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Junho 2011

Junho 28, 2011

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Ni!

A SBF, que ainda ostenta com mérito algumas glórias, tem se tornado palco para propostas de idoneidade duvidosa.

Não apenas seus processos decisórios andam pouco visíveis aos membros, tendo avançado pouco dentro das atuais tecnologias de comunicação, como vem perseguindo recentemente duas atitudades inaceitáveis.

Primeiro, já concretizada, fechou o acesso ao Brazilian Journal of Physics a não membros, quando o único propósito legítimo da existência de tal revista é destacar a física brasileira ao mundo exterior.

Vejam a discussão extremamente urgente iniciada pelo professor Paulo Murilo Castro de Oliveira.

Segundo, ainda em discussão, a SBF vem apoiando algo que pode entrar para a lista dos grandes retrocessos históricos do desenvolvimento científico e tecnológico do país: o apoio à reserva de mercado através da regulamentação de uma suposta profissão de "Físico".

Defendem-se na base do imediatismo tupiniquim, dizendo que irão apenas dar acesso a físicos à atividades já reservadas a engenheiros.

Porém, ao criar-se uma regulamentação e as estruturas burocráticas e conselhos que irão implementá-las, autoriza-se e sedimenta-se ainda mais as reservas de mercado, estrangulando a luta justa e direita que seria por extinguir tal instrumento onde necessário para benefício dos físicos.

Reservas de mercado são uma abominação. Elas vão contra a meritocracia, vão contra a interdisciplinaridade, vão contra a economia de mercado, contra a gestão eficiente de recursos humanos, contra as liberdades individuais, e consultando quem acredita ainda constatar-se-á que vão contra o socialismo e contra Deus!

É uma ideia anacrônica que só interessa a conclaves, cabalas e cliques de politiqueiros e burrocratas de visão de curto alcance buscando promoção imediata de seus interesses e imagem pública.

Quando até dos jornalistas, ainda acordando para a realidade do século, extinguiu-se a reserva de mercado em sua área, a SBF flerta com a ideia de estimular essa monstruosidade, ao invés de aproveitar o impulso para combatê-la.

Há mais de um ano, segundo as atas das reuniões, não se tem notícia do progresso da proposta de regulmentação.

Mas a história contada pelo Prof. Paulo, de como deu-se o cerceamento do acesso ao Brazilian Journal of Physics, mostra um pouco do ambiente propício a ideias promíscuas que arrisca se tornar a SBF. Com isso, não é possível saber se o assunto da regulmentação esvaziou-se, para bem, ou se está sendo armado por baixo dos panos.

Uma pena que, diante de tudo isso, vários cientistas filiados e vários conselheiros continuam aceitando que se faça tão pouco de uma instituição com uma história tão nobre.

Saudações,

ale

Palavras-chave: acesso aberto, acesso negado, liberdade, reserva de mercado, sbf, vergonha

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Ni!

ATUALIZAÇÃO (07jul): a disciplina já aparece no Janus!

Caros amigos colegas,

É com muita alegria que compartilho a notícia da reativação da disciplina Informação, Comunicação e a Sociedade do Conhecimento, criada pelo professor Imre em 1999 e por ele lecionada até 2008, no Instituto de Matemática e Estatística da USP, e convido-os a participar e divulgá-la entre seus alunos e colegas.

A disciplina é oferecida neste segundo semestre simultaneamente para a graduação e pós-graduação, com os códigos respectivos MAC0339 e MAC5800, e aceita alunos de todas as unidades, assim como alunos especiais e ouvintes. Seu horário será segunda e quarta-feira das 14h às 15h40m.

(Ciente da passagem do primeiro período de matrículas da gradução, encaminho esta mensagem com efeito aos alunos de pós-graduação e, também, na oportunidade do segundo e terceiro período de matrículas da graduação.)

A proposta da disciplina é elaborar os principais temas e exemplos onde a computação afetou a capacidade humana de colaboração e compartilhamento, em profundidade de investigação teórica e prática, com o desenvolvimento de pesquisas e projetos pelos alunos.

Estudar a organização da Wikipédia, do Software Livre, da infra-estrutura da Internet, a economia e teoria política da informação, as licenças colaborativas de copyright e patentes, as tecnologias capilares (peer-to-peer) para o compartilhamento de informações, o impacto desses processos na educação e produção de conhecimento, a criptografia e certificação na gestão de identidade e crédito, a relação entre blogosfera e jornalismo, o desenvolvimento de hardware aberto, a sociedade modelada como sistema complexo, as questões políticas e potencial democrático da rede, e também práticas colaborativas anteriores à Internet, como a própria Ciência e outros arranjos comunitários.

Contaremos, no decorrer das atividades, com a participação de professores e pesquisadores de diversos institutos da USP, do seu Centro de Competência em Software Livre, e também de outras universidades, movimentos sociais, instituições e centros culturais.

Além disso, o conteúdo produzido no curso será desenvolvido publicamente em plataformas de colaboração com uma licença livre (CC-BY[-SA]), como a Wikipédia e Wikiversidade, para que possa ser recombinado, resignificado e ofereça aos alunos a experiência de sua própria proposta.

Por fim, dentro de um programa a que chamamos Lab Escola Imre Simon, a disciplina ocorre em dueto com o ciclo O Futuro da Informação, organizado em centros culturais no semestre complementar, cujo registro da última instância podem conhecer aqui:

http://pt.wikiversity.org/wiki/O_Futuro_da_Informação/CCESP_2011

Peço a todos o apoio na divulgação e também convido-os a colaborar na construção dessa iniciativa que, em sua história, já conta com a participação de todos vocês.

Qualquer dificuldade de matrícula ou em encontrar as disciplinas nos sistemas - a de pós-graduação, por exemplo, só aparecerá com o início das matrículas - entrem em contato comigo neste blog ou pelo e-mail <abdo@member.fsf.org>.

Saudações e paz e amor,

ale
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Dr. Alexandre Hannud Abdo
Pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz
Professor convidado do IME-USP

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Postado por Alexandre Hannud Abdo | 3 comentários