
Com os cegos de mil olhos
E mil pernas
Faço fila e vou marchando
Linha reta.
Abro um a um os olhos,
Faço a curva
E mil pálpebras abertas
Visão turva
Andam em círculos
Furo os olhos e me entrego às minhas penas.
Pra lugar nenhum vou caminhando apenas.
O caos é via de pedras amarelas
Pernas vão, pernas vêm, e eu vou com elas.
Mas, escravo da caminhada eterna
Amputo as minhas próprias pernas
E na alforria louca dos sapatos
Me liberto de todos os atos
Que teimam em me levar
A qualquer canto.
De repente me espanto
E me vejo enclausurado
Entre o estar como ação
E o ser como estado.
Fico sendo o Por-Enquanto.
Nascemos dispersos, estranhos ao decalque esperado pelo molde. Uma obra nascida do erro, cujo traço engrandece o conjunto – sem nunca fazer parte. Cujo autor nunca reconhece. Somos arte. Somos a transgressão original
Gritamos e protegemos. Nos justificamos. Nosso primeiro refúgio, o sorriso desarmante, denominaria o nosso tipo ~ eternamente alegres por viver; este esgar deslumbrado nos esconderia muito no futuro – somos falsos. Somos fadas, demônios, duendes, teatro, somos as asas
Em busca da liberdade de um palco
E voamos longe pra nos entender. Sem você pedir. Aprendemos inglês, fomos estudar fora, viramos comissários, turistas profissionais, diplomatas até. Nós abrimos as fronteiras deste mundo e conquistamos as Índias
Mas você não estava lá
[←] os que ficaram enlouqueceram. Fugiram para dentro [de si] o negro do universo. A minha gente drogada, reclusa ou chorando [...] alimentando o câncer [nós chacinamos os sonhos de bilhares] e além__ Terias meu coturno em sua casa, se não nos matássemos aos quinze anos. Somos adúlteros, nazistas e suicidas
Então emigramos
Fugimos para as maiores cidades do planeta e construímos nossos guetos. Brigamos, marchamos por eles. Fomos grandes. Mas vocês estavam longe,
e nos perdemos em nossa solidão. Perdemos nossa moral. Viramos estetas, hedonistas, narcisistas. Optamos por esquecer a nossa dor, e redesenhamos o mundo. Coreografamos e estilizamos e fotografamos até construir o nosso conto-de-fadas
Até que a praga veio
E vocês nos jogaram na cara que fazíamos parte do seu mundo. Debaixo de toda maquiagem, dança e erudição, precisávamos crescer. E nós não tínhamos tempo. Queríamos ser adolescentes depois dos vinte anos, recuperar o não aproveitado, entende? E toda uma geração se perdeu. Somos aidéticos
E o peso deste novo sangue urrou de dor
Reconstruímos nossas casas, nossos bairros, e o gueto abriu as portas para que marchássemos. Não tivemos uma diáspora, nascemos dispersos. Na regra da ironia das denominações, correríamos o mundo tentando virar caricaturas – nossos rostos de palhaços tristes (e maldosos) evitaRiam o contato mútuo na idade – mas tenho medo de morrer só. E agora iríamos nos reunir
Que cada porta fosse marcada com uma bandeira
Que cada bairro de cada cidade gritasse: estamos aqui e não vamos morrer sós.
Uma vez por ano, amor, escancaramos as portas dos nossos guetos, nos organizamos como uma comunidade e tentamos voltar pra casa. Uma vez por ano eu sou a regra, e não a exceção. Uma vez por ano eu ando em nosso bairro e meu povo pendura bandeiras nas portas das casas, e eu não preciso procurar a outra ponta do arco-íris
E eu me lembro de você, e de como era gostoso estar em casa contigo
Quem sabe estar em nossa sala e encontrar o seu sorriso este domingo. Eu tento encontrar forças nas esquinas deste bairro. Enquanto isso eu marcho. Para lembrar ou esquecer. Mas sei que aqui estão nossos restaurantes, aqui estão nossas boates, nossos bares, teatros, galerias, casas. E aqui eu vou marchar. Os peregrinos seguem para os templos, o ano-novo fica no bairro oriental, as quermesses nos bairros italianos e as paradas nos bairros gays
E marcharemos em desfile até todos estarmos em casa
E o seu povo marchar com o meu povo
Só não demore, pois tenho saudades.
Altivo Oliveira Neto
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Canal certo, veículo usual, autores consagrados. Onde estava? Meio de semana ordinário, problemas?, sim. Algo errado! Notícias pedindo botóx, mas algum schrubles emanava positivismo de psico-esoto-baboseira. Seria um vírus-hippie? Cadê a desesperança da imprensa? Chato não era, só instigava. Quadro após quadro as prisões, brigaiadas e posicionamentos pareciam ir para algum lugar. Dava mais medo que um Emo. Dia tosco. Nunca tive pressa de chegar no “para onde vamos”. E se eu não gostar do lugar?
Existencialistas-de-merda são péssimos agentes de viagem; eu provavelmente acabaria com um bilhete de retorno da Varig (bem feito por trepar com leitores de Sartre). Mas, se estávamos indo, era melhor eu descobrir a destinação e me preparar.
“
- Vocês não tão entendendo nada, né? Puxa o controle e vamos reduzindo
Trinta-e-três é o sentido da vida ou é quando entramos numa sala de conferência para discussões mais aprofundadas? Como o sentido da vida não devia ser o inferno, tava mais pro número da sala. Mas demora pra descobrir...
