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Maio 2008

Maio 15, 2008

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http://hay-tomates.blogspot.com/2008/05/recomeo.html

Após uma série de postagens sobre filmes inéditos (outros nem tão inéditos assim), recomeço com uma série contendo poemas de jovens autores - aqueles da chamada geração '00', ainda que eu tenha sérias restrições aos rótulos em geral, totalmente dispensáveis nesses tempos de tormentas e caos.
A idéia é postar um jovem autor(a) por dia. Vejamos se consigo manter a disciplina após tantos meses de exílio voluntário, dialogando insanamente com páginas e páginas de uma dissertação acadêmica que se mostrou tão útil quanto a manutenção deste blogue.



A jovem autora de hoje é ex-estudante de cinema, diretora de teatro, excelente poeta, companhia das melhores, amiga visceral, lúdica e extremamente inteligente. Muito, muito querida, enfim. Trata-se da carioca Diana de Hollanda, que mantém o blogue http://www.meuscotos.wordpress.com e publicou Dois que não o amor em 2007 pela 7 Letras. Diana tem outros poemas espalhados por aí.
felicidade universal é um embuste.
à maioria das tragédias.
o universalismo serve aos políticos religiosos idiotas não a mim.
que a fortuna seja mínima e sirva minimamente a poucos
contanto que sirva a mim.
felicidade universal tal como consciência universal
é de estupidez tamanha que posso pregá-las a todos
desde que esse todo me seja alheio miserável e EU durma feliz.
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a palavra é da ânsia.
do carente que se proclama suicida.
fala quem se afoga na brandura da esperança de ser compreendido.
se de verdade me for matar; neste dia, haverá só silêncio.
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não doíam. pousavam no pensamento, lençol à pele.
os dois, confinados no edifício das memórias, transparentes.
não se doíam, os dois que tinham se enlameado há poucos dias;
chafurdado em expectativas, terra ao lado.
como se não houvessem no solo úmido apalpado minhocas e alfaces,
os corpos não se doíam, embrulhados no asfalto do presente.
não doíam os dois dentro dos corpos que não se doíam,
e nada doía, que dores plantavam os homens crentes.

***"Gota d'água", Chico Buarque de Hollanda.

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Maio 17, 2008

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http://hay-tomates.blogspot.com/2008/05/thiago-ponce-de-moraes.html


Thiago Ponce de Moraes é poeta e editor da revista Confraria do Vento. Estuda Literaturas Inglesa e Norte-americana na Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Pesquisa a obra de Fernando Pessoa, é membro do Coletivo Vacamarela e da comissão organizadora da FLAP! Rio. Seu primeiro livro de poemas, Imp., foi publicado em dezembro de 2006. Escreve diariamente no blogue www.thiagoponce.blogspot.com.
Sobre a superfície
Assim principia: esculpes areia, é escuro. Sem rugas
darias fisionomia às datas - incólume paisagem no
entulho.
De passagem, prestes também ao inefável, emudeces,
mudas de figura: abbild und nachbild perdes, tudo
perdes, é escuro.
Ausência fia restos de sombra, vaga ressonância,
vultos: o não-dito, rente ao alcance que então significa,
esculpes.
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Psicotecelagem da vida cotidiana
Se não tiro das idéias
A singela tecelã...
Oh, tão bela tecelã,
Teça as bordas da manhã
Teça as bordas feito teias,
Feito veias, feito lã.
Se não tiro das idéias
A singela tecelã
Algum motivo deve haver?
Ouvi dizer que deve haver.
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Alheamento
Aqui jaz sob
Sono
Retorno algum.
Aqui jaz. Folhas
Ao longo e ao largo
Sonhas
Simples números, traços, coisas
Simples.
Tens pouca luz, tens
Bastante;
.........Entanto
Nadas - íris verdes -
....Juras.

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http://hay-tomates.blogspot.com/2008/05/urgente.html

FLAP! 2008 - Teste ao vivo hoje...


