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Abril 20, 2009

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Ni!

 Comecei a escrever mensalmente num blog coletivo chamado Trezentos.

 O propósito, aludido metaforicamente no Sobre do blog, parece-me ser um mutirão para enfrentar forças contrárias ao compartilhamento e colaboração quando exercidos pela Internet, como a estúpida lei do Azeredo.

 Só achei tosco que a licença do blog não está clara, devo aguardar isso para continuar postando lá.

 Por hora, saibam que meus textos ali estão sob licença CreativeCommons-Atribuição-Compartilhamento-pela-mesma-licença.

 Meu primeiro post chama-se Conversas com meu pai e discorre sobre medicina na economia interconectada da informação.

 Abraços,

ale

~~

Palavras-chave: 300, blog, blog coletivo, internet, licenças, medicina, trezentos

Postado por Alexandre Hannud Abdo | 1 usuário votou. 1 voto | 0 comentário

Março 18, 2009

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Ni!

Notícia do blog do papai serginho:

http://samadeu.blogspot.com/2009/03/alerta-geral-senador-azeredo-au

É pra valer galera, essa lei é O CÃO VOMITANDO MANGA!

Bloguem, microbloguem, e mandem seus protestos para os deputados em

http://www2.camara.gov.br/canalinteracao/faledeputado

Segue abaixo mensagem que enviei a todos os deputados do estado de SP:

Prezado deputado,

É de extrema urgência e importância para o desenvolvimento social e econômico da nação que o projeto substitutivo do Sen. Azeredo, vulgo projeto sobre "cibercrimes", seja recusado pela câmara dos deputados.

Num momento de crise em que todo o planeta se debruça sobre as tecnologias digitais como forma de buscar sustentabilidade, eficiência e enriquecer a democracia restaurando o equilíbrio de poder e as liberdades individuais, num momento em que portas abrem-se para o Brasil tomar um posto de liderança mundial na geração de consenso e conhecimento entre as culturas do planeta, esse projeto terá como consequência direta atrasar em décadas esse potencial.

Se aprovado tal projeto, estaremos novamente colocando o país no caminho errado, pelos motivos errados, como em tantos outros momentos em que, neste país, destituíu-se o cidadão dos seus direitos básicos.

Digo isso com base em anos de estudos sobre difusão de informação em redes, para doutorado que estou finalizando no Instituto de Física da USP em parceria com o Instituto de Políticas Públicas da Columbia University em NY.

Nesse sentido, meu trabalho apenas integra o consenso científico - advindo de uma frutífica colaboração entre as ciências sociais e as exatas - de que que garantir a geração de bem estar humano na sociedade moderna significa repudiar precismente o tipo de regulamentação que esse projeto propõe.

Estando à disposição para maiores esclarecimentos, o saúdo,

Alexandre Hannud Abdo, cidadão paulista que não quer ver parar a locomotiva do conhecimento. Ni!

 

Não se reprimam, mandem as suas também!

Divulguem, e acima de tudo AJAM!

Ajude a propagar também a petição online para assinar aqui.

Isso é prioridade máxima se você considera a internet um importante meio de democratização.

Abreijos,

abdo

~~

Palavras-chave: azeredo, corrupção, internet, liberdade, projetos de lei

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Postado por Alexandre Hannud Abdo | 6 usuários votaram. 6 votos | 5 comentários

Janeiro 22, 2009

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Ni!

 Este ano estive na Campus Party como voluntário do "WikiBrasil: Mutirões de Conhecimentos Livres", o não-Capítulo Brasileiro da Wikimedia Foundation.

 Atualizei este post à medida que novidades surgiam, por isso a data anacrônica! Interessados podem ver também o relato do pessoal na Metawiki.

 O que rolou...

 Segunda-feira: descobrimos como chegar e entrar no evento, conhecemos suas engrenagens e agendamos nossa palestra e oficinas.

 Terça-feira: apresentamos palestra na área de Software Livre, onde conheci o Fabrício, um antropólogo da UFRGS, que gravou comigo um papo-entrevista sobre produção social. Participamos de um debate sobre liberdade do conhecimento e cultura na IPTV Cultura, abrindo a transmissão do Jimmy Wales no Roda Viva.

