'acte es va llegir un missatge de salutació del president del Parlament de Catalunya, Ernest Benach, on destacava que “ És per a mi tot un honor adreçar-los aquesta carta amb motiu de la celebració de la Diada Nacional de Catalunya a São Paulo, per primera vegada inclosa al calendari oficial de dates commemoratives d'aquesta ciutat. S'oficialitza , d'aquesta manera, un anhel, un desig, que avui pren forma: fer una celebració oficial de l'11 de setembre per estrènyer el llaç que uneix Catalunya i São Paulo, els catalans dels dos costats de l'Atlàntic”. El president afegia també que “ Els vull expressar, doncs, el reconeixement de la cambra catalana i fins i tot l'emoció que personalment em comporta la tasca ferma i decidida de l'Associació Cultural Catalonia de São Paulo. Les comunitats catalanes de l'exterior, que representen una part important de la història de Catalunya, que han tingut paper fonamental per mantenir viva la nostra identitat, fins ara no ha rebut el reconeixement necessari. La Catalunya del segle XXI està em deute amb “les Catalunyes” de l'exili, amb la gent que va haver de marxar del país però que mai no ha oblidat la seva terra”.

Per la seva part, el president de la Associació Cultural Catalonia, Màrius Vendrell, en el seu discurs va destacar “ Els immigrants catalans que vàrem haver de deixar la nostra terra, per motius diversos, al llarg dels darrers 100 anys, hem trobat a São Paulo una segona llar per les nostres families i hem construit aquí el nostre futur. Molt pocs han tingut la sort de “fer l'Amèrica” i assolir realitzar aquí de un manera complerta tots els seus anhels, però hem pogut viure aquí amb llibertat per mantenir la nostra identitat pròpia i poguer-la transmetre als nostres descendents. “ Som catalans-brasilers i brasilers-catalans perquè tenim el privilegi de tenir dues pàtries”.

El Coral del Catalonia va cantar els himnes nacionals de Catalunya i del Brasil i la cançó Senyor Sant Jordi , en una actuació que va emocionar a tots.

Al final de la jornada, la colla Castellers do Brasil, formada per joves brasilers, va actuar públicament per primera vegada, carregant i descarregant-hi diversos castells. Aquest es un projecte social dut a terme per la Associació Cultural Catalonia juntament amb l' Associação Evangélica Beneficente (AEB), Universidade Adventista de São Paulo (UNASP) i que compta també amb el suport tècnic i col.laboració dels Castellers de Vilafranca. Per primera vegada al Brasil s'està utilitzant el fet casteller per assolir l'inserció social de joves de la perifèria d'una gran ciutat, tal com els Castellers de Vilafranca varen implementar l'any passat a Xile.

Doncs ara , tots els anys, els catalans de São Paulo podrem celebrar la nostra Diada oficialment.

Divulgació: Associació Cultural Catalonia
www.catalonia.com.br

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http://medianeiro.blogspot.com/2008/07/lanamento-do-casulo-n-9.html

O número 9 do jornal O Casulo será lançado nesta sexta-feira, 1º de agosto, na abertura da FLAP.

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http://medianeiro.blogspot.com/2008/07/flap-20-08.html

FLAP! 2.0 08
Zona Franca - Viva La Conexión!

www.flap2008.worpress.com

De 1º a 8 de agosto | São Paulo, gratuito


Zona Franca nos remete à idéia da troca comercial entre nações e delimita um território onde há o estímulo à circulação do capital financeiro. A proposta da FLAP! 2008 é adulterar esse conceito, transplantando-o para contexto cultural. A exemplo do Festival Tordesilhas, que em 2007 propôs um amplo debate de autores ibero-americanos, a FLAP! alarga suas fronteiras, convidando para sua quarta edição mais de 20 escritores latino-americanos.

O programa traz uma semana inteira de eventos, com trocas de experiências entre diferentes gerações, saberes e lugares. Da zona leste a oeste, passando pelo sul e sem abandonar o centro, a FLAP! acontecerá em centros culturais diversos, estimulando o contato entre autores, produtores culturais, acadêmicos, estudantes e interessados em geral. Como essencial ao espírito do evento, permanecem a informalidade, os debates apaixonados e a ampla participação do público.

O portuñol será idioma oficial do evento, que por oito dias agregará uma comunidade cujo principal traço é o interesse pela literatura contemporânea e a sua relação com as outras artes. No melhor espírito 2.0 08 e com tecnologias simples, nada além de um blogue e uma webcam, os organizadores transmitem, ao vivo e com chat, discussões sobre o evento e leitura de poemas (via www.ustream.tv). Outra inovação é evidenciar a rede de blogues amigos, o uso do twitter e contar detalhes de "como se organiza o evento" nas postagens. Os convidados latinos também poderão escrever diretamente no blogue oficial do evento. Y viva la conexión!

Blogue: www.flap2008.wordpress.com

Programa: http://flap2008.wordpress.com/programacao-sp

Contato: contato.vacamarela@gmail.com

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http://medianeiro.blogspot.com/2008/07/flap-2008.html




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http://medianeiro.blogspot.com/2008/06/cacto-no-blog-do-noblat.html

O Blog do Noblat publicou ontem, 29/6, meu poema "O cacto".

Para ver clique aqui.


Gostei da surpresa. Obrigado ao Noblat!

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http://medianeiro.blogspot.com/2008/06/gerao-vacamarela.html



Acaba de sair o número 38 da Revista sèrieAlfa, editada pelo amigo Joan Navarro. Esta edição traz um dossiê com os poetas do Coletivo Vacamarela, em versão trilíngüe português-catalão-espanhol:


sèrieAlfa
núm. 38
estiu de 2008


Geração Vacamarela

[17 poetes brasilers del segle XXI]



Elisa Andrade Buzzo

Ivan Antunes



Lilian Aquino

Fábio Aristimunho

Gustavo Assano



Vinicius Baião

Andrea Catrópa

Donny Correia



Ana Paula Ferraz

Victor Del Franco

Eduardo Lacerda



Julia Lima

Carol Marossi

Paulo Moura



Renan Nuernberg

Thiago Ponce de Moraes

Ana Rüsche





[Traducció:]

Fábio Aristimunho Vargas

Alfredo Fressia

Joan Navarro

[Vinyeta de la portada:]

Carmen Martínez Albors

[Fotografies interior:]

Joan Navarro

[Agraïments:]

Carles Belda

Fábio Aristimunho Vargas



http://perso.wanadoo.es/joan-navarro/home.htm

http://www.sapiens.ya.com/joan-navarro/alfa/indexalf.htm


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http://medianeiro.blogspot.com/2008/05/problema-de-expresso.html

O grupo Clã canta "Problema de Expressão" no Gato Fedorento, programa do canal português RTV.

