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Outubro 26, 2010

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Acaba de ser lançado, ainda em formato digital, o meu novo livro de contos intitulado 'Saca-Rolhas'. A capa é do premiado Elder Galvão e o prefácio, de Ivan Angelo - duas vezes agraciado com o prêmio Jabuti. O livro está disponível, nessa versão, no Gato Sabido/Submarino: https://www.gatosabido.com.br/submarino/ebook-download/112201/sacarol Segue o prefácio: "Dez textos compõem este livro. Curiosamente, não há entre eles um que se chame Saca-Rolhas e não há referências a esse objeto nas suas histórias e não-histórias. Há claramente uma metáfora: os textos são instrumentos que o autor usa para desobstruir seus próprios gargalos, existentes ou imaginados, de rolhas da emoção ou da expressão. A escrita é fluida, a prosa corre bem. Há contos tradicionais, como o bem-realizado “A Sinhá”, primeiro da coletânea: há uma crônica bem-humorada, como “Malandros”, sobre flanelinhas e sua atividade inútil-oportunista; há momentos de emoção bem-medida, como em “Quando eu me perdi”; há um criativo conto safado, “A mão de Clarice”; há uma longa digressão, felizmente divertida, sobre regionalidades brasileiras, principalmente a brasiliense; há uma perambulação em torno do pequeno drama dos 30 anos, em “Homem aos 30”; há busca de efeitos, tratamento do texto, autoexplorações – e o que dá unidade ao conjunto é que tudo parece fazer parte do mundo de um mesmo personagem, tanto as inquietações à moda de artigo quanto as peripécias vividas por ele." (Ivan Angelo, duas vezes agraciado com o Prêmio Jabuti)

Postado por Roberto Domingos Taufick em Academia de Letras da Faculdade de Direito de São Paulo | 0 comentário

Fevereiro 24, 2010

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http://latrinadasletras.blogspot.com/2009/08/praiana.html


Sua sombra samba
Sobre as sobras
De sol e de sal.

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http://hay-tomates.blogspot.com/2009/05/make-it-new.html



O espírito do tempo - meu tempo. Zeitgeist privé; espírito. Não escrevo, não. Não consigo mais. Talvez amanhã. Enquanto isso, assisto novamente os filmes favoritos. Um por um. E o que encontro? Resposta. Nos lábios de um Sean Connery inspirado, interpretando um escritor. Finding Forrester.

Forrester: No thinking - that comes later. You must write your first draft with your heart. You rewrite with your head. The first key to writing is... to write, not to think!

*** "You´re gonna make me lonesome when you go", Madeleine Peyroux.



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http://hay-tomates.blogspot.com/2009/04/constatacao-ii.html


Aberrações devem ficar no circo, não no seu apartamento.
*** "Valsa dos clowns", Chico Buarque.

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http://hay-tomates.blogspot.com/2009/04/convite.html







COLEÇÃO POESIAS DE ESPANHA



Os 70 anos do encerramento da Guerra Civil Espanhola, um dos episódios mais cruéis e de maior impacto do séc. XX, serão lembrados no dia 1º de abril de 2009. Para marcar a data, a editora Hedra lança, no dia 3 de abril na Casa das Rosas, a coleção Poesias de Espanha: das origens à Guerra Civil, uma antologia poética em quatro volumes que reúne as literaturas galega, espanhola, catalã e basca, todas elas profundamente marcadas pela Guerra Civil Espanhola.

Os volumes que serão lançados, intitulados Poesia galega, Poesia espanhola, Poesia catalã e Poesia basca, todos com o subtítulo “das origens à Guerra Civil”, reúnem uma seleção de poemas e autores representativos dos principais períodos históricos de cada literatura, desde suas origens como manifestação literária, a partir do séc. XII, até a Guerra Civil Espanhola, encerrada em 1º de abril de 1939.