A primeira pessoa confiável que voltou do Tibet me garantiu ter ouvido do Lama que a resposta era 33. Eu estava com um terço da minha filosofia de vida resolvida... Até que fiquei preso numa fila com um numerólogo cabalista. Inferno. Cismou de entregar que 3 é o eterno e que aos 33 anos (ele devia ser cristão...) me depararia com uma “crise espiritual”. Puta troço chato. Mas como eu não queria virar um cabaço-balzaquiano-gatão-radical-chic-em-crise, resolvi viver só até os 32. Viva Cazuza! Viva Cássia Eller!
Adonai seja louvado! Se você for acreditar em cabala, é melhor ouvir de um Rabino do que da Madonna. Ou, pelo menos, de um judeu. Perguntei num jantar e levei uma sacaneada. Você encontra um
Mas isso não resolvia meu problema com o jornal...
Se todo mundo estava se deparando com a existência ao mesmo tempo, aí tinha. Em alguma página, alguma notícia tinha que explicar aquela crise de positivismo-hippie entre os jornalistas. E lá estavam elas na página 3:
Solstício: O que fazer na mais longa noite do ano?
Morte: Comoções durante homenagem a Bussunda.
Incertezas: Brasil deverá efetuar mudanças na Copa?
Entrei em crise, sinto muito...
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“Mofado Caio De Um Sonho De Uma Noite De Verão
Em Uma História Sem Fim De Cinema!”
(ou Rascunho de Dragão em IV Ondas)
I.
além do jardim
ninguém fala a mesma língua
as dádivas cobradas selvagens
nos furtam do concreto
a alma distraída
que nos guia pela rua
o único de cada hora
é a repetitiva visão do amanhã
só que o azul do céu não é o sol
mas a tristeza da hora de partir
parto
II.
o coração leve
na monotonia da inconstância
todos filmes que chorei
são livros lacrados
obliteração fluida
de 1.000rps por semanas
não a freqüência constante das marés
mas a chuva de verão
a tempestade tropical
o furacão
o coração leve é o olho do furacão
III.
cada um está só no coração do mundo
atravessado por um raio de sol
e súbito crepúsculo
sem me ter, todo dia se arrasta
comigo, nenhuma noite é muito longa
… me ame menos, mas me ame por muito tempo
como se pudesse manter suspenso no ar
o coração leve – sempre há ventania,
sempre há tempestade tropical;
o coração leve é o olho do furacão
cercado pelos relâmpagos lendários do
oriente deste vendaval
enquanto desafiamos a gravidade
nos manter com todo peso em guarda – roupas encharcadas
de perto eletrizadas, sem tocar (por
medo das baforadas) – não dá pra seguir em frente
não dá pra deixar pra trás – nós
desafiando a gravidade
enquanto dançamos na beira do precipício contra-ad-
mirado mundo novo ao
som dos trovões se aproximando o
toque – não
podemos encher o espaço, um ao outro, preenchemos dentro de cada metade, adiante o inevitável colapso dos mundos, aproximando sem tocar, matemáticos contra os dragões, prenhes em cada fração fissurável até esgotar a leveza
engravida-de
parto
IV.
vestígios de um dia
você não dorme com o Gim, mas ele acorda com você
linguando a ressaca seca, irriga a garganta e gargalhada de perfume
mistura pau-no-pau o cheiro de borracha-de-vênus metida a lagartixa
num sol que não dura o sábado
a primeira escolha da manhã – 1ª
a madrugada divaga quem é você,
mas o dia só pergunta o quê fazer com ele...
e nada que explique o amanhecer vai te levar ao fim da noite /
eu sou um bocado
bêbado, um bocado viado, um bocado
louco, um bocado escritor;
mas um bocado é apenas um pedaço,
algo que explica quem é você ao fim do dia...
nas fossas marinhas das conversas de bar?!
Nenhum comentário de boutique, palavrão fora de hora, ou filosofia amanhecida de sexta-feira torna mais fácil levantar da cama e decidir o que fazer da sua vida.
Vá estereotipar a sua mãe!
(e não esqueça de converter o betamax em blue-ray, pra não ficar pesado...)
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via Hay tomates!
Reseña en O Globo sobre el libro de poesía vasca, catalana, gallega y castellana de Fabio Aristimunho
El diario brasileño 'O Globo' publicaba el pasado sábado, 10 de octubre, un artículo y reseña sobre la colección de cuatro volúmenes sobre poesía española, gallega, catalana y vasca, respectivamente, publicado en portugués por el escritor y traductor brasileño Fabio Aristimunho Vargas, de mano de la editorial Hedra. Bella Jozef firma el texto, titulado 'Muchas caras de un país', en el que califica la obra como de una buena oportunidad de conocer obras de no fácil acceso para los lectores brasileños, calificando la breve antología como de un llamado de atención al aficionado, y un aviso de que "hay más literatura española, catalana, gallega y vasca" por descubrir.
Sao Paulo, Brasil. Como recordarán nuestros lectores, cada uno de los cuatro volúmenes de esta colección realiza una presentación general a la poesía de una de las cuatro lenguas mencionadas, bajo los títulos de 'Poesia espanhola das origens à Guerra Cilvil', 'Poesia galega das origens à Guerra Civil', 'Poesia catalá das origens à Guerra Civil', y 'Poesia basca das origens à Guerra Civil'.
