Stoa :: Alexandre Hannud Abdo :: Blog :: Serra nomeia Interventor Biônico para a USP

novembro 13, 2009

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Ni!

O Governador José Serra deve em breve anunciar o fim da sequência de reitores democraticamente eleitos e instalar um Interventor Biônico na Universidade de São Paulo.

Conforme apurado pela Folha de São Paulo[1,2], o Professor Glaucius Oliva, primeiro colocado nas eleições com 161 votos, 57 a mais que o segundo colocado, foi preterido pelo governador em favor do Professor João Grandino Rodas.

Segundo a lei, o governador pode escolher qualquer dos três candidatos mais votados. O espírito da lei, contudo, reflete-se em que tal fato não ocorre desde a ditadura militar, quando o então governador biônico do Estado, Paulo Maluf, ignorou de maneira semelhante a maioria da comunidade universitária.

[1] http://www1.folha.uol.com.br/folha/educacao/ult305u651773.shtml

[2] http://www1.folha.uol.com.br/folha/educacao/ult305u651046.shtml

O Professor Rodas, estipulado Interventor Biônico da USP, é mais conhecido por requisitar a intervenção da Polícia Militar na Universidade[3] e por ter sido o único candidato à reitoria não interessado em expôr sua opinião sobre o acesso público ao conhecimento[4].

Em breve, será reconhecido também pela falta de caráter, como jurista, ao assumir um cargo público usurpado em flagrante desrespeito ao espírito da norma como utilizada pelo governador Serra.

[3] http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u321990.shtml

[4] http://www.gpopai.usp.br/wiki/index.php/Respostas_dos_candidados

Parabéns USPianos e boa sorte!

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Palavras-chave: biônico, interventor, reitoria, rodas, serra, universidade

Esta mensagem está sob a licença CreativeCommons Atribuição.

Postado por Alexandre Hannud Abdo | 2 usuários votaram. 2 votos

Comentários

  1. Laerte Andrade escreveu:

    Entendo a revolta, mas você não acha que o problema está justamente na lei permitir que o governador possa escolher qualquer um dos três? Por que essa bizarrice ao invés de simplesmente eleger o mais votado?

    default user iconLaerte Andrade ‒ sexta, 13 novembro 2009, 07:52 -02 # Link |

  2. Antonio Candido escreveu:

    Já havia manifestado o meu temor que isto ocorresse. Se esta nomeação à revelia da escolha feita autonomamente pela própria instituição for adiante teremos um péssimo começo para o novo reitor que será visto como ilegítimo. Isto é tudo o que a USP não precisa neste momento. O sinal é de um aprofundamento da falta de diálogo, do desrespeito às opiniões e interesses da comunidade acadêmica como um todo, do autoritarismo. As divisões e conflitos internos provavelmente se acirrarão num cenário como este.

    Serra reforça o seu perfil autoritário e de desapreço pela universidade pública.

    Antonio C. C. GuimarãesAntonio Candido ‒ sexta, 13 novembro 2009, 08:11 -02 # Link |

  3. Alexandre Hannud Abdo escreveu:

    Ao Laerte:

     Não acho que o problema esteja na lei permitir. Passamos vinte e oito anos sem problemas. Vinte e oito anos de respeito mútuo entre governador - não vou dizer governo pois uma única pessoa não representa o governo - e universidade.

     A regra é problemática, mas tem seu sentido, apesar de eu não concordar com ela. Também considero equivocado tal atribuição recair sobre uma única pessoa sem referendo algum. Contudo, recaindo-se, essa pessoa deve(ria) usar tal privilégio com cuidado e bom senso e nunca para fazer jogos políticos e demonstrações de poder. O fato de que somente um governador biônico durante o regime militar abusou desse instrumento mostra não ser difícil encontrar um equilíbrio.