O corte temporal, além de abarcar as origens da poesia de cada uma das línguas, destaca a importância da Guerra Civil Espanhola para as quatro literaturas, simultaneamente como elemento de ruptura e fator de convergência, na medida em que representa o desaparecimento de toda uma geração de escritores perdida na guerra ou no exílio.

Com organização e tradução de Fábio Aristimunho Vargas, a antologia conta ainda com um amplo aparato crítico: uma apresentação geral à coleção seguida dos prefácios específicos para cada língua, notas biobibliográficas dos autores e poemas, um quadro sinótico, fonética sintática e guia comparativo das ortografias portuguesa, galega, castelhana, catalã e basca.

Entre os autores reunidos figuram nomes tão diversos como Martim Codax, Rosalía de Castro, Manuel Antonio (Poesia galega), Gonzalo de Berceo, Garcilaso de la Vega, Federico García Lorca (Poesia espanhola), Ausiàs March, Jacint Verdaguer, Bartomeu Rosselló-Pòrcel (Poesia catalã), Bernat Etxepare, José María Iparraguirre, Lauaxeta (Poesia basca), entre vários outros, além de composições e cantigas de origem popular.

O livro dedicado à poesia catalã foi premiado pelo Institut Ramon Llull, entidade responsável pela projeção no exterior da língua e da cultura catalãs, com sede em Barcelona, com a concessão de apoio à tradução em 2009.



SOBRE O ORGANIZADOR

Fábio Aristimunho Vargas é professor, escritor e advogado. Cursou direito e letras na USP. É mestre em direito internacional pela USP, especialista em direito internacional privado pela Universidad de Salamanca e especialista em estudos bascos pela Fundación Asmoz de Eusko Ikaskuntza e pela Universidad del País Vasco. Traduziu para o português os livros Atlas: Correspondência 2005--2007 [Edicions sèrieAlfa, 2008], do poeta valenciano Joan Navarro e do artista plástico catalão Pere Salinas; La entrañable costumbre [Mantis Editores, 2008], do mexicano Luis Aguilar, entre outros. É co-organizador e tradutor ao castelhano da coletânea de jovens poetas Antologia Vacamarela: português, espanhol e inglês [Edição dos autores, 2007]. Mantém o blogue medianeiro.blogspot.com



DEBATE E RECITAL

Paralelamente ao lançamento haverá um debate e um recital quinquelíngue de poesia. O debate abordará o tema “O impacto da Guerra Civil nas literaturas galega, espanhola, catalã e basca”. Dele participarão Estebe Ormazabal, professor de língua basca; Miguel Afonso Linhares, linguista e professor de espanhol em Roraima; Fábio Aristimunho Vargas, organizador e tradutor da coleção Poesias de Espanha, e Paulo Ferraz, poeta e editor.

No Recital Quinquelíngue, escritores convidados farão leituras de poemas em galego, castelhano, catalão e basco, com as respectivas traduções ao português. Participarão das leituras, entre outros escritores, Alfredo Fressia, Ana Rüsche, Andréa Catrópa, Dirceu Villa e Ruy Proença. Ao final, serão apresentados vídeos com canções e baladas antigas.



APOIO
Institut Ramon Llull
Casa das Rosas



DIVULGAÇÃO
Euskal Etxea Brasil
Associação Cultural Catalonia
Coletivo Vacamarela
Instituto Cervantes



SERVIÇO
Coleção Poesias de Espanha, em quatro volumes: Poesia galega: das origens à Guerra Civil, Poesia espanhola: das origens à Guerra Civil, Poesia catalã: das origens à Guerra Civil e Poesia basca: das origens à Guerra Civil, editora Hedra, 2009.
Organização e tradução Fábio Aristimunho Vargas
· Lançamento: dia 03 de abril, a partir das 19h
· Debate: O impacto da Guerra Civil nas literaturas galega, espanhola, catalã e basca.
· Recital quinquelíngue com a participação de escritores convidados.
Casa das Rosas
Av. Paulista, 37 -Bela Vista – São PauloFone: 11 3285-6986/ 3288-9447Funcionamento: de terça a sexta, das 10h às 22h. Sábados e domingos, das 10h às 18h.