Los cuatro volúmenes son asimismo pequeñas antologías bilingües, en la lengua original más la traducción al portugués, realizado todo ello bajo la coordinación y traducción de Fabio Aristimunho Vargas, publicado por la Editorial Hedra, con 160 páginas, 128 páginas, 160 páginas y 160 páginas, respectivamente, y a la venta a un precio de 15 reales brasileños (1 real, aproximadamente 0,58 dólares estadounidenses) por volumen.
La reseña señala, entre otros valores que posee la colección, el de llamar la atención al lector brasileño o en lengua portuguesa sobre unas literaturas --particularmente las gallega, catalana y vasca-- sobre las que no tiene fácil acceso, con la virtud de que la antología recoge los poemas y textos originales seleccionados junto a su traducción portuguesa, lo que posibilita un contacto directo con las obras y las lenguas. Si lo que has visto te ha llamado la atención, parece decir, "que sepas que no es sino una pequeña muestra, porque hay mucho más".
Brasilgo 'O Globo' egunkari garrantzitsuak, Fabio Aristimunho Vargas poeta eta itzultzaileak espainiar, galiziar, katalan eta euskal poesiez portugesez plazaratu dituen sail bereko lau liburuez artikulu erreseina argitaratu zuen joan den ostiralean. Bella Jozef irakasleak sinatzen du lana 'Herrialde baten aurpegi anitzak' izenburupean, eta aukera edertzat jotzen ditu liburuak Brasilen gutxi ezagutzen diren literatura hauetara hurbildu eta konturatzeko horra bildu dena zatiño txiki bat baino ez dela.
Sao Paulo, Brasil. Orrialde hauetan aurretik ere azaldu bezala, jatorri euskalduna duen Fabio Aristimunho brasildarraren lau liburukiok aurkezpen orokorra egiten dute lau literatura horietako bakoitzari buruz, honako izenburuez: 'Poesia espanhola das origens à Guerra Cilvil', 'Poesia galega das origens à Guerra Civil', 'Poesia catalá das origens à Guerra Civil', eta 'Poesia basca das origens à Guerra Civil'.
Aurkezpen orokor hori biltzeaz gain, liburuki bakoitza antologia txiki edo labur bat da, hautatutako poema bakoitzaren aldamenean, jatorriko hizkuntzan alegia, itzulpen portugesa dakarrelarik, guztia Fabio Aristimunho-ren itzulpenez eta bere koordinaziopean egina. Argitaletxea Editorial Hedra da eta liburukiek 160 orrialde, 128 orrialde, 160 orrialde eta 160 orrialde dauzkate hurrenez-hurren. Bakoitza Brasilgo 15 errealetan dago salgai (errealak, 0,58 dolar estatubatuar balio du gutxi gora behera).
O Globok argitara emandako artikuluak irakurle eta zaletu brasildarrari edo portuges hizkuntzaz irakurtzen duenari normalean eskura ez dauzkan errealitate eta literatura batzuetara hurbiltzeko aukera polita izana aipatzen du, kontaktu hori aregotzen delarik poema bakoitza jatorriko hizkuntzan ekartzearekin, portugesezko itzulpenarekin batera. Asmoa erakartzea bada, lortzen du helburua, egarria edo gosea pizten baitu zer gehiago dagoen poesia eta literatura horietan jakiteko.
via Medianeiro
via Hay tomates!
Entre os dias 1º e 10 de maio foi realizado o Salão Internacional do Livro - Foz do Iguaçu 2009. Participei do evento com o lançamento da Coleção Poesias de Espanha, no dia 4, ocasião em que fiz uma palestra sobre "Os 70 anos da Guerra Civil Espanhola e seu impacto nas literaturas galega, espanhola, catalã e basca". Eis as fotos da minha participação:


Auditório cheio
Minha mãe



Minha irmã Tania lendo Garcilaso de la Vega
Meu alunos também leram, como a Adriana
Vera, minha aluna de Filosofia, lendo Santa Teresa de Ávila
Com meus alunos de RI
Marineuza, minha aluna de Direito Internacional
Com a Ju
Com minhas alunas de Filosofia
Com a família
Professores da FAA: Patricia, eu, Lisbeth e Tania
Com Ju e minha mãevia Medianeiro
Tem uma urgência enorme crescendo em mim,
e parece que eu vou quebrar as paredes.
Please don't slow me down
if I'm going too fast.
Tá ótimo assim.
via minimae
via Hay tomates!
a culpada pela barriga proeminente é a cerveja
e pela impotência, a mulher
pelas artérias entupidas, a manteiga
e pelas safenas, a mulher
pelo enfisema pulmonar, o cigarro
pela falta de ar, a mulher
maridos são sempre inocentes
via Julia e o Quati
torpor
desperta maldade ímpeto planejado
desperta crueldade com palavras que se espalham com vento fogo folha
seca
queimada
trago à tona o pior em você e faço isso sem saber, esperando que cada letra não se torne mais uma arma contra mim
cada elo se contamina doentiamente, e o vírus
fui eu que incubei
selvageria
tremo salgada e silencio para que o universo pare de se expandir
mas o universo continua se expandindo
e eu já não posso mais impedi-lo
todos se sujam, inofensivamente, e a doença
fui eu que passei
brutalidade
surto irrupção epidemia
só o imprestável acorda
e eu já não tenho mais vacina
quem provoca o vento, não sobrevive para ver a tempestade
via Julia e o Quati
É difícil se sentir injuriada e não poder se defender. Me lembro de um texto do Jhering, "A Luta pelo Direito". Sei que o juridiquês estava banido deste blog, mas este texto é especialmete importante para mim e creio que é bem importante conhecê-lo. Fiz um trabalho sobre ele, e como epígrafe coloquei trecho do poeta Eduardo Alves da Costa:
Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor
do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não escondem;
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz, e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.