"A tua língua está tão perto da minha
Mas o que eu digo está tão longe
Do que manda o Lindley Cintra..."


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http://medianeiro.blogspot.com/2008/05/cantiga-basca-neska-ontziratua.


A cantiga basca Neska ontziratua (A moça raptada), também conhecida por seu verso inicial, Brodatzen ari nintzen (Estava bordando), foi transmitida por tradição oral até o séc. XIX, quando foi por fim compilada. Aqui vai uma bela interpretação, o texto e a minha tradução, baseada na versão espanhola de Billabeitia/Kortazar.




Neska ontziratua


Brodatzen ari nintzen
ene salan jarririk
aire bat entzun nuen
itsasoko aldetik
Itsasoko aldetik
untzian kantaturik.

Brodatzea utzirik
gan nintzen amagana
hean jaliko nintzen
gibeleko leihora
gibeleko leihora
itsasoko aldera.

Bai habil, haurra, habil
erron kapitainari
jin dadin afaitera
hemen deskantsatzera
hemen deskantsatzera
salaren ikustera.

Jaun Kapitaina, amak
igortzen nau zugana
jin zaiten afaitera
hantxet deskantsatzera
hantxet deskantsatzera
salaren ikustera.

Andre gazte xarmanta
hori ezin ditekena
iphar haizea dugu
gan behar dut aintzina
ezin ilkia baitut
hauxe da ene pena.

Andre gazte xarmanta
zu sar zaite untzira
gurekin afaitera
eta deskantsatzera
hortxet deskantsatzera
salaren ikustera.

Andre gazte xarmanta
igaiten da untzira
han emaiten diote
lo belharra papora
eta untzi handian
lo dago gaixo haurra.

Jaun kapitaina, nora
deramazu zuk haurra?
Zaluxko itzulazu
hartu duzun lekura
hartu duzun lekura
aita amen gortera.

Nere mariñel ona
heda zak heda bela
bethi nahi nuena
jina zaitak aldera
ez duk hain usu
jiten zoriona eskura.

Jaun kapitaina, nora
ekarri nauzu huna?
Zalu itzul nezazu
hartu nauzun lekura
hartu nauzun lekura
aita amen gortera.

Andre gazte xarmanta
hori ezin egina
hiru ehun lekhutan
juanak gira aintzina
ene meneko zira
orain duzu orena.

Andre gazte xarmantak
hor hartzen du ezpata
bihotzetik sartzen ta
hila doa lurrera
aldiz haren arima
hegaldaka zerura!

Nere kapitain jauna
hauxe duzu malurra.
Nere mariñel ona
norat aurthiki haurra?
orat aurthiki haurra?
Hortxet itsas zolara.

Hiru ehun lekhutan
dago itsas leihorra.
Oi Ama anderea
so egizu leihora
zur’alaba gaixoa
uhinak derabila.


A moça raptada


Eu estava bordando
sentada em minha sala
quando ouvi uma canção
vinda da beira-mar
vinda da beira-mar
entoada de um barco.

Larguei o meu bordado
e fui a minha mãe
pedir para eu olhar
da janela de trás
da janela de trás
que dá vista pro mar.

Sim, pode ir, minha filha,
e diga ao capitão
que venha aqui jantar,
venha aqui descansar
venha aqui descansar
e ver nossa morada.

Senhor capitão, minha
mãe me envia para
convidá-lo a jantar,
a descansar ali
a descansar ali
e ver nossa morada.

Encantadora jovem,
não me será possível.
O vento norte sopra,
vou partir para longe,
já não posso aportar.
Tenho aqui minha pena.

Encantadora jovem,
suba a bordo do barco
para jantar conosco
e para descansar,
a descansar aqui
e ver nossa morada.

A encantadora jovem
sobe a bordo do barco.
Ao rosto lhe aproximam
uma erva sonífera
e no enorme navio
adormece a infeliz.

Senhor capitão, leva
para onde essa menina?
Leve-a já de volta
para onde a encontrou
para onde a encontrou
na terra de seus pais.

Meu caro marinheiro,
ice a vela, ice a vela.
Tudo o que sempre quis
acabou vindo a mim.
Não tenho tão amiúde
tal alegria à mão.

Ó senhor capitão,
para onde me trouxe?
Leve-me já de volta
aonde me encontrou
aonde me encontrou
na terra de meus pais.

Encantadora jovem,
já não posso fazê-lo.
De lá nos afastamos
umas trezentas léguas.
Está em meu poder,
chegou a sua hora.

A encantadora jovem
pega a espada, trespassa
o próprio coração
e o seu corpo cai morto
no chão; já a sua alma
vai voando para o céu.

Meu senhor capitão,
mas que enorme tragédia!
Meu caro marinheiro,
onde a atiraremos?
onde a atiraremos?
No fundo do oceano.

Estende-se em trezentas
léguas a beira-mar.
Ó Senhora mãe, veja
através da janela:
as ondas balançando
a tua pobre filha.

.........Trad. Fábio Aristimunho Vargas


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http://medianeiro.blogspot.com/2007/12/tordesilhas-memria-fotogrfica.h

Não esquecendo que palavras diriam mais do que imagens, aí vai um pouquinho do Tordesilhas.

anúncio pago

Caixa Cultural - primeira mesa: "Nosotros latinoamericanos"

público da primeira mesa

ônibus

Juan Kruz, Joan Navarro e Luis Carlos Mussó em visita a Fábio Aristimunho

Julia e Juliana na fila do almoço, com Joan ao fundo

Galpão do Folias - leitura noturna

Galpão do Folias 2 - Luís Serguilha

o mestre Glauco Mattoso

público no Instituto Cervantes

mesa: “Poesia espanhola hoje” – Javier Díaz Gil, Juan Kruz Igerabide, Fábio Aristimunho, Joan Navarro, Adolfo Montejo Navas

Joan Navarro lê poemas de “Atlas: Correspondència (2005-2007)”

Praça Roosevelt - lançamento Antologia Vacamarela: Carol, Victor, Julia, Fábio

com Alfredo Fressia, que assina o posfácio da Antologia

Antologia Vacamarela à venda: quer pagar quanto?