INFORMAÇÕES À IMPRENSA

Marcele Rocha
11. 9417 – 0169 11. 3097 – 8304
marcele@hedra.com.br

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http://hay-tomates.blogspot.com/2009/03/sobre-aquelas-lavas-todas.html

Esta é a hora da expansão, do viver verdadeiro.
Todo o resto foi uma preparação.
A verdade é que sou inconstante,
com estímulos sensuais em muitas direções.
Fiquei docemente adormecida por alguns séculos,
e entrei em erupção sem avisar.


*** "Human nature", Miles Davis.

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http://hay-tomates.blogspot.com/2009/03/intermezzo.html

Quase nunca faço isso, quer dizer, ler dois livros ao mesmo tempo. Fico confusa, sabem? Também porque esse procedimento interrompe meu processo compulsivo. Explico: quando o livro é muito bom, gosto de lê-lo, assim, numa tacada. Os últimos livros que foram alvo da minha mania compulsiva foram Amor, da Toni Morrison - lido em 3 noites (covardia! o livro é relativamente curto); PanAmérica, do José Agripino de Paula - lido em uma semana (tive que parar e me aprofundar em certos dados que o autor apresenta, dã!) e o terceiro e último foi O fio das missangas, do Mia Couto - livro fantástico, cujo trechinho deixo aí abaixo porque o cara é um monstro. Recomendo.
OBS: E pensar que um dia cheguei a achar que ele era ela. Mia? É, tal como a Mia Farrow, ex do Woody Allen. Ai, ai, essas meninas pouco sabidas...
Regressava a horas, entrava em casa pelas traseiras para não chorar ante os olhos sofridos de minha mãe. Minha fatia de tristeza era uma ofensa perante as verdadeiras e inteiras mágoas dela. Regressava depois do quarto, olhos recompostos, fingindo uma alegriazita. Minha mãe se apercebia do meu estado, desembrulho sem prenda. E me dava conselho:
- Sonhe com cuidado, Mariazita. Não esqueça, você é pobre. E um pobre não sonha tudo, nem sonha depressa.
COUTO, Mia. Meia Culpa, meia própria culpa. In: O fio das Missangas. São Paulo: Companhia das Letras, 2009, p. 41.
*** "Não enche", Caetano Veloso.

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http://hay-tomates.blogspot.com/2009/03/autofagia.html


Este post se auto-destruirá em 48 horas.




[Pronto, destruiu-se].





*** "Bluemoon", Michael Bublé.

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http://hay-tomates.blogspot.com/2009/03/o-velho-wilde.html

Dante and Virgil in Hell, William Adolphe Bouguereau.

A melhor maneira de se livrar de uma tentação é render-se a ela.
Oscar Wilde.
[Hum, será?]
*** "My kinda love", Sarah Vaughan.

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http://hay-tomates.blogspot.com/2009/03/constatacao.html



Morremos daquilo que nos seduz.

*** "Na carreira", Chico Buarque e Edu Lobo.

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http://hay-tomates.blogspot.com/2009/03/das-coisas-que-nao-se-le-mas-se


Tu tens um medo:
Acabar.
Não vês que acabas todos os dia
Que morres no amor
Na tristeza
Na dúvida
No desejo.
Que te renovas todo o dia
No amor
Na tristeza
Na dúvida
No desejo.
Que és sempre outro
Que és sempre o mesmo
Que morrerás por idades imensas
Até não teres medo de morrer
E então serás eterno.

Cecília Meireles, Cântico VI.