Depois de reler o poema, escrevi isso...
Eu não quero que sinta pena ou raiva ou qualquer outra coisa. Quero somente que me leia com o coração aberto.
Fiquei preocupada, nervosa, aliviada. Não a quero mal, muito pelo contrário.
Escrevi num momento de ódio. Não disse nada sobre ela. A outra, sim, estava muito triste (e eu também, afinal, era meu amigo).
Não pedi que o ignorassem. Nada tinha que ver com o problema. Mas decidiram me chamar de tudo de ruim que há no mundo. Porque eu tentei protegê-la.
Ninguém esperou o ônibus partir. E não foi culpa minha.
Nunca xinguei ninguém. Nem insultei ninguém. Não chamei ninguém de amendoim ou cachorro. Foi tudo muito baixo, e se alguém tem que estar triste, sou eu. Sei que não mereço. Sei que fizemos o nosso melhor.
Me disseram que não devemos nos esquecer dos que estão a nossa volta. E foi exatamente o que eu fiz. Fiz para que não nos esquecêssemos de protegê-la.
Sinto muito que tudo chegou a esse ponto. Pensei que havia respeito humano entre nós, mas estava errada. Eu os respeitei, mas fui desrespeitada. E isso dói muito
Tristeza nem começa a descrever o que sinto agora.
via Julia e o Quati
No, just from the ICU...
O blog ainda não morreu... ainda. Se bem que esteve correndo risco de morte nos últimos meses né? Isso que dá trabalhar por um salário ridículo.
Voltando ao objetivo do blog, posto alguns poemas do Estimado Cliente, livro do Rodrigo Flores, que eu traduzi e que provavelmente vai sair pelo Demônio Negro.
I.
Que quiçá dizer distância
seja a maneira de
enclausurar a
distância
a maneira do quiçá
da clausura
Que quiçá representar
a distância
seja impossível na Cidade
porque esta retém
as clausuras
em compartimentos de
impossibilidade
em maneiras claudicantes
em reiterações de quiçás
que não de afirmações
que não de figuras ou figurações
que não de legitimidade
mas de revestimentos
de dúvidas que são quiçás
Não dúvidas
senão discursos da dúvida
módulos do não
edificações do não
É dizer
figurar a distância
sua plenitude
é uma
imagem contingente
revestimento opaco
recorrente
tralha mística
Um caminhar é a distância
Uma imagem do pedestre é a distância
Uma negação da imagem do caminho é a
distância
A clausura do não do que caminha é uma
representação da Cidade
II.
Se procede a dizer que
a distância é a distância
é a distância um país Se procede
a omitir que um país não tem corpo
tem distância Corpo ausente Se
procede a representar um país
corpo ausente
distância
ausência de representação
Se procede
a corporificar
uma representação
um país
a distância
Carpe Diem
procede a se ausentar
centro da Crueldade
III.
Haverá que reconsiderar
As projeções
da distância
sobre o corpo
Haverá que projetar
as reconsiderações
os corpos
os elementos da distância
suas plenitudes
seus módulos de dizer e calar
seus procedimentos
claudicantes
seu Quiçá
IV.
A distância não é
Distância Com
tém migrações
corpos países
reiterações
de módulos do Não
quiçá legitimações
de impossibilidade
quiçá
Não
via Julia e o Quati
Helena era uma criança mirrada, aquelas pra quem as mães preparariam língua ou bifes de fígado. Se fosse hoje, dariam achocolatados feitos especialmente para que seu filho tenha fome de.... urso. Mas, nos anos 50, o que se usava mesmo era uma bela mamadeira cheia de leite, ovos crus e açúcar, do jeitinho que qualquer criança a-do-ra. E a gente fala das cicatrizes que nossos pais nos causam, achando os nossos avós adoráveis. Não foi a primeira nem a última filha; não era a mais bonita, mas também não era feia; nem a mais inteligente era. Helena chegou ao mundo já atrás no placar que a gente mantém com a vida, como se fadada a uma mediocridade de horóscopo. Estava sempre em terceiro lugar, medalha de bronze.
Como toda criança comum, Helena não se lembra de seus primeiros aniversários. Mas não vai se esquecer nunca do 7º, já que seu irmão mais novo nasceu 20 dias antes dele. A comoção familiar denunciava todo o descaso com uma terceira filha, que só por ser filha, já vinha em desvantagem. Como aqueles produtos que compramos em outlets: com a costura defeituosa ou uma pequena manchinha que derrubam o preço pela metade e que, por isso, sempre ficam num lugar de menor destaque no guarda-roupas. Helena era uma calça de barra malfeita.