 Quarta-feira: participamos editando ao vivo na Plataforma Wikimedia durante debate com Rappin'Hood, e estivemos presentes na conversa com Milton Jung da Rádio CBN sobre o Adote um Vereador.

  Quinta-feira: de manhã, oficina no Batismo Digital; à tarde, bate papo na IPTV Cultura seguido de edição ao vivo do artigo sobre Piraí Digital, durante entrevista com Frank Coelho; à noite, reunião com o projeto Teia MG.

  Sexta-feira: dia informal, de reflexão e conversas entre nós.

  Sábado: bate-papo sobre os Projetos Wikimedia no Bar Camp.

  Domingo: coleta de imagens da Campus Party para o Commons.

 

~Ni!~

Palavras-chave: 2009, campuspartybr, wikibrasil

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Postado por Alexandre Hannud Abdo | 2 usuários votaram. 2 votos | 0 comentário

Janeiro 18, 2009

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Ni!

 Para quem interessar assinar e divulgar, uma petição de caráter
pacifista, sem colocações partidárias, proposta por uma organização
bastante interessante, a AVAAZ, que objetiva maior democracia na
política internacional.

 Essa petição tem relevância particular pois os recursos desta
organização serão empregados para divulgá-la a realizar pressão efetiva.

http://www.avaaz.org/po/gaza_time_for_peace/

 Abreijos,

abdo
~~

Palavras-chave: gaza, paz, petição

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Postado por Alexandre Hannud Abdo | 7 usuários votaram. 7 votos | 11 comentários

Janeiro 14, 2009

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Ni!

 Se você está esperando divagações sobre um cenário futuro de inovações inimagináveis, engana-se: o dia em que deixei de usar o Google foi hoje.

 Não que vez ou outra eu ainda não apelarei à velha e boa máquina de busca, mas já existe uma alternativa que, se ainda não mais eficiente, é certamente mais divertida, ética e tem potencial muito maior.

 Estou falando da Wikia Search, fundada por Jimmy Wales o mesmo sujeito que bolou a Wikipédia.

 Há inúmeras razões para preferir a Wikia Search: ela respeita a liberdade, a privacidade e a contribuição do usuário, desenvolvendo-se em código aberto, com transparência e sigilo das buscas executadas.

 http://search.wikia.com/about/about.html

 Constrói-se em torno de um conceito radicalmente diferente, de permitir a contribuição dos usuários para avaliar a qualidade dos resultados de cada busca e abrir os dados e os algoritmos para escrutínio e aperfeiçoamento público.

 Isso em oposição ao modelo Google, onde um algoritmo ultra-secreto é usado, servindo-se do trabalho de todos em criar hiperligações, para dar um significado mecânico ao mundo.

 Sim, dar um significado ao mundo. Pois é isso que cada vez mais esses integradores de informação fazem: definem a semântica das palavras. Para dar um exemplo dessa influência, considere o quanto o resultado no Google de uma busca afeta a opinião global a respeito do assunto.

 Queremos mesmo deixar às máquinas esse serviço? Estamos dispostos a entregar a mais básica das construções humanas, a significação da realidade, aos cuidados de um grande-irmão corporativo que trabalha no mais absoluto sigilo?

 Contudo, o problema prático da Wikia Search é que sua eficiência depende da participação, ou seja precisa de usuários. E assim ela passou por um período num padrão muito baixo, inutilizável. Ainda hoje, algumas buscas não são tão eficazes, mas a interface soluciona isso, facilitando ao máximo o acesso a outros mecanismos de busca!

 Então, experimente, e se a hora chegou para você, embarque em mais esta revolução pela liberdade do conhecimento e auto-gestão humana.

http://search.wikia.com/

 

 (Usuários do Firefox podem também adicioná-la à caixa de busca.)

 

 Abreijos,

abdo

~~

Palavras-chave: busca, google, produção social, semântica, wiki, wikia, wikia search

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Postado por Alexandre Hannud Abdo | 6 usuários votaram. 6 votos | 4 comentários

Dezembro 08, 2008

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Ni!