Se quiserem ver se funciona, transmitiremos um teste pra FLAP! 2008 hoje às 20h, horário de Brasília.
Estarei presente, ainda que toda 'endubida' por causa de uma gripe chata! As vaquinhas do Coletivo Vacamarela e outras pessoas fofas também estarão na maison do Caqui para a transmissão. Garantimos boas risadas.

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Maio 18, 2008

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http://hay-tomates.blogspot.com/2008/05/leandro-jardim.html

Leandro Jardim é carioca, poeta, letrista, compositor, comunicador e outras coisas mais em que o transforma o tempo. Recentemente lançou Todas as vozes cantam (7Letras, 2008), seu primeiro livro publicado oficialmente. Antes, porém, ele já havia editado de forma semi-artesanal e independente seus minilivros de minipoemas Gotas e Petálas, da série de 2006 que chamou de Poesia Presente. Série essa que já começa a ser ampliada com obras de outros autores como a Nathalie Lourenço que em 2007 apresentou seu Lusco-fusco no mesmo formato, editado pelo Jardim. Colaborador em diversos blogs Leandro Jardim centraliza sua criação no www.florespragasesementes.blogspot.com que apresenta links para seus diversos trabalhos.
*Mini-bio fornecida pelo autor.

(do silêncio)

palavras ao vento
quando não voltam
mostram seu dom de pássaros
estranha natureza
às vezes me faz preferir bumerangues

*do livro Todas as vozes cantam
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Só me restam palavras

Só me restam palavras.
Só, me restam palavras.
Some, restam palavras
e pontuações.

*do minilivro Pétalas
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Foi

Foi tão bom, tão bom,
que é ruim.
É ruim porque é foi.

*do minilivro Gotas

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Maio 19, 2008

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http://hay-tomates.blogspot.com/2008/05/pablo-araujo.html



Pablo Araujo vive no Rio de Janeiro desde 1981. Cursa Medicina na UFF. É co-editor da Revista Confraria do Vento: www.confrariadovento.com
*Mini-bio fornecida pelo autor.

De nada ou muito pouco
Adiantam o Livro......a Casa......a Roupa.
A Mulher- O Homem: equívoco de toda e maior explicação.
Obliqüidade do Amor: menos......mais......contra.
Ler ou escrever não são nada
se não........se vive e se é: Isto.
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Fúria: e não destrói as coisas.
Coloca-se cada coisa no próprio lugar
arruma-se..........e pronto: o que não há de chegar
o que há: não move um passo
o centro do gesto.........inteiro...........definitivo.
Antes e depois..........ainda enquanto.
..............................:......Por quantas vezes
ler tudo isto.............e não se sabe ler.
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Toda viagem é traição: o caminho do meio passa por extremos.
Pressentimento........Afinal:........
Ninguém o diz. Todos dizem. Um poema se faz e não se faz
o que não se vê o que não se ouve o que não se diz
o que não se sente o que não se pensa.......: a dança da dificuldade.
Há dias que não se sabe qual é o dia nem como os dias passam.
A verdade é que essa coisa de verdade e mentira é tudo mentira.
Pouco mais: pouco menos......Excesso. Falta tudo.
Qual é o jogo? Qual é a regra? Todos sabem. Ninguém o sabe.
a todo momento mudam-se regras e jogos.
Isto não se conta a ninguém......: Alguém. Alguéns. Qualquer um
pareceba quem e se puder..........E quando e se chegarmos?
Não sabemos muito bem o que faremos.
Não se trata de poema algum.....: a vida se faz e não se faz
por qualquer viagem que apareça
não há jogo..............regra nenhuma.........: Festa Furiosa.