leitura bilíngüe do grupo Vacamarela com os convidados estrangeiros

leitura com Mario Bojórquez

Vacamarela: (em pé) Andréa Catrópa, Paulo Moura, Donny Correia, Julia Lima, Elisa Andrade Buzzo, Ana Paula Ferraz, Lilian Aquino, Ivan Antunes, Renan Nuernberger, Carol Marossi, Victor Del Franco, Fábio Aristimunho, (abaixados) Eduardo Lacerda, Vinicius Baião, Thiago Ponce de Moraes, Ana Rüsche, Gustavo Assano

noite de autógrafos: os amigos Lilian Aquino, Luis Carlos Mussó, Giancarlo Huapaya Cárdenas & Delmo Montenegro

mesa: Poesia portuguesa contemporânea

leitura – Frederico Barbosa

a Caixa Cultural, em sua altivez

a poesia vista por outro ângulo

Juan Kruz

leitura bilíngüe: Javier Díaz Gil & Fábio Aristimunho lendo os poemas de "Morir en Iguazú"

busão

Academia Internacional de Cinema

Pocket Show – Marcelo Sahea

Virna Teixeira & María Eugenia López

Café São Paulo - primeira festa de encerramento

turminha 1

turminha 2

eu, Joan & Virna

Ligia Dabul & María Eugenia

Virna & Tavinho Paes (a Lenda Viva!)

el meu amic valencià

vitral da Caixa Cultural

Alan Mills, Paulo Ferraz & Ana Rüsche

a poesia e o vil metal

restaurante nordestino - segunda festa de encerramento

João Henriques, Julia, Novo, Caqui

Caqui, Ana & Francesc

na casa do Caqui: Luis Carlos, esperando a vez; João Henriques, só no narguilê; Nícollas, entediado

Tordesilhas - Festival Ibero-Americano de Poesia Contemporânea
São Paulo, 30 de outubro a 4 de novembro de 2007
http://www.festivaltordesilhas.net/

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http://hay-tomates.blogspot.com/2008/10/natureza-nossa-de-cada-dia-ii.h

Quem, entretanto, imaginar que conhece o Lobo da Estepe e pode analisar sua existência lamentavelmente dividida, incorrerá, sem dúvida, em erro, pois ainda não sabe tudo. Não sabe que (como não há regra sem exceção e como um simples pecador em certas circunstâncias pode ser mais querido a Deus do que noventa e nove justos) Harry também conhecia de quando em vez exceções e momentos ditosos em sentir harmonia, e mesmo em raras ocasiões estabelecer a paz e viver um para outro de tal forma que não apenas um vigiava enquanto o outro dormia, mas também se fortaleciam ambos e cada um duplicava a energia do outro. Também na vida desse homem parecia, como em todas as partes do mundo, que o costumeiro, o consuetudinário, o conhecido e o normal tinham simplesmente por objeto permitir de quando em quando a pausa de um segundo de duração para dar lugar ao extraordinário, ao milagroso, à graça. Se tais curtas e raras horas de ventura compensavam e dulcificavam a triste sina do Lobo da Estepe, de forma que a felicidade e a desventura viessem a equilibra-se finalmente na balança, ou se, talvez, este breve mas intenso usufruir daquelas poucas horas compensava todo o sofrimento e deixava um saldo favorável de alegria, é questão sobre a qual podem meditar as pessoas ociosas a seu talante. Também o Lobo meditava isso, em seus dias mais ociosas e inúteis.

A esse propósito há que acrescentar algo. Muita gente existe que se assemelha a Harry; especialmente muitos artistas pertencem a essa classe de homens. Todas essas pessoas têm duas almas, dois seres em seu interior; há neles uma parte divina e uma satânica, há sangue materno e paterno, há capacidade para ventura e para a desgraça, tão contrapostas e hostis como eram o lobo e o homem dentro de Harry. E esses homens, para os quais a vida não oferece repouso, experimentam às vezes, em seus raros momentos de felicidade, tanta força e tão indizível beleza, a espuma do instante de ventura emerge às vezes tão alta e deslumbradora sobre o mar da dor, que sua luz espargindo radiância, vai atingir a outros com o seu encantamento. A isto se devem, a essa preciosa e momentânea espuma sobre o mar de sofrimento, todas aquelas obras artísticas em que o homem solitário e sofredor se eleva por uma hora tão alto sobre o seu próprio destino, que sua felicidade brilha como uma estrela, e parecem a todos os que a vêem como algo eterno e como se fosse seu próprio sonho de ventura. Todas essas pessoas, sejam quais forem seus atos e obras, não têm propriamente uma vida, ou seja, sua vida carece de essência e de forma, não são heróis, nem artistas, nem pensadores de maneira como os demais homens são juízes, doutores, sapateiros ou mestres; sua existência é um movimento de fluxo e refluxo, está infeliz e dolorosamente partida e é sinistra e insensata, se não estivermos propensos a ver um sentido precisamente naqueles raros acontecimentos, ações, pensamentos e obram que brilham às vezes sobre o caos semelhante vida. Entre os homens dessa espécie surgiu o perigoso e terrível pensamento de que, talvez, toda a vida do homem não passa de um espantoso erro, de um aborto brutal da mão primeva, um cruel e selvagem intento frustrado da Natureza. Mas entre eles surgiu também a idéia de que o homem talvez não seja apenas um animal dotado de razão, mas o filho de Deus destinado à mortalidade.