Rafael, por outro lado, chegou já com o reinado pronto para a coroação. Tanto fez no parto que deixou a mãe de cama por um mês. Com 2 anos, algum charlatão decidiu que deveriam retirar suas amídalas. A cirurgia foi tão bem feita que o excesso de anestesia o deixou molhando a cama até os 10 anos de idade. Nada mais simbólico. Toda noite a mesma novela se repetia, por anos: ele se levantava e ia até a “babá”/ “empregada”, que pacientemente trocava-lhe o pijama, os lençóis e o acolhia na cama. Às vezes dizia para a mãe, que acordava impaciente: “mas mãe, foi só uma rodinha!”, olhando discaradamente para uma poça amarela que secava no calor de setembro.
Era também folgado, preguiçoso e malandro. Daquelas crianças que aprontam e têm a cara de anjo caído. Negava tudo até a morte, mas todo mundo bem sabia o que Rafael fazia.
Pois no aniversário da irmã, com 20 dias, ele já mostrou para quê tinha nascido. A mãe, ainda de resguardo, se lamuriava na cama, enfornada num quarto escuro e abafado. As aleluias rondavam e deixavam suas asas num cemitério nojento que se formava no chão. O “parabéns pra você” tinha trilha sonora das cordas vocais de Rafael, que incessantemente berrava. E o pai só reclamava que tinha que voltar pra loja. Uma cena quase fúnebre. Helena comemorou seus sete anos aos pés da cama da mãe que dizia estar à beira da morte, ao lado do irmão histérico e do pai ríspido que só queria mesmo acabar logo com aquilo.
via Julia e o Quati
Animal Tranquility and Decay
The little hedgerow birds,
That peck along the road, regard him not.
He travels on, and in his face, his step,
His gait, is one expression: every limb,
His look and bending figure, all bespeak
A man who does not move with pain, but moves
With thought. - He is sensibly subdued
To settled quiet: he is one by whom
All effort seems forgotten; one to whom
Long patience hath such mild composure given,
That patience now doth seem a thing of which
He hath no need. He is by nature led
To peace so perfect that the young behold
With envy, what the Old Man hardly feels.
via Julia e o Quati
Link aqui para a sèrieAlfa
Texto original em espanhol: Lorenzo Garcia Vega
Tradução: Julia Lima
A generosidade de umas caixas de correio
É a generosidade de umas caixas de correio despejadas, encontradas por Joan em Luisenstrasse em Berlim, perto de Unter den Linden. “Eu não te contei – informa Damaris Claderón, a poetisa cubana que mora no Chile – que, quanto melhor me sinto, mais me identifico com um cavalo. Então, no avião, para me sentir segura quando vôo, imagino que sou um cavalo e só assim consigo chegar no meu destino”. Posso dizer que, ao receber as caixas de correio de Joan, de imediato me detive na do meio, aí onde está pintado o 6 de que eu, em seguida, quis entendê-lo como a peça de um manifesto desta Playa Albina onde vivo. Peça cuja parte principal bem poderia descrever-se como “A veemência inaceitável do país dos tigres.” Mas, não devo evitar o exagero? Ao fim e ao cabo, eu estou frente a um galhinho de uma árvore que está frente à janela da minha casa na Playa Albina, e um galho assim – galhinho que às vezes sugere a cor creme de uma caixa desbotada– tem que estar muito longe de Luisenstrasse, perto de Unter den Linden. Oh, essas caixas têm que revelar algo, mas... Eu, por certo, quiçá vítima do delírio, as contemplo, sim, na foto de Joan, mas as contemplo como se fossem uma maturação de peças demoniacamente difíceis. Sentimos, p. ex., ao contemplar a caixa da direita, que uma pátina antiqüíssima pode nos converter em... em que? Por exemplo, entrar como passageiros em um avião, sentindo que não só a sombra das caixas de correio de Joan poderia nos proteger, senão que poderia acarretar (?) em um dificílimo bem. Depois, então, desta experiência, e sem que tivesse intervindo nenhuma fada, soube que as caixas de correio da casa desabitada, surpreendida por Joan, podiam ser transplantadas aos ramos da árvore da Playa Albina. E a tradução das caixas requer quais instrumentos? Depois que soube como entrar, aconselhado por Damaris, como cavalo em um avião, a tradução das caixas de correio de Luisenstrasse se manifestou para mim com aqueles aviadores espanhóis, Barberán e Collar, que aterrissaram em Cuba, quando do começo da década de 30. Com sua viagem de Sevilla a Cuba, Barberán e Collar levaram a cabo uma verdadeira façanha. Eram eles, quiçá convertidos em cavalos muito semelhantes às caixas de correio do Joan, uns aviadores verdadeiramente felizes. Ainda que, pouco depois – e isto, disparatadamente, pode relatar-se desde o sonho da casa despejada com as caixas despejadas, na Berlim de Joan–, eles, os aviadores felizes, ao se dirigir ao México, terminaram tragicamente. Mas o estranho de tudo isso que quis contar é que esses personagens, aviadores espanhóis, ou cavalos de Damaris, confundem-se com a cor da caixa que está à esquerda da foto do Joan, e isto sem que tenham nada a ver com ele. Oh, uma mancha da caixa! Uma mancha de uma caixa que, devido a certo giro de luz desta Playa Albina onde estou, converte-se, nada menos – ainda que só por um minuto – em como um desprendimento da cesta que levava Chapeuzinho Vermelho. Mas o que tem a ver a cesta da Chapeuzinho Vermelho com as caixas de correio do Joan? Frente a uns galhinhos que estão frente à janela da minha casa na Playa Albina, repito. E eu não posso seguir falando, pois suspeito que, chegado um determinando momento, não só me confundirei, senão que as caixas despejadas, da casa despejada, me possam assustar além da conta.