 Resumo: M. S. El Naschie, editor chefe do periódico Chaos, Solitons and Fractals, publicado pela Elsevier, e pela qual nós brasileiros pagamos para ter acesso, é um charlatão que há anos usa a própria revista que edita para promover pseudociência, já publicados mais de 300 artigos nessa linha.

 Não precisarei alongar-me no assunto pois o Maurício Tuffani já fez um excelente trabalho[1], e para quem lê inglês sugiro olhar também a discussão original no blog n-Category Café[2]:

[1] http://laudascriticas.wordpress.com/2008/12/01/csf/

[2] http://golem.ph.utexas.edu/category/2008/11/the_case_of_m_s_el_nas

 Só acrescentando uma informação que dá idéia da gravidade do problema, meu orientador de iniciação científica - provavelmente o mais produtivo físico brasileiro - tem uns oito papers publicados nessa revista, sendo o último em 2005. E não é o único bom físico publicando ali, portanto o caso passou despercebido este tempo todo, mesmo a revista desfrutando de algum prestígio.

 Vale lembrar, também, que no nosso contexto acadêmico brasileiro a dependência cega em fatores de impacto (numerocracia), e subserviência a interesses partidários estão desfigurando o cenário científico de forma a empoderar picaretas como este.

 A primeira delas leva a aberrações como os casos de plágio passados impunemente e a fabricação de citações - fora problemas de outra natureza, como privilegiar pesquisas previsíveis e de curto prazo.

 A segunda leva ao crescimento desestruturado das universidades que vem derrubando critérios fundamentais de qualidade e dificultando o debate crítico que previniria esses desvios éticos.

 No caso El Naschie, o assunto chamou a atenção de líderes científicos internacionais e, por mais que o sistema das editoras seja insustentável, o problema do momento foi ao menos exposto e há visibilidade para o diálogo  sobre as mudanças necessárias.

 Já no Brasil, fica a cada dia mais difícil expôr esses maus elementos, e cada dia mais fácil para eles ganharem força política. E assim, mesmo quando expostos, no final nada é feito: vide o que se passa no IFUSP.


 Abs,

abdo

~~

PS: só pra não deixar de ser o chato de plantão: tá demorando pra ter trackback - ida e volta - aqui no stoa heim... rsrs

Palavras-chave: ciência, editoras, elsevier, numerologia, pseudociência

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Outubro 16, 2008

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Ni!

 Há anos o governo brasileiro vem promovendo uma bolha na ciência através da submissão dos recursos de pesquisa a uma das mais radicais numerocracias já vistas.

 O resultado dessa bolha é conhecido: índices inflados que beneficiam administradores públicos incompetentes, trabalhos pouco inovadores que prejudicam o desenvolvimento da ciência, e o abandono dos fundamentos éticos imprescindíveis ao trabalho científico.

 Mas terça-feira o Estadão deu em notícia reproduzida pelo Jornal da Ciência:

 "Universidades de SP caem em ranking internacional"

 Será esse um indício dos limites da bolha da ciência? Será que alcançamos o fim da capacidade da picaretagem numerológica? Ou surgirão novos mecanismos de falsidade e irresponsabilidade?

 A resposta é provavelmente que arranjarão novas maneiras de maquiar a banalização das universidades no país do espetáculo. E o boneco agora chama-se educação a distância, fiquem atentos que a novela continua.

 Saudações,

abdo

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Palavras-chave: bolha, ciência, numerocracia, ranking, universidade

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Agosto 11, 2008

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Ni!

 

Recentemente a revista "Ethics in Science and Environmental Politics" criou uma Sessão Temática para discutir "The use and misuse of bibliometric indices in evaluating scholarly performance".

Traduzindo: o uso e mal uso de índices bibliométricos na avaliação da performance acadêmica.

Os artigos publicados, disponíveis a todos, cobrem diversos aspectos dessa questão:

 http://www.int-res.com/abstracts/esep/v8/n1/

Escrevo este post pois esse é um tema fundamental para toda a comunidade científica, mas ainda mais para a brasileira, que tem muito a ganhar com essa discussão - ou perder com a falta dela.