Cada espécie de homens tem suas características, seus aspectos, seus vícios e virtudes e seus pecados mortais. Um dos signos do Lobo da Estepe era o de ser noctívago. A manhã era para ele a pior parte do dia, causava-lhe temor e nunca lhe trouxera nada de bom. Nunca fora alegre em qualquer manhã de sua vida, nunca fizera nada de bom na primeira metade do dia, não tivera boas idéias, nem divisara nenhuma alegria para ele ou para os demais. Ao começar a tarde, ia reagindo lentamente, principiava a se animar e, ao cair da noite, em seus melhores dias, tornava-se frutífero, ativo e, às vezes, até brilhante e alegre. Disso decorria sua necessidade de isolamento e independência. Nunca existira um homem com tão profunda e apaixonada necessidade de independência como ele. Em sua juventude, quando ainda era pobre e tinha dificuldades em ganhar a vida, preferia passar fome e andar mal vestido a sacrificar uma parcela de sua independência. Nunca se vendera por dinheiro ou vida fácil às mulheres ou aos poderosos, e mil vezes desprezara o que aos olhos do mundo representa vantagens e regalias, a fim de salvaguardar a sua liberdade. Nenhuma idéia lhe era mais odiosa e terrível do que a de exercer um cargo, submeter-se a horários, obedecer ordens. Um escritório, uma repartição, uma sala de audiência eram-lhe tão odiosos quanto a morte, e o que de mais espantoso podia imaginar em sonhos seria o confinamento num quartel. Sabia subtrair-se a todas essas coisas, a custo de grandes sacrifícios e nisso residia sua força e virtude, nisso era inflexível e incorruptível, nisso seu caráter era firma e retilíneo. Só que a essa virtude estavam intimamente ligados seu sofrimento e seu destino. Ocorria a ele o que se dá com todos: o que buscava e desejava com um impulso íntimo de seu ser acabava por ser-lhe concedido, mas em grau demasiadamente superior ao que convém a um homem. A princípio, o que obtinha parecia-lhe um sonho e uma satisfação, mas logo se revelava como sendo o seu amargo destino. Assim, o poderoso era arruinado pelo poder, o rico pelo dinheiro, o subserviente pela submissão, o luxurioso pela luxúria. O Lobo da Estepe perecia por sua própria independência. Havia alcançado sua meta, seria sempre independente, ninguém haveria de mandar nele, jamais faria algo para ser agradável aos outros. Só e livre, decidia sobre seus atos e omissões. pois todo homem forte alcança indefectivelmente o que um verdadeiro impulso lhe ordena buscar. mas em meio à liberdade alcançada, Harry compreendia de súbito que essa liberdade era a morte, que estava só, que o mundo o deixara em paz de uma inquietante maneira, que ninguém mais se importava com ele, nem ele próprio, e que se afogava aos poucos numa atmosfera cada vez mais tênue de falta de relações e de isolamento. Havia chegado ao momento em que a solidão e a independência já não eram seu objetivo e seu anseio, mas antes sua condenação e sua sentença. O maravilhosos desejo fora realizado e já não era possível voltar atrás e de nada valia agora abrir os braços cheio de boa vontade e nostalgia, disposto à fraternidade e à vida social. Tinham-no agora deixado só. Não que fosse motivo de ódio e de repugnância. pelo contrário, tinha muitos amigos. Um grande número de pessoas o precisavam. Mas tudo não passava de simpatia e cordialidade; recebia convites, presentes, cartas gentis, mas ninguém vinha até ele, ninguém estava disposto nem era capaz de compartilhar de sua vida. Agora rodeava-o a atmosfera do solitário, uma atmosfera serena da qual fugia o mundo em seu redor, deixando-o incapaz de relacionar-se, uma atmosfera contra a qual não poderia prevalecer nem a vontade nem o ardente desejo. Esta era uma das
características mais significativas de sua vida.
O lobo da estepe, Herman Hesse.
*** "Love will tear us apart", Nouvelle Vague.

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http://hay-tomates.blogspot.com/2008/09/apontamentos-sobre-o-amor-ii.ht

Como eu dizia no post anterior, acredito que o amor é uma reação emocional que se aprende. Trata-se de uma resposta para um grupo de estímulos e comportamentos aprendidos e, como qualquer comportamento aprendido, é provocado pela interação daquele que aprende com seu meio, com sua habilidade/disposição para aprender e com as espécies e as forças das retribuições. Retribuições? É isso mesmo: como, quando e qual o limite de cada indivíduo para responder ao amor que expressa.
Daí que o tal amor é uma interação das mais dinâmicas, vivida em todos os momentos da vida, durante toda ela. É tudo a todo instante. Ou pelo mesmo deveria ser assim. Por isso não gosto dessa frase ficar apaixonado/a. Não acredito que ninguém fique ou deixe de estar apaixonado. Isso é minimalismo grosseiro; é equiparar o amor ao desejo, à atração, à necessidade, etc. e tal.
As pessoas podem reagir de uma forma particular, num certo grau, a determinados estímulos específicos. Nisso consiste um indicador visível do amor que sentem. Assim, as pessoas não têm mais amor para se apaixonar ou desapaixonar do que em qualquer outro momento da vida delas. Acho mais preciso dizer que se cresce no amor, isto é, quanto mais se aprende, mais se tem oportunidade de modificar as respostas comportamentais e então expandir a capacidade de amar. Não há muitas opções: ou estamos crescendo no amor ou então estamos morrendo. Dessa forma, então, as ações estarão se modificando durante a vida, assim como as interações.
Se alguém deseja conhecer o amor, deve viver o amor em suas ações. Pensar, ler, escrever ou fazer discursos sobre o amor pode até ser útil, mas em última análise trará pouca ou nenhuma resposta efetiva, posto que tais coisas só têm valor quando apresentam questões para serem vividas. O amor só é aprendido com uma compreensão que nos estimule a partir de cada novo conhecimento, por ínfimo que seja, e mediante o qual se age e reage. É isso ou qualquer conhecimento não terá nenhum valor. Para amarmos devemos viver as questões, mas para vivê-las é necessário que elas se apresentem.
Dessa forma, vivenciando as questões, aprenderemos muitas 'verdades' sobre o amor, entre elas que o amor não é uma coisa, uma mercadoria que se possa comprar, trocar ou vender. O amor não é algo que pode ser forçado ou que pertença a alguém. Ele só pode ser dado voluntariamente, com a maior confiança em si próprio e no outro (deve ser por acusa disso, aliás, que Erich Fromm dizia que qualquer pessoa de pouca confiança é também uma pessoa de pouco amor).
Mas então, por que existem tantas pessoas que se dispõem a vender seu corpo, sua mente e seu espírito em nome do amor? Não percebem que estão profundamente enganadas? Pode-se comprar o corpo de outra pessoa, seu tempo, suas posses, quiçá até mesmo suas necessidades e sonhos mais profundos, mas é impossível comprar seu amor. Contudo, muitas pessoas podem escolher obter o amor por um preço e isto é uma arte dramática que tem sido aperfeiçoada por muitos de nós ao ponto de ser impossível para qualquer um perceber a fraude. E por que não percebemos? Ora, porque muitas vezes não nos encaixamos no tremendo enredo de mau gosto que algumas pessoas insistem em nos imputar. Não há papel para nosotros nesse teatro! Essas pessoas estão tão longe de merecerem sentar ao nosso lado que não há mesmo meios de entender o porquê de algumas delas serem assim como são.
Minto, há sim. Essas pessoas manipulam a realidade facilmente, são tipinhos que usam máscaras e sabem subverter, mentir descaradamente sem falsear. Eu cairia numa dessas; vocês também. E isto pelo ingênuo fato de gente como eu e alguns de vocês terem mais o que fazer na vida do que ficar armando maneiras de foder outras pessoas. Muitos de nós até temos caráter, princípios e tentar explicar porque essas pessoas são como são é perda de tempo: são assim porque não podem nascer de novo. Ponto final.
Trata-se, portanto, de um fato irrefutável: eu e vocês (quase) sempre vamos errar; vez ou outra daremos chance pra quem não merece, para quem não sabe mesmo o que é o amor ou para quem é uma pessoa 'de pouco amor'.
Continuo achando, de qualquer modo, que esses tipos de jogos de amor não são fáceis: o custo é muito grande. Nunca valem o preço.
*** "Suddenly I see", KT Tunstall.