     Assim é que o caso atual, com a escolha de um candidato contencioso, com histórico extremamente polêmico de confronto e pouco interesse pelo diálogo, distante em votos do primeiro colocado e sabidamente sem simpatia da maioria da universidade, num momento onde claramente esta esperava unidade e não mais conflitos internos, revela-se obra da já assumida estratégia do governador - e por que não do candidato à presidência -  de impôr-se autoritariamente para enfraquecer a autonomia da universidade frente aos interesses que o financiam e junto a crítica acadêmica à sua pessoa-candidatura.

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    Alexandre Hannud AbdoAlexandre Hannud Abdo ‒ sexta, 13 novembro 2009, 14:01 -02 # Link |

  4. Antonio Candido escreveu:

    “O governador não me deu a oportunidade de expor meu projeto. Mas não sei se a escolha foi baseada na diferença entre projetos, até porque a decisão saiu de pronto”, afirmou Oliva, diretor do Instituto de Física da USP em São Carlos.

    Está ficando claro que Serra já tinha escolhido o reitor antes mesmos das eleições que nos dois turnos teve como mais votado o Prof. Oliva. Pelos apoios e histórico do Rodas sabe-se que trata-se de alguém com ligação política-partidária com o governador. Serra é conhecido por ser centralizador e controlador. Em ano eleitoral, não dispensará o controle próximo de todos os meios possíveis ao seu alcance para que possa se eleger presidente da República. A USP será mais um instrumento ao seu dispor tendo um homem de confiança no comando. É óbvio que isto levará a uma polarização interna na universidade ainda maior do que já estamos acostumados. É óbvio que isto será danoso para a instituição.

    Antonio C. C. GuimarãesAntonio Candido ‒ sexta, 13 novembro 2009, 15:16 -02 # Link |

  5. Visitante escreveu:

    Rodas vem aí e com ele a PM

    default user iconVisitante ‒ sexta, 13 novembro 2009, 17:02 -02 # Link |

  6. Marco Grilli Tognato escreveu:

    Sem entrar no mérito a lei é justa, não é justa, etc. O fato é que é assim. A lei não foi desobedecida. A escolha do reitor não é um eleição direta. A USP faz parte do Governo do Estado, dessa maneira, cabe ao Governador escolher, dentre os indicados na lista tríplice, quem ele considera o mais adequado para administrar essa entidade. Mesma coisa na esfera federal com o STF, Ministérios; na estadual com Secretarias, etc. Quanto ao "espírito da norma" ele não é e nunca foi escolher o mais votado. Isso é justamente para tentar dar uma "cara" democrática a algo que não é. Quanto a esse último ponto, 320 pessoas também não são legítimas para escolher o destino de uma instituição com 100.000 pessoas. O processo inteiro teria que ser alterado de modo a levar em conta o peso de cada unidade em relação ao número de alunos, professores, produção, etc. Se o mais importante for só o número de cursos, pobres São Francisco, Poli e Medicina, justamente algumas das faculdades mais tradicionais, importantes e com mais pessoas da USP. Outra coisa que todos parecem esquecer é que o reitor tem que ser um bom administrador. Tem que ser alguém com experiência no mundo profissional. O Rodas tem um currículo excepcional. Fora que a experiência dele com direito internacional e diplomacia serão extremamente relevantes para o cargo. Justamente o contrário do que foi alegado aqui, ele é alguém que saberá dialogar e ponderar as diversas opções. Ele não é nenhum idiota para arrumar briga com todo mundo como alguns estão alegando. O que ele fará, sim, é agir quando necessário. Universidade é um lugar de estudo e pesquisa. Não um espaço para sindicalistas e alunos preguiçosos fazerem churrasquinho na grama, convidar tudo quanto é "movimento social" que nada tem a ver com a discussão em questão para fazer número e invadir e atrapalhar quem quer estudar ou trabalhar (lembro de algumas das várias invasões da SanFran na minha época, até mendigos iam lá no meio dos "protestantes" fazer festa e tomar cerveja). Achei ótimo que ele fechou as portas da SanFran quando tentaram invadir e chamou a PM para tirar os baderneiros que invadiram. Lembro da época em que estudava lá, aquele monte de greve enchia o saco e só atrapalhava. Universidade não é lugar pra isso! Acordem! Parece que as pessoas ficaram entaladas 40 anos atrás com essas discussões de esqueda X direita, ditadura militar, etc. Essa época já passou!! Ninguém liga mais para esse monte de manifestações na universidade, isso é motivo de piada para os que estão fora dela. Querem manifestações? Façam como em qualquer outro lugar do mundo, FORA da universidade. Perto do congresso, reuniões de G8, ONU, ou qualquer coisa. Deixem a universidade livre para quem quer estudar e produzir! Aliás, quanto mais atrapalharem isso, menos crédito terá a universidade em questão.