E digo que a Cecilinha teve os seu Cânticos relançados por uma dessas editoras poderosas aí, que deram pra usurpar o sacro ventre dessas mulheres incríveis e publicá-los em livros como se fossem receitas de pudim de pão barato. Barato? Ah, é, mas nem isso os tais livros são! O IMS- Instituto Moreira Sales -, por exemplo, lançou um livro com a obra (quase) toda da Ana C. - todo rosa, como se ela precisasse disso pra ser sensacional! - e está cobrando a módica quantia de 70 Reais! Um abuso, não acham? Ainda bem que elas não precisam das lágrimas e das astúcias femininas todas pra serem mulheres talentosíssimas. Elas apenas são.
Aliás, nessa linha é-cor-de-rosa-shocking, a Ana Rüsche está ministrando um curso lá na Alceu. Apareçam: está rolando uma ginástica com umas "senhouras" bem incríveis e que permanecem intactas depois de terem tido o ventre igualmente usurpado por editoras e coisas malévolas assim, toc, toc, toc.
Au revoir!
*** "Dancing with myself", Nouvelle Vague.

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http://hay-tomates.blogspot.com/2009/03/das-coisas-que-se-le-nas-noites

Circle of Hell, Fred Cress.


Tenho que ter paciência para não me perder dentro de mim: vivo me perdendo de vista. Preciso de paciência porque sou vários caminhos, inclusive o fatal beco-sem-saída.
Marisa tem em si água e deserto, povoamento e ermo, fartura e carência, medo e desafio. Tem em si a eloquência e absurda mudez, a surpresa e a antiguidade, o requinte e a rudeza.
E assim sou, simples e sensível, capaz de impulsos violentos e absorventes, maus e bons, nobres e vis, mas nunca de um sentimento que subsista, nunca de uma emoção que continue, e entre para a substância da alma. Tudo em mim é tendência para ser a seguir outra coisa; uma impaciência da alma consigo mesma, como uma criança inoportuna; um desassossego crescente e sempre igual. Tudo me interessa e nada me prende.
LISPECTOR, Clarice. Um sopro de vida.
*** "Ways & Means", Snow Patrol.

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http://hay-tomates.blogspot.com/2009/03/exercicio-anomalo-i.html

Unknown, Maggie Taylor
Não sei onde está. Respira, funga, tosse. Pulmão tumultuado, mãos embaralhadas. Come with me Come with me My babe. Tão tarde tão cedo, tão tão tão. Deixa-me, solta, livra-me das amarras. Não quero, quero você. Não, não quis nascer não. Não quis, respira. Afogo. Beija. Não solta, deixa. Fica. Vá pra casa, a chave, a chave, a chave. Fica não fica. Diz sim. As ruas mortas, tanto sangue. Tela escarlate, pulsando, febril. Fica! Não vá. Quero. Deixa-me viver. Afoga - é tanto gás, não respiro. Digo não solta. Vive, diz que fica. Então não digamos mais. Não quero você. Hoje ontem amanhã, depois. Fale você, diga. Eu não. Vamos, falemos, cuspamos. Vomite, você. Diga que sim, que não você. Respiro mais mais. Não mais.
*** "My funny valentine", Chet Baker.

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http://hay-tomates.blogspot.com/2009/02/cotidiano.html

Imagem do Hubble.



Considerar: 1. do latim considerare: estar com as estrelas.

E às vezes é tão difícil, não é?



*** " Moanin' ", Art Blakey.

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http://hay-tomates.blogspot.com/2009/02/all-that-jazz.html