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http://hay-tomates.blogspot.com/2008/09/apontamentos-sobre-o-amor-i.htm

O amor deve ser aprendido. O amor a si próprio, a responsabilidade e o cuidado com o seu próximo também devem sê-lo, mas Eistein disse um dia algo mais ou menos assim: é um milagre que o sistema educacional não tenha reprimido a sagrada curiosidade de questionamento, pois essa delicada planta depende muito da necessidade de liberdade, sem a qual ela se arruína e morre. Tenho que concordar, até mesmo porque sempre fui (e ainda sou, amém!) uma criatura curiosa, que dedica muitas e muitas horas do dia observando e tentando aparar incômodas arestas.
Nessas de overthinker, acabo percebendo muitas coisas e é sobre elas que pretendo tratar nesse e nos próximos posts. Melhor, pretendo discorrer sobre o que eu penso sobre o amor, esse sentimento que alguns imputam ser o cúmulo da breguice, mas que a mim parece ser tudo o que realmente importa para sermos considerados verdadeiramente humanos, no melhor sentido que esta palavra pode ter.
Pois bem, acredito que a maioria de nós nunca teve lições acerca do amor e, se as tivemos, muitas vezes as ignoramos. Em algum ponto estagnamos, daí essa massa de zumbis crescidos, solitários, alienados, perdidos, zangados, descontentes, etc, etc, que estamos tão acostumados a ver por aí e, quiçá, até façamos parte dela. Zumbis não sabem quem são, onde estão ou como chegaram. Não têm idéia de para aonde vão, como chegarão lá, nem do que farão ao chegarem. Não têm idéia do que possuem, do que querem, nem de como desenvolvê-lo. Se vocês não são um deles, um dia já foram e, se acham que não os conhecem, calma: certamente vocês foram ou serão vítimas de um deles algum dia!
Essas pessoas são, em essência, como robôs enferrujados, vivendo no passado, confusas no presente, como medo do futuro. Em momento algum elas foram apresentadas ao amor como um fenômeno que se aprende. O que aprenderam de amor foi de forma indireta, como um acaso. Sua maior orientação - e que provavelmente constitui-se no seu único aprendizado - foi recebida mediante os meios de comunicação de massa, que sempre exploraram o amor para fins nada bonitos. Certamente um grupo de poetas frustrados, apoiados pela Metro-Goldwyn-Mayer e pela 20th Century Fox criaram o amor romântico para o mercado mundial. Seu conceito de amor, em geral, não vai além disso: rapaz encontra moça, moça briga com o rapaz (ou vice-versa), o rapaz perde a moça, a moça e o rapaz se entendem por algum passe de mágica, casam-se e vivem felizes para sempre. Há algumas variações, claro, e as histórias dos irmãos Grimm e as novelas globais também têm seu quinhão nisso tudo.
No cinema, os clássicos do tempo da vovó, protagonizados pelo galã Rock Hudson e pela diva Doris Day, ilustram bem esse aspecto. Rock encontra Doris. Rock a corteja com atenção, flores, presentes, palavras doces e gentis, perseguições frenéticas e boas maneiras. Doris foge das investidas de Rock durante aproximadamente uns 4 rolos de filme, se não mais. Por fim, Doris não pode mais resistir e se entrega a Rock. Ele a carrega por toda a tela, rumo a um incandescente pôr-do-sol. The end.
Morro de curiosidade para ver o que acontece depois disso, mas não precisamos ser lá muito espertos para intuir. Qualquer moçoila do tipo da personagem que Doris faz, que fugiu de um homem durante 4 rolos de filme, certamente é frígida. Ou louca. Qualquer homem que se ocupou com tal absurdo deve sofrer de ejaculação precoce. Eles se merecem. E não é curioso como muita gente, talvez até eu e vocês, ainda procure se enquadrar nessa fórmula? Pior, muita gente se acomoda no the end e acha que tudo vai dar certo, assim, por milagre. Pior ainda, a maioria de nós, por não saber o que é o amor, pula fora ao menor sinal de que a aquela paixão avassaladora, tão típica dos inícios, vai se retirar. Beep, paixão é uma reação química que dura, no máximo, dois anos. Amor é outra coisa.
Reafirmando essa concepção maluca de amor, temos ainda esses anúncios de desodorantes (já repararam nas propagandas do Axe?), os antigos comerciais de cigarro, os anúncios de cosméticos, de carros, etc. Eles costumam dar a noção de que o amor 'acontece', em geral à primeira vista. A mensagem subliminar é: você não tem que batalhar pelo amor, afinal ele não precisa ser aprendido; você 'entra' no amor se seguir determinadas regras e 'jogar' de acordo com elas.
Não sei quanto a vocês, mas eu não gostaria (apesar de estar reincidindo no erro nos últimos tempos, seja por ingenuidade, seja pelo cinismo alheio) de dedicar o projeto de uma casa a um arquiteto que tenha precários conhecimentos sobre construção, nem aplicaria na bolsa com o auxílio de um corretor que não sabe nada sobre o mercado de capitais. Ainda assim, formamos relações amorosas - que esperamos invariavelmente que sejam permamentes - com pessoas que dificilmente têm conhecimentos sobre o amor. Igualam amor ao sexo, à atração, à necessidade, à segurança, ao romance, à consideração e milhares de outras coisas. Aviso aos navegantes, o amor é tudo isso e nada disso.
Na verdade, a grande maioria de nós nunca aprende a amar totalmente, até porque muitos sequer cultivam aquele amor latu sensu, por todas as criaturas; não as respeitamos; somos desleais, imaturos e egoístas. Muitos querem somente a satisfação imediata dos seus desejos. O resultado são os zumbis: representam no amor, imitam amantes, fingem, mentem, traem, desrespeitam, tratam-no como um jogo. Não é surpreendente, então, que muitos de nós estejamos morrendo de solidão, pulando de relação em relação tentando preencher um enorme vazio. Estamos tão ansiosos e incompletos, mesmo em relações aparentemente íntimas; buscamos sempre algo mais do que sentimos que deveria existir. Is it all that exists? , diz uma canção da Ella Fitzgerald.
Existe algo mais, sim. É simplesmente isso, o ilimitado potencial do amor dentro de cada indivíduo, pronto para ser reconhecido, esperando ser desenvolvido, desejando crescer. Se desejamos amar, devemos começar o processo de descobrir seu real significado, quais as qualidades de uma pessoa amorosa, o que é preciso fazer para desenvolvê-las.
Cada pessoa tem o potencial para o amor, mas ele nunca é percebido sem esforço. Isso pode se traduzir, muitas vezes, em sofrimento, mas digo que o amor é melhor aprendido na alegria e na paz. Vocês estão em paz? Nesse momento eu não estou, mas é que costumo optar pelo caminho mais pedregoso.
*** "Layla", Eric Clapton.

