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Fevereiro 2010

Fevereiro 02, 2010

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Ni!

A questão ambiental é um problema de análise de risco. Ou seja, o que conta não é a confiança em quem está certo, mas a distribuição da confiança pelo ganho ou, no caso, pela perda de cada cenário de escolhas.


Ainda que a comunidade que estuda o assunto estivesse dividida pela metade - o que não está - o produto da confiança pela perda deveria nos levar a tomar atitudes drásticas e imediatas em todos os níveis, porque a perda prevista é tão grande que, multiplicada pela confiança de metade da comunidade, sobrepor-se-ia facilmente a qualquer opinião da outra metade.

De fato o cáculo é mais complicado, mas fica simples porque as atitudes a serem implementadas são economicamente saudáveis, ou seja, levam ao desenvolvimento, potencialmente até maior, apenas por uma outra rota.

Acontece que só levam a um desenvolvimento justo entre os países se todos agirem juntos. Por isso há tanta disputa internacional, porque se todos parerem, todos ganham, mas se um não parar é preciso haver punição proporcional, pois sairá ganhando às custas dos demais.

Portanto é inteligente uma orquestração internacional para atitudes em todos os níveis contra as mudanças climáticas.

De fato, em termos desse tipo de análise, é um "no brainer".


Acontece que tais acordos exporiam países poderosos que desenvolvem-se de forma injusta e teriam de diminuir sua sede ao pote para que outros possam desenvolver-se. Ou seja, um dos grandes obstáculos é que a preocupação com o ambiente de fato acaba tornando-se um mecanismo poderoso de justiça internacional. E é por isso que esses acordos são difíceis, não porque as pessoas acham que este ou aquele cientista está certo ou errado.

A ciência já fez sua parte nesse jogo, independente dela ser conclusiva ou não. Não resta um pingo de dúvida que a ação estratégica é mudar radicalmente os padrões de desenvolvimento e de consumo para harmonizar-se com o meio ambiente.

E mesmo se surgissem amanhã evidências irrefutáveis em contrário - o que não acontecerá porque o problema com a meteorologia é justamente a dificuldade de análises irrefutáveis de médio prazo - a questão do impacto das medidas ecológicas na justiça econômica mundial levaria-nos a querer implementá-las de qualquer forma.


Tais ações ecológicas, seja a nível nacional ou individual, podem não ser necessárias para a sobrevivência dos humanos e certamente não salvam o ecossistema planetário que, neste momento, não precisa ser salvo - apesar da humanidade ter o poder atômico para destruí-lo.

Mas são a coisa inteligente e ética a ser feita em termos dos riscos e da confiança que há nos diversos cenários possíveis.

Abraços,

ale

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Esta mensagem está sob a licença CreativeCommons Atribuição.

Postado por Alexandre Hannud Abdo | 4 comentários

Fevereiro 09, 2010

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Ni!

Olá mundo,

Iniciaram-se hoje (dia 2 de março) as inscrições para o ciclo de aulas-debate inspirado no curso do nosso querido Prof. Imre Simon, que estamos organizando colaborativamente no Centro Cultural São Paulo, também conhecido como o centro cultural na Vergueiro.

Um pequeno texto de divulgação que escrevi começa assim:

Vivemos em tempos interessantes. As mesmas transformações que nos permitem colaborar e compartilhar conhecimento e cultura livremente também ameaçam nossa privacidade e abalam a estabilidade de instituições, ao mesmo tempo em que viabilizam outras formas de organização da sociedade e de construção do indivíduo (continua...)

O curso será bastante focado em exemplos concretos de práticas colaborativas e compartilhamento na rede; a proposta é aproximar o público geral e protagonistas dessas diversas iniciativas, onde todos terão um papel simultâneo de debatedores e alunos.

Alguns tópicos abordados são:

  • a dinâmica da wikipédia e do software livre
  • sociedade, conhecimento e recursos educacionais abertos
  • ecossistemas de cultura livre, coletivos de arte e ativismo
  • a web social: mercado, negócios e política na rede
  • teorias econômicas, sociológicas e modelos matemáticos

Quando

Os encontros ocorrerão nas noites de terça-feira a partir do dia 9 de março e estender-se-ão até final de abril.

A cada dia, começaremos às 19h com uma discussão do tema da aula anterior e abordaremos o tema do dia das 19h30 às 21h30, seguindo-se mais meia hora de discussão aberta.

Onde

As aulas ocorrerão na Sala Zero do CCSP, que é um espaço aberto e móvel acima da biblioteca, em meio a mostras e outras exposições, formando um ambiente super legal.

Inscrições

Segundo o site do CCSP, as inscrições devem ser feitas até dia 5 de março na Divisão de Ação Cultural e Educativa, das 10h às 17h.

Quem quiser saber mais sobre o curso pode consultar o portal do Laboratório Escola Imre Simon na Wikiversidade e a ementa colaborativa.

E se tiver alguma dúvida deixe um comentário aqui, preenchendo o e-mail conforme indicado (que só será visível para mim), ou mande um e-mail para mim: abdo "arrôba" usp "ponto" br.

Um abraço,

ale

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Postado por Alexandre Hannud Abdo | 1 usuário votou. 1 voto | 2 comentários