Thelonious Monk
Compulsão: (s.f.) 1. imposição interna irresistível que leva o indivíduo a realizar determinado ato ou a comportar-se de determinada maneira.
Maldito Ipod. Agora posso brincar - diariamente, se assim me agradar - com os 16 Giga de jazz e blues que armazenava no computador. Uma criança! Durmo tarde. Muita música, acordes demais - e lucidez de menos, desconfio. Semana de pianistas, essa. Começou com o Hancock na semana passada e foi descambando um dia após o outro: Duke Ellington, Bill Evans, Chick Corea, Michel Camilo, Brad Mehldau, Keith Jarrett...Daí caí com graça nos braços do Oscar Peterson e na perdição de Alice in Wonderland! Hoje estou mais, hum, er, cof, cof, óbvia: Monk. Doses cavalares. Precisamente desde às 23:24 hs de ontem. I mean you, Monk & Art Blakey, neste momento.
Mas escrevo mesmo por uma questão de sobrevivência. Minha, de fato. Há alguma alma caridosa aí do outro lado disposta a me ceder uma versão em mp3, mp4, rar, etc. de uma certa Dexter´s Tune, de um certo Randy Newman, parte de uma certa trilha sonora de um certo filme com o De Niro? Os altruístas podem enviar a raridade pro: amarossi@terra.com.br
Não sou nada boa com essas promoções e vendas casadas. Também não vendo terreno no paraíso, mas de repente o bom coração pode valer uma cerveja, who knows?

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http://hay-tomates.blogspot.com/2009/02/dialogos-iii.html

Self Portrait, Nan Goldin.
R.,

Suas palavras são muito fortes, mas isso eu já disse antes. O que eu não disse é que também ando trocando e-mails com aquela amiga e a temática é praticamente convergente, isto é, tanto você quanto ela estão passando por angústias semelhantes - e encontraram uma espécie de diluidor que, não por acaso, sou eu. Talvez ontem eu não tenha explicado bem a situação, afinal aquele Herbie Hancock afeta o raciocínio de qualquer um. Em resumo, muitos e-mails pungentes arrebentando as muralhas aqui dentro. Lembrei, então, de um poema - e de uma foto da Nan Goldin - que nos remetem a essas várias (e inevitáveis) coisas. Serão provavelmente meu próximo post no blogue. Por enquanto, envio para você. Porque às vezes, querido, um sorriso é só um sorriso.
Museu Cotidiano

Esquecer para lembrar: centelha inglória
da renúncia, palavras turvas, membros inertes
– muletas de causa/efeito para maior
segurança dos instintos – o corpo, fábrica
de flertes, quer abrigo, pares e poros,
um pouco de atrito – este nó que de tão
cego não desata nem sacia (tarde de maio
ou joy forever?) – exilados da carne a
envenenar-se de espírito, fardos mutuamente
inúteis – agora deixa sangrar: uma
fina, milenar garoa, salpicando carbono
em flores fósseis (voltem sempre).
Leonardo Martinelli, em Dedo no ventilador.

*** "Unfinished sympathy", Massive Attack.


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http://minimae.blogspot.com/2009/08/e-se-eu-estiver-condenado-viver

E se eu estiver condenado a viver sozinho?
Estamos nos afastando rápido,
e já não tenho notícias suas há séculos.

Você não vai conversar comigo depois,
você não me perdoou, e eu,
bem, eu não consigo me preocupar.

Talvez esteja na hora,
talvez a gente nunca tenha se gostado tanto assim.
Mas caralho,
parecia muito que éramos bons amigos.

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Fevereiro 23, 2010

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http://hay-tomates.blogspot.com/2009/10/inedito.html

inédito:

1. que não foi publicado: um documento inédito.
2. novo, original: um filme inédito.


Ballad of sad cafe

I

Eros e Tanatos.
Dizem que dançam
fox-trot desde que
o sol deitou sobre
o mar de Mykonos:
Fiat lux.

Então, querido, antes
que chicotes floresçam
na palma das mãos
e a mágoa apodreça o ar
Antes ainda da pena,
do desgosto, das línguas de fogo
antes que restem somente
assobios, olhares de chumbo
Que oceanos se
suicidem na areia.

II

Não. Beijo, mordo
nos flancos, injeto
primaveras no peito:
E.V.
O músculo entoará
cânticos - lírios -
mezzo-soprano.
Sabe: não embarco
naquele trem.

III

Os amores mais brilhantes
apagam. O sol de maio
impõe suplícios. Torturas,
amarras, ataduras.
Cicatrizes jamais lacradas:
Xanax.