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Henri-Cartier Bresson
LXXVI

Quando ingressa na vida,
o homem é terno e fraco;
quanto morre,
é duro e forte.
Ao entrarem na vida, as plantas
são tenras e frágeis.
Quando morrem,
são secas e duras.
Por isso os duros e fortes
são companheiros da morte,
e os tenros e frágeis
são companheiros da vida.

Por isso:
se as armas são fortes, não sairão vitoriosas;
quando as árvores são duras, são abatidas.
O que é grande e forte diminui.
O que é suave e fraco prospera.

Fragmento do Tao-te king, de Lao Tzu.

*** "Love's Divine", Seal.

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Marc Chagall

"A felicidade não é deste mundo."

Eclesiastes.

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http://hay-tomates.blogspot.com/2008/08/os-dados-sobre-o-pano-verde.htm

Sobre a questão do merecimento, não me parece lógico também, mas nesses momentos de desespero, começo a considerar essas teorias metafísicas, esses dogmas religiosos a fim de procurar uma resposta praquilo que sequer foi questionado. Quando me sinto em frangalhos como hoje, penso que devo ter sido um pessoa bem ruim em outras vivências e que talvez essas dores todas sejam pra me fazer 'expiar' alguma coisa que nem eu mesma sei. São conjecturas idiotas, eu sei, mas de certa forma me dão a ilusão de que um dia terei uma resposta pra tudo isso. Sei também que são nesses momentos que crescemos mais, mas às vezes me pergunto pra que crescer e tentar ser alguém melhor, mais centrada (e repleta de auto-conhecimento) se vou continuar engolindo esse lixo todo e, veja, eu não sou melhor do que ninguém e nunca quis bancar a Grace! Eu realmente me preocupo com os outros, e não é porque quero fazê-los gostar de mim ou porque acho que assim serei "aceita" ou "amada", mas porque fui de fato criada pra gostar de gente. Quando eu era criança, por exemplo, meu pai levava crianças de rua pra comer na minha casa e brincar comigo, me levava pra visitar hospitais. Minha escala de valores parece não ser muito compatível com o que vivemos. Enfim, eu de fato gosto de pessoas, mas ultimamente elas têm me dado medo e, muitas vezes, nojo, muito nojo.
Veja esse último episódio. Nesse caso, garanto que não houve idealização: sabia bem das instabilidades, mas estava feliz ainda assim porque nos dávamos bem e aprendi faz um tempinho que as pessoas têm suas instabilidades, medos, neuroses, frustrações... Eu tolero muita coisa, porque também sou imperfeita, neurótica e 'n' outras coisas nesse sentido, mas respeito, por exemplo, não é algo que dê pra passar sem, ainda que vez ou outra todos nós escorreguemos pra lá e pra cá. A pessoa enganou todo mundo, sabe? Ou você acha que Y e Z, por exemplo, estão putos porque sempre foram meus melhores amigos e amam minha doçura e meus olhos castanhos? Não, é porque essas coisas chocam, magoam. É porque você percebe que uma pessoa dessa tem uma escala de valores tão maluca que acha que o que fez é tão inofensivo quanto furtar um lápis. E é nesse momento que eu me sinto uma idiota, de novo, e fico me perguntando qual é o meu problema afinal pra não saber diferenciar gente que definitivamente não vale a pena de gente que pode até valer.
Aí eu volto ao ponto final do primeiro e-mail: será que sou imbecil? será que sou ingênua? Em caso positivo, o que eu posso fazer pra me 'adequar'? Eu preciso mesmo me adequar? O problema sou eu e minha visão idílica de mundo ou são as pessoas que são cada vez menos 'pessoas'? Qual o lado certo nisso tudo?
O mundo me parece cada vez mais cindido. E acho que tenho informações demais nas mãos. Isso confunde qualquer croupier.
*** "Antichrist Television Blues", The Arcade Fire.

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Já tinha escutado muitas vezes, mas talvez tenha me esquecido desse trecho bíblico ("Não deis aos cães o que é santo, nem lanceis ante os porcos as vossas pérolas") e do seu real significado, afinal há tempos deixei a adolescência e a curta 'vocação religiosa', por algum tempo exercitada nas aulas de catequese. Quem diria, então, que um amigo ateu, preocupado com minhas angústias, seria o responsável por relembrar tal passagem do evangelho de Matheus?
Obviamente ele não usou as mesmas palavras abaixo, mas bem que poderia. Assim sendo, o meu mais sincero obrigada, meu amigo!
"Não lançar pérolas aos porcos é não oferecer os tesouros do ser a quem come apenas lama e babugem, e pisará em nossos tesouros do coração por não ver valor algum em pérolas da alma, assim como é também não oferecer nossos bens do coração aos que apenas pisarão sobre tal riqueza
interior.

As pérolas são as virtudes em nós, as mais íntimas e preciosas, que só devem ser compartilhadas com quem lhes dá valor.

O insensato é que abre seu coração e expõe todo o seu interior àqueles que têm no coração a fome e o apetite dos porcos - por lama - e têm ojeriza aos bens do ser.

Veja com quem você abre seu coração!

Veja com quem você divide sua intimidade humana e espiritual!

Veja a quem você serve as preciosidades de seu ser!

Não basta que a pessoa seja “boa”. Isso não significa nada. Amigos de alma e de tesouros são raros, e só se os conhece com o tempo, em meio à fidelidade na dor e nas dificuldades da existência.

Toda hora vejo alguém servindo suas preciosidades de alma a quem não tem uma alma. O resultado é previsto: eles pisam nas pérolas e depois devoram aqueles que as serviram.

Seu tesouro está em seu coração. Seja cuidadoso na entrega de sua intimidade. Procure antes comer muito sal com a pessoa. Não se exponha a quem não dá valor à alma.

Muita dor acontece em razão do romantismo de se pensar que basta a nossa sinceridade. Não! Não basta. Do outro lado tem de haver gente. Do contrário, o que se faz é apenas entregar nossa intimidade a quem se utilizará dela para nos destruir.

Infelizmente o mundo está cheio de suínos existenciais, os quais se alimentam de homens e abominam os tesouros da alma.

Ora, essa máxima serve de alerta, nos protege daqueles que se oferecem como amigos, namorados, companheiros e irmãos, mas que não têm espírito de amor e de cuidado com a alma do próximo.

Ao contrário, para tais pessoas esses segredos das verdades mais íntimas do coração são apenas alças para que nelas se agarrem a fim de nos comerem vivos.