A questão dos índices bibliométricos surge ancorada em duas outras questões: a da incompetência administrativa e a do isolamento entre o meio científico e a sociedade.

E uma vez que ambas são fatos gritantes em nosso país, é imprescindível termos um diálogo aberto a esse respeito.

O uso indiscriminado de índices bibliométricos, que vem substituindo a consulta de representantes da comunidade científica, troca uma avaliação imprecisa porém direta do valor científico, por uma medida precisa de algo cuja relação com o valor científico não é nem direta, nem completa e, muito menos, universal.

Que não se negue que, quando bem interpretados, esses índices podem ser úteis como parte de uma avaliação. Mas seu uso mais comum, como fator predominante na distribuição de recursos, adotado com avidez no Brasil para escamotear a incompetência dos administradores, sob a alegação de uma objetividade fictícia, é inequivocamente nocivo e está desfigurando a prática científica, afastando-a dos seus objetivos de solidez, criatividade e inovação.

As tentativas de focar a discussão na "melhoria" dos índices (necessária é claro) é também equivocada, pois evita lidar com o problema real, dificultando ainda mais sua solução.

E qual esse problema? Pois é fácil identificá-lo: o isolamento entre academia e sociedade e a incompetência dos administradores públicos.

É um mecanismo simples: administradores incompetentes acham mais fácil criar um sistema que os exima de responsabilidade e garanta bons slogans de campanha a estreitar os laços com a academia e sociedade e trilhar o caminho difícil, de entender profundamente as necessidades e competências da comunidade científica e os projetos relevantes para a nação.

Por outro lado, cientistas reclamam, mas não conseguem se organizar por estarem acomodados pela facilidade de gerar esses números (publicar em "revistas de impacto" é estupidamente fácil, basta não tentar nada ousado ou inovador demais que possa dar errado, e não contrariar as tendências internacionais) e por estarem totalmente desconectados da sociedade que poderia pressionar o governo.

Além disso, que não se negue a existência de um grande grupo de pesquisadores nas universidades públicas que se maravilha na possibilidade de escamotear sua incompetência gerando "miríades de papers" sem relevância nenhuma mas que ganham espaço nas "revistas de impacto", que na verdade só querem vender papel.

Mais lamentavelmente, este último grupo, também absolvido de suas responsabilidades pela numerocracia, se aproveita do tempo livre para mineirar cargos políticos nas universidades e iniciar relações espúrias com os administradores que os trataram tão bem.

Bom, como consequência dessa lógica, que também se aplica a outros setores regidos pela numerocracia, acompanhamos diariamente o governo brasileiro sucatear os serviços prestados à população, valendo-se de múltiplos índices para se vangloriar e afastar os "perigosos fantasmas" da transparência administrativa e participação popular.

Educação, saúde, ciência, estão todos "melhorando" segundo "dados oficiais" ao mesmo tempo em que a realidade de quem trabalha continua a mesma (desgraça), e enquanto o terceiro setor e governos paralelos organizam-se como reação à ausência completa de estado.

Nesta eleição vamos políticos fazendo comíssios em acordo com traficantes, vemos avaliações internacionais escancarar o desastre do ensino brasileiro, mas os índices do governo só sobem. Cada um, como dizem, vê o que quer.

A numerocracia é uma mágica que permite aos administradores parecerem objetivos, se isentando de responsabilidade, ao mesmo tempo em que fazem o que bem entendem com o dinheiro público.

Na ciência,  o que vemos é priorização arbitrária e desestruturada de projetos, ao mesmo tempo em que continuam os apadrinhamentos, em algumas áreas até reinam os incompetentes, e fragiliza-se nossos interesses diante do projeto internacional.

Para nós da comunidade universitária, será lamentável se permitirmos a continuidade desse processo, e falharemos se não levarmos esse debate, mais amplo, à sociedade.

Abs!

abdo

~~

Palavras-chave: ciência, índices bibliométricos, numerocracia

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Março 02, 2008

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Ni!