    default user iconMarco Grilli Tognato ‒ sexta, 13 novembro 2009, 19:46 -02 # Link |

  7. Júlio escreveu:

    Parabéns Marco Grilli Tognato, você mostrou que aprendeu bem o objetivo e o espírito do curso de Direito: a lei não serve para defender o interesse das pessoas, mas para proteger e garantir os privilégios de quem fez as leis. Óbvio, não? Por isso não faz sentido "entrar no mérito a lei é justa, não é justa, etc". Esse é o típico discurso de qualquer advogado cretino. Ao comparar os dois candidatos à reitoria da USP qualquer um é capaz de concluir que o Oliva é, de longe, o mais experiente e a melhor opção para dirigir a USP. Mesmo se o atual governador tivesse feito a opção de fazer uma escolha técnica, o escolhido seria o Oliva. Faça, você mesmo, uma comparação e veja. Experimente fazer uma análise técnica da questão e formular argumentos plausíveis ao invés de utilizar justificativas vazias e não-objetivas.

    http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI4105145-EI6578,00-Oliva+In

    default user iconJúlio ‒ sexta, 27 novembro 2009, 08:48 -02 # Link |

  8. Alexandre Hannud Abdo escreveu:

    Júlio, eu não discordo completamente de você, mas seu comentário foi muito ruim. A começar por desnecessariamente dirigir-se a alguém pelo nome completo. Esse tipo de atitude é gratuitamente ofensiva e imatura e, aos bons olhos, mostra insegurança e desqualifica os argumentos que seguem.

     

    Mas enfim, quanto ao mérito da questão.

    O Marco tem razão em destacar as competências do Rodas e a legalidade dos atos. Um democrata age para transformar as leis ao seu entendimento e não espera que as leis sejam interpretadas como ele gosta.

    Assim como você tem razão em destacar que o Oliva tem qualidades comparáveis, além da maior votação, e que a lei ser a lei não a torna justa e portanto não prescinde a população de maniefstar desagravo quanto a ações baseadas nela.

    A dúvida então é como proceder diante disso.

     

    Para mim o mais grave, o ponto que realmente permite criticar o caráter dos envolvidos, foi a total e completa ausência de uma explicação para a quebra de uma tradição que não era meramente formal, mas tinha um sentido fortíssimo para a universidade de defesa contra o autoritarismo de outra época que, não neguemos, ainda reverbera por este país.

    Em outro lugar me disseram a seguinte bobagem: "tradição não é justificativa para nada". Bobagem porque isso é óbvio. Tradição não existe para justificar, mas existe sim para explicitar aquilo que precisa ser justificado.

    Pois a eleição democrática não é um mandato divino. Um governante democrático tem sempre o dever de se explicar acima do direito de decidir.

    No caso de uma decisão que quebra justamente uma tradição associada à resistência ao autoritarismo, caracteriza uma lamentável demonstração desse próprio autoritarismo, e um deprezo pela democracia, fazê-lo sem dar qualquer explicação.