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Maio 20, 2008

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http://hay-tomates.blogspot.com/2008/05/victor-del-franco.html


Poeta integrante do Coletivo Vacamarela e da comissão organizadora da Flap!. Em 2007, fez parte da organização do Festival Tordesilhas. Colaborador do Jornal de Literatura Contemporânea - O Casulo. Livros publicados: A urdidura da tramA (Giordano, 1998), O elemento subterrâneO (Demônio Negro, 2007). Blog: http://foton.zip.net
des
fio
o
fio
da
fi
na
malha
no
fio
da
na
valha
des
a
fio
*************************************************************************************
A arqueologia do homem
almoça e janta
as entranhas da terra
enquanto escava as ruínas
da própria existência
.....................sítio sem fundo
aqui
uma Pedra de Roseta no rim
e um crânio mumificado
.......................................................acolá
uma epiderme de manuscritos leprosos
e um branco sudário envolvendo um coração pagão
quem sabe ainda um farol
..................(de Alexandria?)
...................no fim do túnel.
*************************************************************************************
Escavação
em meio
a lugar nenhum,
ossos e resquícios
de uma história
..............mal
..............contada
a cidade
que emerge em
.................ruínas
revela seus
pequenos pecados
o fogo cerimonial é aceso
para conter a ira dos deuses
e o jovem guerreiro
oferece o coração
.................em sacrifício
sobressalto
de uma noite
em descompasso
falta de ar
transpiração
e o sol
ainda nem despontou
....................na moldura
....................do quarto
............Dédalo
ergue paredes tortuosas
em sua própria cabeça
travessia incerta
alucinação
a luz
........a luz
................a luz
travesseiro de pedra
ônibus
em circulação
.......vomitam
.......carbono
sem promessas
o dia amanhece
e ponto.
lavar o rosto,
espantar o sono
e encarar o fantasma
..................no espelho
trinta e poucos anos
- sim,
estes ossos devem pertencer
a um homem de uns
trinta e poucos anos
máscara sagrada
de algum ritual,
invocação dos espíritos:
...deuses da chuva
...deuses da terra
...deuses de todas
...as forças da Natureza,
abençoai nossas plantações
potes de cereais
- sim,
estes cacos de cerâmica
nos dão mostras
de uma civilização
bem desenvolvida
fazer as contas
na ponta do lápis
e separar o dinheiro
do supermercado
um quilo de batatas
meia dúzia de tomates
um pacote de arroz
de um solstício
............a outro
a Terra deixa sinais
de suas translações.

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Maio 26, 2008

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http://hay-tomates.blogspot.com/2008/05/ana-paula-ferraz.html

* Foto de Sissy Eiko
Ana Paula Ferraz é poeta e paulistana da safra de 1979.
porque os tempos são de guerra e a pista é vazia
desejei o colo do tanque
do canhão.
e assim amei o imoldável
até descolar pele de metal e perceber
os curtos braços
o longo asfalto
a pouca vista.
ficou em lugar algum minha luta
, que era outra.
blindado não abraça
e fui esmagada de cima dos trilhos.
*************************************************************************************
sou feita de profundezas
gargantas íntimas, uterinas
e grito –
estou de ecos até o pescoço.
nessas estreitezas de quente/frágil
sublimes vapores se adensam
ao toque
de amígdalas e estalagmites.
*************************************************************************************
aqui molhamos os pés na areia -
somos uns secos bancos brancos
cabisbaixos, desmergulhados
que confundem suas costas rasas
a de baleias.

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Maio 27, 2008

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http://hay-tomates.blogspot.com/2008/05/jlia-lima.html


Estuda Direito na Universidade de São Paulo (USP). É membro da Academia de Letras da FDUSP, trabalha na Secretaria Municipal de Cultura e é uma das organizadoras da FLAP!. Futura advogada, pretensa tradutora e escritora, mantém o blogue http://juliaeoquati.blogspot.com

Eleanor

That was just the logical consequence of walking away, the solitude of all the songs that you can't hear, all the colors you can't see and all the words you can't pronounce because: YOU ARE ALONE. And this insuperable condition was exactly what defined her, not who she once were, not who she was, not all she could ever be, the simple existence came down to two little words that nobody could spill out, otherwise the world would collapse in consciousness and they just couldn't le t that happen. All they did was let her suffer such collapse, isolated, making it look like she carried a contagious illness so distressful that the mere gaze of her eyes were enough to make me sick.
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Consumação
desiste, contrariado,
dos olhos entregues
que a ela não mais pertencem
aqueles esperados
cigarros esporádicos
(o isqueiro verde,
é o mais procurado, sabia?)
o novo arde no velho

evita olhá-los o fundo teme ver toda a verdade que queima
.....ansiosamente
no desejo de se revelar
sempre soube que eram seus
e que diriam palavras fantásticas
*************************************************************************************