Num outro espaço virtual, perguntaram-nos por que a produção acadêmica brasileira parece crescer em volume mas não em relevância medida pelo número de citações. Bien, aqui vão os famosos $0,02 ...

 

Antes de mais nada, essa história de contar absolutamente citações diretas é irracional. Há um sem fim de argumentos e estudos mostrando que isso esconde todo tipo de distorção e má interpretação dos dados.

Há propostas de índices e modelos de avaliação mais adequados, algumas relativamente fáceis de implementar, mas a "comunidade científica" ignora isso, porque as "vozes relevantes" da comunidade científica são, implicitamente, aquelas que estão cômodas no atual esquema.

Isso é um problema muito mais geral e mais complicado do que o proposto, então eu apenas incluo este aviso e não pretendo discutir a respeito aqui.

 

Agora, sobre o tema proposto, há uma maneira simples de visualizar um possível mecanismo, na minha opinião provável e consistente com observações, para a baixa relevância da pesquisa nacional.

Quando você joga um punhado de recursos à comunidade científica de maneira pouco transparente e sem garantias, e os distribui em troca de publicações, o que acontece é que nenhum pesquisador de bom senso vai se dispoôr a investigar hipóteses ousadas, pelo risco constante de ficar sem verba na semana que vem e ver seus alunos de pós-graduação morrerem de fome ou mendigarem na praça do relógio.

Ciência é um investimento de alto-risco, que requer política de estado; mas nosso estado está infestado de neo-coronelismo, que requer apenas demagogia e índices de produtividade para inglês ver. Assim, as agências preferem financiar projetos de produção em série que conseguem travestir de investigação científica, ou organizar parcerias com multinacionais monopolistas do setor tecnológico. Isso quando simplesmente não estão apoiando o feudos desse ou daquele colarinho branco.

No meio disso, é claro que muitos projetos legitimamente científicos deslancham, afinal boa parte dos pesquisadores brasileiros é idealista e não se acovarda diante de sacrifícios pessoais, e uma outra parte simplesmente não saberia fazer outra coisa da vida (rsrs).

Ainda assim, muitos dos que deslancham por puro esforço individual são posteriormente podados, silenciosamente, suas raízes são secas por falta de apoio consistente de longo prazo. Isso ocorre freqüentemente quando não satisfazem os índices irracionais, mas também quando não se alinham com os feudos que sobrevivem através da falácia dos mesmos índices.

E isso faz aparecer essas distorções entre o número de artigos e sua relevância, muito mais do que predileção por este ou aquele grupo de revisores.

 

Não que a falta de integração com o estrangeiro não seja um fator.

Ela o é, mas por outra via: relevância em ciência requer primazia.

Para obtê-la, é preciso estar informado antes dos últimos avanços, e isso não se obtém lendo as edições semanais das revistas científicas.

Quando um artigo relevante é publicado, inevitavelmente, alguns grupos próximos ao que desenvolveu o trabalho já estão a par de parte dos desenvolvimentos e adaptando suas pesquisas a eles.

E em muitas áreas isso vale até para a publicação de pre-prints.

Portanto estar isolados da comunidade científica internacional deixa os pesquisadores brasileiros - literalmente - a ver navios.

Uma das grandes lições da minha experiência de sanduíche em uma das principais universidades americanas foi justamente essa: nós, aqui no tupiniquim, estamos ilhados. A quantidade de conhecimento inédito que trafega nos corredores dessas universidades é ordens de grandeza maior do que aqui.

Essa é mais uma consequência do mesmo mecanismo nefasto de distribuição irracional e pouco confiável de recursos que coloca o pesquisador brasileiro numa constante paranóia.

A pouca transferência que ainda conseguimos de conhecimento inédito para cá, ocorre através de uma faca de dois gumes, mas que é a principal fonte de vida da ciência brasileira: a tal da fuga de cérebros.

Não fôssem os alunos talentosos indo para o exterior em fuga das condições patéticas de trabalho neste país, pouco restaria da ciência relevante produzida aqui. Louvada seja a fuga de cérebros.