IV

Beijo.
O universo perece. Sei.
Escravizo espíritos:
Assim.

*** "More than you know", Jane Monheit.

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Fevereiro 22, 2010

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http://latrinadasletras.blogspot.com/2009/08/rumo.html


Com os cegos de mil olhos
E mil pernas
Faço fila e vou marchando
Linha reta.

Abro um a um os olhos,
Faço a curva
E mil pálpebras abertas
Visão turva
Andam em círculos

Furo os olhos e me entrego às minhas penas.
Pra lugar nenhum vou caminhando apenas.
O caos é via de pedras amarelas
Pernas vão, pernas vêm, e eu vou com elas.

Mas, escravo da caminhada eterna
Amputo as minhas próprias pernas
E na alforria louca dos sapatos
Me liberto de todos os atos
Que teimam em me levar
A qualquer canto.

De repente me espanto
E me vejo enclausurado
Entre o estar como ação
E o ser como estado.
Fico sendo o Por-Enquanto.

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http://altctrlodel.blogspot.com/2009/03/resposta-ao-gabs.html

Mofado Caio De Um Sonho De Uma Noite De Verão

Em Uma História Sem Fim De Cinema!”

(ou Rascunho de Dragão em IV Ondas)


I.

além do jardim


ninguém fala a mesma língua

as dádivas cobradas selvagens

nos furtam do concreto

a alma distraída

que nos guia pela rua


o único de cada hora

é a repetitiva visão do amanhã


só que o azul do céu não é o sol

mas a tristeza da hora de partir


parto


II.

o coração leve


na monotonia da inconstância

todos filmes que chorei

são livros lacrados


obliteração fluida

de 1.000rps por semanas


não a freqüência constante das marés

mas a chuva de verão

a tempestade tropical

o furacão


o coração leve é o olho do furacão


III.

cada um está só no coração do mundo

atravessado por um raio de sol

e súbito crepúsculo


sem me ter, todo dia se arrasta

comigo, nenhuma noite é muito longa

… me ame menos, mas me ame por muito tempo


como se pudesse manter suspenso no ar

o coração leve – sempre há ventania,

sempre há tempestade tropical;


o coração leve é o olho do furacão

cercado pelos relâmpagos lendários do

oriente deste vendaval

enquanto desafiamos a gravidade


nos manter com todo peso em guarda – roupas encharcadas

de perto eletrizadas, sem tocar (por

medo das baforadas) – não dá pra seguir em frente

não dá pra deixar pra trás – nós

desafiando a gravidade


enquanto dançamos na beira do precipício contra-ad-

mirado mundo novo ao

som dos trovões se aproximando o

toque – não


podemos encher o espaço, um ao outro, preenchemos dentro de cada metade, adiante o inevitável colapso dos mundos, aproximando sem tocar, matemáticos contra os dragões, prenhes em cada fração fissurável até esgotar a leveza

engravida-de

parto


IV.

vestígios de um dia


você não dorme com o Gim, mas ele acorda com você

linguando a ressaca seca, irriga a garganta e gargalhada de perfume

mistura pau-no-pau o cheiro de borracha-de-vênus metida a lagartixa

num sol que não dura o sábado

a primeira escolha da manhã – 1ª


a madrugada divaga quem é você,

mas o dia só pergunta o quê fazer com ele...


e nada que explique o amanhecer vai te levar ao fim da noite /


eu sou um bocado

bêbado, um bocado viado, um bocado

louco, um bocado escritor;


mas um bocado é apenas um pedaço,

algo que explica quem é você ao fim do dia...


nas fossas marinhas das conversas de bar?!


Nenhum comentário de boutique, palavrão fora de hora, ou filosofia amanhecida de sexta-feira torna mais fácil levantar da cama e decidir o que fazer da sua vida.


Vá estereotipar a sua mãe!

(e não esqueça de converter o betamax em blue-ray, pra não ficar pesado...)

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