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outubro 17, 2011

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Ni!

Caros, começou essa semana uma batalha tecnológica que direcionará o futuro da condição humana.

A Microsoft - e seguramente não está sozinha nisso - está pressionando fabricantes de hardware a produzir computadores que, por construção, só rodem os sistemas operacionais que o fabricante autorizar previamente. A primeira consequência disso será a dificuldade ou até impossibilidade dos usuários sequer optarem por um sistema operacional livre, como o GNU/Linux.

Permitir o avanço dessa prática significa que, muito em breve, pode se tornar difícil, se não impossível, adquirir um computador sem tal mecanismo de controle ou que permita desativá-lo, e há notícias de que alguns fabricantes já pretendem impedir a sua desativação.

Mais claramente, parte dos nossos cérebros - o vulgo computador - será necessariamente controlado por uma empresa, sem sequer a possibilidade física de você optar por uma solução autônoma.

Peço-lhes, assim, que considerem assinar o documento abaixo, tornando público o compromisso de não adquirir um computador que implemente e vede desabilitar esse sistema de controle:

http://www.fsf.org/campaigns/secure-boot-vs-restricted-boo

A única coisa a tornar-se mais segura com tal restrição absoluta é o negócio dessas empresas, ao custo de liberdades básicas que nos definem como humanos.

Obrigado pela atenção e, peço-lhes compartilhar esta mensagem.

 

ale .:.

Palavras-chave: direitos humanos, liberdades fundamentais, restricted boot, secure boot, software, software livre

Esta mensagem está sob a licença CreativeCommons Atribuição.

Postado por Alexandre Hannud Abdo | 1 usuário votou. 1 voto

Comentários

  1. Diego Rabatone escreveu:

    http://polignu.org/artigos/190-secure-boot-ja

    default user iconDiego Rabatone ‒ segunda, 17 outubro 2011, 08:41 BRST # Link |

  2. Ewout ter Haar escreveu:

    Novo link: http://www.fsf.org/campaigns/secure-boot-vs-restricted-boot/statement

    Ewout ter HaarEwout ter Haar ‒ segunda, 17 outubro 2011, 19:54 BRST # Link |

  3. Alexandre Hannud Abdo escreveu:

    Opa, gratz Diego, gratz Ewout... Ni!

    Alexandre Hannud AbdoAlexandre Hannud Abdo ‒ terça, 18 outubro 2011, 01:57 BRST # Link |

  4. gabriel escreveu:

    reconheço a gravidade da situação e o quão danoso este fato pode ser no futuro.

    Mas frente a todas as outras importantes pautas de todos os outros importantes movimentos sociais e políticos que ora ocorrem no mundo, é difícil imaginar que esta causa especificamente chegue aos corações das pessoas a ponto de gerar qualquer tipo de ação.

    não quero aqui parecer chato. Mas acho que uma entidade tão importante quanto a FSF bem poderia começar a reunir alguns contatos e aliados em outros movimentos. Seria no mínimo interessante ver o Stallman no meio da ocupação de Wall Street…

    De qualquer forma, passo aqui para falar de outro problema. De algum modo, esta batalha já está perdida independente desta iniciativa da Microsoft surtir ou não efeito. Imaginando que dispositivos como tablets e smartphones venham a substituir o PC no cotidiano das pessoas comuns, não há muito o que fazer: Steve Jobs já convenceu as pessoas a utilizarem aparelhos totalmente fechados, nos quais a cultura de "instalar o sistema operacional" simplesmente não existe. As pessoas já se acostumaram até a utilizarem apenas as aplicações homologadas pelo fabricante do hardware: até mesmo o software livre embarcou nessa se apropriando do vocabulário próprio do universo proprietário ("ubuntu software center" x "mac app store").

    Stallman está certo na maior parte das vezes. O problema é de se isolar…

    gabriel fernandesgabriel ‒ quinta, 20 outubro 2011, 01:14 BRST # Link |

  5. Alexandre Hannud Abdo escreveu:

    Gabriel, felizmente a FSF não está nada isolada nessa questão.

    E mesmo as pessoas contentes em usar smartphones fechados tem uma atitude muito diferente com relação aos computadores. A própria Apple não ousou impedir alguém de alterar seus desktops e notebooks.

    Quando há alguns anos atrás a Intel, também por pressão de outras indústrias, tentou impôr um número de identidade a cada processador, acessível ao SO, teve de recuar.

    Ademais, se por cotidiano você considera trabalho e diversão, não há nenhuma evidência de que os tablets e smartphones irão substituir o PC, apenas complementá-lo. De acadêmicos a artistas gráficos a gamers a empresários, tablet é só pra ler jornal no banheiro e passar tempo no metrô.

    E mais, muita gente que usa smartphones fechados já tem consciência da importância de ser possível modificá-los, veja a quantidade de iphones "jailbreaked" ou androids "rooted".

    Não são todos, mas esse tipo de briga nunca requer todos, basta que se manifestem os usuários mais informados que, as empresas bem sabem, formam opinião dos demais.

    Para nem mencionar a pressão complementar de indústrias como RedHat, Canonical e possivelmente IBM, que portam a voz dos seus clientes em não quererem ficar ainda mais presos à tecnologia dessa ou daquela empresa.

    A FSF não é nada isolada, pelo contrário é uma voz a cada dia mais respeitada. Até quando o Stallman foi bater - muito corretamente mas pouco delicadamente - no Steve Jobs, pessoas que são indiferentes a ele saíram em sua defesa. E mesmo assim não vamos confundir o indivíduo com a FSF.

    Por fim, se você não vê essa questão atingindo o coração das pessoas, é hora de começar o seu trabalho de passar adiante esse entendimento para esses outros movimentos. De minha experiência a maior parte dos movimentos populares com que tenho contato - e não são poucos - tem algum conhecimento e muito respeito e admiração pelas questões e soluções apresentadas pelos desenvolvedores e usuários de software livre.

    Abraço,

    Ni!

    Alexandre Hannud AbdoAlexandre Hannud Abdo ‒ quinta, 20 outubro 2011, 01:37 BRST # Link |

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