La generosidad de unos buzones
Es la generosidad de unos buzones desahuciados, encontrados por Joan en Luisenstrasse en Berlín, cerca de Unter den Linden. “Yo no te he contado –informa Damaris Calderón, la poetisa cubana residente en Chile– que, cuanto mejor yo me siento, más me identifico con un caballo. Entonces en el avión, para sentirme segura, cuando vuelo me imagino que soy un caballo y sólo así he conseguido llegar a mi destino”. Puedo decir, que al recibir los buzones de Joan, de inmediato me detuve en el buzón del centro, ahí donde está pintado el 6 de que yo, enseguida, quise entenderlo como la pieza de un manifiesto de esta Playa Albina donde vivo. Pieza cuya parte principal, bien podría describirse como "La vehemencia inaceptable del país de los tigres". Pero, ¿no debo evitar la exageración? Al fin y al cabo, yo estoy frente a la ramita de un árbol que está frente a la ventana de mi casa en la Playa Albina, y una ramita así -ramita que a veces sugiere el color cremita de un buzón desvaído- tiene que estar muy lejos de
Luisenstrasse, cerca de Unter den Linden. Oh, estos buzones, tienen que revelar algo, pero... Yo, por cierto, víctima quizás del delirio, los contemplo, sí, en la foto de Joan, pero los contemplo como si fueran una maduración de piezas endemoniadamente difíciles. Sentimos, por ej., al contemplar el buzón de la derecha, que una pátina antiquísima puede convertirnos en... ¿en qué?. Por ejemplo, entrar de pasajeros en un avión, sintiendo que no sólo la sombra de los buzones de Joan nos pudiera proteger, sino que pudiera conllevar (?) un dificilísimo bien. Después, entonces, de esta experiencia, y sin que hubiese intervenido ningún hada, supe que los buzones de la casa deshabitada, sorprendida por Joan, podían ser trasplantados a las ramas del árbol de la Playa Albina. Y ¿qué instrumentos requiere la traducción de los buzones? Después que supe cómo entrar, aconsejado por Damaris, como caballo en un avión, la traducción de los buzones de Luisenstrasse se me manifestó con aquellos aviadores españoles, Barberán y Collar, quienes aterrizaron en Cuba, cuando los comienzos de la década del 30. Con su viaje de Sevilla a Cuba, Barberán y Collar llevaron a cabo una verdadera hazaña. Eran ellos, quizás convertidos en caballos muy semejantes a los buzones de Joan, unos aviadores verdaderamente felices. Aunque, poco después –y esto, disparatadamente, puede relatarse desde el sueño de la casa desahuciada con los buzones desahuciados, en el Berlín de Joan–, ellos, los aviadores felices, al dirigirse a México, terminaron trágicamente. Pero lo extraño de todo esto que quisiera contar, es que esos personajes, aviadores españoles, o caballos de Damaris, se me confunden con el color del buzón que está a la izquierda de la foto de Joan, y esto sin que tengan nada que ver con él ¡Oh, una mancha de buzón! Una mancha de buzón que, debido a cierto giro de la luz de esta Playa Albina donde estoy, se me convierte, nada menos –aunque sólo por un minuto– en como un desprendimiento de la cesta que llevaba la Caperucita Roja. Pero ¿qué tiene que ver la cesta de la Caperucita Roja con los buzones de Joan?. Frente a unas ramitas que están frente a la ventana de mi casa en la Playa Albina, repito. Y yo no puedo seguir hablando, pues me sospecho que, llegado un determinado momento, no sólo me confundiré, sino que los buzones desahuciados, de la casa desahuciada, me pueden asustar más de la cuenta.
[Lorenzo Garcia Vega nasceu em Jagüey Grande, província de Matanzas, Cuba, em 1926. É Doutor em Direito, Filosofia e Letras pela Universidade de Havana; Em 1952 recebeu o Prêmio Nacional de Literatura de Cuba. Entre seus últimos livros se encontram: Poemas para penúltima vez 1948-1989 (1991), Collages de un notario (1992), Espacios para lo huyuyo (1993), Varicaciones o como veredicto para sol de otras dudas (1993), Palíndromo en otra cerradura (1999), El oficio de perder (2004), Cuerdas para Aleister (2005). Atualmente vive em Playa Albina, Miami.
via Julia e o Quati
Acabei de assistir "My Blueberry Nights" do Wong Kar Wai, achei maravilhoso. Um filme muito sensível, apesar de uns poucos clichês. Um filme belo e simples, apesar dos stars hollywoodianos. Uma trilha sonora fantástica. Um filme para esboçar sorrisos e deixar os olhos lacrimosos.
Wong Kar Wai é o mesmo diretor do último segmento do "Eros", último filme do Michelangelo Antonioni (filme que também tem um segmento dirigido pelo Soderbergh, que eu não sei o porque foi escolhido, mas...). A primera parte do filme se chama "Il filo pericoloso delle cose" ou, no meu italiano macarrônico, o fio perigoso das coisas.
A parte do Soderbergh, bem sem graça e desnecessária, chama-se Equilibrium, e apesar de um elenco notável (Alan Arkin como um psicólogo bizarro e Roberto Downey Jr. como o paciente inquieto), causa bem uma vontade de ir embora do cinema. Acho que porque deve ter se esquecido de fazer o roteiro deste terço do filme e o Steven resolveru improvisar, hehe.