    Bem, tenho dito :)

    Abração a todos!

    ale

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    Alexandre Hannud AbdoAlexandre Hannud Abdo ‒ terça, 08 dezembro 2009, 02:23 -02 # Link |

  9. escreveu:

    Denuncia: a carta postada por antonio candido no dia 14 é falsa e ja foi retirada do blog do nassif... pode gerar problemas ao Prof. Sergio. Sugiro que seja retirada desse blog.

    default user icon ‒ sábado, 19 dezembro 2009, 10:58 -02 # Link |

  10. Felipe Pait escreveu:

    O governador foi eleito. Quem não gosta das decisões pode votar contra ele. Já o C Universitário que montou a lista tríplice não representa ninguém, e nem temos como saber quem cada um deles escolheu porque o voto deles é secreto. Então é certíssimo que o governador, eleito pelo contribuinte que sustenta a Usp, tenha esse poder. O que é bizarro é deixar a burocracia da Usp ter tanto poder sobre a universidade.

    Felipe PaitFelipe Pait ‒ terça, 22 dezembro 2009, 16:12 -02 # Link |

  11. Alexandre Hannud Abdo escreveu:

    Caro Felipe,

    Hugo Chavez também foi eleito, George Bush também foi eleito e, para não deixar de usar o clichê, Hitler também foi eleito.

    Ser eleito nunca isentou representantes democráticos da responsabilidade de justificar suas ações publicamente, de estar sempre aberto ao debate e, de fato, encorajá-lo no máximo da sua habilidade.

    Lamentavelmente, as ações do governador de São Paulo revelam o completo desinteresse à atitude democrática e, portanto, completa ilegitimidade de representação em suas escolhas.

     

    Traduzindo em pormenores, alegar que a escolha do povo por princípio coincide com a decisão de um governador eleito, mas que não debate ou justifica suas ações, é chutar a bola no gol errado, é usar o formalismo da democracia para defender o interesse particular.

    A sugestão de que democracia se faz na urna é um dos grilhões que mantém o Brasil nesse atraso político que vivemos. Democracia se faz no dia a dia, a urna é meramente um mal necessário. Infelizmente essa mudança cultural é mais difícil do que simplesmente importar os rituais e formalismos associados.

     

    Sobre o Conselho Universitário representar alguém, ele representa obviamente a meritocracia da universidade. Se representa mal, se o sistema de meritocracia da USP está quebrado, é um problema diferente. O fato é que nas melhores universidades do mundo a meritocracia tem o papel central. Universidade não é parte do Estado para ser democracia. Ela funciona melhor ao ser financiada pelo estado sem ser parte dele. O que também não significa inexistência de contrapartida ou controle social, mas esses devem exercer-se pelos mecanismos naturais à própria e não os da administração pública. A tentativa de fazer o contrário é que gera essa coisa mambembe que temos no brasil, tão poluída de política que às vezes nem cabe mais ciência. Mas isso é outro papo! :)

     

    Abraço!

    ale

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    Alexandre Hannud AbdoAlexandre Hannud Abdo ‒ quinta, 24 dezembro 2009, 05:07 -02 # Link |

  12. Felipe Pait escreveu:

    Ahá! Um argumento por reductio ad hitlerium, um caso de Godwin's law!   

    O regimento diz que o C Universitário dá uma lista tríplice de candidatos que a universidade considera aceitáveis para o governador escolher. É um compromisso entre a autonomia da universidade e a supervisão da sociedade. Não é ideal porque o funcionamento do C Universitário é burocrático, mas de fato mesmo esse ridículo burocrático não deixa de representar o pensamento da universidade.

    Você considera que "democrática" é a escolha de seu preferido, e compara ao nazismo qualquer alternativa. Bela argumentação! Meus parabéns! Onde você aprendeu a argumentar assim?

    Felipe PaitFelipe Pait ‒ quinta, 24 dezembro 2009, 21:35 -02 # Link |

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