Verdades Inconvenientes - I

você foi só
mais um pequeno
com o qual
eu tive de fingir

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Maio 30, 2008

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http://hay-tomates.blogspot.com/2008/05/ivan-antunes.html


Realiza atividades culturais na Casa Amarela, zona sul de São Paulo, Santo Amaro. Responsável pelo projeto "As treze visões do Largo Treze de Maio" contemplado pelo VAI em 2008. Estudante de Letras- USP (linguística/ Português), co-fundador do Coletivo Vacamarela, oficineiro do programa "São Paulo é uma Escola" foi um dos articuladores do Sarauê, mantém o blogue www.otatubola.blogspot.com e produz de tempos em tempos o Zine-Mentolado com poemas próprios.
Brasil
brasa-mora?
brother meu brow
brava gente
embriagada
de híbridos
pobremas
britadeiras cibernéticas
brotam
brevidades bregas
brejas e baladas dominicais
brejos de beijos e discursos
bricolados
na cabeça bruta
brasileira
braços armados
abrem no nosso futuro
embromam no nosso presente
brincam nas nossas crianças
enganam nossos mobrais
fazem
obras
refazem
obras
trasfazem
obras
brava gente mansa
massa
aceita abrigar
idéias ambrosais
odores brúmicos
gente usada e abraçada
abusada branca
pacífica demais
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Sexa Feira
sexa sexa sexa feira
dizia a atendente do supermercado
sexa feira gorda gorda gorda
sexa sexa sexa
queria emagrecer tudo a atendente
queria poder amar
transformar a sexa em sexo
em diet em sexa sussa light
a sexa era gorda gorda gorda
o patrão era gordo gordo gordo
o lucro era sujo e pesado
- não havia in natura que resolvesse o tal problema da obesidade.
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Mutações
carcarás
marcaram épocas
caravanas de carrancas
com pessoas mascaradas
que arriscaram novos cardápios
cartografaram novos terrenos
encararam a própria cara
da crise
criaram crimes
cremaram tradições
viajaram cactos e cabaças
deixaram manuscritos,
deuses, cristos
suas bochechas coradas
ainda enceram nossos sapatos.

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Maio 31, 2008

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http://hay-tomates.blogspot.com/2008/05/eliza-andrade-buzzo.html


Elisa Andrade Buzzo nasceu na cidade de São Paulo em 1981. É jornalista formada pela Escola de Comunicações e Artes da USP. Depois de seu primeiro livro de poesias, Se lá no sol (Rio de Janeiro, 7Letras, 2005), seus trabalhos apareceram em revistas e antologias como Caos portátil, poesía contemporánea del Brasil (Cidade do México, El Billar de Lucrecia, 2007) e Poesia do dia – poetas de hoje para leitores de agora (São Paulo, Ática, 2008). Co-edita a revista de literatura e artes visuais Mininas. Na internet, mantém o blog Calíope (http://caliope.zip.net) e uma coluna no Digestivo Cultural (http://www.digestivocultural.com).
Mulatinho classe A
........................................ Um moreno de alta classe
........................................ Não precisa harpa nem lira (...)
........................................ Sai dançando pela rua
........................................ Feliz por ser dos morenos.
........................................ (Cecília Meireles)
Vi nas ruas:
mulatinho classe A
óculos barba e celular
um tipo Machado de Assis
monóculo casaca e guaraná
estilo Cruz e Souza
colônia estrelas e tralalá
ou ainda Lima Barreto
com o tempo virou popstar
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Ilusórias sensações de estar no mundo:
a velocidade estonteante dos carros
o ruído que se espraia das borracharias
o chiado do rádio numa estação aleatória.
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vai madrugar?
Elisa A.Buzzo diz (00:50):
ai, este pais tao longinquo chamado msn
Rodrigo diz (00:51):
calma... isso são devaneios de quem está com sono...
Rodrigo diz (00:51):

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