O trecho final é intitulado "The Hand", e conta a história de um alfaiate pobre e humilde que se apaixona por uma concubina. Ele faz vestidos, um mais bonito que o outro, para ela, de graça. Ele assume a tecelagem, vai enriquecendo, enquanto ela se torna cada vez mais pobre, até ficar doente. É também um filme sensível e belo, e eu vi muitas semelhanças com "Um Beijo Roubado".
A tradução do título para o português, como sempre, deixa a desejar. Mas eu adorei assistir esse filme. Não queria que acabasse! Para não escrever nenhum spoiler, falo só da minha cena preferida.
Lizzie, depois de sair de NY e ir até Memphis, Tennessee (god knows why), trabalha num Diner durante o dia e num bar à noite. Ela foge de NY porque foi deixada pelo namorado, que a trocou por outra. Ela sai em busca de algo que nem ela mesma sabe. Servindo no bar, conhece Arnie, um poilicial alcoólatra que bebe todas as noites pelo desgosto de ter sido deixado pela esposa. Lizzie simpatiza (e empatiza, claramente) com ele imediatamente. Uma bela noite, A tal ex-mulher, lindamente encenada pela Rachel Weisz, entra no bar para ir ao banheiro, e Arnie fica desconcertado no seu banquinho, olhando pela janela para o novo jovem namorado dela.
Numa outra noite, Arnie já mais do que bêbado, dá uma surra no tal namoradinho da Sue Lynne (sim, esse é o horroroso nome dela). Ela volta ao bar, enfurecida, gritando e xingando o ex-marido. Caçoa dele e se vira para ir embora, quando ele saca sua arma. Arnie diz que se ela se for, ele vai matá-la, no que ela responde "what are you gonna do? It's over!" e vai embora, denxando-o prostrado com a arma em punho.
Já numa terceira noite, Arnie sai do bar, dizendo para Lizzie que não precisava mais das suas fichas do A.A., que ele havia esquecido. Sai do bar e enfia seu carro num poste. "Disseram que foi um acidente. Que ele não conseguia ver a rua direito e acabou se descontrolando e batendo no poste." But we all know better.
Na noite seguinte, Sue Lynne entra no bar meio fora de si, todos olham para ela como se fosse culpa dela, inclusive Lizzie. Ela se senta no mesmo banquinho do ex-marido e pede uma vodka. Se vira para Lizzie que a está servindo, e diz: "This is my first drink in six years". E aí vemos que ela não abandonou o Arnie à toa não. Ninguém nesse mundo é tão inocente assim. Ela fica bêbada e na hora de ir embora, o dono do bar dá a conta do Arnie para Sue Lynne pagar. São meses de pedidos fiados, quase 800 dólares. Ela fica puta da vida, xinga, esperneia, chora. Lizzie sai atrás dela na rua, para encontrá-la sentada em frente ao local do acidente.
Chorando, ela diz que havia conhecido Arnie bem ali, quando ele havia perguntado para ela se estava dirigindo embriagada. "Quem diria que eu iria me apaixonar por um policial?". Mas que ele era tão louco por ela que ela estava se sufocando, e que toda noite eles bebiam para reencontrar o amor perdido. Mas que na manhã seguinte, alguma coisa continuava errada. Sempre. Até que ela o deixou. E ela desejava que ele morresse todos os dias, para que pudesse ser deixada em paz. E que, agora que ele tinha ido mesmo, ela sentia a maior dor do mundo.
Lizzie não diz nada, apenas ouve as confissões daquela "ex-viúva", tão perdida, tão machucada. E abraça Sue Lynne de um jeito muito carinhoso e reconfortante. Fiquei pensando o sentido dessa cena. Sue Lynne era exatamente igual ao ex-namorado de Lizzie. Ela abandonou o marido e arranjou outro, mesmo o Arnie sendo louco por ela. Elizabeth também não conseguia se imaginar vivendo sem o namorado (ela diz exatamente isso no começo do filme), e ele, ainda assim, a pretere por outra mulher.
Na verdade, ela está abraçando alguém exatamente igual a quem a fez sofrer, numa ironia tão crua, e ao mesmo tempo tão verdadeira. Num momento em que ela poderia abstratamente se vingar dos "traidores" do mundo, ela entende, silenciosamente, que as pessoas também têm suas razões para fazer as coisas. Bons ou ruins, cada um tem seus motivos. E no fim, não há certo ou errado, o lado do mocinho e da bandida. Todo mundo tá aí na vida "screwing up other people".
Essa seqüência no filme é tão bonita, tão profunda. Fiquei muito mexida com tudo. Fique pensando se teria a bondade de consolar alguém como Sue Lynne. Se conseguiria ser "magnânima" (por falta de outra palavra) daquele jeito. Se veria as coisas claramente como vejo agora. Fuck. Todo mundo erra, e a gente fica passing judgement sobre cada tropecinho alheio. E eu odeio que fiquem me julgando. Tenho sempre uma justificativa, um desculpa para cada escorrego. Don't others have them too?
Esse filme não tem nada a ver com encontrar o amor verdadeiro, ou encontrar amor em geral. Não tem nada a ver com a história de um casal, não tem nada a vez com casais. It's just fucking human life, wether you like it or not. 'Cause you don't really have a choice but to change!
via Julia e o Quati
"se você não quiser se rebaixar, eu não tenho problema nenhum em fazer por você"...
uma conversa de MSN qualquer........