Portanto, veja a quem você está dando os seus tesouros de intimidade, verdade e preciosidades em sua vida.

Não namore ou se case com o suíno com esperança de ser bem tratado(a). Não fique amigo de suínos existenciais, pois além de não enxergarem você, eles ainda vão pisar em sua vida e devorá-la.

Você jogaria suas pérolas aos porcos, na lama?"

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Cómo pudimos? Ser boca o ser bocado, cazador o cazado. Merecíamos desprecio, o a losumo lástima. En la intemperie enemiga, nadie nos respetaba y nadienos temia. La noche y la selva nos davan terror. Éramos los bichos más vulnerables de la zoología terrestre, cachorros inútiles, adultos pocacosa, sin garras, ni grandes colmillos, ni patas veloces, ni olfato largo. Nuestra historia primera se nos pierde en la neblina. Según parece, estábamos dedicados no más que a partir piedras y a repartir garrotazos. Pero uno bien puede preguntarse: No habremos sido capaces de sobrevivir, cuando sobrevivir era imposible, porque supimos defendernos juntos y compartir la comida? Esta humanidad de ahora, esta civilización del sálvese quien pueda y cada cual a lo suyo, habria durado algo más que un ratito en el mundo?
GALEANO, Eduardo. Espejos.
*** "Sentimental", Chico Buarque.

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Zaíra: A pessoa já nasce avisada! Vai sofrer. Olha que vai sofrer. E o que faz? A pessoa vai e sofre…
BUARQUE DE HOLLANDA, Chico; PONTES, Paulo. Gota d' água. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1975, pág. 12.
*** "Gota d'água", Chico Buarque.

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Novembro 25, 2008

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http://minimae.blogspot.com/2008/11/tem-s-piorado-tentar-fazer-algu

Tem só piorado,
tentar fazer alguma coisa de mim mesmo.

Talvez esteja na hora de levantar as pontes um pouco
(só um pouco)
e tentar fazer algo por dentro.

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Novembro 26, 2008

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http://hay-tomates.blogspot.com/2008/10/natureza-nossa-de-cada-dia-iii.

Renova-te.
Renasce em ti mesmo.
Multiplica os teus olhos, para verem mais.
Multiplica-se os teus braços para semeares tudo.
Destrói os olhos que tiverem visto.
Cria outros, para as visões novas.
Destrói os braços que tiverem semeado,
Para se esquecerem de colher.
Sê sempre o mesmo.
Sempre outro. Mas sempre alto.
Sempre longe.
E dentro de tudo.

Cântico XIII, Cecília Meirelles.

*** "O mundo é um moinho", Cartola.

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http://hay-tomates.blogspot.com/2008/09/apontamentos-sobre-o-amor-iii.h

Pois bem, acho que já disse o que queria, ainda que de maneira verborrágica, apaixonada e muito, muito nonsense. Conseqüentemente, dou-me agora o sagrado direito de contraditar alguns dos pontos abordados nos posts anteriores. E ela deve fazer isso? - perguntam vocês. Claro que sim, afinal muitas vezes sou meio Whitman: eu me contradigo ? Pois muito bem, eu me contradigo. Sou amplo, contenho multidões.
O amor acaba
Paulo Mendes Campos
1) O amor acaba. Numa esquina, por exemplo, num domingo de lua nova, depois de teatro e silêncio; acaba em cafés engordurados, diferentes dos parques de ouro onde começou a pulsar; de repente, ao meio do cigarro que ele atira de raiva contra um automóvel ou que ela esmaga no cinzeiro repleto, polvilhando de cinzas o escarlate das unhas; na acidez da aurora tropical, depois duma noite votada à alegria póstuma, que não veio; e acaba o amor no desenlace das mãos no cinema, como tentáculos saciados, e elas se movimentam no escuro como dois polvos de solidão; como se as mãos soubessem antes que o amor tinha acabado; na insônia dos braços luminosos do relógio; e acaba o amor nas sorveterias diante do colorido iceberg, entre frisos de alumínio e espelhos monótonos; e no olhar do cavaleiro errante que passou pela pensão; às vezes acaba o amor nos braços torturados de Jesus, filho crucificado de todas as mulheres; mecanicamente, no elevador, como se lhe faltasse energia; no andar diferente da irmã dentro de casa o amor pode acabar; na epifania da pretensão ridícula dos bigodes; nas ligas, nas cintas, nos brincos e nas silabadas femininas; quando a alma se habitua às províncias empoeiradas da Ásia, onde o amor pode ser outra coisa, o amor pode acabar; na compulsão da simplicidade simplesmente; no sábado, depois de três goles mornos de gim à beira da piscina; no filho tantas vezes semeado, às vezes vingado por alguns dias, mas que não floresceu, abrindo parágrafos de ódio inexplicável entre o pólen e o gineceu de duas flores; em apartamentos refrigerados, atapetados, aturdidos de delicadezas, onde há mais encanto que desejo; e o amor acaba na poeira que vertem os crepúsculos, caindo imperceptível no beijo de ir e vir; em salas esmaltadas com sangue, suor e desespero; nos roteiros do tédio para o tédio, na barca, no trem, no ônibus, ida e volta de nada para nada; em cavernas de sala e quarto conjugados o amor se eriça e acaba; no inferno o amor não começa; na usura o amor se dissolve; em Brasília o amor pode virar pó; no Rio, frivolidade; em Belo Horizonte, remorso; em São Paulo, dinheiro; uma carta que chegou depois, o amor acaba; uma carta que chegou antes, e o amor acaba; na descontrolada fantasia da libido; às vezes acaba na mesma música que começou, com o mesmo drinque, diante dos mesmos cisnes; e muitas vezes acaba em ouro e diamante, dispersado entre astros; e acaba nas encruzilhadas de Paris, Londres, Nova Iorque; no coração que se dilata e quebra, e o médico sentencia imprestável para o amor; e acaba no longo périplo, tocando em todos os portos, até se desfazer em mares gelados; e acaba depois que se viu a bruma que veste o mundo; na janela que se abre, na janela que se fecha; às vezes não acaba e é simplesmente esquecido como um espelho de bolsa, que continua reverberando sem razão até que alguém, humilde, o carregue consigo; às vezes o amor acaba como se fora melhor nunca ter existido; mas pode acabar com doçura e esperança; uma palavra, muda ou articulada, e acaba o amor; na verdade; o álcool; de manhã, de tarde, de noite; na floração excessiva da primavera; no abuso do verão; na dissonância do outono; no conforto do inverno; em todos os lugares o amor acaba; a qualquer hora o amor acaba; por qualquer motivo o amor acaba; para recomeçar em todos os lugares e a qualquer minuto o amor acaba.
E a versão do Antônio Prata...
2) O amor acaba. Assim foi e assim será. Numa quarta-feira de Cinzas, num sábado de Carnaval. O amor se perde, entre o rebolado de duas passistas, debaixo da saia da baiana, o bumbo ecoando as batidas que já não vêm do coração. O amor encolhe, anoréxico, suicida-se de melancolia; acaba num átomo, de infarto - "tão jovem!" dirão -, ou aos poucos, pingando, em lenta e imperceptível hemorragia, pálido amor; morre de velhice, de obesidade, de preguiça; o amor desaparece no fundo de uma gaveta, entre cartas de amor e contas de luz de 1987: o amor embolora, cria fungos, amarela; acaba entre um sorriso e um soluço, no meio do filme, no cinema, no movimento da mão que busca a outra na poltrona, mas mão já não há; acaba no papel de bala amassado, metido no bolso: lá vai ele, tão fragil, o amor; acaba no mesmo colo de sempre, na cama, num gozo triste, na distância entre dois corpos dormentes, num cafuné estéril, cadê o amor que estava aqui? O gato comeu, o ladrão levou, o anel que tu me destes era vidro e se quebrou, o amor que tu me tinhas, cadê, meu Deus, o amor? O amor escorre, escapa, dissolve, seca, evapora-se de nós, pobres criaturas "feitas apenas para amar e sofrer de amor"; o amor acaba nas férias, na praia, no sol, em segundas-feiras cinzentas nos escritórios, em piscinas e cinzeiros, em abraços e ofensas, o amor acaba com o ódio, acaba mesmo com o amor, nem tanto, um tanto só, de amor; acaba sozinho, culpado, acaba em conjunto, triste; esquece-se o amor, como uma música de infância, uma tarde em que morremos de rir, uma cidade inteira onde já estivemos e já não está mais dentro de nós; onde foi parar, o amor? Foi-se embora para Pasárgada, onde é amigo do rei (de nós, certamente, já não é), fugiu para Maracangalha (com Amália?), aposentou-se no Beleléu, foi pro inferno, pro limbo, pro céu ou, quem sabe, reside agora num baú, num sótão, numa rua calma em Santa Rita do Passa Quatro; o amor não escolhe o momento de terminar, vai-se no susto de um pôr-do-sol interrompido por uma buzina, no primeiro ônibus da manhã, é soterrado pela pilha de jornais atiradas diante da porta, vai embora com a borra de café; "em todos os lugares o amor acaba; a qualquer hora o amor acaba; por qualquer motivo o amor acaba; para recomeçar em todos os lugares e a qualquer minuto o amor acaba!".
*** "Dance Me To The End Of Love", Madeleine Peyroux.