 

É ilusão não admitir que ainda somos, para todos os efeitos, uma ciência colonial.

Mas tudo bem, porque é preciso acompanhar a política e a economia, não é? Vejam só, as grandes inovações econômicas dos últimos anos... reis do gado, soja, extrativismo mineral e, agora, biocombústiveis!

Opa, biocombustíveis parece inovador, que nome legal. Qual é a base disso mesmo? Hã? Cana-de-açúcar??? Tá me tirando né...

A grandeza e reconhecimento internacional do nosso país mais uma vez reside no bom e velho "plantation"! Aaah saudoso século XVII, quem disse que não voltarias?!

Que nos conforte o interesse colateral da máquina, a impulsionar ao menos a pesquisa brasileira em agropecuária...

 

~~

Este post foi originalmente resposta a uma discussão iniciada na comunidade orkutiana do Curso de Ciências Moleculares.

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Fevereiro 19, 2008

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Ni!

Semana passada ocorreu a Campus Party BR 2008 na bienal do Ibirapuera.

Eu estive lá e conferi, entre outras coisas, as palestras da equipe do Stoa no evento. Eu estava na área de Games e Software Livre, portanto passei a maior parte do tempo jogando Quake3, Unreal Tournament, e instalando GNU/Linux no computador da minha mãe (já que eu não tinha um pra levar) e de amigos, além de mexer um pouco no protótipo do XO do projeto OLPC.

Apesar da desorganização do evento, a galera de cada área se auto-organizou e deu tudo certo. Mas era absurda a óbvia discrepância entre a quantidade de dinheiro captada em patrocínio e o investimento efetivo no evento.

Outra coisa que ficou chata na dinâmica e não tinha como o povo hackear era o espaço de auditório para cada área ficar longe demais das mesas onde estavam os micros. Isso dividia o pessoal e não provia uma maneira natural dos coordenadores se comunicarem com toda a comunidade.

Mas como eu disse, o evento foi legal pra caralho, o povo se virou pra lidar com as dificuldades e tal, mesmo disputando os poucos puffs a tapa na hora que dava um cansaço. Vamos esperar que a organização aprenda e ano que vem seja tudo ninja.

Uma coisa engraçada eram os "blogeueiros" no evento. Eu não sei o que essa gente foi fazer lá. Tudo o que eles fazem é ficar falando sobre ficar falando. rsrs É a única área onde o povo vai "fazer social". Quanto a isso, não há nada melhor que a área da games: poder xingar o filha da puta que te fraggou em alto e bom som pra ele - e todo mundo mais - escutar sua ira é impagável. Mas enfim, acho que alguém precisa fazer o evento repercutir pro mundo exterior, e como a gente tá muito ocupado com pwnage e haxx1n6 os blogueiros talvez sirvam pra alguma coisa. O que não tinha explicação mesmo era aquele aquário lá no meio. Blogueiro com carteira assinada não devia ter tratamento especial, vai ver eles tem vergonha de serem remunerados pra falar do que não entendem e ficam lá no aquário pra se martirizar.

Sobre a palestra do Stoa, eu achei muito legal no primeiro dia, o Ewot encaminhou a discussão pruma direção bacana, e falou coisas importantes sobre a motivação do projeto. Isso fez o público se envolver e tal. Aqui estão os links para os vídeos que eu fiz, infelizmente não gravei a introdução pois estava batendo fotos:

http://www.youtube.com/watch?v=-VT5OT21uz4

http://www.youtube.com/watch?v=oRr3DtfLzd4

http://www.youtube.com/watch?v=xDNoJgihKrw

http://www.youtube.com/watch?v=uYTJgEQ5Ds4

http://www.youtube.com/watch?v=FgMPv2NkiWc

Também bati algumas fotos do evento:

http://picasaweb.google.com/solstag/CampusPartyBrasil2008

As do Stoa começam aqui:

http://picasaweb.google.com/solstag/CampusPartyBrasil2008/photo#516

E fiz um vídeo do campeonato de Street Fighter hehehe:

http://youtube.com/watch?v=n4O5SJ6fnmE

Bom é isso... eu podia falar da palhaçada que foi a divulgação das "estatísticas" do evento, mas vou deixar isso pra outro post.