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Fui na pré-estréia de 'Blindness', do Fernando Meirelles, ontem. Adentrei o mundo de Caras com uma coca-cola na mão, recusei a pipoca gratuita, esbarrei no Daniel Oliveira na entrada da sala, e mergulhei na cegueira branca do cinema. Acompanhada do Thi, do ECINE (lá da Secretaria de Cultura), foram quase três horas de visualização de um dos melhores livros que eu já li.
Provavelmente vai-se dizer muito que o filme estava aquém das expectativas, seja porque não quebrou o paradigma do cinema brasileiro de novo, como já tinha acontecido com 'Cidade de Deus', seja porque o livro não foi tão bem retratado quanto esperavam.
Eu fiquei agradavelmente surpresa com o Ensaio Sobre a Cegueira na tela. Primeiro, porque sou bem contrária ao clichê "uma imagem vale mais que mil palavras". Acho que no caso do cinema, as imagens estão sempre tentando alcançar as palavras espalhadas pelo papel. Isso porque, quando adapta-se um livro, mesmo que curto, é muito difícil reproduzir as páginas de uma história em cenas de segundos.
Por exemplo, toda a reflexão do Saramago sobre a cegueira e a natureza humana que se revela com essa epidemia inexplicável, toda a "filosofação" que se desenvolve no livro, não é bem trazida pro filme. Acho que iria ser um filme extremamente chato se não se prendesse mais à história do que à filosofia. Não que não haja questionamentos, nem pontos profundos. Mas o "overall" é mais raso e linear.
Em segundo lugar, todo roteiro adaptado é um desafio. As pessoas todas têm na sua cabeça como deveriam ser os personagens, os lugares, o ritmo de narração. Esse até foi um defeito, acabou ficando meio corrido... Mas visualmente o Meirelles inovou de novo. São vários takes, sem exagero, na medida certa, sem foco, no escuro, ou com muita luz. Provocam sensaçoes físicas na platéia. Temos um pequeno gostinho do que os personagens estão passando.
Claro que nem tudo são flores. Me desgostou um pouco o Gael como rei da Ala 3 (ou Camarata 3), já que na minha cabeça ele seria uma figura horrenda, daquelas que só de olhar temos náusea. Não seria lindo nem tão educado, não seria o Gael. A Julianne Moore (que estava ontem lá, ui!) também nem foi taaanto o que eu esperava. O Mark Ruffalo, por outro lado, tava super bem. A angústia dele parecia de quem estava de verdade passando por aquilo. E a Alice Braga achei bem ruinzinha...
Sobre a fotografia, achei perfeita. Não acho que mudaria nada. Foi bem fantástico ver a mudança de cenas filmadas em cidades diferentes formando um único lugar não-identificável, que poderia ser Paris, França ou Bahia (como diria minha mãe). A Direção também, obviamente, é fantástica. Gostei como exploraram todo o jogo de luzes e sombras, bem diferente. A parte da Direção de Arte, por outro lado, poderia ter arriscado mais, e sujado mais as locações. Nisso concordo com o Thi, acho que no livro tudo é bem mais sujo e nojento...
Por fim, como leiga total, dou nota 8 pro filme. Muito bom, three thumbs up.
via Julia e o Quati
A capa da Vejinha dessa semana está mais que ridícula. Putz, tá faltando pauta pra esses jornalistas da Abril, né?
O Desafio dos 30 Reais é a "headline", e o subtítulo traz algo como "personalidades paulistanas garimpam produtos e serviços bacanas com pouco dinheiro no bolso". Poxa, como se 30 mangos fosse pouco! Tem gente que passa uma semana inteira comendo com essa grana, ou menos! E eles vêm com gracinha de desafio para famosos que fazem vestidos de R$4.000,00 e refeições a partir de R$300,00...
Poxa, por que não colocam alguém quem nem 30 paus tem pra ver o que ele compra? A Galisteu tem uma coleção de 1200 biquinis e gastou o "dinheirinho" dela em... mais um par. O pior é que ela gastou a maior parte do dinheiro na tanga do biquini, e na parte de cima, ela amarrou 2 bandanas. Poxa, apelou né, desde quando isso é bacana? Isso é mais adaptação de pobre na praia que 'estilo' minha filha...
Outra que me tirou do sério foi a Constanza Pascolato. Ela comprou um par de óculos escuros num brechó, 20 conto... Mas aí ela recomenda que troquem a lente para garantir que não fará mal aos olhos. Poxa, trapaceou legal. Quanto ficam lentes escuras novas na ótica do Iguatemi? R$30,00 my ass...
Por fim, a Julia Petit, que comprou calcinha e soutien nas Americanas. Poxa, certeza que com 30 contos dá pra comprar coisa bem melhor. E se ela tá precisando de underwear, vai no depósito São Jorge na 25 de maio, né? Pelo menos a qualidade é melhor...
Putz, por que é que eu ainda leio a veja mesmo?
via Julia e o Quati
Quando o seu ideal de parceiro masculino parece cada vez mais com um super-herói e menos com um humano, talvez seja a hora de rever os seus conceitos, avaliando o que você realmente precisa num homem, ao invés do que você deseja.
Meu horóscopo tá brincando comigo, né?
Nêgo vem falar de reavaliar o que eu procuro num homem? Filho, se balança mas fica em pé, a gente aceita...
via Julia e o Quati