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Novembro 27, 2008

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Leio muito, mais do que o recomendado para esse momento. Leio. Leio. Leio sem parar. Cinco livros em um único mês. O motivo? Não arriscaria dizer.
Hoje, porém, achei um rabisco na gaveta da escrivaninha - e há tantos por lá! Fechei os olhos e meus dedos pinçaram um projeto de poema. Não é de todo ruim, mas está dramaticamente longe de ser bom. Rabisquei uma segunda versão, só pra provar que ainda sei como é que se respira. O resultado não é nada animador, mas ainda assim deixo o meu pudor recém-adquirido de lado e coloco aqui uma suposta segunda versão. Podem palpitar, se assim o quiserem, mas aviso que sei quanto suor ainda será preciso se quiser que isso seja, de fato, um poema.



The morgue


Enlouqueci,
antes: o músculo pútrido
posto à prova,
- la sangre.
Mármore negro
tão frio: enlouquecemos
Mas antes a serra
colocada ao lado, eu e você
- la vida.
Sonhos triturados
tão ingênuos: enlouquecemos
Cismas, a vida chovendo
da janela do terceiro andar
Mas isto foi antes: vazio
- up, down, up, down
Foi ontem: acho que enlouqueci.



*** "Light and day", The Polyphonic Spree.

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Novembro 28, 2008

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Limpeza étnica

Deixa muito mais
branco

 

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Reciclagem de PET

Meu cachorro virou
sabão

 

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Privatização

L'État c'est
toi

 

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http://talidomida.blogspot.com/2007/05/blow-job-desistiu-de-soprar-cas

 


Blow job

Desistiu de soprar casinhas
e foi atrás da chapeuzinho

 

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Atrito

Menino do Rio
calor que provoca arrepio


07.02.2007

 

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e-pístola

de: paulo@yahoo.il
para: corintios@yahoogrupos.gr

 

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AVC

Freud explica:
isso é coisa da sua cabeça


06.12.2004 - 19h30

 

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Labirinto

Boi da cara preta, pega
esse heleno que tem medo de careta

 

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Polidactilia

Desde pequeno
era cheio de dedos

 

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Hawking

Li Einstein
numa sentada só

 

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Talidomida

Mãe, você pode me dar
uma mãozinha?

 

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Incompetência

Here comes the story of the hurricane
The one the authorities came to blame


29.08.2005

 

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Morando na periferia

Troco asteróide por planeta decadente
Tratar com Pequeno Príncipe


24.08.2006

 

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Antigo ofício

No ócio te resta
o vício do orifício

 

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Arquétipo

Forever jung
I want to be forever jung

 

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Big Brother

Raúl sabe
a importância de ser fidel

 

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Praça de São Pedro

Dois tiros e
Ali tombou o papa


13.05.1981

 

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Baía dos Porcos

Nós vamos invadir
sua praia


17.04.1961

 

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Satisfação

Jagger continua igual
e a Hebe Camargo também

 

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Hiroshima

O crisântemo brigou com a rosa
e a rosa o despedaçou

 

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Para o fim de semana

Dizem que
Londres tá bombando


07.07.2005

 

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Belas Artes

Vai, Adolf!
ser guache na vida.

 

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http://talidomida.blogspot.com/2008/04/habemus-papam-mas-ser-o-benedit

 


Habemus papam

Mas será
o Benedito?


19.04.2005

 

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http://talidomida.blogspot.com/2008/02/clich-mond-mond-vast-mond-se-me

 


Clichê

Mond mond vast mond,
se me chamasse garamond, seria um tipo muito batido

 

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http://talidomida.blogspot.com/2007/11/tratar-com-cromwell-procuro-pes

 


Tratar com Cromwell

Procuro pessoa
para montar república

 

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Novembro 29, 2008

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http://minimae.blogspot.com/2008/11/propensamente-insano-indelicada

Propensamente insano,
indelicadamente arredio.

Muito, muito, tímido.

E morto de medo,
de estar apaixonado.

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