Palavras-chave: campuspartybr, fotos, games, stoa, vídeos

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Janeiro 31, 2008

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Ok, é uma brincadeira, e essa mensagem inteira é uma grande hipérbole, mas também é tudo verdade.

 Olha esta página.  O que você vê? O que eu escrevi é claro, vc está lendo. Mas o quê mais?

 Opa... foto, descrição, perfil, blog, apresentações, calendário, wiki, arquivo, agregador, meus contatos (uns 10 nome tudo empilhado), minhas comunidades (idem), um banner grotesco (que provavelmente está te obrigando a dar scroll down pra ler isto), e, olha só, se vc prestar bem atenção, lá no topo, tem uma barra de ferramentas, é, tem mesmo, eu juro! é que ela é invisível, mas se vc prestar atenção,  vai até ver que tem blog (não este, o seu!), calendário, arquivos, rede mensagens, agregador, perfil (o seu, o seu e o seu! juro que é)!

Será que acabou? nada disso... lá no outro canto ainda tem um botão de "configurações", um pouco menos invisível porque tem um treco colorido laranja logo ao lado.

Bom,  acho que agora está claro a minha indignação não é?

EU SÓ QUERO UM ESPAÇO PRAS MINHAS IDÉIAS 

Ah, mas eu posso trocar o template, ah mas eu posso por javascript, ah mas eu posso..

eu também posso abrir um blog no blogger e com dois clics ter uma coisa muito mais funcional!

Porra!!! 90% da lista de nomes aí em cima eu nunca sequer cliquei!!! Pra quê isso??? Pra quê??

Aaaaah... 

Mas tem uma coisa pior... muuuito pior...

A página princpal!

Bátima bátima bátima!! 

Será que não dá pra aprender uma lição simples!?!?

*PÁGINA DE ENTRADA NÃO É DESFILE DE ESCOLA DE SAMBA*

Porra tem um botão gigante "cadastre-se" e ainda assim o ruído é tamanho que esse botão é a última coisa que meus olhos percebem!!!

Por que puta que o pariu eu vou querer saber dos Usuários, Notícias, Comentários (sem contexto, ridículo), uma descrição do sistema mais longa que abstract do Physical Review, Comunidades, Últimos posts, Estatísticas, Últimas notícias...

POIS É A ÚLTIMA DA ÚLTIMO DA ÚLTIMA vez que eu abro essa página, dá dor de cabeça só de olhar!

Ainda bem que quando eu me cadastrei não tinha nada disso, porque senão ia ter xingado e Everton e  fechado o browser antes de sequer conseguir achar o maldito botão azul!

Na boa gente, tem muitos detalhes que podem ser discutidos sobre a interface do Stoa.

E tem muita coisa da inteface que melhorou MUITO MUITO desde que vcs começaram. 

mas pra REMOVER 90% dessa RUÍDO não tinha nem que ter discussão!!

n.o.b.r.a.i.n.e.r.r.r.r.r.r.r.r.r

Abraços pra todos,

Gosto muito de vcs (nem parece né! hahaha mas quem vc mais gosta é quem vc mais pode xingar)

abdo

*~ 

Palavras-chave: idéias, página principal, ruído, stoa, usabilidade

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Janeiro 30, 2008

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Ni!

Como parte do meu trabalho de pesquisa em redes sociais, gerei algumas imagens de como a greve de 2007 repercutiu aqui no Stoa ao longo dos meses do ano passado.

O link é este aqui:

http://www.cecm.usp.br/~eris/pub/acad/stoa/greve/

Por enquanto são figuras "de brinquedo", mostrando apenas a dinâmica em torno da palavra "greve".

Em breve vou incluir umas figuras mais completas.

Diviram-se! E tirem suas póprias conclusões... rs

=)

 

Palavras-chave: 2007, greve, redes sociais, stoa

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Fevereiro 15, 2007

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Esta semana retornei de 6 meses trabalhando num pojeto científico na Columbia University em Nova Iorque. Uma espécie de doutorado sanduíche improvisado com a reserva técnica da fapesp.

Espero escrever mais a respeito dessa experiência em breve, mas das muitas coisas que ela me levou a pensar a respeito, gostaria de discutir uma antes: a "fuga de cérebros".

Tendo partido por apenas seis meses, eu certamente não me qualifico como um cérebro em fuga, porém estando lá pude compreender um pouco melhor essa questão.

Que fique claro que aqui me refiro ao ambiente científico, e não à exportação de profissionais qualificados para exercer atividades técnicas.

 

Fuga de cérebros é o nome dado à saída de pesquisadores brasileiros altamente qualificados ao exterior, em geral à procura de estudos ou trabalho acadêmico-científico.

Já da construção do termo, assume-se que ela é ruim para o país, pois sugere a perda de recursos humanos (fuga) para o desenvolvimento da ciência e tecnologia (de cérebros).

Estar no exterior, ou seja, ser um "cérebro em fuga", ainda que temporária, levou-me a pensar a respeito disso, e tentar perceber o que minha experiência e a dos meus colegas lá poderia ensinar-me a repeito.

 

Fuga de cérebros não é fuga de conhecimento científico. Sendo um dos poucos bens comuns da humanidade, universidades não competem pela ciência. Elas competem por bons pesquisadores para ganhar verbas e prestígio, mas a ciência desenvolvida em um país enriquece a todos.

Além disso, os meios para executar ciência obviamente afetam a "fuga de cérebros", porém a fuga não afeta diretamente os recursos disponíveis para a ciência.

Assim, considerar a fuga como indesejável não apenas ignora a natureza do projeto científico como não oferece solução para o problema da falta de recursos que em parte a causa.

Mais do que isso, apontar a "fuga de cérebros" como razão para criticar a falta de investimento em ciência é seguir uma falsa lógica que, sem fundamento, está fadada a fracassar ou, caso tenha sucesso, a causar problemas ainda mais sérios.

 

Sem "fuga de cérebros", ficamos sem exposição privilegiada a idéias nascentes pelo mundo, passando a depender ainda mais de decifrar publicações para manter-nos atualizados, num mar de artigos cada vez mais vasto e caótico, onde saber a direção a tomar frequentemente vale mais do que saber caminhar rapidamente.

Sem "fuga de cérebros", ficamos sem contato social com meritocracias avançadas, tornando mais fácil criar barreiras a críticas do corporativismo fossilizante que tende a se manifestar nas universidades brasileiras tanto no nível das idéias como dos indivíduos, perpetrando as normas equivocadas que deram origem a essa tendência.

Sem "fuga de cérebros", vamos contra a própria noção de que ciência é um bem comum a ser perseguido livremente por todas as nações e indivíduos, e diante disso torna-se difícil argumentar contra medidas protecionistas claramente injustas e imorais como patentes de genes e medicamentos, que beneficiam apenas os países dominantes e criam barreiras ao desenvolvimento de países periféricos como o Brasil.

 

Assim, deve-se ter mais critério ao criticar-se a "fuga de cérebros".

Evidentemente o volume dela repercute a falta de recursos para a ciência, porém, não havendo recursos, a melhor coisa para a ciência brasileira é que esses cérebros fujam mesmo.

Ainda mais porque, quando os recursos surgirem, o volume se reduz sozinho.

Palavras-chave: ciência, exterior, falta de recursos, fuga de cérebros, new york, nova iorque

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Postado por Alexandre Hannud Abdo | 3 usuários votaram. 3 votos | 7 comentários

Dezembro 19, 2006

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 Decidi ajudar o Tom com isso aqui.

 Acho que vai se alinhar bem com meus propósitos secretos sinistros. 

 Stoa neles! 

 Mais um passo para a guerrilha ontológica :D

 

Palavras-chave: ajuda, amigos, propósitos secretos sinistros

Postado por Alexandre Hannud Abdo | 1 comentário

Dezembro 14, 2006

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Waka waka waka

Muncha cruncha yummy hummm!!!

 boozah

 

Postado por Alexandre Hannud Abdo | 6 comentários

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